Dogma

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Não há certezas, apenas aprendizado infinito - F.A.

11 comentários:

benjamin disse...

Tô vendo que é assim mesmo. Melhor se acostumar com a idéia (rs).

Fernando Augusto disse...

É por isso que um palhaço não é tão engraçado quanto um pequeno tirano...risos.

benjamin disse...

Porque um pequeno tirano seria engraçado?

benjamin disse...

Fiz este comentário porque minhas certezas não estão durando muito. Estava muito incomodando com o fato, lí tua simples linha e achei engraçado.

Fernando Augusto disse...

Por causa de sua certeza. Mas é preciso ser um guerreiro para apreciar e extrair alegria de um pequeno tirano. Uma boa dica para entender a abordagem tolteca ou dos xamãs da linhagem do Carlos Castaneda é ler o capítulo sobre os pequenos tiranos que está no livro Fogo Interior. A leitura é muito gostosa! Se quiser posso indicar o link para download do livro.

Te amo, sou grato!

Fernnado Augusto

Fernando Augusto disse...

Dom Juan afirmou que seu benfeitor, ao explicar-lhe o que ele tinha que fazer para aproveitar-se do confronto com aquele ogro, também lhe disse o que os novos videntes consideravam ser os quatro passos no caminho do conhecimento. O primeiro passo ê a decisão de tornar-se aprendiz. Depois que os aprendizes mudam sua visão sobre si mesmos e sobre o mundo dão o segundo passo e tornam-se guerreiros, ou seja, seres capazes de extrema disciplina e autocontrole. O terceiro passo, depois de adquirirem paciência e senso de oportunidade, é tornar-se um homem de conhecimento. Quando homens de conhecimento aprendem a ver, dão o quarto passo, tornando-se videntes.

Seu benfeitor salientou o fato de que Dom Juan estivera no caminho do conhecimento o suficiente para adquirir um mínimo dos dois primeiros atributos: controle e disciplina. Dom Juan enfatizou que esses atributos referem-se a um estado interior. Um guerreiro é auto-orientado, não de um modo egoísta, mas no sentido de um exame total e contínuo de si mesmo.

— Naquele tempo, eu não possuía os outros dois atributos — continuou Dom Juan. — Paciência e oportunidade não são realmente um estado interior. Estão no domínio do homem de conhecimento. Meu benfeitor mostrou-os para mim através de sua estratégia.

— Isto significa que você não poderia ter enfrentado o pequeno tirano sozinho?

— Estou certo de que poderia tê-lo feito sozinho, embora tenha sempre duvidado de que me desempenhasse com elegância e alegria. Meu benfeitor estava simplesmente desfrutando do encontro ao dirigi-lo. A idéia de usar um pequeno tirano não serve apenas para aperfeiçoar o espírito do guerreiro, mas também para diversão e felicidade.

— Como pode alguém divertir-se com um monstro como o que você descreveu?

— Ele não era nada em comparação com os monstros de verdade com que os novos videntes se defrontaram durante a Conquista. E tudo indica que aqueles videntes divertiram-se tremendamente ao lidar com eles. Provaram que mesmo os piores tiranos podem trazer encanto, naturalmente desde que a pessoa seja um guerreiro.

http://www.4shared.com/file/4UtB1Ohn/07_-__O_Fogo_Interior__doc___r.html

benjamin disse...

Obrigado, Fernando. Vou dar uma boa estudada.

benjamin disse...

Aliás, tenho vontade de aprender esse caminho, a sério.

Aldo Luiz disse...

Esta é a única certeza! Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

benjamin disse...

Obrigado, adorei o texto, preciso disso. O que eu gostei mesmo foi de verificar o arranjo que a história de La Gorda causou em minha consciência, ri de minha própria vaidade enquanto sua inutilidade ia ficando óbvia. Olha, na verdade não quero parecer sábio. Quero aprender mais e, na falta de uma abordagem mais direta, acabo expondo o que penso pra ver se chamo novas luzes. Tão pouca gente consegue se articular com essas idéias e ao mesmo tempo são tão necessárias para todos! Esse texto do Castañeda tem mensagens excelentes sobre conduta para compreensão da realidade, mostra como inverter a lógica da opressão e tirar partido dela, ensina o valor da atenção sobre a realidade e do conhecimento empírico, muito superior às nossas melhores conjecturas e, neste sentido específico, tem muito à ver com exatamente aquilo que desejo aprender. Mostra ainda que é preciso uma disciplina específica, um método de atenção, coisa que também não possuo e estou atrás.
Não curti muito a parte da águia, ainda acho que tem coisa mal explicada aí, mas não quero com isso dizer que faço pouco caso da interpretação dos mestres toltecas. Na realidade, a gente só confia plenamente naquilo que aprendeu a verificar por si mesmo, mesmo que precise de alguma orientação, até chegar num determinado ponto de apreciação necessária. O que não tem ainda nenhum ponto de ligação com as próprias vivências, eu só posso deixar em aberto. Do contrário, a gente age embebido por crenças e projeções geralmente ilusórias, mesmo diante de um tema verdadeiro, aprecia-o de forma incorreta.
Espero não estar sendo o pequeno tirano de ninguém. Embora esse papel possa soar divertido (e é mesmo), não é bem o que estou pretendendo. Ao contrário, estou vendo muito sentido no que leio, por isso me sinto incentivado a comentar. A aparente convicção que expresso é na verdade vontade de participar de uma corrente de gente que se expressa e procura pensar por si mesma. Não existe brilho intelectual que dê conta da realidade, por isso não há como me encantar diante de minhas melhores conclusões. Consciência e capacidade de aplicá-la me parecem coisas bem distintas, uma vez que tenho uma boa dose de dificuldades neste sentido.
Percebi também que o silêncio de vocês diante das minhas melhores explanações agiram como um perfeito pequeno tirano. Fiquei pensando: ou estou dizendo muita besteira pra essa turma, ou pra eles esse saber já está superado. Isso me fez pensar e relativizar muita coisa, também me mostrou que preciso urgentemente de práticas de fixação e aplicação. Me lembrei de um dizer sufi: “não fique tagarelando diante do povo do caminho, antes consuma-se. Você terá uma religião invertida se estiver de cabeça para baixo em relação à realidade. O homem enrola a rede em torno de si mesmo; já um leão, despedaça a jaula”.
De todo modo, estar no Daime ensinou-me a suportar os trancos de perceber que as melhores verdades podem ser muito frágeis diante de certas circunstâncias, não tem essa de apego ao próprio saber de cego. As verdades têm níveis de compreensão e camadas, ninguém abarca tudo de uma vez, por mais que tenha experiências inequívocas com elas.
Você conhece algum centro capaz estruturado em solo brasileiro no sentido do ensino dessa prática e atenção a que se refere? Me interessaria muito conhecer também e, de alguma forma eficiente, participar. A única forma que tenho para tornar isso eficiente, de minha parte e à princípio, é a internet, além de muita vontade e interesse em aprender. Gostaria de poder contar com alguém aí me instruindo neste saber.
Não tem vontade de atenção nem bajulação por trás disso, também não quero dar trabalho, mas receber uns trabalhos e me aplicar neles.
No mais, agradeço pelo livro, estou gostando muito, também agradeço pela boa disposição.
Inté, Axé, tríplices fraternais abraços, Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

Fernando Augusto disse...

Benjamin,

quando estava no Rio de Janeiro fiz parte do Instituto Gurdjieff. Gurdjieff dava muito ênfase na disciplina da atenção, que ele chamava de observação de si. Alguns exercícios para prática no cotidiano e depois comentados dentro do grupo, certos movimentos e outras práticas do Instituto eram todas focadas nesse método de atenção. Mas isso foi enquanto estava lá. Aqui por Sanlô estou à deriva e nós fazemos o que é possível, apesar de nunca ser o suficiente, afinal, o sono, a preguiça, a mecanicidade é dominante. É uma luta sem fim em meio a risadas sobre nós mesmos.

A base da observação de si é uma honestidade implacável consigo mesmo.

Sobre esse tema, no marcador ESPREITA, existe algum material.

Recomendo o filme da juventude do Gurdjieff, Encontro com Homens Notáveis, creio que você apreciará alguma coisa caso não conheça.

Sorte!

Sinto muito, me perdoa, te amo, sou grato!

F.A.