Vem aí uma Era Matriarcal?

sábado, 8 de março de 2014

Termos, palavras são ferramentas complexas que usamos na nossa relação com a realidade. Palavras implicam sentidos, quando falamos, ou escrevemos algo queremos expressar um conjunto de idéias e sentimentos. Quando usamos das palavras acreditamos que o sentido que estamos dando é o sentido que quem lê vai dar. Por isso antes de entrar no mérito do tema, gostaria de localizar alguns termos que estão sendo usados no debate.


Yin e Yang .

No sentido original yin quer dizer "nebuloso", "sombrio" e Yang no sentido original: "estandartes tremulando ao sol", ou seja , algo que brilha, o "luminoso". Em tratados chineses mais antigos usa-se maleável e firme no lugar destes termos, dando bem a idéia original dos que primeiro usaram tais termos.

É importante entender que, para os taoístas mais antigos, a idéia de princípios fundamentais não era estanque. Não eram coisas opostas como o bem e o mal aos quais fomos expostos e nossa visão da realidade ainda está impregnada. Essa oposição entre matéria e espirito não faz parte da abordagem que eles tinham da realidade. Essa idéia de princípios irrreconciliáveis e em oposição impregnam de tal forma o pensamento da cultura que fomos educados que necessita ser claramente identificado e deixado de lado se quisermos penetrar no sentido profundo do Taoísmo, onde a idéia de Yin e Yang vicejou.


Yin e Yang. Aspectos complementares da Realidade, da mesma energia original. Não duas naturezas em oposição. Não dualismo antagônico. Dois aspectos de uma mesma realidade. Quando o termo masculino e feminino foram associados a Yang e Yin eles tinham um sentido.


Temos que compreender a leitura original dessa associação e não associações tardias depois dos Confucionistas ou do período as dinastias Ch'in e Han. Em primeiro lugar compreender que não há princípios opostos , como no dualismo gnóstico de outros povos. Diferença para os taoistas não quer dizer oposição. Há uma mesma energia desconhecida e fundamental se expressando em dois momentos.

Yin e Yang são estados dinâmicos, não rótulos estáticos. Isto é fundamental, não compreender isso é o equívoco primeiro, quando se aborda esta filosofia, que todo ocidental comete.


Qualquer coisa fixa, estável é vista pelo pensamento taoista como totalmente falsa e ilusória. Tudo está em movimento, fluxo. "I": Mutação. Esta a verdadeira natureza da existência para o Taoísmo. Tudo em eterna (trans)mutação.


Assim a primeira falha é colocar Yin e Yang como categoria final para algo.


Já olharam o verde numa cadeia de serras. Quantos tons diferentes, na mata, nos campos, você pode ficar a tarde inteira mirando os diferentes matizes, quanto mais sua vista se foca mais matizes surgem, a luz do sol, a nuvem, toda uma enorme variação de matizes e é tudo verde. E há um momento transitório, nas serras mais distantes quando o verde vira azul. As serras distantes tem um tom azulado, intermediário, depois tem o azul do céu, puro azul. Entre o verde das serras próximas, nitidamente verde, e o azul do céu, nitidamente azul, há um longo momento de incerteza onde hora o verde hora o azul mostram-se aos nossos olhos quando contemplamos as serras distantes. Assim quando falamos Yang estamos dando a um espectro dinâmico um rótulo, mas não podemos perder de vista a mutação.


Yang e Yin são momentos. A lua cheia e a lua nova são momentos. É por um instante que a oposição ou o alinhamento ocorre entre Sol e Lua, depois ela já começa a minguar ou a crescer. Portanto, na natureza Yang, Yin são momentos fugazes quando a energia revela um aspecto seu, dentro do seu eterno fluir. A Lua vai crescendo, crescendo, quando ela se torna cheia é o seu momento mais Yang, mas ali já está o Yin se manifestando a partir daquele momento ela vai começar a minguar até chegar ao máximo de Yin, nova e neste momento de máximo Yin está Yang, ela vai começar a crescer e assim, em ciclos, fluindo. Yang quer expressar um determinado aspecto da natureza. Algo quente é Yang, está se expandindo, presente, irradia, muito quente, como uma barra de ferro, brilha. Yang, presença enfática. Age. Masculino: estimula, ativa, age. Fecundador. A barra de ferro em brasa, Yang. Irradia calor e luz, aquece. O ar em volta, toda a atmosfera ao redor da barra. Yin. Receptivo, esfria, absorve a luz e o calor, contraí. Presença natural, está apenas ali, receptiva, reage. Doadora, ar, maleável. Gerador. Feminino: Recebe , gera, amplia, sutiliza.


Mas isso não quer dizer que corpos biologicamente masculinos sejam predominantemente yang e que corpos biológicamente femininos sejam Yin. Os ventos que circulam em nosso ser energético, as naturezas que trazemos em nós, os genes, tudo isso são fibras, fios que juntos ao tecer a tapeçaria que chamamos " eu" terão um tom, uma forma de responder ao desafio de estar vivo. Dentro dos padrões da época e do povo que estiver vivendo uma pessoa se mostrará mais Yin ou mais Yang. Mas oscilará, pois não há também esse purismo: Puro Yin, Puro Yang. Tudo muda. Yin já trás em si Yang e Yang tras em si Yin. Lembrem-se do símbolo do Tao. O pontos preto no meio do branco e o branco no meio do preto revelam isso. A mesma energia "T'ai chi", ("Viga Mestra" no sentido original) se manifestando hora sobre um aspecto hora sobre outro.


Assim não pode haver Yin sem Yang, nem Yang sem Yin. Qualquer exagero de uma das duas condições gera o desequilíbrio. Qualquer obstrução no livre fluir da energia, estagna o fluxo e gera desequilíbrio.


Assim fluir e expressar plenamente sua natureza é o caminho do equilíbrio com o Tao, assim ensinam os que são unos com o caminho.


Toda divisão é artificial e prejudica a compreensão da totalidade que é multi-abrangente e dinâmica.


Temos uma analogia física. O elétron não é nem partícula nem onda, é uma entidade que se manifesta hora como onda, hora como partícula. Essa busca do sentido real das palavras permite uma localização do debate.


Creio que precisamos olhar o mundo, de fato, sem interpretações excessivas. Vamos pensar juntos. Quem está no poder efetivo dos países: Homens. Exércitos são predominantemente: Masculinos. Empresas, agremiações, meios de comunicação de massa, os 10 mais da FORBES, grandes nomes amados (Gandhi) odiados (Hitler), Deus, o filho dele... The Boss: Homens. Mas esses homens não tiveram mãe? Até Jesus, Budha e Maomé tiveram mães. Jesus inclusive, segundo consta, abriu mão da parte masculina do processo, mas mãe, alguém que gerasse seu corpo precisou... Amores. Cada general, a maioria desses grandes líderes teve amores. E estas mulheres, a forma pela qual elas influenciaram a história? Será que de fato não temos mulheres atuando a na história ou a forma de ação é que não é percebida? Ou os homens que criaram o sistema estabelecido determinaram o que é importante e o que não é, lógicamente fazendo importante o que consideravam?


Se nos perdermos deste referencial acabaremos crendo que a volta do feminino é apenas a tomada do poder pela mulher, dentro das estruturas que ai estão.


Há algo de problema com nossa realidade. Fato.


Mas observem algumas mulheres. Margareth Tatcher. Podemos chamá-la de feminina? Ela seria símbolo de feminilidade? Da abordagem feminina do mundo? O que é feminilidade? Carla Peres? Adriane Galisteu? Tereza Collor? Marion Bradley Zimmer? Como escritora ela nos trouxe um formidável resgate do feminino e do pagão. Uma visão da alma pagã feminina, com enfoques da intimidade do mito Arturiano que só uma mulher, só a energia feminina conseguiria perceber e narrar. Assim, lendo Brumas de Avalon, vi que de fato, a ilha do Dragão e a Ilha das Maçãs tem mistérios que partilham, comuns às duas, mas há também vivências, que embora possam ser partilhadas pela magia da comunicação, só são vivenciáveis pelos habitantes de cada uma delas. A idéia que tem sido muito veiculada ultimamente de que a Era que se aproxima é Matriarcal leva a questionamentos. Primeiro, se a era que entra é Matriarcal, essa que estamos é patriarcal? Num artigo que escrevi há algum tempo questiono esta classificação: Patriarcal.


Pseudopatriarcal eu colocaria, um arremedo, uma deturpação dos valores patriarcais para gerar essa sociedade escravocrata, aristocrática, depredadora, belicosa que está condenando todos nós, a um futuro de crise, quando temos recursos para viver em harmonia e plenitude. Dizer que belicosidade, violência, agressividade são valores masculinos deturpados é apontar para um fato. Ditadores, generáis, exércitos mercenários, donos de empresas depredadoras da natureza. A predominância de homens nesses meios demonstra algo. São valores yang deturpados.


Mas e a preguiça, a passividade frente a necessidade de mudança, conformismo, ceder excessivo, permitir que invadam nosso espaço próprio? Não são valores femininos deturpados? Gerar sonhos que não são nossos não é o um valor feminino deturpado, como a mulher que servilmente gera o varão de seu senhor, mesmo não desejando a maternidade, mas outras gestações na vida?


Os valores femininos, Yin, deturpados não fazem também sua parte no gerar desse desequilíbrio que aí está? Isto é importante frisar.


O mundo desequilibrado que estamos vivendo é composto por sua parcela de valores Yang, masculinos deturpados, mas também é composto por sua parcela de valores femininos, Yin, deturpados. Óbvio que se uma das características Yang é brilhar, acaba dando a impressão que os valores Yang predominam, que esta é uma era de valores masculinos deturpados. Óbvio que não existe Yang sem Yin. Mas o Yin por natureza é obscuro, dissimulado, sombrio. Assim os valores femininos, Yin, deturpados que colaboram para o desequilíbrio estabelecido, por vezes nem são citados nas avaliações mais superficiais.


Portanto não há falta de Yin ou de Yang no mundo, há ênfase em valores Yin e Yang que geram um estado de desequilíbrio que está destruindo a vida, levando ao caos ecológico e social, e dentro deste quadro de coisas houve uma opressão muito maior sobre a mulher do que sobre o homem, impedindo de fato a livre expressão da mesma.


O detalhe é que o homem também foi oprimido e explorado, afastado de seu eixo e feito objeto. O simulacro de poder que representamos apenas demonstra nossa maior opressão, se assim o permitirmos, nesta sociedade direcionada para a produção e o consumo de supérfluos.


O cerne da questão parece que está sendo desviado mais uma vez. Ao invés de trabalharmos uma efetiva substituição dos estilos Yin e Yang que estão sendo utilizados, nitidamente ineficientes, deixando de lado o agir desequilibrado e inconseqüente desta civilização e recuperarmos um conjunto de estilos equilibrados e em harmonia com a vida, algo que é necessário a nível de sobrevivência efetiva, vamos nos deixar levar para a disputa se deve haver mais Yin ou mais Yang na próxima ERA.


É como ficar brigando se deveria haver mais dia ou mais noite.


Assim como ocorre ao entrar em contato com o paganismo, temos que avaliar com cuidado o que queremos de fato colocar quando abordamos este tema. Portanto a primeira coisa seria deixar claro que as diferenças são aspectos de uma mesma totalidade. Essa a singularidade da existência, essa a magia da vida.


DIFERENÇA!


Se há um fator que nos torna iguais é o fato de que somos singulares. Irmanados a mesma fonte, partes de uma mesma totalidade, somos aspectos distintos dessa totalidade, como folhas, flores e frutos numa árvore, da mesma fonte emanados, singulares apresentações da mesma seiva vital impulsionando o código genético a se manifestar.


Podemos ser singulares. Manifestar a singularidade, o impensado, o que nunca antes foi feito, pensado, profetizado. Esse criar do novo, esse libertar perceptivo dos modelos que aí estão é que, ao meu ver, representa o grande desafio dessa inegável nova era que aí está.


Não importa qual o local, dentro de um curso para empresários em uma “multi” em São Paulo ou numa vivência xamânica na Chapada, o tema hoje é sempre o mesmo: Mudanças.


Um novo tempo surgindo.


Como estar nele sem ser dele? Como enfrentar as mudanças? Como realizar seu projeto pessoal de vida?


Nessas semanas entre São Paulo, e a Chapada percebi que minhas companheiras e companheiros xamãs e os alunos e alunas nos cursos nas empresas tinham perguntas comuns, feitas em contextos diferentes e por isso caminhando para respostas existenciais distintas.


O fato comum era perceber que um novo mundo está surgindo e que o caos que estamos vendo a nossa volta é o caos da criação, do novo, as dores do parto que antecedem a alegria do nascimento. É sentimento comum esse. Estamos no meio da crise da mudança, quem souber se trabalhar agora vai entrar num mundo novo como sujeito, não como objeto da própria história. Homens e mulheres tem formas diferentes de aproximar-se destas questões e tem respostas singulares também. Cada uma importante e partilhável.


Há uma diferença real, orgânica, entre homens e mulheres é óbvio, que influencia na visão de mundo.


Qualquer pessoa sensível com o mínimo de experiência de vida vai notar que homens e mulheres se aproximam das situações com sistemas de abordagens totalmente diferentes. Há o jeito masculino de agir e o jeito feminino.


Fato. Cada cultura carrega esse " jeito" com nuanças próprias, mas a diferença permanece.


Assim como a visão de mundo determina a relação de uma pessoa com a realidade, concluo que homens e mulheres tem abordagens diferentes de muitas questões. O interessante é que pode haver compreensão empática entre as visões de mundo.


Alguns homens, a experiência mostra que não são todos, conseguem pensar e sentir o mundo como as mulheres, dentro de uma perspectiva quase feminina. Daí que podem partilhar da alma feminina com mais carinho e cuidados por compreende-la em sua complexidade.


Essa compreensão empática gera a rica possibilidade de troca.


Mulheres também fazem o mesmo em se tratando do mundo masculino. Essa sintonia é uma habilidade de expandir além dos limites biológicos e compreender sentimentos e formas de pensar geradas por um ser que tem um organismo portanto uma abordagem primária diferente da realidade.


Mulher menstrua, passa por transformações intensas na mudança para a puberdade. As transformações masculinas mais sutis são extremamente prazeirosas...


Nada tão marcante como “começar a sangrar todo mês".


Algo que, para nós pagãos, é fantástico, mas na educação deteriorada da realidade cotidiana não é visto com tanta tranqüilidade.


Pensem como assusta muitas meninas, mas de qualquer forma marca claramente a mudança. Dai que o masculino muitas vezes tem mais dificuldade de amadurecer que o feminino.


O problema é que temos poucos exemplos de sociedades matriarcais. O exemplo dado pelo Derizans foi muito válido. Demonstrar que a administração de uma sociedade pelas mulheres não libera as mulheres do jugo efetivo ao qual estão submetidas. Creio efetivamente que a sociedade tal qual está aí é machista, não patriarcal, e é imatura.


São gangs de imaturos disputando quem é o dono da rua, quem vai ficar com a "menina mais gata", quem é o "bom". Exibindo seu carro novo e suas "coleções exclusivas" de algo.


Há uma similitude na organização do poder e das atitudes adolescentes que é interessante pouco ser falado sobre isso.


Ao meu ver, o que temos no mundo não é patriarcalismo, tão pouco valores masculinos.


VALORES MASCULINOS?


Me permitam, como homem, me sentir ofendido por fazerem tal valor de nós. Num mundo de covardia, deslealdade, mercenários a soldo de poderosos usando da violência para se impor, onde a vileza predomina, estes valores predominando e alguém alega que isto é masculino?


Eu e todos os homens que se religaram as 4 faces do Deus negamos isso.


Estes valores são aberrações, deturpações do comportamento que geram o mundo caótico que estamos vivendo. Assim não é apenas o feminino que está perdido e precisa voltar.


É o masculino também, os valores verdadeiros da masculinidade, tão importantes quanto os valores verdadeiros da feminilidade. Tais valores só retornarão se nos pusermos a mergulhar em nosso próprio interior e descobrirmos o que somos, que singularidade da existência viemos expressar.


A realidade de nossa existência é diretamente proporcional a nossa singularidade. Assim podemos nos saber existentes de fato.


Homens e mulheres são formas que usamos neste nosso estágio da viagem mágica da existência. Em cada condição temos uma perspectiva muito própria que tal estado singular nos dá.


Compreender plenamente a si mesmo antes de mais nada é um primeiro passo para que a compreensão dos outros seja possível. Assim, quando se usa o feminino como forma de apontar para valores que precisam voltar, como eco-visão, intuição, a sensibilidade, lembraria que essa mudança só será possível com coragem, ousadia, destemor, ação incisiva, valores Yang que são ponte aos valores Yin almejados.


Portanto só com a ação efetiva de homens e mulheres plenos em si poderemos de fato entrar nesta nova era que efetivamente está chegando, dentro de paradigmas mais equilibrados que os atuais.


Vamos feminilizar o mundo?


Sim, vamos feminilizar e masculinizar o mundo, na plenitude de nossos atos.


Deixar que o Yang e o Yin fluam com o Tao.


Plenitude.

Bem vinda (o) a Ser Lilith, Ser Eva, ser Mulher: Ser Total....



Nuvem que passa

7 comentários:

Daniele disse...

F.A, isso está ficando interessante. Ontem me emocionei muito com Oriah Mountain Dreamer. E estou descobrindo em mim o que não me permite viver em intimidade comigo e com os outros. E descobri a pólvora: O que não sou eu, o que deixei que fizessem de mim. Risos. E um Ufa! Tenho vida em todas as partes do meu ser e na maior parte do tempo não participo do seu fluxo. Olhar as coisas do dia dia está tão diferente. Tenho percebido as nuances de que o Nuvem fala. E é tão lindo. Tenho fugido menos da dor. Assim fica mais fácil e mais possível observar em mim o fluxo de energias masculinas e femininas. Viver meus ciclos, estar presente em intimidade comigo mesma.
Sinto o que o texto diz: o que vivemos na programação do mundo é uma deturpação, um desequilíbrio. E realmente buscar uma sociedade matriarcal também é um desequilíbrio. Acho que estamos no processo de viver o fluxo da vida. Ser a vida em todos os seus matizes. E assim estar mais próximos de descobrir quem Somos.
Grata pelo texto, grata pela companhia.

Cláudia Mello disse...

O "tio" tinha uma forma muito inteligente de discutir sobre as questões de masculino e de feminino. Em uma das várias conversas que tivemos sobre o assunto, lembro dele ter levantado aquela questão de que o que temos hoje também não é o sagrado masculino... nossa sociedade, nesse sentido, não seria um reflexo masculino, mas uma deturpação dele.

Então eu falei, na época, e continuo falando hoje: concordo que homens e mulheres não são felizes, não são plenos em sua existência, no entanto, deixo claro que se vivemos em um estado deturpado, ainda é um deturpado do masculino e não um deturpado do feminino. Portanto, nele os valores masculinos (mesmo que deturpados) ainda prevalecem, ainda são valorizados e ainda fazem as "regras do jogo". E isso coloca as mulheres em uma situação - sem querer disputar desgraças...rs - ainda pior que a dos homens. Assim como coloca todo o aspecto feminino existente no interior de cada homem igualmente mutilado, inferiorizado, destituído de valor.

Sei que vc discorda disso, Fê... Mas é o que eu penso... Viva a democracia! ;-)

beijo grande

F.A. disse...

Aloha, Daniele!

Há um filme chamado Ilusões, de 2004, estrelado pelo Kirk Douglas, já velhinho, e que tem como subtítulo "Os Registros Akáshicos".

No filme o personagem do Kirk Douglas tem acesso a esses registros akáshicos em forma de filme, antes de morrer, e pode ver a vida do filho que ele recusou. O interessante é ver (e ouvir) a voz do pai na cabeça do filho, como uma voz ancestral, uma sombra do passado em forma de voz, que acaba ditando alguns de seus passos. É um exemplo interessante daquilo que a gente precisa descobrir em nós através da auto-observação, desse olhar sobre nós mesmos sem julgamentos ou racionalizações. Vou colocar um post com uma parte do filme que é muito bom! Acho que vc, e quem ver, irá se emocionar, pois perceberá o quanto somos influenciados por algo que não somos nós mesmos, apesar de fazer parte de nossa ancestralidade, pois não somos apenas a sombra de muitos ontens.

No intento,

F.A.

LENA disse...

Nossa...
se estivesse lido este texto hoje mais cedo...
teria realmente me aceito...no sentido do que penso e sinto...
e não insistir num comportamento "vitima" de um sistema que oprimi tanto o masculino como o feminino...
colaborando com atitudes que intensificam o velho ...o velho que precisa ir pra que o novo...surja
límpido e puro....

Nana Odara disse...

Olá... seu texto é excelente mas acho q há aqui uns pontos q gostaria de tocar pq tem a ver diretamente com meu trabalho...

primeiro é q vc não pode ser a medida dos homens do mundo, muito menos dos homens patriarcais, e geralmente faço questão de destacar qdo trato desse assunto q não é uma questão de sexismo e sim uma questão de sistema, o sistema patriarcal q foi baseado na força bruta masculina e na violência e medo, sim, sendo pela força física masculina individual e depois de bandos e depois de exercitos e depois de armas e estratégias que as dominações eram concretizadas,

e as mulheres perderam completamenta sua autonomia dentro da sociedade,

isso não é o mesmo cenário q temos atualmente, pq com muita luta feminina as coisas começaram a mudar no seculo passado.

O q permitiu q homens como vc não precisassem mais ser uns machões a la charles bronson e buscar o equilibrio entre o seu masculino e feminino, ou yin e yang...

mas infelizmente isso não aconteceu com todos os homens e mulheres... a grande maioria ainda é e age de forma patriarcal... por isso há homens e mulheres patriarcais q perpetuam um sistema social baseado na dominação, na morte na violência e no medo...

E felizmente há homens e mulheres buscando o equilibrio dentro de si mesmos e q buscam o mesmo equilibrio na vida exterior, e com isso constroem um novo sistema baseado na VIDA, no amor universal, na paz...

a relação q eu particularmente faço de q esse novo sistema seja mais feminino do q masculino é o fato de ser a renovação da imagem da DEUSA, e da vaçlorização dá Vida, de toda a vida q nasce de um útero feminino...

Ja escrevi varias vezes sobre o desgaste das palavras feminino e masculino, mas ainda não me surgiram outras melhores... por isso geralmente uso o adjetivo patriarcal qdo me refiro a homens e mulheres ainda presos ao sistema patriarcal, q atraves do q eu chamo de A INVEJA DO ÚTERO construiram um sistema da morte... isto é, enquanto as sociedades matrilineares eram construidas alicerçadas na vida, e na figura da mãe, da mulher... os bárbaros das estepes vieram destruindo tudo a sua volta, com o poder da espada, o poder de tirar a vida...

e não me venha dizer q os homens q construiram todo esse sistema ao longo de 4 milênios ou mais não tem responsabilidade nenhuma nisso e que eram uns coitadinhos com complexo de édipo, pq não eram...

e finalmente acho sim q deve ser extremamente constrangedor ser homem, e ter de se confrontar com o fato de q sim, foram os homens e usando a força masculina q criaram uma aberração tão esdrúxula como é o sistema patriarcal...

se eu fosse homem, tbm morreria de vergonha da minha classe... e talvez tbm quisesse encontrar forma de responsabilizar as mulheres por isso...

é o q os homens normalmente fazem qdo ficam confusos...jogam a culpa na mãe, ou na companheira...kkkkkkkkkkk...

Beijinhos de baunilha...

F.A. disse...

Aloha, Nana!

Grato pelas palavras! Importante esclarecer que esse texto é do "Nuvem que passa" ou Júlio César Guerrero, um amigo xamã que morreu faz alguns anos. Sempre publico os textos dele aqui como uma forma mágica de alimentar o intento de publicá-lo, em livro, em breve.

Eu vejo essa questão do ponto de vista da energia e por isso uso outros instrumentos conceituais para compreendê-la. Vou olhar por uma outra direção conceitual, usando uma sintaxe diferente da tradicional, ok? ;)))

Para mim a raiz do problema é o fato de sermos uma sociedade dominada por uma espécie alienígena predadora. Vou direto ao ponto porque a despeito desse ponto de vista ser considerado uma tremenda viagem na maionese já me deparei com dados, informações e experiências que me fazem externá-lo a despeito do ridículo a que me sujeito.

Xamãs como Carlos Castaneda o chamam de Predadores ou Voadores. Outros xamãs tem outros nomes mas trata-se da mesma espécie alienígena.

Essa raça alienígena se alimenta da energia masculina sexual e de suas derivações.

Assim as mulheres tiveram que ser alijadas do processo de poder e tomada de decisão em diferentes instituições para que o homem dominasse e ficasse como ponte energética entre a humanidade e tais seres. As mulheres energeticamente não interessam a tais seres e se constituem numa ameaça potencial devido ao poder de seus úteros, considerado pelos xamãs um órgão de percepção direta da realidade poderossímo. Como tal conhecimento foi solapado o útero feminino ficou apenas na sua condição reprodutora, perdendo o seu caráter mágico.

E o homem por ser mais facilmente dominado ficou numa posição servil a tais forças e ao mesmo tempo dominante em relação a mulher.

No fundo, a preferência ancestral por filhos homens e primogêntios é o desejo oculto dos predadores pela energia masculina que os sustenta.

Guerras, lutas, competições, ódios, medos, violência, os valores masculinos degenerados, são apenas meios de alimentação de tais seres.

Essa sociedade alienígena é profundamente machista, hierárquica e predadora e nos domina através da mente, cultivando valores competitivos, machistas, de dominação, de obsessão com o ritual.

Toda a divisão que há na raça humana em termos de religião, política, ideologia, cultura é fundamentada na estratégia desenvolvida por tais seres.

Uma maneira de homens e mulheres efetivamente se libertarem de tais seres e de tal dominação é desenvolverem em si mesmos a capacidade de silenciar a própria mente, afim de descobrirem sua verdadeira natureza mágica como homens e mulheres. Tal exige uma tremenda disciplina mental.

Dessa forma todo o jugo religioso, ideológico e cultural é quebrado e poderemos nos ver tais quais somos.

A liberação do útero feminino de sua função primária - reprodução - é uma chave fundamental da liberação humana de tal jugo.

Certos xamãs consideram o útero feminino o epicentro da evolução humana, porque tal órgão é capaz de processar e perceber a energia diretamente tal como ela flui no universo, muito além da sintaxe e da ideologia vigente.

Considero que a nossa responsabilidade como homens e mulheres é buscar esse silêncio interior, essa suspensão de julgamentos, que nos coloca numa posição de abraçar em nós mesmos a nossa natureza interior, masculina e feminina, despertando a Deusa em nossos corpos e mentes, muito além das categorias mentais onde nos enredamos, por vezes, no labirinto da mente, da armadilha que é nosso desafio nos livrar.

O silêncio interior renova em nós a "gastura" das palavras. A mente exclusivamente discursiva é um logro que tem nas palavras as barras de nossa prisão.

Nossa condição humana nos chama a uma responsabilidade por nos descobrir a nós mesmos. Tal descoberta nasce do silêncio da mente. Nesse silêncio a verdade de nossos corpos em êxtase brota naturalmente e assim celebramos em nós a deusa e o deus.

No intento,

F.A.

CARLA BROFS disse...

Oi, parabéns pelo blog,é inestimável,parabéns pela presença do intento do guerreiro, q se percebe em cada texto e comentário, é um grande estimulo, sentir q este espirito esta tão presente.
Quanto ao livro, eu mesmo estava inprimindo alguns textos para telos na forma de um livro, gostária de saber mais sobre este exelente projeto.Abrçs.