Relato de um soldado

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Soldado. A palavra. Soldar. Ser unido pela força de uma solda. Perda da individualidade. Ou será da humanidade? Até que a ficha cai. E uma nova solda se faz, feita de consciência - F.A.

Um comentário:

benjamin disse...

Esse soldado é um herói, verdadeiro herói. Eu fico esperando o dia em que todo mundo vai ter a coragem que ele teve.Ele negou-se a fazer parte do esquema predador.

Todo raciocínio tem um pensamento, um sentido que lhe move. Mas às vezes, não se trata de pensamento movente: uma sensação mal definida, ou até mesmo mal percebida, mas latente, também basta para a elaboração de raciocínios, “certezas” e ações subseqüentes. Depende do quanto a gente olha para dentro e percebe o que está nos movendo, antes mesmo de elaborar raciocínios e partir para ações.
Quando era pequeno percebi, mas não entendi, qual era essa da realidade predatória. Percebía apenas que pessoas que pareciam sólidas e coerentes, pessoas que eram referenciais, não estavam livres de agir de forma desumana, infantil ou inconseqüente. Com o tempo, fui percebendo que a maioria das pessoas era assim mesmo e o próprio mundo humano se pautava por essa “regra”. Não vi felicidade nisso, nem proveito, nem destino que leve à algum lugar e me apartei, por dentro, do mundo das pessoas “sóbrias”, porque sua sobriedade era uma fantasia muito fácil de desmanchar, uma mentira que partia de dentro de suas mentes condicionadas e sobretudo acuadas. Medo é o que elas tinham e era ele que pautava a maior parte das resoluções.
Como cachorros, eram sóbrias até o momento de dividir o osso. Diante da necessidade de compartilhar, rosnavam, babavam e mostravam os dentes. Mas não era todo mundo assim. Uns poucos tinham prazer em dividir e compartilhar o pouco que têm, não só no campo do trabalho e conquistas materiais, mas também nas suas idéias, geralmente mais abertas e flexíveis. E por mais que tivessem razão em seus pensamentos, nem a isso eram apegados. Uma verdade maior era sempre bem vinda. Então percebi que essa gente dava um baile na realidade predatória, davam um FUCK YOU! pra ela e seguiam adiante. Gente colaborativa, gente que entende a relação entre as partes e o todo, onde nada é desimportante. A realidade que andava com essas pessoas minoritárias, era muito maior que a “realidade” que acompanhava a turma da predação consciente e inconsciente. Por isso não acredito que a realidade seja predatória. Se o é, é por distorção ou não compreensão das realidades últimas.
É como aquela bela metáfora do filme Avatar. Para os militares, o planeta florestal era pior que o inferno, porque para a mentalidade beligerante, que só enxerga ameaças e como derrotá-las, o planeta oferecia uma fauna poderosa e assustadora demais para não ser destruída ou subjugada. Para as pessoas adaptadas, contudo, a poderosa fauna e flora eram aliadas, grandes aliadas.
Seres humanos são mais parecidos entre si do que parece.Mas cada qual tem um raio, uma especialidade. Somados, esses raios nos iluminam a todos.