Sobre as ciências do destino

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Há duas perguntas fundamentais que as ciências do destino buscam responder a nível individual:


O que queremos da vida?


O que a vida quer de nós?


A 1ª parte da pessoa para a totalidade e a 2ª da totalidade para a pessoa.


É preciso um acordo entre o que queremos e o que a vida quer de nós.


Sem esse acordo, sem essa harmonia entre nós e a vida surgem os conflitos.


Todos os conflitos, todas as dores, todos os sofrimentos surgem por não estarmos conscientes da necessidade desse acordo, dessa harmonia, desse Tao.


Minha vontade individual deve estar alinhada com a vontade da vida, pois eu mesmo sou parte da teia da Vida.


Por isso é que se diz no Pai-Nosso:


Seja feita a vossa vontade.


Há uma vontade que emana da Divindade.


Cada um de nós é uma parte da Divindade. Não estamos separados da Divindade. O ego é a ilusão da separatividade. O amor é a consciência da unidade. A concepção da Divindade como algo separado de nós é uma concepção egóica do divino. A concepção da Divindade como algo que é Um com nós mesmos é correta, só pode ser, pois não pode haver separação em Deus.


Portanto, somos uma parte da vontade da Divindade.


A nossa vontade, portanto, deveria ser a vontade da Divindade.


Mas um atributo da vontade é fazer suas próprias escolhas.


As escolhas que fazemos que nos levam muitas vezes a conflitar com a vontade da Divindade e nos fazem sofrer. As escolhas alinhadas com a vontade da Divindade nos fazem felizes, nos dão prazer que gera mais prazer, que conduz ao êxtase. Com isso aprendemos. Aprendemos sobre nós mesmos e aprendemos sobre a Divindade em nós. A vontade divina não é, nem pode ser uma imposição, é uma descoberta da consciência.


O objetivo das ciências do destino é alinhar nossa vontade individual com a nossa vontade divinal. Disso resulta felicidade. Da falta de alinhamento resulta dor, sofrimento, doença, dissonância.


Toda dor, todo sofrimento, toda miséria, toda doença é um sintoma da falta de alinhamento com a Divindade. A Divindade está dentro de nós, assim como está fora de nós. Ela é tudo e nós somos Ela. Ela não é um ente separado, mandão e autoritário. Ela é unidade de perfeito amor, poder e sabedoria.


Ela, a Divindade, nos dá constantes sinais do caminho a seguir, o caminho de sua vontade que é a nossa vontade verdadeira. Basta segui-lo. Nada mais é preciso fazer do que uma aceitação inteligente de nosso próprio destino. Destino é a vontade divina.


Fazer a nossa vontade a despeito da vontade divina gera carma.


Darma é o alinhamento da vontade.


A ciência do destino é a ciência da vontade divina. Mas é preciso saber interpretar os sinais, as pistas, as dicas da Divindade. É preciso desenvolver a atenção. Seguir não é seguir regras, dogmas, leis, igrejas, instituições, gurus, mestres, sacerdotes, normas e mandamentos. Seguir é seguir os rastros vivos que a Divindade nos dá a todo o momento.


A felicidade é a consciência de nós como parte de um vasto Todo onde agimos na perfeita harmonia.


Tudo o que precisamos já está dentre de nós. Em nosso corpo. Nosso corpo é o templo perfeito do Espírito. Dele flui poder, abundância, delícia, consciência e percepção una. Dessa percepção unificada brota a consciência do destino através da voz do silêncio, a voz da própria Divindade em nós. Pela meditação cultivamos esse canal de comunicação. Podemos usar outras técnicas espirituais de comunicação, perfeitamente válidas, tais como a observação do mundo ao nosso redor, a Cartomancia, o Tarot e a Numerologia. Todas variantes da ciência do destino. Mas a base da ciência do destino é essa capacidade de silêncio interior que permite uma interpretação sem interferências do mental egóico.


Há dois fundamentos para o silêncio interior: o treino do corpo mental e o treino do corpo físico. Uma mente capaz de intensa concentração e foco mais um corpo musculoso e flexível são as colunas do nosso templo interior onde no silêncio arde a chama misteriosa de nosso fogo sexual, a serpente Kundalini.


Dela emana a voz do silêncio, a Sacerdotisa do Pai, a Amante da Divindade em nós. Ela é a mestra suprema da ciência do destino, a raiz do conhecimento, a gnose viva em nós.


Ela está em nós, em nosso corpo. Assim nós também estamos no mundo. Assim a Divindade insere-se no mundo, na matéria, em nosso corpo mesmo, na substância.


Obviamente isso parece heresia, em outras épocas seríamos julgados, condenados e queimados como hereges se escrevêssemos que a Divindade habita em nosso corpo, em nossa carne, em nosso sangue, em nosso sêmen, em nosso sexo. Ainda hoje os homens não estão preparados para entender isso, para entender todo o potencial criador que há na substância do corpo. Para entender que o corpo é um templo do Altíssimo.


Hoje não somos mais hereges ao falar isso, talvez o rótulo seja outro. Mas que importa? Importa é que um estigma cultural e psíquico foi criado, uma trauma foi gerado na alma do mundo com relação ao humano como expressão do divino e isso está indicado simbolicamente na crucificação do iniciado gnóstico Jeshua Ben Pandira.


Os sacerdotes institucionais sempre matam o mestre porque não querem perder o controle do rebanho. E o mestre sempre vem para fazer o rebanho rebelar-se e descobrir que a divindade está em cada um de nós. Não precisamos de intermediários institucionais. O intermediário entre nós e o Pai, é o Filho que está presente em nossa carne e que é gerado nela pela Divina Mãe do Mundo, a serpente Kundalini.


Dentro do homem, em sua estrutura, está o Pai, o Filho e a Mãe Divina. O triãngulo divino e criador manifestado em nosso corpo dos elementos.


No mais íntimo de nós o que a vida quer é tornar-se vida plenamente consciente, consciente da própria divindade que há em cada um.


Esse é o acordo supremo da vida com a própria vida, com nós mesmos.


FACS

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