T.A.P.

domingo, 28 de novembro de 2010

Quando eu trabalhei em locadora de vídeo constatei que os filmes que mais alugavam, e ainda deve ser assim, eram filmes de terror, ação e pornografia, exatamente nesta ordem, então entendo bem por que a mídia faz o mesmo, tal como agora com a questão da violência no Rio, veiculando o terror e a ação, com uma pornografia no conteúdo jornalístico carregado (porno significa prego grosso, pesado, como aquele visto nos portos, nos ancoradouros e que, figuradamente, se expressa na mão pesada do jornalista da mídia convencional), sem quase nunca se preocupar em encontrar as reais soluções: afinal as fortes cenas dão lucro, audiência e "distraem" o público com "fortes" emoções, instituindo a cultura do medo e suas consequências políticas, sociais e psicológicas. Como num filme pornô onde há muita ação mas nenhuma profundidade existencial, variações superficiais sobre um mesmo tema, vemos a mídia desfilar as cenas da violência no Rio, cenas que já ocorreram em Sampa faz 4 anos.

Uma pergunta:

Até que ponto esta situação não reflete o estado interno de violência e tensão de cada um de nós?

Aproveitar esse situação de crise para pensar a questão da segurança pública de uma forma mais abrangente, formulando um projeto de curto, médio e longo prazo que implique em políticas não apenas de segurança, mas também de saúde, educação, cultura, emprego, reforma agrária e urbana, reforma política não é o mais importante? A questão é mais ampla. Apenas combater o tráfico na ponta não é suficiente, é preciso ir na raiz do problema: a corrupção institucional. Quando se fala em crime organizado temos que ver que crime organizado não é apenas um grupo de homens semi-nus atravessando de um morro para outro, são grupos de homens engravatados atravessando de um governo para outro e mantendo intactas suas redes de tráfico de influência, são grupos encastelados nos três poderes da República e não apenas homens encastelados no alto do morros.

Sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou grato!

Fernando Augusto

4 comentários:

Cacau Gonçalves disse...

Até eu já estou cansada do que falo sobre isso, mas sempre tenho a impressão que vale a pena repetir: o que a população assiste na TV todos os dias é resultado de uma filtragem de informações, feita pelos poderosos donos da mídia corporativa.

Como jornalista, repito, há muitos anos: o dia tem 24 horas e para que ele se transforme em 1 hora de noticiário alguém tem que decidir o que fica e o que sai.Todos os dias pessoas nascem, pessoas morrem, acontecem crimes, acontecem coisas boas... Mas, por alguma "obscura" razão, somente algumas informações se transformam em notícia e vão para os jornais.

Fico impressionada como as pessoas não questionam isso... O fato de determinada morte ser mais importante que outra, de determinada decisão política ser mais importante que outra. A pergunta é: o que determinada informação tem de melhor que outra? Melhor pra quem, "cara pálida"? Quais os critérios de decisão?

Creio que se trabalhe no equilíbrio de duas frentes: a que amortece e a que fornece a adrenalina dentro de uma margem de segurança, ou seja, sentado no sofá da sala. O tédio tira as forças, o medo paralisa e o terror/ação/pornô dão a falsa impressão de que se vive intensamente diante da TV.

Alguém está constantemente dando linha e puxando as cordinhas dos bonecos-cidadãos, só falta se saber claramente quem faz isso... o porquê é fácil deduzir.

Aldo Luiz disse...

Há uma escancarada conspiração. Não é nova. Velhíssima, vem de muito antes do golpe de 1964 o recurso do "big stik" para não perder o controle sobre os senzalados. Graças a esta bendita internet a percepção da trama conspiratória é que é a novidade que os dominadores escravistas não suportam aceitar.

Os fatos belicosos são a colheita do fruto do mal que eles plantam e replantam há muitos 50 anos e culminou na ditadura de 1964. A deseducação e estupidificação das massas forjou este estado de desconstrução do afeto e da solidariedade impondo a competição fratricida pela sobrevivência do sistema escravista.

Tudo muito bem arquitetado e encoberto pela midiocracia da casa grande. "Low talk and a big stick!" ou problema / reação / solução. O Estado belicoso policialesco é o pano de fundo da falência desta "democracia" de faz de conta em que coonestamos com o nosso voto à verdadeira face, sempre escondida, da velhíssima nova ordem mundial. Religiosa e ecravagista, impõe com sua midiocracia, lobo em pele de cordeiro, e abençoada pelas inumanas exterminadoras forças do mal.
A desconconstrução dos humanos corações e mentes na estupidificação permanente das crianças e dos jovens é sempre seu alvo primordial. (...)
Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

Rosane Peon disse...

"A questão é mais ampla...Temos que combater a corrupção institucional"
Somos reféns,marionetes.A violencia não é só urbana é moral.
A criminalidade não será contida se o Estado e a
sociedade brasileira ficarem inerte.
Um passo foi dado,são necessários muitos outros.
Espero que o nosso País e em especial o Rio de Janeiro que tanto amamos restabeleça a ordem e a PAZ.
Sinto muito,me perdoa,te amo sou grata

Aldo Luiz disse...

Cara Rosane e amigos, permitam-me. Do meu ponto de vista a questão é bem mais simples. Desligue a TV DENTRO DE VOCÊ e "a casa deles" cai, pois não há nada lá fora.
A "casa grande", com seus INTOCÁVEIS banqueiros, ganha sempre, MILENARMENTE, de ambas as partes, da própria casa grande e das suas abjetas senzalas. Estão acima da lei, de qualquer uma lei que não lhes favoreça. Tudo muito bem arquitetado POR ELES e encoberto pela midiocracia de sua propriedade.
Muitos, certamente a grande maioria, continua resistindo bravamente ainda que, em grande parte sem saber (AINDA) exatamente o que se lhes acontece e prefira se anestesiar de todas as formas possíveis; isso, por ressonancia, pereniza A FORÇA QUE ELES NÃO TEM.
A casa grande e a senzala, nós é que as sustentamos 100% com nossa pouca fé ao não pedirmos nossa permanente limpeza sem expectativas DE TUDO O QUE NOS AFASTA DE NOSSA DESDE SEMPRE INFINITA DIVINA PERFEIÇÃO. NÃO HÁ O QUE COMBATER LÁ FORA. Não é muito fácil de entender, mas... É simples assim. Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.