A Bruxaria como práxis da Fenomenologia

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Interessante palestra sobre Fenomenologia, um sistema filosófico citado pelo nagual Carlos Castaneda quando definiu a Bruxaria (de Don Juan Matus) como a práxis da Fenomenologia.

"A Bruxaria é a práxis da Fenomenologia". A definição é do nagual, escritor e antropólogo Carlos Castaneda. Uma definição sofisticada para um homem sofisticado, formado no mundo acadêmico da UCLA, que tinha na biblioteca da Universidade um dos seus "locais de poder", e ao mesmo tempo um participante do sistema de cognição dos xamãs do México Antigo.

Eis aí um homem que reivindicou os valores da cultura moderna e da cultura ancestral: um mago, um xamã.

Para os leitores, praticantes e amantes da obra de Carlos Castaneda conceitos tais como "intento", "percepção", "consciência", "a realidade como uma interpretação" (ou seja, a relatividade do conhecimento ligada ao próprio sujeito ou a noção kantiana de "fenômeno"), "o caminho do conhecimento", "o homem de conhecimento" são conceitos que foram usados por Carlos Castaneda para entender e explicar sua interação fenomenológica com o mundo dos xamãs do México Antigo.

Dentro da Fenomenologia, o silêncio interior dos xamãs pode ser compreendido como uma depuração da percepção, para que se possa ver as coisas tais como elas são. Edmund Husserl, o pai da Fenomenologia chama isso de "voltar as coisas mesmas" ou "purificar a relação sujeito-objeto".

Mas o que é Fenomenologia? Dentro da Fenomenologia o que significa intenção, intencionalidade, fenômeno, consciência, sujeito, objeto?

Nos links abaixo temos uma palestra extremamente didática e interessante sobre Husserl e sua Fenomenologia, bem como sobre Sartre, um dos seus continuadores, que pode ser apreciado pelos guerreiros (as), que como guerreiros (as) também são filósofos.

O interessante é que a Fenomenologia de Husserl toca na questão da consciência de si, ou seja, a consciência como objeto de si mesma, aquilo que é um dos enigmas do caminho do guerreiro quando trata da Espreita e do enigma do Coração.

Essa concepção "essencialista" da consciência de si, do ser em si, é rechaçada por Sartre.

Ambos dizem algo interessante para nós que trilhamos esse caminho do guerreiro:

A consciência é uma intencionalidade que vai na direção das coisas (Husserl), é translúcida, é um simples movimento, um ato, um vazio, um vento que se lança livre na direção das coisas (Sartre).

Nós somos um movimento que nunca se completa (Sartre).

O primeiro preceito da regra é que tudo o que nos rodeia seja um mistério insondável .

O segundo preceito da regra é que devemos tratar de decifrar esses mistérios, porém sem ter a menor esperança de lográ-lo.

O terceiro preceito é que um guerreiro, consciente do insondável mistério que o rodeia e consciente de seu dever de tratar decifrá-lo, toma seu legítimo lugar entre os mistérios e ele mesmo se considera um deles . Por conseguinte, para um guerreiro o mistério do ser não tem fim, ainda que ser signifique ser uma pedra ou uma formiga ou si mesmo. Essa é a humildade do guerreiro. Um é igual a tudo - Carlos Castaneda.


Fernando Augusto


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