O caminho do guerreiro e a necessidade da utopia

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A idéia de utopia é mais do que uma mera fantasia ou sonho. É uma semente de revolução. É uma ruptura com o real estagnado ideologicamente no "a vida é mesmo assim". Não precisa ser. Não deve ser. Se não a razão de viver se esvai. Assim a razão de viver encontra-se na própria utopia vista como uma crítica da razão à própria razão que sustenta o status quo.

Uma humanidade sem utopia é uma humanidade de alma abduzida.

"Seja realista" é apenas outra expressão que indica, muitas vezes, a razão de quatro diante do sistema vigente. A razão de quatro é superada pela utopia, uma razão que se levanta sobre si mesma tornando-se rebelde, criando um movimento, uma novidade, uma dinâmica diferente no real estabelecido e de quatro.

Nesse sentido o caminho do guerreiro é uma utopia, enquanto o caminho do homem comum se faz de quatro diante do sistema vigente. Carlos Castaneda foi um homem comum que se tornou um guerreiro, um antropólogo que tornou-se xamã, um intelectual que virou bruxo, um mito que se reatualizou, um homem que se levantou como tal.

"Já me dei ao poder que rege meu destino
e não me apego a nada, para não ter nada a defender.
Não tenho pensamentos por isso verei.
Nada temo, por isso lembrarei de mim mesmo.
Desprendido e a vontade passarei como um jato pela Águia para ser livre. "

A utopia instituída transforma-se em máquina de poder que impõe um dever moralista e manipulador, as utopias são uma criação artística de outras formas de viver. O caminho do guerreiro é uma outra forma de viver.

Utopia (Houaiss)

1 qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade.

2 Derivação: por extensão de sentido.
projeto de natureza irrealizável; idéia generosa, porém impraticável; quimera, fantasia.

3 Rubrica: filosofia, política, sociologia.
no marxismo, modelo abstrato e imaginário de sociedade ideal, concebido como crítica à organização social existente, porém inexeqüível por não estar vinculado às condições políticas e econômicas da realidade concreta Obs.: cf. socialismo utópico

4 Rubrica: filosofia, política, sociologia.
em sociólogos como Karl Mannheim (1893-1947) ou filósofos como Ernst Bloch (1885-1977), projeto alternativo de organização social capaz de indicar potencialidades realizáveis e concretas em uma determinada ordem política constituída, contribuindo desta maneira para sua transformação.

FACS

Café Filosófico: A necessidade das utopias - Clique AQUI para baixar e assistir o vídeo.

O ser humano precisa de utopias pra viver? Para Sousa, a utopia invade o presente e projeta o futuro, lançando-nos para outros mundos e outras realidades. Este programa aborda as duas faces da utopia: pode ser insatisfação ou esperança, simples devaneio ou motor de transformação de nós mesmos e da realidade que nos cerca. Para ele, a utopia é a capacidade de ver o impossível, de imaginar o improvável, o que nos move para a construção do amanhã.

Palestrante: Edson Luiz de Sousa: Doutor em Psicanálise e Psicopatologia pela Universidade de Paris VII. Professor de pós-graduação em Psicologia Social e em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do curso de especialização em Expressão Gráfica da Faculdade de Arquitetura da PUC-RS.

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