Nós nos encontramos nos outros

terça-feira, 13 de abril de 2010

"Portanto, a primeira meta de um homem que começa o estudo de si deve ser reunir-se a um grupo. O estudo de si só pode efetuar-se em grupos convenientemente organizados. Um homem sozinho não pode ver a si mesmo.

Mas certo número de pessoas associadas neste propósito trará para todas, mesmo sem querer, um auxílio mútuo. Um dos traços típicos da natureza humana é que o homem vê sempre mais facilmente os defeitos dos outros que os próprios. Ao mesmo tempo, no caminho do estudo de si, o homem aprende que ele próprio tem todos os defeitos que encontra nos outros. Ora, há muitas coisas que não vê em si mesmo, enquanto nos outros começa a vê-las. (...) Mas é claro que, para ver-se a si mesmo nas falhas de seus companheiros e não simplesmente ver as falhas deles, deve manter-se alerta sem trégua e ser muito sincero consigo mesmo.

Deve lembrar-se de que não é um; que uma parte dele mesmo é o homem que quer despertar-se e que a outra - "Ivanoff", "Petroff" ou "Zacharoff" - não tem o menor desejo de despertar e deverá ser despertada à força .

Um grupo é, comumente, um pacto feito entre os Eus de certo número de pessoas para travarem a luta contra todos os "Ivanoff", "Petroff" e "Zacharoff", isto é, contra suas "falsas personalidades".

Tomemos "Petroff". Ele é formado por duas partes - Eu e "Petroff". Mas Eu não tem força diante de "Petroff". Petroff é o amo. Suponhamos que haja vinte pessoas; vinte Eus começam então a lutar contra um só Petroff. Podem agora revelar-se mais fortes que ele. Em todo o caso, podem pertubar seu sono, impedi-lo de dormir tranquilamente quanto antes. E assim atinge-se a meta."

Pags. 256 e 257 do "Fragmentos ", de Ouspensky.

2 comentários:

Decat disse...

vem chegando o momento...

Fernando Augusto disse...

Não será já, agora?

Te amo, sou grato!