Uma mulher

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Não me importa o que você faz para sobreviver. Quero saber qual a sua dor e se você tem coragem de encontrar o que o seu coração anseia. Não me importa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscaria parecer com um louco por amor, pelos seus sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me importa saber quais planetas estão quadrando sua lua. Quero saber se você tocou o âmago de sua tristeza, se as traições da vida lhe ensinaram, ou se omitiu por medo de sofrer. Quero saber se você consegue sentar-se com as dores, minhas ou suas, sem se mexer para escondê-las, diluí-las ou fixá-las.

Quero saber se você pode conviver com alegria, se pode dançar com selvageria e deixar o êxtase preenchê-lo até o limite sem lembrar de suas limitações de ser humano.


Não me importa se a estória que você me conta é verdadeira. Quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro para si mesmo, se pode suportar a acusação da traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser fiel e consequentemente fidedigno. Quero saber se você pode enxergar a beleza mesmo que não seja bonitos todos os dias, e se pode perceber na sua vida a presença de Deus. Quero saber se você pode viver com as falhas, suas e minhas, e ainda estar de pé na beira do lago e gritar para o prateado da lua cheia... "Sim"!

Não me importa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de pesar e desespero, exausto, e fazer o que tem de fazer para as crianças.


Não me importa saber quem você é, ou como veio parar aqui. Quero saber se você estará ao meu lado no centro do fogo sem recuar. Não me importa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que sustenta o seu interior quando todo o resto desaba. Quero saber se você pode estar só consigo mesmo e se verdadeiramente gosta da companhia que carrega em seus momentos vazios.


Oriah Mountain Dreamer (Uma Anciã Nativa Americana)

11 comentários:

a.mar disse...

Oriah Mountain Dreamer -
Oriah Sonhadora das Montanhas.
É ela que sonha com montanhas, ou ela sonha os sonhos da montanha?

Ainda outro dia dizia ao meu companheiro que não faço loucuras.
Digo-lhe muitas vezes que não tenho sonhos, que não quero nada.
O meu Coração não anseia nada, mas ao mesmo tempo, tenho aqui a taquicardia a mostrar-me a minha ansiedade.
Acho que é mais por sentir que a maioria das pessoas não tem Amor, não tem Paz e está muito distante da verdade que os empurra para o passo seguinte e depois admira-se muito com a sorte que encontra. É que depois é má ou boa sorte. Não é conhecimento de causa.
Fica muito admirado quando lhe digo que não faço as massagens por dinheiro, só gosto de ver as pessoas recuperarem o bem-estar.
Olha-me com admiração.
E eu admiro tudo o que o Coração é capaz de fazer.
O Coração é a bomba que faz com que todos os nutrientes com que nos alimentamos, cheguem a todas as células que temos e ele marca o ritmo do pulsar da nossa emanação.

Este teu post tem tudo a ver com a frase que retive ontem duma entrevista:
"Estamos muito pouco habituados, e é díficil partilhar as nossas dores."
Com o meu trabalho, para o qual estou a estudar vou mesmo parar no meio do que eu mais tenho díficuldade em lidar: a dor.

E não gosto de desapontar o outro para ser verdadeira comigo mesma.
Sou capaz de reconhecer a minha verdade, e ficar com ela para mim, rodear a questão e criar o menos possivel de desapontamento. Até porque eu sei que a minha verdade é relativa e muito mutável. Ou melhor, o que estou a fazer não vai influir assim tanto com a minha verdade interior.

Um Abraço de Bom Dia

Daniele disse...

Que dor e alegria profunda. Este também é de propósito. Assim Como Oriah, "Não estou interessada em uma espiritualidade que não possa abranger meu lado humano... Algumas vezes temo que possa ser demais, que eu não tenha ou venha ter o que é necessário para suportar tudo isso, a sensível beleza e o terrível sofrimento de estar plenamente vivo."
E quanto ao convite? Olhando pra Lua cheia eu digo SIM!!!!!!!!!
http://www.scribd.com/doc/7172338/Oriah-Mountain-Dreamer-O-Convite

Daniele disse...

F.A este também teve uma inteção específica. É muita dor, mas não vou fugir. Vou trilhar o caminho.
Viver plenamente tudo. Todas as dores e todas as alegrias. Sem fugir. Vou conseguir. Tenho sorte e força. Grata

a.mar disse...

E por falar em sonhos...
Eu penso que os sonhos são um conjunto de memórias que temos no nosso cérebro, conjugados de certa forma, realizados (como nos filmes) pelas nossas capacidades de agir, intenções, pensamentos, aquisição de conhecimentos, em toda a nossa vida.
Mas agora pensei:
mas isto também pode ser o contrário. A vida é o resultado dos sonhos!
Não existe uma barreira assim tão definida entre o que é realidade e sonho.
Eu sei que, o nosso corpo funciona ao mesmo tempo no passado, no presente e no futuro. A cada instante.
Onde é que há um espaço que contenha ao mesmo tempo o tempo e as outras dimensões de tempo que "não é experienciado físicamente"? É nos sonhos.
Eu procuro sempre o lado do conhecimento cientifico de como a coisa funciona, mas é um facto, nós estamos constantemente a viver as três fases do tempo, simultaneamente, sem nos darmos conta.
Os sonhos não estão fora da realidade e a realidade não está fora dos sonhos.
Estamos aqui na vida, além, estamos com tudo, em todo o lado e ao mesmo tempo.

Isto é muito espaço e tempo para a minha cabeça, eh eh eh
já está a começar a doer...
queres sentar-te aqui comigo? A minha cabeça está a começar a falhar...
Se não quiseres, eu fico bem comigo, também.
É porque também não sei se fico contigo no meio do fogo... pelo menos já estou aqui a escrever contigo.

Até logo!

F.A. disse...

Aloha, A.Mar!

O coração quer sair em disparada, soltar o freio de mão da razão, pelo menos num primeiro momento, como um arroubo de paixão ou como a criançada que sai disparada da sala de aula quando toca o recreio.

Talvez tudo seja sonho e nossos sonhos pessoais aconteçam dentro do sonho deste planeta. E mais além, o que há? Muito mais. Ou nada. Shunyata. Vazio. A morte é um carimbo sem volta. E um caminho que não permite olhar para trás. Quem sabe?

Lembrei do sonho que tivestes com o castelo e as bombas que explodiam, pois tu escrevestes: "o coração é uma bomba." Bomba de chocolate, bomba de emoção, o amor custa e quanto mais intenso maior é seu custo. Ou explosão.

No intento,

F.A.

F.A. disse...

Aloha, Daniele!

As vezes eu sei (ou penso que sei) porque fiz um post e outras não, mas nunca sei como esse post vai afetar aqueles que lêem. Não tenho o controle e isso é um alívio...risos...ufa! Tento e intento agir de acordo com os sinais, mas quem garante que eu possa fazer a interpretação correta? As vezes as sincronias são tais que não tenho dúvidas. Uma palavra, uma frase, um arcano ativa um algo que se associa a outro e então a conexão se plasma.

Como explicar que pessoas que nunca se viram sonhem entre si o mesmo sonho?

Não estamos sonhando agora?

O que nos liga não é apenas a rede, o que nos liga é aquilo que nos faz iguais, humanos, cheios de coração e (ar)dor. Se pudéssemos enlouquecer esse mundo de máquinas que se julgam tão racionais, tão lógicas, tão bem programadas...vamos intentar! Vamos abraçar esse loucura controlada. É preferível a essa racionalidade insana que chamam de realidade. Vamos abraçar a ambas, sem fugas, todas fazem parte do nosso legado.

No intento,

F.A.

LENA disse...

A auto aceitação..
tô achando um ótimo tema...
Quando acaba o complexo de inadequada,percebe-se que o que o outro não aceita em nós é não sermos verdadeiros conosco.
Obrigada!

Nancy Passos disse...

Oi F.A !

sabendo oque está fazendo ou não rs...saiba que está bem feito e anda a ajudar muuuito !

Esqueci de dizer, segunda desta semana meu amigo vento, depois de um bom tempo me visitou, foi diferente parece que criamos uma certa intimidade, aquela que os sinceros e verdadeiros amigos criam !

Beijo,
Nancy

F.A. disse...

Aloha, Lena!

Essa questão da auto-aceitação é uma chave fundamental para o entendimento profundo de nós mesmos.

As definições simples são as melhores então podemos dizer que se auto-aceitar é nos vermos tais quais somos, sem julgamentos, justificativas e racionalizações.

E a medida que nos vemos vamos fazendo uma discriminação que não é racional, mas baseada nessa visão pura, destituída de julgamentos, racionalizações e justificativas, entre aquilo que sou, minha essência, e aquilo que fizeram de mim, me exigiram, a máscara social.

Ou seja, temos que nos ver, baseados nessa auto-aceitação, a ponto de separar a máscara social e aquilo mesmo que somos.

É engraçado por que tendemos a ver a máscara como se nós fôssemos ela, mas a medida que olhamos para nós mesmos vamos fazendo uma distinção que é fruto dessa visão não julgadora de nós mesmos.

Obviamente, auto-aceitação exige não julgamento. "Não julgarás".

É importante percebermos os momentos de nossas vidas onde tivemos que tomar decisões importantes, especialmente, na adolescência ou no início da maturidade, quando temos que escolher uma profissão, por exemplo.

Muitos de nós chegamos nesse ponto sem muita clareza do que queremos fazer. Nessa fase em particular a pressão para cumprirmos certas exigências sociais cresce: temos que ser machos "fuderosos", escolher uma profissão competitiva, sermos campeões na porrada e com a mulherada e por aí vão outras babaquices. Esquecemos de nós, de nossas tendências e vocações, somos levados a atender as exigências do mercado.

Resgatar a nossa essência, como homens, mulheres, seres humanos exige essa auto-aceitação, uma profunda honestidade com nós mesmos ao revermos o filme de nossas vidas. Uma tarefa e tanto e uma tarefa que vale a pena, para podermos reencontrarmos a nós mesmos.

O post de amanhã será uma historinha sobre auto-aceitação, a partir do tema da culpa.

Eu te amo, sinto muito, obrigado!

No intento,

F.A.

F.A. disse...

Aloha, querida madrinha!

Fiquei aqui a pensar que de certa forma somos ventos cibernéticos uns para os outros e percebemos que apesar da distância física, há algo que nos une e não nos deixa cair em solidão, essa ilusão que o sistema social usa para nos dividir, através do discurso do individualismo e da competividade.

As vezes mesmo como guerreiros, guerreiras do espírito, titubeamos, mas podemos beber nas palavras dos outros a lembrança daquilo que todos queremos: felicidade! Mesmo que esse outro seja o nosso amigo vento, sem limites, invisível e sempre presente.

No intento,

F.A.

Cláudia Mello disse...

A isso eu chamo de sabedoria feminina ancestral...

beijos