Certeza

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O homem tomado pela certeza torna-se periculoso - F.A.

9 comentários:

beijamim disse...

Mas é claro que fica perigoso, porque sua visão deixa de olhar o todo e se fixa num aspecto. Se olhasse o todo, veria que o aspecto particular está sempre sofrendo uma influência que irá, mais dia, menos dia, transformá-lo.
Certezas são bitolas, falsas seguranças. Mesmo a melhor certeza tem campo de aplicação.
Mas existem princípios que, uma vez identificados e verificada sua eficácia, operam como certezas na alma. Mesmo assim, são sinalizações que apontam sempre uma verdade maior.
Isso vale pra nós aqui embaixo, com o nível de consciência que temos. Não sei como é em outros extratos da realidade, onde a visão de conjunto fica mais ampla e integrada.

beijamim disse...

A maneira que uso para não ficar refém nem de certezas absolutas, que nos torna arrogantes e burros, nem da dúvida, que corrói e causa insegurança nos atos, faço o seguinte: trato minhas "verdades" como o melhor que eu tenho para manejar a realidade e a mim mesmo. Mas minhas verdades estão abertas.Quero dizer que sempre espero uma contrapartida que as equilibre, ou uma confirmação que me faça tirar mais proveito delas.

beijamim disse...

Mas para fazer isso, tive que aprender - e ainda estou aprendendo - a ouvir e observar.
Mesmo nos diálogos comuns, ninguém se ouve, quase todo mundo fica impaciente com a hora de sua fala, e mal ouve ou saboreia o que vem do interlocutor. É uma ansiedade fruto da pressa e da solidão. Nada novo pra quem nasceu ocidental,no século vinte, sob a égide de um neoliberalismo idiota.
Os índios daqui tem seu grau de aculturação, mas preservam ainda esse hábito de ouvir e observar, senão morrem muito fácil na floresta.
Tem índio que converso, ele ouve,e vai me dar a resposta no dia seguinte. E aí eu percebo que ele realmente pensou no assunto.

Fernando Augusto disse...

E tomado pela certeza da morte que será da periculosidade do homem?

Fernando Augusto disse...

"Os índios daqui tem seu grau de aculturação, mas preservam ainda esse hábito de ouvir e observar, senão morrem muito fácil na floresta.
Tem índio que converso, ele ouve,e vai me dar a resposta no dia seguinte. E aí eu percebo que ele realmente pensou no assunto".

\o/ \o/ \o/ Muito maneiro isso!

Fernando Augusto disse...

"Os índios daqui tem seu grau de aculturação, mas preservam ainda esse hábito de ouvir e observar, senão morrem muito fácil na floresta.
Tem índio que converso, ele ouve,e vai me dar a resposta no dia seguinte. E aí eu percebo que ele realmente pensou no assunto".

\o/ \o/ \o/ Muito maneiro isso!

beijamim disse...

Oi Fê! Tá rápido na resposta!
Na questão da morte, penso o seguinte: é uma ótima certeza pra te manter vivo. Em todos os sentidos.
Mesmo sendo reencarnacionista, percebo que o ego não é manifestação da totalidade de meu ser, ele é fruto de vários condicionamentos genéticos, familiares, históricos, culturais, etc.
Creio que esta personalidade tem sobrevida no astral, mas por mais que dure seus trezentos anos lá em cima, um dia se desfaz, porque a experiência daquele ego precisa ser reintegrada ao Eu maior, que é a gente mesmo de verdade.
Eu tenho pra mim, e já vi no Daime com grande dissabor, que quem não se ilumina, vira um aborto, e a terra consome de volta.
Então, a consciência da morte me ajuda nisso: só tenho esse agora, daqui a pouco não sei. Estou aperfeiçoando essa consciência, porque, no fundo, talvez por insegurança, todo mundo se acha eterno.

beijamim disse...

Tava conversando ontem com a mulher sobre isso, sobre o fato de tudo se apoiar no seu oposto, e da síntese disso poder sair alguma verdade ou alguma aplicação prática verdadeira.
Ele me perguntou o que eu achava do número três e aí a conversa rolou.
Estamos todos num barco de sincronicidade, porque procuramos em síntese a mesma coisa, que é a liberdade que alguma consciência nos dá. Vocês estão falando de magia prática, do poder do verbo e eu acho muito bom e necessário começar a usar o que se sabe e ainda compartilhar isso com os outros.
Essa questão da síntese, do três que reúne os opostos e por si gera algo consistente, faz parte deste arcabouço de conhecimentos mágicos aplicáveis.

Fernando Augusto disse...

A Ayahuasca é um bom exemplo da síntese ;-)

A própria consciência também pois é resultando do esforço da essência para tornar-se livre do condicionamento do ego.

Um outro exemplo é a Kundalini, que desperta pelo trabalho de união e transmutação das polaridades.

Todo o manifestado está regido pela lei do três.