A Semente de Mostarda

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Certa vez, quando o Buda discursava, uma mulher de nome Kisa Gotami correu para ele em grande desespero. Em seus braços carregava uma criança. A mulher prostrou-se aos pés do Buda:


"Senhor eu vos imploro, dê-me um remédio para meu filho".


Contudo estava visível que a criança já estava morta. Kisa Gotami havia ficado louca de dor e desvairada carregava o cadáver da criança para onde ia. O Buda ficou em silêncio por algum tempo. Em seguida ele disse:


"Se você quer a cura da criança traga-me uma semente de mostarda da cidade, mas tem uma condição. A semente de mostarda deve ser encontrada em uma casa na qual ninguém tenha morrido."

Kisa Gotami correu para a primeira casa e perguntou:



"Pode me dar uma semente de mostarda para que eu possa dar como remédio para meu filho?"


"Claro que posso."


"E já morreu alguém nesta casa?"


"Ah! Sim", responderam. "Já morreram muitos."

Na próxima casa ela perguntou:


"Esta casa está livre da morte?"


"Certamente não"


Responderam. "Já morreram muitos nesta casa."


Em todos os lugares a resposta era sempre a mesma. Os vivos eram poucos mas os mortos eram muitos. Então Kisa Gotami sentou-se descansada e sua mente foi se tornando calma. Ela pensou consigo mesma:


"Será sempre a mesma resposta em toda casa. O Buda sabia que seria assim".

E ela saiu da aldeia e foi para o cemitério. Ela enterrou a criança e pronunciou as seguintes palavras:


"O que é verdade para a aldeia é verdade para a cidade; O destino dessas pessoas não é somente delas. É para todo o mundo, inclusive para os devas no céu. Esta verdade é imortal: todas as coisas têm que morrer".


E então Kisa Gotami procurou o lugar onde o Buda estava meditando; prestou-lhe homenagem e disse:

"Senhor, o trabalho da Semente de Mostarda está feito."

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