O golpe do petróleo como combustível fóssil - 1ª parte

sábado, 31 de julho de 2010

Foi-nos sempre dito que o petróleo é um combustível fóssil, que surgiu há 500 milhões de anos, tendo por origem a decomposição de plantas e animais mortos. Restos de organismos teriam sido aprisionados no fundo dos oceanos numa camada de lama e cobertos por outras camadas de solo, formando ao longo do tempo o petróleo.

Foi-nos sempre dito que a energia do sol é captada pelos seres vivos e que podemos libertar novamente essa energia armazenada há centenas de milhões de anos através da combustão do petróleo.

É-nos dito que as reservas de combustíveis fósseis, especialmente o petróleo, duram, no máximo, até cerca de 2060.

Outro factor, para além da extinção das reservas petrolíferas, é o momento em que a produção de petróleo atinge o seu cume, começando então a decrescer. Este ponto máximo da extracção petrolífera é chamado de "Peak-Oil" [Pico Petrolífero]. Como é em função deste pico que varia a oferta e a procura, este pode ter um papel crucial nos preços do petróleo.

O ponto máximo da extracção petrolífera ou "Peak-Oil" é o instante em que a taxa de extracção petrolífera atinge o seu máximo absoluto em todas as bacias petrolíferas. Este momento é alcançado quando tenha sido extraído metade de todo o petróleo passível de ser explorado.

O Pico Petrolífero

É afirmado que o ponto de extracção máximo já foi alcançado no passado e que vamos de encontro a uma crise energética. A prova desta esta afirmação, dizem-nos, é o aumento contínuo da cotação do petróleo, de 25 dólares o barril em 2002 para 134 dólares em 6/6/2008 (este artigo foi escrito nesta data).

Por este motivo, dizem-nos que a esperada lacuna energética deve ser suprida através de menor consumo e pela procura de outras alternativas, tal como energias renováveis. Devemos abandonar o petróleo o mais rapidamente possível, pois ele irá acabar em breve.

É-nos afirmado que o petróleo se formou há centenas de milhões de anos, que existe em quantidade fixa, e que quando tivermos extraído a última gota, terá acabado para sempre a era do petróleo.

Mas o que é que aconteceria se toda esta história não tiver nenhum fundamento e tudo não passar de uma lenda? O que seria se o combustível petróleo não fosse de origem fóssil, não proviesse de organismos extintos, mas fosse de outra natureza? E se o petróleo, afinal, existe em abundância e continua a ser formado ininterruptamente pela Terra? E se não existir nenhuma crise energética e nenhum "Peak-Oil"?

O Pico Petrolífero está Aqui

A afirmação de que haveria um ponto máximo na extracção do petróleo foi divulgada em pânico, já em 1919, embora nesse tempo ainda não se chamasse "Peak-Oil" (este é somente um novo rótulo). Naquele tempo, foi afirmado pelos "especialistas" que o petróleo só chegaria para os próximos 20 anos. O que aconteceu na realidade? Desde então, a data do fim do petróleo foi sempre impelida para o futuro, e hoje, 90 anos depois, temos ainda petróleo, embora a extracção e o consumo tenham vindo a aumentar todos os anos.


O Petróleo Abiótico (não fóssil)

De onde veio, no fim de contas, a história de que o petróleo teria surgido de fósseis de organismos vivos e seria, portanto, biótico? O geólogo russo Mikhailo Lomonossov teve esta ideia pela primeira vez em 1757: "o petróleo surge de pequenos corpos de animais e plantas, enclausurados em sedimentos sob alta pressão e temperatura e transformam-se em petróleo após um período inimaginável". Não sabemos que observações o levaram a afirmar isso, simplesmente esta teoria nunca foi confirmada e é aceita sem provas há mais de 200 anos e ensinada nas universidades.

A teoria da origem do Petróleo como resultado da decomposição de restos de de plantas e animais

(clicar na imagem para ampliar)

Porém, nunca foram encontrados fósseis de animais ou plantas nas reservas de petróleo. Esta falta de provas mostra que a teoria do combustível fóssil é unicamente uma crença sem qualquer base científica. Os geólogos que espalham a teoria do combustível fóssil, não apresentaram ainda qualquer prova da transformação de organismos em petróleo.

Um dos elementos mais presentes sobre a Terra no nosso sistema solar é o carbono. Nós, seres humanos, somos formados em grande parte por carbono, assim como todos os outros seres vivos e plantas do planeta. E em pelo menos 10 planetas e luas de nosso sistema solar foram observadas grandes quantidades de hidrocarbonetos, a base para o petróleo.

A sonda espacial Cassini descobriu, ao passar próximo de Titan, a lua de Saturno, que ela está repleta de hidrocarbonetos líquidos. Mas não havendo lá vida para produzir os hidrocarbonetos, estes devem ser fruto de alguma outra transformação química. Devido à sua particular configuração atómica, o carbono possui a capacidade de formar moléculas complexas e apresenta, entre todos os elementos químicos, a maior complexidade de ligações químicas.

Daily Telegraph - Lagoas de hidrocarbonetos no planeta Titan

Aqui na Terra, as placas continentais flutuam sobre uma inimaginável quantidade de hidrocarbonetos. Nas profundezas do manto terrestre surgem, sob determinada temperatura, pressão e condições adequadas, grandes quantidades de hidrocarbonetos. A rocha calcária anorgânica é transformada num processo químico. Os hidrocarbonetos que daí resultam, são mais leves que as camadas de solo e rocha sedimentares, e por isso sobem pelas fendas da Terra e acumulam-se sob camadas impermeáveis da crosta terrestre.

O magma quente é o fornecedor de energia para este fenómeno geológico. O resultado dá pelo nome de petróleo abiótico, porque não surgiu a partir da decomposição de formas biológicas de vida, mas antes por um processo químico no interior da Terra. E este processo acontece ininterruptamente. O petróleo é produzido continuamente.


Eis alguns dos argumentos mais relevantes que comprovam que o petróleo é de origem abiótica (não fóssil):

- O petróleo é extraído de grandes profundidades, ultrapassando os 13 km. Isso contradiz totalmente a tese dos fósseis, pois os restos dos seres vivos marinhos nunca chegaram a tais profundidades e a temperatura (elevadíssima) teria destruído todo o material orgânico.

- As reservas de petróleo, que deveriam estar vazias desde os anos 70, voltam a encher-se novamente por si mesmas. O petróleo fóssil não pode explicar este fenómeno. Só pode ser explicado pela produção incessante de petróleo abiótico no interior da Terra.

- A quantidade de petróleo extraída nos últimos 100 anos supera a quantidade de petróleo que poderia ter sido formado através da biomassa. Nunca existiu material vegetal e animal suficiente para ser transformado em tanto petróleo. Somente um processo de fabricação de hidrocarbonetos no interior da Terra pode explicar esta quantidade gigantesca.

- Quando observamos as grandes reservas de petróleo no mundo é notório que elas surgem onde as placas tectónicas estão em contacto uma com as outras ou se deslocam. Nestas regiões existem inúmeras fendas, um indício de que o petróleo provém do interior da Terra e migra vagarosamente através das aberturas para a superfície.

Placas Tectónicas

- Em laboratório foram criadas condições semelhantes àquelas que predominam nas profundezas do planeta. Foi possível produzir metano, etano e propano. Estas experiências provam que os hidrocarbonetos podem formar-se no interior da Terra através de simples reacções anorgânicas – e não pela decomposição de organismos mortos, como é geralmente aceite.

- O petróleo não pode ter 500 milhões de anos e permanecer tão "fresco" no solo até hoje. As longas moléculas de carbono ter-se-iam decomposto. O petróleo que utilizamos é recente, caso contrário já se teria volatilizado há muito tempo. Isto contradiz o aparecimento do petróleo fóssil, mas comprova a teoria do petróleo abiótico.


Em 1970, os russos começaram a perfurar poços a grandes profundidades, ultrapassando os 13.000 metros. Desde então, as grandes petrolíferas russas, incluindo a Iukos, perfuraram mais de 310 poços e extraem de lá petróleo. No último ano, a Rússia ultrapassou a extracção do maior produtor mundial, a Arábia Saudita.

Os russos dominam a complexa técnica de perfuração profunda há mais de 30 anos e exploram inesgotáveis reservas de petróleo das profundezas na Terra. Este facto é ignorado pelo Ocidente. Os russos provaram ser totalmente falsa a explicação dos geólogos ocidentais de que o petróleo seria o fruto de material orgânico decomposto.

Nos anos 40 e 50, os especialistas russos descobriram, para sua surpresa, que as reservas petrolíferas se reenchiam por si próprias e por baixo. Chegaram à conclusão que o petróleo é produzido nas profundezas da Terra e emigra para cima, onde se acumula. Puderam comprovar isso através das perfurações profundas.

Entretanto, nos anos 90, a Rússia estava de tal modo à frente do Ocidente na tecnologia de perfuração profunda, que Wall Street e os bancos Rockfeller e Rothschild forneceram dinheiro a Michail Chodorkowski com a missão de comprar a empresa Iukos por 309 milhões de dólares, a fim de obter o know-how da perfuração a grande profundidade.

Michail Chodorkowski mandado prender por Putin

Pode-se agora perceber por que é que o presidente Wladimir Putin fez regressar a Iukos e outras petrolíferas novamente para mãos russas. Isso era decisivo economicamente para a Rússia, e Putin expulsou e prendeu alguns oligarcas russos.

Entretanto, os chamados "cientistas", os lobistas, os jornalistas a soldo e os políticos querem que acreditemos que o fim do petróleo está a chegar, porque supostamente a produção já atingiu o seu pico e agora está a decrescer. Naturalmente, a intenção é criar um clima que justifique o alto preço do petróleo e com isso obter lucros gigantescos.

Sabe-se agora que o petróleo pode ser explorado praticamente em toda a parte, desde que se esteja disposto a investir nos altos custos de uma perfuração profunda. Qualquer país se pode tornar independente em matéria de energia. Simplesmente, os donos das petrolíferas querem países dependentes e que paguem caro pelo petróleo importado.

A afirmação de que existe um máximo na extracção de petróleo é, de facto, um golpe e uma mentira da elite global. Trata-se de construir uma escassez e um encarecimento artificial. Tudo se resume a negócios, lucro, poder e controle.

Aliás, é absolutamente claro para todos que o Iraque foi invadido por causa do petróleo. Somente, não foi para extrair o petróleo, mas, pelo contrário, para evitar que o petróleo iraquiano inundasse o mercado e os preços caíssem. Antes da guerra, o Iraque extraía seis milhões de barris por dia, e hoje não chega a dois milhões. A diferença foi retirada do mercado. Saddam Hussein ameaçou extrair quantidades enormes de petróleo e inundar o mercado.

Tal significou a sua sentença de morte, e por esse motivo o Iraque foi atacado e Saddam enforcado. Agora os EUA têm lá tropas permanentemente. Ninguém tem licença para explorar o petróleo do país com a segunda maior reserva petrolífera do mundo. Por isso, o Irão, com a terceira maior reserva petrolífera do mundo, é agora também ameaçado por querer construir «armas de destruição massiva».

Soldado americano junto aos campos petrolíferos de Rumaylah no Iraque

fonte: http://citadino.blogspot.com/2009/10/o-petroleo-nao-e-de-origem-fossil.html

Agradecimentos à Célia, pela "pista".

Deus e o molde do homem no Fogo Interior

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dom Juan lembrou-me de que havia falado bastante sobre um dos aspectos mais inflexíveis de nosso inventário: nossa idéia de Deus. Esse aspecto, disse, é como uma cola poderosa que prende o ponto de aglutinação à sua posição original. Se eu pretendesse aglutinar outro mundo verdadeiro com outra grande faixa de emanações, tinha de dar um passo obrigatório a fim de afrouxar todos os laços do meu ponto de aglutinação.

— Esse passo é ver o molde do homem. Hoje você deve fazê-lo sem ajuda.

— O que é o molde do homem?

— Ajudei-o a vê-lo muitas vezes. Você sabe do que estou falando.

Evitei responder que não sabia do que ele estava falando. Se ele dizia que eu havia visto o molde do homem, devia ser verdade, embora eu não tivesse a menor idéia de como ele era.

Dom Juan sabia o que estava acontecendo em minha mente.

Dirigiu-me um sorriso compreensivo e lentamente balançou a cabeça de um lado para outro.

— O molde do homem é um imenso feixe de emanações na grande faixa da vida orgânica — disse. — É chamado de molde do homem porque esse feixe aparece apenas no interior do casulo do homem.

"O molde do homem é a porção das emanações da Águia que os videntes podem ver diretamente sem qualquer perigo para si mesmos."

Houve uma longa pausa antes que ele falasse novamente.

— Romper a barreira da percepção é a última tarefa do domínio da consciência. Para deslocar seu ponto de aglutinação a essa posição você precisa reunir energia suficiente. Faça uma viagem de recuperação.

Lembre-se do que fez!

Tentei sem sucesso lembrar o que era o molde do homem. Senti uma frustração excruciante que em breve se transformou em verdadeira raiva. Estava furioso comigo mesmo, com Dom Juan, com todos.

Dom Juan não se comoveu com minha fúria. Disse, despreocupadamente, que a zanga era uma reação natural à hesitação do ponto de aglutinação em deslocar-se quando comandado.

— Passará muito tempo antes que você possa aplicar o princípio de que sua ordem é a ordem da Águia — disse. — Essa é a essência do domínio da intenção. Enquanto isso dê agora a ordem de não se impacientar, nem mesmo nos piores momentos de dúvida. Será um processo lento até que essa ordem seja ouvida e obedecida como se fosse uma ordem da Águia.

Disse também que existia uma área incomensurável de consciência entre a posição costumeira do ponto de aglutinação e a posição onde não há mais dúvidas, que é quase o lugar onde a barreira da percepção aparece. Nessa área incomensurável, os guerreiros caem presa de todos os erros concebíveis. Preveniu-me para ficar atento e não perder a confiança, pois seria inevitavelmente atingido a qualquer momento por um opressivo sentimento de derrota.

— Os novos videntes recomendam um ato muito simples quando a impaciência, o desespero, a raiva ou a tristeza cruzam o seu caminho — continuou. — Recomendam que os guerreiros girem os olhos. Qualquer direção serve. Eu prefiro girar os meus na direção dos ponteiros do relógio.

"O movimento dos olhos faz o ponto de aglutinação deslocar-se por um momento. Nesse movimento, você encontrará alívio. Isso substitui o verdadeiro domínio da intenção."

Queixei-me de que não havia tempo suficiente para que me falasse mais sobre intenção.

— Isso tudo voltará a você algum dia — assegurou-me. — Uma coisa desencadeará a outra. Uma palavra-chave, e tudo sairá de você como se a porta de um depósito superabarrotado cedesse.

Voltou então a discutir o molde do homem. Disse que vê-lo sozinho, sem a ajuda de ninguém, era um passo importante, porque todos temos certas idéias que devem ser quebradas para que sejamos livres; o vidente que viaja para o desconhecido a fim de ver o incognoscível deve encontrar-se em um estado impecável de ser.

Piscou para mim e disse que encontrar-se em um estado impecável de ser é estar livre de suposições racionais e medos racionais. Acrescentou que tanto minhas suposições quanto meus medos estavam evitando naquele momento que eu realinhasse as emanações que me permitiriam lembrar o molde do homem. Exortou-me a relaxar e a mover meus olhos de modo a fazer meu ponto de aglutinação deslocar-se. Repetiu várias vezes que era realmente importante relembrar ter visto o molde do homem antes que eu o visse novamente, E como ele tinha pouco tempo, não havia espaço para a minha lentidão usual.

Movi meus olhos como ele sugeriu. Quase imediatamente, esqueci meu desconforto e então me veio um súbito clarão de memória: Lembrei-me que havia, visto o molde do homem. Isso acontecera anos antes, numa ocasião que tinha sido realmente memorável para mim, porque, do ponto de vista de minha formação católica, Dom Juan fizera as afirmações mais sacrílegas que eu jamais ouvira.

Tudo havia começado como uma conversa casual enquanto caminhávamos ao pé das montanhas do deserto de Sonora. Estava explicando-me as implicações do que me vinha fazendo com seus ensinamentos. Havíamos parado para descansar e nos sentamos sobre umas pedras grandes. Dom Juan continuou explicando seu procedimento de ensino, e isso encorajou-me a tentar, pela centésima vez, fazer-lhe um relato de como me sentia a respeito. Era evidente que ele não queria mais ouvir sobre isso. Fez-me mudar de nível de consciência e disse que, se eu desejasse ver o molde do homem, poderia compreender tudo o que estava fazendo e, dessa maneira, economizar anos de labuta para nós dois.

Proporcionou-me uma detalhada explicação do que era o molde do homem. Não falou em termos das emanações da Águia, mas em termos de um padrão de energia que serve para estampar as qualidades de humanidade em uma bolha amorfa de matéria biológica. Pelo menos compreendi dessa maneira, especialmente depois que, mais tarde, descreveu o molde do homem usando uma analogia mecânica. Disse que era como uma matriz gigantesca que imprime os seres humanos continuamente como se chegassem a ela pela correia transportadora de uma linha de produção em massa. Imitou vividamente o processo, juntando as palmas das mãos com grande força, como se a matriz estampasse um ser humano a cada vez que se juntavam as duas metades.

Disse também que cada espécie tem um molde próprio, e cada indivíduo de cada espécie moldada pelo processo mostra características particulares ao seu próprio tipo.

Começou então uma explicação extremamente perturbadora sobre o molde do homem. Disse que os antigos videntes, assim como os místicos de nosso mundo, têm uma coisa em comum — foram capazes de ver o molde do homem, mas não de compreender do que se trata. Os místicos, através dos séculos, proporcionaram-nos relatos comoventes de suas experiências. Mas esses relatos, embora belos, são prejudicados pelo grosseiro e desesperador engano de acreditarem que o molde do homem seja um criador onipotente e onisciente; e assim é a interpretação dos antigos videntes, que chamavam o molde dos seres humanos de espírito amigável, protetor do homem.

Disse que os novos videntes são os únicos que têm a sobriedade de ver o molde do homem e compreender o que é. O que chegaram a perceber é que ele não é um criador, mas o padrão de cada atributo humano sobre o qual podemos pensar e de alguns que não podemos sequer conceber. O molde é nosso Deus porque somos aquilo com que nos estampa, e não porque nos criou do nada e nos fez à sua imagem e semelhança. Dom Juan disse que, em sua opinião, cair de joelhos na presença do molde do homem cheira à arrogância e ao egocentrismo humanos.

Enquanto ouvia a explicação de Dom Juan, fiquei terrivelmente aborrecido. Embora nunca me tivesse considerado um católico praticante, estava chocado com suas implicações blasfemas. Estivera ouvindo-o polidamente, embora desejasse que fizesse uma pausa em sua barreira de julgamentos sacrílegos para me permitir mudar de assunto. Mas continuou insistindo impiedosamente em seu argumento. Finalmente, interrompi-o e disse-lhe que acreditava que Deus existe.

Retorquiu que minha crença era baseada na fé e, como tal, uma convicção de segunda mão que não somava nada; minha crença na existência de Deus era, como a de todas as pessoas, baseada em ouvir dizer e não no ato de ver.

Assegurou-me que, mesmo que eu fosse capaz de ver, estava destinado a cometer o mesmo engano que os místicos cometeram. Todos os que vêem o molde do homem automaticamente presumem que se trata de Deus.

Chamou a experiência mística de visão casual, um aconteci­mento fortuito que não tem significação, mesmo porque é o resultado de um movimento ao acaso do ponto de aglutinação. Assegurou que os novos videntes são de fato os únicos que podem emitir um julgamento honesto sobre esse assunto, porque eliminaram as visões casuais e são capazes de ver o molde do homem com a freqüência que lhes apetecer.

Viram, portanto, que aquilo que chamamos Deus é um protótipo estático de humanidade destituído de qualquer poder. Pois o molde do homem não pode, sob quaisquer circunstâncias, ajudar-nos intervindo em nosso favor, ou punir nossos erros ou recompensar-nos de qualquer maneira. Somos simplesmente o produto de sua estampa; somos sua impressão. O molde do homem é exatamente o que seu nome nos diz, um padrão, uma fôrma, uma matriz que dá forma a um certo punhado de elementos semelhantes a fibras, que chamamos de homem.

O que disse colocou-me num estado de grande aflição. Mas ele pareceu não se preocupar com minha profunda confusão. Continuou a me alfinetar com o que chamava de crime imperdoável dos videntes casuais, que nos faz concentrar nossa energia insubstituível em algo que não possui o poder de produzir coisa alguma. Quanto mais ele falava, maior o meu aborrecimento. Quando fiquei tão aborrecido que estava a ponto de gritar com ele, fez-me passar para um estado ainda mais profundo de consciência intensificada. Golpeou-me em meu lado direito, entre o ilíaco e a caixa torácica. Aquele golpe fez-me voar para uma luz radiante, para uma fonte diáfana da mais pacífica e admirável beatitude. Aquela luz era um céu, um oásis no negrume ao meu redor.

De meu ponto de vista subjetivo, vi aquela luz por uma extensão de tempo incomensurável. O esplendor da visão estava além de minha capacidade de expressão; ainda assim, não pude descobrir o que a tomava tão bonita. Veio-me então a idéia de que sua beleza brotava de uma sensação de harmonia, de paz e descanso, de haver chegado, de estar finalmente a salvo. Senti-me respirar em quietude e alívio. Que maravilhosa sensação de plenitude! Sabia, sem a menor sombra de dúvida, que estava frente a frente com Deus, a fonte de tudo. E sabia que Deus me amava. Deus era amor e perdão. A luz banhava-me, e eu me sentia limpo, redimido. Chorei incontrolavelmente, principalmente por mim mesmo. A visão daquela luz resplendente fez com que eu sentisse que não era digno, que era uma criatura vil.

Subitamente, ouvi a voz de Dom Juan em meu ouvido. Disse que eu tinha de ir além do molde, que o molde devia ser meramente um estágio, uma parada que trazia paz e serenidade temporárias para quem viaja rumo ao desconhecido, mas que era estéril, estático. Como se fosse ao mesmo tempo uma imagem plana refletida num espelho e o próprio espelho, E a imagem seria a imagem do homem.

Fiquei profundamente ressentido com o que Dom Juan estava dizendo; rebelei-me contra suas palavras blasfemas e sacrílegas. Quis afastá-lo, mas não podia quebrar o poder de ligação de minha visão. Estava preso nela. Dom Juan parecia saber exatamente o que eu sentia e o que queria dizer.

— Você não pode descartar o nagual — disse em meu ouvido. — É o nagual que está permitindo que você veja, É a técnica do nagual, o seu poder. O nagual é o guia.

Foi nesse ponto que percebi algo sobre a voz em meu ouvido. Não era a voz de Dom Juan, embora soasse muito parecida. Além disso, a voz estava certa. O instigador daquela visão era o nagual Juan Matus. Sua técnica e seu poder é que me faziam ver Deus. Disse que não era Deus, mas o molde do homem; eu sabia que estava certo. Ainda assim não podia admiti-lo, não por aborrecimento ou teimosia, mas simplesmente por um sentimento de extrema lealdade e amor à divindade que estava diante de mim.

Quando olhei para a luz com toda a paixão de que era capaz, ela pareceu condensar-se e vi um homem. Um homem luminoso que emanava carisma, amor, compreensão, sinceridade e verdade. Um homem que era a soma total de tudo o que é bom.

O fervor que experimentei ao ver aquele homem estava muito além de qualquer coisa que jamais sentira em minha vida. Caí de joelhos. Desejava venerar Deus personificado, mas Dom Juan interveio e golpeou-me na parte superior esquerda de meu peito, próximo à clavícula, fazendo-me perder a visão de Deus.

Fui deixado com uma sensação angustiante, uma mistura de remorso, exaltação, certezas e duvidas. Dom Juan zombou de mim. Chamou-me de carola e descuidado, e disse que eu daria um ótimo padre; agora poderia até mesmo passar por um líder espiritual que tivera a oportunidade de ver Deus. Incentivou-me zombando a começar a pregar e a contar a todos o que tinha visto.

De maneira muito casual, mas aparentemente interessada, fez um comentário que era em parte pergunta e em parte afirmação.

— E o homem? Você não pode esquecer de que Deus é masculino.

A enormidade de algo indefinível começou a emergir em mim, enquanto eu entrava em um estado de grande clareza.

— Muito confortável, hem? — acrescentou Dom Juan, sorrindo. — Deus é masculino. Que alívio!

Depois de contar a Dom Juan tudo o que havia lembrado, perguntei-lhe sobre algo que acabara de chamar-me a atenção como terrivelmente estranho. Para ver o molde do homem, eu passara obviamente por um deslocamento de meu ponto de aglutinação. A rememoração dos sentimentos e percepções que tivera então foi tão vívida que deu-me uma sensação de absoluta futilidade. Tudo o que eu tinha feito e sentido naquela época estava sentindo agora. Perguntei-lhe como era possível que, havendo tido uma compreensão tão clara, pudesse tê-la esquecido tão completamente. Era como se nada do que me acontecera houvesse importado, pois eu sempre tinha de começar da estaca zero, independente de quanto pudesse ter avançado no passado.

— Isto é apenas uma impressão emocional — disse. — Um equívoco total. Tudo o que você fez anos atrás está solidamente encerrado em certas emanações não utilizadas. Naquele dia em que o fiz ver o molde do homem, por exemplo, cometi um verdadeiro equívoco. Pensei que se você o visse seria capaz de compreendê-lo. Foi um verdadeiro mal-entendido de minha parte.

Dom Juan explicou que sempre se julgara muito lento para compreender, Nunca tivera qualquer oportunidade de testar sua convicção porque não tinha um ponto de referência. Quando eu apareci e Dom Juan se tornou um instrutor, o que era algo totalmente novo para ele, percebeu que não há maneiras de se apressar a compreensão, e que deslocar o ponto de aglutinação não é suficiente. Ele pensava que isto bastaria, mas logo percebeu que, já que o ponto de aglutinação se desloca normalmente durante os sonhos, algumas vezes a posições extraordinariamente distantes, sempre que passamos por um deslocamento induzido somos todos especialistas em compensar tal situação imediatamente. Reequilibramo-nos constantemente, e a atividade prossegue como se nada nos tivesse acontecido.

Comentou que o valor das conclusões dos novos videntes só se torna claro quando se tenta deslocar o ponto de aglutinação de outra pessoa. Os novos videntes disseram que o importante é o esforço para consolidar a estabilidade do ponto de aglutinação em sua nova posição. Consideravam esse o único procedimento possível do instrutor. E sabiam que se trata de um processo longo, que deve ser conduzido pouco a pouco, a passo de lesma.

Dom Juan disse então que havia usado plantas de poder no início de meu aprendizado, seguindo uma recomendação dos novos videntes. Eles sabiam, por experiência e pela visão, que as plantas de poder afastam o ponto de aglutinação de sua posição normal. O efeito das plantas de poder sobre o ponto de aglutinação é, em princípio, muito semelhante ao dos sonhos; os sonhos fazem-no deslocar-se, mas as plantas de poder conseguem um deslocamento numa escala maior e mais abrangente. O instrutor deve então usar os efeitos desorientadores desta mudança para reforçar a noção de que a percepção do mundo nunca é final.

Lembrei-me então de que havia visto o molde do homem mais cinco vezes ao longo dos anos. A cada vez me tornara menos apaixonado a respeito. Nunca pude ignorar, entretanto, o fato de que sempre via um Deus masculino. No final, deixou de ser Deus para mim e tornou-se o molde do homem, não devido ao que Dom Juan havia dito, mas porque a posição de um Deus masculino se tomara insustentável. Pude então compreender os comentários de Dom Juan a respeito. Não haviam sido blasfêmias ou sacrilégios; ele não os fizera a partir do contexto do mundo cotidiano. Estava correto ao dizer que os novos videntes têm uma vantagem por serem capazes de ver o molde do homem tanto quanto quiserem. Mas o mais importante para mim era que eles tinham a sobriedade de examinar o que viam.

Perguntei-lhe por que eu sempre via o molde do homem como masculino. Disse que era porque meu ponto de aglutinação não tinha, então, a estabilidade para permanecer completamente colado à sua nova posição, e deslizava lateralmente na faixa do homem. Era o mesmo caso de ver a barreira da percepção como uma parede de névoa. O que fazia o ponto de aglutinação deslocar-se lateralmente era um desejo ou necessidade quase inevitável de traduzir o incompreensível em termos familiares: uma barreira é uma parede, e o molde do homem só pode ser um homem. Ele achava que, se eu fosse uma mulher, iria ver o molde como uma mulher.

Dom Juan levantou-se e disse que era tempo de darmos um passeio na cidade, que eu deveria ver o molde do homem entre as pessoas. Caminhamos em silêncio para a praça, mas, antes de lá chegarmos, senti um impulso incontrolável de energia e corri rua abaixo para os limites da cidade. Cheguei a uma ponte e, exatamente ali, como se estivesse esperando por mim, vi o molde do homem como uma luz resplendente, cálida e ambarina.

Caí de joelhos, não tanto por fervor, mas como uma reação física ao espanto. A visão do molde do homem era mais surpreendente que nunca. Senti, sem qualquer arrogância, que havia passado por uma enorme mudança desde a primeira vez em que o vira. Contudo, todas as coisas que tinha visto e aprendido me haviam proporcionado apenas uma admiração maior, mais profunda, pelo milagre que me aparecia diante dos olhos.

O molde do homem estava, de início, superposto à ponte. Refocalizei então meus olhos e vi que o molde estendia-se para cima e para baixo até o infinito; a ponte não passava de uma fina concha, um tênue desenho superposto ao eterno. E o mesmo se dava com as diminutas figuras de pessoas que se moviam ao meu redor, olhando-me com evidente curiosidade. Mas eu estava fora de seu alcance, embora naquele momento estivesse inteiramente vulnerável. O molde do homem não tinha poder para proteger-me ou poupar-me, mas ainda assim eu o amava com uma paixão que não conhecia limites.

Achei que compreendia naquele momento algo que Dom Juan me havia dito repetidamente, que a afeição real não pode ser um investimento. Eu me teria tornado prazerosamente um servi­dor do molde do homem, não pelo que este poderia dar-me, pois nada tem a dar, mas pela pura afeição que sentia por ele.

Tive a sensação de que algo me puxava para longe, e antes de desaparecer da presença do molde do homem gritei-lhe uma promessa, mas uma grande força me afastou antes que eu pudesse terminar de dizer o que pretendia. Estava subitamente ajoelhado diante da ponte, enquanto um grupo de camponeses olhava para mim e ria.

Dom Juan veio para o meu lado, ajudou-me a ficar de pé e acompanhou-me de volta à casa.

— Há duas maneiras de ver o molde do homem — começou Dom Juan assim que nos sentamos. — Você pode vê-lo como homem, ou pode vê-lo como uma luz. Isso depende do desloca­mento do ponto de aglutinação. Se o deslocamento é lateral, o molde é um ser humano; se ocorre na seção central da faixa do homem, o molde é uma luz. O único valor do que fez hoje é que seu ponto de aglutinação se deslocou ao longo da seção central.

Disse que a posição em que se vê o molde do homem é muito próxima àquela em que aparecem o corpo sonhador e a barreira da percepção. É por essa razão que os novos videntes recomendam que o molde do homem seja visto e compreendido.

— Tem certeza de que sabe realmente o que é o molde do homem?

— Posso afirmar, Dom Juan, que estou perfeitamente consciente do que é o molde do homem.

— Ouvi-o gritando sandices ao molde do homem quando cheguei à ponte — retrucou ele, com um sorriso malicioso.

Disse-lhe que me sentira como um servidor destituído de valor, venerando um mestre destituído de valor, embora tivesse sido levado por pura afeição a prometer amor sem fim.

Dom Juan achou tudo aquilo hilariante e riu até engasgar-se.

— A promessa feita por um servidor sem valor a um mestre sem valor naturalmente não tem valor — disse, engasgando-se novamente de riso.

O Fogo Interior, de Carlos Castaneda - download AQUI!

A história do uso cultural-espiritual da Cannabis

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Eu sou Jeová teu Deus, eis que te dou toda a planta que há sobre a terra, e que dá semente nela mesma, para que fazeis bom uso dela." - Gênesis.

A prova da ingestão da Cannabis sativa mais antiga que se têm são as fezes fossilizadas de um membro de nossa espécie que contêm claramente vestígios de pólen de Cannabis. Este cropólito foi achado às margens do lago Baikal, localizado na Ásia Central, e datado em 10 mil anos.

É provável que a Cannabis tenha sido uma das primeiras plantas a serem domesticadas pelo homem há 20 mil anos - vários e fortes indícios levam a essa conclusão. Há 15 mil anos, acredita-se, a planta já era usada para a confecção de tecidos, cordas, fios, etc., no entanto, não se sabe se era já inalada ou ingerida deliberadamente com a intenção de alterar a consciência, em todo caso, há provas definitivas do uso cultural da Cannabis há 6.500 anos naquela que é considerada a mais antiga cultura neolítica da China chamada Yang Chao. Nessa cultura, as fibras da planta eram usadas na confecção de roupas, redes de pesca e caça, cordas, etc., sendo que as sementes eram usadas na alimentação na forma de farinha, bolos, pudins e outras preparações.

O livro de medicina mais antigo que se conhece, o Pên-Ts'ao Ching, remonta há 4 mil anos e fala do uso mágico das inflorescências femininas da planta: " Se tomada em excesso produzirá a visão de demônios. Se tomada durante muito tempo ilumina seu corpo e o faz ver espíritos."

Há 3.500 anos, o Atharva veda, livro sagrado dos Hindus, também se referia à Cannabis na forma de Bhang, preparação esta que incluía a resina da planta misturada com manteiga e açúcar. O Bhang era usado para "libertar da aflição" e para "alívio da ansiedade". Ainda hoje o Bhang é consumido livremente em algumas partes da Índia pelos recém-casados na noite de sua Lua-de-mel, como afrodisíaco. A religião hinduísta acredita que a Cannabis é um presente dos Deuses. De fato, diz-se que a planta teve origem quando Shiva (uma das personalidades de Deus na tríade dessa religião), chegando a um banquete preparado por sua esposa Parvati, saliva ao ver tantas delícias e de sua saliva surge a planta abençoada.

Os Shaivas, devotos de Shiva, fumam continuamente a ganja (a planta feminina) com o charas (a resina das flores) para meditarem e se elevarem espiritualmente. Eles consideram que o chilum - o cachimbo onde a planta é fumada- é o corpo de Shiva, o charas é a mente de Shiva, a fumaça resultante da combustão da planta é a divina influência do Deus e o efeito desta, sua misericórdia.

Os Citas também faziam uso mágico-religioso da Cannabis. Esta era privilégio dos nobres que se reuniam para consumí-la em tendas especialmente construídas para esse fim. Essas tendas eram montadas sobre as areias do deserto e um grande buraco era aberto onde se queimavam toras de madeiras aromáticas. Quando estas estavam em brasa, três ou quatro pés da planta eram jogados inteiros no buraco que era então coberto com uma tampa feita de pele de carneiro, exceto por uma abertura em torno da qual os participantes se reuniam para gozarem dos vapores que se elevavam. Isso há 2.800 anos.

Os Assírios conheciam a planta a qual chamavam Kunubu ou Kunnapu, que veio dar no latim Cannabis. A planta era cultivada pelo rei, que a distribuía diariamente, junto com um litro e meio de cerveja, para todos os cidadãos, num claro exemplo de uso hedonístico, não anômico. As qualidades medicinais da planta estão descritas em escrita cuneiforme num dos livros mais antigos da humanidade e que fazia parte da Biblioteca de Assubarnipal há 2.700 anos. Este livro pode ser visto hoje no British Museum em Londres.

Entre os gregos, a Cannabis na forma de haxixe, era ingerida junto com ópio na célebre preparação descrita por Homero - chamada Nephenthes, que aliviava as dores, angústias e preocupações.

Devido à proibição do Corão ao uso do álcool, desde sempre o haxixe e a Cannabis têm sido o embriagante preferido dos povos islâmicos. Sendo considerada pura, a planta é passível de ser usada pelos crentes. A célebre seita dos haxixin, liderada pelo afamado Ai-Hassan lbn- Ai Sabbah, o velho da montanha, fazia uso da planta. Seu líder levava os membros a um recinto onde estes fumavam haxixe em meio a um lauto banquete servido por jovens e belas mulheres que lhes atendiam em todos os seus desejos. Após isto, o Velho da Montanha lhes dizia que assim gozariam do paraíso de Allah caso cometessem assassinatos políticos que favorecessem a seita. A palavra assassino tem origem a partir deste episódio, já que os membros da seita eram chamados de haxixin. É certo que os cruzados que os combateram aprenderam destes o uso do haxixe, levando-o consigo de volta à Europa.

Com a islamização do norte da África, a planta se espalha rapidamente por este continente e breve não só os povos islamizados dela fazem uso entusiástico como também as tribos animistas do resto da África.

Um rei africano apresentado à erva, converte-se a seu culto e a tribo passa a se chamar Bena Riamba - " os irmãos da Cannabis". Todo dia ao pôr-do-sol, os membros desta tribo se reúnem em roda no pátio central da aldeia para fumar a planta. Antes de passar o cachimbo, olham-se nos olhos dizendo: "Paz irmão da Cannabis". Representantes desta tribo são até hoje encontrados na costa sul de Moçambique.

Assim como os Bena Riamba, muitas outras tribos se convertem ao uso da planta, incorporando-a em destaque no seu panteão. A palavra maconha, vem de Ma Konia, Mãe Divina, num dialeto da costa ocidental africana.

Apesar de saber que as caravelas portuguesas tinham seu velame e cordame feitos da fibra do cânhamo (Cannabis sativa), acredita-se que a Cannabis tenha sido introduzida no Brasil pelos negros escravos que para cá foram trazidos. Os nomes pelos quais a planta é conhecida aqui indicam tal fato, já que são todos nomes de origem africana- fumo d'angola, Gongo, Cagonha, Marigonga, Maruamba, Diamba, Liamba, Riamba e Pango. Este último vem do sânscrito Bhang, através do árabe Pang, até o africanismo pango.

De toda forma, a planta esteve desde o início associada à população de origem africana, sendo que a ampliação de seu uso, atingindo também aqueles de origem européia, era considerada por autores como Rodriques Dória como: " uma vingança da raça dominada contra o dominador".

Os cultos afro-brasileiros sempre utilizaram a Cannabis. Já no século XVIII, os relatos sobre os calundus- reunião de negros ao som de tambores- indicavam a presença da planta, que era inalada pelos participantes, deixando-os "absortos e fora de si". Até a década de 30 do século XX, quando são legalizados os Candomblés e Xangôs, a Cannabis era constantemente apreendida nos terreiros junto com os objetos de culto. A Cannabis é considerada planta Exú, sendo consagrada a esta divindade.

Em 1830, a legislação do município do Rio de Janeiro punia o uso do "pito de pango", como era conhecida a Cannabis, com pena de multa de 5 mil réis ou dois dias de detenção; esta foi nossa primeira lei a respeito da planta.

Nas décadas de 20 e 30 deste século, são produzidos os primeiros trabalhos científicos brasileiros a cerca do hábito de fumar maconha. Apesar de seus autores serem em sua quase totalidade médicos preocupados em justificar a proibição da planta, estes tinham um olhar etnográfico sensível, descrevendo com minúcias os rituais do "clube de diambistas, nome dado à associação de indivíduos com o intuito de fumar Diamba.. Os diambistas eram, preferencialmente, membros dos estratos mais baixos da população brasileira, em especial pescadores que se reuniam para fumar a erva cantando loas a esta. São dessa época os famosos versos: " Diamba, sarabamba, quando fumo diamba, fico com as pernas bambas. Fica sinhô? dizô, dizô". Termos utilizados pelos diambistas. como "fino", "morra" e "marica" entre outros, são até hoje parte da gíria própria dos usuários.

A distribuição geográfica do consumo da Cannabis na época incluía Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Maranhão e Bahia. Daí, pouco a pouco o hábito se espalha e a partir da década de 60, com a contra-cultura, passa a atingir outros estratos sociais. Atualmente, seu uso é amplamente disseminado entre as camadas médias urbanas.

Também os povos do novo mundo não ficaram imunes à Cannabis. Hoje em dia no Brasil, os Mura, os Sateré-Mawé e os Guajajaras fazem uso tradicional da erva. Os Guajajaras tem a planta em alta estima e sua presença na mitologia do grupo atesta à antiguidade de seu uso, que remeteria à segunda metade do século XVII. A planta é consumida no contexto xamânico, junto com o tabaco, para propiciar o transporte místico do pajé e na divinação. No contexto profano, a erva é inalada em grupo antes de trabalhos pesados nos multirões para dar disposição- indicando que a chamada síndrome amotivacional, associada à Cannabis- possa ser um fenômeno antes cultural do que uma decorrência dos seus princípios ativos. Os dados jamaicanos parecem confirmar essa tese, uma vez que nesse país a Cannabis é amplamente fumada por trabalhadores rurais como estimulante antes de trabalhos pesadoes e extenuantes.

Outros nativos das Américas também usam a Cannabis, entre os quais estão os índios Cuna do Panamá, que já possuíam escrita antes da chegada dos europeus, os índios Cora do México, e outros. Segundo uma comunicação pessoal do arqueólogo chileno Manuel Arroyo foram encontradas pinturas ruprestes naquele país, próximas a fronteira com a Argentina, feitas com tintas cujos pigmentos indicavam a presença de thc e que foram datadas em 12.000 anos. Isto sugere não só uma presença pré-colombiana da planta no continente, como também um uso mágico-religioso da mesma, aventando a hipótese de uma inspiração cannábica de uma determinada tradição artística indígena.

Hoje em dia existem religiões organizadas onde observa-se o uso da cannabis. Para os Rastafari da Jamaica, a planta é Kaya, a energia feminina de Deus. Seu uso diário naquilo que é chamado "Irie meditation", a meditação da energia positiva, é justificado pelas seguintes passagens da Bíblia, no Gênesis:" Eu sou Jeová teu Deus, eis que te dou toda a planta que há sobre a terra, e que dá semente nela mesma, para que fazeis bom uso dela" e no livro das revelações, o Apocalipse, quando descreve o paraíso:" vi também a árvore da vida, cujas folhas são a cura das nações".

Para a doutrina do Santo Daime, a planta é sagrada e identificada com Santa Maria, a mãe de Jesus (hoje não é mais assim devido a inquisição farmacológica e institucional, a dominação ideológica anti-natureza e há abusos que não cabe aqui tratar). Para consagrá-la, é necessário aderir a um uso cultural diferenciado, sendo a planta consumida exclusivamente durante os rituais, em silêncio, com o pito, a denominação nativa para baseado, passado sempre no sentido anti-horário, isto é, da direita para a esquerda.

Devido à longa história de associação entre nossa espécie e a Cannabis, esta apresenta um grande polimorfismo decorrente de inúmeras hibridizações levadas a cabo com a intenção de desenvolver plantas com qualidades desejadas. Sendo a planta dióica, ou seja, possuindo os sexos separados em duas plantas - uma macho e a fêmea, o gênero cannabis compreende três espécies distintas: sativa, indica e ruderalis. O famoso "Skunk", híbrido, aparecido recentemente e já famoso, nada mais é do que o cruzamento de três diferentes linhagens- plantas afegãs indicas, plantas tailandesas indicas e por fim plantas mexicanas sativas. Estas plantas foram cross polinizadas dando origem a um cultivar que apresenta as seguintes características: necessita de pouca luz, matura depressa e produz resina abundante com um alto teor de THC.

Ao contrário do que se pensa, o princípio ativo da Cannabis não é um alcalóide, já que não apresenta nenhuma base nitrogenada, sendo antes um lipóide solúvel complexo, composto por vários isômeros de tetrahidrocanabinóis, cujo principal responsável pelos efeitos da planta é o 3-4-transtetrahidrocanabinol.

Sabia-se desde 1988 que nosso cérebro apresentava receptores autônomos para o THC, mas somente em 1994, com a descoberta da Anadenamida por Devane que se compreendeu pela primeira vez em detalhe o mecanismo de ação do princípio ativo da Cannabis. A anadenamida, palavra que vem do sânscrito Ananda, que quer dizer felicidade, revelou-se ser um neurotransmissor autônomo presente naturalmente no nosso cérebro regulando seu funcionamento e agindo como analgésico em momentos de stress do organismo. O THC, apresentando uma estrutura química semelhante à Anadenamida, encaixa antes dessa no neurorecptor, desencandeando a gama de efeitos típicos da planta.

Logicamente os efeitos da Cannabis não podem ser creditados exclusivamente às substâncias químicas que esta contém, sendo o resultado da interação de múltiplos fatores como biológicos- o peso corporal do indivíduo e sua condição física; os psicológicos- suas motivações e atitudes, personalidade, humor e lembrança de experiências passadas; efinalmente os sociais e culturais- a natureza do grupo de usuários e sua perfomance ritual, o sistema simbólico compartilhado, a expectativa do conteúdo visionário e os adjuntos não verbais, como músicas, incensos, etc., assim como o sistema de crenças e valores dos consumidores.

Recentes estudos sobre o mecanismo da atuação do THC nos sítios neuroreceptores do cérebro demonstraram a impossibilidade de adição química à substância devido a certas características de sua metabolização, sendo, portanto, uma substância "não viciante" no sentido clássico da palavra. Muitos mitos em relação à planta têm caído por terra ultimamente, á medida em que estudos com maior seriedade científica começam a ser divulgados. Recentemente a OMS (organização mundial de saúde) realizou uma pesquisa na qual chegou à conclusão que o uso recreacional da maconha traz menos malefícios à saúde pública do que o álcool e o tabaco. O valor terapêutico da planta, desde milênios conhecido da humanidade e desde já algumas décadas reconhecido pela comunidade científica, começa agora a sensibilizar os governos de alguns países como a Inglaterra e alguns estados americanos como a Califórnia, Oregon, Arizona e outros, que liberaram o uso medicinal da Cannabis.

A legislação brasileira em relação à Cannabis necessita, em face do exposto, ser repensada. Antes de mais nada, a luta pela legalização é uma luta pela ampliação das liberdades individuais. O código penal brasileiro não prevê pena para crime de auto-lesão, é por isso que o suicídio(ou sua tentativa) é inimputável. Ora, uma vez que o fumante de maconha em última análise só está fazendo mal a si mesmo, é uma contradição, pois, que seja punido por seu ato. A repressão ao consumo da Cannabis no Brasil esteve ligada, em seus primórdios, à tentativa de suprimir os elementos africanos da religiosidade popular, sendo então sua proibição historicamente ligada à tentativa de cercear a liberdade religiosa. A perseguição implacável da Polícia Federal aos Guajajaras e as periódicas batidas nas aldeias são uma afronta à liberdade de auto-afirmação étnica deste grupo indígena. A negação por parte do nosso governo do uso medicinal da Cannabis é um atentado a saúde pública, impossibilitando a cura e o alívio de muitos, que vêem sabotada a sua liberdade de viver.

A ameaça velada de enquadramento por apologia a todos aqueles que, em alguns casos, só pronunciam a palavra proibida-"maconha" é um entrave a uma das liberdades mais fundamentais- a liberdade de expressão.

Por último, mas não menos pior, a proibição do uso recreacional da maconha é uma herança sombria da tradição judaico-cristã. que penaliza o prazer, implicando numa restrição a liberdade do gozo, da fruição dionisíaca, do lazer em suma.

Pedro Fernandes Leite da Luz
Ph.D. em Antropologia - UFSC

Eu sou Deus.Tu és Deus

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu afirmo a minha divindade para que tu possas afirmar a tua.

Isso não era necessário.

"Eu e o Pai somos um."

Ou dizer: Eu sou Deus, que diferença há?

Não foi Ele que se definiu como Eu Sou?

Se Ele é, Você também, portanto Somos.

Mas os fariseus de ontem e hoje já não serão mais, mesmo que gritem: louco!

Eles o fazem de dentro do hospício que chamam de igreja, sinagoga, templo, religião.

Simples assim nós abriremos as portas, e se eles tiverem medo de sair nós deixaremos a passagem livre.

Eis o caminho da responsabilidade.

Fernando Augusto

Dogma

Não há certezas, apenas aprendizado infinito - F.A.

Quebrando paradigmas: João de Abadiânia

domingo, 25 de julho de 2010

João de Abadiânia é um curador, um médium, um paranormal que desafia a ciência médica. Operando sem anestesia, sem assepsia, faz esse trabalho de cura há 53 anos. Atua próximo a Brasília. É fazendeiro, possui 4 fazendas e 9 filhos. A seguir um vídeo da Universidade do Arizona, EUA, e um outro de produção nacional com uma operação de extração de tumor do seio. O que diz a ciência médica? Porque não estuda o fenômeno e estabelece parcerias com tais curadores?





Agradecimentos pela dica para a Célia do blog Holos Gaia.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG78805-6014-484,00-O+CURANDEIRO+GLOBALIZADO.html

Objeto de pecado, objeto de mercado

sábado, 24 de julho de 2010

Em termos da sexualidade humana na Idade Média o corpo era objeto do pecado e ficou assim até a revolução sexual dos anos 60, que foi anunciada antes por gente com Freud, Wilhem Reich, Aleister Crowley e Samael Aun Weor, os dois primeiros no campo da Psicologia e da Psicanálise e os dois últimos no campo da Magia e da Gnose.

Esse paradigma ainda permanece mas já está bastante abalado: o corpo como pecado.

Na Idade Pós-Moderna, não se pode dizer que o corpo é objeto do pecado.

De objeto do pecado passou a ser objeto de mercado.

O corpo, de gerador de culpa passou a ser gerador de lucro.

Assim a revolução sexual se desvirtuou, não levou o ser humano a liberação, mas a um novo encadeamento, do encarceramento do pecado para a prisão do mercado.

Tal revolução ainda está por vir e a doença emocional ainda grassa por aí, se assim não fosse Reich não teria morrido na cadeia, nem Osho envenenado.

O corpo, antes objeto de pecado passou para objeto de mercado, mas ainda assim permanece objeto, não é parte da totalidade do ser, é coisa (objeto) possuída pelo ego, que ao ter parte de si tornada objeto se aliena de si mesmo, de sua totalidade e, portanto não pode ser feliz e completo.

Quase parafraseando Crowley com seu "pecado é restrição", o mercado diz: "pecado é não lucrar, ter prejuízo, fracassar". Assim os canalhas que se dão bem são perdoados e para o fracassado, o "looser" resta apenas a culpa. Eis a lógica de mercado, a ética do lucro. E o gozo do mercado é o lucro, assim os poderosos desse mundo incrementam seu "sex appeal". Assim o dinheiro no bolso se torna o viagra dos investidores e o carrão do ano potencializa o desejo de seus donos.

Ser liberado sexualmente, dentro do paradigma vigente e doente, é não ter culpa para gozar dos prazeres do objeto de mercado no qual o corpo se tornou. Corpo dotado de extensões, que do carrão, passa pelo dinheiro, chega ao implante, todas como muletas do falocratismo.

A "liberação sexual" é a nova escravidão aos padrões impostos pelo mercado.

A "liberação sexual" tornou o corpo da mulher um objeto que pode, por exemplo, ser amputado pela medicina oficial com facilidade, lhe arrancando útero, trompas, seios e glândulas sob a desculpa de prevenir certas doenças. Uma mulher que menstrua aos 50 é vista como abominação por certos médicos. O próprio homem não percebe que ele sempre foi um objeto também. Seu poder seminal, que carrega em cada ejaculação o poder de repovoar países inteiros se para cada espermatozóide houvesse um óvulo, não é se quer visto, dentro de uma perspectiva energética e de ecologia do habitat que é o corpo, como um enorme desperdício, para não dizer um genocídio seminal. Quando se fala nisso as pessoas nem se quer compreendem. Estão presas em certos paradigmas e se consideram liberadas.

E o mercado não pode atender as reais necessidades humanas por totalidade, porque o mercado trata tudo como objeto, objeto com uma finalidade: o lucro. Assim continuamos insatisfeitos, ansiando, ansiosos, neuróticos, consumindo pílulas, viagras, camisinhas, lubrificantes, antidepressivos e por aí vai.

Assim a maior dificuldade hoje nos relacionamentos é a capacidade de interagir sem usar o outro. Para tal é necessária uma sexualidade que destituída de culpa e também da idéia de objeto, que veja a si mesma como uma expressão da totalidade humana que não se manifesta apenas no nível genital. A capacidade de prazer se estende por todo o corpo, por todos os corpos, por todos os chacras e se apresenta em sua totalidade como um êxtase que remete a um orgasmo universal. Para tal é preciso quebrar paradigmas relativos a expressão da sexualidade, aprender a concentrar, ampliar e potencializar a força vital que há em homens e mulheres.

Numa época que se fala e se faz em ecologia, qualidade de vida, cuidado com a Natureza, reflorestamento, cultivo de árvores, plantio de sementes, devemos também cuidar de nossa semente, cultivar a nossa energia, despertar e desenvolver a seiva da Vida em nós mesmos para que possamos irrigar o nosso corpo e o nosso cérebro afim de manifestar toda a sua potencialidade.

Mas o primeiro passo começa por nos libertarmos da noção de coisa, de objeto, relativo ao próprio corpo e resgatarmos a noção de corpo como um templo vivo da Natureza onde se manifesta a própria Divindade. Assim precisamos de uma ecologia do espírito que passa pelo corpo, numa espécie de ecologia holística de nós mesmos.

Ao intentar meditar não se está buscando uma auto-terapia anti-stress, na verdade o que se está buscando é manifestação plena do espírito que há no corpo em íntima comunhão: êxtase, iluminação, satori, shunyata.

Num primeiro momento o meditar é a capacidade de sentir a própria vibração do corpo como um primeiro êxtase, a própria satisfação em estar vivo, a satisfação que brota espontânea do corpo que pulsa em sua própria força vital, para então, mais a frente sentirmos a pulsação da própria força vital do Outro, da Vida, do Cosmos, da Terra, do Universo.

obs: a imagem do post é de Salvador Dali, O Espectro do Sex Appeal.

F.A.

O efeito seguidor

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Umbanda e Xamanismo

“Enquanto a Umbanda é a farmácia o Xamanismo é a medicina”.

Essa frase não me desceu bem quando a ouvi pela primeira vez. Pareceu-me mais uma forma de preconceito com relação a Umbanda, pois vamos a farmácia quando precisamos comprar um remédio receitado pelo médico. A Umbanda não é um balcão comercial onde se pode comprar remédios, mesmo que alguns a queiram torná-la nisto, pois ela própria é capaz de receitar os remédios apropriados para certos males da alma e do corpo humano sem cobrar mais que a consciência necessária para tal, afinal, boa parte das pesquisas de laboratório de novos fármacos surgem da sabedoria ancestral. É verdade que quando a coisa aperta o ser humano procura recorrer àquilo que está mais a mão, da mesma maneira que quando um dor física surge recorre-se a emergência hospitalar. Mas a Umbanda não é uma medicina espiritual de emergência, apesar de no imediatismo para resolvermos os nossos problemas, supostamente espirituais, que nós mesmos geramos, na maioria das vezes, recorrermos a um templo umbandista. Sendo assim ao escrever sobre Umbanda e Xamanismo quero dizer que Umbanda é Xamanismo. E se Xamanismo é Medicina, Umbanda também o é. A meu ver Umbanda é um dos Xamanismos que existem.

Mas há muita incompreensão nessa área.

Xamanismo é um conceito muito vasto e plural, pode-se falar em Xamanismos, mas todos os estudiosos reconhecem que essa pluralidade possui elementos comuns, tornando-se uma unidade na diversidade. Assim não há Xamanismo sem o culto à Terra e suas forças espirituais e sagradas. Um xamã é alguém que é capaz de dizer, sentir e perceber a Terra como sua e a si mesmo como pertencente à Terra, é alguém plenamente consciente de sua ligação com a Terra e suas forças espirituais. Ele diz: - Tudo isto é meu, toda a Terra é minha. E a própria Terra lhe responde: - E tu és meu. Isso confere uma consciência da responsabilidade para com a Terra e suas forças espirituais que é a marca do xamã.

E sendo o Xamanismo um conhecimento vasto e plural, a Umbanda também o é, assim existem diferentes Umbandas. Isso é sabido e notório. Mas entre todas as diferentes Umbandas existem elementos comuns. São eles, em nosso modo de ver, os seguintes:

1 – o culto as forças espirituais da Natureza: Os Orixás

2 – o cultivo do poder espiritual do ser humano

As diferentes formas de culto aos Orixás são:

1 - através de trabalhos mágicos que usam o magnetismo humano, animal, vegetal, mineral e do próprio ambiente natural, dentro de uma geometria, em conformidade com os pontos cardeais da Terra e outros pontos de poder da Terra.

2 – através das chamadas de poder ou pontos cantados onde são usados instrumentos musicais como o tambor ou atabaque.

As diferentes formas de cultivo do poder espiritual do ser humano são:

1 – a mediunidade, da qual a incorporação é apenas um tipo, mas é o tipo preponderante na Umbanda praticada hoje em dia e através da qual são realizadas as consultas, isto a nosso ver contribui para aquele quadro de atendimento que molda a Umbanda dentro de uma visão de farmácia, pois na maioria das vezes as pessoas vão em busca de resolver problemas imediatos e materiais de ordem emocional ou profissional, ignorando a busca pela sabedoria dos Orixás.

2 – a sintonização: a capacidade de concentrar-se e vibrar dentro de uma freqüência de energia para se alcançar certos estados alterados de consciência que nos conduzam a um estado de iluminação plena, nossa perfeita integração com nós mesmos e com a Natureza.

Não há na prática diferença entre a mediunidade e a sintonização, mas estamos usando os dois conceitos para criar uma diferença intencional que é a seguinte:

Em nosso modo de entender, na Umbanda, o progresso espiritual do ser humano não consiste em receber entidades porque nesse caso são elas que estão vindo até nós. O verdadeiro progresso espiritual consiste numa ampliação da consciência onde somos capazes de ir até as realidades onde as diversas entidades vivem e estar mais conscientes de nossas próprias realidades interiores (padrões de comportamento). Assim, a mediunidade que é entendida, normalmente, como processo de incorporação é diferente da sintonização que entendemos como um processo de ampliação da consciência, que envolve a conexão com o nosso deus interior.

Para que a sintonização ocorra o processo de desenvolvimento espiritual tem que estar assentado em nossa capacidade de administrar a nossa própria energia. Isso se dá em três passos estratégicos simples:

1 – acumular

2 – recanalizar

3 – ampliar

Assim, a Umbanda pode ser definida como uma medicina xamânica que usa a força dos Orixás para o processo de ampliação da consciência humana e não um atendimento de balcão espiritual para tão somente resolver questões imediatas e materiais. Está na hora do ser humano acordar de vez para urgência de assumir a responsabilidade sobre sua própria vida e não querer que outros a resolvam para si. Antes ele deve buscar estar consciente do que nele promove os problemas nos quais ele próprio se envolve.

Os Orixás são os Deuses da Natureza, forças impessoais e conscientes (que foram antropomorfizadas por determinado nível de compreensão humana), que no Egito Antigo eram chamados de Néteres e que possuem diferentes nomes conforme a tradição mística de cada povo.


É bom definirmos o que entendemos por Orixá. Orixá é uma força cósmica que atua através de uma determinada potência da Natureza. Assim, por exemplo, Iemanjá é uma força cósmica que atua através do Mar.

Há sete Orixás essenciais dos quais os outros são desdobramentos. Como as sete notas musicais são capazes de comporem infinitas melodias, os 7 Orixás são capazes de criar infinitas formas naturais, gerando um tipo de informação ou conhecimento que pode ser acessado através da própria Natureza e que está codificado no próprio ser humano.

Cada elemento da Natureza é influenciado por um Orixá. Assim cada Orixá possui uma ou mais plantas que lhe são pertencentes porque energeticamente compatíveis. O mesmo vale para as pedras, os metais e os animais, incluindo o ser humano, que possui como atributo peculiar a capacidade de sintonizar em diferentes freqüências vibratórias mesmo tendo uma que lhe é própria ou que prepondera em seu campo de energia.

O que habilita o ser humano a vibrar em diferentes freqüências vibratórias é um elemento de seu corpo de energia que xamãs, tal como Carlos Castaneda, chamam de o ponto de aglutinação. A grosso modo o ponto de aglutinação é uma espécie de “dial” que nos permite sintonizar em diferentes faixas vibratórias porque atravessado por infinitos campos de energia vibratória do nosso multiverso.

Essa capacidade de sintonização do ser humano lhe permite um nível de realização pessoal que é profundamente mágico, pois o habilita a transformar-se num ser capaz de mudar sua estrutura energética, fazendo-o assim um xamã, após árduo treino e disciplina de uma vida inteira.

Essa capacidade mágica do ser humano de vibrar em diferentes freqüências de energia o vincula a uma força cósmica de uma maneira muito peculiar, a um Orixá de forma muito especial, que é um Orixá síntese, por que congrega em si os outros Orixás: Oxalá ou Orixalá, que significa o Orixá dos Orixás. Assim o ser humano é capaz de seguir a trilha do orixalato, pois é capaz de transitar conscientemente entre diferentes faixas vibratórias, mesmo tendo em si uma faixa onde vibra mais facilmente e que prepondera em seu campo de energia.

Dentro da Umbanda existem antigos xamãs de origem índia e africana que compõem a sua egrégora e guardam consigo os segredos ancestrais. Eis uma outra razão para se compreender que Umbanda é Xamanismo, pois sua egrégora espiritual está formada por xamãs de diferentes procedências unificados através Dela, Umbanda.

Um desses segredos ancestrais é o culto da Jurema, Yurema, árvore sagrada em diferentes culturas, que se faz referência em pontos cantados de Umbanda e que está sendo resgatado.

A própria Bíblia lhe faz referência. Na própria Bíblia a árvore do conhecimento ocupa um papel central porque proibida ao homem. Porque haveria de ser o acesso ao conhecimento algo proibido? A quem interessa manter o homem na ignorância? Há um conhecimento que foi perseguido, proibido, reprimido e que precisa ser revelado para que o homem possa reconquistar seu lugar no Jardim do Éden.

Assim, uma das funções da Umbanda é o resgate desses antigos conhecimentos ancestrais que foram destruídos devido ao processo de colonização que o Brasil sofreu por parte de Portugal, patrocinado ideologicamente pela Igreja Católica.

Esse processo de colonização deixou marcas severas na alma do povo brasileiro e uma dessas cicatrizes ainda não devidamente fechada é o preconceito com relação à própria Umbanda. E nem nela, na própria Umbanda se vista como farmácia, poderíamos encontrar um remédio que possa sanar o preconceito, já que a ignorância é um vírus que assume diferentes formas, mutável, e de antídoto ainda a ser encontrado. Por outro lado, se estamos executando o resgate desse conhecimento ancestral é porque fomos criando a necessária resistência contra a ignorância e a dominação ideológica em suas diferentes manifestações viróticas.

Axé!

F. A.

A situação no Golfo do México e um pedido de cura

quarta-feira, 21 de julho de 2010



OVNI atrapalha tráfego aéreo na China

sábado, 17 de julho de 2010


Um objeto luminoso no céu de Hangzhou, na China, chamou a atenção de moradores e fez com que o aeroporto de Xiaoshan quase fosse fechado no dia 7 de julho. Segundo o noticiário do canal ABC News, 18 voos foram atrasados na ocasião.

Testemunhas fotografaram o objeto, parecido com um disco luminoso, e contaram ao jornal “China Daily” que este se tratava de um objeto voador não-identificado. As investigações sobre o caso estão em andamento.

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Fonte: G1 da Globo

Agradecimentos ao blog Senzala Mundi




V - Visitantes: versão em ficção dos reptilianos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

V é a versão em ficção dos reptilianos, remake de uma série antiga chamada V, a batalha final. A serie é de 2009. 2009 é o ano de lançamento da pandemia H1N1. No quarto episódio da série há um plano feito pelos "visitantes" para o lançamento de um vírus mortal inserido na vacina contra a gripe comum. Mera coincidência? A série é interessante e parece que está carregada de mensagens indiretas sobre as ações da NWO. O episódio a seguir é o número 1.



Para maiores informações sobre reptilianos que não estão no terreno da ficção recomendamos os seguintes textos ou pistas:

http://pistasdocaminho.blogspot.com/2008/11/predadores-ou-sombras-de-lama.html

http://pistasdocaminho.blogspot.com/2008/11/uma-estria-mal-contada.html

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Relato de um soldado

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Soldado. A palavra. Soldar. Ser unido pela força de uma solda. Perda da individualidade. Ou será da humanidade? Até que a ficha cai. E uma nova solda se faz, feita de consciência - F.A.

Gênio, visionário e vidente: Nicola Tesla

quarta-feira, 14 de julho de 2010











Menstruação como rito de passagem

terça-feira, 13 de julho de 2010

Vale a pena ler este texto em espanhol. A palavra rito, que deriva para ritual, segundo a autora do texto, vem do sânscrito "rtu" que significa mênstruo, portanto a ligação entre rito e menstruação está nas próprias palavras. A menstruação é um rito de poder, de passagem, que se realiza ciclicamente no corpo da mulher e a conecta com determinada fase da Lua, revelando aspectos interessantes sobre si mesma. Infelimente nossa cultura menospreza tal poder. A semente feminina é menosprezada, assim como a masculina, a tal ponto que adotamos termos chulos como reflexo desse menosprezo pelo poder seminal que há em homens e mulheres.

Sobre os ciclos lunares esse texto extraído DAQUI é bem interessante:

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação.

Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca.

Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha.

Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material.

Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.

Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

El Sabbath De Las Mujeres:

Reclamando el Poder de la Menstruación

Solía pensar que mis períodos eran una molestia, una sucia intrusión que incrementaba la lavandería y causaba un montón de síntomas desagradables incluyendo cansancio y dolor debilitante. La menstruación interfería con mi vida sexual, mis actividades atléticas y mi nivel de energía. Causaba cambios erráticos de temperamento, irritabilidad y un mal humor destructivo e imparable. Además costaba dinero - en toallas y tampones para absorber la sangre, en ropas arruinadas, en tiempo perdido en el trabajo. Era un saboteador ruin y solapado que siempre llegaba en el momento más inoportuno.

A pesar de este prédica de aflicción, no estaba totalmente en su contra. Cuando mi período llegaba, había siempre una parte de mí que se sentía complacida. Significaba que estaba saludable y fértil y que todo estaba funcionando apropiadamente. Sangrar me producía cierto orgullo que sentí intensamente durante mi primer período, pero ante la ausencia de cualquier aprobación externa, aquel sentimiento placentero desapareció gradualmente.

Una amiga judía me contó que cuando tuvo su primer período su madre la abofeteó. Con asombro ella reclamó: "¿Por qué hiciste eso?" Su madre respondió: "No lo sé, mi madre hizo lo mismo, es la tradición." Recibir una bofetada cuando una se vuelve mujer —ése es un punto interesante acerca de cómo es vista la naturaleza femenina. Tal vez se trate de un intento por eliminar el sentimiento de orgullo que llega con la primera sangre.

Algo más acabó por quitarme el sentimiento de orgullo y creo que fue la ausencia de ceremonia. Sentía internamente que algo verdaderamente asombroso y mágico estaba ocurriendo, y sin embargo todos a mi alrededor lo trataban como algo trivial. Tenía una sensación de logro, con tintes de excitación, curiosidad y pena. También recuerdo una vaga conciencia de un futuro vasto y desconocido. Intuitivamente sabía que era un acontecimiento muy importante en mi vida —y no obstante nadie dijo nada al respecto, excepto para darme algunas toallas sanitarias. Creo que mi madre se sintió complacida —después de todo, significaba que estaba sana y creciendo normalmente— pero yo necesitaba más que eso. Necesitaba una ceremonia, una fiesta, algún gozoso reconocimiento público de este gran evento en mi desarrollo. Pero nada sucedió. Conforme pasaban los meses sentía cada vez más la vergüenza y cada vez menos la excitación y el orgullo que habían brillado momentáneamente con la primera sangre.

En casa, mis períodos eran algo que debía mantenerse oculto de mi padre y mis hermanos. Si tenía que mencionarlo, hablaba en voz baja y preferiblemente con mi madre a solas. Poco después de iniciados mis períodos, durante un viaje familiar, tuve que pedirle a mi padre que detuviera el auto pues necesitaba ir a la farmacia. Por supuesto que quiso saber qué necesitaba comprar. Recuerdo un sentimiento horrible cuando le dije que necesitaba comprar toallas sanitarias. Era una peculiar mezcla de vergüenza, orgullo y pena absoluta. Él se portó muy bien al respecto, según recuerdo, y nunca dijo nada que me hiciese sentir avergonzada. Pero de alguna manera esa vergüenza siempre estaba en el fondo de mis pensamientos, y afectó toda mi relación con el mundo externo.

En la escuela, la menstruación era algo que no debía ser mencionado sino en clase de biología.

Toda la información que recibí acerca de la menstruación era puramente física. Había período porque no había embarazo, y el flujo menstrual era simplemente el revestimiento descartado que el útero producía para un posible feto. Mis amigas y yo lo discutíamos y, en ausencia de mayor información, decidimos que el cuerpo femenino estaba pobremente evolucionado —toda esa sangre y ese escándalo por años y años, cuando sólo necesitabas tenerlo una o dos veces para tener niños.

La imagen que la sociedad me dio a través de la publicidad era confusa. Los anuncios de tampones mostraban ágiles chicas en bikinis corriendo alegremente hacia el mar y muchachas en ajustados jeans blancos saltando a caballo. Esto no correspondía para nada con mi experiencia de letargos y cólicos, y sabía que ninguna mujer en su sano juicio confiaría tanto en un tampón como para salir a pasear en pantalones blancos. ¡Bah! Seguramente fueron hombres quienes escribieron esos anuncios.

Aún así yo sentía que debía ser como las muchachas de los anuncios de Tampax y que algo malo había en la manera en que mi cuerpo y mente se comportaban —que una muchacha normal no debería sentir diferencia alguna durante su período, y que no había nada que a ella le gustara más que subirse a un caballo y galopar hacia alguna aventura mientras ese bonito tampón le permitía olvidar que estaba menstruando. La vergonzosa realidad era que yo ni siquiera podía introducirme un tampón. No solamente no encajaba en el estereotipo, sino que además estaba mal armada. Me sentí decididamente inadecuada hasta que finalmente lo logré. Entonces comenzó el proceso de imaginarme que yo no estaba menstruando en absoluto.

Consideraba a mis períodos como una inconveniencia y eso era todo. Si eran dolorosos, tomaba un calmante - se llamaba "Feminax" y contenía una poderosa mezcla de ingredientes diseñados para acabar con cada uno de los síntomas de la menstruación, incluso cafeína para menguar la depresión y el letargo. En época de exámenes escolares, conseguía medicamentos para retrasar mi período hasta días más convenientes, cuando el furor de las hormonas pudiera asaltar el lado izquierdo de mi cerebro sin afectar mi futuro académico. Nunca me mencionaron nada acerca de las ventajas de experimentar un estado de conciencia diferente una vez al mes, porque nadie sabía nada.

A los 18 años comencé a tomar la píldora y al principio me complació que mis períodos se aligeraran y se volvieran tan predecibles. Me tomó varios años darme cuenta realmente de que la razón para la ligereza de mis períodos era que se trataba de períodos falsos. Noté que me volvía cada vez más sensible y enojada durante mis supuestas menstruaciones, así que decidí suspender la píldora. Después de un par de meses me sentí "yo misma" otra vez y me di cuenta de que, a pesar de lo conveniente que resultaba la píldora, en realidad me había sentido traicionada con esos períodos ligeros. Ahí fue cuando comencé a darme cuenta de que menstruar era una parte importante de mi vida, un ritmo del cual dependía para mi salud psíquica y física, y que ignoré o suprimí bajo mi propio riesgo.

En otras culturas, en vez de ser ignorada, la menstruación ha sido considerada (y en algunos casos aún lo es) como un tiempo especial y sagrado para las mujeres. La abundancia de símbolos relativos a la mujer encontrados en excavaciones en lugares antiguos de Europa y el Cercano Oriente sugiere de manera enfática que dichas culturas eran matrifocales y reverenciaban a la Diosa y a los procesos del cuerpo femenino. Las prácticas rituales estaban ligadas al sangrado mensual de las mujeres y la sangre menstrual era altamente valorada como poseedora de poderes mágicos. La palabra ritual viene de "rtu", que significa menstruo en sánscrito. En la época anterior al sacrificio de seres vivos, la sangre menstrual se ofrecía en ceremonias. La sangre menstrual era sagrada para los Celtas, los antiguos Egipcios, los Maorí, los primeros Taoístas, los Tantristas y los Gnósticos.

Los Nativos Americanos comprendían muy bien los diferentes sentimientos que las mujeres experimentan cuando menstrúan y para ellos estos sentimientos formaban parte de algo muy importante en los ciclos del cuerpo femenino. Las mujeres se retiraban a un recinto especial a pasar su sangrado. Se le consideraba ser el tiempo en que una mujer se encontraban en el nivel más alto de su poder espiritual, durante lo cual la actividad más apropiada era descansar y acumular sabiduría.

La tribu Yurok del norte de California poseía una cultura espiritual muy desarrollada basada en el ritmo del ciclo menstrual para las prácticas rituales no sólo de las mujeres sino también de los hombres. Las mujeres acostumbraban retirarse "en masa" durante la luna nueva por un período de diez días. Durante ese tiempo los hombres se concentraban en el "desarrollo interno", en ceremonias y meditación. Mientras los adultos estaban ocupados acumulando poder espiritual, los niños eran cuidados por los ancianos de la tribu. Todo el trabajo que los adultos tenían que hacer se concentraba en los otros días del mes.

Cuando los hombres blancos entraron en escena, "el mundo se paró de cabeza". Las actitudes hacia la menstruación cambiaron y las muchachas fueron adoctrinadas por sacerdotes en vez de las ancianas de la tribu. En vez de enseñárseles que una vez al mes sus cuerpos se volvían sacros, se les enseñó que se volvían inmundos. En vez de retirarse a un recinto a meditar, orar y celebrar, se les enseñó que estaban enfermas.

En 1986 conocí a un maestro de las tradiciones Nativo Americanas. Me enseñó que una mujer menstruando tiene el potencial de ser más poderosa física y espiritualmente que cualquier hombre o mujer en cualquier otro momento. Aquello volteó de cabeza mis condicionadas representaciones de la realidad. Yo siempre había experimentado mi menstruación como un período de debilidad y dificultad. ¿De qué podría estar hablando aquel hombre?

Me indicó que cavara un hoyo en la tierra y que le hablara al hoyo de mis pensamientos negativos sobre la femineidad y el sangrado. Dijo que la tierra transformaría la energía negativa que yo sostenía alrededor de mi naturaleza femenina. Me sentí bastante tonta, pero de todos modos lo hice y me sorprendió descubrir cuántos malos sentimientos acerca del ser mujer acechaban dentro de mi mente feminista altamente educada. Este ejercicio fue doloroso pero muy eficaz.

Comencé a ver mi sangre con reverencia más que con miedo, disgusto o indiferencia. Para ese entonces ya no usaba tampones, así que comencé a mirar mi sangre apropiadamente cada mes, en lugar de verla en un desagradable tampón. Vi que era clara y roja, y algunas veces más oscura y con coágulos. Si en verdad liberaba mi visión, entonces podía ver que estaba llena de vida, llena de magia, llena de potencial. Comencé a sentir gozo al pensar en mi sangre, en ser mujer, al pensar que después de todo había algo extraordinariamente mágico y misterioso en habitar un cuerpo femenino. El resentimiento que había sentido durante mi adolescencia por haber nacido mujer y la convicción de que los muchachos eran mejores, palidecieron y fueron reemplazados por una creciente sensación de maravilla frente a las complejidades, posibilidades y profundidades ofrecidas por el ciclo mensual.

Comencé a tomarme tiempo para descansar, meditar y simplemente estar conmigo durante los días de mi período. Me di cuenta de que entonces era particularmente capaz de reflexionar, y que dichas reflexiones eran de una naturaleza sin tiempo. Sentí que me estaba conectando con alguna antigua y vasta fuente de sabiduría femenina, simplemente con sentarme quieta y escuchar mientras sangraba. Tomarme ese tiempo durante mis menstruaciones creó una relación muy diferente con mi cuerpo. Mi salud mejoró y poco a poco los cólicos que había sufrido durante la mayor parte de mi vida se mitigaron, y mi período se volvi&o un tiempo de placer más que de dolor.

Estaba comenzando a quererme a mí misma verdaderamente. Por supuesto que uno no puede obligarse a hacer esto, del mismo modo que uno no "hace" que otra persona lo quiera a uno. Comenzó a suceder de manera muy gradual, y mucha gente que se atravesó en mi vida me ayudó a ver con más claridad. Pero lo importante al principio fue el conocimiento de que la menstruación es una fuente de poder. Esta invaluable pieza de información, junto con el fuerte instinto que tenía acerca del poder del útero, transformaron mi profunda y en su mayor parte inconciente falta de autorespeto.

Pensar en la menstruación como una fuente de poder para las mujeres iba completamente en contra de mi condicionamiento, y sin embargo sabía en mi corazón que era verdad. Me di cuenta de que había muchísima energía en la dicotomía entre lo que nos enseña nuestra cultura y mi reacción instintiva de "¡Claro que sí!" a esta sabiduría ancestral. Cuando se localizan los puntos donde la cultura se separa de una verdad natural, se habrá encontrado una llave, un pasaje hacia las enfermedades de dicha cultura. Comencé a entender que la hendidura entre la sabiduría y el poder de la menstruación que yo estaba percibiendo y las actitudes de la sociedad moderna con respecto al útero, se situaba en el corazón de la subyugación y la negación de la realidad y la experiencia femeninas.

Para muchas mujeres, la raíz de su infelicidad yace en la dolorosa relación con los procesos de ser mujer. Las mujeres son entrenadas para esconder a cualquier costo el hecho de que menstrúan. Las manchas de sangre en la ropa constituyen una horrible vergüenza. Nadie dice nunca: "No quiero ir a trabajar o a la fiesta porque estoy menstruando", a menos de que se sienta enferma por ello y en ese caso por lo general dirá que tiene dolor de cabeza o un problema digestivo.

Cuando el útero y la menstruación son vistos únicamente como una incómoda necesidad biológica, la autoestima de las mujeres es correspondientemente baja. Nosotros somos nuestros cuerpos, y no podemos realmente amarnos en lo profundo de nuestros corazones si no amamos nuestros cuerpos sinceramente. Y no amas tu cuerpo si te sorprendes diciendo "¡Oh, no! ¡Me bajó la regla!"

En el siglo XIX, la menstruación era vista por los médicos como un signo más de la inferioridad y debilidad de las mujeres. Sin embargo, por lo general hay al menos un chispazo de verdad en cualquier ideología, y los médicos de la era Victoriana no estaban completamente equivocados cuando señalaban la importancia de la menstruación con respecto a la salud general de las mujeres, de la relación entre útero y psique, o de la cordura de descansar durante los períodos. Hemos tendido a rechazar todo esto porque nos recuerda el tiempo en que las vidas de las mujeres estaban más controladas por los hombres, y porque revive los viejos argumentos que mantuvieron a las mujeres atadas a la casa y sin ingerencia en el mundo exterior. También hemos rechazado con bastante razón la idea de que los procesos naturales de ser mujer constituyen una enfermedad. Pero decir que algo no es una enfermedad e ignorarlo por completo no necesariamente son la misma cosa. Al ignorar la menstruación como reacción a las ideas de la era Victoriana, quizás hemos perdido contacto con un persistente hilo de conciencia de su valor en la vida de las mujeres.

Los cambios que han tenido lugar en la vida de las mujeres durante los últimos treinta años podrían parecer una revolución, pero en muchos casos han sido más bien una asimilación. Las mujeres que buscan poder en un mundo masculino han tenido la tendencia de hacerlo convirtiéndose en pseudo-hombres. Y quizás inadvertidamente el feminismo ha desempeñado un papel en la supresión de la menstruación. Uno de los miedos más grandes que he encontrado en mujeres exitosas y ambiciosas cuando hablo de las ideas antiguas del poder de la menstruación, es que esto afecte de algún modo su mito de ser "tan buenas como los hombres y a veces mejores". Muchas mujeres no quieren profundizar en el tema de la menstruación, asustadas de lo que pudieran descubrir. Les parece mejor suprimir sus sentimientos con tranquilizantes, rociarse con desodorantes vaginales para disfrazar el olor de la sangre, anestesiar su dolor con químicos, y absorber su sangre con tampones de modo que no tengan que verla. Es más fácil ser una mujer exitosa en un mundo de hombres si apenas reconoces que menstrúas.

La tecnología de la supresión tampones, desodorantes vaginales, calmantes sofisticados y drogas antidepresivas— ha actuado junto con el mito de la supermujer para crear una actitud cultural predominante de que una mujer menstruando no es diferente de la que no menstrúa. El problema con todo esto es que simplemente no es verdad. Cualquier mujer remotamente en contacto con su cuerpo sabe que cuando está menstruando, y por lo general días antes, se siente distinta. Y éste es un hecho de la naturaleza que no puede ser negado.

Uno de los aspectos de la menstruación que ahora amo y aprecio es la predecible imposibilidad de predecirla. Una nunca sabe cuándo vendrá exactamente y algunas veces te toma completamente por sorpresa. Y no sólo no toma en cuenta los horarios sino que además es un lío. Tratamos tanto de ordenar y hacer sanitaria la vida moderna que corremos el riesgo de que no quede vida en nosotros. Las menstruaciones nos salvan de ese destino —son un aspecto salvaje y primitivo, crudo e instintivo, sangriento y eterno de lo femenino— y ninguna cantidad de "civilización" cambiará eso. Mi período es un acontecimiento mensual en mi vida que tengo en común con todas las mujeres que han vivido. Las mujeres que vivían en cuevas hace 20,000 años, las sacerdotisas en las pirámides del antiguo Egipto, las videntes de los templos de Sumeria: todas ellas sangraban con la Luna. La primera mujer que produjo el fuego pudo haber estado menstruando en esa ocasión. Eso es algo en qué pensar. Si la menstruación es un tiempo altamente creativo para las mujeres en el aspecto psíquico y espiritual, quién sabe cuántos regalos habrá recibido la humanidad de las mujeres durante sus períodos.

El valor que asignamos a la menstruación tiene correlación directa con el valor que nos asignamos como mujeres. Y esto afecta a los hombres también. Pensamos que los sexos están separados, y de algún modo así es. Pero por otro lado todos somos parte de la misma gran sopa humana, y el modo en que las mujeres se ven a sí mismas y son vistas afecta también a los hombres. Tal pareciera en la superficie que los hombres han tenido la ventaja durante los pasados varios miles de años, pero eso es verdad sólo desde cierta perspectiva. Tanto hombres como mujeres han sacado provecho y han sufrido por los desequilibrios de la sociedad patriarcal. También los hombres han sido separados de sus cuerpos y de sus sentimientos, y del placer y curación que son posibles cuando se dan relaciones basadas en la cooperación más que en la jerarquía y la dominación.

Imagina un mundo en el que hombres y mujeres trabajen juntos para desarrollar el sentido de paz interna que se produce al sentarse quieto un par de días al mes; un mundo en el que los hombres apoyen a las mujeres para que pasen algunos días en calma y silencio; un mundo en el que la sangre menstrual sea otra vez un fluido mágico con el poder de nutrir la vida nueva; un mundo en el que la menstruación sea entendida como el Sabbath de las mujeres —un espacio natural dentro de un ciclo lunar para el retiro, la introversión y el trabajo interno; un mundo del cual las mujeres emerjan como la misma luna nueva, renovadas y mudadas de la vieja piel.

Hace algunos años tuve la oportunidad de pasar largas temporadas sola en un lugar hermosos en las Sierras a orillas del Lago Tahoe, un lugar vasto y azul sagrado para los Indios. Comencé a retirarme por completo cuando tenía mi período, quedándome quiera y sola, sentada en la tierra bajo el sol, con lagartijas y grajos azules como compañía, con el viento y la luna y el sol, las ondas y los colores de la superficie del lago guiándome y entreteniéndome. Viajaba dentro de mi psique y me encontraba repentinamente llorando por algo olvidado hace mucho, algún suceso de mi niñez o adolescencia. Mi período se volvió un tiempo en el que era particularmente capaz de abrirme al material psicológico y a soltar emociones. Noté que después de los primeros días de sangrado me quedaba muy quieta y callada durante aproximadamente un día, y aparentemente no sucedía nada - un espacio vacío después del llanto y los recuerdos. Luego, conforme mi período terminaba, había varias horas de claridad en las que era particularmente creativa y abierta a información acerca del futuro —por lo general del mes siguiente, pero a veces más adelante aún.

Este patrón continúa, aunque usualmente es menos intenso hoy en día. Gran parte de los embrollos psicológicos que guardaba profundamente han sido soltados —probablemente tanto como mi psique quiere hacerse cargo en esta etapa de mi vida. Ahora me siento más actualizada conmigo misma, así que hay menos cosas que soltar, por lo general son simplemente cosas a las que me he aferrado durante el último mes. Todavía lucho con el tiempo vacío y a menudo comienzo a hacer cosas, imaginando que no está sucediendo nada internamente, sintiendo que sería mejor regresar a mis actividades en el mundo externo. Con frecuencia esto tiene repercusiones y encuentro que logro muy poco y gasto mucha energía. Es difícil sentarse quieta cuando no surge nada en qué trabajar, me es difícil honrar ese vacío aunque sé que precede a la creatividad, la inspiración y la percepción interna. Todo es parte del proceso, pero se trata de una parte sin dramatismo y aún tengo la tendencia de tratarlo sin miramientos.

No suelo practicar la meditación todos los días. Prefiero ajustar mi tiempo de contemplación a mis propios impulsos. Cuando tengo mi período, a menudo entro en un espacio callado, solitario y meditativo durante tres o cuatro días, y luego mucho menos frecuentemente el resto del mes. Siento esto como un ritmo muy natural para mí, y es por eso que considero el tiempo de sangrado como el Sabbath de las mujeres.

Sangrar en la Tierra

Tradicionalmente, las mujeres Nativo Americanas acudían al recinto de la luna mientras menstruaban y sangraban sobre musgo, sentadas en la tierra. Consideran que la relación entre las mujeres y la tierra es de suma importancia, y dicha relación es nutrida mediante sangrar en la tierra. Cuando las mujeres hacen esto tienen una conexión celular directa con la tierra, lo cual las ayuda a centrarse y a "hacer tierra".

La primera vez que escuché la idea de sangrar en la tierra de una amiga mía, pensé que sonaba un poco tonto, un poco pretencioso. Pero comencé a hacerlo tentativamente, y empecé a sentir un vestigio de conexión con algo muy antiguo. Uno de los problemas que tuve fue averiguar cómo hacerlo. Las mujeres nativo Americanas solían sentarse sobre musgo en la casa de la luna. ¿Dónde se suponía que debía sentarme a sangrar? Aún si encontraba un buen pedazo de tierra donde sentarme, no quería quedarme ahí todo el tiempo. Entonces comencé a usar almohadillas de tela para absorber mi sangre, las que remojaba en agua antes de lavarlas. Me di cuenta de que podía verter el agua de remojo en la tierra, así que eso es lo que hago ahora. El agua es de un hermoso color rojo, y la vierto en la tierra alrededor de las plantas. Este acto me llena con un sentimiento de conexión, de propiedad, de estar en paz con algo que a menudo es hecho a un lado en la vida moderna. Actos simples de valor, sabiduría simple.

Es como cortar leña, arrullar a un bebé, hornear pan o beber de un riachuelo silvestre. Es uno de esos actos de ser un ser humano que está fuera del tiempo, que tiene un valor eterno, parte de estos continuos giros de vida y muerte. Las células que mueren en mi cuerpo y que son transportadas en la sangre menstrual, son alimento para la tierra. Lo que muere da a luz. Lo que muere alimenta a quienes viven y habrán de vivir.

Si ignoro mi sangre me distancio de este conocimiento. Temo a mi sangre y me desagrada —pues si desconozco que también es alimento, que también es un regalo que yo porto, entonces la veo como mera pérdida. Un desperdicio de sangre, un desperdicio de tiempo, un bebé que no fue concebido. Ya sea que desee un embarazo o no, mi sangre es siempre un regalo. Y es un regalo en el sentido literal, así como un regalo psíquico para mí misma. Es un regalo de mi cuerpo a la tierra: la madre que me ha alimentado y nutrido cada día de mi vida.


© Lara Owen

Bibliografía:
"Daughters of Copper Woman", Anne Cameron, Press Gang 1981
"Blood Magic", Buckley & Gottlieb eds., University of California 1988
"The Once & Future Goddess", Elinor Gadon, Harper & Row 1989
"The Woman's Encyclopedia of Myths & Secrets", Barbara Walker, Harper & Row, 1983