Xamanismo, Bruxaria, Magia - 3ª parte

terça-feira, 15 de abril de 2014

Um dos pontos que temos de rever quando vamos estudar com profundidade o que se esconde por trás dos conceitos de Xamanismo, Magia e Bruxaria é nosso próprio paradigma de historicidade.

Temos uma educação formal que nos alimentou com "verdades" prontas, que nos deu uma visão da história dentro de paradigmas que cada vez mais se provam não serem os verdadeiros, que representam apenas a força dominante dos vencedores, que constroem sua versão dos fatos e condenam os derrotados a desaparecerem da própria história, provocando-lhes não só a morte e a destruição enquanto seres vivos, mas também apagam toda informação sobre estes deserdados da história.

A civilizaçao que domina o mundo hoje, com seus valores impostos pelas bolsas de valores, com as corporações quais novos senhores feudais a determinar os valores sobre os quais devemos viver e com as religiões de massa, ao lado da mídia, numa luta para impor padrões quanto ao pensar e agir da humanidade, é resultado de um processo histórico complexo, onde conscientemente grupos diversos atuaram para não apenas vencer outros grupos, quer escravizando-os (em corpo ou alma , pela força das armas ou das religiões dogmáticas) quer matando grupos étnicos inteiros, seguindo da destruição de todos os dados culturais desses povos.

Temos uma espécie de neodarwinismo social que nos obriga a crer que esta civilização, pelo fato de ter alcançado um surpreendente desenvolvimento tecnológico é a mais desenvolvida, o pináculo de toda evolução social humana.

Estamos presos de tal forma a estes paradigmas que pouco percebemos como várias das obras que se referem a Magia, a Bruxaria e ao Xamanismo o fazem descaracterizando tais artes , tais tradições de seus contextos e tentando "explicar" ou "provar" que tais caminhos são "evoluídos", caindo na armadilha de usar os critérios do dominador como instrumento de avaliação, quando o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm seus próprios critérios cognitivos, são campos complexos em si mesmo.

Podemos fazer uma analogia com o que ocorre na acupuntura. Ela funciona e muito bem. Aí vem a ciência ocidental querendo explicar que tal nódulo nervoso, ativado pela agulha faz isso e aquilo, mas não é real nem necessária esta explicação, porque a acupuntura já foi explicada em seus próprios termos há milhares de anos, o estudo dos meridianos, da energia tal qual ela se manifesta em suas polaridades Yin e Yang, como sedar e ativar tudo isso já faz parte do corpo de conhecimento da acupuntura.

Da mesma forma a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria já tem suas próprias explicações do porquê funcionam, do porquê são reais, e toda tentativa de tentar limitar estes vastos campos com explicações limitadas oriundas de abordagens pseudocientíficas servirá apenas para criar confusão.

O positivismo, e a ciência que dele resultou, tinha uma abordagem tão presa ao senso comum, tão limitada, que era natural não conseguir sequer conceber a vastidão que existe por detrás dos conceitos de Magia, Xamanismo e Bruxaria.

Só agora com a Mecânica Quântica, com ramos sofisticados da psicologia e outras áreas de vanguarda da ciência se torna possível de novo estabelecer um diálogo entre estes campos.

Portanto, vamos compreender que a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria estão dentro de outro contexto cultural, são artes/ciências, oriundas de uma civilização ancestral que há milênios existiu, que depois caiu e a humanidade que restou regrediu a um estado de perda quase completa desse saber, mas tal saber ficou guardado em irmandades e grupos, depois durante a era na qual grupos foram tomando o poder no mundo, escravizando outros, tornando tudo e todos meras "coisas" a lhes servir, continuaram estas artes ciências protegidas em grupos e linhagens.

Podemos compreender aqui que as torturas da Inquisição nunca foram destinadas ao "arrependimento" dos "hereges" mas a tentativa de extrais desses iniciados e iniciadas algo de sua arte-ciência, com as migalhas extraídas nas câmaras de tortura, com fragmentos revelados por alguns foi se formando o que geraria as ciências e as universidades da modernidade.

Este é um lado desconhecido da "história das ciências" que poucos contam, o tanto do "saber" oficial que foi "arrancado" nas masmorras e câmaras de tortura, dos "hereges".

É fato conhecido que mesmo Newton, Galileu e outros tantos "pais" da ciência moderna tinham um ativo contato com o chamado "ocultismo", "hermetismo" e afins.

Assim sendo, para irmos ao estudo da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria não devemos nos deixar impregnar por pseudo-histórias, por abordagens equivocadas do que foi o nosso passado, mas temos mesmo de ousar procurar outra linha de história.

Existem aqueles que crêem em outra linha de história, e crêem não por concordância passiva, por mera aceitação, mas crêem porque foram levados (as) a presenciar por si as evidências desta outra linha.

Somos "sócios" de uma visão de mundo.

Estamos numa prisão perceptiva que em última estância é mantida porque aceitamos que seja assim, esse nosso incrível poder de dar realidade ao que cremos real é subestimado em nós. Somos a somatória de nossas crenças, nem sempre as que verbalizamos e as que fingimos adotar, somos a manifestação do que interiormente cremos.

A força de nossa crença é tremenda e não é a toa que grupos diversos brigam e tentam a todo tempo, estipular o que é real e o que não é real para a humanidade, sempre com o propósito subliminar de manter sua descrição de mundo dominando.

Esta outra história conta ter a humanidade atual surgido de uma fase após uma profunda queda. Sem pecados aqui, sem castigos ou leituras assim, uma queda causada por causas impessoais, todo nosso planeta entrou num "eclipse", numa sombra onde ficamos isolados de um tipo de energia que vem do centro da Galáxia, dos buracos negros duplos que giram tudo tragando, gerando a forma dessa galáxia espiral, na periferia da qual vivemos.

E neste eclipse, como num inverno, a energia favorecida no planeta ia gerar um tipo de gente ambiciosa, insegura, que teria de impor a todos seu modo de vida para se sentirem seguras. "Um só deus, um só senhor, uma só fé" e tudo que isto representa.

E a Bruxaria, a Magia e o Xamanismo passaram a ser perseguidos. Temidos, pois são caminhos de liberdade e quem pretende tornar o mundo um vasto curral de escravos, animais e humanos e deles todos fazer uso como coisas não aprecia que existam homens e mulheres que lhe são inacessíveis, que suas manipulações e mesmo o uso da sua pretensa força não pode atingir.

E as Eras de perseguição são cada vez mais intensas, o braço que se forma sobre o Império Romano, depois com a Igreja Romana é forte em destruir todos os sinais da antiga civilização planetária, de onde as diversas tribos sabiam um dia ter feito parte.

O sentido dessa civilização planetária não tem nada a ver com o de hoje. Hoje temos computadores e nos achamos o máximo porque podemos entrar em sintonia com outras pessoas, em diferentes tempos e espaços, como eu agora contigo nessa mensagem que escrevo numa tarde , na Serra e tu lerás alhures.

Mas toda nossa tecnologia é um simulacro, como um “ciborg” que amplia de certa forma nossas habilidades naturais, mas somos mais que isso. Nesta ancestral civilização planetária, a sintonia era em outras ondas. Cada corpo humano é por si mesmo um gerador e captador de ondas. Este treinamento continua hoje no Xamanismo, na Bruxaria e na Magia. Então usando uma fogueira, um espelho mágico, feito não só de vidro, mas de metais polidos diversos, (existe um espelho mágico que existe nas árvores, certas aberturas em sua casca externa), enfim, usando meios diversos entravam em plena sintonia com outras pessoas , de qualquer canto deste mundo e ainda de outros mundos.

A Internet não acessa outros mundos. Então para entendermos como viviam estes povos antes desse momento de queda que acontece, de desconexão, temos que usar muito nossa intuição, para evitar falsear a percepção com os preconceitos históricos que herdamos dos condicionamentos que nos impuseram. Foi uma queda que levou toda uma civilização planetária a se esfacelar, mas que mantem, apesar do trabalho violento dos grupos dominantes em ocultar todas as evidências, alguns sinais desta época anterior de amplo conhecimento.

As pirâmides no Egito (as três mais antigas e principais, no chamado vale dos Reis) a Esfinge, Angkor no Camboja, Menires, Dolmens e câmaras em Carnac, França, os grandes desenhos nas Ilhas Britânicas, ruínas encontradas no mar ao redor do Japão.

Tudo isso e mais lugares que nem se sabem existir, estão alinhados de tal forma que agora não apontam exatamente para nada significativo, fora o fato de estarem sempre marcando de alguma forma equinócios e solstícios.

Mas se levamos em consideração a "precessão dos equinócios", fenômeno astronômico que desloca o eixo da terra em relação a elíptica das estrelas a nossa volta, e fazemos os ajustes, estes marcos ancestrais todos se alinham com um esquema que inclusive os relaciona, quando monumentos de um canto da Terra estão se alinhando com suas constelações significativas os outros grupos estão também sincronicamente fazendo o mesmo.

São astro-arqueólogos que usam o conhecimento astronômico dos povos estudados para entender melhor a complexidade dessas ancestrais culturas, que cada vez mais percebemos, tinham uma cultura muito mais sofisticada que a atual tecnologia que nos domina, e que nos faz extensões biológicas das máquinas e ainda nos engana, negando-nos a magia que é a nossa realidade por simulacros estereotipados de vida e prazer.

E impõe a idéia que o "homem das cavernas" era algum bruto insosso, que foi evoluindo, passando por mutações até que surgem culturas como a Egípcia, a Chinesa, as tradições que construíram os "livros de pedra" nas terras hoje chamadas América Central.

E então surge a idéia que esta civilização dominante é a mais evoluída que aqui já existiu e que suas respostas ao desafio de estarmos vivos são as melhores já dadas. Ao invés de ensinarmos as novas gerações a buscarem respostas, a perguntarem com eficiência, acabamos nos limitando a condicioná-las a decorar respostas prontas, para passar nos pseudo testes que o mundo lhe dará, quando a verdadeira prova ficará esquecida. Assim as práticas da Bruxaria, do Xamanismo, da Magia são vistas como superstições pueris, de um tempo no qual as benesses da ciência ainda não havia esclarecido os seres humanos. E existem ramos que pretendem ser da árvore do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia mas operam com paradigmas que nos são completamente estranhos.

Como alguém que coisifica coisas e pessoas pode mesmo mergulhar em caminhos vivos, onde sentir a Vida é condição fundamental? É claro que esta informação é completamente equivocada e nada mais equivocado há que pseudo estudiosos de Magia, Xamanismo e Bruxaria quererem demonstrar que suas práticas são "cientificas" .

É a ciência contemporânea que tem de fazer muito esforço ainda para compreender a ancestral e ampla abordagem da realidade que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria realizam e não o contrário, assim como é o Avô que deve ter a paciência de compreender e falar na linguagem que seu neto entenda e não o contrário. A ciência contemporânea tem seu valor sim, tem seus méritos e quando não está a serviço de grupos de poder, de egos inflados de "catedráticos" que prezam mais sua posição na "comunidade acadêmica" que a verdade em si, quando não está a serviço de laboratórios farmacêuticos e similares, esta ciência, o método cientifico é um caminho inteligente e funcional de abordarmos a realidade em buscas de respostas efetivas para os grandes mistérios que nos envolvem.

Mas assim como existem cientistas de diversos graus de profundidade e geniliadade vamos encontrar magistas, xamãs e bruxos (as) de diversos naipes. Não podemos generalizar nestes campos, temos pessoas de diversas formas de ser e posturas que se aproximam da ciência, por analogia podemos entender o mesmo de pessoas que se aproximam de tais campos. O fruto é a artimanha da árvore, para que a semente permaneça e seja levada onde amplie .

Os mistérios da Semente, de seu tempo na Terra, de seu morrer para nascer de novo, o vencer da terra resistente e escura que se lhe apresenta após a primeira porta, passar pela noite escura e então também resistir ao ofuscante dia claro. Como planta completa aprender a crescer tanto em raízes como em caule e galhos, pois a copa só acariciará as nuvens quando as raízes se sentem firmes nos mundos mais profundos. Os ritos mágicos são, ainda hoje, a mesma representação destes mistérios , entre outros.

Pois o Caminho nos leva ao recolhimento da semente que se deixa ir enquanto semente para poder realizar seu Ser árvore e cada fase de nossa caminhada nesta trilha está nestes ritos traçada e simbolizada. Assim a atenta observação da natureza e seus fluxos marca todos os ritos ancestrais, quando ritualizar era reatualizar o mito, tornar-se o mito encarnado, por vivência ativa e não mera incorporação. O primeiro ponto a recuperar neste trabalho é a consciência que a Terra é a grande provedora e seus ciclos, em relação a si e aos astros e corpos celestes que nos circundam em suas elipses irregulares, são os momentos de trabalharmos com os fluxos por tais alinhamentos gerados.

Experimente sentir o poder da Terra pelos próximos dias, observe cada árvore, cada planta que aparece durante o dia, tens um lugar de terra que podes mexer? São perguntas interessantes, pois como lidar com a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria sem um contato real e efetivo com a TERRA?

A base.

Paz e Luz na Presença;


Nuvem que passa

3 comentários:

Rosane disse...

Se tivéssemos recebido as informações do passado,poderíamos ver nas plantas,nas pedras,nas águas,no ar,na luz do Sol,o Sagrado.

Muita Luz
Sou grata.
Rosane

beijamim disse...

Obrigado, meu velho, estou observando a natureza sim, dando valor pra sua dignidade de estar viva, para arte com a qual ela é feita e refeita, pra complexidade de tudo o que é vivo, pro seu desenho inteligente. Como a gente nunca observou tudo isso? Olhe o que fizeram. Ainda dá tempo de refazer.
Eu fico um tanto surpreso, apesar de também grato, quando verifico que precisei de 20 anos de busca e dez de Daime pra começar a ter respeito pela natureza viva, pra começar a entender que uma planta não é uma coisa, que um animal não é uma coisa e que eu mesmo e as pessoas não são coisas.A gente pode perguntar a qualquer um se ele acha que seres vivos são coisas, respoderam que é ÓBVIO QUE NÃO, mas na práxis essa pessoa continuará a tratar tudo como coisa, porque foi condicionada pra isso.
Faz-me muita diferença andar num mundo de coisas vivas, do que me mover num mundo morto, tal é a ilusão de morte que nos foi oferecida e aceita. Mas agora, em que estamos respondendo por crer nesta ilusão, e corremos o risco iminente de sobreviver num mundo realmente morto, de fato, é que surge a chance de acordarmos desse pesadelo e dessa mentira, para refazermos essa realidade. Quando é tudo ou nada, só escolhe o nada quem já morreu, e ainda não sabe.

Fernando Augusto disse...

Há uma bela chance de mudarmos a nossa visão na própria Física, pois a visão das coisas na Física Clássica foi abalada pela percepção do observador na Física Quântica, que tornou o mundo não uma coisa a ser observada "de fora", mas um ser que pelo próprio fato de ser observado por outro ser tem as propriedades de seu ser modificadas. Isso revela uma interação e interdependência onde nada escapa da consciência, por isso mesmo o nagual definia o universo consciente (de Amit Goswani) como o vasto e escuro mar da consciência, assim coisa é apenas uma percepção rígida de nós mesmos, uma fixação exagerada do ponto de aglutinação numa percepção que antes era clássica e agora se tornou quântica.

No intento,

F.A.