Sobre o Poder

sábado, 4 de setembro de 2010

A força que percorre o universo

Percorre o teu corpo.

Não pode ser diferente.

Teu corpo não é em verdade teu.

É o corpo do universo.

A manifestação do poder.

Perfeito, brilhante, pleno de saúde e luz.

A força do universo que percorre teu corpo

Te faz compreender que és um com a força

tornando-te então nenhum.

Sendo tudo não és nada.

No pináculo do poder desabrocha a flor sutil da humildade.

A plenitude que se manifesta em ti,

É apenas plenitude, presente em tudo, em todos.

Essa consciência da plenitude não pode ser contida em nenhuma palavra criada pelo homem: deus, amor, espírito, nada significam sem a consciência dessa força em si. É um imbecil aquele que olha o dedo que aponta para o céu sem olhar para o céu.

Assim não podes reverenciar ou adorar deus ou deuses, pois tal força está presente em ti, aqui e agora, não és algo distinto ou distante de tal poder. Reverencia o Poder em si através da impecabilidade.

Eu Sou. Tu És. Unos com o Poder. Sê consciente e isso é suficiente.

Se perguntam se acredito em deus digo que não, pois como posso acreditar se o vejo no sol brilhante, no céu azul, no vento suave, nas árvores frondosas, no mar revolto, nos pássaros e aves, na música vibrante, no belo sorriso da mulher amada, no olhar deslumbrado da criança, na força de vida que percorre meu corpo?

Acreditar em deuses ou deus é alienar-se da força em si para alimentar vampiros que manipulam as multidões para se fazerem o que não são.

Não preciso acreditar no que vejo e sinto presente e pulsante em tudo.

A crença é para cegos e insensíveis. A consciência dispensa a crença. A crença oblitera a mente e o coração.

Destrói a crença e deixa brilhar o sol da verdade em tua mente. Destrói toda forma de autopiedade. Destrói os ídolos, as religiões e as igrejas e bebe direto da água da vida. Já foi dito: Não há religião superior a verdade.

Silencia e procura sentir a força em si.

F.A.

Jesus disse: "Bendito o leão que for comido pelo homem, pois que o leão tornar se á homem; e maldito o homem que for comido pelo leão, pois que o leão tornar se á homem" - O Evangelho de Tomé.

8 comentários:

VIAJANTE CÓSMICA disse...

Lindo demais este post..gratidão profunda! me recordei de quando perguntaram ao OSHO se ele acreditava em Deus, e ele respondeu ''Eu não acredito. Eu o conheço.''

Mitakue oyasin!!

Shin Tau disse...

Olá Fernando

Queria dizer que achei o texto tão bom, tão profundo em conhecimento que o destaquei no Grimoire, pode ver aqui http://grimoiredomago.blogspot.com/2010/09/o-mes-de-agosto-nas-cartas-de-tarot.html

Foi a carta oculta do mês de Agosto...muito forte este texto! Obrigada!

Beijo

beijamim disse...

Achei bela tua concepção de divindade, porque é bem parecida com a que tenho: aprecio e constato a divindade pela complexidade e inteligência envolvida em tudo o que é manifesto. Compreendo também o teu não acreditar, porque não é necessário crer quando sabemos.
Mas crer em uma divindade por não poder apertar sua mão, também pode ser razoável, se há razão envolvida nessa apreciação que se converte em crença. Tudo depende do que somos capazes de fazer concretamente com nossas intuições, crenças e "verdades".
O mesmo digo da oração, que pode ser uma repetição exaustiva de palavras e culpas, ou uma afirmação verbal consciente das forças e razões que estão sendo evocadas.

beijamim disse...

Achei bela tua concepção de divindade, porque é bem parecida com a que tenho: aprecio e constato a divindade pela complexidade e inteligência envolvida em tudo o que é manifesto. Compreendo também o teu não acreditar, porque não é necessário crer quando sabemos.
Mas crer em uma divindade por não poder apertar sua mão, também pode ser razoável, se há razão envolvida nessa apreciação que se converte em crença. Tudo depende do que somos capazes de fazer concretamente com nossas intuições, crenças e "verdades".
O mesmo digo da oração, que pode ser uma repetição exaustiva de palavras e culpas, ou uma afirmação verbal consciente das forças e razões que estão sendo evocadas.

beijamim disse...

Fernando, tá difícil postar um comentário, a gente posta, algumas vezes vai, na maioria das vezes não, dando um certo trabalho pra se repetir e escrever a mensagem de novo e sem ter certeza se ela irá ou não. Se der para me liberar dessa prova de intenção, agradeço.
Estou tentando comentar que tua apreciação da divindade é parecida com a que tenho, percebo a divindade pela inteligência e complexidade funcional da criação. Mas ainda assim, nesta apreciação, há crença, porque a verdade absoluta do que seja o(a) Criador(a) só pode ser uma projeção, por mais que experimentemos na pele a experiência de contato com o todo.
Crença é inevitável, mesmo para quem "sabe". Sabe, mas até que ponto?
Então, importa mais as crenças razoáveis, baseadas na experiência, do que a crença cega, ligada mais às nossas necessidades do que com a realidade.
O mesmo deve valer para a prática da oração: posso rezar pra repetir palavras vazias e aumentar ou diminuir sensações de culpa, ou posso orar para afirmar e me conscientizar daquilo que estou evocando com a palavra.
O começo do teu texto, já me parece uma forma de oração.

Fernando Augusto disse...

Benjamin,

através da prática da meditação aliada ao processo de economia de energia percebi que o nosso corpo emana uma natural felicidade, e a medida que se pratica essa fonte inicial de felicidade vai adquirindo um caudal mais potente que desagua em diferentes formas de êxtase. Nesse estado físico-emocional-mental não há mais crença, há um sentir, que é um navegar pelo desconhecido de si, não se precisa crer em nada, mas é necessário um estado de profunda entrega. Essa entrega implica num abrir mão mesmo da crença, pois ela acaba por obliterar a experiência. Precisamos nos desapegar de crenças e projeções para adentrar ao mar do mistério que somos.

Grato por partilhar esse aflorar de nós mesmos.

F.A.

obs: expandi o tempo de moderação de comentários para posts com mais de 2 semanas ;-)

Fernando Augusto disse...

Benjamin,

A crença pode ser uma ponte útil, mas não podemos esquecer disso, senão ficamos no meio do caminho ou olhando para o dedo que aponta para a Lua. Adentrar ao silêncio interior, a matriz do conhecimento silencioso, como dizem os xamãs da linhagem do nagual Carlos, implica no abrir mão da crença e de qualquer conhecimento a priori.

Abraços,

F.A.

beijamim disse...

Entendi. Obrigado, Fernando. De fato, o que vale para uma etapa de compreensão, nem sempre é válido para e experiência em si. Como ainda encontro dificuldades em calar os movimentos internos e meditar profundamente, acabo de perceber que ando um tanto preso nas preliminares. Melhor saber como ir adiante do que patinar no já sabido. Ir adiante, no meu caso, é começar a frequentar os mundos internos. Para isso, saúde e equilíbrio corporal, consciência do que "está pegando" por dentro, além de meditação. Vamos ver se firmo isso. Novamente obrigado.