Tantrismo: uma religião do Sagrado Feminino - 6ª parte

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O sentimento erótico é a poderosa ”semente” do misticismo.


É a emoção original do amor, um sentimento que estimula as paixões, ”incendeia” os sentimentos e desperta a energia Kundalini no centro sexual. O sentimento erótico e evocado através do agradável contato dos sentidos com o mundo exterior.


O erotismo, quando refinado e cuidadosamente canalizado, leva a experiência da transcendência e do êxtase. Na tradição tântrica ou ”secreta”, o sentimento erótico correlaciona-se com o paladar da doçura. Vishnu, o Preservador, também conhecido como ”Senhor das Águas”, é considerado como aquele que governa o sentimento erótico; isto e corroborado pela antiga referencia do elemento água ao sentido do paladar e pela necessidade da saliva para distinguir sabores. Os textos hindus relatam as muitas façanhas eróticas de Vishnu que, encarnado como o jovem Krishna, é o protótipo do amante. Mais adiante falaremos sobre suas aventuras amorosas e seu jogo sutil.


O erotismo desperta as chamas do amor em todas as suas variedades. Os antigos textos indianos como o Kama Sutra e o Ananga Ranga referem-se a quatro diferentes tipos de amor: amor habitual, imaginário, natural e sensual. E claro que tal classificação é uma simplificação, já que a maior parte dos amores e uma mistura dos diferentes tipos.


Entretanto, a importância desta classificação tradicional de Eros deve-se ao fato de ser ela baseada nos ensinamentos místicos mais profundos da tradição tântrica. Vamos encontrar esta divisão quádrupla repetidas vezes à medida que nos aprofundamos nos segredos do Oriente, mais notadamente na transformação da energia sexual e nos estágios do êxtase.


O sentimento erótico esta ligado ao elemento fogo e ao sentido da visão. Shiva, o ideal iogue de transcendência, está sempre associado ao fogo e ao erotismo místico. Para compreendermos o que isto significa, temos que nos lembrar da relação entre o ”fogo interior” no centro umbilical do Corpo Sutil (plexo solar) e o ”Terceiro Olho”, no centro da cabeça. Este olho oculto e colocado em ação através da destilação e transformação do ”fogo” interno do estômago, fígado, baço, coração, e assim por diante; consegue-se tal efeito através dos diferentes tipos de Ioga.


Na tradição mística ocidental, conhece-se também o fogo espiritual, o fogo da emoção purificada. Nos ensinamentos esotéricos através do mundo, “fogo” e “água” representam as forças solares-lunares do microcosmo. Estas duas grandes forças podem ser explicadas através do sentimento erótico; se é de forma literal ou alegórica, vai depender de determinado contexto, mas estes dois elementos sempre evocam o erótico. Os Tantras declaram que os ”fogos” e as ”águas” podem ser experimentados através dos corpos dos homens e das mulheres; fazer amor é a forma mais direta de realizar suas potências. A respiração solar e lunar indicada na primeira parte deste livro é realizada automaticamente pelo movimento das posições durante os clímax da atividade sexual. Se as forças da respiração forem canalizadas conscientemente, podem evocar as energias solar e lunar interiores e possibilitar a experiência prolongada do êxtase tântrico.


O fogo cósmico e a água cósmica em união. Este conceito alquímico é encontrado em tratados medievais, porém foi inicialmente desenvolvido nas escolas de mistério do Oriente. No Oriente, a alegria, a brincadeira e o riso são estimulados nos funerais, nascimentos e casamentos, pois este espírito, e não a seriedade, favorece o amor. No Ocidente, os conceitos de amor, cobiça e erotismo tem sido muito confundidos. Isto se deve em grande parte a influência da Igreja, que preferiu ignorar a dimensão espiritual do amor físico.


Um antigo ditado indiano diz: “0 sentimento cômico origina-se do erótico e esta próximo dele.”


Um outro declara que o cômico é a “mímica” do erótico. Os meios de comunicação de massa tem explorado esta proximidade entre os sentimentos cômico e erótico. A comedia excitante quase sempre serve para aliviar as tensões da sexualidade não realizada. Embora o riso seja em si curativo, não é um substituto para o erotismo. Grandes ataques de riso podem de fato bloquear o fluxo de energia dentro do corpo ou fazê-lo percorrer canais não naturais. A onda recente dos movimentos de liberação sexual faz com que este momento seja propicio a reavaliação da função do sentimento erótico segundo as tradições tântricas e taoístas. Estes ensinamentos confirmam repetidamente as descobertas mais revolucionárias da Psiquiatria, Medicina e cosmologia modernas. 0 resto deste livro trata de pontos importantes a ser considerados. Oferece um relato detalhado do papel do erotismo, especialmente no que diz respeito a preservação e manutenção dos aspectos mais elevados do homem e da mulher.


A esposa abraça fortemente o marido. Espalham ”leite” viril e, ao entregar-se, ela extrai para si mesma o poderoso Suco do Amor - RIG VEDA.


Que instrumento delicioso é a mulher quando tocada com arte; como é capaz de produzir as mais lindas harmonias, de executar as mais complicadas variações do amor e dar o mais Divino dos prazeres eróticos - ANANGA RANGA.

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