Saber o que fazer com o que se sabe

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O maior problema em que as pessoas enfrentam ao se relacionar com os outros está no diálogo.


Há uma dificuldade em saber o que falar, há uma preocupação de como será a argumentação para que as palavras sejam bem claras e há um temor nas pessoas em expor suas idéias. Mas na verdade, estes problemas são pequenos quando o problema maior está em conhecer ao outro. Porque quando se conhece ao outro, tudo se torna fácil de dirigir a palavra de forma compreensível e clara.


Alguém que gosta de ser visto como uma pessoa de caridade e de ideais, ao ver você falando de utilidades e vantagens, irá te considerar uma pessoa vulgar. Mas se você falar sobre caridade e ideais para alguém que gosta de lucros, este vai achar uma pessoa inútil que não tem nada a fazer. Alguém que gosta de ser visto como uma pessoa de princípios mas se deixa levar por lucros, ao ouvir você falar de princípios, fará de conta que está te ouvindo mas não confiará em você e se for falar de princípios para alguém de lucros, este irá seguir seus conselhos em segredo, mas irá manter distância de ti.


O problema é que quando nada falamos, pensam que não sabemos de nada e se falamos demais, ficam cansados de nos ouvir. Se falamos sobre ideais e princípios, acham que somos movidos por modismo e até mesmo entendem como um sarcasmo. Se falamos do que amamos logo julgam que queremos algo em troca e se falamos do que odiamos, já vão pensar que estamos querendo provocar ou pôr à prova.


Um rapaz tinha um cachorro que latia o dia inteiro e isso incomodava a vizinhança, até que seu irmão lhe advertiu:


- Se não educar este cachorro, logo alguém virá e envenenará ele.


Noutra vez foi o vizinho que advertiu:


- Seu cachorro é muito barulhento. É melhor adestrá-lo logo antes que alguém o mate.


Porém, o rapaz não importou com as advertências, e enfim, o cachorro morreu envenenado.


No fim, ele agradeceu a preocupação do irmão, mas começou a suspeitar do vizinho.


Na história da Antiga China, há um episódio que encaixa bem com este tema contado pelo filósofo Han Fei Duque Wu, de Cheng, queria invadir o país dos bárbaros Hus e deu sua filha em casamento ao chefe Hu.


Perguntou então aos oficiais de seu estado-maior:


--Quero iniciar uma guerra de conquista. A quem deverei atacar? Kuanchisze sugeriu que ele atacasse os Hus.


O duque mandou matá-lo, dizendo:


--O chefe Hu é aparentado comigo por laços de casamento. Falas tolices. O chefe Hu soube disso, acreditou no duque e relaxou suas defesas. O duque, então, invadiu a terra dos Hus e subjugou-os.


Em ambos estes exemplos, o que falou nada disse de errado; contudo, o resultado, em um caso, foi a ruína e, no outro, ficar sob suspeita. O difícil não é saber, mas, sim, saber o que fazer com o que se sabe.

Um comentário:

Ao Infinito e Além disse...

Tai uma pista que vai ajudar no meu caminho.
Sabedoria para lhe dar com os que ainda dormem.