Homenagem ao Guerreiro

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O espírito do guerreiro não está preparado para a indulgência ou a queixa, nem o está para ganhar ou perder. O espírito do guerreiro está preparado somente para a luta, e cada luta é a última batalha do guerreiro sobre a terra. O resultado importa pouco para ele. Em sua última batalha na terra um guerreiro deixa seu espírito fluir livre e claro. Enquanto sustenta sua batalha, sabendo que seu intento é impecável, um guerreiro ri e ri.



Um guerreiro escolhe um caminho com coração, qualquer caminho com coração, e o segue; e então ele se regozija e ri. Ele sabe por que vê que sua vida estará terminada muito depressa. Ele vê que nada é mais importante do que qualquer outra coisa.

O homem comum está demasiado preocupado em gostar das pessoas ou que elas gostem dele. Um guerreiro gosta, e pronto. Gosta do que ou de quem quiser, e dane-se o resto.

Dom Juan definia o guerreiro como o lutador par excellence. Era uma disposição facilitada pelo intento dos xamãs da antigüidade; uma disposição na qual qualquer homem podia entrar.

— O intento desses xamãs — disse Dom Juan — era tão agudo, tão poderoso, que podia solidificar a estrutura do guerreiro em qualquer um que tocasse, mesmo que eles não tivessem consciência disso.

Em suma, o guerreiro era, para os xamãs do México antigo, uma unidade de combate tão sintonizada com a luta em volta dele, tão extraordinariamente alerta na sua forma mais pura, que ele não precisava de nada supérfluo para sobreviver. Não havia necessidade de dar presentes para um guerreiro, ou apoiá-lo com palavras ou ações, ou tentar dar-lhe consolo ou incentivo. Todas essas coisas já estavam incluídas na estrutura do próprio guerreiro. Desde que essa estrutura fosse determinada pelo intento dos xamãs do México antigo, eles se asseguravam de que qualquer coisa previsível estaria incluída. O resultado final era um lutador que lutava só e que tirava de suas próprias convicções silenciosas todo o impulso que necessitava para avançar, sem queixas, sem a necessidade de ser elogiado.

Pessoalmente, achei fascinante o conceito do guerreiro e, ao mesmo tempo, era uma das coisas mais amedrontadoras que jamais tinha encontrado. Pensava que era um conceito que, uma vez que eu o adotasse, me manteria preso numa servidão e não me daria nem tempo nem disposição para protestar, criticar ou me queixar. A queixa foi um hábito de toda a minha vida; para ser sincero, eu teria lutado com unhas e dentes para não deixá-la. Achava que a queixa era um sinal do homem sensível, corajoso e direto que não tem escrúpulos em admitir do que gosta e do que não gosta. Se tudo isso ia se transformar num organismo de luta, eu achava que ia perder mais do que podia me permitir.

Eram esses meus pensamentos profundos. E, contudo, eu cobiçava a direção, a paz, a eficiência do guerreiro. Um dos grandes auxílios que os xamãs do México antigo usaram ao estabelecer o conceito de guerreiro era a idéia de tomar a morte como uma companheira, uma testemunha de nossos atos. Dom Juan disse que, uma vez aceita essa premissa, mesmo numa forma mitigada, se forma uma ponte que se estende sobre o vazio entre o mundo de nossos afazeres mundanos e alguma coisa que está diante de nós, embora não tenha nome; alguma coisa que está perdida na neblina e não parece existir; alguma coisa tão terrivelmente obscura que não pode ser usada como ponto de referência e, no entanto, está aí, inegavelmente presente.

Dom Juan argumentava que o único ser na terra capaz de cruzar essa ponte era o guerreiro: silencioso em sua luta, ele é um homem que não pode ser detido porque não tem nada a perder; e um homem funcional e eficiente porque tem tudo a ganhar.

2 comentários:

1 z e r 0 disse...

ogunhê!

bela postagem, o vídeo é sensacional!

sempre no intento, o caminho é esse!

paz e luz

F.A. disse...

Ogunhê! Patakorê, Ogum!

A mulher dança muito, não?

Ela encarnou o próprio Orixá na dança.

No intento,

F.A.