O dia em que a Terra parou

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Naquele dia, por uma estranha razão, ninguém leu jornal, ligou a TV ou o rádio. É fato que havia um pequeno grupo de revolucionários que pregava uma teoria louca de que o mundo era algo totalmente diferente do que todos imaginavam e o que era chamado de realidade, nada mais era do que um conjunto de informações, estrategicamente manipuladas, para o bem de um pequeno grupo de poderosos. Mas daí acreditar nisso, era outra história!


No entanto, sem que ninguém tivesse combinado algo antecipadamente, sem que mesmo que as pessoas ponderassem em relação as suas atitudes, naquele dia a TV e o rádio foram esquecidos e os jornais se empilhavam nas bancas.


Estranhamente, enquanto o sol caminhava para o seu ápice, ao meio-dia, cada pessoa de cada canto do planeta começou a perceber que estava mais feliz, mais leve, mais satisfeito com a própria vida. Não havia epidemias e nem pandemias para se preocupar, nem remoer lembranças amargas repetidas em cada capítulo da novela... Também não havia o desespero da impunidade, nem a corrupção e os roubos, a violência, o estupro e a tortura. E o mais estranho ainda: não havia a consciência pesada de estar sendo omisso e nem mal informado.


Os dias foram passando e, lentamente, com mais tempo para viver, longe das telas da TV e das desgraças dos noticiários dos diferentes tipos de mídia, foi mais fácil dedicar mais carinho e atenção à família, aos amigos e a todas as pessoas queridas. Livres do medo imposto diariamente, através das ameaças veladas dos noticiários, as pessoas começaram a se comunicar melhor umas com as outras e com isso também se sentiram mais fortes. As antigas sabedorias das avós foram solicitadas e ao invés de procurar um novo medicamento, descoberto pelos cientistas, para curar a gripe as pessoas voltaram à canja de galinha, muita vitamina C e cama. Ninguém mais fazia questão de ser moderno! Era mais importante o carinho e o cuidado.


No começo o comércio sofreu um grande impacto, pois parecia que as pessoas tinham outros valores, diferentes daqueles de antigamente. Ninguém mais precisava “andar na moda”! As roupas produzidas por grandes grifes ficaram de lado, pois todos passaram a preferir o conforto e as formas que mais lhe agradavam. Então, uma experiência de infância ou um presente de um parente querido passaram a virar a referência do estilo individual de cada um. Com isso, ao invés de avistar um exército de pessoas uniformizadas pelas ruas, foi possível ter uma visão panorâmica que mais parecia com uma peça de teatro, repleta de figurinos coloridos e expressivamente diferentes.


Nas empresas, os patrões também estranharam e, no começo, até se revoltaram! Ao invés de os funcionários cumprirem o seu horário como robôs, eles começaram a fazer horários mais condizentes com as suas próprias necessidades e ao mesmo tempo, como estavam muito felizes e realizados, foram descobrindo novas maneiras de fazer o seu trabalho... Maneiras mais produtivas, mais criativas e mais úteis. As ameaças dos patrões não assustavam mais, porque também as pessoas tinham menos ambições consumistas e imaginavam que se não tivessem que trabalhar para uma grande empresa teriam mais tempo para ficar com a família, para namorar, para descobrir coisas novas e que, dessa forma, seria possível descobrir alguma atividade prazerosa, que lhe renda recursos para pagar as suas despesas, já bastante reduzidas.


Os bancos entraram em colapso! É fato que alguns banqueiros pularam de suas coberturas luxuosas em um vôo para morte. Alguns diziam que era desespero pela redução dos lucros astronômicos, outros diziam que era crise de consciência mesmo. Parecia que os aparelhos de TV e rádio e os jornais, além de darem notícias, emitiam uma estranha radiação hipnótica e agora sem sofrer essa influência o ser humano era livre para ser feliz.


Aos poucos, as doenças foram se dissipando, inclusive porque a maioria delas tinha os mesmos causadores 1) o stress 2) a má alimentação estimulada pela propaganda de porcarias deliciosamente industrializadas 3) o medo fermentado pelos noticiários 4) o excesso de drogas legais comercializadas para benefício da poderosa indústria farmacêutica 5) o excesso de drogas ilegais, antes usadas como fuga ou analgésico para a dor do tédio e da falta de propósito. Agora, longe da manipulação da mídia e vivendo uma vida mais feliz e autêntica, sem a enorme quantidade de exigências sociais, a saúde das pessoas melhorava a olhos vistos.


As pessoas perceberam algo muito interessante... Que o que interligava cada ser humano neste planeta não era o noticiário da TV ou a tal globalização, que com a desculpa de unir povos, destruía a cultura regional e a individualidade de cada um, implantando uma pasteurização de hábitos, forma de vida e gostos. O que realmente unia o ser humano era a percepção em relação a si mesmo e à Natureza... era o pensamento mágico de inclusão em um universo misterioso e fascinante... era a sabedoria de descobrir um propósito para a sua existência, em harmonia com tudo e todos.


O ser humano foi ficando, naturalmente, mais sábio, porque estava mais harmonizado com as coisas naturais ao invés de atender às exigências artificiais de uma sociedade que se dizia moderna e evoluída. Foi então que ele descobriu uma coisa importantíssima! Que o que antes se acreditava ser informação, era na verdade um tipo de combustível que fazia com que as pessoas continuassem marchando em uma determinada direção. Que direção era essa? Aquela que interessava a um pequeno grupo que se sentia acima e além do restante da Humanidade.


Essa nova percepção só não surpreendeu alguns jornalistas, que, por trabalharem no meio, sabiam – mais ou menos – o que se passava nos veículos de comunicação. Outras pessoas só mais tarde foram deduzindo: se o planeta é tão grande, com tantas pessoas em tantos lugares, tantos fatos acontecendo... quem selecionava as notícias que ocupavam somente 45 ou 60 minutos de um telejornal ou algumas páginas de jornal impresso? E com que interesse essa pessoa fazia isso?


O que parecia o caos absoluto, a falência de empresas e a inutilização de aparelhos, aos poucos foi se equilibrando, se adaptando. A capacidade de adaptação às vezes é utilizada de uma forma bastante positiva. Os homens conseguiram equilibrar com sabedoria o antigo e o novo, passaram a viver de forma sustentável, aproveitaram as tecnologias não poluentes de uma forma bastante inteligente e compreenderam que é possível que todos vivam de forma confortável, prazerosa e feliz, sem que uns tantos passem sacrifícios. Compreenderam a generosidade da Mãe Terra e conseguiram escapar da síndrome de escassez que havia sido implantada em seus cérebros.


E assim ficou eternizado o dia em que a Terra parou. Quando os seres humanos viraram as costas para as notícias que eram filtradas para eles e foram atrás de suas próprias informações. Quando as pessoas pararam de conhecer o mundo através de uma tela e passaram a conhecê-lo através de si e de seus relacionamentos. Essa foi a mais profunda transformação ocorrida em séculos e ficou conhecida como a “inversão do eixo”, o momento em que o ponto de vista da Humanidade mudou o suficiente para que o planeta inteiro mudasse também... De uma forma tão profunda que nem mesmo os Maias conseguiram compreender o que aconteceu depois de dezembro de 2012.


Cláudia Mello (que já foi jornalista e hoje em dia prefere inventar suas próprias histórias do que contar as histórias inventadas pela Nova Ordem Mundial).

4 comentários:

Mondego disse...

Parabéns Cláudia! Grande jornalista!

Beijos,
Catarina

CHÎNÅ .3Ө disse...

vamos acreditar!!!

Flora Maria disse...

Muito bom, Cláudia !!

Falta pouco para 2012...

Beijo

Daniele disse...

Só posso dizer que senti a força do intento. Beijão Cláudia.