Arcano 13

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Você está morrendo. Agora mesmo você está morrendo. Cada minuto é um passo na direção do fim. Atingir um fim ou meta ou finalidade é morrer. Alexandre, o grande, conquistou em sua época o mundo conhecido, e chorou. Ali, de certa forma, ele morreu. Mas já não estava morrendo antes? Esse instante mesmo pode ser o seu último instante. Morte. Isso significa que a morte não é algo que vai lhe acontecer no futuro. A morte é algo que já está lhe acontecendo. Acontece agora mesmo. Está aí, presente, viva e atuante. Não é apenas o fim, é o processo do próprio viver.

"A vida é o processo pelo qual a morte nos desafia".

O viver é o campo de batalha. A morte é a desafiadora. O guerreiro é aquele que compreende o desafio, que compreende que o viver só vale à pena pelo desafio da morte. Esse é o caminho dos desafiadores da morte. Caminho para poucos.

A morte é algo que acontece no presente, aqui e agora. A morte é iminente, presente, está a um braço de distância a nossa esquerda, é nossa companheira e testemunha, mesmo que não estejamos conscientes disso.

Isso não é para ser pensado ou projetado como um evento futuro. É um fato energético: morte.
.
Não é algo para ser pensado ou para ficarmos obsedados e deprimidos. Isso é uma armadilha do ego. O ego sempre situa a morte no futuro, porque ele mesmo é incapaz de viver no presente. Isso é típico do ego, pois ele é incompetente para viver a intensidade do presente. Então ele manipula o conhecimento de nossa efemeridade de forma tal a ficarmos obsedados com o fim, como algo distante e, portanto, nos levando à um tipo de paralisia deprimente. Encarar a morte como fim da vida expressa uma sintaxe da morte como o último ponto, a parada final da linha da vida, típico de uma ideologia que quer dissociar a morte da vida, que quer alijar a todo custo a certeza da morte colocando-a no fim e até mesmo ignorando-a ou mascarando-a.

iníciodavidavidavidavidavidavidavidavidavidavidavidavidavidafimdavida*morte

A morte não é o ponto final da vida, não há um trajeto pré-determinado onde a vida termine, tal como um terminal rodoviário, pois o ônibus mesmo pode encontrar seu fim em qualquer ponto do caminho. A vida e a morte se entrelaçam, não podem ser dissociadas, na verdade. Dissociá-las, dividi-las, separá-las é típico de uma visão de mundo que aliena o ser de sua natureza básica: a mutação, a transformação, o fluir, o morrer. Tal como o Tao. Forças opostas e complementares.

Um comentário:

Blog do Eu Sozinho disse...

e ai cara... gostei do seu blog, me motivou para escreveu mais ao meu... quando puder, de uma passada lá!
abraços!