A animadora de esqueletos

domingo, 31 de maio de 2009

Desde criança, tal qual uma Ofélia, sempre percorri meus Labirintos do Fauno internos. Morrendo de medo, mas seguindo passo-a-passo em direção ao centro, ao fundo, ao cerne, à essência. Esse processo se apresentava explícito através de sonhos e pesadelos que sempre povoaram as noites da infância, da adolescência e da vida adulta. Nunca foi excesso de valentia, como alguns imaginavam, mas sim a única alternativa para quem se sentia tão inadequada em seu meio e tão insuficiente para o modelo que lhe era apresentado. Somente as constantes descidas ao interior do Labirinto é que foram capazes de permitir uma sobrevida na superfície, sem que ninguém suspeitasse de qualquer coisa.


Acostumada com os freqüentes encontros com os esqueletos de dentro do armário, os monstros debaixo da cama, os leões presos nas portas e pequenos ratos tocadores de piano nas noites silenciosas, nada mais que habitasse o mundo das emoções, mesmo aquelas que se encontravam dentro da gaveta do inconsciente, parecia me assustar. Pelo menos não o suficiente para me fazer calar. Durante alguns anos, cheguei a confundir o público e o privado, acreditando que todos compartilhavam de maneira ampla as suas emoções e mesmo suas fragilidades. Então, não podia perceber a cara de espanto daqueles que me ouviam falar tais coisas, de maneira tão natural.


Admito que em alguns momentos forçava a dose de sinceridade para ver se conseguia arrancar de meus ouvintes palavras de apoio ou ao menos um balançar de cabeça solidário. Ao contrário, o que sempre acabava acontecendo era que o ar tornava-se tão pesado quanto aquele que antecede um temporal, e era possível ouvir tanto murmúrios incompreensivelmente dissimulados quanto expressões de constrangimento explícito. Mas o mais freqüente, ainda mais entre família e amigos próximos, era a tentativa desesperada de interromper ou pelo menos abafar a minha fala. Mil explanações com overdoses de racionalidade eram jogadas sobre a mesa, cabeças balançantes em negativo com imaginários balões de diálogo declaravam seu dissabor diante de colocações tão... tão... tão... (tão o que?) Tão emocionais – que disparate! Que heresia! Quanto desequilíbrio! – da minha parte.


Meu pecado nunca foi sentir. Porque isso todos fazem... Meu pecado foi querer mostrar aquilo que afligia minha alma, nem que fosse para saber se mais alguém sofria do mesmo mal. Meu pecado foi, sem dúvida, querer mexer em coisas imexíveis, que permaneciam escondidas dentro do armário de cada um. Então, quanta falta de sutileza da minha parte!, enquanto todos se esforçavam por trancar suas emoções, fragilidades, carências e seus pontos de interrogação – seus enormes pontos de interrogação! – eu simplesmente destrancava a minha porta e fazia praticamente um bazar de mudança de estação, trazendo as tranqueiras todas para o lado de fora, expostas à luz do dia. Que criatura incômoda eu fui! Sou... Serei...?


Com tudo isso, o óbvio se fez prática: eu passei a andar com um enorme alvo desenhado no peito. E para lidar com isso, precisei gastar montes de energia e agilizar pensamentos, afiar argumentações e treinar o palavratório. Coisa bem fácil de se fazer, levando-se em conta de onde eu vim... Virei um tipo de menina prodígio, sempre muito esperta e bem adestrada na arte de conversar com os outros. Sabia dizer com licença e obrigada. Sabia ser agradável e simpática. E ter conversas de adulto em um tempo em que nem as crianças conversam entre si.


No entanto, vira e mexe, acontecia. Eu era desagradável. Eu colocava meus esqueletos para fora do armário e forçava as outras pessoas a lidarem com os seus. Em um mundo em que o bonito é ser duro como rocha e mentalmente frio, eu vomitava minhas dores, minhas dúvidas, minhas inseguranças, eu chorava, eu sofria a olhos vistos! Eu era definitivamente desagradável. Então, depois que eu era contida em meu desespero e me era mostrado, de variadas formas, o tamanho do meu desequilíbrio e o quanto aquilo havia ferido a todos os presentes, eu me jogava na cama e chorava até que o pesadelo acordado se desfizesse e eu dormisse e sonhasse com o meu mundo de faunos e fadas.


Os anos passaram e fui aprendendo a conter meus impulsos de exposição pública das emoções. Aprendi que mocinhas bem comportadas não fazem isso. Mocinhas bem comportadas são intelectuais, equilibradas, ponderadas, possuem uma lucidez a toda prova, mesmo quando suas entranhas se esfacelam de dor. Mocinhas bem comportadas se entregam ao sacro-ofício, permanentemente, em benefício da boa educação e dos bons modos. Mocinhas bem comportadas não repetem de ano na escola, se formam, trabalham, são exemplarmente responsáveis, honestas até o limite territorial da bobice. Mocinhas bem comportadas parecem ser inimigas da sociedade, pois enquanto os amigos recebem TUDO, elas ficam somente com a Lei. Mocinhas bem comportadas fazem tudo muito certinho, mas nunca recebem muitos elogios, pois, no fundo, estão fazendo simplesmente o que todos já esperam delas.


Mas assim como a velha história do escorpião e do sapo, a animadora de esqueletos também não pode fugir a sua natureza. E é por isso que, vez por outra, em meio aos dias exemplares de mocinha bem comportada, ela volta a ser desagradável, incômoda... Volta a remexer seus esqueletos empoeirados dentro do armário e quando olha em volta percebe que todos vão saindo de fininho, um a um. E depois de algum tempo restam apenas ela, seus esqueletos e um novo candidato a emprego na funerária. Ela pode então chorar, sofrer, sorrir, gargalhar, voltar a ser criança ou ser velhinha. Ela pode ser o que ela bem quiser! Porque os esqueletos e o rapaz da funerária não estão ali para julgá-la. Então, ela pode dançar pela madrugada, até que o sono seja mais forte e a leve para o lugar de onde nunca deveria ter saído. No dia seguinte tudo volta ao normal e, tirando uma ardência nos olhos devido ao choro da noite anterior, ela realmente parece ser somente mais uma mocinha bem comportada, que sabe muito bem quais são as suas obrigações e que tem um longo dia pela frente.

Cláudia Mello

Camin(h)o

sábado, 30 de maio de 2009

Download do filme, via Torrent AQUI!

Genial! Genial é este filme espanhol, Camino, nome que coincide com o título do blog é uma descrição perfeita, impecável, maravilhosa da manipulação religiosa e violência psicológica da instituição religiosa sobre a mente humana inocente. O filme é ao mesmo tempo belo e aterrorizante. Promove um verdadeiro paradoxo existencial em quem o assiste, e como não pude me conter escrevo logo após ter visto o filme com o pescoço ainda húmido pelas lágrimas! É preciso de coragem e encantamento para ver esse filme. Quando trabalhava em locadora de vídeo descobri que os filmes que mais saíam eram de terror, ação e pornografia, mas não há nada mais aterrorizante do que a realidade e ao mesmo tempo mais belo, encantador já que Camino é um produção espanhola baseado em fatos reais, com contornos artísticos que só o cinemapode dar. Aqui nós podemos verificar com precisão cirúrgica como grupos como a Opus Dei são capazes de causar mal a sociedade. Vejam! O filme é belo mas também desperta em nós uma indignação legítima! Foi ganhador de 6 Goyas e posso dizer que é um dos melhores filmes que já vi!

A Pirataria venceu

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A reportagem a seguir é de grande valor - dica da Rosa Sabah do Linksmania - porque demonstra claramente o poder que temos hoje, através da internet, e que devidamente usado pode até nos levar a uma revolução total do sistema de maneira elegante, sem violência e organizada. Volta e meio digo isso por aqui, se nos organizarmos e realizarmos uma campanha do tipo deixar de assitir de tv, retirar o dinheiro dos bancos privados e eliminar o uso de cartão de crédito, nós estaremos realizando um protesto pelo poder de não-consumir que fará com que governos e corporações parem de destruir a Natureza e outras coisinhas mais.

Reportagem por Bruno Garattoni - Superinteressante de junho de 2009

pelo blog EbooksGrátis.

Você já bastou alguma coisa pirata da internet? Pode confessar… você não é o único. No Brasil, 45% das pessoas com internet em casa têm o hábito de roubar músicas, filmes, softwares e programas de TV. Se você è um deles, talvez já tenha sabido da noticia: os criadores do Pirate Bay, o mais famoso site de downloads piratas, finalmente levaram a pior. Depois de passar os últimos anos desafiando a lei e fundar até um partido político, eles foiam multados em USS 3,6 milhões e condenados pela Justiça da Suécia, onde moram, a um ano de cadeia. No dia seguinte, os estúdios de Hollywood e as multinacionais da música festejaram a vitória como o inicio de uma nova era: a guerra contra a pirataria na internet, que se arrasta há quase 10 anos, finalmente começou a ser ganha. A farra dos downloads começou a acabar. Certo? Errado. Na verdade, aconteceu o contrário. A pirataria está maior e mais forte do que antes - tão mais forte que a indústria do entretenimento resolveu mudar de estratégia e abraçar uma proposta radical: quer parar de vender as músicas e liberar os downloads na internet. E existe uma avalanche de motivos para isso.

O Pirate Bay, por exemplo, não só não saiu do ar como sua audiência cresceu 10%. E a condenação, da qual os piratas estão recorrendo em liberdade, foi uma verdadeira bênção - pois colocou a pirataria no centro das discussões e deu um baita empurrão ao Partido Pirata (Piratpartiet). O partido, que em 2006 tentou e não conseguiu eleger um representante, agora é o 2a mais popular entre os jovens da Suécia e tem 5,1% das intenções de voto - o que em tese é suficiente para garantir uma vaga no Parlamento Europeu, que será escolhido no dia 7 de junho. Se eleitos, os piratas vão lutar para mudar as leis que regulam a troca de arquivos na internet. E há um consenso cada vez maior, entre juristas e autoridades de todo o mundo, de que elas realmente precisam ser revistas.

Pois, do jeito que são hoje, transformam qualquer um em criminoso - até mesmo o presidente dos EUA. Ao visitar a rainha Elizabeth 2º, em abril, Obama deu a ela um iPod carregado com 40 músicas (eram trilhas de musicais americanos, como Cabaret). Só que a legislação atual não só proíbe a copia de cds para a memória do iPod como também impede que as músicas baixadas legalmente da internet [em sites como o Apple iTunes Store] sejam redistribuídas a outras pessoas. Tecnicamente, o presente que Obama deu para a rainha é ilegal.

Absurdo, não? É por isso que, mesmo depois de processar 50 mil internautas, a indústria do entretenimento não consegue frear a pirataria. Está tentando criminalizar práticas que já se tornaram corriqueiras. “Cada vez mais a conduta normal está sendo reconhecida como ilegal, isso desmoraliza a lei, porque as pessoas se vêem como criminosas e começam a se acostumar à ideia”, diz Lawrence Lessig, professor de direito da Universidade Stanford, em seu livro Remix (ainda sem tradução em português). As autoridades já perceberam isso. E começaram a mudar de postura.

Baixado não é roubado

Na China, onde 99% da música é pirata, o governo acaba de instituir uma lei que anistia os provedores de internet - que não serão responsabilizados pelo que seus usuários baixarem ou deixarem de baixar. A União Européia rejeitou um projeto para cortar a internet de quem faz downloads ilegais. Autoridades alemãs decidiram que só vão julgar, em eventuais processos, quem tiver baixado mais de 3 mil músicas ou 200 filmes (o resto será ignorado). A Associação Brasileira de Direito Autoral já afirmou que não vai perseguir judicialmente os fãs de download. E nos EUA, a Justiça abriu um precedente histórico: derrubou o principal argumento de estúdios e gravadoras e reconheceu que um download ilegal não eqüivale a uma venda perdida (pois quem está baixando um filme ou música de graça não iria, necessariamente, aceitar pagar por aquele produto).

Isso significa que, para a Justiça, roubar um arquivo digital não é mesma coisa que roubar um objeto físico, como uma laranja ou um carro. É um delito menor. Péssima noticia para a indústria do entretenimento, que sentiu o baque - e bem antes que as fábricas de automóveis tivessem de ser socorridas pelo governo dos EUA Já tínha ido pedir uma ajudinha a ele.

No fim de 2008, com a pirataria dizimando o setor (que já é 30% menor do que na década passada), a multinacional Warner criou um plano de salvação: legalizar a pirataria. Todo mundo poderia baixar e compartilhar o que quisesse, da maneira que bem entendesse. Em compensação, seria criado um imposto sobre os downloads. Cada usuário de conexão de banda larga seria obrigado a pagar USS 5 mensais. Parece um bom negócio para você? Para as gravadoras, seria bom até demais: daria uma arrecadação, só nos EUA, de USS 20 bilhões por ano - o dobro do que a indústria da música fatura hoje, o valor foi considerado alto, a crise chegou e a ideia não foi adiante.

Até que o Google resolveu pagar a conta. Ele fez acordos com as gravadoras e vai lançar um serviço em que será possível baixar, de graça e sem restrição, um acervo com 1,1 milhão de músicas, tudo custeado pelo Google, cujo objetivo é ganhar audiência e vender publicidade com isso - uma pesquisa revelou que na China, país onde o serviço vai estrear (e um dos poucos onde o Google não é líder), 84% das pessoas buscam sites de mp3 pirata. Se o próprio Google fornecer as músicas, vai virar o preferido dos chineses. Agora nós oferecemos um serviço integrado, com todas as peças“, afirma Kai-Fu Lee, diretor do site na China.

O Google não tem planos, ao menos por enquanto, de estender a boca-Livre a outros países. Mas outras empresas já abraçaram a idéia. Cansados de lutar contra os do downloads ilegais, vários canais de TV por assinatura cormeçaram a exibir sua programação de graça na internet. E, ao comprar um modelo de celular da Nokia, você ganha o direito de baixar quantas músicas quiser - de um acervo com 3,6 milhões de faixas mantido pela empresa, que subsidia tudo pagando uma taxa de R$ 135 às gravadoras (e recupera o dinheiro na venda do aparelho). Essa é a tendência. O entretenimento esta deixando de ser um produto pago para se transformar em serviço gratuito - cujo propósito é apenas estimulara venda e o uso de outros produtos e serviços. Pode parecer um final triste. Mas, para uma coisa que já tinha perdido o valor comercial, é uma grande volta por cima.

Tantrismo: uma religião do Sagrado Feminino - 6ª parte

O sentimento erótico é a poderosa ”semente” do misticismo.


É a emoção original do amor, um sentimento que estimula as paixões, ”incendeia” os sentimentos e desperta a energia Kundalini no centro sexual. O sentimento erótico e evocado através do agradável contato dos sentidos com o mundo exterior.


O erotismo, quando refinado e cuidadosamente canalizado, leva a experiência da transcendência e do êxtase. Na tradição tântrica ou ”secreta”, o sentimento erótico correlaciona-se com o paladar da doçura. Vishnu, o Preservador, também conhecido como ”Senhor das Águas”, é considerado como aquele que governa o sentimento erótico; isto e corroborado pela antiga referencia do elemento água ao sentido do paladar e pela necessidade da saliva para distinguir sabores. Os textos hindus relatam as muitas façanhas eróticas de Vishnu que, encarnado como o jovem Krishna, é o protótipo do amante. Mais adiante falaremos sobre suas aventuras amorosas e seu jogo sutil.


O erotismo desperta as chamas do amor em todas as suas variedades. Os antigos textos indianos como o Kama Sutra e o Ananga Ranga referem-se a quatro diferentes tipos de amor: amor habitual, imaginário, natural e sensual. E claro que tal classificação é uma simplificação, já que a maior parte dos amores e uma mistura dos diferentes tipos.


Entretanto, a importância desta classificação tradicional de Eros deve-se ao fato de ser ela baseada nos ensinamentos místicos mais profundos da tradição tântrica. Vamos encontrar esta divisão quádrupla repetidas vezes à medida que nos aprofundamos nos segredos do Oriente, mais notadamente na transformação da energia sexual e nos estágios do êxtase.


O sentimento erótico esta ligado ao elemento fogo e ao sentido da visão. Shiva, o ideal iogue de transcendência, está sempre associado ao fogo e ao erotismo místico. Para compreendermos o que isto significa, temos que nos lembrar da relação entre o ”fogo interior” no centro umbilical do Corpo Sutil (plexo solar) e o ”Terceiro Olho”, no centro da cabeça. Este olho oculto e colocado em ação através da destilação e transformação do ”fogo” interno do estômago, fígado, baço, coração, e assim por diante; consegue-se tal efeito através dos diferentes tipos de Ioga.


Na tradição mística ocidental, conhece-se também o fogo espiritual, o fogo da emoção purificada. Nos ensinamentos esotéricos através do mundo, “fogo” e “água” representam as forças solares-lunares do microcosmo. Estas duas grandes forças podem ser explicadas através do sentimento erótico; se é de forma literal ou alegórica, vai depender de determinado contexto, mas estes dois elementos sempre evocam o erótico. Os Tantras declaram que os ”fogos” e as ”águas” podem ser experimentados através dos corpos dos homens e das mulheres; fazer amor é a forma mais direta de realizar suas potências. A respiração solar e lunar indicada na primeira parte deste livro é realizada automaticamente pelo movimento das posições durante os clímax da atividade sexual. Se as forças da respiração forem canalizadas conscientemente, podem evocar as energias solar e lunar interiores e possibilitar a experiência prolongada do êxtase tântrico.


O fogo cósmico e a água cósmica em união. Este conceito alquímico é encontrado em tratados medievais, porém foi inicialmente desenvolvido nas escolas de mistério do Oriente. No Oriente, a alegria, a brincadeira e o riso são estimulados nos funerais, nascimentos e casamentos, pois este espírito, e não a seriedade, favorece o amor. No Ocidente, os conceitos de amor, cobiça e erotismo tem sido muito confundidos. Isto se deve em grande parte a influência da Igreja, que preferiu ignorar a dimensão espiritual do amor físico.


Um antigo ditado indiano diz: “0 sentimento cômico origina-se do erótico e esta próximo dele.”


Um outro declara que o cômico é a “mímica” do erótico. Os meios de comunicação de massa tem explorado esta proximidade entre os sentimentos cômico e erótico. A comedia excitante quase sempre serve para aliviar as tensões da sexualidade não realizada. Embora o riso seja em si curativo, não é um substituto para o erotismo. Grandes ataques de riso podem de fato bloquear o fluxo de energia dentro do corpo ou fazê-lo percorrer canais não naturais. A onda recente dos movimentos de liberação sexual faz com que este momento seja propicio a reavaliação da função do sentimento erótico segundo as tradições tântricas e taoístas. Estes ensinamentos confirmam repetidamente as descobertas mais revolucionárias da Psiquiatria, Medicina e cosmologia modernas. 0 resto deste livro trata de pontos importantes a ser considerados. Oferece um relato detalhado do papel do erotismo, especialmente no que diz respeito a preservação e manutenção dos aspectos mais elevados do homem e da mulher.


A esposa abraça fortemente o marido. Espalham ”leite” viril e, ao entregar-se, ela extrai para si mesma o poderoso Suco do Amor - RIG VEDA.


Que instrumento delicioso é a mulher quando tocada com arte; como é capaz de produzir as mais lindas harmonias, de executar as mais complicadas variações do amor e dar o mais Divino dos prazeres eróticos - ANANGA RANGA.

A vida como certeza só há uma

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pense no que pode acontecer conosco, mais dia menos dia. Vamos perambulando pela rua vagando em inspirados pensamentos, especulando sobre coisas importantes ou simplesmente ouvindo nosso walkman. De repente, um carro passa por nós a toda velocidade e quase acaba com tudo.

Veja a televisão ou dê uma olhada nos jornais: a morte está em toda parte. Será que as vítimas desses acidentes de avião e de carro esperavam morrer? Elas davam a vida como certa, assim como nós. Quantas vezes ouvimos casos de conhecidos, até de amigos, que morrem inesperadamente? Nem precisamos estar doentes para morrer: nossos corpos podem simplesmente falhar e parar de funcionar, do mesmo modo que nossos carros. Podemos estar muito bem num dia e cair de cama e morrer no outro. Milarepa cantava:

Quando você é forte e saudável
Não pensa que a doença pode vir,
Mas ela chega com força repentina
Como o irromper do relâmpago.

Envolvido com as coisas do mundo,
Você não vê que a morte se aproxima;
Rápida ela chega como o trovão
Desabando sobre a sua cabeça.

Às vezes precisamos nos sacudir e nos perguntar de fato: "E se eu morrer esta noite, o que vai ser?" Nunca sabemos se vamos acordar no dia seguinte, ou onde. Se você expira e não pode voltar a inspirar, está morto. É mesmo simples assim. Como diz um ditado tibetano: "Amanhã ou a próxima vida — o que vem primeiro, nunca se sabe."


É importante refletir com calma, muitas e muitas vezes, que a morte é real, e chega sem aviso. Não faça como o pombo do provérbio tibetano, que passa toda a noite fazendo barulho, preparando sua cama, e a madrugada o surpreende antes que possa dormir. Como um importante mestre do século XII, Dragpa Gyaltsen, dizia: "Os seres humanos gastam toda a sua vida se preparando, se preparando, se preparando... para afinal chegarem a uma outra vida despreparados."


Levar a vida a sério não quer dizer passar a vida inteira meditando, como se vivêssemos nas montanhas do Himalaia ou nos velhos dias do Tibet. No mundo moderno, temos que trabalhar e ganhar nosso pão, mas não nos devemos enredar em uma existência das-oito-às-seis onde vivemos sem noção do significado mais profundo da vida. Nossa tarefa é chegar a um equilíbrio, encontrar um caminho do meio, aprender a não nos estendermos além do possível em atividades e preocupações irrelevantes, e simplificar mais e mais nossas vidas. A chave para encontrar um equilíbrio feliz na vida moderna é a simplicidade.


Naquele dia, em seu mosteiro no Nepal, o mais velho dos discípulos do meu mestre, o grande Dilgo Khyentse Rinpoche, chegara ao fim de um ensinamento. Ele era um dos mais notáveis mestres do nosso tempo, professor do próprio Dalai Lama, e de muitos outros mestres que viam-no como um tesouro inesgotável de sabedoria e compaixão. Todos nós olhávamos para essa alta e delicada montanha humana, um erudito, poeta e místico que passou vinte e dois anos de sua vida em retiro. Fez uma pausa e olhou longe:

"Tenho agora setenta e oito anos, e vi muita coisa durante minha vida. Tantos jovens morreram, tantas pessoas de minha própria idade morreram, tantos homens idosos morreram. Tanta gente que esteve no alto e depois caiu. Tantas pessoas que, de baixo, se elevaram. Tantos países mudaram. Houve tanta confusão e tragédia, tantas guerras e epidemias, tanta destruição terrível ao redor do mundo. E apesar disso, todas essas mudanças não são mais do que um sonho. Quanto você olha em profundidade, pode perceber que nada existe de permanente e constante, nada, nem mesmo o mais fino fio de cabelo do seu corpo. E isso não é teoria, mas algo que você pode de fato entender e até ver com precisão, com os seus próprios olhos."


Algumas vezes, quando ensino essas coisas, depois alguém se aproxima de mim e diz: "Tudo isso parece tão óbvio! Eu sempre soube disso. Diga alguma coisa nova." Respondo então: "Você realmente entendeu e realizou a verdade da impermanência? Você de fato a integrou em cada um dos seus pensamentos, respirações e movimentos a tal ponto que sua vida se transformou? Faça a si mesmo estas duas perguntas: lembro a cada instante que estou morrendo, e todos e tudo ao meu redor também, e desse modo trato todos os seres a todo momento de forma compassiva? Meu entendimento da morte e da impermanência tem sido tão forte e urgente para mim a ponto de que dedique cada segundo da existência à busca da iluminação? Se você pode responder 'sim' a ambas as perguntas, então você compreendeu de fato a impermanência."

(Sogyal Rinpoche. O livro tibetano do viver e do morrer. Tradução de Luiz Carlos Lisboa.
Revisão técnica de Arnaldo Bassoli, Lamara Bassoli e Manoel Vidal.
São Paulo: Talento e Palas Athena, 1999. Pág. 34-49. Clique aqui para adquirir o livro.)

21 de dezembro de 2012

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os vídeos a seguir, em total de 9, sendo 3 disponibilizados diretamente aqui no blog e 6 com os links para acesso direto no canal deusmihifortis no Youtube, constituem um documentário sério onde diferentes especialistas, com diferentes visões, abordam a questão do alinhamento planetário e de nosso sistema solar, em particular de nosso sol, com o centro da galáxia, que os maias chamam de Hunab Ku. Para todos aqueles que tem uma visão xamânica de mundo tal momento é importante porque será o início de uma fase que já se faz sentir e um momento mais do que importante para todos aqueles que buscam em suas vidas um alinhamento com seu próprio ser interior. Que o alinhamento de nosso sistema com o centro da Galáxia nos encontre em perfeito alinhamento com nossa divindade interna, realizando em nós o princípio hermético da correspondência: "Tal como é em cima, é embaixo", assim há um alinhamento que depende exclusivamente de nós mesmos.







http://www.youtube.com/watch?v=eHMnqtcltxc

http://www.youtube.com/watch?v=C56xYwkhQJk

http://www.youtube.com/watch?v=kEI_3KGLbBc

http://www.youtube.com/watch?v=aT9sGujTwKk

http://www.youtube.com/watch?v=zEHW4DHgkYU

http://www.youtube.com/watch?v=wBZr2ZFKU5s

O amor como um aprendizado

O amor é uma coisa que se aprende:

uma discussão filosófica (em vídeo).


"Calligaris vai buscar nas origens das narrativas amorosas uma verdadeira revolução que gerou o mundo moderno. A partir do século 18, o amor foi o agente ideológico da supremacia do indivíduo contra as regras sociais. Com isso, o sujeito passa a ter que inventar a si mesmo, e nisso as narrativas desempenham papel fundamental. Nós todos aprendemos a amar no mesmo repertório cultural das histórias que contamos, vemos e ouvimos.

Contardo Calligaris: psicanalista, doutor em psicopatologia clínica e colunista da Folha de S. Paulo. Foi professor de Antropologia Médica na Universidade da Califórnia, professor de Estudos Culturais da New School de Nova York e é atualmente membro do corpo docente do Instituto de Estudos da Violência em Boston."

A idéia interessante por trás dessa afirmativa-título é que o sentimento amoroso pode ser uma construção a dois. O que abre a perspectiva interessante de pensar que esse sentimento pode ser uma construção a sós (como na experiência mística ou meditativa), assim como qualquer outro sentimento, não sendo, portanto, apenas uma coisa que nos acontece tal como o tempo, o clima ou um outro fenômeno natural, pois até esses podem ser modificados pela intervenção humana. Uma prova cabal do amor como uma construção são os casos de amor que nascem de uma relação de amizade. E, na contra-mão, os casos de amor que transformam-se em amizade, em afeto, em querer bem. O amor não precisa ser uma fatalidade ou uma tragédia, pode ser o exercício de escolhas conscientes, o exercício do sentir, de uma cidadania do coração, não sem tropeços, arranhões ou cicatrizes pois é errando e amando que se aprende - F.A.


A semente de luz ou o amor como construção

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma amiga cabalista me contou sobre a semente da luz. Senti que era interessante e compartilho com vocês. Segundo ela, pela Cabala, a paixão é uma semente. A intensidade da paixão é uma semente. A semente contém em si tudo aquilo que poderá ser. Quando ela surge entre um homem e uma mulher ela brilha intensamente e é chamada, essa semente, de luz da paixão. Talvez os xamãs toltecas falassem de uma vibração específica do brilho da consciência para descrever a paixão. A presença dessa semente dura por um tempo. Depois, assim como ela apareceu, ela some deixando no homem e na mulher um gosto e um desafio, construir em si mesmos aquilo que a semente de luz indicou: a possibilidade do amor.


Segundo a Cabala, a construção do amor , indicada pela semente, de luz só se torna possível quando o homem e a mulher alimentam um mesmo propósito. Esse propósito passa pelo desenvolvimento anímico do casal.


A palavra Cabala significa receber, mas seu sentido profundo implica em receber para compartilhar. O propósito do casal tocado pela semente de luz é desenvolver em si o amor para compartilhar dessa luz desenvolvida com o mundo.


Segundo essa amiga, os "links" amorosos que estabelecemos pela vida podem nos trazer sorte ou azar, a semente de luz quando real, e, não quando um mero reagir instintivo, segundo ela, nos traz sorte, mais ou menos como diz a música: "você me dá sorte, meu amor".


Assim temos aí um elemento importante para refletirmos sobre o uso responsável da energia e, também, sobre o conceito de sorte, não como algo derivado da mera fatalidade mais como algo construído através de uma leitura e escolhas de natureza consciente.


Já repararam como a cultura e seus órgãos oficiais de reprodução só falam de amor até a fase da paixão, da conquista e da cerimônia de casamento? Ou então da tragédia da separação, do divórcio, do desencontro, da traição? Poucos (ou nenhum) falam no amor como uma construção consciente do casal, que vai além da realidade cotidiana e adentra no campo da auto-realização. Por que será? Porque essa opção existencial se quer é contemplada? Será que não temos uma linguagem dentro da arte para expressar a felicidade?


Amor e sorte,

F.A.

Guerra dos Sexos: a Mitologia da Doença – Parte II

sábado, 23 de maio de 2009

Escrever sobre mulheres sempre me parece mais fácil. Apesar de sempre ter me sentido meio deslocada do universo feminino oficial, as atitudes femininas me parecem sempre óbvias. Vejam bem: o fato de as mulheres agirem de uma forma muito mais variada que os homens não quer dizer que elas sejam muito originais nesta variação. O homem é minimalista. A mulher é rococó. Mas basta a observação e o feeling para perceber que as curvas fazem sempre os mesmos trajetos.


Mas já que o desafio de hoje é falar dos homens e da sua mitologia, terei que apelar para a memória e localizar alguns “deuses” que encontrei pelo caminho. Mas já adianto que tal qual o sistema reprodutor e a sexualidade, a mitologia masculina é mais básica do que a feminina. Creio que isso aconteça pelo fato de o homem ser mais discreto em seus movimentos amorosos. Um homem pode estar sofrendo de amor e a todos parecer que está somente com algum problema de estômago ou que o barbeador elétrico quebrou. Já uma mulher que sofre por amor parece carregar um outdoor da sua dor para todo lugar que vai. Precisamos aprender a arte de sofrer discretamente com os homens.


Bem, em primeiro lugar, gostaria de esclarecer qualquer mal-entendido: sim, os homens amam! A questão é que eles não amam como mulheres, amam como homens. Simples assim. E talvez seja aí que toda a confusão começa: mulheres querem ser amadas como mulheres amam e homens querem só ser amados, sem muita frescura.


Talvez o que os homens jamais compreendam na relação com as mulheres seja o fato de as mulheres pensarem o amor. Sim, as mulheres pensam o amor, analisam o amor, projetam o amor. E os homens, de um modo geral (lembrem-se que a exceção sempre existe), simplesmente sentem o amor. A grande confusão provavelmente é resultado de uma mentira que é pregada há anos e anos e que diz que homens pensam e mulheres sentem. Isso faz com que tenhamos a impressão que as mulheres são seres de alma simples, capazes de sentir sem questionar ou racionalizar, e que os homens, por outro lado, são eternos pensadores, criaturas que não vivem sem aprofundar suas experiências, sem desenvolver reflexões relativas a tudo que os cerca.


A verdade é bem diferente. Falando de uma forma crua e simplista: a mulher eleva o amor, o amar e o relacionar-se ao patamar filosófico antes de qualquer coisa. Antes mesmo de encontrar alguém por quem possa se apaixonar, ela foi capaz de refletir por horas sobre a importância do amor na sua vida, se ela quer se casar ou não, se pretende ter filhos, onde gostaria de morar e como gostaria que fosse a relação. Penso que o homem é, de um modo geral, pego de surpresa pelo amor. Um belo dia ele começa a sentir coisas estranhas e inexplicáveis e quer só se livrar daquilo, o mais rápido possível. Por isso que há um número enorme de “homens em fuga”. Eles acreditam que estão fugindo de uma mulher, de um compromisso ou de um casamento, mas a verdade é que estão fugindo das inexplicáveis sensações que o amor causa e que parecem absolutamente assustadoras. Talvez se ele menstruasse ou tivesse TPM já estivesse acostumado com coisas inexplicáveis e assustadoras...rs


Então, começamos a localizar alguns tipos mitológicos masculinos, inclusive, construídos a partir deste temor de se entregar ao amor. Um bom exemplo é o Pan-Plantonista, o cara que está 24 horas sempre pronto para o sexo... Quem olha toda a sua movimentação, acredita de verdade que o cara vive para o sexo: agenda de telefone sempre em dia, bom papo, academia, fã-clube masculino (homens adoram ouvir mentiras uns dos outros!) e as cantadas mais calientes do bairro. O cara é capaz de enfrentar as mais exaustivas maratonas sexuais, só não é capaz de amar. Não que não possa! É que ele realmente não quer! O medo é arrebatador! E se algum dia alguma mulher consegue deixá-lo ao menos confuso, o primeiro sintoma vai direto ao “âmago da questão”: ele pára de funcionar! E nada parece desesperar mais um homem! Até o seu fígado pode parar de funcionar, mas o seu sagrado falo, jamais!


Temos também um outro personagem muito conhecido: o Hermes the Flash. O cara realmente parece um daqueles experimentos científicos de hipnose, basta falar uma determinada palavra que ele surta e faz coisas que normalmente não faria. As palavras normalmente são: compromisso, casamento e afins; mas também existem variantes compostas como “ajudar a limpar a casa”, “ficar com o bebê para eu sair com minha amiga” e, talvez a pior de todas “vamos discutir a relação”. Este tipo não tem nada contra a relação em si e muito menos contra o amor, mas ele é hiper-sensível a certos temas e quando eles surgem, ele simplesmente sai correndo! Sem deixar pistas!


Há também um tipo muito interessante chamado Zeus DASA. Esse cara até ama, até se relaciona, até casa. O problema é que ele é compulsivo e acredita, de verdade, que homens “precisam de sexo” mais do que as mulheres. O engraçado é que parece que os homens precisam de mais parceiras também, porque ele, provavelmente, não aceitaria fazer uma maratona diária de sexo com a mesma mulher. O fato é que eu levei muitos anos para compreender a razão que leva um homem que ama a sua mulher a traí-la com tanta freqüência e sem alguma razão mais consistente como paixão ou real interesse por outra pessoa. A resposta é: medo. Ouvi isso de um Zeus DASA de carteirinha certa vez: “eu sei que ela vai me trair, mais cedo ou mais tarde... Todas traem! Então, que seja eu primeiro!” Sim... É verdade... O cara tem tanto medo de ser traído, que trai primeiro, numa espécie de disputa para ver quem se deu mais mal na história. Não percebe que essa é uma história sem vencedores.


Existem alguns tipos clássicos e tenho certeza que toda mulher já conheceu pelo menos um em toda a sua vida: os Narcisos, os Édipos, os Ulisses... Vamos refrescar a memória?


O Narciso é aquele que quando vocês se encontram para sair, ao invés dele comentar sobre o fato de você estar linda, com um vestido sexy ou com cabelos perfumados, fica chateado porque você não notou que ele aumentou o tríceps em meio centímetro... É o cara que na piscina ao invés de olhar para a sua bunda ou para seus peitos, fica olhando para o seu próprio peitoral sarado, se esfregando diante de um público atônito. Ele costuma achar que as mulheres estão admirando seu físico malhado, mas isso raramente acontece! De um modo geral são os outros homens que estão admirando seus músculos desenvolvidos, as mulheres estão se questionando se ele é gay. A mulher que se relaciona com um homem assim nem precisa ter ciúme de outras mulheres, esse é um exemplo típico de auto-homoafetivo. O cara se ama, caramba! Deixa ele! rs


O Édipo é vulgarmente conhecido como “filhinho da mamãe”. Mas nem sempre ele é mimadinho pela mãe... Às vezes acontece um efeito inverso: pelo fato da mãe não dar a atenção que ele gostaria de receber, ele fica buscando, eternamente, a mãe em outras mulheres. Então, ele é do tipo carente, acha que você tem que se sentir honrada em servi-lo, agradá-lo, fazer sua comida preferida, adivinhar seus desejos e concretizá-los. Caso você ouse não agir assim, ele fica profundamente magoado e acredita firmemente que você é a criatura mais egoísta e desalmada do planeta. A dificuldade em lidar com um Édipo nem é a de agradá-lo, mas o fato de isso ser uma obrigação. Isso sem falar que ele se sente um pobre coitado, sacrificado, sempre que precisa fazer algo por você... Ou então se acha o tal só porque preparou uma sopinha no dia em que você estava gripada, de cama.


Ulisses é o cara que nunca está em casa, até quando está, não está... A verdade é que a vida a dois é muito monótona pra ele. Ele sonha com desafios e aventuras em algum lugar distante. Muitas vezes, ele pára de enxergar a mulher que está ao seu lado e só consegue perceber o quanto a ama quando está distante. O cara é muito confuso! Quando está longe, morre de saudade e quer estar perto... E quando está perto, não se dá conta do que acontece em volta porque está sonhando com seus grandes e desafiadores projetos. Nem preciso dizer que este tipo de homem acaba atraindo para o seu lado uma Encantadora de Serpentes, não é mesmo? Lógico! Diante da realidade da ausência, a mulher acaba se transformando em uma sedutora compulsiva. Talvez seja uma forma concreta dela perceber que existe, está viva e é capaz de ser notada por algum homem. Aliás, é bem interessante analisar a relação entre os tipos mitológicos masculinos e femininos, porque – vocês sabem... – as doenças se encaixam!


Ah... Já ia me esquecendo! Tem também o Apolo Dissimulado. Esse cara deixa as mulheres completamente confusas! Em primeiro lugar, ele não segue um padrão em termos de atitude. Quer ser o bonitão, mas não chega a ser um Narciso... Quer ser paparicado, mas não chega a ser um Édipo... Vive suas “viagens” particulares, mas não chega a ser um Ulisses... Talvez aquilo que consiga distinguir da melhor forma o Apolo Dissimulado seja o fato de ele querer ter o controle sobre tudo. Assim, mais agradável do que conquistar uma mulher, é fazer com que uma mulher não entenda porque ele não foi conquistado por ela. E ele adora isso! Totalmente imprevisível... Lidar com esse tipo requer um tanto de paciência, em especial quando a sua imprevisibilidade não é tão grande assim...rs


Assim como no caso das mulheres, a Mitologia Masculina também pode se estender infinitamente, basta olharmos em volta. Mas é interessante perceber que os personagens masculinos, normalmente, se caracterizam mais pelas atitudes, enquanto os personagens femininos possuem toda uma extensa e complexa filosofia e psicologia por trás de si. É como se os homens fossem mais diretos até mesmo na mitologia, enquanto as mulheres trilhassem caminhos mais sinuosos até chegar “do lado de fora”.


Quando nós, homens e mulheres, conseguirmos olhar para esses personagens, identificando nossos padrões de comportamento, e rir de nós mesmos, boa parte do processo de cura já terá se desenvolvido. Então, estaremos mais próximos de uma relação equilibrada e harmoniosa entre homem e mulher, como Deus e Deusa primordiais. Individualidades completas que multiplicam ao se somarem. Ou algo assim...


Cláudia Mello

Mulheres

quinta-feira, 21 de maio de 2009


- No caminho do guerreiro, mulheres não se sentem importantes, porque importantes marés caem furiosamente. No caminho do guerreiro, mulheres são a fúria. Elas permanecem furiosamente impassíveis sob qualquer circunstância. Elas não exigem nada e, ainda
assim, estão prontas para dar o melhor de si mesmas.

Elas procuram furiosamente um sinal do espírito na forma de palavras ou de um simples gesto e, quando conseguem achá-lo, expressam sua gratidão redobrando sua fúria.

No caminho do guerreiro, mulheres não julgam. Elas se reduzem furiosamente a nada para poder ouvir e ver; só assim poderão vencer, sendo humildes pela sua conquista, ou perder, sendo realçadas pela sua derrota.

No caminho do guerreiro, mulheres não se rendem. Elas podem ser derrotadas milhares de vezes, mas nunca rendidas. No caminho do guerreiro, acima de tudo, as mulheres são livres.

Não se preocupe com detalhes. Detalhes tendem a se ajustar para servir as circunstâncias, se alguém tiver uma convicção. Seus planos devem ser como pegadas. Escolha alguma coisa e a chame de começo. Então vá e encare o início. Quando estiver cara a cara com o começo, deixe que ele a leve para qualquer lugar possível. Confio que suas convicções não deixarão que você escolha um início excêntrico. Seja realista e simples para poder selecionar com sensatez. Faça isso agora!

P.S.: Qualquer coisa pode ser um começo.

Florinda Matus - A Bruxa e a Arte de Sonhar - Download do livro AQUI!

O feminino e o masculino, eis a questão

terça-feira, 19 de maio de 2009

Pessoal, segue um vídeo muito interessante, onde uma filósofa e um filósofo discutem a questão do que é ser homem e do que é ser mulher hoje. Muito bom!

Mas, sabe, tenho a impressão que sempre fugimos da questão principal quando vejo essa tipo de discussão, pois não vejo alguém se perguntando o que é ser velho, criança e às vezes vejo a questão do que é ser negro e as diversas questões das ditas "minorias", ou seja, vejo uma discussão fragmentada do humano e não vejo ninguém se perguntar: o que é ser humano? O que é ser? O que é esse laço que nos une a todos em nossas diferenças? Damos foco na diferença, no fragmento, na parte, e um entendimento da parte, me parece, só pode se dar no campo unificado do todo, do ser, e até hoje não temos essa resposta. Talvez porque achemos a pergunta gasta ou já respondida. Talvez ela não gere atrito... Mas se está gasta ou respondida porque então há tanto desencontro entre nós e não apenas entre homens e mulheres? Acho que buscamos a resposta a partir da parte que somos e por isso, talvez, não cheguemos a parte alguma. Prossigamos em nossa busca de nós mesmos, do outro e da ponte que nos une.

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O que é esoterismo? 6ª parte

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Respondeu-lhes Jesus: Se reduzirdes dois a um, se fizerdes o interior como o exterior, e o exterior como o interior, se fizerdes o de cima como o de baixo, se fizerdes um o masculino e o feminino, de maneira que o masculino não seja mais masculino e o feminino não seja mais feminino - então entrareis no Reino.


É inegável a alusão ao esoterismo contida nos Evangelhos. Coloquei essas poucas citações porque além da beleza e da clareza, elas revelam o porquê dos apócrifos terem sido considerados como tais: eles retirariam da instituição cristã, qualquer que seja ela, a sua autoridade como intermediária entre o humano e o divino, vejam a citação 109.


3. Jesus disse: Se vossos guias vos disserem: ‘o reino está no céu', então as aves vos precederam; se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederam. Mas o reino está dentro de vós, e também fora de vós. Se vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza.


5. Conhece o que está ante os teus olhos – e o que te é oculto te será revelado; porque nada é oculto que não seja manifestado.


13. Disse Jesus a seus discípulos: Comparai-me e dizei-me com quem me pareço eu.


Respondeu Simão Pedro: Tu és semelhante a um anjo justo.


Disse Mateus: Tu és semelhante a um homem sábio e compreensivo.


Respondeu Tomé: Mestre, minha boca é incapaz de dizer a quem tu és semelhante.


Replicou-lhe Jesus: Eu não sou teu Mestre, porque tu bebeste da Fonte borbulhante que te ofereci e nela te inebriaste.


Então levou Jesus Tomé à parte e afastou-se com ele; e falou com ele três palavras. E, quando Tomé voltou a ter com seus companheiros, estes lhe perguntaram: Que foi que Jesus te disse? Tomé lhes respondeu: Se eu vos dissesse uma só das palavras que ele me disse, vós havíeis de apedrejar-me - e das pedras romperia fogo para vos incendiar.


22. Jesus viu crianças de peito a mamarem. E ele disse a seus discípulos: Essas crianças de peito se parecem com aqueles que entram no Reino. Perguntaram-lhe eles: Se formos pequenos, entraremos no Reino?


Respondeu-lhes Jesus: Se reduzirdes dois a um, se fizerdes o interior como o exterior, e o exterior como o interior, se fizerdes o de cima como o de baixo, se fizerdes um o masculino e o feminino, de maneira que o masculino não seja mais masculino e o feminino não seja mais feminino - então entrareis no Reino.


24. Seus discípulos pediram: Mostra-nos o lugar onde tu estás, pois precisamos procurá-lo. Respondeu-lhes ele: Quem tem ouvidos, ouça! Há luz dentro dum ser luminoso, e ele ilumina o mundo inteiro. Se não o iluminar, ele é escuridão.


29. Jesus disse: Se a carne foi feita por causa do espírito, é isto maravilhoso. Mas, se o espírito foi feito por causa do corpo, é isto a maravilha das maravilhas. Eu, porém, estou maravilhado diante do seguinte: Como é que tamanha riqueza foi habitar em tanta pobreza?


37. Perguntaram os discípulos a Jesus: Em que dia nos aparecerás? Em que dia te veremos?


Respondeu Jesus: Se vos despojardes do vosso pudor; se, como crianças, tirardes os vossos vestidos e os colocardes sob os vossos pés, percebereis o filho do Vivo – e não conhecereis temor.


61. Jesus disse: Haverá dois na mesma cama: um morrerá, o outro viverá.


Salomé disse: Quem és tu, ó homem? Como que saído de um só? Tu que usavas a minha cama e comias à minha mesa?


Responde Jesus: Eu vim daquele que é todo um em si; isto me foi dado por meu Pai.


Disse Salomé: Eu sou discípula tua.


Vem a propósito o dito: Quando o discípulo é vácuo, será repleto de luz; mas quando é dividido, ele será repleto de treva.


67. Disse Jesus: Quem conhece o universo, mas não se possui a si mesmo, esse não possui nada.


70. Jesus disse: Se fizerdes nascer em vós aquele que possuis, ele vos salvará; mas, se não possuirdes em vós a este, então sereis mortos por aquele que não possuis.


74. Disse ele: Senhor, muitos rodeiam a fonte, mas ninguém entra na fonte.


75. Disse Jesus: Muitos estão diante da porta – mas somente os solitários é que entram na câmara nupcial.


77. Disse Jesus: Eu sou a luz, que está acima de todos. Eu sou o “Todo”. O Todo saiu de mim, e o Todo voltou a mim. Rachai a madeira – lá estou eu. Erguei a pedra – lá me achareis.


89. Disse Jesus: Por que lavais o exterior do recipiente? Não sabeis que o mesmo que criou o interior criou também o exterior?


91. Disseram-lhe eles: Dize-nos quem és tu, para que tenhamos fé em ti.


Respondeu-lhes ele: Vós examinais o aspecto do céu e da terra, mas não conheceis aquele que está diante de vós. Não sabeis dar valor ao tempo presente.


108. Disse Jesus: Quem beber da minha boca se tornará como eu. E eu serei o que ele é. E as coisas ocultas lhe serão reveladas.


109. Disse Jesus: O Reino se parece com um homem que possuía um campo no qual estava oculto um tesouro de que ele nada sabia. Ao morrer, deixou o campo a seu filho, que também não sabia de nada; tomou posse e vendeu o campo – mas o comprador descobriu o tesouro ao arar o campo.


113. Os discípulos perguntaram-lhe: Em que dia vem o Reino?


Jesus respondeu: Não vem pelo fato de alguém esperar por ele; nem se pode dizer ei-lo aqui! Ei-lo acolá! O Reino está presente no mundo inteiro, mas os homens não o enxergam.


O Evangelho Apócrifo de Tomé

A Nasa e as ruínas na Lua

domingo, 17 de maio de 2009