A Grande Matriarca

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nanã Burukê(u) é festejada no dia 26 de julho, é uma Orixá muito especial para nós, ligada ao segredo, ao mistério, ao profundo. Especialmente aqui onde moramos, em São Lourenço, cidade construída sobre um pântano (ponto focal desta grande vibração de Nanã) e que vive das águas minerais (outra manifestação dessa Força da Natureza). Aproveitamos a passagem desta (ontem) data para homenageá-la, lembrá-la e vibrar dentro dessa energia que nos remete ao mistério da criação. Salubá, Nanã Burukê(u), "Dona do Pote da Terra"!

O texto a seguir é de autoria desconhecida para nós, se por acaso souberem gostaríamos de dar os devidos créditos.

Nanã Buruku é uma divindade muito antiga. A área que abrange o seu culto é muito vasta.

O ponto até hoje mais longe pesquisado foi Atapamê, no Togo, onde há um templo importante de Nanã Buruku.

Em Savê e nas regiões mais ao oeste da África, os estudiosos do assunto também encontraram um culto de Nanã Buruku, mas encontraram também o de várias Nanã Buruku, que nestas regiões recebem o nome de Nèné.

Nanã é um termo de referência empregado na região de Astanti para as pessoas idosas e respeitáveis e que ao mesmo tempo significa "Mãe" para os Fons, os Eke e para os Guang da atual Gana.

Como as pesquisas são lentas e o território que cultua tal orixá é casto, fica difícil para para os estudiosos traçarem um paralelo e os laços existentes entre todas as divindades cujo nome é precedido de Nanã ou Nèné. No geral são chamados de Inil, e parecem todas desempenhar o mesmo papel, de deus supremo.

Em todos os templos consagrados a esta Orixá há um assento sagrado salpicado de vermelho, em forma de trono Astanti reservado, á sacerdotisa de Inil (Nanã), no qual só ela pode tocar. Todos os iniciados ligados ao templo tem grandes bengalas salpicadas de pó vermelho e, em torno do pescoço, usam cordinhas trançadas sustentando uma conta achatada de cor verde.

Nanã é um orixá daometana, que foi absorvida pela cultura iorubá. Na cultura original Nanã era a Matriarca, o principio e o fim de tudo, a que dá e recolhe a vida, a que prepara os seres humanos para nova vinda.

Segundo os Daometanos, ela governa tudo que poderia existir fora da existência humana no mundo. Era considerada a Matriarca da terra.

Já seu culto na cultura iorubá sofreu grande transformação, pois esta cultura é toda baseada no patriarcalismo, e as orixás femininas iorubás são sempre associadas à água. Logo Nanã, na cultura iorubá, ocupa o lugar de avó, vez que a figura de "mãe" já não é ocupada na mitologia Nagô (iorubá) em versões e momentos diferentes, tanto que por Iemanjá como por Oxum.

O lugar de avó foi titulo a ela outorgado devido a sua antiguidade. Por outro lado, a definição de um papel era necessária, pois candomblé constrói seus mitos sempre à imagem e semelhança das funções sociais que já na sua sociedade e origem.

Por isso, também é figura da orixá uma certa lentidão de gestos e diversos outros caracteres comuns a Oxalá (Patriarca iorubá).

Com relação ao domínio, Nanã na sua cultura original, como já foi descrito em parágrafos anteriores, domina a terra, enquanto seu culto, passou para os iorubás, isso também foi alterado.

Sendo associada,a lama, ao lado do fundo dos rios e dos mares em geral, e aos pântanos, pois nesses lugares existe um ponto médio entre a terra e as águas. Com relação ao seu perfil psicológico, existe várias divergências. As vezes é citada nas lendas como a avó doce, a supere mãe carinhosa e passiva perante as crianças que, como no arquétipo ocidental da avó, faz as vontades da criança.

Nas outras narrativas, Nanã também é lembrada como velha ranzinza que está sempre lembrando que é ela a chefe da família, que todos um dia já obedeceram quando ela era mãe apenas, mas que agora foi posto de lado pelas gerações mais novas. Sua vida, então, seria reclamar do passado perdido, dos tempos melhores que já foram e exigir no presente o mesmo respeito ás suas determinações e a seu comando que um dia conseguiu.

A matriarca

Arquétipo: Uma pessoa que tenha Nanã Buruku como orixá de cabeça pode levar em conta, principalmente, a figura da avó: carinhosa, às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com fortes tendências a sair censurando outros. Não tem muito senso de humor, o que faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas.

Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velho do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural. Nanã, através de seus filhos de santo, vive voltada para a comunicação, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros

4 comentários:

Nana Odara disse...

o texto sobre Nanã q está no meu blog eu copiei do blog Labaredas Afro Ciganas... mas ele tbm era uma colagem de vários textos, cujas referência tbm mantive...
às vezes fica até dificil identificar a autoria dos textos... mas sempre deixo uma referência... já com as imagens é mesmo muito mais complicado... mas por outro lado, a blogosfera tem trazido muitos mais benefícios e informações às pessoas q isso se torna um pqno detalhe...
Sei q meus textos tbm circulam por ai, e nem sempre com referência, mas fico feliz mesmo assim, pq pelo menos a ideia vai ecoando junto com essa onda boa de boas novas...

Obrigada por se juntar à festa de Nanã... Salubá Nanã...

F.A. disse...

Aloha, Nana!

As vezes temos a surpresa de nos ver circulando por aí...risos.

A grande vibração de Nanã é de fato muito especial, muito mágica. Vamos vibrando nessa extraordinária freqüência de amor, paz e mistério.

No intento,

F.A.

Nancy Passos disse...

Oi F.A !!

um dia desses(acho que comentei isso no Via...)indo para o trabalho um senhor me pediu uma informação(esse fui um meio para poder falar comigo, percebi depois)ele disse que eu tinha uma proteção muito bonita e forte e disse que eu seria filha de Nanã, ele disse muitas outras coisas pois demos corda um ao outro, enfim gostei deste texto e acho que até me identifico com muitas coisas.

Obrigada pela postagem e agora lembrei ontem foi dia da AVÓ, assim como o catolicismo comemora o dia de Santa Ana.

Beijinho,
Nancy

F.A. disse...

Exatamente, querida Nancy!

N.S. de Santana está sincretizada com Nanã e provavelmente por isso fizeram o dia da Avó ontem. A vibração maravilhosa de Nanã tem uma forte associação simbólica com a experiência, a sabedoria de quem muito viveu. As vezes o pessoal aqui em São Lourenço, os jovens, reclamam da falta de atividades para eles, é compreensível a reclamação já que a cidade traz em si a marca da cura, da ancestralidade, do peso da Terra, das águas que brotam do chão, de Nanã. Aqui as coisas andam de forma mais lenta, contudo de forma sólida, segura, bem do jeito Daquela que não tem pressa por se saber além do tempo.

Para sonhar, em especial sonhos premonitórios, e para curar-se e energizar-se recomendo pra vc que use no quarto em que dormes essência de limão. É a essência de Nanã. É deliciosa.

No intento,

F.A.