Egrégoras e energia natural - parte 2

domingo, 9 de março de 2014

Sent: Wednesday, December 27, 2000 3:38 PM

Subject: [ventania] Egrégoras e energia natural

Olá Ventanias;
Olá Cabelos de Fogo;

Isto nos leva a um questionamento que julgo torturante e ao mesmo tempo fascinante, delicioso: o que é a Realidade? Existe uma realidade única e alguns "satélites" em volta? Ou existem diversas realidades, algumas mais densas, outras mais vaporosas, algumas mais resistentes, outras mais efêmeras...???

Existem diversas realidades, esta mesmo que vivemos tem variações e existem mundos paralelos tão parecidos com esse que sei de xamãs que acordaram nestes mundos e nunca mais voltaram para este e nem ficaram sabendo disto.

A densidade e a "vaporozidade" dessas realidades é relativa e depende do ponto de vista do observador, de onde vem e para onde vai. Efêmero me parece tudo que existe frente a vastidão da Eternidade.

Quando falamos em "mundos que geram energia" e "mundos que não geram energia" ou "mundo espectrais" é justamente para diferenciar mundos que tem relação com as propostas dos(as) xamãs que sabem ser importante ampliar sua própria energia pessoal e mundos que apenas consomem o poder pessoal do (a) xamã nada lhe acrescentando.

Assim a discussão no xamanismo vai mais longe que "realidade" ou "não realidade" e falamos de realidades condizentes com a estratégia de vida de um (a) xamã que busca a liberdade total e realidades não condizentes com esta proposta.

É bom lembrar que xamãs guerreiros (as) agem sempre por estratégia, não por princípios. Grande parte do treinamento inicial de um(a) xamã guerreiro é aprender a ver a energia diretamente, além das barreiras da socíalização. Este "ver" é interessante... Muitas vezes sonhei em ter a tal "clarividência" e a vez em que vi, de fato, me apavorei tanto, que me neguei a ver de novo... Tudo isto para anos mais tarde...livros e vivências depois... perceber que o "ver" independe de olhar... independe de forma visual... Muitas vezes é como um rastro de perfume, que passa por vc e pode ser deslocado no momento seguinte com uma simples brisa... Muitas vezes é como um toque suave de uma pluma invisível. Este "ver" deve ser constante e não basta apenas o "ver" que surge momentaneamente... E esta deve ser a maior dificuldade. Sim, VER aqui é um modo de dizer, como o sentido visual predomina em nossa estrutura ver acaba sendo usado para descrever esse estado de consciência que não é apenas visão é o corpo inteiro percebendo a realidade. Ver acontece quando calamos nosso diálogo interno, quando paramos de dizer para nós mesmos o que nos disseram que era o mundo, então outra descrição, esta mais ancestral, vinda da noite dos tempos, emerge, silenciosa em nosso interior e nos leva a perceber o mundo de forma completamente diferente da que até então estávamos habituados, para alguns caminhos isto é chamad VER, mas é mais que o sentido restrito do termo.

MAs uma egrégora não gera energia por si. Ela é alimentada, é resultante, daqueles que a geram e a mantém. Posso deduzir então que ela exige um esforço maior... Que pagamos um preço por nossas pequenas criações. Enquanto, se seguirmos o fluxo... se seguirmos a estranha e invisível estrada que guia os pássaros no inverno e os peixes na época da reprodução, então realizaremos nosso objetivo com mais facilidade, menos desgaste e profunda harmonia com o Todo. Correto dizer isto? O Taoismo e o Xamanismo Guerreiro lidam exatamente com esta proposta, descobrir os fluxos do Tao ou do Intento e buscar fluir em harmonia com eles. Note porém que não é uma proposta passiva no sentido de apenas "seguir" é muito mais complexo que isso, por isto estes temas tem que ser abordados com todo o cuidado, a mente comum do ser humano, esta instalação alienígena que trabalha muito mais contra nosso despertar que a favor, nao pode querer decodificar as coisas aqui em seus parâmetros, precisamos mergulhar em nosso sentir, na profundidade de nós mesmos para compreender mesmo o que tais termos como "fluir com o Tao" querem realmente dizer.

Ordens iniciáticas realizam ritos com certos padrões comuns em todas suas secções entre outras coisas para alimentar a mesma egrégora, fortalecer a "alma grupo" da irmandade.

Sim... Disso eu entendo...r* Passei um bom tempo alimentando a egrégora da ordem... eu e mais um tantão de gente! E o pior é que fazíamos isto sem a menor consciência. As aulas sempre explicavam a teoria e nunca conseguíamos focalizar o que acontecia em termos de energia. Sabíamos porque acendíamos a pira, porque cantávamos um mantra, porque saudávamos os 4 cantos e os 3 Mundos... Mas, de fato, não sabíamos o que acontecia com nossa energia.

Isso acontece em muitas ordens que dizem ser da "mão direita" , não por "maldade" mas por desconhecimento de muitos que dela fazem parte. Com a pretensão de serem os "bonzinhos", logo os favoritos e especiais do unvierso, tais ordens deixam de explicar que fazem parte das mesmas leis que todas as outras formas de manifestaçao humana e que a energia é usada nestes grupamentos dentro de certas leis, como estas que comentamos. Há um dado mais sério aqui, muitos dos ritos dos povos nativos foram criados com finalidades específicas para um povo e região. Esses ritos foram criados para que tais pessoas naquele momento e naquela região se sintonizassem com poderes específicos. Outros ritos foram gerados para dar continuidade a função do ser humano enquanto vida orgânica sobre a terra, captar energia que vem da Eternidade, metabolizá-la e entregá-la a Terra, ao Ser Terra e vice versa, captar energia do Ser Terra e metabolizá-la para que possa seguir a escala ascendente. Assim existem ritos que até hoje são celebrados por imitação que serviram em um tempo e espaço para funções que hoje estão perdidas, tais ritos viram um simulacro, onde podemos "agitar a luz astral" mas pouca coisa além conseguir. Tudo isso deve ser meditado antes de nos pormos a fazer ritos de ordens e "irmandades", ritos que algum pesquisador "catou" em livros ou assistindo pessoas que imitaram a forma mas perderam, em alguns casos, o conteúdo. Povos inteiros guiados pelos seus homens e mulheres xamãs deixaram essa realidade e foram viver em outros mundos.

Acho isto absolutamente fantástico! Esta é a explicação mais maravilhosa que encontrei até hoje para a tal imortalidade que julgo ser possível e pela qual já arrumei tantas brigas...r* Quando falo que algo é possível, não digo que seja comum, corriqueiro, facilmente acessível ou vulgar... Mas que é "alcançável"..."atingível"...

Cara amiga, esta é a essência de todo o xamanismo guerreiro, assim como do Taoismo que estou aprendendo e de ramos esotéricos do Budhismo, de certas escolas de Yoga e de tantos outros caminhos chamados de iniciáticos. A imortalidade, ou melhor dizendo, a continuidade de nossa existência singular é "possível", é "alcançável", é "atingível" mas precisa de muito, muito trabalho e é este trabalho que o caminho do xamanismo guerreiro propõe.

Vc tb questionou aqui o valor das palavras. Vivo fazendo isto, até mesmo por cacoete profissional. As pessoas se apegam por demais às palavras e não conseguem ir além do que se fala ou escreve. Baseados nisto, grandes caras (xamãs, gurus, iluminados ou seja lá qual título recebam) desenvolvem dispositivos de linguagem para testar, tensionar, levar ao limite seus discípulos, seguidores e etc...

Somos criaturas de sintaxe. Eu noto que alguém está realmente entrando no Caminho da ARTE quando começa a questionar as palavras, o vocabulário que usava, quando começa a perceber o quando estava enredado em frases e definições que nada diziam de fato. Questionar as palavras, o falar é questionar as bases paradigmáticas que nos deram, toda ela construída em palavras. Só depois de termos lidado conscientemente com as palavras podemos ir questionar e lidar com outros niveis de condicionamentos que temos, estes não verbais.

Relembro aqui a velha história da morte e da reencarnação. Não me importa se o corpo deixará de ser este, se a consciência de certa forma permanecer, então será imortalidade... Não importa se foi necessariamente em outra época ou outro lugar... Definitivamente não precisa ser Cleópatra ou Maria Antonieta, mas se vive de forma diferente, em realidade diferente, então é similar à reencarnação. Envolve novas experiências e novos aprendizados. TEm gente que chama de mestre ascencionado...tem gente que chama de imortais... tem gente que chama de Highlander...heheheh... e com certeza poderão ser xamãs... Se alguém "nascido nesta terra onde vivemos" conseguiu, todos nós podemos fazer o mesmo em tese... E transformar tese em prática é apenas questão de ação, repetição, observação e perseverança. Teoricamente a continuidade da vida é fruto de trabalho, mas quantos trabalham de fato? Quantos dedicam suas vidas de fato a essa verdade?
O fato é que o trabalho do xamanismo é muito árduo porque ele é sem esperança, sem ilusões, luta-se por uma possibilidade, por um sonho que pode nunca ser atingido, mas com desprendimento e desapego lutamos com total foco na liberdade. Uma pessoa pode sobreviver a morte enquanto personalidade. E é aqui que o xamanismo guerreiro entra deixando claro um ponto. Uma personalidade é como um único programa dentro de seu computador, digamos o Office. Vc usa muito o office e ele acaba sendo sua identidade. O computador quebra e o office se salva e instalado num novo computador. O office pode até mesmo sobreviver fora. Mas frente a riqueza que é um computador, tudo que há nele, todos os programas, o office é uma ínfima parte. Foi isto que os(as) xamãs guerreiros(as) descobriram após milhares de anos observando. Este tipo de sobrevida era uma farsa, a Totalidade do Ser era perdida e só um aspecto continuava. Isso levou os (as) desafiantes da morte a buscarem outros caminhos. Alguns povos, como alguns grupos e mesmo alguns (as) xamãs isoladamente, criaram na amplitude da "Segunda Atenção" ilhas de existência.

Sem querer te alugar muito, queria que vc tb falasse um tantinho de Segunda Atenção.

É impossível falar da segunda atenção, podemos só aludir a ela. Chamamos de primeira atenção a este mundo, todo ele, tudo que percebemos em nossa condição usual de percepção. Existe um campo mais amplo da primeira atenção que não usamos, porque participamos muitas vezes de forma dormente e robótica da vida. A segunda atenção é tudo que vai além da primeira, todas as inenarráveis realidades que habitam as outras camadas da cebola. Os toltecas ensinam que temos dois "anéis" de poder, cada um deles conceta-nos com uma realidade. O primeiro anel de poder é este , que lida com a realidade, nasce e é cultivado em nós e então nos envolve, como uma bolha, fechando dentro de si nossa percepção e passamos a ficar presos nessa "realidade" que foi programada em nós.

As escolas de Xamanismo Guerreiro desenvolveram um método dos mais interessantes para ir ao Segundo anel, ou a segunda atenção. Perceberam que grande parte da falha dos antigos e causa de sua queda , foi justamente ir para a segunda atenção com seu "eu" normal, caprichoso e cheio de estilos de agir que tornavam tais homens e mulheres presas fáceis de armadilhas várias que existem num universo predador como o nosso. Então resolveram que o treino de um(a) xamã começa por dividir a " bolha " da primeira atenção em duas metades. Em uma metade ficam todos os conceitos de vida, em outra nada, apenas o vazio.

Então, feito isso o (a) aprendiz se concentra em reorganizar a metade que ficou com os conceitos de vida. Não que possa jogar algo fora, mas pode mudar o enfoque a importância de certos ítens. Pode por exemplo afastar a vaidade da posição de conselheira e colocar a Morte. A vaidade vai continuar ali, como a morte estava, mas agora a importância de cada uma é diferente. Então, quando a essência perceptiva tiver reorganizado sua "ilha" vai poder ir para a parte vazia da "bolha" e através dessa parte vazia, isto é silenciosa, sem conceitos prontos, encarar a Eternidade que existe fora da Bolha. Todos os mundos infinitos que não estao na Realidade oficial, estão na Segunda Atenção. A primeira atenção é uma área pragmática de atividades para um ser humano enquanto ser humano, enquanto pessoa. A segunda atenção não vem "naturalmente" é fruto de um desenvolvimento proposital e é uma área pragmática de atividades para um ser humano enquanto xamã.

É um dos poderes do Sonhar, poder criar um mundo réplica de um que exista, ou mesmo algo totalmente novo, só pelo poder do Intento do(a) xamã que assim age. Mas tais mundos são mundos espectros, mundos que não geram energia e este é o perigo de se desenvolver em corpo sonhador sem amadurecer primeiro, sem sair dos joguinhos e dos pueris paradigmas que as religiões e as pretensas filosofias espiritualistas nos deram sobre o que são "mundos evoluídos", "mundos superiores" e os "seres de luz e pureza" que nos esperam lá.

Em termos práticos, será por isto que quando sonhamos que estamos dormindo, exatamente onde estamos, então nos levantamos e tudo está como no "real" e depois fazemos outras coisas com total consciência de que não estamos "acordados", mas sonhando, quando acordamos no dia seguinte nos sentimos cansados? Percebo que isto sempre acontece assim... Será que é por estar em um mundo que não gera energia? É isto?
Pode ser ou pode não ser, para realmente irmos a um mundo que é espectral temos que ter um corpo de energia, ou corpo de sonho em pleno funcionamento e isto é raro. Este detalhe é importante no xamanismo, para entendermos realmente a ARTE de Sonhar. O ponto de aglutinação pode se deslocar para fibras em nosso interior que nos colocam em outros mundos. Mas vamos ali, nestes outros mundos, enquanto entidades perceptivas, ir com o corpo de energia plenamente funcionando é outra coisa.

O poder de cada um destes conquistadores era terrível e o povo nativo estava longe de ter a crueldade e o sadismo desses conquistadores que praticavam atrocidades para "se divertir".
Pois é... Isto pra mim é muito claro! Tanto diante de relatos históricos, quanto observando o dia-a-dia. Veja bem, se não sou cruel e nem sádica, como poderei me defender dos cruéis e sádicos? Não adianta só ficar resmungando, desejando ser "malvadona", porque não conseguiria ser assim, então, creio eu, só existe uma saída: tática do Robin Hood! Usar a inteligência, a observação, a perspicácia e a agilidade para conseguir lutar contra o "inimigo". Talvez isto seja mais ou menos o que vc chama de treinamento do xamanismo guerreiro.... É?
Também, aqui valem os ensinamentos de Mestre Yoda: um jedi, como um xamã, usa a "força" para sabedoria e defesa, não para o ataque". Se avaliarmos bem isto implica que o uso da "força" está no conhecer da Eternidade (sabedoria) e no continuar vivo e livre (defesa). Por isso no Xamanismo Guerreiro, não trabalhamos com divindades criadas pelo ser humano, ou egrégoras conscientes, buscamos diretamente na fonte, vamos a Terra, enquanto ser vivo e a seus poderes e manifestações, como ventos, cachoeiras, trovões, montanhas, chuva, vales, enfim, vamos a força manifesta em si, não a "representações" das mesmas.

É verdade... Nos últimos tempos percebi que fazer rituais tem me desgastado mais do que alimentado... Pelo menos aqueles rituais mais formais... Tenho preferido fazer "rituais" mais instintivos e naturais... Tipo, se estou cansada e sem forças, vou cuidar do jardim...mexer na terra...
Isto tem um poder tremendo, somos parte da Terra, não podemos viver sem contato com ela. Por isso os hospitais estão cheios, as farmácias vendem tanto e as pessoas andam tão deprimidas, perderam contato com o SER Terra que é nossa nutridora, que é parte de nós como somos parte dela. Quando recuperamos plenamente nossso elo com o Ser Terra surge um tipo de felicidade em nós, de plenitude, algo que não pode ser ameaçado ou tirado como outros tipos de felicidades, algo que nos torna plenos.

Se estou ansiosa demais, vou tomar um banho de cachoeira, se não tiver cachoeira, serve piscina, banheira, chuveiro...contanto que que eu esteja debaixo da água! Dia de tempestade? Claro, vou pro quintal e me molho, converso com os trovões e relâmpagos. Se estou viajando com mil montanhas em volta, me integro às montanhas, me sinto parte delas... Tudo isto funciona muito mais do que seguir regrinhas templárias e criar rituais rebuscados.
Isso é claro prá mim também, contato direto com a VIDA sem muito efeitos carnavalescos. Os ritos muito elaborados vieram sempre de grupos que estavam menos em contato com a Vida e mais com o intelecto. Tenho percebido que os rituais têm servido para testar a minha disciplina muito mais do que para "despertar poder" ou ampliar consciência. A não ser os rituais que chegam e se apresentam... como uma inspiração... como o vento que sopra no ouvido o gesto certo e a palavra adequada. Aí tb funciona bem! Para os(as) xamãs guerreiros um rito tem uma função principal: Desviar a fixação obsessiva que temos em nós mesmos, quebrar as amarras da auto reflexão, diminuir o diálogo interno. Esta é a função do rito, pois o que provoca o resultado de um trabalho mágico não é o rito, mas o poder pessoal de quem o realiza e se conseguiu ou não alinhar sua vontade com o INTENTO.

"O xamanismo guerreiro é magia, não pode reconhecer coisas como "rezar" para algum poder. O termo rezar, tal qual é usado hoje, vem num contexto de pedir, de suplicar, de um ser suplicante implorando e chantageando uma força superior, tentando suborná-la com sacríficios e promessas para que ela ceda e atenda o "suplicante".

Há tempos já percebi que pedir é complicado e, na maioria das vezes, improdutivo. Por outro lado, notei que o simples pensamento "preciso de ..." ou "isto é necessário...", quando é bem focado e depois deixamos seguir seu rumo, sempre apresenta resultado produtivo e rápido. Ainda não peguei ao certo o "jeitinho" pra poder repetir sempre que preciso, mas as tentativas têm acontecido em menor número de vezes.
O que tu citas aí mostra uma diferença entre "suplicar a uma divindade" com algum tipo de propina para ser atendido e entrar em sintonia com os fluxos da realidade para fluir naquele que leva aos resultados que almejamos.

O Ser Terra é muito mais poderoso que qualquer egrégora humana criada, é mais antigo, mais pleno, e está em sintonias com certos "planos" que nós humanos sequer intuímos existir. Assim quando nos conectamos ao SEr MUndo para agir magicamente estamos na realidade entrando em sintonia com um poder que transcende o humano e tal poder "mais que humano" é uma energia muito mais poderosa para trabalhar no alcançar dos nossos objetivos com o rito que estamos realizando que um poder "humano" por mais ancestral que seja.

Concordo! concordo! Concordo!

É bem interessante isso mesmo, isso é um dos aspectos que nós homens temos que aprender com a força feminina, ser mais maleáveis, fluir com menos rigidez.

Esse minha amiga que está comigo esses dias tem falado muito sobre isso, sobre sentir o Tao, a totalidade que é também consciente de si e que está sempre sinalizando em nosso caminho.

O mais complicado é que em determinado momento da vida nos ensinam que devemos ser racionais, lógicas e sensatas... então nossas pequeninas magias, nosso encantamento de espelho, nossas poções-refeições, nosso poder de sedução que emana naturalmente... tudo isto vai sendo podado para que possamos nos tornar "mocinhas intelectualizadas e sofisticadas". Nem pensar nesta história de mulher selvagem... instintos... desejos...loucuras... tudo muito primitivo e vulgar.

A arrogante civilização dominante programou muito bem as pessoas para acreditarem, como nas cortes, que são superiores por algum conjunto de hábitos bobos que tenham. Assim as mulheres tem sido mantidas exiladas de si e da sua magia enquanto aprendem cada vez mais a serem "machos".

Sim, isso ocorre em várias áreas com prejuízos tremendos para a feminilidade da mulher que tem que negar seus valores pessoais para ser uma mulher" forte" "vitoriosa" , " firme" , "de pés no chão" etc... Daí, normalmente após os temidos 30 anos, a gente começa a lembrar do que éramos quando crianças. De como usávamos tão bem todos os nosso sentidos e que sentíamos cheiro de coisas boas que iam acontecer... que nosso corpo arrepiava quando o tempo mudava... que sentíamos coceira quando chegava gente chata pra fazer visita... Como não tínhamos vergonha de chorar de tristeza ou dor e como era legal sumir no meio da festa pra comer doce debaixo da cama.

Recuperar tais percepções aliadas a maturidade é um prêmio.

Sabe... Cada vez chego mais à conclusão que a grande sacada é olhar o mundo com o olhar curioso de criança. Nada nos escapa e vivemos intensamente cada momento. Não precisa ninguém mostrar o caminho... Ele é O caminho. E para percebe-lo é preciso apenas observar e seguir os sinais.

A não arrogância da criança e sua espontaneidade são muito úteis, mas o Deus e a Deusa tem quatro faces, precisamos é recuperar o arquétipo do Guerreiro e da Guerreira, do Curandeiro e da Curandeira, do Ancião e da Anciã, da Mãe e Do Pai, da Amiga e do Amigo, arquétipos que se tornaram meros estereótipos em nossa época.

13 comentários:

beijamim disse...

Pois é, O ritual Daime, que envolve a formação de egrégora bem forte, enquanto instrumento de religação, leva à tudo isso e estabelece a sintonia fina com "o sol, com a lua, as estrelas, o a terra o vento e o mar".
Um dos hinos que a gente mais canta e realmente fecha os trabalhos é este: Sol,lua, estrela/ a terra, o vento e o mar/ é a luz do firmamento/ é só a quem eu devo amar.
Mesmo assim, a maioria de nós viaja, acessa outros mundos, recebe força da terra, reabastece a pilha e, por incrível que pareça, continua na mesma.
A turma cresce um pouquinho, depois pára. A estrutura toda é muito forte, os trabalhos são avassaladores, e mesmo assim, o povo arruma uma maneira de se acomodar na corrente, se adpatar ao ritual e não abrir mão de si para alguma mudança.
Poucos vão evoluindo de fato, a ponto de chegar numa superação. Eu acho que estas mudanças, estes crescimentos de consciencia, geralmente causam incômodo e dores na alma. Mas isso é óbvio, como é que tu quer mudar o pilar da casa sem ela balançar?
A gente é muito bem condicionado. Quebrar os condicionamentos não é confortável. Precisa de um guerreiro muito esclarecido, não de padres e hierofantes.

Fernando Augusto disse...

Para haver crescimento espiritual precisamos baixar até o reino das sombras.

Há mais oportunidade de crescimento espiritual numa peia e num mergulho em nossa sombra do que em expansões extasiantes da consciência.

É preciso ter esse intento de guerreiro muito claro.

O Daime pode ser um portal poderoso de acesso à sombra, ao lado obscuro em nós, para resgatarmos os tesouros lá escondidos, mas é preciso ter esta disposição de "descer" até à Sombra.

Todos os métodos de auto-conhecimento são essencialmente métodos de acesso à sombra.

Mas precisamos nos analisar para vermos se não estamos escapando desse acesso ao mar escuro de nós mesmos.

Como esse acesso é muitas vezes pessoal, se o grupo não tiver essa disposição como um todo, o acesso fica dificultado e, portanto, o crescimento espiritual também.

Sinto muito, me perdoa, te amo, sou grato.

F.A.

beijamim disse...

Eu realmente começo a achar, pelos tempos que estamos vivendo, que talvez fosse mais adequado organizar trabalhos de Daime primeiramente com um núcleo menor e realmente esclarecido nessa questão do que é o EGO. Só é esclarecido quem já sofreu um bocado, se decpcionou um bocado e ainda está de pé e relativamente inteiro. Coisa rara.
Mas partindo de um núcleo destes, os trabalhos de Daime realmente vão alavancar um crescimento nesse grupo, muitos podem e devem encontrar parcelas do EU para ações mais concretas e abrangentes, a possibilidade de religação com as forças vivas não é pequena como parece.
Depois do fortalecimento desse grupo é que a egregora deveria ser aberta para todos, para a "caridade" como a gente diz. Caridade que recebemos e estamos passando adiante, nada demais, nada fora de uma ordem mais perfeita.

beijamim disse...

É verdade Fê. Tu matou a pau, porque é verdade. Primeiro se trabalha a sombra, pouca gente tá a fim disso, mas não tem outro remédio. Demorou dez anos de Daime pra eu compreender isso: que primeiro o Daime nos leva pro "inferno", antes de subir pro "céu". Porque é assim? - me perguntava. Alguma forma de compensação e equilíbrio
da força? Depois entendi que isso era um aspecto externo, minha análise era externa ao que realmetne interessava: a sombra, o que me limita e impedia de participar de uma realidade mais honesta.
Este mês inteiro fiz um trabalho de sombra. Usei coisas que tu nem imagina, o pouquinho de Daime era só pra "segurar" e não me deixar rolar barranco abaixo.
Mas deu certo, vi e constatei e experimentei por cima e por baixo da pele que esta sombra é só uma ignorância tremenda, que quem alimenta e dá força sou eu mesmo, e que, por si, essa sombra tão ameaçadora não valia nada.

Fernando Augusto disse...

Até mesmos Jesus tinha um círculo interno de discípulos, a santa ceia, onde se bebeu o vinho é claro exemplo.

O cipó e a folha pela sua natureza parecem ser mais indicadas para um certo tipo de trabalho, mais em contato com a luz, com o esclarecimento de certos aspectos da consciência e quem sabe o trabalho com a sombra. Mas há a Jurema Preta, que pela sua natureza, sua raiz, me parece bastante indicadas para trabalhar certos aspectos da sombra.

Sinto muito, me perdoa, te amo, sou grato.

Fernando Augusto disse...

Vale a pena estudar o conceito de sombra tal como Jung o formula, pois há nela um manacial de tesouros escondidos da alma ;-)

beijamim disse...

Fê, obrigado pela dica, vou dar uma pesquisada em Jung. Também vou começar a ir atrás de alguns amigos "bons de peia". Sinto necessidade de formar um núcleo Daimista eclético e diferenciado, sem dogmatismos e "padrinhos salvadores".
A Jurema me disseram pra ser cuidadoso, uma dosagem à mais, mata. Não quer dizer que se descobrir como usar, não vá usar. É que tudo nessa área requer método, e um professor experimentado. Ainda não conheço ninguém pra me orientar com a Jurema. Seria tu mesmo?
Abs.

Fernando Augusto disse...

Isto que disseram da Jurema não bate.

Sou um estudante da Jurema, ainda sem condição de orientar ;-)

Abraços,

F.A.

beijamim disse...

Melhor, se não bate. Sei que ela é poderosa. Tem hinos de jurema belíssimos, um deles fala de um homem que ficou três dias "desacordado" no pé da jurema, após a ingestão, quando acordou, era Mestre, tava pronto pro trabalho. Esse hino é tão bonito que não tem como desacreditar dele.

Depois, compartilha umas dicas de aprendiz mesmo. Também sou aprendiz. Quem não é? Na hora que a situação for favorável para um uso, já vou estar melhor informado.
Valeu, mano.

Fernando Augusto disse...

Uma dica simples é adquirir umas sementes de Jurema e plantar, cultivar, pois é uma forma de entrar na sintonia da planta, atrair sua energia e empatia. Vou atualizar um post sobre Ela.

Cacau Gonçalves disse...

Ah, que saudade do meu querido Nuvem que Passa...

E eu de Cabelos de Fogo já passei a Cabelos de Chocolate e agora um fogo mais brando...rs

A virada de 1999 e os 2000 e poucos foram anos incrivelmente produtivos nas listas de discussão. E ricos, muito ricos de informações e troca de experiências. Fico feliz de ter vivenciado isso intensamente.

beijos, Quetzal ;-)

Cabelos de Fogo

del carvalho disse...

é só para dizer que sou muito grata pelos escritos

Fernando Augusto disse...

_/\_ e nós tb, Del.