Império Invisível e A Queda da República

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mais dois filmes, aqui estão apenas trailers de lançamento, que denunciam a chamada Nova Ordem Mundial, que nada mais é que a Velha Ordem Mundial com Botox e outras armas de destruição e controle da população mundial.



A utopia da melhor idade

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais uma palestra do Café Filosófico com uma reflexão muito interessante sobre a juventude, a beleza, a vaidade, o culto do eu, o tempo e a (falta de) consciência do aqui e agora, através de uma viagem pela história, pela cultura e pelo mito de diferentes povos.

As dicas de cinema, Retrato de Dorian Gray e o Curioso Caso de Benjamin Button, são preciosas. As dicas de livros também, como a síndrome de Peter Pan.

O humor do palestrante também é bem encantador, em terreno por vezes árido, do ponto de vista intelectual.

O culto do eu, onde as pessoas só falam de si e se colocam como referência do mundo, num verdadeiro egocentrismo, é revelado em frases curtas e bem-humoradas.

Revela-nos que tanto a juventude, como a infância e o amor materno são construções sócio-culturais próprias da época moderna.

Expressões como "no meu tempo" ou "com o tempo" revelam a nossa alienação do único tempo que temos, agora; e do único lugar para viver, aqui. Essas e outras reflexões estão presentes nessa excelente palestra, pois o tempo não para e cada tempo é a sua própria medida.


SINOPSE

Com o impacto das técnicas de manutenção da juventude artificial, qual seria o desdobramento de um corpo “sempre jovem” para uma alma que vê o envelhecimento como apodrecimento sem significado?

Neste Café Filosófico, o historiador Leandro Karnal fala sobre a utopia da idade perfeita. Karnal analisa os valores associados à juventude em diversos períodos da história e nos mostra os novos significados que juventude e velhice assumem no mundo de hoje. Essa recorrente insatisfação, em todas as idades pode ser sintoma de nossa incapacidade de viver o presente.

Quando somos jovens buscamos independência e sabedoria, mas, quando a alcançamos estamos velhos e desejamos de volta o vigor da juventude. Será que passamos a vida esperando pela idade em que seremos plenamente felizes?

Download, via Rapidshare, AQUI

Documentário: Democracia Hackeada

domingo, 27 de setembro de 2009

Esse documentário é mais um elemento para demonstrar o risco que corremos ao aceitarmos passivamente uma sistema de votação eletrônica que não permite auditoria independente do processo de contagem e nem mesmo a recontagem dos votos em caso de dúvida, e isso porque não há a materialização do voto através de sua impressão, tal como ocorre em qualquer transação de cartão de crédito ou débito, ou num caixa eletrônico, sendo que no caso do voto a impressão não fica com o eleitor, mas é depositado numa urna à parte, seguindo certos critérios que respeitem o sigilo do voto. A seguir a sinopse desse importante documentário.

Foram constatadas fraudes nas eleições presidenciais norte-americanas em 2000 e 2004, amplamente divulgadas por todas as mídias internacionais. Hacking Democracy, documentário produzido por Simon Ardizzone, Robert Carrillo Cohen e Russell Michaels, lançado pela HBO.

Filmado durante três anos documenta as anomalias e irregularidades com os sistemas “e-voting” (voto eletrônico) que ocorreram durante os anos acima mencionados nas eleições americanas, especialmente no condado de Volusia, Florida. O documentário investiga possíveis violações à integridade das máquinas da empresa Diebold usadas nas votações. Além de muitos outros incidentes como a curiosa interrupção de uma eleição transmitida ao vivo na Flórida.

Via Rapidshare, clique AQUI.

Via Torrent, clique AQUI.

Ajuda para download, AQUI.

obs: o Torrent está lento para baixar por enquanto pois tem poucos "seeds".


Sobre as ciências do destino

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Há duas perguntas fundamentais que as ciências do destino buscam responder a nível individual:


O que queremos da vida?


O que a vida quer de nós?


A 1ª parte da pessoa para a totalidade e a 2ª da totalidade para a pessoa.


É preciso um acordo entre o que queremos e o que a vida quer de nós.


Sem esse acordo, sem essa harmonia entre nós e a vida surgem os conflitos.


Todos os conflitos, todas as dores, todos os sofrimentos surgem por não estarmos conscientes da necessidade desse acordo, dessa harmonia, desse Tao.


Minha vontade individual deve estar alinhada com a vontade da vida, pois eu mesmo sou parte da teia da Vida.


Por isso é que se diz no Pai-Nosso:


Seja feita a vossa vontade.


Há uma vontade que emana da Divindade.


Cada um de nós é uma parte da Divindade. Não estamos separados da Divindade. O ego é a ilusão da separatividade. O amor é a consciência da unidade. A concepção da Divindade como algo separado de nós é uma concepção egóica do divino. A concepção da Divindade como algo que é Um com nós mesmos é correta, só pode ser, pois não pode haver separação em Deus.


Portanto, somos uma parte da vontade da Divindade.


A nossa vontade, portanto, deveria ser a vontade da Divindade.


Mas um atributo da vontade é fazer suas próprias escolhas.


As escolhas que fazemos que nos levam muitas vezes a conflitar com a vontade da Divindade e nos fazem sofrer. As escolhas alinhadas com a vontade da Divindade nos fazem felizes, nos dão prazer que gera mais prazer, que conduz ao êxtase. Com isso aprendemos. Aprendemos sobre nós mesmos e aprendemos sobre a Divindade em nós. A vontade divina não é, nem pode ser uma imposição, é uma descoberta da consciência.


O objetivo das ciências do destino é alinhar nossa vontade individual com a nossa vontade divinal. Disso resulta felicidade. Da falta de alinhamento resulta dor, sofrimento, doença, dissonância.


Toda dor, todo sofrimento, toda miséria, toda doença é um sintoma da falta de alinhamento com a Divindade. A Divindade está dentro de nós, assim como está fora de nós. Ela é tudo e nós somos Ela. Ela não é um ente separado, mandão e autoritário. Ela é unidade de perfeito amor, poder e sabedoria.


Ela, a Divindade, nos dá constantes sinais do caminho a seguir, o caminho de sua vontade que é a nossa vontade verdadeira. Basta segui-lo. Nada mais é preciso fazer do que uma aceitação inteligente de nosso próprio destino. Destino é a vontade divina.


Fazer a nossa vontade a despeito da vontade divina gera carma.


Darma é o alinhamento da vontade.


A ciência do destino é a ciência da vontade divina. Mas é preciso saber interpretar os sinais, as pistas, as dicas da Divindade. É preciso desenvolver a atenção. Seguir não é seguir regras, dogmas, leis, igrejas, instituições, gurus, mestres, sacerdotes, normas e mandamentos. Seguir é seguir os rastros vivos que a Divindade nos dá a todo o momento.


A felicidade é a consciência de nós como parte de um vasto Todo onde agimos na perfeita harmonia.


Tudo o que precisamos já está dentre de nós. Em nosso corpo. Nosso corpo é o templo perfeito do Espírito. Dele flui poder, abundância, delícia, consciência e percepção una. Dessa percepção unificada brota a consciência do destino através da voz do silêncio, a voz da própria Divindade em nós. Pela meditação cultivamos esse canal de comunicação. Podemos usar outras técnicas espirituais de comunicação, perfeitamente válidas, tais como a observação do mundo ao nosso redor, a Cartomancia, o Tarot e a Numerologia. Todas variantes da ciência do destino. Mas a base da ciência do destino é essa capacidade de silêncio interior que permite uma interpretação sem interferências do mental egóico.


Há dois fundamentos para o silêncio interior: o treino do corpo mental e o treino do corpo físico. Uma mente capaz de intensa concentração e foco mais um corpo musculoso e flexível são as colunas do nosso templo interior onde no silêncio arde a chama misteriosa de nosso fogo sexual, a serpente Kundalini.


Dela emana a voz do silêncio, a Sacerdotisa do Pai, a Amante da Divindade em nós. Ela é a mestra suprema da ciência do destino, a raiz do conhecimento, a gnose viva em nós.


Ela está em nós, em nosso corpo. Assim nós também estamos no mundo. Assim a Divindade insere-se no mundo, na matéria, em nosso corpo mesmo, na substância.


Obviamente isso parece heresia, em outras épocas seríamos julgados, condenados e queimados como hereges se escrevêssemos que a Divindade habita em nosso corpo, em nossa carne, em nosso sangue, em nosso sêmen, em nosso sexo. Ainda hoje os homens não estão preparados para entender isso, para entender todo o potencial criador que há na substância do corpo. Para entender que o corpo é um templo do Altíssimo.


Hoje não somos mais hereges ao falar isso, talvez o rótulo seja outro. Mas que importa? Importa é que um estigma cultural e psíquico foi criado, uma trauma foi gerado na alma do mundo com relação ao humano como expressão do divino e isso está indicado simbolicamente na crucificação do iniciado gnóstico Jeshua Ben Pandira.


Os sacerdotes institucionais sempre matam o mestre porque não querem perder o controle do rebanho. E o mestre sempre vem para fazer o rebanho rebelar-se e descobrir que a divindade está em cada um de nós. Não precisamos de intermediários institucionais. O intermediário entre nós e o Pai, é o Filho que está presente em nossa carne e que é gerado nela pela Divina Mãe do Mundo, a serpente Kundalini.


Dentro do homem, em sua estrutura, está o Pai, o Filho e a Mãe Divina. O triãngulo divino e criador manifestado em nosso corpo dos elementos.


No mais íntimo de nós o que a vida quer é tornar-se vida plenamente consciente, consciente da própria divindade que há em cada um.


Esse é o acordo supremo da vida com a própria vida, com nós mesmos.


FACS

As Religiões Esquecidas: a religião Maia

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Maias, por Alexandre Navarro

Download do livro
"As Religiões que o mundo esqueceu" AQUI.


Quando os espanhóis chegaram à América, encontraram uma religião que sobrevivia há 3500 anos. A religião maia é dividida em três grandes períodos, cada um deles com suas peculiaridades. A era Clássica, por exemplo, foi marcada pela escrita e por suas grandes pirâmides. Há elementos comuns a todas elas, como o culto à serpente, princípio de unidade do cosmos maia. Ela representa o céu, a terra, a fertilidade e encarna o princípio de unidade do mundo. Aparece como uma corda ou laço que simboliza a união entre o homem e a natureza.

A região em que se desenvolveu a civilização maia corresponde ao que é hoje a península do Iucatã, no México, englobando os atuais estados de Campeche, Tabasco, Chiapas, Iucatã e Quintana Roo; as terras baixas e altas da Guatemala; Belize; e a porção ocidental de Honduras e El Salvador, reunindo territórios que pertencem à área denominada Meso-américa. A história dessa civilização pode ser dividida em três períodos principais: Pré-Clássico (800 a.C.-300 d.C.), Clássico (300-900 d.C.), Pós-Clássico (900-1520 d.C.). Cada período possui um contexto cultural próprio, ainda que alguns conceitos de cosmovisão e o modo de construir as cidades continuem respeitando os traços gerais dessa civilização. Para facilitar a maneira de apresentar a informação deste capítulo, a religião maia será discutida de acordo com esses três períodos culturais principais. E como seria impossível falar de todos os aspectos da religião maia, destaco os principais conceitos conhecidos e trabalhados na literatura especializada.

Religião: o que entendemos

Como mencionado na introdução desta obra, falar de religião é um assunto bastante complexo em qualquer sociedade, já que corresponde a um conjunto de práticas sociais específicas e arraigadas à cultura de um determinado grupo humano ao longo de sua existência. Assim, a religião pode ser definida como um conjunto específico de crenças em um ou mais poderes divinos ou sobre-humanos com o objetivo de render culto ao Criador ou ao regente do universo.

Para entendermos a religião maia, concebemos a religião como:

— Uma função da cultura que está conectada e integrada com as demais fun­ções da mesma cultura;

— Um complexo de noções sociais com regras conectadas a um sistema cultu­ral ao qual pertence o homem e o mundo em que vive. Demanda a crença em um ou mais seres superiores, e a presença de seus poderes influencia aqueles que crêem em sua existência;

— Um conjunto de crenças em que a influência religiosa é expressa em no­ções, sentimentos, disposições e comportamentos dos crentes. Nesse sentido, os rituais e os cultos são ações coletivas ou individuais que se referem aos seres divinos e legitimam a religião;

- Uma ação social em que o comportamento religioso é a manifestação dos propósitos culturais resgatados como significado e ajustados à estrutura re­ligiosa por um grupo de pessoas que crêem na propagação da crença e em seus fundamentos. Logo, a ação religiosa é uma ação simbólica.

A perspectiva adotada aqui é antropológica e visa a entender os quatro aspectos mencionados.

O Pré-Clássico

Esse é o período de formação da civilização maia. Durante essa época, há in­dícios de herança de conceitos religiosos daquela que é considerada a primeira ci­vilização da Meso-américa: a olmeca. Traços da iconografia olmeca são encontrados em sítios arqueológicos do litoral do Pacífico e das Terras Altas maias, como Abaj Takalik, Kaminlajuyú e Izapa.

Pela sua extensão, organização espacial e iconografia, o centro de Izapa é o principal sítio do Pré-Clássico para o entendimento da religião maia durante esse período. A iconografia de Izapa é uma complexa união entre as formas naturais e as simbólicas que expressam uma estruturada concepção religiosa de mundo, que gira em torno de certos conceitos relacionados com as formas realistas de alguns animais, como o jaguar, o crocodilo, as aves, o peixe e a serpente. Os maias encontraram nas qualidades naturais e sobrenaturais desses animais uma explicação de mundo em que a relação entre o homem e a natureza foi essencial para a existência da vida.

Assim, a principal forma animal aparece de maneira fantástica. Trata-se da com­binação de vários desses animais, ao que se tem designado o nome de dragão. A idéia central da concepção religiosa dos maias desse período foi expressa como a regeneração da natureza, que figura como a essência que fundamenta o dinamismo do mundo e fornece a vida ao homem, na expressão de um ser dragoniano (em forma de dragão).

As estelas são monumentos verticais de pedra onde eram registradas as inscri­ções maias ou simplesmente a figura do rei. Outras culturas do mundo antigo tam­bém possuíram estelas, e são monumentos comemorativos associados a algum tipo de escrita. Nas esteias de Izapa encontram-se desenhos lineares superiores e infe­riores que provavelmente representam as bocas de um ou mais seres felino-serpentinos, em cenas associadas a seres humanos em episódios míticos, sobretudo sobre a criação do mundo. Essas cenas simbolizam o céu e a terra, dois lugares importantes na religião maia, na qual deuses e homens aparecem agindo nesses dois espaços.

A serpente ocupa um lugar preponderante na concepção religiosa de Izapa, e é o principal componente da esfera dragoniana. O mais freqüente é que se repre­sente somente a cabeça do animal. Às vezes, as serpentes aparecem voando ou com plumas. A serpente emplumada, um importante elemento da religião maia, apare­ce já no Pré-Clássico. Por exemplo, na estela 10 de Kaminaljuyú e na estela 1 de Chocola, as serpentes aparecem com cabeças de aves e plumas nos corpos.

Desse modo, considera-se que a serpente é o princípio de unidade do cosmos maia e que mantém esse status até o período de contato com os espanhóis. A ser­pente representa o céu, a terra, a fertilidade e encarna o princípio de unidade de mundo. Geralmente aparece como uma corda ou laço que simboliza a união entre o homem e a natureza. Por exemplo, nas estelas 22 e 67 de Izapa esculpiu-se uma figura humana sentada em uma canoa que está sobre a água que se une ao céu por meio de serpentes com formas de corda.

A forma mais complexa da religião maia durante o Pré-Clássico aparece na es­tela 25 de Izapa, onde se nota na parte inferior da escultura um crocodilo com uma concha ao redor de seu nariz. A parte posterior de seu corpo levanta-se para se con­verter em uma árvore (princípio da vida), sobre a qual pousa uma ave. Na parte su­perior da estela existe a imagem de um homem de pé olhando para cima e susten­tando uma haste sobre a qual pousa um pássaro mascarado. Rodeando o corpo do crocodilo existe uma serpente realista, cujo corpo também enlaça a haste, passando pela mão da figura humana e levantando-se em direção ao pássaro com máscara.

A serpente, desse modo, aparece como a união da água terrestre (crocodilo-concha), da vegetação (crocodilo-árvore) e do céu (ave mascarada) com o homem, que estabelece a unidade que dá essência ao funcionamento da vida e da natureza a que pertence e em cujo centro se localiza ao agarrar o corpo da serpente e a haste.

A época Clássica

O Clássico é o período de esplendor da civilização maia. É a época em que os centros alcançam seu apogeu quanto ao urbanismo e à organização espacial, destacando-se as construções monumentais, formadas principalmente pelas pirâ­mides, que chegaram a medir mais de 60 metros de altura. Além disso, o cresci­mento populacional caracteriza essa época, em que cidades como Tikal, na atual Guatemala, e Calakmul, no México, chegaram a ter mais de 60 mil habitantes. Durante o Clássico também surge o sistema de escrita, o aperfeiçoamento do ca­lendário e a Contagem de Tempo Longo, e incrementam-se o comércio de longa distância e as guerras.

A religião maia do Clássico, continua a desenvolver os elementos religiosos do Pré-Clássico, como o motivo serpentino e dragoniano. No entanto, novos princí­pios religiosos ganham maior destaque. Sabe-se que a religião maia está associada com a concepção de tempo cíclico, que possivelmente originou-se durante o Pré-Clássico. Os maias outorgaram uma grande importância aos augúrios e às profecias, já que acreditavam que certos períodos do seu calendário tinham um caráter fasto ou nefasto. Assim, o universo era representado verticalmente e dividido em três níveis e horizontalmente repartido em quatro direções cardeais, a que se deveria agregar uma quinta direção, o centro. Cada uma dessas direções estava associada com uma cor, uma árvore e uma ave e certos seres sobrenaturais, que podiam ser espíritos, heróis míticos ou deuses, que geralmente assumiam quatro aspectos, um por cada direção cardeal, e eram representados como seres híbridos com atributos de diversos animais.

Os edifícios teratomorfos (em forma de monstro) foram muito utilizados nessa época. Esses templos, que também podem ser interpretados como covas artificiais, têm a entrada em forma de boca aberta de algum réptil, geralmente serpente, que, como se disse antes, é um animal associado à terra e à fertilidade.

Esse tipo de tem­plo aparece de maneira mais recorrente no Iucatã, em sítios como Xpuhil e Becán, em uma área geográfica conhecida como rio Bec. Esses edifícios também possuem a fachada totalmente decorada com motivos serpentinos e geralmente descansam sobre uma plataforma, que pode ser ou não elevada. Esses monstros estão associados ao culto dos antepassados e ao princípio de criação do universo.

Talvez a principal manifestação religiosa durante o Clássico se dê na forma de uma pirâmide. Geralmente a pirâmide é escalonada e possui uma estrutura na parte superior a qual se chega por uma escadaria. Essa estrutura tem uma entrada prin­cipal e uma fachada decorada que versam sobre diversos temas relacionando o go­vernante que a construiu com sucessos míticos, como a criação do universo e dos homens. Em sua parte superior existe uma decoração em pedra, o que se conhece como crestería (qualquer tipo de ornamentação construída no topo ou cume dos edifícios), em que geralmente se encontra a representação do governante sentado em um trono. Nessas pirâmides podem existir a escrita e iconografia destacando diversos temas míticos ou reais, como as guerras entre diferentes centros urbanos.

Hoje se sabe que esses edifícios também estão relacionados ao governante e serviram de tumba após a sua morte, sendo por isso considerados templos dinásticos pelos arqueólogos. Sendo assim, esses edifícios são importantes fontes de estudo para compreender as concepções religiosas que envolviam a elite maia. Por exemplo, em Palenque, a tumba do rei Pacal encontra-se dentro da Pirâmide das Inscrições e uma escadaria interior conduz à cripta do templo. O templo possui cinco entradas, e em uma delas aparece modelada em estuque a imagem de um rei de pé com uma criança nos braços, em que uma das pernas da criança é em realidade uma serpente.

Esse rei é Chan Bahlum, herdeiro direto e sucessor do soberano enterrado na pirâmide. O sarcófago do rei Pacal continha os restos mortais do soberano, além de uma rica coleção de jóias de jade, símbolo da vida e renascimento, formada por máscaras, diademas, brincos, colares, peitorais, pulseiras e anéis. A iconografia do sarcófago retrata Pacal e seus ancestrais relacionados com a "árvore cósmica", sím­bolo da criação do mundo. O programa iconográfico da tumba versa sobre a morte do rei e a promessa de renovação da vida, em que o soberano é a representação das divindades na Terra e do eixo da cadeia dinástica como a metáfora da criação do universo.

A manifestação religiosa maia também pode ser evidenciada pela maneira como o espaço foi organizado dentro dos centros urbanos. Como em toda sociedade que desenvolveu a arquitetura monumental, as construções obedeciam a esquemas cognitivos específicos que respondiam às práticas religiosas. Por exemplo, em Tikal existem conjuntos arquitetônicos em forma de cruz orientados segundo os pontos cardeais que foram construídos para comemorar o fim de um período Katún. Esse período corresponde a vinte anos do calendário cristão e está associado à edificação de novos edifícios como metáfora da renovação da vida e do universo.

Os maias acreditavam que ao se aproximar o fim de um Katún, desgraças natu­rais e sociais podiam assolar a vida em sociedade. A construção de novos edifícios batizados com seus rituais salvaria as pessoas de catástrofes. Em Tikal, esse grupo de templos é conhecido como Grupos de Pirâmides Gêmeas. Cada conjunto inclui quatro edifícios dispostos em torno de uma praça mais ou menos retangular, com as construções orientadas em função dos quatro pontos cardeais. As pirâmides gê­meas, colocadas num eixo leste-oeste, são semelhantes em seu plano e dimensões. Ambas são radiais, ou seja, possuem escadarias nos quatro lados. Cada escadaria tem 365 degraus, que correspondem ao número de dias do calendário solar. Ao sul da praça se ergue um edifício retangular e alongado, cujas nove portas dão acesso, nesse caso, a um só recinto. Essas portas simbolizariam os Nove Senhores da Noite, divindades do infra-mundo maia ou Xibalbá, um lugar onde os deuses foram criados e criaram o mundo. Por fim, no lado norte da praça existe uma pequena estrutura com porta abobadada que contém a estela 22. Essa estela mostra o rei Chitam le­vando a cabo um dos ritos para celebrar o fim de um Katún. Com a mão direita o rei espalha as gotas de sangue resultantes do auto-sacrifício de seu pênis. Na outra mão leva um cetro e uma sacola de incenso está pendurada em sua munheca. Em cima de seu toucado, ricamente ornamentado, está um ancestral. Nas costas, o rei leva um cosmograma do universo, prolongado por seu calção.

O jogo de pelota ou de bola (de borracha ou hule, em espanhol) foi uma outra atividade religiosa importante no mundo maia. Hoje em dia discute-se se a quadra de jogo realmente foi utilizada para os jogos, já que suas dimensões em alguns sítios são muito pequenas ou excessivamente grandes para a realização de tal prática. Por exemplo, a maior quadra de jogo de pelota não somente da área maia, mas de toda a Meso-américa, está em Chichén Itzá. Tem 168 metros de comprimento por 70 de largura. A iconografia do jogo mostra duas equipes que se enfrentam. Os jogadores são representados com uma indumentária elaborada: grandes penachos, roupas de algodão possivelmente para proteger o corpo, cintu­rão de pedra para o movimento da bola chamado yugo e um machado (hacha) que parece ter tido função ritual.

A interpretação mais aceita é que as quadras de jogo de bola são a metáfora do processo de criação dos homens e do universo pelos deuses. Em Chichén Itzá, por exemplo, parece que a quadra de jogo de bola serviu para rituais que envolviam a entronização de reis. As pinturas encontradas nas paredes internas de dois edifícios mostram os reis deixando o trono a seus sucessores em rituais que aconteceram na quadra de jogo. Dadas suas associações com renovação e criação, parece plausível que os reis utilizassem esses lugares como lugares de culto.

Assim, um outro aspecto importante da religião maia é sua associação com a transição de poder. Em vários sítios como Yaxchilán, Palenque e Tikal, nota-se que o rei, ao deixar o poder, realiza rituais com o seu sucessor. Esses rituais tinham como objetivo fazer com que o cosmos seguisse regendo a natureza e a vida dos homens no planeta. O novo rei, ao participar desses rituais, garantia de maneira efetiva o funcionamento do universo. O ritual é identificado quando o antigo rei oferece ao seu sucessor um bastão (cetro-maniqui), que é o símbolo máximo de poder na área maia.

Um dos principais elementos da religião maia antiga era o sacrifício, realizado com animais e seres humanos. O primeiro tipo não era muito comum, mas animais com certas partes incompletas do corpo foram encontrados em algumas sepulturas maias. A principal maneira de sacrificar o animal era através da decapitação. Por exemplo, em uma tumba de Toniná, sul do México, foram encontrados restos de três crianças do sexo masculino, os esqueletos de um jaguar e de um falcão, e dois crânios de codornas.

Já o sacrifício humano era mais recorrente. No entanto, existe a discussão para saber exatamente em quais ocasiões era realizado, com que freqüência e em que quantidade. A iconografia dos sítios mostra que muitos dos sacrificados eram cati­vos de guerra. A idéia do sacrifício provém, basicamente, da crença de que o san­gue era primordial para o funcionamento do universo, já que um dos elementos para a criação do universo é justamente esse líquido vital. Era dever do homem, por conseguinte, manter essa ordem cósmica. Homens e meninos eram sacrifica­dos, mas não se encontrou ainda evidência de que as mulheres também fossem. Essas crianças podiam ser mortas por decapitação ou pela extração do coração. Muitas escavações evidenciaram os esqueletos decapitados e seus respectivos crâ­nios. Por exemplo, na pintura mural de Chichén Itzá encontra-se a representação de um sacrificador que submete a sua vítima agarrando-a pelos cabelos e a degola com um machado de obsidiana.

Da mesma maneira, o auto-sacrifício também foi uma prática religiosa muito importante entre os maias. Há evidências de que essa prática ritual tinha os mes­mos fundamentos do sacrifício humano, mas a diferença está em que somente era realizada pelos reis em rituais muito mais específicos. O sangue, valioso líquido, podia ser obtido de várias partes do corpo e gerava graus variáveis de dor. Talvez a cena mais notável desse ritual provenha do dintel 24 (verga superior da porta ou da janela, que assenta sobre as ombreiras) do edifício 23 do sítio de Yaxcbilán, em que uma soberana ajoelhada diante do rei passa por sua língua uma corda eriçada de espinhos. Uma das extremidades da corda descansa em uma cesta que contém tiras de papel manchadas de sangue. As inscrições do monumento corroboram a cena: narra-se um ritual de auto-sacrifício envolvendo um rei e sua esposa.

As sepulturas também são importantes fontes de estudo para se conhecer na religião maia o tema da morte. As diversas maneiras de sepultar, que vão desde a inumação direta na terra até a tumba abobadada, correspondem a diversos níveis sociais. Por exemplo, vejamos como estava organizada a sepultura 10 de Tikal, de­dicada a um rei que governou o centro urbano. A tumba data do Clássico inicial, segundo indica a idade da cerâmica. Está ocupada pelo esqueleto — coberto de hematitas — de um homem de idade avançada, deitado de costas e com a cabeça orientada para o norte (esse ponto cardinal está associado ao poder real na área maia). Ao seu redor, e também debaixo dele, foram colocados os restos de oito meninos entre 8 e 14 anos, sacrificados para a ocasião. Sobre o corpo do ancião foram postas várias conchas de espôndilo, além de contas e orejeras de jade (adornos de orelha que cobrem todo o lóbulo inferior). Seu penacho constava de conchas e portava uma máscara composta de um mosaico de diversos materiais. Sobre sua perna direita foi depositado um espelho de pirita em cima de um disco de arenito. Debaixo de sua mão direita havia uma cauda de arraia e uma conta. Na altura da pélvis, encontraram-se mais oito caudas de arraias. Perto de seu esqueleto foram achados ainda cinco tartarugas e um crocodilo, todos decapitados, noventa ossos de aves (principalmente corujas), trinta vasilhas de cerâmica, treze conchas de água doce e objetos de madeira. Ao preencher a fossa, colocou-se uma grande quanti­dade de sílex (quase 10 mil), distribuída em diferentes níveis. Esse é somente um caso de sepultura de um rei maia; muitas outras, ricamente ornamentadas, também foram encontradas pelos arqueólogos.

Quanto ao sistema religioso em si, não há evidências de uma religião monoteísta na área maia. Os maias cultuavam vários deuses e realizavam diferentes rituais para cada um deles. No entanto, durante o Clássico terminal (cerca de 800 a 1050 d.C.), os maias teriam passado a cultuar algumas divindades de maneira especial.

É o caso de Itzamná, Chaac e Kukulcán. Essa última divindade, que apa­rece representada na iconografia na forma de uma serpente emplumada, adqui­riu uma grande importância no sítio arqueológico de Chi. Temos que sublinhar, no entanto, que esse processo é fruto de uma cosmovisão que se construiu ao longo de séculos, e foi uma opção às mudanças sociais por que passam todas as civilizações. Se os maias caminhavam para o monoteísmo também é um assunto discutido na literatura.

Um importante aspecto da religião no norte da península de Iucatã durante o Clássico terminal é a gruta de Balankanché, situada a 20 quilômetros de Chichén Itzá. Trata-se de uma cova de mais de 1.000 metros de longitude onde foram de­positadas centenas de incensários com a forma do deus Chaac ou Tláloc, com o objetivo da celebração de cultos destinados a fomentar a chuva, muito escassa nessa região. Esses incensários têm forma cilíndrica e representam a cabeça do dito deus, caracterizado por seus grandes olhos circulares e bigodeira com algumas presas.

O Pós-Clássico

O período Pós-Clássico maia foi considerado, durante muito tempo, uma época de declínio da civilização já que a escrita e o sistema de contagem de tempo quase não foram registrados, a população decresceu e os centros urbanos já não possuíam a complexa organização espacial de antes. No entanto, hoje os arqueólogos sabem que o Pós-Clássico é resultado de uma série de ações sociais, positivas e negativas, pelas quais passaram os maias, assim como outras civilizações mundialmente conhecidas.

O culto oficial já não se encontrava nas mãos de uma autoridade máxima e so­berana como no Clássico, e sim dividido entre as principais linhagens. Cada centro urbano, cada linhagem e cada família tinham uma ou várias divindades tutelares. A descentralização política que caracteriza esse período contribuiu para a proliferação de ídolos e deuses de diferentes origens.

A principal fonte de estudos da religião maia para esse período consiste nos códices, livros dobrados em forma de biombo confeccionados em papel amate da espécie Fícus ou então de pele de veado. Sabe-se que os maias escreveram vários deles, mas durante o processo de conquista os espanhóis os queimaram como tá­tica de conversão dos indígenas ao cristianismo. Sobraram somente três deles, que atualmente se encontram nas cidades em que foram achados: Códice de Dresden (Alemanha), Códice de Paris (França) e Códice de Madri (Espanha).

Esses documentos eram almanaques adivinhatórios. Foram escritos pelos sacer­dotes e versavam sobre vários eventos astronômicos, como as revoluções sinódicas de Marte e Vênus, associados com a prática de rituais. Esse último planeta foi muito importante na cosmovisão maia, já que estava associado a rituais realizados para a vitória nas guerras. Acredita-se que os maias combatiam em determinados mo­mentos para que Vênus garantisse o sucesso do embate.

Esses almanaques pictográficos contêm pinturas com muitas cores diferentes e representam vários deuses menores cultuados durante o Pós-Clássico. Esses deuses têm o corpo antropomorfo, aparecem de maneira repetida nos códices, têm traços físicos bem definidos e uma indumentária específica. Para muitos estudiosos dos códices, a principal divindade representada é Itzamná, deus da criação, responsável por todas as formas de vida. Essa divindade aparece com vários nomes e formas nos códices: Itzamná Kauil (Colheita Abundante), Itzamná T'ul (Coelho, aspecto malig­no do céu que obstaculiza as chuvas), Itzamná K'inich Ahau (Senhor com Rosto de Céu, ou seja, o Sol), Itzamná Kabul (Criador), Itzamná Cab Ain (Terra Crocodilo).

No entanto, a principal fonte de estudo da religião maia no Pós-Clássico são os livros escritos em língua maia com alfabeto espanhol, durante o processo de con­quista. Os mais conhecidos deles são os de Chilam Balam e Popol Vuh. O primeiro documento, originário do Iucatã, narra que os maias do Pós-Clássico acreditavam que o seu mundo atual havia sido sucedido por outros, e que cada criação foi precedida por uma destruição. Nesse livro se registra que o Ser Supremo ao criar o mundo colocou quatro seres, chamados bacabes, nas quatro esquinas do mundo, para que sustentassem o céu, evitando, desse modo, que ele caísse. Segundo o livro de Chilam Balam, a era anterior havia sido destruída por um dilúvio. Assim, os ba­cabes erigiram "Árvores de Abundância" nas quatro esquinas do universo para que absorvesse a água caso o mundo voltasse a ser destruído dessa maneira.

Já o Popol Vuh, proveniente da Guatemala, narra com detalhe a história da formação do universo. No princípio, eram apenas o céu e o mar. Então, os deu­ses criadores fazem surgir a terra mediante a palavra, e aparecem, desse modo, as montanhas e as planícies. Em seguida, os deuses criaram a vegetação e a fauna. Por último, decidem criar o homem, de terra e barro. Como se pode notar, ainda que esses livros conservem as tradições indígenas, muitos elementos ocidentais podem ser identificados neles, sobretudo no Popol Vuh, que guarda uma grande semelhan­ça com o livro do Gênesis da Bíblia. A religião maia ainda sobrevive em algumas comunidades do México.

Este capítulo teve como preocupação mostrar ao leitor como a religião vai se transformando dentro de uma cultura. Nesse sentido, a religião maia de hoje não é a mesma que a da época Clássica, do mesmo modo que os maias de hoje não são os mesmos de antes do período da conquista. A aculturação desses indígenas por parte dos espanhóis culminou no abandono de suas crenças e na adoção de novas. No en­tanto, alguns elementos da antiga religião ainda podem ser vistos nas comunidades maias contemporâneas como um culto paralelo ao oficial, que não chega a suplantá-lo.

O sincretismo entre o catolicismo e as crenças pré-hispânicas ainda é praticado pelos atuais maias. Por exemplo, em meus trabalhos de campo no sítio arqueológi­co de Chichén Itzá, ouvi, em diversas ocasiões, os anciãos dizerem que os homens foram criados pelo Deus Supremo, dentro de um contexto cristão, com osso moído e sangue, elementos da religião maia anterior à chegada dos espanhóis no México.

Desse modo, a religião maia não deve ser vista como um bloco monolítico, pois possui uma história e ações sociais próprias, com suas correspondentes transforma­ções e continuidades, que incumbe ao historiador das religiões ou ao arqueólogo considerar e explicar.

As fontes

Assim como a religião pode ser conceituada de várias maneiras, o fenômeno religioso também pode ser observado de vários modos. Neste capítulo, utilizamos Arqueologia, inscrições, imagens e relatos etnográficos como fontes.

A Arqueologia fornece elementos, a começar pela arquitetura maia. A religião está formalizada, ou seja, necessita de um espaço para manifestar-se. Assim, o tipo de culto definirá o tipo de espaço e a arquitetura a ser elaborados. A arquitetura pode expres­sar conceitos religiosos ou cosmológicos. No aspecto maia, essa vertente de estudo é bastante frutífera já que essa civilização se caracterizou pela construção de lugares destinados aos diferentes cultos realizados para os distintos deuses de seu panteão.

As oferendas mortuárias encontradas nos enterramentos humanos contribuem para o entendimento da religião das sociedades que utilizaram como prática ritual a colocação de artefatos nas tumbas de seus mortos. No caso maia, o melhor exem­plo são as estelas, monumentos verticais comemorativos que alcançam até os dez metros de altura e que geralmente representam os governantes divinizados com insígnias de poder religioso.


A escrita é uma importante fonte para entender a religião, já que as diferentes culturas costumaram registrá-la geralmente sobre a superfície de pedras ou em livros de papel ou pele de animal. A civilização maia foi a única do continente americano que desenvolveu um sistema de escrita completo, chegando ao grau de fonetismo absoluto em que as palavras escritas representam os diferentes sons que compreendiam seu registro escrito. As pinturas retratando personagens, animais, plantas e seres sobrenaturais são importantes fontes para a expressão religiosa em diferentes culturas no mundo, pois revelam seus princípios de cosmovisão e tipos de rituais realizados.

Por fim, há que mencionar os relatos etno-históricos. Os espanhóis tiveram o primeiro contato com os maias no começo do século XVI, durante o processo de colonização espanhola no México. Um dos aspectos mais severos dessa colonização foi a conversão dos indígenas ao catolicismo. Responsáveis pela aculturação indí­gena, os bispos espanhóis registraram os diferentes costumes dos maias em obras de grande importância para o entendimento da religião e sociedade maias durante o século XVI.

Primavera, Verão, Outono, Inverno....e Primavera!

Eis um dos mais belos filmes que já vi! Aliás, por três vezes! Tanto pela beleza, quanto pela história e a maneira como é contada.

Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera, nos revela o ciclo completo da Natureza que também ocorre em nós:

Infância, juventude, maturidade, velhice...e infância!?!

Sim, da perspectiva da Natureza, da qual somos parte, a vida se perpetua e se renova sempre, mas a folha que cai essa se integra aos processos de transformação da Natureza.

O todo permanece enquanto as partes vêm e vão.

Qual o nosso papel nesse ciclo?

Será que a nossa sistemática destruição da Natureza é uma vingança inconsciente contra a nossa inevitável transformação? Afinal também seremos todos destruídos, mas é certo que reconstruídos seremos também. Não o mesmo, mas outro. Fazemos construções para durar e destruímos aquilo que nos mostra que nada permanece porque não queremos olhar para o nosso próprio fim? Fim?

Não sei, isso foi apenas um pensamento viajante, impermanente, que me passou enquanto escrevia esse post. Contudo, ainda é belo, tudo, cada momento, e por mais sofrido que seja, ainda assim quer ser vivido, mesmo que as vezes busquemos o alívio, o esquecimento e a compreensão. Mas não se deixem enganar por essas palavras, o filme é demais...

FACS

Download do filme, via Torrent, AQUI!

Dowload da legenda AQUI!

URGENTE: Pela Auditoria Independente nas urnas eletrônicas

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pessoal,

É muito importante assinar essa petição para termos uma democracia de verdade nesse nosso país. Todos nós já fomos vítimas, sem saber, do esquema de votação eletrônica que existe em nosso país. Descobri na própria carne em 2002 e 2006 a fraude por participar da campanha de um amigo candidato que foi fraudado, e que, apesar dos indícios todos, não tinhamos como provar cabalmente a fraude, simplesmente, porque o voto virtual não permite nem auditoria, nem recontagem dos votos em caso de dúvida. Nosso processo até hoje está na Polícia Federal, sem um desfecho satisfatório porque a verdade ou a mentira sobre o que ocorreu (e ocorre) durante uma votação eletrônica não pode ser demonstrada. O processo todo carece de transparência.

A petição abaixo será encaminhada para a Presidência da República, pois a auditoria independente da urna eletrônica depende da sanção presidencial e homens como Eduardo Azeredo, Nelson Jobim e a elite jurídica do TSE fazem lobby contra essa auditoria independente.

FACS

Excelentíssimo Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Solicita-se que o ARTIGO 5º da Minirreforma Eleitoral, que introduz a AUDITORIA INDEPENDENTE DO SOFTWARE nas urnas eletrônicas brasileiras, seja sancionado na integra SEM VETO TOTAL OU PARCIAL.

O Brasil já foi pioneiro em tecnologia eleitoral mas, passados 13 anos da chegada das urnas eletrônicas, estamos ficando para trás.

Nossas urnas eletrônicas foram rejeitadas por mais de 50 países que vieram conhecê-las porque não permite ao eleitor comum e nem aos candidatos poderem conferir a apuração dos votos de uma forma simples.

O Art. 5º da minirreforma eleitoral alinha o Brasil com todos os demais países que estão modernizando suas eleições com a adoção do conceito de AUDITORIA INDEPENDENTE DO SOFTWARE das urnas eletrônicas por meio da recontagem do VOTO IMPRESSO CONFERIDO PELO ELEITOR em 2% delas.

Nenhum país mais aceita máquinas eletrônicas de votar sem materialização do voto e sem auditoria independente.

O voto impresso tem sido usado em eleições por todo o mundo sem maiores problemas desde 2004. A tecnologia de impressão evoluiu e está consistente. A impressão de documentos é largamente usada 24 horas por dia sem restrições nos caixas eletrônicos.

Os recursos de segurança atuais nas urnas eletrônicas, como assinaturas digitais e registros digital do voto, são TOTALMENTE DEPENDENTES DO PRÓPRIO SOFTWARE DA URNA e não defendem o eleitor de um ataque interno que o adultere.

Assim, para que o cidadão comum tenha uma forma de controlar o destino do seu voto, pede-se que o Artigo 5º da Minirreforma Eleitoral seja sancionado na integra SEM VETO TOTAL OU PARCIAL.


Os signatários

O paraíso da canção

Ahngar era um extraordinário forjador de espadas que vivia em um dos remotos vales orientais do Afeganistão. Em tempos de paz construía arados de aço, fazia ferraduras e, sobretudo, cantava.


As pessoas dos vales escutavam com deleite as canções de Ahangar, a quem se conhece com diferentes nomes nas diversas partes da Ásia Central. Vinham escutar suas canções desde as selvas de nogueiras gigantes, desde a nevada Hindu-Kush, desde Qataghan e Badakshan, desde Khanabad e Kunar, desde Herat e Paghman.


Sobretudo vinham a escutar as canções das canções, que era a canção de Anahgar sobre o Vale do Paraíso. Esta canção era muito popular e tinha uma estranha cadência, e, sobretudo, contava uma estranha estória sobre uma terra incrível chamada o Vale do Paraíso. Muitas vezes pediam que cantasse quando não ele não estava disposto. As vezes lhe perguntavam se o Vale era autenticamente real, e Ahangar apenas podia responder:


“O Vale da Canção é tão real como pode ser essa mesma realidade.”


“Porém, como o sabes?”, perguntavam-lhe, “estivestes lá alguma vez?”


“Não de uma forma comum”, respondia Ahangar.


Para Ahangar e para quase todas as pessoas que o escutavam, o Vale da Canção era, sem dúvida, real, tão real como possa ser essa realidade cotidiana.


Aisha, uma donzela do vilarejo pela qual estava apaixonado, duvidava que existia tal lugar. Também o duvidava Hasan, um fanfarrão e temível espachin que havia juradocasar-se com Aisha e que não perdia ocasião para rir-se do ferreiro.


Um dia, quando os aldeões estavam sentados em silêncio ao redor de Ahangar, que acabava de contar-lhes um conto, Hasan disse:


“Se cres que esse vale é tão real e está, como disses, mais além daquelas montanhas de Sangan onde levanta-se a neblina azul, porque não vais ao seu encontro?”


“Não seria adequado, isso é a única coisa da qual tenho certeza”, respondeu Ahangar.


“Você não sabe o que é conveniente saber e não sabes o que não queres saber!”, gritou Hasan.


“Agora, amigo meu, te proponho uma prova. Tu amas a Aisha, porém ela não confia em ti. Não tem fé nesse absurdo Vale teu. Nunca poderás te casar com ela, porque quando não há confiança entre marido e mulher, estes não são felizes e sucede toda a sorte de desgraças.”


“Esperar então que eu vá até o Vale?”, perguntou Ahangar.


“Sim”, responderam em uníssono Hasan e todos os presentes.


“Se vou e regresso são e salvo, aceitará Aisha casar-se comigo?”, perguntou Ahangra.


“Sim”, murmurou Aisha.


Assim que Ahangar, tendo recolhido algumas amoras, passas secas e um pedaço de pão, partiu na direção das montanhas.


Subiu e subiu até até que chegou a um paredão que rodeava toda a cordilheira. Depois de haver escalado suas escarpadas encostas, encontrou outro muro, ainda mais escarpado que o primeiro. Depois desse um terceiro, logo um quarto e finalmente um quinto muro.


Ao baixar pela outra ladeira, Ahangar descobriu que estava em um vale surpreendemente parecido ao seu. As pessoas se aproximaram para desejar-lhes boas-vindas e quando os viu, deu-se conta que havia ocorrido algo muito estranho. Meses depois, Ahangar, o ferreiro, caminhando com um ancião, chegou mancando ao seu local de origem e dirigiu-se a sua humilde cabana. Como espalhou-se pelo campo a notícia de seu regresso, as pessoas reuniram-se em frente a sua cabana para ouvir sobre suas aventuras.


Hasan, o espadachin, falando em nome de todos, chamou Ahangar à janela.


Todos ficaram boquiabertos quando viram o velho que havia retornado.


“Bom, Mestre Ahangar, conseguistes chegar ao Vale do Paraíso?”


“Cheguei.”


“E como é?”


Ahangar buscando as palavras, olhou para as pessoas reunidas com um cansanço e um desespero que jamais havia sentido antes. Por fim disse:


“Escalei e escalei. Quando parecia que já não podia mais haver vida humana em lugar tão desolado, e depois de muitas dificuldades e desilusões, cheguei a um vale. Era um vale exatamente igual a este em que vivemos e logo encontrei-me com seus habitantes. Aquelas pessoas não são pessoas como nós: são as mesmas pessoas. Para cada Hasan, casa Aisha, cada Ahangar, para cada um dos que aqui estamos, existe outra exatamente igual naquele vale.


“Eles são cópias e reflexos de nós. Porém ocorre que somos nós os que somos suas cópias e reflexos, nós que estamos aqui somos seus duplos.”


Todos pensaram que Ahangar havia enlouquecido por causa de suas privações, e Aisha casou-se com Hasan, o espadachim. Ahangar envelheceu rapidamente e morreu. E todo o mundo, todos os que haviam escutado a estória dos lábios de Ahangar, primeiro perderam a alegria de viver, depois envelheceram e morreram, porque sentindo que algo irremediável ia acontecer e sobre o qual não tinham controle, perderam o interesse na vida cotidiana.


Apenas uma vez a cada mil anos, uma pessoa conhece esse segredo. Quando o conhecem experimentam uma mudança. Quando contam aos outros a pura realidade, estes se debilitam e morrem.


As pessoas pensam que um sucesso assim é uma catástrofe, e por isso não devem saber nada sobre ele, já que não podem entender (tal é a natureza de sua vida ordinária) que possuem mais de uma personalidade, mais de uma esperança, mas de uma oportunidade...para além, no Paraíso da Canção de Ahangar, o magnífico ferreiro.


obs: a imagem é de Ricardo Santos, eis o seu blog: http://ricardo-santos-ilustracoes.blogspot.com/

Ciência Exata e Matemágica

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Uma afirmação aparentemente correta referente as ciências divinatórias como o Tarot, a Numerologia e a Cartomancia em geral é a de que elas não são ciências exatas, tais como a Matemática, portanto não são algo que possamos nos basear para tomar decisões.

Há alguns problemas nessa formulação que parece tão exata e precisa na sua conclusão.

A Matemática não é uma ciência exata, precisa, como se diz. Peguemos a teoria dos conjuntos. Começa que é uma teoria, e como teoria é uma aproximação da realidade, e sendo uma aproximação não pode ser exata. Agora peguemos o conceito de número real e perguntemos:

- Quantos números reais há de zero a um?

- Dentro do conceito de número real há infinitos números de 0 a 1.

- Não há uma quantidade precisa, exata, nesse caso.

Boa parte das formulações matemáticas são formulações abstratas da mente. Tal como o conceito de infinito.

Hoje a Física Moderna se depara com conceitos e formulações que também não são exatos, nem precisos. Exemplo: o princípio de incerteza de Heisenberg.

Se não há certeza nem na Matemática nem na Física Moderna não se pode esperar uma certeza absoluta, precisa e exata de uma ciência humana tal como são o Tarot, a Numerologia e a Cartomancia, que contudo espantam todos os praticantes com sua capacidade de precisão em função das diversas variáveis que afetam a vida de uma pessoa.

A nossa busca por certezas num universo de incertezas pode refletir apenas o nosso medo de deparar-se com algumas verdades básicas sobre nós mesmos.

A religião não é mais um amortecedor para o nosso medo diante do Infinito.

A ciência, com toda a sua lógica também, não. A lógica parece fazer para algumas pessoas o mesmo efeito da religião: a tentativa de aplacar a nossa ansiedade e medo pela razão.

Aí surgem ciências estranhas e mágicas como o Tarot, a Numerologia, a Astrologia, a Cartomancia que desafiam a nossa religião e a nossa lógica, pelo simples fato de produzirem resultados e previsões que são precisos. E, contudo, nem sempre, porque se partirmos da idéia fundamental do princípio de Heisenberg de que a medição da posição de uma partícula influencia o seu posicionamento, podemos dizer também que a efetiva conscientização de nosso destino pode efetivamente alterá-lo. E isso é muito bom, afinal não somos máquinas, apenas humanos, como disse um dos agentes no filme Matrix.

E indo além do campo da previsão tais ciências estranhas e mágicas adentram na esfera da alma, do auto-conhecimento, podendo revelar verdades psíquicas que revelam mais do que a mera lógica convencional poderia fazê-lo.

Se olharmos para os nossos sonhos não perceberemos ali nem lógica e nem precisão, e contudo ali estão mensagens cifradas de nós mesmos, verdades escondidas de nós mesmos, que apesar de toda a nossa lógica e religião estarão sempre a nos desafiar, sempre a nos surpreender com o mistério que há em nós.

A linguagem dos sonhos, que é a linguagem de nossa alma, se aproxima muito mais do Tarot e de outras ciências mágicas do que da Física ou da Matemática, que funcionam muito bem num certo nível.

Podemos dizer que essas ciências mágicas são técnicas de comunicação com a nossa alma, métodos de construção de significados, sistemas de investigação da alma, tal como a Psicologia e a Psicanálise.

Qual a medida de nossa alma?

Essa é uma pergunta para tais ciências, tão estranhas. E elas o são porque muito de nós é estranho para nós mesmos.

Nós, humanos, somos definitivamente inexatos, imprevisíveis, imprecisos.

Nós somos "matemágicos".

Tarot, Numerologia e Cartomancia são "matemágicas" ciências do destino.

A Matemática e outras ciências exatas são ótimas para construir pontes para carros mas quem constrói as pontes para as almas que somos?

Tirar a sorte parece ser algo regido pelo acaso apenas porque não compreendemos um princípio fundamental dos Antigos, e que hoje a Física Moderna, começa a perceber: tudo está conectado por sutis fios de energia que vibram incessantemente. Em Física elaboraram uma teoria para isto: a teoria das super-cordas.

Assim até mesmo coisas e seres estão interligados e fazem parte da Vida. Assim a consciência pode influenciar as coisas, e as coisas podem ter a sua própria consciência, e coisa e consciência no mundo da energia são apenas distinções ilusórias.

Assim a sorte de uma pessoa pode ser vista através da "coisas". Sorte = destino, nesse sentido.

Mas a sorte pode ser expressa num outro sentido quando tomamos consciência de nosso próprio destino. Então a sorte não é mais mero destino, pura fatalidade, torna-se um poder, um poder dado pela consciência. A isso os xamãs definem como poder pessoal.

Partindo desse raciocínio pode ser dito o seguinte.

A sorte é dada pela consciência do destino.

Quando estamos conscientes de nosso destino podemos nos preparar melhor para as oportunidades que o destino oferece.

A consciência do destino pode ser dada pelo auto-conhecimento e pelas técnicas de auto-conhecimento.

A combinação entre preparação e oportunidade define a sorte (no sentido de poder pessoal).

Assim sorte pode ser definida como a consciência do destino.

Não é mais uma loteria onde a probabilidade matemática, como uma prostituta da ciência, segue os interesses da banca para enganar o milhões que jogam com o acaso.

FACS

O deus dos filósofos

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Se deus existe não há o que discutir. Se não existe, também não. Na dúvida, a discussão. E na morte, a conclusão. Do soberano mistério.

FACS

Documentário: A vida de Buda

domingo, 20 de setembro de 2009

Um dos pontos mais interessantes desse documentário para mim é o fato revelado pelo mito de que ninguém escapa ao seu destino. Sem ser fatalista, os antigos, através de seus mitos, dizem que todo o ser humano vem para esta vida com um roteiro a ser seguido, o desempenho que vamos ter como atores desse roteiro é a nossa margem de liberdade. É a existência desse "roteiro" uma das premissas explicativas das ciências divinatórias. Quando o príncipe Sidarta nasceu foi previsto que ele poderia ser o imperador do mundo ou um grande mestre espiritual. Seu pai fez de tudo para que a 1ª opção se realizasse, mas apesar de todo o seu esforço o filho se tornou aquilo mesmo que era: o Buda, o Desperto, o Iluminado.

A idéia de destino não é oposta a idéia de liberdade, uma necessária a outra, num processo dialético onde nós mortais nos movemos. Estar conscientes do destino é aumentar a nossa margem de liberdade, pela própria consciência.

Há uma idéia muito interessante expressa pelos xamãs toltecas e que diz o seguinte:

A única liberdade de um guerreiro é ser impecável.

Ser impecável é ser e dar o melhor de si mesmo. Assim eu só posso ser o melhor de mim. Isso é impecabilidade. A liberdade de ser quem sou e dentro dessa liberdade dar o melhor de mim mesmo.

É nesse sentido que o filósofo existencialista Sartre disse que estamos condenados a ser livres.

Quando tentamos ser algo diferente daquilo que nascemos para ser, sofremos, deixamos de seguir o caminho do coração, a exigência de nossa alma, o nosso desejo mais profundo.

Foi a resposta para a causa do sofrimento humano a questão fundamental que Buda nos respondeu, não como filósofo apenas, mas como homem sábio, pois "um homem só conhece quando ele próprio é esse conhecimento" - Gurdjieff.

FACS

Este documentário recria a vida de alguém que nunca quis ser venerado como um Deus, mas que mudou para sempre a história da humanidade em busca de paz e felicidade eterna. Quinhentos anos antes de Cristo um jovem príncipe deixou seu palácio e iniciou uma viagem pelo norte da Índia. Suas experiências definiram uma filosofia de vida que hoje tem mais de 400 milhões de praticantes. A filosofia Budista cresce dia após dia e mais pessoas, cada vez mais jovens, se interessam sobre os ensinamentos de Buda.

No início do século XIX, um grupo de arqueólogos e exploradores ocidentais encontrou em Lumbini, um pequeno povoado do Nepal, o lugar de nascimento de Buda, o que os permitiu descobrir alguns segredos de sua vida. Uma pesquisa profunda, com testemunhos de especialistas e as últimas descobertas arqueológicas.

Links Déia

PARTE 1 PARTE 2 PARTE 3 PARTE 4 PARTE 5 PARTE 6 PARTE 7 PARTE 8

obs: todas as partes devem ser baixadas uma a uma e descompactadas para o documentário poder ser visto. Recomendamos que usem para baixar um programa chamado USDownloader, basta consultar a nossa AJUDA.

Opção de download gentilmente indicada pelo navegante virtual Polo, via Torrent, AQUI!

Mistérios Circulares

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



A Bruxaria como práxis da Fenomenologia

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Interessante palestra sobre Fenomenologia, um sistema filosófico citado pelo nagual Carlos Castaneda quando definiu a Bruxaria (de Don Juan Matus) como a práxis da Fenomenologia.

"A Bruxaria é a práxis da Fenomenologia". A definição é do nagual, escritor e antropólogo Carlos Castaneda. Uma definição sofisticada para um homem sofisticado, formado no mundo acadêmico da UCLA, que tinha na biblioteca da Universidade um dos seus "locais de poder", e ao mesmo tempo um participante do sistema de cognição dos xamãs do México Antigo.

Eis aí um homem que reivindicou os valores da cultura moderna e da cultura ancestral: um mago, um xamã.

Para os leitores, praticantes e amantes da obra de Carlos Castaneda conceitos tais como "intento", "percepção", "consciência", "a realidade como uma interpretação" (ou seja, a relatividade do conhecimento ligada ao próprio sujeito ou a noção kantiana de "fenômeno"), "o caminho do conhecimento", "o homem de conhecimento" são conceitos que foram usados por Carlos Castaneda para entender e explicar sua interação fenomenológica com o mundo dos xamãs do México Antigo.

Dentro da Fenomenologia, o silêncio interior dos xamãs pode ser compreendido como uma depuração da percepção, para que se possa ver as coisas tais como elas são. Edmund Husserl, o pai da Fenomenologia chama isso de "voltar as coisas mesmas" ou "purificar a relação sujeito-objeto".

Mas o que é Fenomenologia? Dentro da Fenomenologia o que significa intenção, intencionalidade, fenômeno, consciência, sujeito, objeto?

Nos links abaixo temos uma palestra extremamente didática e interessante sobre Husserl e sua Fenomenologia, bem como sobre Sartre, um dos seus continuadores, que pode ser apreciado pelos guerreiros (as), que como guerreiros (as) também são filósofos.

O interessante é que a Fenomenologia de Husserl toca na questão da consciência de si, ou seja, a consciência como objeto de si mesma, aquilo que é um dos enigmas do caminho do guerreiro quando trata da Espreita e do enigma do Coração.

Essa concepção "essencialista" da consciência de si, do ser em si, é rechaçada por Sartre.

Ambos dizem algo interessante para nós que trilhamos esse caminho do guerreiro:

A consciência é uma intencionalidade que vai na direção das coisas (Husserl), é translúcida, é um simples movimento, um ato, um vazio, um vento que se lança livre na direção das coisas (Sartre).

Nós somos um movimento que nunca se completa (Sartre).

O primeiro preceito da regra é que tudo o que nos rodeia seja um mistério insondável .

O segundo preceito da regra é que devemos tratar de decifrar esses mistérios, porém sem ter a menor esperança de lográ-lo.

O terceiro preceito é que um guerreiro, consciente do insondável mistério que o rodeia e consciente de seu dever de tratar decifrá-lo, toma seu legítimo lugar entre os mistérios e ele mesmo se considera um deles . Por conseguinte, para um guerreiro o mistério do ser não tem fim, ainda que ser signifique ser uma pedra ou uma formiga ou si mesmo. Essa é a humildade do guerreiro. Um é igual a tudo - Carlos Castaneda.


Fernando Augusto