Para entender um pouco da guerra: China versus EUA

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É fato que estamos em guerra, em guerra cambial, e também é fato que as guerras militares assim começam, inicialmente no plano econômico, só que agora temos dois gigantes com seus arsenais nucleares. A guerra cambial é decorrência do dólar ter perdido completamente a referência como moeda de troca internacional, isso fica mais evidenciado pela bomba monetária de 600 bilhões de dólares que os EUA detonarão em breve no mercado, bomba que parece que vai explodir no colo do próprio Obama.

Seguem dois textos para entendermos um pouco as razões da guerra cambial entre China e EUA.

O ESQUEMA DOS PETRODOLARES - Por PC.

Algumas pessoas não compreendem a verdadeira razão da guerra do Iraque e a ameaça de guerra dos EUA ao Irã. Não são armas nucleares, não é terrorismo, não é por causa do petróleo.

Tem sim a ver com a proteção e manutenção do maior esquema da história moderna: o esquema de petrodólares americanos.

Em 1971, os EUA imprimiam e gastavam muito mais dinheiro do que aquele que podia ser coberto pelo ouro que possuíam ou produziam.

Uns anos mais tarde, a França exigiu a troca por ouro dos dólares americanos que tinha em estoque. Os EUA rejeitaram a exigência, já que de fato não tinham mais ouro para cobrir os dólares que tinham imprimido e usado para pagar bens para todo o mundo, cometendo assim um ato de bancarrota.

Por isso, os EUA foram ter com os sauditas e fizeram um acordo; a OPEP passaria a fazer todas as vendas de petróleo em dólares americanos.

A partir do acordo, qualquer nação que desejasse comprar petróleo, teria que ter em sua posse dólares americanos

Isso quer dizer que essas nações teriam que pagar com bens e serviços em troca dos dólares que os EUA se limitam a imprimir.

Os americanos mantiam assim, artificialmente, o valor comercial do dólar e compravam o petróleo literalmente de graça, ao imprimir esses dólares.

Um perfeito banquete grátis, para os americanos, às custas do resto do mundo.

No entanto, o esquema começou a ser exposto quando Saddan Hussein passou a vender petróleo do Iraque diretamente em euros e outras moedas, anulando o acordo confortável que os EUA tinham com a OPEP.

Sendo assim, Saddan tinha que ser detido.

Os EUA arrumaram um pretexto para invadir o Iraque e a primeira coisa que fizeram foi reverter a moeda da venda de petróleo para dólares americanos novamente.

A crise monetária estava temporariamente resolvida.

Mas Hugo Chaves começou também a vender petróleo venezuelano por outras moedas, além do dólar, por isso, houve vários atentados contra sua vida e tentativas de mudança de regime cujos rastros levam a CIA.

O gato dos petrodólares tinha fugido do saco.

O presidente do Irã, Ahmedinejav ao assistir isso, decidiu dar um pontapé no estômago do grande satã e fazer ainda pior: vender petróleo em todas as moedas, exceto dólares americanos.

O jogo do petróleo e da moeda americana está chegando ao fim, a medida que as nações do mundo estão podendo comprar petróleo com outras moedas ou com as suas próprias moedas; em vez de terem que usar dólares americanos, mais nações da OPEP irão abandonar o dólar.

A pior coisa para os americanos será que, eventualmente, terão também que comprar petróleo em euros ou outras moedas, em vez de imprimir simplesmente o dinheiro para obtê-lo.

Isso será o fim dos EUA como potência que conhecemos; o fim do fundo para o exército ianque andar ameaçando todo o mundo e a destruição da sua economia parasita.

A grande "teta" está chegando ao fim e não há muito que os EUA possam fazer acerca disso, exceto talvez, produzirem bens e não notas, mudando a sua economia ou dar inicio a uma nova forma mundial. Esperem e observem.

Países negociam fim do dólar para petróleo, diz jornal

DANIELA MILANESE - Agencia Estado - 06 de outubro de 2009 | 13h 46

O jornal britânico The Independent publicou hoje que países do Golfo Pérsico estão negociando com a China, a Rússia, o Japão e a França um novo formato para os contratos de petróleo. O objetivo seria abandonar o dólar e buscar acordos baseados em outras divisas. Em informações atribuídas a fontes, a publicação afirma que a opção pode ser por uma cesta de moedas, contendo iene, yuan, euro, ouro e uma divisa unificada de nações da região, incluindo Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuwait e Qatar - países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

"Encontros secretos têm sido realizados por ministros de finanças e presidentes de bancos centrais na Rússia, China, Japão e Brasil para trabalhar no esquema, o que significará que o petróleo não será mais precificado em dólar", diz a reportagem de capa do jornal, assinada por Robert Fisk, com a manchete "O fim do dólar".

"O Brasil tem mostrado interesse em colaborar com pagamentos por petróleo que não sejam em dólar, juntamente com a Índia", afirma. "Entretanto, a China parece ser a mais entusiasmada entre todas as potências financeiras envolvidas", diz o jornal, ao lembrar que o país importa 60% do petróleo que consome.

A transição levaria nove anos, com finalização prevista para 2018. A publicação refere-se ao assunto como "a mais profunda mudança financeira do Oriente Médio na história recente". Os planos foram confirmados ao The Independent por fontes de países do Golfo e da China e podem ajudar a explicar a disparada recente do preço do ouro, segundo o jornal.

"Esses planos mudarão a face das transações financeiras internacionais", disse um banqueiro da China. "Os Estados Unidos e o Reino Unido devem ficar muito preocupados. Você vai ver o quanto pelo estrondo de negativas que esta notícia vai gerar."

Os americanos estão cientes das negociações, apesar de não conhecerem os detalhes, e devem reagir. A publicação levanta a possibilidade de uma guerra econômica entre a China e os Estados Unidos em relação ao petróleo do Oriente Médio. Conforme o The Independent, foi o novo poder extraordinário da China e a raiva de países produtores e consumidores em relação à interferência norte-americana que estimularam as recentes negociações sobre uma nova forma de contrato para o petróleo.

Um comentário:

edélvio coêlho lindoso disse...

Como já previra o professor-doutor, judeu-americano, da JHU, com um livro recém lançado, sôbre o declínio econômico dos EUA, chegando seu desidério, em mais dez anos à frente. Considerou que o império romano durou mil anos, e o dos USA bordejará pelos cem anos, contando da grande depressão até 2020. A china falou que precisará de nove anos até cnegar à valorização de sua moeda, num perfeito encaixe para assumir o lugar de lider, na vaga do falecido.
Vamos esperar que essa seja de fato só uma guerra de moedas, e que na estrada em frente haja um largo tempo de paz, principalmente no OM.
O dia do muito é a véspera do nada.