É proibido proibir: Lula detona com o projeto do Azeredo

terça-feira, 30 de junho de 2009

Informação estratégica e interessante: somos 45 milhões de internautas e 2 milhões de blogueiros ativos no Brasil, isso dá um poder de pressão política, social e cultural muito forte, por isso que o tal do Azeredo e seu grupo, o mesmo que criou o voto virtual cego e sujeito a fraudes, querem censurar a internet no Brasil.

Crop Circles no Brasil: um fenômeno mundial

O fenômeno dos crop circles é real e um mistério até agora pouco compreendido.

Como a racionalidade vigente não compreende o fenômeno eles o negam ou ridicularizam.

Mas ele está aí, teimando em desafiar a visão de mundo vigente.

Quando o homem moderno se depara com algo que não consegue explicar ou enquadrar nas teorias vigentes ele se omite, nega ou ridiculariza. Essa é uma reação muito pouco racional, aliás. Inclusive alguns círculos nas plantações foram feitos por humanos numa tentativa de tomar para si os créditos dessa misteriosa arte, mas o que os fraudulentos humanos conseguiram foi atrair o ridículo para si mesmos, pois os círculos feitos por humanos eram toscos, estavam muito distantes da obra de arte que temos encontrado nos campos de trigo, arroz e outros mais pelo mundo.

Os círculos misteriosos aparecem de maneira surpreendente, são feitos quase sempre a noite, com uma tecnologia desconhecida para os humanos pois afetam as plantações de uma forma estranha, tem deixado mensagens em símbolos e através de código binário e alguns são tão grandes que precisariam de muitos homens totalmente coordenados para fazê-los com tal rapidez e perfeição durante a noite. E até hoje não foram encontrados sinais de tais homens ao redor dos círculos feitos. Se forem homens talvez sejam como aqueles ninjas voadores de filmes de artes marciais.

Detalhe: as figuras produzidas só podem ser vistas em sua totalidade de grandes alturas. O fenômeno começa a aparecer no Brasil, com características semelhantes quando de seu aparecimento nos campos ingleses, num nível de complexidade menor e que vai evoluindo com o tempo. Eis o que mostra a reportagem do respeitado jornalista mexicano Jaime Maussan.



Eletroencefalograma da Mente da Terra – Projeto Consciência Global

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Um experimento científico realizado na Universidade de Princeton - http://noosphere.princeton.edu/ -, feito através de computadores que geram números aleatórios, está sendo capaz de descobrir padrões inusitados poucas horas antes, durante e depois de um grande acontecimento que venha a abalar o planeta inteiro. Por exemplo, o atentado do 11 de setembro de 2001, o atentado de Madri em 2004 e a catástrofe asiática do Tsunami registraram nos computadores do Projeto Consciência Global um padrão peculiar, que foge ao resultado mais provável num experimento usando números produzidos aleatoriamente por um programa de computador, horas antes do acontecimento.


Como explicar que uma máquina pode captar o que vai impactar a consciência coletiva da humanidade horas antes do acontecimento traumático? Lembrei-me que os animais antes do Tsunami já tinham saído da área.


É interessante ver no vídeo um cientista da Nasa questionando os resultados. Como se pode questionar os resultados? Os resultados são uma conseqüência do método empregado. Pode-se questionar o método, mas o método é elogiado pelo cientista porque é o método que ele usa em seu trabalho. Interessante o comportamento de alguns cientistas quando não conseguem explicar algo - F.A.





http://www.youtube.com/watch?v=EuUKW4aY7xs
http://www.youtube.com/watch?v=fvELAnRZcKo
http://www.youtube.com/watch?v=XbPEJf9NkqU

O Estranho Ser de Metepec

sábado, 27 de junho de 2009

O que você faria se desse de cara com uma espécie de criatura humanóide inusitada que não possui classificação biológica? Como você reagiria diante do inusitado, do desconhecido que por sua estranheza assusta e intriga? Muita gente já se deparou com uma situação como essa mas por medo do ridículo ou do patrulhamento ideológico, fica na sua. Mas a realidade é mais estranha do que pensa a nossa vã mentalidade. Um dos maiores desafios para a mente fortemente estruturada dentro de uma padrão ou uma visão de mundo é lidar com algo que foge completamente ao seu inventário mental, pois sua estrutura pode colapsar. São assim as pessoas e assim as sociedades, defendem fortemente o estabelecido pelo medo do desconhecido. Já foi escrito que nada do que é humano me é estranho, mas e quando não é?

Um estranhíssimo ser foi capturado vivo por civis, um grupo de veterinários na cidade de Metepec, México, em maio de 2007. Como foi capturado por civis e encontra-se em poder de pesquisadores esse estranho e diminuto ser, diferentemente de nosso ET de Varginha, que foi abduzido pelos militares (seria a vingança humana em ação desde Roswell?), está sendo estudado de forma aberta e transparente. Infelizmente, as pessoas que o capturaram acabaram por matá-lo devido ao medo que fugisse da armadilha onde ficou preso. O corpo está sendo analisado e estudado por diversos pesquisadores e cogita-se a possibilidade da criatura não pertencer a este mundo(?!) pois a criatura humanóide é completamente desconhecida para a nossa Biologia. E não se trata de um mono ou primata. Se não for deste mundo de onde será? E se for daqui? Seria uma mutação genética? De qual espécie? Pode ser que a criatura seja fruto de algum tipo de experiência genética ou um caso elaborado de fraude (essa é uma hipótese possível, mas praticamente descartada nesse caso), mas isso são hipóteses sobre a origem desse ser, que é uma criatura real e intrigante. Tal criatura pode ser um exemplo biológico de dissonância cognitiva, como dizia o novo nagual Carlos Castaneda. Tire suas próprias conclusões, ou não. Vejam os vídeos a seguir, em espanhol.



A ira se revolta na impotência

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O que é o negativo do negativo? O que é ser positivo?

Positivo e negativo são posições relativas.

Adianta negar a raiva? Ou reagir violentamente? A ira se revolta na impotência?

Se você quer ser honesto com você mesmo você precisa abraçar ambos os pólos em si.

A consciência dessa polaridade nos leva a totalidade de nós mesmos.

A verdade sobre nós mesmos é que devemos amar a sombra e a luz em nós. Aquilo que importa em nossa vida fica claro à sombra de nossa morte.

A Temporada dos Crop Circles ou Agroglifos prossegue

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sinal Pirata nº 1

"A História se repete como farsa ou como tragédia." Ou como os dois: farsa e tragédia.

A mídia corporativa, que é uma mídia psicopata como bem nos esclareceu o documentário The Corporation, persiste em sua campanha de terror ao vender a versão oficial da realidade.

Estava vendo um dos telejornais da noite e tive uma forte sensação de deja vú quando vi a notícia da jovem mulher iraniana assassinada no conflito entre os partidários da oposição e da situação no Irã. Neda, uma linda mulher de 26 anos, tornou-se um ícone e uma mártir. As imagens apresentadas são chocantes. Numa delas se vê o atirador, numa outra a jovem poucos instantes antes de ser atingida e, logo depois, é apresentada a cena onde ela está sangrando, com o vermelho encharcando o negro asfalto, o rosto em agonia e os olhos revirando ao morrer nos braços de um possível parente. Isso foi mostrado em vários telejornais do mundo inteiro. Está em vários sítios da internet. A versão oficial (que baseia-se no relato de quem filmou) diz que o atirador foi um homem integrante das milícias fanáticas que apóiam o atual presidente do Irã.

O atirador deu apenas um tiro, escolheu uma vítima e disparou. Não era um louco a disparar, escolheu uma vítima e deu apenas um disparo, um disparo mortal, o que mostra sua frieza, precisão e deliberação. Fico a pensar se esta é a atitude de um fanático religioso miliciano...não me parece. Normalmente tais pessoas querem sacrificar-se e sacrificar o maior número possível de pessoas em nome de sua causa. Parece-me a atitude de um atirador profissional, frio, que sabe o que faz, pois escolheu um único e suficiente alvo para despertar a revolta mundial: uma mulher, jovem, inocente, com sangue escorrendo pelo asfalto em agonia de morte. A trágica alquimia do petróleo e do sangue feita no chão da ira, do Irã.

É uma hipótese, apenas uma hipótese, uma versão, que o atirador tenha sido um fanático da milícia pró-governo.

Mas aqui há uma outra possibilidade que, apesar do estilo teoria da conspiração, tem se mostrado uma verdadeira prática conspiratória. Considerar tal hipótese é um exercício de razão crítica e que não quer permitir-se fechar dentro de apenas uma possibilidade vendida pela mídia corporativa e psicopata.

Também é uma hipótese bem plausível, diga-se de passagem, que tal atirador seja um agente da CIA ou do Mossad, infiltrado, em mais um ato de sabotagem e desestabilização política de um governo que foge ao raio de dominação dos EUA e onde a potência imperialista tem fortíssimos interesses.

Esse tipo de manobra, aliás, está historicamente comprovada. Na Venezuela, na tentativa de derrubar Hugo Chaves, esse estratagema foi usado, mas foi descoberto. A seguir apresentamos três fragmentos de documentários (Guerra contra a Democracia e Zeitgeist II) que revelam o modus operandi da elite gringa norte-americana quando quer tomar um país para si, usando como linha de frente a elite nativa do país a ser conquistado, esteja ela na oposição política ou não. Resumidamente o modus operandi consiste em três passos:

1 - corrupção da elite dominante do país seguido de compra pelo capital estrangeiro das empresas estratégicas do país dominado e empréstimos internacionais que farão o país ficar dependente financeiramente (foi o que aconteceu com o Brasil*** após o golpe militar de 64). Tal ação é empreendida pelos economics hitmans (assassinos econômicos).

2 - caso o primeiro passo não funcione entram em ação os chacais, assassinos profissionais que tentarão assassinar as principais lideranças (aconteceu em Honduras, Guatemala, El Salvador, etc) ou criar uma desestabilização política assassinando inocentes em passeatas de protesto (o caso ocorrido na Venezuela e mostrado logo abaixo é muito eloqüente sobre a maneira como a CIA e outras agências agem. Lá inocentes foram assassinados durante uma passeata onde o grupo oposicionista encontrou-se com o grupo chavista e depois a cena toda foi montada para parecer o que interessava a elite anti-Chaves. Parece que Marx tinha razão quando dizia que a história se repete como farsa ou como tragédia).

3 - e caso o segundo passo não dê certo ocorre a invasão militar sob uma desculpa qualquer, normalmente uma mentira bem vendida na mídia, como no caso do Iraque (armas de destruição em massa) e outros mais.

***No Brasil, apesar da democracia formal, vivemos um golpe de estado sutil e tecnológico dado através das urnas eletrônicas que não garantem ao eleitor (nós) para quem vai o seu (nosso) voto de fato, já que o voto não é impresso e materializado. Não podendo ser recontado, sem a transparência do voto impresso, não há garantia de que a soberania popular seja respeitada, basta ver o quadro de congressistas, eles são tudo menos a expressão da vontade popular. O senador que criou o projeto do voto virtual cego e foi contra o voto impresso é o mesmo que defende um projeto contra a liberdade na internet, que já é chamado de AI5 digital, Eduardo Azeredo.






A Nova Temporada Primavera-Verão dos Crop Circles está chegando...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Aumente o som e curta o desfile nas passarelas dos campos de trigo made in UK! Quero conhecer o personal styler dessa galera. Os caras são bons! Especialmente em desafiar a racionalidade dominante que simplesmente se cala sobre o fenômeno. Cadê os representantes da ciência oficial? As universidades? Incrível como a mídia oficial não aborda o assunto. O Sr. Frank Drake, parceiro de Carl Sagan, e que criou a equação que calcula quantas vidas inteligentes podem existir na galáxia e que leva o seu nome, fez um papelão diante da comunidade universal ao não responder a mensagem extraterrestre recebida em 2001, e que ele mesmo pediu em 1974, ao enviar um sinal de rádio contendo informações básicas da humanidade em código binário. Ele disse que não recebeu a mensagem através de rádio telescópio e ali, no quintal da antena de Arecibo, seu local de trabalho, estava a mensagem para todos verem, do tamanho de um campo de futebol, e não apenas para um grupo de cientistas vendidos, que ao se recusarem a analisar a mensagem não quiseram dar a autenticação da ciência oficial para o fenômeno, pois isso ameaçaria os interesses da elite da NWO.




http://www.youtube.com/watch?v=rxHsSGTBExc

Introdução ao Sinal Pirata

terça-feira, 23 de junho de 2009

Não é possível qualquer auto-realização dentro da sociedade em que vivemos sem ficarmos conscientes dos diferentes jogos de manipulação da percepção que ocorrem nas diferentes áreas da ação humana: familiar, educacional, psicológica, econômica, política, social, cultural, religiosa e esotérica.

O homem que pude observar de perto como praticante do xamanismo possuía habilidades xamânicas tais como um corpo de energia totalmente funcional, e pelo menos uma vez no ensonho pude constatar isto. Ele era muito discreto e sutil com relação a manifestar essas habilidades mas pude percebê-las em alguns momentos apesar de sua elegância e discrição. E com todas essas capacidades xamânicas ele era ao mesmo tempo um homem moderno: professor de História, consultor de qualidade empresarial, costumava ler jornais de economia e estava envolvido na implementação de projetos educacionais e ambientais. Podia se dizer que ele procurava viver a máxima: "viver no mundo sem ser do mundo". Assim ele se expressava como um ser humano pleno, que não ficava preso há um padrão de comportamento específico e alienado mas manifestava suas habilidades perceptivas nas diferentes realidades deste e de outros mundos. Ele era capaz de jogar o jogo social como jogador e não como mero joguete, pelo menos num certo nível. Não era uma vítima, era um guerreiro.

Noto que por vezes as pessoas ficam presas a certos padrões perceptivos, ficam presas num modo de ser, por exemplo, elas se tornam "esquisotéricas" de carteirinha e não querem saber nada dessa realidade em termos econômicos, políticos e sociais ou elas ficam presas num padrão engajado, vivendo para fora de si mesmas, ignorantes do aspecto religioso, esotérico e mágico da realidade. Como seres humanos acredito que temos que reivindicar a totalidade de nós mesmos e por isso aqui no blog nós expressamos uma gama de assuntos que deseja expressar essa totalidade e mostrar a conexão que existem entre as diferentes partes de nossa vida.

A realidade é orgânica e por isso nossa visão de mundo é holística. Nosso "zeitgeist" exige que vivamos essa totalidade lidando, por exemplo, com a tecnologia sofisticada de um computador e ao mesmo tempo buscando ressonar e vibrar dentros dos paradigmas xamânicos que são muito diferentes dessa sociedade de predadores em que vivemos. Esse é o combate sutil. Estarmos dentro dessa sociedade predadora vibrando uma frequência consciencial diferente e implementando ações cotidianas que expressem essa consciência no mundo.

Em função disso é que temos publicado uma série de artigos, documentários e filmes que buscam criar uma dissonância cognitiva na visão de mundo dominante, tais como o post abaixo "A Corporação" e outros mais: "Zeitgeist", "A Guerra contra a Democracia", "Disclousure Project" e filmes como "O Jardineiro Fiel" e por aí vai. Vamos aprofundar esse dissonância desenvolvendo uma série de textos que passarei a chamar de "Sinal Pirata" onde estaremos refletindo de maneira crítica sobre a realidade circundante. Isto também é espreita, a arte de interromper o fluxo de interpretação comum através de um comportamento deliberado. Quem bem expressa o nosso intento nesse sentido é Nietzche quando diz:

O valor da vida não pode ser avaliado.


Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a terra senão como andarilho.


Os filósofos propriamente ditos são comandantes e legisladores. Estamos, desde o fundamento, desde antiguidades - habituados a mentir.


Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.


Nosso século, que tanto fala de economia, é um esbanjador: esbanja o mais precioso, o espírito.


A arte deve antes de tudo e em primeiro lugar embelezar a vida. Os grandes eventos não são nossas horas mais ruidosas, mas nossos instantes mais silenciosos.


É somente o depois de amanhã que me pertence. Alguns homens já nascem póstumos.


Não quero ser confundido - isso implica que eu próprio não me confunda. Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo.


Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas. Os maiores acontecimentos e pensamentos são os que mais tardiamente são compreendidos.


Na solidão, o solitário se devora a si mesmo; na multidão, devoram-no inúmeros.


Então, escolhe. Deve-se falar somente quando se pode calar; e falar somente daquilo que se superou.


Todas as minhas verdades são, para mim, verdades sangrentas.


Mesmo nos tempos de mais grave doença, nunca me tornei doentio.


Derrubar ídolos - isso sim, já faz parte de meu ofício.



No intento,

F.A.

obs: a imagem acima é do rum Montilla, nós dispensamos o rum mas aprovamos o pirata como símbolo da dissonância cognitiva.

Inverno: duas estórias

sábado, 20 de junho de 2009

Seguem duas histórias para celebrar o Inverno, que entra daqui a pouco no Hemisfério Sul, às 05:45, do dia 21/06/09, a noite mais longa do ano que anuncia o retorno gradual da Luz Solar, eis o Natal acontecendo aqui e agora, o Natal Real, não o Natal globalizado estabelecido pela cultura de massas, pela indústria cultural e pela sociedade predadora e de consumo.


Porco-espinho


Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre estava coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições de clima hostil.


Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim cada um podia sentir o calor do corpo do outro, e todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.


Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.


E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos.


Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doiam muito. Mas essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. Assim suportaram à longa era glacial. Sobreviveram.


Uma promessa esquecida


Quando começou a escurecer, um vento frio e cortante começou a soprar nas encostas. Juntamente com as frias rajadas, vinham nevascas e cortantes cristais de gelo. Já não se via mais o quente sol da tarde e as encostas das montanhas estavam escuras e geladas, na verdade, perigosas.


Perdidas no ruído do vento uivante, duas pequenas vozes se ouviam:


- P... P... P... Puxa, está realmente frio h... hoje!


- Se ficar mais frio podemos até morrer. Podemos morrer congelados neste mesmo lugar!

- Sinto que minhas unhas estão congeladas nos meus pés. Se tivéssemos feito um ninho, à tarde, em vez de brincar o dia todo... Oh! está tão f... frio!


Essas vozes eram de dois passarinhos que, como duas bolas de penugem, aconchegavam-se no galho de uma velha árvore curtida pelo tempo, no alto da cordilheira do Himalaia.


Na altitude em que viviam, a neve dificilmente deixava a terra, mesmo em pleno verão. E durante o dia, quando o sol aparecia, esquentava tão pouco que quase não se percebia. Esse era o problema deles. Eles juraram fazer um ninho para afastar o terrível frio da noite, mas esqueciam as promessas durante o dia e esvoaçavam à procura de comida, cochilavam um pouco e brincavam sob a luz e o calor do sol. Agora, estavam amargamente arrependidos da tolice que fizeram.


- A.. Acho que v... vamos morrer desta vez. O f... frio é demais. Vamos m... morrer...

- Quando o sol vier, vamos fazer um ninho. Está bem? D... Desta vez não vamos esquecer, p... pela nossa vida.


Na realidade, era tão grande o frio naquela noite, que eles não conseguiram nem dormir. Durante a noite toda, choraram e se queixaram, prometendo fazer um ninho logo que o sol nascesse. A noite parecia durar séculos e séculos, enquanto o frio penetrava em seus ossos.


Não faltava muito para darem o último suspiro. Suas vozes enfraqueceram e os corpos caíram, ficando dependurados pelos pés que se congelaram no galho.


- Oh!... Estamos... m... morrendo!


- Logo... que... o... s... sol...


Exatamente quando parecia tarde demais, um raio dourado refletiu-se na face congelada de um penhasco e atingiu uma agulha de gelo dependurada do bico do pássaro macho. O cortante frio deve ter feito seus olhos lacrimejarem e congelado a lágrima antes que pudesse cair.


No começo não se mexeu, mas depois abriu lentamente os olhos para uma última visão neste mundo.


Quando avistou o feixe dourado da luz do sol, gritou repentinamente e sacudiu-se para tirar o gelo preso nas

penas.


- É o sol! Acorde! É o sol!...

- É verdade? Então não vamos morrer!

- Oh! Como é maravilhoso sentir a vida!


Seguramente, o sol subiu aos poucos pelos picos gelados das montanhas e lentamente os dois pássaros começaram a sentir o calor aquecer suas penas congeladas.


- Ah!... O sol está tão bom. Acho que vou dormir um pouco. Não conseguimos dormir a noite inteira.


- Mas... e o ninho? Conseguiremos terminá-lo se dormirmos?


- Não se preocupe com isso. Teremos muito tempo depois de dormirmos e comermos um pouco.


Assim, eles dormiram e comeram, apreciando o calor do dia. Voando pelos céus, o pássaro macho cantava:


- No conforto dos céus, nas minhas asas e canção. Quando se cansar pode sempre repousar. A vida é tão curta e o dia é longo. Quem precisa ter pressa para fazer o ninho?


Eles continuaram a brincar por várias horas até perceberem que estava começando a ficar frio. Eles olharam para o sol e perceberam horrorizados que ele estava começando a se pôr no oeste. Perceberam repentinamente que não havia mais tempo para construir o ninho antes de escurecer. Com olhares preocupados, desceram do céu e pousaram num galho.


Depois de uma pausa, o pássaro olhou para a esposa e disse com um sorriso disfarçado:


- Bem, o sol está baixando e, mesmo que comecemos, não há tempo para terminar o ninho. Vamos aproveitar o resto do sol.


Assim, eles esbanjaram o resto do dia. Não demorou muito para ficar frio outra vez.


- P... P... P... Puxa, está realmente frio h... hoje...!

- Está ainda mais f... frio que ontem!

- Se esfriar mais não v... vamos v... viver até amanhã. Oh!... está tão f... frio!


E assim, caros amigos, os dois pássaros viveram o resto de suas vidas, desperdiçando totalmente os dias e sofrendo durante as noites.

Na Linha de Frente

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Sinopse:
Animação baseada no livro Education for Death: The Making of the Nazi (Educação para a morte: a construção de um nazista). A deprimente estória de como "O Pequeno Hans, um jovem alemão, é doutrinado para o modo de vida nazista; sem final feliz". Foi re-lançado pela Disney em DVD na coleção Disney Treasures: On The Front Lines em 18 de maio de 2004. Foi a primeira vez, desde 1943, que a Disney relança o polêmico desenho.



Título original: On The Front Lines

Gênero: Curta/Animação/Drama

Duração: 10 minutos

Formato: AVI

Audio: Inglês/Alemão

Legendas: Português

Tamanho: 66 MB (Dividido em 1 parte)



É interessante ver como os EUA e a Inglaterra que combateram mais ferozmente os Estados Nazistas na 2ª guerra mundial hoje incorporaram completamente uma série de práticas e idéias nazistas. No desenho de Walt Disney surgem duas expressões interessantes "Ordem Mundial", como expressão do ideário nazista e o "esmagamento do direito dos outros" através da guerra, em suas diferentes formas. Osama Bin Laden é a nova versão do mal, mas Hitler mesmo tornou-se um arquétipo que paira sobre os presidentes estadunidenses como uma sombra sutil, e o terrorismo islâmico é a nova versão de bode expiatório cumprida antes pelos judeus. Isso me faz lembrar a frase de Nietzche:

“Ao enfrentar um monstro, cuidado para não se tornar um monstro; se você olha muito tempo para o abismo, o abismo também olha para você.”

Arte, Espreita e Morte no Dia da Criação

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dica do nosso amigo Aldo sobre a música do post anterior, o poema do nosso Vinícius de Moraes, O Dia da Criação:

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo

A vida vem em ondas, como o mar

Os bondes andam em cima dos trilhos

E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo

Não há nada como o tempo para passar

Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo

Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo

Amanhã não gosta de ver ninguém bem

Hoje é que é o dia do presente

O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade

Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios

Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas

Todos os maridos estão funcionando regularmente

Todas as mulheres estão atentas

Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento

Porque hoje é sábado

Hoje há um divórcio e um violamento

Porque hoje é sábado

Há um rico que se mata

Porque hoje é sábado

Há um incesto e uma regata

Porque hoje é sábado

Há um espetáculo de gala

Porque hoje é sábado

Há uma mulher que apanha e cala

Porque hoje é sábado

Há um renovar-se de esperanças

Porque hoje é sábado

Há uma profunda discordância

Porque hoje é sábado

Há um sedutor que tomba morto

Porque hoje é sábado

Há um grande espírito-de-porco

Porque hoje é sábado

Há uma mulher que vira homem

Porque hoje é sábado

Há criançinhas que não comem

Porque hoje é sábado

Há um piquenique de políticos

Porque hoje é sábado

Há um grande acréscimo de sífilis

Porque hoje é sábado

Há um ariano e uma mulata

Porque hoje é sábado

Há uma tensão inusitada

Porque hoje é sábado

Há adolescências seminuas

Porque hoje é sábado

Há um vampiro pelas ruas

Porque hoje é sábado

Há um grande aumento no consumo

Porque hoje é sábado

Há um noivo louco de ciúmes

Porque hoje é sábado

Há um garden-party na cadeia

Porque hoje é sábado

Há uma impassível lua cheia

Porque hoje é sábado

Há damas de todas as classes

Porque hoje é sábado

Umas difíceis, outras fáceis

Porque hoje é sábado

Há um beber e um dar sem conta

Porque hoje é sábado

Há uma infeliz que vai de tonta

Porque hoje é sábado

Há um padre passeando à paisana

Porque hoje é sábado

Há um frenesi de dar banana

Porque hoje é sábado

Há a sensação angustiante

Porque hoje é sábado

De uma mulher dentro de um homem

Porque hoje é sábado

Há uma comemoração fantástica

Porque hoje é sábado

Da primeira cirurgia plástica

Porque hoje é sábado

E dando os trâmites por findos

Porque hoje é sábado

Há a perspectiva do domingo

Porque hoje é sábado

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.

De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas

E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra

E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra

Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.

Na verdade, o homem não era necessário

Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciadas

Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.

Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias

Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa

Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos

Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.

Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes

Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia

Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo

Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.

Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias

A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio

A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos

Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas

Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo

E para não ficar com as vastas mãos abanando

Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança

Possivelmente, isto é, muito provavelmente

Porque era sábado.

Arte, Espreita e Morte como uma onda

Talvez

Às vezes olhamos para os acontecimentos da vida e a partir de nossa perspectiva fazemos uma avaliação boa ou ruim.

E concluímos: - O dia hoje foi bom. E ficamos felizes

Ou então: - Hoje não foi o meu dia. Nada como uma dia após o outro. E ficamos tristes.

Se só tivéssemos dias felizes (ou tristes) isso seria algo bom ou ruim?

Mas se olharmos para nossa vida inteira até aqui o que iremos dizer? Que avaliação faremos? Qual o saldo que a vida nos traz?

Se tenho 50 anos minha vida é formada até então por 18.250 dias. Quanto estará o placar da vida? Não fazemos idéia, não temos essa estatística existencial. Suponhamos que estejamos perdendo para nós mesmos por 250 dias, então aos 50 anos terei 9.250 ruins contra 9.000 dias bons. Mas qual será o critério de avaliação?

Certamente o dia que nasci foi um bom dia, pelo menos para mim, é por isso que se comemoram os aniversários, né? O dia em que nascemos é bom! Tem que ser! Quem tomaria a data de nascimento como algo ruim? Ninguém em sã consciência. Nem mesmo o mais miserável o faria porque se o fizesse teria que necessariamente suicidar-se, e às vezes isso acontece, mas é uma exceção que confirma a regra de que a data do nascimento é um ponto a favor a despeito das condições de vida. Então de certa forma começamos sempre na frente do placar. Começamos a vida ganhando, começamos como vencedores, começamos como espermatozóides que tiveram sucesso ao encontrar um óvulo para nos acolher e um útero para nos dar a luz.

Mas se tivéssemos nascido na China a história talvez fosse outra, afinal lá já tem gente pra caramba e lá o nascimento é chorado tal qual a morte entre nós. Uma curiosa diferença cultural, que nos faz perceber que mesmo o nascimento não é necessariamente um happy day, pois isso depende da cultura que molda a nossa percepção de mundo. Mas isso parece que era na China antes da Coca-Cola, como escreveu o Henfil quando por lá esteve... esses são os problemas da globalização e da cultura de massas que faz todo o mundo cair na mesma mesmice padronizadora em nome do "p(r)ô_gresso". Adorno, o crítico da "razão instrumental" e da "indústria cultural", essa mesma que deseja acabar com a liberdade que temos pela internet, que o diga.

Mas se os critérios para avaliarmos a nossa vida dependem de valores culturalmente construídos, então podemos aceitar aqueles valores que realmente nos permitem ser felizes e eliminar aqueles que nos fazem sentir infelizes. Certo? Certo! A questão então é descobrir como esses valores ou critérios de avaliação foram estabelecidos em nós para podermos ver aquilo que vamos aproveitar e aquilo que vamos jogar fora. Certo? Certo!

Então uma coisa é certa, não podemos tomar nada em nós como certo ou dado, tipo síndrome de Gabriela, como diz a Claudinha, a patroa, "eu nasci assim, vou ser sempre assim...". Isso é a maior roubada, a maior furada.

Tá na hora de virar esse jogo e acho que uma boa para ganhar essa de virada é começar por compreender a importância de não ficar se julgando ou julgando e avaliando os acontecimentos da vida, pois tudo é vida, e afinal os critérios de avaliação não são estabelecidos por nós e sim por "eles". Os xamãs tem um pensamento muito interessante:

"Não honro acordos dos quais não participei".

Quem disse que preciso seguir critérios que não foram estabelecidos por mim e sim pela cultura?

E ficar pensando muito na nossa vida no varejo do cotidiano, com as regras ditadas pelo mercado e sua lógica consumidora, atrapalha um pouco.

Fico por aqui e deixo essa historinha sobre esse tema.

Talvez

Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.


"Que má sorte!" eles disseram solidariamente.


"Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.


"Que maravilhoso!" os vizinhos exclamaram.


"Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.


"Que pena," disseram.


"Talvez," respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.


O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:


"Talvez."

A crítica da razão iluminista

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma interessante conferência do professor Verlaine Freitas, da PUC de Minas, que serve como introdução ao pensamento do filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) é disponibilizada logo a seguir. Adorno faz uma crítica à razão instrumental ou iluminista (o tipo de ideologia que fundamenta a visão de mundo dos Illuminatis, por exemplo), pois vê nessa razão o fundamento de uma cultura, a cultura européia e ocidental, que deseja subjugar a Natureza, unificando em torno de si, de forma violenta e opressiva, as diferenças naturais entre os indivíduos. O pensamento desse filósofo possui um instrumental conceitual muito interessante para o questionamento da indústria cultural ou da cultura de massas que molda a percepção humana em limites estreitos e falsos, gerando a crise em que vivemos, pois apesar de aparentemente valorizarmos a razão a nossa sociedade é altamente irracional na maneira como lidamos com a própria Natureza e com as nossas relações sociais. Qual a natureza dessa contradição? Esta é uma das questões do filósofo Theodor Adorno. Seguem os links para a conferência e alguns apontamentos pessoais sobre a mesma. Acho que na filosofia de Adorno há vários fundamentos conceituais para se construir uma filosofia nagualista, como pretendia Carlos Castaneda, uma ideologia de feiticeiros ou xamãs.

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Adorno, filósofo da cultura, 1903-1969; Obra máxima, A Teoria Estética.


A cultura como um processo de subjugar a Natureza buscando unificar os homens em torno de si. Noção de cultura ocidental, européia. Razão instrumental, conceito iluminista, que dá fundamento a sociedade de consumo, a sociedade predadora.


A cultura como um subjugar, como um domínio técnico do homem contra a Natureza. A Natureza domada, submetida pela cultura, através da razão instrumental.


A subjugação da Natureza pela Cultura através da Razão reflete-se dentro da sociedade humana, onde uma elite detentora do conhecimento domina a massa ignara. A razão iluminista distingue a elite iluminista da massa ignara. Illuminatis.


A cultura como o fogo do saber pragmático em torno do qual os homens se reúnem e se unificam em sua luta contra a Natureza.


A cultura como um processo de unificação extrema dos indivíduos visando a sobrevivência do grupo, da sociedade.


É esse conceito de razão, o conceito iluminista, que Adorno deseja desfazer para apresentar uma nova razão, a razão crítica.


Adorno buscou em sua filosofia questionar o movimento de unificação da cultura e criticar o que chama de razão instrumental, a razão que dá origem a civilização técnica e à lógica cultural capitalista.


O domínio racional – razão instrumental - da Natureza torna-se o domínio irracional do humano.


A liberdade na sociedade atual é meramente formal.


A razão como a força responsável pela construção da cultura que visa sempre a unificação. A razão é o deus da cultura que visa unificar os seres em suas diferenças em nome do progresso. O preço desse progresso é a subjugação de muitos por poucos, do próprio ser à razão, que é apenas uma pequena parte de nossa totalidade, assim através da razão as diferenças qualitativas entre os humanos são perdidas em nome de uma eficácia padronizante pelo progresso. A padronização do comportamento como elemento de aumento da eficácia e do rendimento do indivíduo, o indivíduo obedece a uma lógica de máquina.


Pode-se colocar a estrutura social em que vivemos da seguinte forma (essa divisão é nossa):


Razão = espírito

Cultura = alma

Instituições = Órgãos do Corpo Social

Sociedade = Corpo


O problema dessa estrutura é que ela se contrapõe a sua origem, a Natureza, então seu espírito torna-se perverso, sua alma doente, seus órgãos instrumentos de opressão do próprio corpo social.


A ciência para Adorno está impregnada de elementos míticos. A formulação de leis universais na ciência cumpre a mesma função do mito.


O conhecimento é poder, o desejo de saber não é um desejo puro e simples de verdade, mas um desejo técnico, de dominar algo. A ciência é um desejo de apossar-se da Natureza, um desejo de domínio dos homens em relação a Natureza e em relação a si mesmos.


“Na medida em que razão se torna instrumental, a ciência vai deixando de ser uma forma de acesso aos conhecimentos verdadeiros para tornar-se um instrumento de dominação, poder e exploração, sendo sustentada pela ideologia cientificista, que, através da escola e dos meios de comunicação de massa, engendra uma mitologia - a Religião da Ciência - contrária ao espírito iluminista e à emancipação da Humanidade” – Wikipédia sobre o conceito de razão instrumental ou iluminista.


Ao analisar o filme Matrix o filósofo Verlaine Freitas não conseguiu perceber que o filme não traduzia uma luta entre o bem e o mal, pois a luta entre os humanos e as máquinas teve origem na criação da inteligência artificial, IA, por parte do humanos, foram os humanos que produziram a inteligência das máquinas, inteligência que voltou-se contra eles, e essa inteligência artificial é uma excelente metáfora para o conceito de razão instrumental que o filósofo Adorno critica, pois é essa razão instrumental que subjuga a Natureza através da Cultura que também oprime o homem. Normalmente a idéia dualista da luta do bem e do mal vê tais forças como não partindo de uma mesma fonte, ela surge como se fosse algo dado, pré-existente, a idéia da eterna luta entre o bem e o mal, tal não ocorre em Matrix.

Jogos de Competição pela energia

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O UNIVERSO QUE NOS RESPONDE

Nas últimas décadas, os pesquisadores da psicologia começaram a estudar seriamente o efeito das nossas intenções no universo físico. Algumas das primeiras descobertas ocorreram na área de biofeedback. Através de centenas de estudos, mostrou-se que podemos influenciar muitas das funções do nosso corpo que, anteriormente, julgava-se serem totalmente controladas pelo sistema nervoso autônomo, inclusive o ritmo cardíaco, a pressão arterial, o sistema imunológico e as ondas cerebrais. Quase todos os processos que podemos monitorar mostraram alguma sensibilidade à nossa vontade.

Pesquisas recentes, no entanto, têm mostrado que nossa ligação e influência vão bem mais longe: as nossas intenções podem afetar também o corpo de outras pessoas, sua mente e a forma dos acontecimentos no mundo. A nova física mostrou que estamos ligados de um modo que transcende os limites de tempo e espaço. O teorema de Bell parece aplicar-se, tanto quanto à operação das partículas elementares, também aos nossos pensamentos.

Ninguém contribuiu mais para a popularização dessa nova compreensão do que o dr. Larry Dossey, que escreveu uma série de três livros enfocando os poderes da intenção e da oração. Estudando pesquisas antigas e atuais de fontes que vão desde F. W. H. Myers até Lawrence LeShan, desde J. B. Rhine até o Laboratório de Pesquisa de Engenharia de Anomalias de Princeton, Dossey apresentou um instigante de evidências de que podemos atravessar o espaço, e às vezes o tempo, para afetar o mundo.

Numa pesquisa em particular citada em seu livro Recovering the Soul, Dossey descreve um grupo de pesquisados reunidos para testar sua capacidade de receber informações através de grandes distâncias. Outros pesquisados, a centenas de quilômetros, não apenas conseguiram acertar muito mais vezes do que seria de se esperar o nome de uma carta tirada por alguém a centenas de quilômetros, como também era freqüente receberem essa informação antes mesmo que a carta fosse escolhida.

Em outras experiências para testar essa capacidade, os pesquisados conseguiram distinguir um grupo de algarismos produzido por um gerador de números ao acaso, antes mesmo que os números fossem sorteados. As implicações dessas e de outras experiências similares são de extrema importância, pois fornecem evidências de certas habilidades que muitos de nós experimentam repetidamente. Não apenas estamos ligados uns aos outros telepaticamente, como também temos a capacidade da premonição: aparentemente conseguimos apreender imagens ou sugestões de acontecimentos iminentes, especialmente se eles afetam a nossa vida e o nosso crescimento.

No entanto, a nossa capacidade tem alcance ainda maior: com a nossa mente podemos não apenas receber informações sobre o mundo, como também afetar o mundo. Dossey cita uma pesquisa, hoje bastante conhecida, que foi levada a cabo pelo dr. Randolph Byrd no Hospital Geral de San Francisco. Nessa experiência, uma equipe de voluntários rezou por um grupo de pacientes cardíacos, ao passo que um grupo de controle não recebeu orações em sua intenção. Dossey relata que o grupo que recebeu orações teve cinco vezes menos possibilidade de precisar de antibióticos e três vezes menos possibilidade de desenvolver fluido nos pulmões. Além disso, nenhum dos pacientes desse grupo precisou de respiração artificial, ao passo que 12 membros do grupo de controle precisaram.

Outras experiências citadas por Dossey mostraram que o poder da oração e da intenção funciona igualmente bem com as plantas (aumentando o número de sementes que germinam); com as bactérias (aumentando a taxa de crescimento); e com objetos inanimados (afetando os padrões casuais de bolas de isopor ao caírem).

Uma série de experiências mostrou uma coisa especialmente interessante: embora a nossa capacidade de afetar o mundo funcione em ambos os casos, a intenção não-instrutiva (isto é, sustentar a idéia de que o melhor deveria acontecer, sem introduzir a nossa opinião) funciona melhor do que a intenção instrutiva (sustentar a idéia de que deveria ocorrer um determinado desfecho). Isto parece indicar que existe um princípio embutido na nossa ligação com o resto do universo, que mantém o nosso ego cerceado.

As experiências citadas por Dossey sugerem também que devemos ter algum conhecimento pessoal do indivíduo por quem rezamos, e que parece funcionar melhor a intenção que flui de uma sensação de ligação com o divino, ou com o Eu superior da outra pessoa. Além disso, as experiências parecem confirmar que nossas intenções têm efeito cumulativo — em outras palavras: os pacientes por quem as orações foram feitas por mais tempo beneficiaram-se mais do que aqueles por quem as orações duraram menos tempo.

Dossey cita experiências que indicam algo muito importante: as nossas teorias costumam agir no mundo exatamente como as nossas intenções ou orações conscientes. A famosa experiência de Oak School mostrou esse fato: disseram a alguns professores que certo grupo de alunos, identificados por meio de testes, progrediria mais durante o ano letivo. Na realidade, os professores receberam uma lista de alunos escolhidos inteiramente ao acaso. No final do ano, esses estudantes mostraram realmente uma melhora significativa não apenas no seu desempenho (o que poderia ser explicado por alguma atenção extra dada pelos professores), mas em testes de QI destinados a avaliar apenas a capacidade inata. Em outras palavras, as teorias do professor a respeito dos seus alunos modificaram o potencial de aprendizado deles.

Infelizmente esse efeito parece agir também numa direção negativa. Em seu livro recente Be Careful What You Pray For, You Just Might Get it, Dossey descreve pesquisas que mostram que as nossas teorias inconscientes podem fazer mal a outras pessoas. Um exemplo importante é quando rezamos para que alguém mude de idéia ou interrompa o que está fazendo, antes de investigarmos cuidadosamente se a nossa opinião está correta; esses pensamentos são liberados e criam dúvidas na outra pessoa. A mesma coisa acontece quando temos pensamentos negativos a respeito da aparência ou dos atos de outra pessoa; muitas vezes são opiniões que jamais expressaríamos diretamente, mas, como somos todos ligados, os pensamentos vão como punhais influenciar o conceito que a pessoa tem de si mesma, e talvez até mesmo a sua conduta.

Isso significa, é claro, que podemos também influenciar negativamente a realidade da nossa própria situação com pensamentos inconscientes. Quando pensamos negativamente sobre a nossa capacidade pessoal, a nossa aparência ou as nossas perspectivas de futuro, esses pensamentos influenciam de maneira bastante real o modo como nos sentimos e aquilo que acontece conosco.

VIVENDO A NOVA REALIDADE

Podemos, portanto, enxergar o quadro mais amplo oferecido pela nova ciência. Agora, quando nos postamos em nosso jardim ou passeamos pelo parque admirando a paisagem num belo dia de sol, devemos ver um mundo novo. Não podemos mais pensar que o universo que habitamos está se expandindo em todas as direções até o infinito; sabemos que o universo é fisicamente infinito, mas curvado de uma forma que o torna limitado e finito. Vivemos dentro de uma bolha de espaço/tempo e, como os físicos que pesquisam o hiperespaço, intuímos outras dimensões. E quando olhamos em volta, para as formas dentro deste universo, já não podemos ver matéria sólida, mas substância energética. Tudo nada mais é do que um campo de energia, de luz, todas as coisas interagindo e influenciando-se mutuamente — inclusive nós mesmos.

Na verdade, a maioria dessas descrições da nova realidade já foi confirmada pela nossa própria experiência. Todos nós temos, por exemplo, momentos em que podemos constatar que outras pessoas captaram nossos pensamentos, ou ocasiões em que sabemos o que outra pessoa sente ou está prestes a dizer. De modo semelhante, vivemos situações em que sabemos que alguma coisa está prestes a acontecer ou poderia potencialmente acontecer, e essas premonições muitas vezes são acompanhadas por pressentimentos que nos dizem aonde deveríamos ir ou aquilo que deveríamos fazer, para estarmos no lugar certo, na hora exata. O mais significativo é que sabemos que a nossa atitude e a nossa intenção a respeito das outras pessoas são extremamente importantes. Como veremos mais tarde, quando pensamos positivamente, nos elevamos e elevamos os outros, e acontecimentos incríveis começam a ter lugar.

O nosso desafio é colocar tudo isso em prática cotidianamente, integrado à nossa vida diária. Vivemos num universo inteligente, de energia dinâmica, que nos responde, no qual as expectativas e teorias das outras pessoas irradiam-se delas para nos influenciar.

O próximo passo, portanto, em nossa viagem em direção a uma vida com uma nova consciência espiritual é ver o mundo humano de energia, expectativa e drama como ele realmente é, e aprender a lidar com esse mundo de maneira mais eficaz.

SUPERANDO A DISPUTA DE PODER

A grande conquista dos psicólogos da interação foi identificar e explicar a tendência dos seres humanos a competir entre si e a dominar uns aos outros por causa de uma profunda angústia existencial. Veio do Oriente, no entanto, um esclarecimento maior sobre o processo psicológico subjacente a esse fenômeno.

Como tanto a ciência quanto o misticismo demonstram, o ser humano é, em essência, um campo de energia. No entanto, a sabedoria oriental afirma que o nosso nível normal de energia é baixo e fraco, e assim permanecerá até nos abrirmos às energias absolutas disponíveis no universo. Quando isso ocorre, o ch'i — que talvez devêssemos chamar de nosso nível de energia quântica — eleva-se o suficiente para sanar nossa angústia existencial.

Mas até então vivemos procurando extrair das outras pessoas energia adicional.

Vamos começar esse estudo examinando aquilo que realmente acontece quando dois seres humanos interagem. Existe um velho provérbio místico que diz que aonde vai a atenção, para lá flui a energia. Assim, quando duas pessoas voltam a atenção uma para a outra, elas literalmente fundem seus campos energéticos, juntando as energias. Aí surge logo a questão: quem é que vai controlar essa energia acumulada? Se um dos dois consegue dominar, fazendo o outro aceitar seu ponto de vista — enxergar o mundo à sua maneira, através dos seus olhos —, então esse indivíduo capturou para si a energia de ambos. Ele sente uma imediata onda de poder, segurança, autovalorização e até mesmo euforia.

Mas esses sentimentos positivos são conseguidos às custas da outra pessoa, que, dominada, sente-se fora do centro, ansiosa e desprovida de energia — todos nós já nos sentimos assim alguma vez. Quando somos forçados a ceder a alguém que nos manipulou até nos confundir, nos tirar do equilíbrio, nos expor, de repente nos sentimos exaustos. E a tendência natural é tentar tomar de volta a energia do nosso dominador, usando em geral de qualquer meio necessário.

Esse processo de dominação psicológica pode ser observado em toda parte, e é a fonte oculta de todos os conflitos irracionais no mundo humano, em nível de indivíduos e famílias até todas as culturas e nações. Assim, olhando realisticamente para a sociedade, veremos um mundo que compete pela energia, com pessoas manipulando umas às outras de maneiras muito engenhosas (e em geral bastante inconscientes). À luz da nova compreensão do universo, podemos ver também que a maioria das manipulações usadas — a maioria dos jogos que as pessoas jogam — resulta das teorias básicas de cada um. Em outras palavras: são elas que formam o campo de intenção do indivíduo.

Quando entramos em interação com outro ser humano, precisamos ter isso tudo em mente. Cada pessoa é um campo de energia consistindo num conjunto de teorias e crenças, que se irradiam e influenciam o mundo. Isso inclui as crenças sobre aquilo que um indivíduo pensa dos outros, e como sair vitorioso na conversa.

Todo mundo tem um conjunto único de teorias e estilo de interação, que chamo de "dramas de controle". Acredito que esses "dramas" seguem um continuum que vai de muito passivo a muito agressivo.

O COITADO DE MIM

O mais passivo dos dramas de controle é a estratégia da vítima, ou o que chamo de Coitado de Mim. Nesse drama, a pessoa, em vez de competir diretamente pela energia, procura ganhar atenção e deferência manipulando o sentimento de solidariedade.

Sempre podemos perceber quando entramos no campo de energia de um Coitado de Mim, porque somos imediatamente atraídos para um tipo de diálogo que nos tira do nosso centro de equilíbrio. Começamos a nos sentir culpados sem motivo algum, como se estivéssemos sendo colocados nesse papel pela outra pessoa. Ela tanto pode dizer: "Bem, ontem esperei o seu telefonema e você não telefonou", como "Tanta coisa horrível me aconteceu e você tinha desaparecido". Pode até mesmo acrescentar: "Todas as outras coisas ruins que vão me acontecer e você provavelmente não estará por perto também."

Essas frases podem ser adaptadas para uma ampla gama de assuntos, dependendo do tipo de relacionamento que temos com a pessoa. Se for um colega de trabalho, o conteúdo pode se referir à sobrecarga de trabalho que ele está suportando porque você não está ajudando; se se tratar de um mero conhecido, ele pode simplesmente começar a falar sobre a vida ruim que leva. Existem dezenas de variações, mas o tom e a estratégia básica são os mesmos — sempre um apelo à solidariedade e a afirmação de que de alguma forma você é responsável.

A estratégia óbvia no drama do Coitado de Mim é nos desequilibrar e ganhar a nossa energia, criando em nós um sentimento de culpa ou dúvida. Ao assumirmos essa culpa, passamos a enxergar o mundo da outra pessoa através dos olhos dela, e de imediato ela sente a onda da nossa energia acrescentada à sua, e assim passa a se sentir mais segura.

Lembre-se que esse drama é quase totalmente inconsciente. Ele nasce de uma visão pessoal do mundo e de uma estratégia para controlar os outros adotadas no início da infância.

Para o Coitado de Mim, o mundo é um lugar onde não se pode contar com as pessoas para satisfazer suas necessidades de nutrição e bem-estar, e um lugar assustador demais para arriscar-se a perseguir essas necessidades direta ou positivamente. No mundo do Coitado de Mim, a única maneira de agir razoável é pedir simpatia através da culpa e de rejeições denunciadas.

Infelizmente, por causa do efeito que essas crenças e intenções inconscientes têm sobre o mundo, muitas vezes o mesmo tipo de pessoas que o Coitado de Mim teme são exatamente aquelas que ele permite que entrem em sua vida. E os acontecimentos muitas vezes são traumatizantes. A resposta do universo é produzir exatamente o tipo de mundo que a pessoa espera, e desse modo o drama é um círculo vicioso e sempre acaba se justificando. Embora não se dê conta disso, o Coitado de Mim está preso numa armadilha sem saída.

LIDANDO COMO COITADO DE MIM

Ao lidar com o Coitado de Mim, é importante nos lembrarmos de que o propósito do drama é adquirir energia. Temos que começar com a disposição de conscientemente doar energia ao Coitado de Mim enquanto conversamos com ele; esta é a maneira mais rápida de interromper o drama. (Enviar energia é um processo exato, que estudaremos no Capítulo 9.)
Em seguida, devemos avaliar se a culpa é justificada ou não. Certamente haverá em nossa vida muitas ocasiões em que devemos nos preocupar por termos decepcionado alguém, ou nos solidarizar com uma pessoa em situação difícil. Mas essa necessidade deve ser determinada por nós, não por outrem; só nós podemos decidir quando e até que ponto temos a responsabilidade de ajudar alguém.

Uma vez que tenhamos doado energia para o Coitado de Mim e determinado que estamos presenciando um drama em ação, o próximo passo é dar nome aos bois — isto é, fazer do próprio drama de controle o objeto da conversa. Ninguém consegue sustentar um drama inconsciente se ele for alçado à consciência e colocado em discussão. Isso pode ser feito com uma afirmação como: "Sabe, neste momento estou com a impressão de que você acha que eu deveria me sentir culpado."

Aqui devemos estar preparados para proceder com coragem, porque apesar de estarmos apenas procurando lidar honestamente com a situação, a outra pessoa pode interpretar isso como rejeição. Nesse caso, a reação típica é: "É, eu sabia que você não gostava de mim." Em outros casos, a pessoa pode se sentir ofendida e zangada.

Na minha opinião, é muito importante apelar para a pessoa para que escute e dê prosseguimento ao diálogo. Mas isso só poderá dar certo se durante toda a conversa estivermos constantemente doando à pessoa a energia de que ela precisa. Acima de tudo, temos que perseverar, se desejamos melhorar a qualidade do relacionamento. Na melhor das hipóteses, a pessoa vai nos escutar quando expusermos o seu drama, e vai conseguir abrir-se para um grau maior de autoconsciência.


O DISTANTE

Um drama de controle um pouco menos passivo é o do Distante. Quando começamos uma conversa e de repente percebemos que não estamos conseguindo obter uma resposta direta, constatamos que penetramos no campo energético de alguém que está usando esta estratégia. A pessoa com quem estamos conversando se mostra distante, desligada, misteriosa em suas respostas. Se lhe perguntamos sobre o seu passado, por exemplo, a resposta é um resumo vago, tal como: "Andei viajando por aí", sem mais especificações.

Durante essa conversa, sentimos que temos que fazer uma pergunta suplementar, mesmo que se trate de um assunto bem simples. Teremos que dizer, talvez: "Viajando por onde?", e recebemos a resposta: "Por muitos lugares."

Aí podemos discernir claramente a estratégia do Distante: criar constantemente em torno de si uma aura de vaguidão e mistério, forçando-nos a gastar muita energia garimpando informações que normalmente deveriam ser fornecidas de maneira casual. Quando fazemos isso, estamos intensamente concentrados no mundo da pessoa, olhando através dos olhos dela, esperando compreendê-la melhor, e assim estamos lhe dando a carga de energia que ela busca.

Temos que nos lembrar, no entanto, de que nem todo mundo que se mostra vago ou se recusa a nos dar informações sobre si mesmo está utilizando o drama do Distante; a pessoa pode simplesmente desejar permanecer anônima por um motivo qualquer. Toda pessoa tem o direito à privacidade e a revelar aos outros apenas aquilo que desejar.

Entretanto, utilizar essa estratégia de distanciamento para adquirir energia é algo muito diferente. Para o Distante, trata-se de um método de manipulação que procura nos atrair, no entanto nos mantém à distância. Se concluirmos que a pessoa simplesmente não deseja conversar conosco, por exemplo — e assim passamos a prestar atenção em outra coisa — muitas vezes o Distante voltará a interagir conosco, dizendo alguma coisa destinada a nos atrair de volta à interação, para que a energia possa continuar fluindo em sua direção.

Como no caso do Coitado de Mim, essa estratégia vem de situações passadas. Em geral o Distante não conseguia comunicar-se livremente quando criança, pelo fato de isso ser ameaçador ou perigoso. Nesse ambiente, o Distante aprendeu a ser constantemente vago ao se comunicar com os outros e, ao mesmo tempo, encontra um modo de ser ouvido, para adquirir energia dos outros.

Como no caso do Coitado de Mim, a estratégia do Distante é baseada num conjunto de teorias inconscientes a respeito do mundo. O Distante acredita que o mundo está cheio de pessoas a quem não se podem confiar informações pessoais; ele julga que a informação será usada contra ele mais tarde, ou servirá de base para críticas. E, como sempre, essas teorias irradiam-se do Distante e vão influenciar os tipos de acontecimentos que advirão, cumprindo a sua intenção inconsciente.

LIDANDO COM O DISTANTE

Para lidar de maneira eficaz com alguém que esteja usando o drama do Distante, temos que nos lembrar de começar por enviar energia; enviando uma energia de amor em vez de nos tornarmos defensivos, aliviamos a pressão que faz com que a manipulação continue. Sem essa pressão, podemos começar de novo, dando nome aos bois e fazendo do drama o assunto da conversa, para trazê-lo à consciência da outra pessoa.

Como no caso anterior, podemos esperar uma entre duas reações. A primeira: o Distante pode fugir à conversa e cortar toda a comunicação. Naturalmente, isso é sempre um risco que deve ser corrido, porque dizer qualquer outra coisa seria continuar a fazer o jogo. Nesse caso, só podemos desejar que a nossa maneira direta de agir inicie um novo padrão que levará à autoconsciência.

A outra reação do Distante pode ser continuar a conversa, mas negar estar usando o drama de controle do Distante. Nesse caso, como sempre, ternos que ponderar a verdade do que a pessoa está dizendo. No entanto, se tivermos certeza da nossa percepção, temos que nos manter firmes e continuar a dialogar com a pessoa. Esperamos que da conversa se estabeleça um novo padrão.

O INTERROGADOR

Um drama de controle mais agressivo, que hoje permeia toda a sociedade moderna, é o do Interrogador. Nessa estratégia de manipulação, a pessoa usa a crítica para adquirir energia dos outros.

Na presença de um Interrogador sempre temos a impressão distinta de que estamos sendo fiscalizados. Ao mesmo tempo, temos a sensação de que nos coube desempenhar o papel de uma pessoa inapta ou incapaz de cuidar da própria vida.

Temos essa sensação porque o indivíduo com quem estamos interagindo nos puxou para uma realidade onde ele sente que a maioria das pessoas está cometendo erros enormes na vida, e que cabe a ele corrigir essa situação. O Interrogador pode dizer, por exemplo: "Sabe, você não se veste de maneira adequada para o seu tipo de trabalho", ou "Já percebi que você não limpa muito bem a sua casa". Com a mesma facilidade, a crítica poderia visar o nosso desempenho profissional, o modo como falamos ou uma ampla gama de características pessoais. Não faz diferença — qualquer coisa funcionará, contanto que a crítica nos desequilibre e nos deixe inseguros.

A estratégia inconsciente do Interrogador é apontar alguma coisa sobre nós que nos desequilibre, na esperança de nos convencer da verdade dessa crítica para que adotemos a sua visão do mundo. Quando isso ocorre, começamos a enxergar a situação pelos olhos do Interrogador, e assim lhe passamos energia. A intenção do Interrogador é ser o juiz da vida das outras pessoas, de modo que, logo que o diálogo tem início, os outros imediatamente aceitem sua visão do mundo, fornecendo-lhe um fluxo regular de energia.

Assim como os outros dramas, este surge de teorias projetadas. O Interrogador acredita que o mundo só será seguro ou organizado se ele estiver vigiando o comportamento e a atitude de todas as pessoas, e fazendo correções. Nesse mundo ele é o herói, o único que presta atenção e se encarrega de providenciar para que as coisas sejam feitas com cuidado e perfeição. Geralmente o Interrogador vem de uma família onde as figuras do pai e da mãe eram distantes ou não cuidavam das necessidades dele; na insegurança desse vazio energético, o Interrogador captava atenção e energia da única maneira possível: apontando erros e criticando o comportamento da família.

Quando a criança cresce, carrega consigo essas teorias a respeito de como é o mundo e como são as pessoas, e essas teorias por sua vez criam esse tipo de realidade na vida do Interrogador.

LIDANDO COM O INTERROGADOR

Lidar com o Interrogador é uma questão de manter-se suficientemente centrado para lhe fazer ver como estamos nos sentindo em sua presença. Também aqui o segredo é não assumir uma postura defensiva, e enviar energia de amor, enquanto explicamos que ele nos faz sentir vigiados e criticados.

Também o Interrogador poderá ter várias reações diferentes. Primeiro, pode negar ter o hábito de criticar, mesmo diante de exemplos. Mais uma vez, precisamos considerar a possibilidade de estarmos equivocados, ouvindo críticas onde elas não existiram. Se, por outro lado, temos certeza dessa percepção, então podemos apenas expressar a nossa posição, esperando que possa surgir um diálogo verdadeiro.

Outra reação que o Interrogador poderá ter é virar a mesa e nos acusar de excessivamente críticos; se isso acontecer, precisamos avaliar se essa acusação é verdadeira.

No entanto, se temos certeza de que isso não é verdade, devemos voltar a conversar sobre a sensação que experimentamos na sua presença.

Uma terceira reação que o Interrogador poderá ter é questionar se as críticas são válidas e precisam ser feitas, e nos acusar de estarmos evitando olhar para os nossos próprios defeitos.
Mais uma vez, temos que ponderar a verdade dessa afirmação, mas, se tivermos a certeza da nossa posição, poderemos citar vários exemplos de que as críticas do Interrogador foram desnecessárias ou feitas de maneira errada.

Todos nós enfrentamos situações em que sentimos que os outros estão fazendo alguma coisa que não parece ser em seu benefício. Podemos sentir que devíamos intervir e apontar o erro; o essencial é o modo como intervimos. Acho que devemos procurar fazer afirmações neutras, tais como: "Se os meus pneus estivessem carecas assim, eu compraria novos", ou: "Quando estive nessa situação, larguei o emprego antes de arranjar outro e me arrependi".

Há maneiras de intervir que não arrancam a pessoa de seu ponto de vista, nem minam a sua confiança como faz o Interrogador, e essa diferença lhe deve ser explicada. Também aqui, pode ser que a pessoa rompa o relacionamento em vez de escutar o que estamos dizendo, mas este é um risco que temos que correr para sermos fiéis à nossa experiência.

O INTIMIDADOR

O drama de controle mais agressivo é a estratégia do Intimidador. Podemos perceber que entramos no campo energético de tal pessoa porque não apenas nos sentimos exaustos ou constrangidos; sentimo-nos ameaçados, talvez até mesmo em perigo. O mundo se torna sinistro, ameaçador, descontrolado. A pessoa que utiliza essa estratégia dirá e fará coisas que sugerem que, a qualquer momento, ela poderá explodir de raiva ou tornar-se violenta. Ela pode narrar casos em que feriu outras pessoas, ou demonstrar a extensão da sua raiva quebrando móveis ou arremessando coisas.

A estratégia da pessoa intimidadora é ganhar a nossa atenção e assim a nossa energia, criando um ambiente em que nos sentimos tão ameaçados, que lhe damos toda a nossa atenção: quando alguém nos dá a impressão de que pode perder o controle ou fazer algo perigoso, nós fazemos questão de observá-la atentamente. Se estamos conversando com uma pessoa assim, geralmente evitamos discutir o ponto de vista dela. Naturalmente, quando olhamos nos olhos dela, tentando discernir (para a nossa própria segurança) o que ela poderá fazer, ela recebe a carga de energia de que necessita tão desesperadamente.

Esta estratégia de intimidação geralmente tem origem num passado de severa carência energética, mais comumente envolvendo relacionamentos com outros Intimidadores que são dominadores e abusados, e onde nenhuma outra estratégia para recuperar a energia iria funcionar. Não adiantaria prender as pessoas na armadilha do Coitado de Mim — ninguém se importa. Certamente tampouco vão perceber se a pessoa estiver bancando o Distante. E qualquer tentativa de ser um Interrogador é recebida com raiva e hostilidade. A única solução é suportar a falta de energia até ser suficientemente grande para que a pessoa seja, por sua vez, um Intimidador.

O mundo que o Intimidador enxerga é um mundo de violência e hostilidade; um mundo no qual cada pessoa está perdida num supremo isolamento, onde todos rejeitam e ninguém se importa — e é exatamente isso que essas teorias trazem para a vida do Intimidador.

LIDANDO COM O INTIMIDADOR

O confronto com o Intimidador é um caso à parte. Por causa do perigo, na maioria dos casos, é melhor simplesmente manter distância. Se existe um longo relacionamento com o Intimidador, em geral o melhor a fazer é colocar a situação nas mãos de um profissional. O plano de ação terapêutico, naturalmente, é bem parecido com os dos outros dramas. O sucesso com esse tipo de pessoa exige que lhe seja dada a sensação de segurança; é preciso transmitirlhe energia de apoio e fazer com que tome consciência da realidade do seu drama.

Infelizmente há muitos Intimidadores por aí que não recebem ajuda e vivem em estados alternados de medo e raiva.

Muitas dessas pessoas terminam às voltas com a Justiça, e certamente é sensato mantêl-as fora da sociedade. Mas um sistema que as mantém presas sem qualquer intervenção terapêutica e depois torna a libertá-las não compreende nem alcança a raiz do problema.

SUPERANDO O NOSSO DRAMA DE CONTROLE

Todos nós escutamos, ao longo da vida, queixas dos outros a respeito dos nossos padrões de comportamento. A tendência humana é ignorar ou racionalizar essas queixas para poder prosseguir com o estilo de vida escolhido. Mesmo hoje, que o conhecimento dos hábitos e roteiros autodestrutivos está se tornando uma parte maior da consciência humana, achamos muito difícil enxergar o nosso comportamento pessoal de maneira objetiva.

No caso de dramas de controle graves em que a pessoa tenha procurado ajuda profissional, as reações de crise podem desfazer anos de progresso e crescimento na terapia quando os velhos padrões, que se julgavam superados, reaparecem. Aliás, uma das mais recentes revelações entre os terapeutas profissionais é que o verdadeiro progresso exige mais do que a catarse que ocorre durante a exploração pessoal dos traumas da primeira infância.

Agora sabemos que para acabar com essas tentativas inconscientes de adquirir energia e segurança precisamos nos concentrar na base existencial — mais profunda — do problema, e enxergar além da visão intelectual para ganhar acesso a uma nova fonte de segurança, que poderá funcionar independentemente das circunstâncias externas.

Estou me referindo aqui a um tipo diferente de catarse — aquele que ao longo da História os místicos apontam, e do qual cada vez mais ouvimos falar. Sabendo o que sabemos sobre as disputas de energia na sociedade humana, o nosso desafio é nos examinarmos atentamente, para que possamos identificar o nosso conjunto particular de teorias e as intenções que constituem o nosso drama, e encontrar outra experiência que nos permita a abertura para a nossa energia interior.

A EXPERIÊNCIA MÍSTICA

A idéia da experiência mística começou sua viagem para o inconsciente coletivo da cultura ocidental no final da década de 50, principalmente como resultado da popularização das tradições orientais — hindus, budistas e taoístas — levada a cabo por escritores e pensadores como Carl Jung, Alan Watts e D. T. Suzuki. Essa disseminação continuou nas décadas seguintes com uma infinidade de obras, inclusive as de Paramahansa Yogananda, J. Krishnamurti e Ram Dass, todos eles afirmando a existência de um encontro interior místico que pode ser vivido individualmente.

Durante essas mesmas décadas, um grande público passou a interessar-se pela rica tradição espiritual esotérica que possuímos também no Ocidente. Os pensamentos de São Francisco de Assis, Meister Eckhart, Emanuel Swedenborg e Edmund Bucke mereceram atenção, porque esses pensadores, como os místicos orientais, afirmavam a existência da transformação interior.

Acredito que tenhamos finalmente chegado a um ponto em que a idéia de uma experiência pessoal transcendental — chamada também de iluminação, nirvana, satori, transcendência e consciência cósmica— alcançou um significativo nível de aceitação, tornando-se parte integral da nossa nova consciência espiritual. Como cultura, começamos a aceitar os encontros místicos como algo real e ao alcance de todos os seres humanos.

James Redfield é autor de A Profecia Celestina