Sobre a origem do mal

quarta-feira, 20 de março de 2013


Aloha!

Vou responder dentro da linha de xamanismo que estudo, como toda resposta para assuntos tão amplos é apenas um ponto de vista, uma abordagem.

O Xamanismo Tolteca considera que não há mal nem bem, isso é criação humana, há apenas energia impessoal, que em nosso condicionamento damos forma.

Como diz o velho nagual, existe a estupidez humana e esta estupidez tem uma sinistra conexão com a morbidez, o que gera muitas vezes atitudes do ser humano que podem parecer MAL, mas são apenas atitudes de desequilíbrio.

Para várias linhagens não há Mal, há "Avidyã" ignorância, isso gera o que chamamos de MAL.

Um Hitler, um Himmler podem parecer arautos do mal, mas se formos avaliar suas vidas, suas idéias, suas propostas, veremos pessoas confusas, com vidas pessoais em crise, presas na velha armadilha, dominar a tudo e a todos, acreditando que o fim justifica os meios.

Essa idéia de "Deus criou" não existe no Xamanismo, o Xamanismo não trabalha com estas idéias de um Deus criando , temos outra abordagem, tudo que existe "emanou", emanou de uma Fonte, que está hoje em tudo, assim não temos essa divisão das religiões: isto é divino e sagrado, isto é profano.

Para nós tudo é sagrado, tudo é mágico, tudo é maravilhoso.

O corpo não é inferior ao espírito, o espírito não é superior ao corpo, são duas faces da mesma moeda, todos os aspectos de um ser são importantes, sem trabalhar profundamente o corpo e o corpo de energia juntos não atingimos a meta da liberdade, assim não há superior, inferior, isto tudo é criação da mente humana.

Deus é só um conceito do Tonal dos tempos, não podemos chamar o Tao de Deus, nem a Fonte que o xamanismo se refere de Deus, nem tão pouco comparar a Deusa do Paganismo com esse conceito de Deus que anda por aí, pois esse conceito de Deus tem uma historicidade, aliás péssima.

Se um ET chegasse agora na Terra e fosse estudar a história conhecida humana (conhecida porque há outras histórias que não são contadas) com certeza definiria Deus como o Mal e teria pena do Diabo, pois o Diabo é sempre perseguido e caluniado, mas quantas guerras e atrocidades foram feitas em nome de Deus?

Desde Hitler a Bush, estes loucos militaristas que usam das armas para compensar suas impotências existênciais, sempre usam o nome de Deus e se consideram seus "agentes".

O Xamanismo está diretamente ligado a natureza e como o Budismo nem se preocupa com o conceito de Deus, considera que primeiro temos de trabalhar nós mesmos, resolver nossas questões existenciais pessoais, para depois irmos questionar sobre outras coisas mais amplas.

Temos um elo de conexão com a Eternidade, esse elo está enferrujado, precisamos trabalhar arduamente para limpar esse elo e só então vamos poder começar a conceber o que é essa Fonte da Qual emanamos e a qual vamos voltar ao final da vida.

Assim, essa pergunta carece de sentido no xamanismo, pois para o Xamanismo este Deus criador é o deus do conquistador, que foi imposto por armas e ameaça, por tortura e morte, assim é de triste figura, esse deus fora do mundo, que culpa, que castiga, que julga, que gera medo.

Para o xamanismo esse deus existe na cabeça das pessoas porque quando crianças sempre temos adultos por perto nos protegendo, basta gritar e vem alguém ajudar, depois, crescemos e notamos que nossos pais não são tão onipotentes assim, a tremenda carência que isso gera é superada por poucos, poucas pessoas amadurecem e assumem nossa solidão e efemeridade frente a Eternidade, a maioria cai em sucedâneos, como Deus.

E as religiões, que precisam de gente para manter seus dirigentes com poder, precisam do jogo "se não está comigo, está contra mim" e se "comigo " é deus, então "contramigo" é o demo, o "mal", o "bicho papão".

O Xamanismo diz, na Eternidade existe apenas energia impessoal, nossos medos, nossos condicionamentos é que transformam tudo isso em demônios, monstros, quando perdemos a forma humana, quando vamos além destes condicionamentos, percebemos fatos, não fantasias.

Os Xamãs Toltecas alertam que nossa crença neste deus das religiões é uma das coisas mais inúteis que existem, dedicamos porções imensas de energia a algo que não existe em si, é só uma convenção humana, e estar atento é conseguir parar de dizer frases do tipo "graças a Deus", "meu deus" e coisas do gênero, pois tais dizeres implicam que nossa mente ainda está presa no condicionamento desse deus das religiões que é algo que sabota nossa totalidade, pois todos os conceitos desse deus foram gerados para levar o ser humano a ser algo menor do que ele é.

Por isso, "mal" é apenas mais uma interpretação da mente humana, precisamos é ir além desses limites e entender que existe energia impessoal.

Nuvem que passa

6 comentários:

Daniele disse...

Mais uma vez grata pelo texto. Estou dando de cara a cada passo com minha visão polarizada e o blog tem me ajudado bastante neste sentido. Descobri que polarização pressupõe projeção e projeção é uma distorção, portanto ilusão. A visal impessoal me mostrou que sou um com tudo e estou começando a sentir o que é ser 100% responsável. O Deus que está fora em algum lugar faz parte desta ilusão, o véu de Isis começa a ser desvelado.

F.A. disse...

Maravilha, Daniele!

Muito bom! Que você tenha vários recomeços em sua jornada, renovando-se em conhecimento e força.

Indiretamente você indicou um post que em breve estarei publicando sobre "polaridade".

No intento,

F.A.

Shin Tau disse...

Saudações F.A.,

fiquei aqui um pouco baralhada com as minhas questões interiores (risos). Não acredito no Mal como nos foi imposto, acredito que há uma energia negativa que nós geramos com as nossas intenções não concretizadas, com pensamentos dispersos e por aí fora, basicamente o que nos transmite a cabala. Mas acredito em Deus, isto é, numa Fonte de Energia que existe, sempre existiu e existirá, não punidor nem compensador. Chamo-lhe Deus por ser mais simples para todas as pessoas compreenderem e porque acho que antes das religiões terem controlado a mensagem, era isto que Jesus e os outros Iniciados antes dele nos quiseram deixar. Que há uma fonte divina fora e dentro de nós.
A minha questão é: compreendo que ao utilizar a palavra Deus lhe dou um significado diferente, não basta isso para que ela vibre de forma diferente em mim? E que resulte na mesma forma? Deverei descartar essa palavra apenas por a carga histórica que tem incutiva em si?
Fiquei verdadeiramente confusa rkrkrkr e agradeço a sua opinião, que ouvirei atentamente.

Obrigada, obrigada, obrigada

F.A. disse...

Essa será apenas a minha visão, Shin Tau, ok?

"Eu" sinto que há apenas uma energia, uma força infinita. Em nós ela se manifesta plenamente como a consciência da Unidade de todas as coisas e seres. Nós somos partes dessa força e somos Ela ao mesmo tempo. Podemos defini-la de diferentes formas e com diferentes palavras, mas sabemos que a palavra não é a Força Una e Viva presente em nós.

Aliás, a palavra sendo uma definição limita o Ilimitado quando nos apegamos a ela e montamos em torno dela um sistema de conhecimento a ser transmitido pela palavra: religião.

Como está escrito no Tao Te King:

"O Tao que pode ser definido não é o verdadeiro Tao".

Se nós já tivermos tido uma experiência direta da divindade em nós, capaz de nos transformar intimamente e nos permitir a consciência da unidade, as palavras tornam-se relativas, mas se nós ainda não tivermos tido essa experiência da divindade em nós mesmos, as palavras tornam-se limitantes, não importando quais sejam.

Podemos usar a palavra Deus para nós mesmos sem problemas se atribuímos a ela um significado que surge de uma experiência direta da Divindade e/ou de um insight pessoal.

O problema de certas palavras é o seu nível de desgaste pelo uso inadequado quando queremos transmitir uma experiência ou vivência.

E aí surge outro problema.

Quando realizamos a divindade em nós mesmos que palavras usaríamos para expressá-la?

Saber que a água é feita de H2O não sacia a nossa sede.

Precisamos provar da água viva, real.

Como saciaremos a nossa sede espiritual com palavras?

Quando "experienciamos" o Ilimitado em nós que palavras poderíamos usar para expressá-lo?

Há uma estória budista sobre essa questão muito interessante. Vou encontrá-la e postá-la, ok?

Indo um pouquinho além...

Para mim "o mal" é uma ilusão que surge do ego, que surge do fato do ego ser uma barreira que nos separa daquilo mesmo que é a nossa origem e fonte: a unidade.

Essa ilusão produz dor, que é vista e sentida como mal, mas é a partir dessa dor que nós começamos a nos questionar sobre o significado do existir, realizando assim a busca para a consciência da unidade de todos os seres e coisas.

Quando realizamos a divindade em nós mesmos que palavras usaríamos para expressá-la?

No intento,

F.A.

Decat disse...

Que palavras? Amor....

mas ainda assim, impossivel definir o amor, muito menos o amor pelo proprio amor.

no Intento

Muad Dib

Paola disse...

perfeita definição... este conceito é tão vazio que uma análise superficial dele, contextualizando-o historicamente, desnuda sua incoerência e sua funcionalidade: dominação das massas. Grande abraço!