Poesia de um Eremita e Amante

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Entrei-me aonde não soube
e quedei-me não sabendo,
toda ciência transcendendo.

Eu não sabia onde entrava,
porém, quando ali me vi,
sem saber aonde entrava,
grandes coisas entendi:
não direi o que senti,
que mo quedei não sabendo,
toda ciência transcendendo.

De paz e de piedade
era a ciência perfeita,
em profunda solidão,
entendida a via reta:
era coisa tão secreta,
a fala subvertendo,
toda ciência transcendendo.

Estava tão embebido,
tão absorto e tão alheado,
que se quedou meu sentido
de todo o sentir privado:
e o espírito dotado
de entender não entendendo,
toda ciência transcendendo.

Que ali chega verdadeiro
de si mesmo desfalece:
quanto sabia primeiro
muito baixo lhe parece:
sua ciência tanto cresce
que se queda não sabendo
toda ciência transcendendo.

Quanto mais alto se ascende,
tanto menos entendia
que negra nuvem se acende
que as trevas esclarecia:
por isso quem a sabia
queda sempre não sabendo
toda ciência transcendendo.

Este saber não sabendo
é de tão alto poder,
que os mais sábios revolvendo
jamais o podem vencer:
pois não chega o seu saber
a no' entender entendendo,
toda ciência transcendendo.

E é de tão alta excelência
este mais sumo saber
que faculdade ou ciência
não há para o compreender:
quem a si souber vencer
com um não saber sabendo,
irá sempre transcendendo.

E, se quiserdes ouvir,
consiste a suma ciência
em num subido sentir
da só divinal Essência:
obra é de sua clemência
o quedar não entendendo,
toda ciência transcendendo.

São João da Cruz nasceu na província de Ávila (Espanha) em 1542. Passados alguns anos na Ordem dos Carmelitas, a partir de 1568 foi a instâncias de Santa Teresa de Ávila- o primeiro que se declarou a favor de sua reforma, por meio da qual suportou inumeráveis sofrimentos e trabalhos. Morreu em Úbeda no ano 1591, com grande fama de santidade e sabedoria, das que dão testemunho precioso seus escritos espirituais.

— Que bem sei eu a fonte que mana e corre mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
mas eu bem sei onde tem sua guarida,
mesmo de noite

2 comentários:

Martyn disse...

Água Viva

Composição : Raul Seixas / Paulo Coelho

http://www.youtube.com/watch?v=mOwv4eC2bRc

Martyn disse...

Comentários Pessoais
Esta música é mais uma linda pérola do genial Raul Seixas. Para mim é uma de suas mais bonitas músicas. Ela, como se diz na gíria "dá muito pano para manga", tais as possibilidades de interpretação. Eu, particularmente, acredito que, com "Água Viva", Raul Seixas quer dizer o conjunto de princípios divinos (desconhecidos por nós), que regem os Homens na sua passagem pelo planeta Terra. Seria o princípio por nós desconhecido que impulsiona o Homem para a vida. Com “ainda que seja de noite”, ele quer se referir à situação de dificuldades de entendimento. Ainda nesta situação ou situações, ele diz que sabe muito bem o que significa a "água viva", (já explicada acima)"" . Mas tem-se que atentar que no final do clip a atriz Paloma Duarte aparece e recita "Caminhos II", que é uma segunda versão ( também de Raul Seixas) da música "Caminhos" de Raul Seixas e que não tem nada a ver com "Água Viva". Coisa de quem começou agora a gostar de Raul Seixas....rsrsrs.

http://edsanto.multiply.com/video/item/4/4