Interrupção

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O desejo controla o mundo. Aqueles que seguram o controle remoto do desejo controlam o desejo do outro para satisfazer o próprio desejo fora de controle. Realizar o desejo não é garantia de satisfação plena, nem do retorno de seu dinheiro ou investimento. Mas eles precisam que você continue a desejar. O seu desejo os mantêm vivos. O seu sexo os mantêm vivos e você sonha para manter uma determinada realidade.

A energia sexual governa o sonhar.

Você se depara com o sacerdote, percebe seu gestual, e por mágica seu desejo se ativa enquanto você ouve o som de cascos em sua direção. Pã.

Mas você não quer ser simplesmente manipulada. Nada faz sentido e você precisa construir um sentido, você precisa construir significados que expliquem o desejo de sua razão. Ou então, para que esquentar? Apenas sonhos, lhe diz a razão. Logo você esquecerá, por uma bobagem qualquer. Sim, a razão é um desejo. Mas um desejo encarcerado por paradigmas próprios de cada possuído.

Você pensa que acorda e volta a dormir e se encontra no mesmo lugar de sonho. Vestem-lhe de noiva e você se sente honrada. Mas com que você vai casar? Não é esse um desejo comum numa situação incomum? Parece de novo que você é manipulada a partir de um desejo implantado. Noivar. Casar. Desejar. Com quem? Para quê? O som dos cascos de Pã voltam a ser ouvidos.

Quem é aquele que controla o desejo e ainda assim realiza a perfeita entrega?

Sonhos não fazem sentido, não é mesmo? E isso que chamamos de realidade faz? A construção da razão é uma ilusão dos sentidos que dá ordem ao caos. Apenas isso. Rica, detalhada e concreta parece ser essa tal realidade, não? Quando, por momentos, o desejo não a possui o sonho ou a realidade perdem todo o seu sentido. Quando o desejo de qualquer ideologia te abandona surge uma percepção despojada muito estranha. Você anda pelo mundo, pelo sonho e pela realidade apenas pela própria vontade de fazê-lo. Mas essa vontade é uma força que surge sem esforço na ausência do desejo, uma percepção deveras estranha.

Um comentário:

Cláudia Mello disse...

Nossa!Fui sua musa inspiradora? :-)
Pois então... Interessante porque ontem pensei muito sobre o sonho, na verdade não pensei, mas deixei que ele fosse e voltasse como sensação. Gosto de conversar com vc sobre os significados porque acho legal conseguir ver meus sonhos "de fora". No entanto, alguns, como o de ontem, de fato, não são sonhos. São experiências que complementam esta realidade "de cá". Só não sei ainda ao certo para que...
Ainda estou me sentindo a Ofélia do Labirinto do Fauno...rs
beijo