Você cria a sua realidade ou o 1º cerne abstrato: as manifestações do espírito

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Você cria a sua própria realidade e ao mesmo tempo é recriado por ela. Nesse pequeno discurso do físico Nassim Hareimein voltado para a sincronicidade, ele toca no conceito abordado em suas palestras sobre o Vácuo e sua estrutura. Nessa pequena fala ela comenta sobre o Vácuo como uma força inteligente e consciente. Isso vai parece o discurso de um "esquisotérico", mas não é. É preciso antes conhecer o trabalho deste físico já apresentado aqui em outros posts. O "mestre Google" também poderá orientá-los sobre o trabalho de Nassim. Para aqueles que se interessam pelo Caminho do Guerreiro, poderão notar uma relação entre o Vácuo e a idéia de Intento. Relações também pode ser percebidas com o conceito budista de Vazio ou Shunyata.



— A primeira história de feitiçaria que vou lhe contar é chamada “As manifestações do espírito” — começou Don Juan —, mas não deixe que o título o mistifique. As manifestações do espírito são apenas o primeiro cerne abstrato ao redor do qual a primeira história de feitiçaria está construída.

“Esse primeiro cerne abstrato é uma história em si mesma. A história diz que tempos atrás houve um homem, um homem comum sem quaisquer atributos especiais. Era, como todos os demais, um conduto para o espírito. E em virtude disso, como todos os demais, era parte do espírito, parte do abstrato. Mas não sabia disso. O mundo mantinha-o tão ocupado que ele real­mente não tinha o tempo nem a inclinação para examinar o as­sunto.

“O espírito tentou, sem sucesso, revelar sua conexão. Usando uma voz interior, o espírito revelou seus segredos, mas o homem era incapaz de compreender as revelações. Natural­mente, ouvia a voz interior, mas acreditava que fossem seus pró­prios sentimentos que estava sentindo e seus próprios pensamentos que estava pensando.

“O espírito, para sacudi-lo de sua modorra, deu-lhe três sinais, três manifestações sucessivas. O espírito cruzou fisica­mente o caminho do homem da maneira mais óbvia. Mas o ho­mem estava alheio a qualquer coisa a não ser a preocupação consigo mesmo.

Don Juan parou e olhou para mim, como fazia sempre que estava à espera de meus comentários e perguntas. Eu não tinha nada a dizer. Não compreendia o ponto que estava tentando demonstrar.

— Acabei de contar-lhe o primeiro cerne abstrato — con­tinuou. — A única outra coisa que poderia acrescentar é que por causa da absoluta relutância do homem em compreender, o espírito foi forçado a usar de artimanhas. E as artimanhas tornaram-se a essência do caminho dos feiticeiros. Mas isso é outra história.

Don Juan explicou que os feiticeiros compreendiam este cerne abstrato como uma planta dos acontecimentos, ou um padrão recorrente que aparecia todas as vezes em que o intento estivesse dando uma indicação de algo significativo. Cernes abs­tratos, assim, eram plantas de cadeias completas de eventos.

Assegurou-me que, por meios além da compreensão, cada detalhe de cada cerne abstrato recorria para cada aprendiz de nagual. Assegurou-me, mais, que havia ajudado o intento a envolver-me em todos os cernes abstratos da feitiçaria da mesma maneira como seu benfeitor, o nagual Julian, e todos os naguais antes dele haviam envolvido seus aprendizes. O processo pelo qual cada aprendiz de nagual encontrava os cernes abstratos criava uma série de histórias tecidas ao redor desses cernes abs­tratos, incorporando os detalhes particulares da personalidade de cada aprendiz e das circunstâncias.

Falou, por exemplo, que eu tinha minha própria história sobre as manifestações do espírito, ele tinha a dele, seu benfei­tor tinha suas próprias, assim como o nagual que o precedera, e assim por diante.

— Qual é a minha história sobre as manifestações do es­pírito? — perguntei, algo incrédulo.

— Se algum guerreiro está consciente de suas histórias, é você — replicou ele. — Afinal, você tem escrito a respeito de­las durante anos. Mas não percebeu os cernes abstratos por­que é um homem prático. Você faz tudo apenas com o propósito de aumentar sua praticabilidade. Embora tenha manipulado suas histórias à exaustão, não fazia idéia de que havia um cerne abstrato nelas. Tudo o que fiz lhe parece, portanto, como uma atividade prática freqüentemente extravagante: ensinar feitiçaria a um aprendiz relutante e, na maior parte do tempo, estúpido. Enquanto os vê nesses termos, os cernes abstratos irão escapar-lhe.

— Deve perdoar-me, Don Juan, mas suas afirmações são muito confusas. O que está dizendo?

— Estou tentando introduzir as histórias de feitiçaria como tema — replicou. — Nunca falei a você de modo especí­fico sobre esse tópico porque tradicionalmente é deixado oculto. É o último artifício do espírito. Disse que quando o aprendiz compreende os cernes abstratos é como colocar a pedra que en­cima e sela uma pirâmide.

Um comentário:

Daniel disse...

Oi pessoal, interessante entrevista com Nassin H., e curta também, hehehe. Li recentemente o livro Universo Holográfico, de Michael Talbot, que tem a ver com este tema. Repasso para os que tiverem interesse:

http://www.4shared.com/document/LdrIrsUI/Michael_Talbot_-_O_Universo_Ho.html?s=1

Abraço a todos!