Xamanismo, Bruxaria, Magia - 1ª parte

domingo, 6 de abril de 2014

Estes três termos são muito usados hoje e existe uma grande similitude entre as pessoas que se aproximam destes caminhos. Vamos meditar juntos sobre este tema hoje. Para isso precisamos começar meditando sobre o ato de falar, sobre o ato de trocar informações por palavras. Xamanismo é uma palavra. Ela indica, alude sobre algo, mas não é esse algo. Água é uma palavra. A palavra água te faz lembrar do elemento em si, mas não podes mitigar tua sede só com a palavra água, só com a lembrança mental da mesma, de imagens da mesma.

Quando falo água, ou aqui, quando escrevo água tua mente vai até um arquivo e libera memórias, experiências já vividas suas com este elemento. Se escrevo água quente limito o leque de opções. Água fria leva a outro tipo de lembranças. Te deu sede toda essa conversa sobre água? Pensa na água.

Imagina a água, imagine que bebes um copo de água. Agora, se quer mesmo estabelecer uma comunicação mais ampla entre nós, levanta e vai tomar um copo de água. Se fizeres realmente isso vais notar como é totalmente diferente lidar com o conceito, com a palavra água e tomar água de fato. Portanto o termo água alude a algo efetivo que existe, com o qual tu tens contato, mas não tem o mesmo valor de resolução.

Não mitigas a sede com palavras, só com o elemento. Da mesma forma os termos Xamanismo, Bruxaria e Magia não podem ser completamente compreendidos só com abordagens teóricas. Vamos aludir, vamos nos aproximar, vamos mesmo demonstrar certos fatos de tais práticas, mas nota que a compreensão profunda só virá quando tu, que lês estas linhas, fores também alguém que sente a ARTE em tua essência.

Só praticantes se entendem plenamente nestas abordagens. Por que em primeira estância estas três formas de caminhar na existência são formas de uma mesma tradicional e transcendente forma de conhecimento, que transcende toda e qualquer forma de conceitualização. Assim optamos por chamar este SABER DOS SABERES, este além de tudo que podemos conceber como ARTE.

A ARTE é pois a filosofia/ciência/mística/arte em sua mais plena expressão. Durante nossa era decompusemos a abordagem da realidade nestas formas. Ou abordamos a realidade filosoficamente ou cientificamente, ou misticamente ou artisticamente. Interessante que como resposta a extrema dependência de uma abordagem mística, que na realidade era misticóide, da realidade que caracterizou certos séculos anteriores esta era se esforça por ficar limitada ao que chamam de "concepção científica da realidade". Todos insistem em tentar provar que campos como os fenômenos paranormais são "científicos".

Mas a questão central é que os paradigmas nos quais se apóiam para dizerem-se científicos contradizem mesmo as bases da própria noção de ciência, já que a busca de respostas verdadeiras deveria ser uma premissa mais forte na ciência que a manutenção de uma ideologia dominante para manter sociedades inteiras servis. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria foram perseguidas e ainda são em muitos setores desta sociedade que aí está. Vejam as campanhas constantes contra todo tipo de terreiros de umbanda e candomblé e todo movimento de nova era por parte dos segmentos mais fundamentalistas de certas religiões em franco crescimento. É apenas um aspecto desta luta contra toda forma de trabalho mágico que escape aos paradigmas impostos.

Esta luta que ainda existe entre campos ideológicos se reflete também na chamada ciência acadêmica, onde indivíduos com inflados egos ainda influem nos rumos das pesquisas e no conceituar da realidade para que certos modelos da realidade não sejam de todo alterados.

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que têm sido perseguidas há algum tempo, em diferentes civilizações. Por quê? Por que esse medo que tais caminhos despertam? Se observarem com atenção notarão que toda vez que um regime absolutista, que deseja impor sua vontade privada sobre a vontade coletiva, se estabelece, tais caminhos são os primeiros a serem perseguidos. Toda vez que o poder despótico se faz sentir os caminhos citados são perseguidos.

Os povos nativos continuam sendo oprimidos hoje. Destruídos enquanto cultura e enquanto vidas, mortos em conflitos diversos. A Magia e a Bruxaria ganharam um certo espaço em certas camadas sociais e acabaram fazendo uma lenta migração de volta ao sistema dominante e explodiram com força em vários magistas e bruxos que vem alimentando a cultura oficial com obras nas quais narram suas aventuras e descobertas na vastidão de outras realidades que circundam a nossa.

Lendo os autores mais originais, não os que baseiam suas "descobertas" apenas na leitura de outros, mas os (as) que conseguem participar mesmo de uma maior aproximação das fontes de onde tais informações são emanadas, vamos notar que questionamentos profundos sobre a Vida, a Morte, a consciência, a realidade a nossa volta, a existência de realidades outras que não esta, seres outros habitando mundos ao redor deste, seres alienígenas a nossa realidade presentes em nossa própria realidade, mas não perceptíveis a nós, enfim vários temas foram sendo investigados por vários indivíduos, homens e mulheres que tiveram acesso a fragmentos de informação, outros (as) à escolas autênticas possuidoras de elos com a ancestralidade de onde este SABER emana, enfim muitas linhagens diferentes foram contactadas por estas pessoas que tinham em si o ímpeto de aprender mais sobre os mistérios que nos circundam e escrever sobre isso.

Helena Petrovna Blavatsky, Upasika; Aleister Crowley, Therion; Fernando Pessoa, na multiplicidade; mais recentemente Carlos Castaneda, também conhecido como Charles Spider; enfim muitos homens e mulheres foram sondar outras realidades e acabaram encontrando de fato abordagens da realidade completamente diferentes das que esperavam. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tal qual são concebidos e praticados hoje sofreram profunda influência destas pessoas, pois foram elas que fizeram as primeiras traduções dos conceitos ancestrais destes caminhos para a sintaxe da nossa cultura. Quando colocados na sintaxe da nossa cultura tais informações adquirem mesmo um caráter de revelação. RE Vela.

Indica, alude, mas também confunde, coloca o véu de novo pois definir estes caminhos e falar sobre eles pode nos levar a realizarmos falsas associações, resignificações e interpretarmos os conceitos desses caminhos de acordo com nossas presunções e a partir daí dormir ainda mais ao invés de despertar.

Tanto no Xamanismo, como na Magia como na Bruxaria a primeira premissa é que só pode trilhar esse caminho quem "É". Se notarmos toda a obra produzida sobre estes caminhos vamos notar que de forma declarada ou subliminar quem instruí o (a) aprendiz em qualquer desses 3 caminhos começa sempre ensinando tal aprendiz a deixar de ser apenas uma resultante de condicionamentos do meio, de "n" fatores que afetaram sua existência até então e aprender a ser um "EU" real. Alguns lidam com toda uma viagem pelas esferas da Árvore da Vida e do Tarot para este trabalho, onde o ser que tal caminho trilha vai lidando com seus medos e condicionamentos, carências e vaidades, vai se integrando, resolvendo sua sombra e então, após atravessar o abismo onde deve despir-se até de si mesmo, surge um novo ser, o que "É". Só aqui começa a magia, antes havia apenas um agitar semi- consciente da luz astral, o grande mar de energia que nos circunda, que gera ao redor de nós uma atmosfera psíquica, que pode gerar fenômenos diversos, mas que é também uma grande ilusão, maia, um mitote.

Me parece bastante importante este fato. Tanto no Xamanismo, como na Magia, como na Bruxaria o primeiro passo é deixar de meramente sobreviver para VIVER, deixar de reagir para AGIR.

Esse lembrar de si, esse resgatar a nós mesmos além das ilusões que estão aí é condição básica para que haja Xamanismo, Magia ou Bruxaria.

Xamãs, Magistas e Bruxos (as) são homens e mulheres que antes de mais nada "SÃO". Para poderem operar efetivamente nas premissas desses caminhos têm que "SER" ou serão destruídos quando as fronteiras da realidade se expandirem. A VONTADE é o começo de tudo, a mais fundamental conquista que um (a) Xamã, um (a) Magista ou um (a) Bruxo (a) deve ter realizado, para não ser destruído pelos poderes e esferas que pretende interagir. E VONTADE já é uma palavra que está num contexto diferente do comumente expresso. Não tem nada a ver com desejo, mesmo com volição ou qualquer outra forma de expressão que conheçamos.

Tanto quem trilha o caminho do Xamanismo como da Magia como da Bruxaria sabe que VONTADE aqui tem outro sentido, outro significado é a forma pessoal que cada um tem de expressar um poder muito maior, que é a própria VONTADE da Eternidade que nos circunda.

Só quem "É" pode ter VONTADE. Este é um sentido que escapa a muitos leitores das obras de quem esteve estudando esses caminhos e sobre eles escreveu. Vejam Crowley: "Faze o que tu queres..." Esse "Tu" é um conceito complexo, indica que existe alguém de fato, não um aglomerado de estilos de emocionar-se, de raciocinar e reagir que chamam de "eu".

Lendo Erva do Diabo e Estranha Realidade milhares de pessoas pelo mundo ficam a vagar erraticametne por se super-estimularem com plantas de poder diversas crendo que o "espirito da planta" vai lhes revelar algo que já não sabem. Mas o cerne abstrato do aprendizado ali era outro, tudo ali estava sendo usado como meio de trabalho por alguém que tinha maestria na ARTE. Assim ficar preso em leituras literais de qualquer obra que toque a ARTE é como ser um fundamentalista e basear sua vida em interpretação literal de textos adulterados que foram escritos em outra cultura.

O que chamo atenção, neste primeiro artigo de nove com este tema, é que antes de atabalhoadamente irmos a definições e diferenças entre Xamanismo, Magia e Bruxaria temos que repensar nossos paradigmas, nossas bases conceituais sobre as quais assentamos nossa compreensão de mundo. E uma condição fundamental é compreender que quando estamos falando de XAMANISMO, de MAGIA e de BRUXARIA compreendidas essas linhagens como as que de fato tem ligação com a ARTE, existem pontos muito interessantes de semelhança entre ambas que têm sido deixados de lado.

Vamos a eles. O primeiro deles é o fato que todo caminho que leva a ARTE começa por auxiliar o ser que trilha tal caminho a se desvencilhar do pesado passado que carrega consigo, da insana absorção em conceitos prontos, em condicionamentos estáticos que foi implantada em cada ser humano nesta Era de escravos que vivemos. E aqui tocamos num ponto sensível, todo sistema feitor de escravos sempre lutou arduamente para destruir tudo ligado ao Xamanismo, a Magia e a Bruxaria. Por quê? Por serem caminhos de LIBERDADE e aqui temos outra definição importante. O Xamanismo, a Magia e Bruxaria sempre foram caminhos de homens e mulheres livres. Que alguns desses homens e mulheres tenham caído, ao tentar se aproximar da ARTE, em formas de prisão muito mais sutis e perigosas que a prisão deste mundo é um fato, o qual alerta a todo praticante que arrogância e presunção são estilos de comportamento que nos dirigem diretamente para as iscas que existem no vasto mar que vamos descobrindo quando nos dedicamos a ARTE.

Tanto o Xamanismo, como a Magia, como a Bruxaria tem diversas formas de manifestação e existem também muitas formas de culto que nada tem a ver com a essência do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que ainda assim se apresentam como tal. Temos no tocante a Bruxaria o agravante de ter sido deturpada fortemente pelas falsas acusações e testemunhas sob o terror da tortura ou mesmo ameaça dela, terem criado fantasias sem fim que serviam bem aos propósitos dos que desejavam criar o medo contra trais práticas e conhecimentos.

Na Magia temos as deturpações como a "magia negra", criação também da inquisição, que ainda hoje assusta tantos. No Xamanismo temos grande número de índios que imitaram formas de agir, sem entender a essência, de verdadeiros xamãs e assim hoje repetem ritos e formas, mas sem o poder que caracteriza toda ação de fato xamânica. Mas além destas deturpações temos o XAMANISMO de fato, a MAGIA de fato e a BRUXARIA de fato e é sobre estas faces da ARTE que vamos falar nesta série de artigos.

(cont.)

Nuvem que passa

5 comentários:

Rafael F.C. disse...

Lendo Erva do Diabo e Estranha Realidade milhares de pessoas pelo mundo ficam a vagar erraticametne por se super-estimularem com plantas de poder diversas crendo que o "espirito da planta" vai lhes revelar algo que já não sabem. Mas o cerne abstrato do aprendizado ali era outro, tudo ali estava sendo usado como meio de trabalho por alguém que tinha maestria na ARTE. Assim ficar preso em leituras literais de qualquer obra que toque a ARTE é como ser um fundamentalista e basear sua vida em interpretação literal de textos adulterados que foram escritos em outra cultura.

Terminei de ler o Erva, e estou lendo o Estranha..

Acredito que, quem tem esta percepção dos ensinamentos contidos nos livros, apenas observou as palavras, não viu e sentiu o que elas realmente querem indicar.

Como percebi, as plantas são apenas aliados, o real poder sempre esteve e está em você, se você se permitir fluir...

Rafael F.C. disse...

Salve Fernando!

Você poderia aprofundar sobre a "resolução da sombra"?

Agradeço

F. A. disse...

Salve, Rafa!

O texto de hoje e os da seção espreita vão por aí.

No intento,

F.A.

{ Fernanda } disse...

Legal o encontro no Sul de Minas!

Acho que não vou para Peruíbe não...

Quem sabe acabo indo ao encontro em Abril?!

Um abraço, Fernanda

Giuseppe pasqualato neto disse...

Você estará colocando as outras partes novamente?
Gostarei finalmente muito de acompanhar
Gratidao!