Dica de filme: A Fonte da Vida

domingo, 3 de agosto de 2014

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Legenda PT-BR
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O filme revela uma magia impressionante. Mistura, com maestria e arte, romance, estados alterados de consciência, plantas de poder, iluminação, Ioga, Tai Chi, mito, lenda, questões de relacionamento e muito mais, tudo isso entrelaçado para recontar o mito maia da criação.

Imperdível!

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A Fonte – para quem viu e não entendeu.
Um projeto de explicação.

Citação inicial do filme: 24 “E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida” - Genêsis 3.

O homem foi expulso, pelo deus da igreja católica e da sinagoga judaica, do Éden, mas retorna através da árvore da vida contida no mito maia. Descobrimos isso ao longo do filme. Temos assim uma crítica artística e indireta a religião patriarcal, teísta e que proíbe o sacramento vivo da Natureza, pois a fonte se encontra no seio de uma floresta da América e não no tribunal da inquisição espanhola. A fonte se encontra na Natureza e não em um livro.

1ª cena: Ele lembra dela, do anel, da Rainha.

O anel é o símbolo da aliança entre o homem e a mulher, entre o feminino e o masculino. Ambos foram expulsos do Paraíso e podem retornar juntos. É o símbolo não só da união, mas também da completude e da realização. É o símbolo de um pacto pela vida. Tal união encontra-se no sacramento vivo de diferentes tradições xamânicas como da Jurema e da Ayahuasca.

24 Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão [uma só carne]. – Gênesis 2; Mateus 19-5; Marcos 10-8; I Coríntios 1-16; Efésios 5-31

2ª cena:

Ele tem que atravessar uma trilha estreita e perigosa, uma armadilha, e sabe que tem que fazê-lo e diz que ainda não irá morrer ali. E luta até o fim para sobreviver. E diz que atravessará pela força.

14 e porque estreita é a porta, e [apertado] o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram - Mateus 7

12 E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado à força, e os [violentos] o tomam de assalto – Mateus 11.

As citações bíblicas acima são uma alusão metafórica ao caminho do guerreiro, tal como a 2ª cena.

Ele atravessa o caminho e sobe os degraus do templo até a câmara interna para encontrar o sacerdote maia.

A fala do Sacerdote é importante porque fala do sacrifício do primeiro Pai pela árvore da Vida. Essa é uma história recorrente em diversas tradições xamânicas. Ele diz: A morte é o caminho para o sublime! Ver o documentário sobre Máscaras da Eternidade do Joseph Campbell. De fato, a vida surge de transformações de um ser em outro ser, assim a morte é o caminho para o sublime. A cena do filme muda drasticamente e o personagem como um Buda, em lótus, desperta em outra realidade, no meio do espaço infinito, dentro de uma bolha transparente onde há uma enorme árvore viva e ainda assim com um aspecto invernal, a árvore parece ser a mulher amada. Ele fala com ela e retira um pequeno pedaço da casca do tronco e o come. Parece que ele está diante de uma árvore enteógena, sagrada, a Deusa. A cena muda de novo e estamos numa nova realidade, a realidade de nosso tempo, onde surge a mulher amada a lhe convidar para um passeio na neve. As mudanças abruptas de cena sugerem diferentes realidades que se interpenetram na realidade do ser, do personagem, indicando a condição multidimensional do mesmo. Assim as cenas se confundem e confundem quem vê e esse efeito parece ser induzido, pois as mensagens são artísticas, não-lineares, de grande beleza e querem atingir um certo nível de sensibilidade. As cenas parecem querer confundir a mente linear, racional. A cena da prática de Tai Chi por parte do Dr. Creo (nome interessante para um personagem obcecado com a vida. Izzi é o nome da esposa, um nome feminino que remete a Ísis, pela duplicidade de letras invertidas, IZ, um clássico símbolo do feminino.) no meio do espaço é uma mensagem muito óbvia, clara nessa direção.

Mas pode-se compreender esse jogo de cenas que se interpenetram apenas como um recurso técnico e buscarmos um entendimento objetivo, que é o seguinte: o filme se passa em nossa época. As cenas de outras épocas e lugares são apenas parte do livro que a personagem da atriz principal - Izzi - escrevia, chamado A Fonte. A cena final é escrita pelo personagem do ator principal - Dr. Creo, Hugh Jackman -, pois no livro fica faltando o último capítulo, esse último capítulo deveria ser escrito pelo esposo já que a esposa escritora que estava morrendo não teria condições de fazê-lo. Assim a estória do livro se mistura com a estória dos personagens Izzi e Creo sugerindo uma metáfora multidimensional e traduzindo numa linguagem moderna um mito primordial sobre vida, morte e renascimento. Obviamente que o mito da criação maia é um mito panteísta, revelando o sagrado na Natureza e indicando a nossa ligação fundamental com tudo e com o todo vivente.

Se depois disso você continuou a não entender nada e ainda assim curtiu o filme, isso é o que importa.

F.A.

6 comentários:

Sartriani disse...

Gosto desse filme. Se tiver o dvd abra as cenas extras, tem uma cena interessante que não entrou no filme onde mostra ele preparando cogumelos.

F.A. disse...

Ok, valeu pela dica!

Por exemplo, me parece que o cogumelo psylocibe cubensis, o fruto do micélio, é resultado do encontro de dois micélios, macho e fêmea. Indicando de novo a união dos opostos para a geração de um novo ser e de uma nova consciência.

No intento,

F.A.

† Poison † Girl ♫ disse...

Gostei muito do modo como o filme foi descrito, vi esse filme ontem pela primeira vez e logo quis saber mais sobre sua história

Tiago disse...

Esse filme é perfeito.

Maicom Blink disse...

Alguem seria capaz de explicar o filme em palavras simples e com exemplos simples eu ja o vi 10 vezes e talvez devido a minha ignorancia mas nao comsegii entender onde ele quer chegar e o começo meio e fim. Agradeço pela ajuda

Rodolfo disse...

Análise interessante!

Há muito tempo fui instigado pela cena do personagem em lótus. Vou assistir!