Acontece(u) na Islândia

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Aconteceu na Islândia, mas pergunte-se o seguinte ao ler esta postagem:

Por que isto, que é tão aparentemente incrível, não foi amplamente divulgado?

Fonte: Informação Incorrecta

Há um País que nos últimos tempos desapareceu por completo das notícias.

Ao longo de algumas semanas títulos, reportagens. Depois nada, o silêncio absoluto.

De facto, a Islândia desapareceu dos mapas.
Será que ainda existe? Ou simplesmente emigrou rumo outro planeta? Um tsunami engoliu a ilha? Foi um dos seus vulcões que vaporizou tudo?

Que aconteceu afinal?

Acontece uma coisa esquisita: a Islândia está a resolver os próprios problemas.
Como? Esta é a parte mais divertida.

Mas antes um pequeno passo atrás.
Vamos lembrar.

2008

Em Setembro o maior banco é nacionalizado, o Banco Glitnir. O colapso da moeda e da Bolsa de Valores suspende todas as actividades: o País declara falência.


2009

Em Janeiro os protestos dos cidadãos em frente ao Parlamento causam a renúncia do Primeiro Ministro, Geir Haarde, e de todo o governo, a Aliança Social-Democrata (Samfylkingin), forçando o País para as eleições antecipadas.

A situação económica continua a ser precária. O Parlamento propõe uma lei que prevê o pagamento da dívida em relação à Grã-Bretanha e à Holanda através do pagamento de 3,5 mil milhões de Euros: uma verdadeira taxa paga por cada família da Islândia, mensalmente, por um período de 15 anos e uma taxa de juros de 5,5%.

2010

Os cidadãos voltam a ocupar as ruas e exigem um referendo acerca da medida mencionada acima.

2011

Em Fevereiro, o presidente Olafur Grímsson veta a ratificação da lei e escolhe o referendo consultivo.

A votação tem lugar em Março e implica a grande vitória do NÃO ao pagamento da dívida, com 93% dos votos.

Enquanto isso, o governo ordena investigações para determinar a responsabilidade civil e penal da crise.

São emitidos os primeiros mandados de captura que atingem vários banqueiros e membros do executivo.

A Interpol é responsável pela busca e captura dos procurados, pois todos os banqueiros envolvidos tinham abandonado a Islândia.

Neste contexto de crise, é eleita assembleia para redigir uma nova Constituição que deve incorporar as lições aprendidas durante a crise e substituir a actual Constituição (redigida com base no modelo dinamarquês).

Para o efeito, 25 pessoas são eleitas entre os comuns cidadãos, sem afiliação política, entre os 522 membros do Parlamento. Os dois únicos requisitos para ser eleitor são, além de não ser ligados a nenhuma formação política, a maior idade e ter o apoio de pelo menos 30 cidadãos.

A Assembleia Constitucional inicia os seus trabalhos em Fevereiro e tem um projeto chamado Magna Carta, que reúne a maioria das "Directrizes" surgidas por consenso durante as diversas reuniões públicas que ocorreram em todo o País.

A Magna Carta será aprovada no Parlamento imediatamente após a próxima eleição legislativa.


Resumindo, estamos perante um País que:
  • nacionalizou os principais bancos privados;
  • recusou pagar a dívida, nas mãos dos "especuladores" de turno;
  • obrigou o próprio Governo a demitir-se;
  • abriu um inquérito para determinar as responsabilidades locais da crise;
  • prendeu os responsáveis políticos e banqueiros;
  • aproveitou a crise para pôr ordem em casa, começando com uma nova Constituição redigida com a participação activa de todos os cidadãos.
Tudo isso de forma absolutamente pacífica.

E nós quase nada sabemos.
Não é curioso?

Agora, os mais perversos pensarão logo em censura. Mas Informação Incorrecta não gosta desta palavra e prefere outra: distração.

Isso mesmo, foi uma distração.
Os nossos media estão empenhados com outros assuntos, apenas isso.

Logo que os outros assuntos estejam resolvidos, de certeza amplo espaço será dedicado à situação da Islândia.
Será feito porque é importante.

É importante perceber que quando um País quer, pode. É importante porque a fria ilha demonstra claramente que há uma outra estrada, que há uma saída.

E se o leitor pensar "Ah, mas isso foi possível só porque a Islândia é pequena, é tão diferente", então fique descansado, pois os media demonstrarão que não é o tamanho que conta (estou a falar do País, malandros...), que são as ideias e os princípios que contam.

Que os espectros que nos assustam e impedem a acção, qualquer acção, são apenas isso: espectros.

Isso dirão os nossos media.
É só esperar. 200 ou 300 anos talvez.

Mas vale a pena.


Ipse dixit.

Fonte: Nexus

4 comentários:

Paula Fernandes disse...

Tenho um Blog tb e sei que sobre a Islandia ninguém se interessa... mas me surpreendi com seu texto falando sobre esse povo, tão interessante. Interessante prá chuchu... Pesquisei tb. Quiz saber como eles faziam arte, como as bandas criavam, o q criavam... e cheguei no Sigúr Ros. Só uma pessoa que fêz a pesquisa que vc fêz e com isso fêz o contato com essa cultura...é que é possível conpreender suas músicas... Se puder, tiver interesse, com calma, dá uma olhada nesse povo, partindo das músicas deles.
Adorei suas informações e quero postá-las, falando da fonte, é claro, se não se importa...

O homem e a mente disse...

Enquanto tivermos a ser controlados pela corja estamos feitos, temos que nos levantar.

Fernando Augusto disse...

Oi, Paula! Sinta-se à vontade para retransmitir a mensagem ;-)

Vou lhe fazer uma visita e grato pela presença.

Abraços,

F.A.

Fernando Augusto disse...

Levantemos-nos com armas poderosas e sutis contra o sistema constituído, antes de tudo, em nossas mentes.

Sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou grato!

F.A.