Cinismo, ironia e convicção em Filosofia

domingo, 7 de novembro de 2010

Conceitos como cinismo, ironia e convicção pensados como elementos centrais do pensamento pós-moderno (ou pós-ideológico) nos ajudam a esclarecer como hoje a alienação se disfarça, se esconde por trás de um discurso que tende a negar tudo sem nada propor - F.A.







É sempre bom aprendermos o exercício do verdadeiro pensar, do pensar claro, focado, concentrado, aquele pensar que é capaz de ir além das aparências do discurso e desmascarar o cinismo, tal como abordado por Safatle.

Deixo esta passagem para refletirmos na importância de cultivarmos a razão como uma das formas de acessar o conhecimento silencioso. Uma mente clara e bem assentada na razão nos abre a janela para a imensidão do conhecimento silencioso. Exercitar a razão é então uma forma de alcançar o silêncio da mente, mas é preciso não confundir o exercício da razão com o diálogo interior.

O conhecimento silencioso

Aqueles que estavam exatamente em seu pró¬prio ponto eram os verdadeiros líderes da humanidade. Na maior parte do tempo, pessoas desconhecidas cujo gênio era exercitar sua razão.

Ele afirmou que houve uma época em que a humanidade estivera no terceiro ponto, o qual, naturalmente, fora o primeiro ponto na época. Mas, depois disso, a humanidade moveu-se para o lugar da razão.

Quando o conhecimento silencioso era o primeiro ponto, a mesma condição prevalecia. Nem todos os pontos de agluti¬nação dos seres humanos também estavam exatamente naquela posição. Isso significava que os verdadeiros líderes da humanidade sempre foram aqueles poucos humanos cujos pontos de aglutinação estavam ou no ponto exato da razão ou no do co¬nhecimento silencioso. O resto da humanidade, disse o velho nagual a Don Juan, era meramente a audiência. Em nossa época, são os amantes da razão. No passado foram os amantes do conhecimento silencioso, que admiraram e cantaram odes aos heróis de qualquer das outras posições.

A humanidade, segundo o nagual, passou a parte mais longa de sua história na posição do conhecimento silencioso, e isso explicava nosso grande anseio por ele.

Don Juan perguntou ao velho nagual o que exatamente o nagual Julian estava fazendo com ele. Sua pergunta soou mais madura e inteligente do que ele era. O nagual Elias respondeu-a em termos ininteligíveis para Don Juan naquele tempo. Explicou que o nagual Julian estava treinando Don Juan, atraindo seu ponto de aglutinação para a posição da razão, de modo que pudesse ser um pensador antes do que apenas uma parte de uma audiência não sofisticada mas emocionalmente carregada, que amava os trabalhos ordenados da razão. Ao mesmo tempo, o nagual estava treinando Don Juan a ser um verdadeiro feiticeiro abstrato, em vez de ser meramente parte de uma audiência mórbida e ignorante dos amantes do desconhecido.

O nagual Elias assegurou a Don Juan que apenas um ser humano que fosse um modelo da razão podia mover seu ponto de aglutinação com facilidade e ser um modelo do conhecimento silencioso. Disse que apenas aqueles que estavam exatamente em qualquer das posições podiam ver a outra posição com clareza, e que esta foi a maneira pela qual a idade da razão veio a existir. A posição da razão era vista claramente da posição do conhecimento silencioso.

O velho nagual afirmou a Don Juan que a ponte de mão única do conhecimento silencioso para a razão era chamada “concernência”. Isto é, a concernência que os verdadeiros homens do conhecimento silencioso tinham acerca da fonte do que conheciam. E a outra ponte de mão única, da razão para o conhecimento silencioso, era chamada “entendimento puro”. Isto é, o reconhecimento que revelou ao homem da razão que a razão era apenas uma ilha num mar infinito de ilhas.

Acrescentou que um ser humano que tenha as duas pontes de mão única funcionando era um feiticeiro em contato direto com o espírito, a força vital que fazia ambas as posições possíveis.

Carlos Castaneda

2 comentários:

Rosane disse...

Boa noite F.A.
Carlos Castañeda,marcou minha geração com seus livros,jornadas espirituais,domínio de uma "realidade" além dos conceitos.Segundo Castañeda,a ordem operacional,SER um homem de conhecimento é questão de aprender,um aprendiz era escolhido por um poder impessoal.Um homem de conhecimento tinha clareza de espírito.Um homem de conhecimento era um guerreiro.O homem de conhecimento tinha de seguir o caminho do coração...

Meu coração está feliz...e minha alma está no
lugar certo...
Obrigada pela maravilhosa partilha.

Rosane Peon

Fernando Augusto disse...

Oi, Rosane!

Isso - a felicidade - não significa que o espírito bate no compasso do coração que se sabe no caminho?

Vos amo, sou grato!

F.A.