Procura-se Deus, desesperadamente!

sábado, 12 de setembro de 2009

Tenho lido muitos repasses de textos, enviados por amigos, falando destes tempos que vivemos e de tempos futuros que virão. Estes textos sempre são de algum ser ou energia, que canaliza todas as informações através de alguém. Lendo atentamente cada frase, lembro de um tempo em que eu frequentava uma ordem teosófica e que estávamos bastante familiarizados com o termo "canalização" e com esse tipo de mensagem.

(Pausa para uma respiração profunda...)

Sabe? Eu não vou questionar aqui a veracidade de tais canalizações, até porque há muito tempo que eu já larguei pra lá a busca da verdade, única e absoluta, já deixei para trás a necessidade de conferir informações, checar dados, como fiz durante tanto tempo na carreira de jornalista. Para quem está curioso em saber se não acredito em canalização, já adianto: creio que todos canalizamos, diariamente, em diversos momentos, bastando para isso que estejamos equilibrados e, assim, possamos acessar a parte de nós de guarda mais sabedoria e que cada cultura chama por um nome.

Talvez pelo fato de ter vivido, por muitas vezes, a experiência que chamam canalização é que penso e sinto desse jeito. Na verdade, eu era tomada por uma angústia profunda, minha cabeça ficava "oca" e ao mesmo tempo parecia que alguém cochichava o começo de uma frase no meu ouvido... e enquanto eu não pegasse papel e caneta e começasse a escrever, aquele começo de frase ficava repetindo até eu quase enlouquecer. Tudo isso era acompanhado de outras reações físicas, como dormência nos lábios e resfriamento da mão até o antebraço. Falando assim pode até parecer esquisito, mas com o passar do tempo é perfeitamente normal. Tão normal que temos a impressão que tudo aquilo não passa de fantasia, mania ou algo que, no fundo, somos nós mesmos que inventamos.

Tenho certeza que muitas pessoas que estão lendo este texto, agora, neste exato momento, já passaram por algum tipo de sensação ou experiência semelhante. Infelizmente, na prática, o que vemos acontecer diante disso são dois extremos: ou a pessoa começa a se achar porta-voz oficial de Deus ou, assim como eu, junta todos estes manuscritos em uma pasta e guarda no fundo no armário, acreditando que aquilo não tem importância alguma.

Acredito que devemos ser bastante criteriosos com este tipo de experiência. Acredito também que 90% de tudo que recebemos desta maneira diz respeito a nós e às pessoas que nos rodeiam, mas não necessariamente ao planeta como um todo. Talvez resida aí o meu questionamento quando leio mensagens que alguém recebe em algum ponto do globo e servem para toda a Humanidade. Mas vou mais além...

Em primeiro lugar, minha experiência pessoal e a de pessoas próximas me ensinaram que TUDO, absolutamente tudo que nos chega através de alguém (inclusive canalizações) é resultado de uma energia/vibração que passa pelo "filtro" daquela pessoa, ou seja, se mistura com a bagagem de vida, o humor, a forma de pensar e sentir da pessoa. Portanto, não existe um tipo de pureza de imparcialidade 100% em nenhum lugar da face da Terra. Basta analisarmos as mensagens que vem de canais europeus e norte-americanos em comparação com canais latino-americanos, por exemplo. É algo que qualquer pessoa com clareza mental e senso crítico consegue perceber.

Em segundo lugar - e aí serei cuidadosa para não ferir suscetibilidades - lendo cuidadosamente alguns desses textos, alguns deles com um conteúdo até bastante parecido com outros que eu mesma escrevi (ou canalizei), lá pela década de 1990, eu me pergunto: em termos práticos, serve para quê??? Assim... Sem ofensa, até porque eu também já fiz isso, mas eu percebo que aquele palavratório todo é algo até bacana, mas não vejo uma utilização prática tão significativa para eles ganharem a publicidade e o número de fãs que ganham. E meu temor é que muitas pessoas fiquem filosofando (no mau sentido) sobre tantos textos e percam a oportunidade maravilhosa de "viver de verdade".

Eu sei que tudo isso é um processo natural neste clima de final dos tempos que vivemos... Sei que existe uma necessidade quase doentia de buscar Deus ou seus mensageiros, ou melhor, de querer que eles falem conosco, mas acredito que o grande aprendizado do momento seja de uma simplicidade e uma praticidade tão grande, que não atrai público e nem agrada a crítica.

Eu perguntaria: quem sabe plantar a comida que come? Quem sabe a época certa para colher? Quem sabe cozinhar um alimento saudável e gostoso? Quem sabe tecer e depois costurar suas roupas? Quem sabe construir sua casa com suas próprias mãos? Quem sabe lidar com os animais de forma harmoniosa? Quem sabe ser um "Robson Crusoé dos tempos modernos", criando soluções para viver de forma confortável com o mínimo de matéria prima? E sabem por que eu pergunto tudo isso? Porque se acontecer tudo que estas próprias canalizações anunciam, de um modo geral, será isso aí que teremos que aprender, isso e não qualquer tipo de conhecimento intelectual ou aquela "espiritualidade teórica" que sempre questiono. Será a capacitação prática e não o acúmulo de conhecimento que decidirá o nosso futuro e quanto a isso, creio que todos - os que canalizam e os que assistem os telejornais - concordam.
Cláudia Mello

Um comentário:

Jayah disse...

Sinto que tudo que falamos...direta ou indiretamente é somente para nós mesmos...já que conversamos somente conosco mesmo o tempo todo.
Por pura distração lemos o que o Outro/Eu está dizendo...já que tudo é criação nossa...mera ilusão supostamente informativa.
As palavras...são necessárias?
Acho que a grande procura de sempre é do ego...pois a Verdade simplesmente é...
Beijos Luminosos e Coloridos!
No amor,