Ventos: o mistério do feminino

domingo, 5 de dezembro de 2010

O tema "ventos" é um tema bem vasto e faz parte daqueles temas que só podemos aludir sobre, especialmente nós homens, pois nós homens podemos travar amizade com os ventos, mas só uma mulher pode convidar um vento a morar em seu útero. Quando falamos de vento estamos e não estamos falando do que conhecemos como vento. Falamos da sensação do vento, do vento forte e da brisa, do vento trazendo frescor no fim de tarde de verão, no minuano e seu frio implacável. Esse vento fato é do que falamos. O vento, conceito intelectual, o que é vento, deslocamente produzido pela fricção de massas quentes e frias e tal é um conceito que pode ser ampliado. Calor e frio, yang e yin se friccionando para fazer surgir algo que nào estava ali antes.


Vento.


Ontem a noite quando íamos sair para uma caminhada nas serras estava bem escuro para o lado noroeste, lado que íamos e lado de onde tradicionalmente vem chuva. Eu era o único homem do grupo, Melina ia levar algumas mulheres que trabalham comigo aqui, para uma certa formação rochosa que tem aqui perto que é um lugar de poder de energias femininas. Eu ia acompanhá-las até atravessarem a primeira serra, atravessarem a rodovia e entrar na serra já do lugar de poder. Como não estava muito calor também senti o que as gurias do grupo sentiram, risos, o corpo meio ficando com preguiça, chuva, molhado, cansado, exausto, frio, já tinha sentido isso. Observei como temos um conjunto de eus extremamente preguiçosos, pronto a justificar de mil formas sua não vontade em TRABALHAR. Saímos na caminhada e quando a noite caiu ventos diversos soprararam, e a noite foi abrindo, as nuvens indo embora e uma lua barca surgiu. O céu revelou-se em estrelas e a noite toda não choveu.


A Terra é um ser vivo.

Os ventos fazem parte do poder da Terra.

Nós somos seres de energia.

Podemos transmutar energia.

Nós somos seres de consciência.

Podemos transmutar a consciência.

Nós somos seres vivos.

Podemos transmutar a vida.


Um dos pontos fundamentais enquanto entes perceptivos é notar esses três níveis de existência que temos. Existimos enquanto energia em si, energia que metabolizamos e devolvemos ao meio. Existimos enquanto consciência. A consciência que maturamos e ampliamos em complexidade, que enriquecemos enquanto vivemos nossas experiências. Existimos enquanto força vital e a força vital não é requerida pelo vasto mar escuro da consciência. Estas pistas serão de grande utilidade no trabalho prático rumo a liberdade total. O que foco aqui como tema é o tema Ventos.


Os ventos são poderes, chamá-los de ventos é aludir a algo que está lá mas só pode ser "compreendido" se for sentido. Quando se está desenvolvendo o treinamento os (as) treinandos são agrupados em sistemas funcionais, assim existem alguns modelos de agrupamento e associação entre aprendizes para potencializar o aprendizado. O primeiro é a idéia que o número oito quando atingido ajuda a quebrar as correntes da egoticidade. Existem outras idéias de apoio a isto, coisa que existe também no Taoismo.


O caminho dos Ventos é o mais arriscado de ser trilhado sem orientação. É como tentar aprender a dirigir sem alguém lhe ensinando. Temerário dependendo do tipo do relevo a sua volta. Assim é lidar com os ventos. Como luto para ser um xamã nuvem os ventos sempre foram um dos meus campos de estudo.


Estudar os Ventos é ir ao encontro do mistério feminino.


Pois os ventos como entes masculinos, mais correto seria dizer Yang, buscam as mulheres como parceiras e com o auxílio dos ventos podemos descobrir mais sobre essas parceiras fantásticas na trilha do conhecimento que são as mulheres. Quando ainda na imaturidade de suas existências perdem muito de seu poder em atitudes das mais tolas, como nós homens também perdemos, por termos sido condicionados a assim agir. Mas se encontram a si mesmas e descobrem seus potenciais as mulheres podem chegar num nível de profundidade no Xamanismo que nós homens podemos nos aproximar, não igualar. Isto, para meu clã e outros que conheço é um fato. Sem nenhum problema de "guerra dos sexos".


Homens e mulheres aqui na Terra trazem em si essas energias Yang e Yin que estamos falando e existem homens Yin e mulheres Yang, podendo manifestar ou nao essa polaridade também sexualmente. O que ocorre é que a lógica do rebanho ainda perpetua na civilização dominada e as pessoas são úteis quando produtoras e consumidoras das futilidades que o sistema oferece e úteis quando reprodutoras. Uma mulher plena, que não tenha "furos" no corpo energético, uma mulher que tenha enfrentado e integrado sua sombra, pode , após ter feito o rito do sol e trazido a semente do sol para morar em seu útero, convidar o "seu vento" (cada mulher tem "um" vento próprio.) para vir morar em seu útero.


Os xamãs homens desenvolveram o feitiço da cabaça, para nela "guardar" um ente a partir do mirar de como as mulheres usavam suas cabaças internas para nela guardar poder. E a diferença que o que está na cabaça é um ente, como um saci ou um ser inorgânico de outra extirpe, enquanto que a mulher guarda dentro dela um vento, um poder natural. Falamos disso mails atrás, da diferença do poder de um ente e de um poder Natural, que tem sua fonte na própria força do ser Terra.


Dependendo da sua conformação energética e da quantidade de energia vital em si, podemos nos unir a "mulheres ventos", numa associação que nem pode ser citada pelas palavras, pois as palavras estão impregnadas de emocionalismos piegas e desarrazoados, de carências e irresoluções e este tipo de relação entre um Homem e uma Mulher pela troca de ventos internos é algo que transcende a tolice sem par do romantismo moderno, feito de carências e cinismo. É um sentimento que vem das esferas da não expectativa, do não apego. Chegar aos ventos antes de ter se resolvido, antes de ter-se feito nuvem é arriscar ser parede que barra o vento, ser buraco que em sua própria natureza se afunda fugindo do vento, que ainda assim pode percorrer seu interior.


É o que vejo as vezes no encontro dito "amoroso" das pessoas, onde cobranças, medos, ciúmes e ansiedades preenchem o que poderia ser o partilhar da maravilha de estar vivo entre seres que se sentem felizes pela vida do outro. Há muitas complexidades no caminho dos Ventos, mas ele não pode ser trilhado por "busca do amor perfeito" ou por quaisquer outros interesses egoticistas. Para poder fluir com os ventos temos de ser nada, para nele flutuar temos de ser inteiros.


Nuvem que passa
30/12/2000

7 comentários:

Nancy Passos disse...

Bom dia, Fernando !!!

(hoje me deu vontade de te chamar assim rs...).

Sou muuuito grata por todas as 'pistas' sempre bem colocadas no tempo certo ....

Muito carinho,
Nancy

F.A. disse...

Oi, Nancy!

Parece que tens uma ligação especial com os Ventos.

Paz e Luz,

F.A.

Nancy Passos disse...

Oi !!

parece que sim, na verdade estou descobrindo vamos ver ....o interessante como você diz aqui é perceber ele internamente (você me entende rs...)antes ou depois de sentí-lo em sua forma como todo mundo senti o vento, para ser bem prática é como perceber a presença de um espírito que quer lhe passar algo e atua no chacra cardíaco de algum modo, bem vamos seguindo pelo caminho e aprendendo....

Beijos,
Nancy

PS:Você e Claudinha hoje estão demais!!!

F.A. disse...

Oi, querida Nancy!

O interessante é que o chacra cardíaco é regido pelo ar (vento) e ele também é o chacra da intuição a nível do sentimento superior.

Bons ventos!

Fernando A.

danceando disse...

Não sabia desta ligação do chacra cardíaco com os ventos... mas vc sabe mais sobre os perigos de se unir a algum vento sem estar plenamente resolvido (como disse Nuvem que Passa)? e o que significa este estar resolvido? grato, Renato

Fernando Augusto disse...

Renato,

o perigo básico é, fazendo uma analogia, o mesmo de adubar o solo antes de arrancar as ervas daninhas. Tudo crescerá ao mesmo tempo e atrapalhará a colheita que se quer.

No intento,

F.A.

Nancy Passos disse...

Oi Fernando!!!!

foi muuuito bom reler o texto, e os nossos comentários, principalmente os meus rs...

Sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou infinitamente grata.

Nancy