DMT, Medicina, Iluminação e Alienígenas

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011



Acompanhamento para sessões: Dharma & Pesquisa sobre DMT

Rick J. Strassman, M.D.

Rick Strassman, M.D,. é professor associado clínico de psiquiatria da universidade de British Columbia. Ele está trabalhando em um livro (DMT, The Spirit Molecule) descrevendo sua pesquisa sobre uma droga psicodélica.

Janeiro de 1991, 23 minutos após eu injetar uma dose elevada de DMT (N,N-dimetiltriptamina) na veia do braço de Elena. Elena é uma psicoterapeuta de 42 anos, com experiência pessoal extensiva com drogas psicodélicas. O DMT é um psicodélico poderoso, de curta duração, que existe naturalmente nos fluídos do corpo humano. Também é encontrado em muitas plantas. Ela já leu textos budistas, mas pratica meditação taoísta.

Ela repousa em uma cama no quinto andar do Centro de Pesquisa Clínica do hospital da Universidade do Novo México. O tubo de plástico claro que dá acesso a sua veia está pendurado na cama. O prendedor de um aparelho de medir pressão está preso com alguma folga em seu braço. Os tubos estão ligados a traseira de um monitor que pisca.

30 segundos após a injeção, ela perde consciência da sala onde estamos. Além de mim, o marido de Elena, que acabou de passar por uma sessão parecida, e nossa enfermeira de pesquisa estão sentados quietos ao seu lado. Conheço por relatos de voluntários anteriores que os efeitos de pico de DMT intravenal ocorrem entre dois e três minutos após a injeção e que ela não conseguirá se comunicar por pelo menos 15 minutos, quando a maioria dos efeitos terão se dissolvido. Com os olhos fechados, ela começa a soltar gargalhadas, às vezes de maneira gritante, e seu rosto fica vermelho. “Bem, encontrei um buda vivo! Oh, Deus! Estou permanecendo aqui. Não quero perder isso. Quero manter meus olhos fechados para que isso se imprima [na minha mente]. Apenas porque é possível!”

Elena se sentiu ótima na semana seguinte. “A vida está bem diferente. Um buda agora está sempre na esquina da minha consciência”, diz Elena. “Tudo em que tenho trabalhado espiritualmente nos últimos anos virou uma certeza. Ganchos de esquerda do mundo cotidiano continuam a vir e me acertar. Mas a solidez da experiência me ancora, permite que eu lide com tudo isso. O tempo parou no pico da experiência; agora o tempo do dia-a-dia diminui a marcha. O terceiro estágio, aquele de voltar do pico foi o mais importante. Se tivesse aberto meus olhos muito cedo, não teria podido me integrar tanto à experiência”.

Dois anos depois, ela raramente consome psicodélicos. Sua mais importante lembrança da sessão de DMT foi a “claridez e pureza desse remédio”. A mais negativa: “A absoluta falta de caráter sagrado no contexto”. Muitas das mudanças em sua vida, particularmente uma profunda mudança de “pensar” para “sentir”, foi “apoiada” pela sessão de DMT. Mas já estava a caminho antes disso e continuou depois.

A experiência de Elena, repetida por 10% a 20% dos voluntários em nossos testes, representam os resultados mais gratificantes e intrigantes de nosso trabalho no Novo México. Meu próprio interesse no budismo e nos psicodélicos se encontraram da melhor maneira na “experiência de iluminação” induzida por DMT.

O nosso foi o primeiro projeto em 20 anos a obter financiamento do governo dos EUA para um estudo com drogas psicodélicas em humanos. Essa pesquisa científica foi o resultado de 18 anos de treinamento e experiência médica e psiquiátrica. Também tenho praticado o Zen budismo por mais de 20 anos. E foi na molécula de DMT que esses dois interesses finalmente se fundiram.

Há motivos importantes para se estudar drogas psicodélicas em humanos. O uso de LSD (”ácido”) e “cogumelos mágicos” (que contém psilocibina) continuam a se elevar. Entender o que (e como) os psicodélicos fazem com as funções cerebrais vai ajudar a tratar reações negativas de curta ou longa duração. Devido ao fato que há alguma similaridade entre efeitos de drogas psicodélicas e a esquizofrenia, a pesquisa pode também podem jogar nova luz sobre essa devastadora doença mental.

Há outras razões para se estudar drogas psicodélicas. Embora menos “médicas”, elas se relacionam com saúde e bem-estar. A principal entre elas é a semelhança entre estados psicodélicos e religiosos. Fiquei impressionado com as descrições “psicodélicas” de práticas de meditação intensiva em algumas tradições budistas. Devido ao fato que essas escrituras não mencionam drogas e que os estados parecem similares aos obtidos com uso de drogas psicodélicas, suspeitei que pode haver um molécula psicodélica natural no cérebro, ativada por meditação profunda.

Fui levado à glândula pineal como uma possível fonte de componentes psicodélicos produzidos sob certos estados mentais e físicos anormais. Essas condições incluiriam limiar da morte, nascimento, febre elevada, meditação prolongada, jejum e privação sensorial. Esse minúsculo órgão — o “assento da alma” ou “terceiro olho” para os antigos — deve produzir DMT ou substâncias similares com simples alterações químicas em um bem conhecido hormônio pineal, a melatonina, ou em um importante componente químico cerebral, a serotonina. Talvez seja o DMT, liberado pela pineal, que abre o olho da mente para realidades espirituais ou não-físicas.

A glândula pineal também exercia uma fascinação em mim porque ela se torna visível pela primeira vez no feto humano 49 dias depois da concepção [geração do embrião]. Essa também é a ocasião quando o sexo do feto se torna claramente distinguível. 49 dias, segundo diversos textos budistas, é quanto tempo leva para a força vital de alguém que morreu entrar na próxima encarnação. Talvez a força vital de um humano entre no feto após 49 dias através da pineal. E ela deve deixar o corpo, na morte, pela pineal. Essa ida e vinda deve ser acompanhada pela liberação de DMT pela pineal, mediando a consciência desses fenômenos incríveis.

Junto com o quebra-cabeça científico apresentado por essas similaridades entre estados místicos e psicodélicos, havia questões de cura que também me atraíram para ambos. O sentimento de que há “algo maior” que resulta de grandes episódios psicodélicos me levou a pensar que psicodélicos podem ajudar pessoas com problemas psicológicos, físicos e espirituais. Me pareceu crucial evitar a limitação que, com freqüência, estraga argumentos sobre a utilidade ou perigo das drogas, mantendo um ponto de vista mais amplo. Meu ponto de vista global que começou a emergir era como um tripé de pernas biológicas (cérebro), psicanalíticas (psicologia individual) e de religiosidade oriental (consciência e espiritualidade). As primeiras duas foram importantes em minha decisão de cursar medicina. A terceira me levou profundamente ao budismo.

Desapontado pela falta de espiritualidade do treinamento médico, me ausentei por anos da faculdade e explorei o Zen em uma série de retiros. A ênfase do Zen na experiência direta, seu método equilibrado para lidar com todos os fenômenos que surgem na meditação, e a importância da iluminação, todos combinavam comigo e com meu ideal de tradição religiosa.

Durante os quatro anos de minha especialização psiquiátrica, ajudei a fundar e manter um grupo de meditação afiliado com minha duradoura comunidade Zen. Fui ordenado budista leigo no meio dos anos 80. Foi no mesmo ano que recebi treinamento em psicofarmacologia clínica, aprendendo a ministrar drogas psicoativas em voluntários humanos em estudos científicos controlados.

A forma de nossa pesquisa no Novo México foi a biomédica tradicional, monitorando efeitos de diversas doses de DMT na pressão sanguínea, temperatura, tamanho da pupila e níveis no sangue de diversos componentes químicos que indicam atividade cerebral. Recrutamos usuários experientes com alucinógenos que eram adequados médica e psicologicamente. Isso porque eles poderiam reportar melhor sobre suas experiências e teriam menos probabilidade de entrar em pânico ou sofrer efeitos colaterais duradouros, em relação a usuários inexperientes. Os voluntários acreditavam na habilidade de psicodélicos ajudarem no “trabalho interior” e se ofereceram, pelo menos em parte, para usar o DMT em seu crescimento pessoal.

Havia um aspecto espiritual na experiência com DMT? E, se sim, isso seria útil por ele mesmo? Essa era uma das minhas razões principais para nosso programa de pesquisa com DMT.

A supervisão de sessões é chamada de “sitting”. Acredita-se que o termo vem da necessidade de uma “baby-sitter” para pessoas em estados, por vezes, altamente dependentes e vulneráveis. Mas, em nossas mentes, a prática budista foi uma fonte tão relevante quanto, para o termo. Nossa enfermeira e eu fizemos o máximo para praticar meditação na companhia dos voluntários: conscientes da respiração, em estado alerta, olhos abertos, prontos para agir, mantendo uma atitude “brilhante” e saindo do caminho das experiências dos voluntários.

Esse método é muito similar ao que Freud chamou de “atenção suspensa uniforme”, executada por um psicanalista treinado que fornece suporte através de uma postura, na maior parte, silenciosa mas presente. Experimentei esse tipo de “escuta” e contemplação como algo similar à meditação Zen.

Outro exemplo de como os psicodélicos e a meditação budista convergem foi o desenvolvimento de um novo questionário para medir estados de consciência. Os questionários anteriores para medir efeitos psicodélicos não eram ideais por muitos motivos. Alguns assumiam que psicodélicos causam nada mais que psicose, enfatizando experiências desagradáveis. Outras escalas foram desenvolvidas para voluntários que não sabiam quais drogas estavam consumindo ou quais efeitos surgiriam.

Sempre apreciei a visão budista de dividir a mente em cinco skandas (pilhas ou agregados) que, no todo, dão a impressão de um ego pessoal que experimenta. Esses são os familiares conceitos de “forma”, “sentimento”, “percepção”, “consciência” e “volição”. Pesquisei em diversos guias para a literatura do Abhidharma, o “cânone psicológico” budista, com mais de mil anos de uso no monitoramento do progresso da meditação. Pareceu que uma escala de avaliação baseada nos skandas poderia dar uma base excelente para uma descrição neutra e compreensiva de estados psicodélicos.

Divulguei que estava interessado em falar com pessoas que já experimentaram DMT. Logo, o telefone estava tocando com pessoas querendo descrever suas experiências. A maioria das 19 pessoas eram do Novo México e da Costa Leste, e quase todos estavam envolvidos em alguma disciplina terapêutica ou religiosa. Todos tinham boa educação, articulação e estavam impressionados com a habilidade do DMT de abrir a porta para estados altamente incomuns e não-materiais, maior do que psicodélicos de longa duração como psilocibina ou LSD.

Após completar essas entrevistas, decidi adicionar um sexto skanda ao questionário, chamado “intensidade”, que ajudou a quantificar a natureza da experiência.

Demos e analisamos esse novo questionário, chamado de Escala de Avaliação Alucinógena (Hallucinogenic Rating Scale - HRS), quase 400 vezes para mais de 50 pessoas em quatro anos. É interessante notar que o grupo de questões do método skanda trouxeram resultados mais sensíveis no trabalho com DMT do que um grande número de dados biológicos, como pressão sanguínea, temperatura e níveis químicos no sangue.

Além de determinar esse estilo de “acompanhamento” (sitting) e de medir reações, o budismo ajudou a tirar sentido das experiências que as pessoas tiveram em nosso ambiente relativamente esparso mas pronto para qualquer coisa que pudesse acontecer. Para muitos voluntários, mesmo aqueles com uso anterior de DMT, a primeira dose elevada de DMT intravenal foi como uma experiência de quase morte, que costuma ser fortemente relacionada com experiências místicas benéficas. Muitos se convenceram que estavam mortos ou morrendo. Muitos tiveram encontros com deidades, espíritos, anjos, criaturas inimagináveis e a fonte de toda a existência. Praticamente todos perderam contato com seus corpos em algum ponto. O caso de Elena é um bom exemplo de uma experiência de iluminação — soando idêntico aos relatos da tradição de meditação budista — proporcionada por uma dose alta de DMT.

Por um lado, a perspectiva budista pode tratar todas essas experiências com equanimidade. O fato de que, no budismo, se experimenta mesmo reinos não-materiais fornece uma base firme para aceitar e trabalhar com essas experiências. Ele também elimina o julgamento de que reinos não materiais são melhores (ou piores) que os materiais — uma tendência de algumas religiões New Age. A experiência de ver e falar com criaturas do tipo deva no transe de DMT é apenas isso: ver e falar com outros seres. Nem melhor, nem pior e nem mais ou menos confiável, do que qualquer um ou qualquer outra coisa.

Por outro lado, como tratar o voluntário que teve uma iluminação induzida por drogas? Certificá-lo(a) como iluminado? Explicar através da farmacologia o impacto meteórico da experiência?

Foi confuso. Primeiro, pareceu que uma dose alta de DMT era, de fato, transformadora. Com o passar do tempo, contudo, checando nossos voluntários por meses e anos, minha perspectiva de fato mudou. Enquanto alguns, como Elena, tiveram benefícios profundos de sua participação, um pequeno número de voluntários tiveram reações negativas e assustadoras, que exigiram algum cuidado depois.

Em outros, efeitos adversos mais sutis também se revelaram (como pode acontecer na prática budista) na forma de orgulho elevado — ou seja, uma divisão do mundo entre os que tem e os que não tem “entendimento”. Além disso, a “resolução” de problemas durante o estado alterado — particularmente comum com uma dose psicodélica alta — cuja solução não era colocada em prática, me pareceu pior do que nem tentar trabalhar determinada questão.

Conclui que não há nada inerente em psicodélicos que possua um efeito benéfico. Também não são farmacologicamente perigosos por eles mesmos. A natureza e os resultados da experiência são determinados por uma complexa combinação da farmacologia da droga, o estado do voluntário no momento do consumo e a relação entre o indivíduo e o ambiente físico e psicológico: droga, condição e ambiente.

Os voluntários que se beneficiaram mais das sessões de DMT foram os que provavelmente se beneficiariam mais de qualquer “viagem” — com ou sem drogas. Os que se beneficiaram menos foram aqueles que mais se sentiam invadidos pelo desconhecido, pelo unusual. As sessões mais difíceis aconteceram pela combinação de dois fatores. O primeiro foi a indisposição do voluntário para desistir do diálogo interno e consciência do corpo. A segunda, a incerteza ou relações confusas entre os voluntários e as pessoas presentes na sala. Assim, os efeitos “religiosos”, “adversos” ou “banais” dependeram mais da pessoa ou do que ela ou aqueles na sala trouxeram para a sessão, do que qualquer característica inerente da droga.

Assim, o problema de depender de uma ou diversas experiências psicodélicas transformadoras como prática é que não há uma estrutura que lide adequadamente com a vida cotidiana no intervalo entre as sessões. A introdução no ocidente de igrejas baseadas em plantas alucinógenas amazônicas, com seu conjunto de códigos morais e rituais, podem fornecer um novo modelo combinando práticas religiosas e psicodélicas.

No último ano de meu trabalho, um novo componente comum pessoal entre budismo e psicodélicos apareceu. Isso envolveu o que pode ser descrito como uma briga entre minha comunidade Zen e eu. Por anos, recebi apoio — pelo menos, implícito — de diversos membros da comunidade Zen para seguir com minha pesquisas. Estes eram praticantes antigos com suas próprias experiências psicodélicas anteriores. No ano passado, descrevi meu trabalho para membros da comunidade, ingênuos em relação a psicodélicos, que o condenaram fortemente. Praticantes antes a favor pareceram estar sendo pressionados para retirar qualquer apoio.

Essa preocupação estava especificamente direcionada a dois aspectos de nossa pesquisa. Um deles era uma futura psicoterapia com psicodélicos para doentes terminais, pesquisa que demonstrou potencial impressionante nos anos 60. Ou seja, em pacientes com dificuldades no processo de morte, uma sessão com uma alta dose psicodélica poderia atenuar o sofrimento e desespero associado com sua doença terminal.

A outra área de preocupação era o potencial para efeitos adversos, tanto os óbvios quanto os mais sutis, já previamente descritos.

Foram dados argumentos empíricos e com base nas escrituras para essa reprovação, além das experiências dos próprios membros da comunidade. Contudo, me pareceu que a principal preocupação era que seria muito desfavorável para eles, como uma comunidade budista, ter associado de alguma maneira o budismo com o uso de drogas. Pareceu que os praticantes que tiveram experiências psicodélicas (e descobriram que elas estimularam seu interesse pela vida meditativa) tiveram que dar o aval àqueles que nunca tiveram.

O que experimentei como um atrito entre disciplinas não é incomum no mundo e, talvez, na comunidade budista em particular. A questão se resume a: é considerado “budista” dar, consumir ou se ocupar com psicodélicos como ferramentas espirituais?

Vários projetos de pesquisa estão sendo planejados nos EUA, usando psicodélicos para tratar o vício em drogas — condição de alto índice de mortalidade, caso não seja tratada. Entendo os preceitos budistas que toleram o uso de “intoxicantes” por motivos médicos (por exemplo, cocaína para anestesia local, narcóticos para controle da dor). É importante notar se um budista sofre ou não tratamento igual por dar ou consumir um “intoxicante” psicodélico para o tratamento de uma condição médica. O complicador nesse caso é que efeitos psicológicos/espirituais de uma sessão adequadamente preparada e supervisionada podem revelar efeitos de cura.

Em uma área comum final, acredito que há modos em que o budismo e a comunidade psicodélica podem se beneficiar de uma aberta e franca troca de idéias, práticas e éticas. Para a comunidade psicodélica, a ética, o estruturamento disciplinado da vida, a experiência e as relações fornecidas por anos de comunhão budista têm muito a oferecer. Essa bem desenvolvida tradição poderia injetar significado e consistência em experiências psicodélicas isoladas, fragmentadas, pobremente integradas, sem o amor e compaixão necessários e praticados diariamente. Sem isso, essas experiências acabariam “fritas” num excesso de narcisismo e auto-indulgência.

Embora boas experiências sejam possíveis sem uma tradição de meditação budista, elas são menos prováveis sem a checagem e o balanceamento de uma comunidade dinâmica de praticantes.

Além disso, praticantes budistas dedicados com pouco sucesso em suas meditações, mas bem desenvolvidos em aspectos morais e intelectuais, poderiam se beneficiar de uma sessão psicodélica cuidadosamente agendada, preparada e supervisionada, para acelerar sua prática. Psicodélicos fornecem uma visão que — para alguém inclinado — pode inspirar o trabalho duro necessário para fazer dessa visão uma realidade viva.

Poema da Grande Transformação

sábado, 29 de janeiro de 2011

A primeira vez
que a morte passou pela minha vida,
caíram-me por terra
a coroa do império, o cetro do orgulho,
o castelo da vaidade.
E fui ficando mais leve
do enorme peso da vida.

A segunda vez
que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
cortou-me os braços
e todo o apego fugiu-me por entre os dedos.
E fui ficando mais livre
do enorme peso de existir.

A terceira vez
que a lâmina da morte passou pela minha vida,
cortou-me as pernas
e aprendi a caminhar com os próprios passos.
E fui ficando mais livre
do eterno peso de existir.

A quarta vez
que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
rasgou-me o horizonte do coração
e todas as estrelas do futuro
caíram-me aos pés.
E fui ficando mais solto
do pesado fardo de ser.

A enésima vez
que a Morte passou pela minha vida,
já estava podado
de quase todos os excessos do ego.
Separado o espesso do sutil,
reduzido à essência do ser.
E fui ficando mais leve
do aéreo peso da vida.

A última vez
que a morte passou pela minha vida,
decepou-me o pescoço e a esperança.
Minha cabeça rolou pelos campos de toda memória.
Estava livre de todo o excesso da matéria
e comecei a viver.

Luis Augusto Cassas (Poeta maranhense)

Vaidade

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As pessoas (eu, você,...) se assustam com o fim do mundo, 2012 e coisa e tal, como se não pudessem morrer de uma outra forma, menos grandiosa, menos trágica, menos apocalíptica, menos "midiática" e mais singela, mais humana, mais simplória, enfim, totalmente comum e tola.

O frisson do fim do mundo escamoteia a puerilidade da vida de muitos.

A vaidade humana não é fascinante?

F.A.

Transmutação da Energia Sexual - 7ª parte

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Tao do Sexo

De acordo com antigos e novos conhecimentos, ter orgasmo é uma coisa, ejacular é outra. Se homens e mulheres entenderem bem essa lição, a vida sexual (e a rotina caseira.) nunca mais serão as mesmas.

por Liane Alves | fotos Marcelo Zocchio | Produção Inara Correa

Conta-se que, ao distribuir as características que distinguiriam os homens das mulheres (e vice-versa), Deus teria perguntado: "Tenho aqui duas qualidades sensacionais. Quem gostaria, por exemplo, de fazer xixi em pé?" Os homens gritaram em uníssono: "Eu, eu, eu!" O Criador concordou, sorrindo, e disse: "Tudo bem, então. As mulheres ficam com os orgasmos múltiplos..."

Essa piada engraçadinha resume o que todo mundo acha que sabe - que orgasmo múltiplo é coisa para mulher e o prazer fulminante (seis segundos, no máximo) é característica do homem. E se não for assim? E se o homem for capaz de ter vários orgasmos em um mesmo encontro, mantendo durante horas seu pênis ereto?

Pois bem, isso é possível, sim. Essa verdadeira pepita de ouro do prazer sensual é conhecida por poucos felizardos no Ocidente, mas faz parte da sabedoria do Oriente e lá é praticada por milhões de pessoas. Nós é que, nesses assuntos, parece que sempre pegamos o bonde andando.

Fiz uma rápida pesquisa entre meus amigos: você sabia que é possível gozar sem ejacular? Dez deles começaram a frase com a mesma expressão: "O quêêê...?!" (vale dizer que conheço um monte de gente razoavelmente bem informada, jornalistas, fotógrafos, professores e profissionais liberais). Ninguém tinha a mais remota idéia dessa possibilidade, embora um ou outro já tivesse ouvido falar da relação sexual sem emissão de esperma. "Mas eu imaginava que, sem ejaculação, não era possível ter orgasmo, por isso nem me interessei tanto pelo assunto...", admitiu um deles, candidamente.

Honrosa exceção, um dos meus amigos já tinha ouvido falar do "tao do amor", o conjunto de técnicas sexuais utilizadas na China desde mais de 2 500 anos. E, ao se aprofundar nesse assunto, havia passado rapidamente da teoria para a prática. Giorgio, arquiteto de Turim, na Itália, é o maior buscador que já conheci. Ele acabou encontrando o tao do amor porque se interessa por tudo o que se relaciona com a espiritualidade, do I Ching ao Corão, da dança dos dervixes à meditação tântrica tibetana. Estudando o Taoísmo, chegou às práticas sexuais dos antigos mestres chineses.

Não foi, portanto, para melhorar sua performance na cama - embora isso tivesse acontecido naturalmente, ele me garante, em conseqüência das práticas. Ter vários ápices numa relação (uma hora e meia de duração, em média) foi se tornando normal para ele e sua companheira. E olha que meu amigo italiano já tem quase 60 anos! Ele dá uma sugestão: podemos percorrer os mesmos passos com alguém com quem a gente se dá bem, bons livros e muita prática. É só começar.

Quem pode dizer que conhece realmente as inúmeras possibilidades do sexo? Os pretensiosos, sem dúvida. É verdade que, na internet, podem ser encontradas mais de 158 mil descrições de cunnilingus ou 359 mil posições sexuais diferentes. Mas não é esse o ponto.

As técnicas do Oriente não servem para quem quer ganhar concursos de proezas. As técnicas conduzem a uma relação mais profunda e espiritual. Essa é a base. Depois disso, aí sim, é que acontecem as variações, como numa melodia.

Técnica só não vale
Técnica só não vale - esse é o primeiro mandamento de qualquer manual erótico oriental. Jolan Chang, um gênio na descrição do tao do amor, diz que, para conhecer o amor prazeroso, é preciso saber apreciar o pôr-do-sol dourado após um dia de chuva, a alegria de sentar-se sob uma árvore florida num vale cercado de montanhas ou de entrar debaixo da água gelada de uma cachoeira. Em outras palavras, é preciso ter os sentidos abertos, tesão pela vida.

Por isso, Chang recomenda aguçar o tato, o paladar, a audição e a visão como primeiro exercício para a arte amorosa (está tudo no livro dele O Taoísmo do Amor e do Sexo, editora Nórdica). Isso porque o prazer sexual, diz ele, está profundamente ligado à apreciação poética de cada momento.

Outra afirmação básica do tao do amor: a emissão de ching, ou esperma, é um golpe mortal na vitalidade masculina, um veneno. Calma, isso não quer dizer que o homem não possa ejacular nunca. Mas, sim, que quanto menos ejacular, melhor.

Jolan Chang recomenda uma tabelinha. Um rapaz de 20 anos, por exemplo, pode ter uma emissão a cada quatro dias. Um homem de 30, deve tê-la a cada oito dias. Um de 40, a cada dez dias. E um de 50, a cada 20. O homem de 60 anos não deveria ejacular mais. Porém, se for muito forte e saudável, pode fazê-lo apenas uma vez por mês.

Mas que fique bem claro: as relações sexuais ficam completamente liberadas, até diversas vezes por dia! O que o homem não pode é emitir (mais um pouquinho e explicamos como...).

Se as práticas taoístas são tão boas assim para manter a saúde e a energia vital do homem, por que que essa "novidade" ainda não saiu numa manchete do The New York Times? O pior - ou o melhor - é que já saiu, sim. As pesquisas do doutor Wayne van Voorthies, da Universidade do Arizona, ocuparam a primeira página do prestigiado jornal americano no dia 3 de dezembro de 1992.

Minhocas orgasmáticas
Ao estudar minhocas nematóides - que muitas vezes substituem os ratinhos em pesquisas científicas, porque também têm similaridades com nossos processos bioquímicos -, o doutor van Voorthies descobriu um fato surpreendente. As minhocas do primeiro grupo do seu estudo - que podiam copular livremente e esgotar seu estoque de esperma - viveram 8,1 dias; as do segundo grupo, que podiam ser chamadas de minhocas "monásticas", pois não mantinham relação sexual, viveram 11,1 dias. Já as do terceiro grupo, que o cientista batizou de minhocas "orgasmáticas", que não produziam esperma mas que podiam copular sempre que quisessem, sobreviveram 14 dias, 50% a mais que as minhocas do primeiro grupo!

O doutor van Voorthies se surpreendeu tanto que refez seu estudo quatro vezes para se certificar dos resultados. O artigo do The New York Times concluiu que "gerar esperma é muito mais difícil do que os cientistas imaginavam. Isso requer um desvio de recursos que pode vir a prejudicar a saúde masculina a longo prazo". Touché! É o que repetem, há milênios, os taoístas chineses.

A notícia está citada no livro Orgasmos Múltiplos do Homem - Os Segredos do Prazer Prolongado (editora Objetiva), uma verdadeira Bíblia das práticas sexuais do tao do amor, escrito por Mantak Chia, mestre em sexualidade taoísta e qi gong (leia mais sobre qi gong na seção "Respostas"), e Douglas Abrams Arava, da Universidade da Califórnia. Uma obra que não pode faltar na estante - do seu quarto, eu sugiro.

O pico de jade
Para conhecer a linguagem dos livros que falam da arte de não emitir, é preciso compreender sua terminologia peculiar. Quando o livro é técnico, como as várias obras da médica americana Barbara Keesling, de cara a gente fica sabendo que "PC" não é um computador, mas sim o músculo pubococcígeo que comanda as contrações genitais. O PC está presente em 90% das páginas dos manuais eróticos ocidentais.

Há muitos exercícios para melhorar a performance desse músculo. E fazendo isso, garante Keesling, autora de Como fazer Amor a Noite Toda... e Levar uma Mulher à Loucura (editora Record), uma vagina pode se tornar mais apertada e estimulante, ou o homem terá mais facilidade para contrair o músculo certo na hora de evitar a emissão.

Já quando a obra se refere a práticas taoístas da antiga China, as palavras empregadas são saborosíssimas. "Pico de jade" é fácil de adivinhar. "Portão escuro" também. Fica mais difícil entender que "pico do lótus vermelho" são os lábios ou que "flor do luar" se refere à lubrificação feminina. Em todo caso, sempre há uma explicação para o leitor, entre parênteses, quando aparecem esses termos mais difíceis.

Os nomes das posições sexuais também são encantadores. Quando a mulher usa as duas mãos para agarrar o pescoço do parceiro e entrelaça os pés nas suas costas está na posição "bicho-de-seda tecendo o casulo". E por aí vai: martins-pescadores unidos, borboletas em vôo, cão de outono, bambus perto do altar, fênix segurando sua galinha, macaco que canta na árvore ou gaivotas voadoras são algumas das outras variações.

A hora da verdade
Nas obras taoístas, particulariza-se com detalhes a quantidade das estocadas. A seqüência duas rasas e uma profunda é a mais clássica, e pode se transformar, por exemplo, em nove rasas e uma profunda. Os chineses também ensinam que as estocadas podem ser diretas, indiretas, enviezadas para a direita, para a esquerda, ou até circulares. E não para ganhar medalha de atletismo, mas porque existe aí uma função terapêutica.

Cada diferente tipo de estocada massageia um ponto, no pênis ou na vagina, que está relacionado a um órgão do corpo. Por isso, afirmam os conhecedores dessa arte, é que as relações sexuais são tão benéficas: elas ajudam a tonificar todos os órgãos. Se outros motivos não existissem, esse só já bastava. Ora. existe melhor maneira de fazer massagem do que com os órgãos sexuais?

Então, neste ritmo de duas estocadas rasas e uma profunda, o homem chegará a um momento em que terá vontade de ejacular. É a hora da verdade. Antes de chegar a um ponto sem retorno, ele vai sentir que o orgasmo se aproxima. Exercícios, feitos anteriormente a solo (sozinho), ajudam a identificar esse momento vital. A parceira, que é cúmplice e, logicamente, também segue as muito sábias instruções do tao, saberá que a hora X chegou.

Ondas de prazer
Muitas técnicas costumam ajudar nesse momento. O homem pode, simplesmente, retirar o pênis da vagina por alguns segundos, que é a chamada técnica do cadeado. Também pode deslocar a atenção para a sua respiração, que fica mais profunda. Há também a opção dele, ou de sua parceira, de pressionar o períneo (ponto que fica entre o ânus e o escroto) e desviar a energia dos genitais para a espinha dorsal. Ou, ainda, é possível apertar, com os dedos em forma de anel, a base do pênis (por favor, se quiser tentar essas técnicas, compre os bons livros e leia-os antes de se aventurar).

Passado o perigo, volta então o ritmo anterior de duas estocadas rasas e uma profunda. Outras posições podem ser tentadas mas não se aconselha, no começo, as mais profundas, pois assim o homem terá muita vontade de emitir. Nesse vaivém tranqüilo, o homem se nutre da energia yin feminina e a mulher, da força yang masculina.

Disse o mestre Osho, autor da obra Do Sexo à Supraconsciência, editora Cultrix, que se for possível manter uma união sexual por uma hora ou mais, uma verdadeira corrente elétrica alimentará os dois amantes de vitalidade e energia.

E os orgasmos masculinos múltiplos? Eles começam a acontecer quando se pratica a não-emissão e se percebe que, antes da ejaculação, é possivel desviar a energia para os orgasmos - e não para o ato de ejacular.

Segundo o mestre Mantak Chia, o orgasmo não-ejaculatório pode ser sentido tanto na pélvis quanto em outras partes do corpo - os taoístas dizem que é possível sentir as contrações orgasmásticas até dentro do cérebro. Parece ficção científica mas ele jura que é verdade.

Mantak também afirma que tanto homens quanto mulheres podem ter orgasmos múltiplos discretos (com um clímax seguido de outros ápices mais suaves) bem como orgasmos contínuos (em que cada ápice é mais forte que o outro). Contudo, para chegar a isso, a maioria das mulheres precisará de estímulo durante muito tempo - simbolicamente, mais de mil estocadas, ou cerca de duas horas, pelos meus cálculos. O seu parceiro, portanto, terá de estar bem preparado para a maratona.

Concluindo, o homem que aprende a manter a ereção e a aproveitar sua natureza multiprazerosa é o par perfeito da mulher que também deseja usufruir da alegria dos orgasmos múltiplos. Foram feitos um para o outro.

Dizem nossos irmãos da China que todos podemos ser esse homem ou essa mulher. Para isso, é só mergulhar num clima terno e amoroso, quase meditativo, ter tempo e conhecer algumas técnicas essenciais. Portanto, mesmo não sendo mestre e sem precisar lançar mão de nada muito exótico ou difícil, com calma, aos poucos, qualquer um pode chegar lá. Sem gozação.
"Equilíbrio" Edições Anteriores
Conta-se que, ao distribuir as características que distinguiriam os homens das mulheres (e vice-versa), Deus teria perguntado: "Tenho aqui duas qualidades sensacionais. Quem gostaria, por exemplo, de fazer xixi em pé?" Os homens gritaram em uníssono: "Eu, eu, eu!" O Criador concordou, sorrindo, e disse: "Tudo bem, então. As mulheres ficam com os orgasmos múltiplos..."

Essa piada engraçadinha resume o que todo mundo acha que sabe - que orgasmo múltiplo é coisa para mulher e o prazer fulminante (seis segundos, no máximo) é característica do homem. E se não for assim? E se o homem for capaz de ter vários orgasmos em um mesmo encontro, mantendo durante horas seu pênis ereto?

Pois bem, isso é possível, sim. Essa verdadeira pepita de ouro do prazer sensual é conhecida por poucos felizardos no Ocidente, mas faz parte da sabedoria do Oriente e lá é praticada por milhões de pessoas. Nós é que, nesses assuntos, parece que sempre pegamos o bonde andando.

Fiz uma rápida pesquisa entre meus amigos: você sabia que é possível gozar sem ejacular? Dez deles começaram a frase com a mesma expressão: "O quêêê...?!" (vale dizer que conheço um monte de gente razoavelmente bem informada, jornalistas, fotógrafos, professores e profissionais liberais). Ninguém tinha a mais remota idéia dessa possibilidade, embora um ou outro já tivesse ouvido falar da relação sexual sem emissão de esperma. "Mas eu imaginava que, sem ejaculação, não era possível ter orgasmo, por isso nem me interessei tanto pelo assunto...", admitiu um deles, candidamente.

Honrosa exceção, um dos meus amigos já tinha ouvido falar do "tao do amor", o conjunto de técnicas sexuais utilizadas na China desde mais de 2 500 anos. E, ao se aprofundar nesse assunto, havia passado rapidamente da teoria para a prática. Giorgio, arquiteto de Turim, na Itália, é o maior buscador que já conheci. Ele acabou encontrando o tao do amor porque se interessa por tudo o que se relaciona com a espiritualidade, do I Ching ao Corão, da dança dos dervixes à meditação tântrica tibetana. Estudando o Taoísmo, chegou às práticas sexuais dos antigos mestres chineses.

Não foi, portanto, para melhorar sua performance na cama - embora isso tivesse acontecido naturalmente, ele me garante, em conseqüência das práticas. Ter vários ápices numa relação (uma hora e meia de duração, em média) foi se tornando normal para ele e sua companheira. E olha que meu amigo italiano já tem quase 60 anos! Ele dá uma sugestão: podemos percorrer os mesmos passos com alguém com quem a gente se dá bem, bons livros e muita prática. É só começar.

Quem pode dizer que conhece realmente as inúmeras possibilidades do sexo? Os pretensiosos, sem dúvida. É verdade que, na internet, podem ser encontradas mais de 158 mil descrições de cunnilingus ou 359 mil posições sexuais diferentes. Mas não é esse o ponto.

As técnicas do Oriente não servem para quem quer ganhar concursos de proezas. As técnicas conduzem a uma relação mais profunda e espiritual. Essa é a base. Depois disso, aí sim, é que acontecem as variações, como numa melodia.

Técnica só não vale
Técnica só não vale - esse é o primeiro mandamento de qualquer manual erótico oriental. Jolan Chang, um gênio na descrição do tao do amor, diz que, para conhecer o amor prazeroso, é preciso saber apreciar o pôr-do-sol dourado após um dia de chuva, a alegria de sentar-se sob uma árvore florida num vale cercado de montanhas ou de entrar debaixo da água gelada de uma cachoeira. Em outras palavras, é preciso ter os sentidos abertos, tesão pela vida.

Por isso, Chang recomenda aguçar o tato, o paladar, a audição e a visão como primeiro exercício para a arte amorosa (está tudo no livro dele O Taoísmo do Amor e do Sexo, editora Nórdica). Isso porque o prazer sexual, diz ele, está profundamente ligado à apreciação poética de cada momento.

Outra afirmação básica do tao do amor: a emissão de ching, ou esperma, é um golpe mortal na vitalidade masculina, um veneno. Calma, isso não quer dizer que o homem não possa ejacular nunca. Mas, sim, que quanto menos ejacular, melhor.

Jolan Chang recomenda uma tabelinha. Um rapaz de 20 anos, por exemplo, pode ter uma emissão a cada quatro dias. Um homem de 30, deve tê-la a cada oito dias. Um de 40, a cada dez dias. E um de 50, a cada 20. O homem de 60 anos não deveria ejacular mais. Porém, se for muito forte e saudável, pode fazê-lo apenas uma vez por mês.

Mas que fique bem claro: as relações sexuais ficam completamente liberadas, até diversas vezes por dia! O que o homem não pode é emitir (mais um pouquinho e explicamos como...).

Se as práticas taoístas são tão boas assim para manter a saúde e a energia vital do homem, por que que essa "novidade" ainda não saiu numa manchete do The New York Times? O pior - ou o melhor - é que já saiu, sim. As pesquisas do doutor Wayne van Voorthies, da Universidade do Arizona, ocuparam a primeira página do prestigiado jornal americano no dia 3 de dezembro de 1992.

Minhocas orgasmáticas
Ao estudar minhocas nematóides - que muitas vezes substituem os ratinhos em pesquisas científicas, porque também têm similaridades com nossos processos bioquímicos -, o doutor van Voorthies descobriu um fato surpreendente. As minhocas do primeiro grupo do seu estudo - que podiam copular livremente e esgotar seu estoque de esperma - viveram 8,1 dias; as do segundo grupo, que podiam ser chamadas de minhocas "monásticas", pois não mantinham relação sexual, viveram 11,1 dias. Já as do terceiro grupo, que o cientista batizou de minhocas "orgasmáticas", que não produziam esperma mas que podiam copular sempre que quisessem, sobreviveram 14 dias, 50% a mais que as minhocas do primeiro grupo!

O doutor van Voorthies se surpreendeu tanto que refez seu estudo quatro vezes para se certificar dos resultados. O artigo do The New York Times concluiu que "gerar esperma é muito mais difícil do que os cientistas imaginavam. Isso requer um desvio de recursos que pode vir a prejudicar a saúde masculina a longo prazo". Touché! É o que repetem, há milênios, os taoístas chineses.

A notícia está citada no livro Orgasmos Múltiplos do Homem - Os Segredos do Prazer Prolongado (editora Objetiva), uma verdadeira Bíblia das práticas sexuais do tao do amor, escrito por Mantak Chia, mestre em sexualidade taoísta e qi gong (leia mais sobre qi gong na seção "Respostas"), e Douglas Abrams Arava, da Universidade da Califórnia. Uma obra que não pode faltar na estante - do seu quarto, eu sugiro.

O pico de jade
Para conhecer a linguagem dos livros que falam da arte de não emitir, é preciso compreender sua terminologia peculiar. Quando o livro é técnico, como as várias obras da médica americana Barbara Keesling, de cara a gente fica sabendo que "PC" não é um computador, mas sim o músculo pubococcígeo que comanda as contrações genitais. O PC está presente em 90% das páginas dos manuais eróticos ocidentais.

Há muitos exercícios para melhorar a performance desse músculo. E fazendo isso, garante Keesling, autora de Como fazer Amor a Noite Toda... e Levar uma Mulher à Loucura (editora Record), uma vagina pode se tornar mais apertada e estimulante, ou o homem terá mais facilidade para contrair o músculo certo na hora de evitar a emissão.

Já quando a obra se refere a práticas taoístas da antiga China, as palavras empregadas são saborosíssimas. "Pico de jade" é fácil de adivinhar. "Portão escuro" também. Fica mais difícil entender que "pico do lótus vermelho" são os lábios ou que "flor do luar" se refere à lubrificação feminina. Em todo caso, sempre há uma explicação para o leitor, entre parênteses, quando aparecem esses termos mais difíceis.

Os nomes das posições sexuais também são encantadores. Quando a mulher usa as duas mãos para agarrar o pescoço do parceiro e entrelaça os pés nas suas costas está na posição "bicho-de-seda tecendo o casulo". E por aí vai: martins-pescadores unidos, borboletas em vôo, cão de outono, bambus perto do altar, fênix segurando sua galinha, macaco que canta na árvore ou gaivotas voadoras são algumas das outras variações.

A hora da verdade
Nas obras taoístas, particulariza-se com detalhes a quantidade das estocadas. A seqüência duas rasas e uma profunda é a mais clássica, e pode se transformar, por exemplo, em nove rasas e uma profunda. Os chineses também ensinam que as estocadas podem ser diretas, indiretas, enviezadas para a direita, para a esquerda, ou até circulares. E não para ganhar medalha de atletismo, mas porque existe aí uma função terapêutica.

Cada diferente tipo de estocada massageia um ponto, no pênis ou na vagina, que está relacionado a um órgão do corpo. Por isso, afirmam os conhecedores dessa arte, é que as relações sexuais são tão benéficas: elas ajudam a tonificar todos os órgãos. Se outros motivos não existissem, esse só já bastava. Ora. existe melhor maneira de fazer massagem do que com os órgãos sexuais?

Então, neste ritmo de duas estocadas rasas e uma profunda, o homem chegará a um momento em que terá vontade de ejacular. É a hora da verdade. Antes de chegar a um ponto sem retorno, ele vai sentir que o orgasmo se aproxima. Exercícios, feitos anteriormente a solo (sozinho), ajudam a identificar esse momento vital. A parceira, que é cúmplice e, logicamente, também segue as muito sábias instruções do tao, saberá que a hora X chegou.

Ondas de prazer
Muitas técnicas costumam ajudar nesse momento. O homem pode, simplesmente, retirar o pênis da vagina por alguns segundos, que é a chamada técnica do cadeado. Também pode deslocar a atenção para a sua respiração, que fica mais profunda. Há também a opção dele, ou de sua parceira, de pressionar o períneo (ponto que fica entre o ânus e o escroto) e desviar a energia dos genitais para a espinha dorsal. Ou, ainda, é possível apertar, com os dedos em forma de anel, a base do pênis (por favor, se quiser tentar essas técnicas, compre os bons livros e leia-os antes de se aventurar).

Passado o perigo, volta então o ritmo anterior de duas estocadas rasas e uma profunda. Outras posições podem ser tentadas mas não se aconselha, no começo, as mais profundas, pois assim o homem terá muita vontade de emitir. Nesse vaivém tranqüilo, o homem se nutre da energia yin feminina e a mulher, da força yang masculina.

Disse o mestre Osho, autor da obra Do Sexo à Supraconsciência, editora Cultrix, que se for possível manter uma união sexual por uma hora ou mais, uma verdadeira corrente elétrica alimentará os dois amantes de vitalidade e energia.

E os orgasmos masculinos múltiplos? Eles começam a acontecer quando se pratica a não-emissão e se percebe que, antes da ejaculação, é possivel desviar a energia para os orgasmos - e não para o ato de ejacular.

Segundo o mestre Mantak Chia, o orgasmo não-ejaculatório pode ser sentido tanto na pélvis quanto em outras partes do corpo - os taoístas dizem que é possível sentir as contrações orgasmásticas até dentro do cérebro. Parece ficção científica mas ele jura que é verdade.

Mantak também afirma que tanto homens quanto mulheres podem ter orgasmos múltiplos discretos (com um clímax seguido de outros ápices mais suaves) bem como orgasmos contínuos (em que cada ápice é mais forte que o outro). Contudo, para chegar a isso, a maioria das mulheres precisará de estímulo durante muito tempo - simbolicamente, mais de mil estocadas, ou cerca de duas horas, pelos meus cálculos. O seu parceiro, portanto, terá de estar bem preparado para a maratona.

Concluindo, o homem que aprende a manter a ereção e a aproveitar sua natureza multiprazerosa é o par perfeito da mulher que também deseja usufruir da alegria dos orgasmos múltiplos. Foram feitos um para o outro.

Dizem nossos irmãos da China que todos podemos ser esse homem ou essa mulher. Para isso, é só mergulhar num clima terno e amoroso, quase meditativo, ter tempo e conhecer algumas técnicas essenciais. Portanto, mesmo não sendo mestre e sem precisar lançar mão de nada muito exótico ou difícil, com calma, aos poucos, qualquer um pode chegar lá. Sem gozação.

http://vidasimples.abril.com.br/subhomes/equilibrio/equilibrio_234969.shtml

A transmutação da energia sexual - 6ª parte

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O caso do homem que se dizendo um antigo alquimista produz, na frente das câmeras de tv, da platéia e dos especialistas, em 1975, na Espanha, a transformação de chumbo em ouro, é algo pouco crível mesmo sendo real.

O impossível como possibilidade é apenas a realização daquilo que não se pensava como tal.

Porque se o homem concebe algo esse algo se torna possível.

Se assim não fosse como ele poderia concebê-lo?

De onde teria vindo aquela idéia?

E quando o impossível se realiza diante dos olhos do homem ele olha mas não vê; ou vê mas esquece; ou não esquece, mas justifica, e volta a dizer:

- Fraude! Isso é impossível.

E a própria ciência realiza o impossível tornando possível aquilo que não se julgava como tal, mas o agora possível - a transmutação dos metais - sai tão caro que o processo não compensa.

O que é isso?

Alquimia, a transmutação do chumbo em ouro.

E se tal é possível como uma operação externa ao corpo do homem também o será com relação ao seu interior.

Mas o que é isso?

A transmutação da energia sexual.

O mais difícil não é transmutar o chumbo em ouro, mas a ignorância preconceituosa em pura ignorância.

"Não sei."

Reconhecer isto é o mais difícil muitas vezes.





Ansiolítico

A morte ESPERA a vida inteira - F.A.

Orações

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Não devo temer. O medo é o assassino do Real, é a pequena-morte que oblitera o Ser. Eu enfrentarei o meu medo. Permitirei que ele passe através de mim e quando se for, eu olharei, com a minha visão interna, o seu rastro. No espaço vazio que ele deixou, nada existe afinal... Só eu permaneço!

Duna

"Como não se desespera por relacionar-se com ninguém, o guerreiro pode escolher seus afetos com sobriedade e desprendimento, tomando cuidado a todo momento para que as pessoas com as quais consente em ter relações sejam compatíveis com sua energia."

As pessoas o roubam de você mesmo. Quando você não puder ser mais roubado os que ficarem serão seus verdadeiros amigos. O normal é que não reste ninguém, mas você então se bastará.

Quando você se encontrar no outro você será você mesmo.

Eu sou um guerreiro
Meu corpo é perfeito
Minha mente silenciosa
Meu coração desapegado
Aceitei a responsabilidade de quem vai morrer
Vivo para o cumprimento impecável de minha tarefa
Vivo para amar a terra inteira
Até o momento de arder em meu fogo interior

O guerreiro é um caçador imaculado que caça o poder - Carlos Castaneda.

Vídeo de um festival de música e dança na UCLA, a Universidade do nagual Carlos, na primavera de 2007. Interessante notar a interação fraterna entre o caçador (Oxosse) e o guerreiro (Ogum). Tais arquétipos expressam bem as qualidades do caminho do guerreiro através da arte.



O caminho do guerreiro

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lenta e metodicamente, ele guiou minha percepção para focalizar com mais e mais intensidade a elaboração abstrata do conceito do guerreiro, que ele chamava o caminho do guerreiro e a senda do guerreiro. Ele explicou que o caminho do guerreiro era uma estrutura de idéias estabelecida pelos xamãs do México antigo. Esses xamãs tinham derivado essa estrutura por meio de sua capacidade em ver a energia que flui livremente no universo. Portanto, o caminho do guerreiro era um conglomerado muito harmonioso de fatos energéticos, verdades irredutíveis determinadas exclusivamente pela direção do fluxo de energia no universo. Dom Juan declarou categoricamente que não havia nada no caminho do guerreiro que pudesse ser discutido, nada que pudesse ser mudado. Esse caminho era em si mesmo e por si mesmo uma estrutura perfeita, e quem fosse que o seguisse era encurralado por fatos energéticos que não admitiam discussão, nenhuma especulação sobre sua função e seu valor.

Dom Juan disse que aqueles xamãs o chamavam de o caminho do guerreiro porque sua estrutura abrangia todas as possibilidades vivas que um guerreiro poderia encontrar na senda do conhecimento. Esses xamãs eram absolutamente exaustivos e metódicos na sua procura de tais possibilidades. Segundo Dom Juan, eles foram realmente capazes de incluir em sua estrutura abstrata tudo que é humanamente possível.

Dom Juan comparou o caminho do guerreiro a um edifício, no qual cada um de seus elementos é um dispositivo de suporte, cuja única função era sustentar a psique do guerreiro no seu papel de iniciante de xamã, com o objetivo de tornar seus movimentos fáceis e significativos. Ele declarou inequivocamente que o caminho do guerreiro era a estrutura essencial, sem a qual os iniciantes de xamã naufragariam na imensidão do universo.

Dom Juan chamava o caminho do guerreiro a glória suprema dos xamãs do México antigo. Ele o considerava a sua mais importante contribuição, a essência de sua sobriedade.

— O caminho do guerreiro é tão absolutamente importante, Dom Juan? — eu lhe perguntei uma vez.

— "Absolutamente importante" é um eufemismo. O caminho do guerreiro é tudo. É o resumo da saúde mental e física. Não posso explicar de outro modo. O fato de os xamãs do México antigo terem criado tal estrutura significa, para mim, que eles estavam no auge de seu poder, no cume de sua felicidade, no ápice de sua alegria.

(...)

— O intento desses xamãs — disse Dom Juan — era tão agudo, tão poderoso, que podia solidificar a estrutura do guerreiro em qualquer um que tocasse, mesmo que eles não tivessem consciência disso.

Em suma, o guerreiro era, para os xamãs do México antigo, uma unidade de combate tão sintonizada com a luta em volta dele, tão extraordinariamente alerta na sua forma mais pura, que ele não precisava de nada supérfluo para sobreviver. Não havia necessidade de dar presentes para um guerreiro, ou apoiá-lo com palavras ou ações, ou tentar dar-lhe consolo ou incentivo. Todas essas coisas já estavam incluídas na estrutura do próprio guerreiro. Desde que essa estrutura fosse determinada pelo intento dos xamãs do México antigo, eles se asseguravam de que qualquer coisa previsível estaria incluída. O resultado final era um lutador que lutava só e que tirava de suas próprias convicções silenciosas todo o impulso que necessitava para avançar, sem queixas, sem a necessidade de ser elogiado.

Pessoalmente, achei fascinante o conceito do guerreiro e, ao mesmo tempo, era uma das coisas mais amedrontadoras que jamais tinha encontrado. Pensava que era um conceito que, uma vez que eu o adotasse, me manteria preso numa servidão e não me daria nem tempo nem disposição para protestar, criticar ou me queixar. A queixa foi um hábito de toda a minha vida; para ser sincero, eu teria lutado com unhas e dentes para não deixá-la. Achava que a queixa era um sinal do homem sensível, corajoso e direto que não tem escrúpulos em admitir do que gosta e do que não gosta. Se tudo isso ia se transformar num organismo de luta, eu achava que ia perder mais do que podia me permitir.

Eram esses meus pensamentos profundos. E, contudo, eu cobiçava a direção, a paz, a eficiência do guerreiro. Um dos grandes auxílios que os xamãs do México antigo usaram ao estabelecer o conceito de guerreiro era a idéia de tomar a morte como uma companheira, uma testemunha de nossos atos. Dom Juan disse que, uma vez aceita essa premissa, mesmo numa forma mitigada, se forma uma ponte que se estende sobre o vazio entre o mundo de nossos afazeres mundanos e alguma coisa que está diante de nós, embora não tenha nome; alguma coisa que está perdida na neblina e não parece existir; alguma coisa tão terrivelmente obscura que não pode ser usada como ponto de referência e, no entanto, está aí, inegavelmente presente.

Dom Juan argumentava que o único ser na terra capaz de cruzar essa ponte era o guerreiro: silencioso em sua luta, ele é um homem que não pode ser detido porque não tem nada a perder; e um homem funcional e eficiente porque tem tudo a ganhar.

Roda do Tempo, de Carlos Castaneda

Transmutação da Energia Sexual - 5ª parte

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Existe um natal da alma, um nascimento da alma, que independe de tempo ou lugar porque se dá no espaço sagrado de nós mesmos.

Antes de entrarmos na interpretação de João 3; 1 a 14, sobre a transmutação da energia sexual criadora e o significado do segundo nascimento (notem que sincronicamente o ensinamento do mestre sobre esse ponto termina no parágrafo 14, que nos remete a Temperança e seus vasos alquímicos no Tarot, apesar do capítulo 3 ser mais longo), o natal da alma, precisamos lembrar do princípio hermético da analogia, chave lógica para a compreensão do ensinamento do rabi Jesus nesse ponto.

O Princípio da Correspondência

"O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima." − O CAIBALION −

"Este Princípio contém a verdade que existe uma correspondência entre as leis e os fenômenos dos diversos planos da Existência e da Vida. O velho axioma hermético diz estas palavras: "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.’ A compreensão deste Princípio dá ao homem os meios de explicar muitos paradoxos obscuros e segredos da Natureza. Existem planos fora dos nossos conhecimentos, mas quando lhes aplicamos o Princípio de Correspondência chegamos a compreender muita coisa que de outro modo nos seria impossível compreender. Este Princípio é de aplicação e manifestação universal nos diversos planos do universo material, mental e espiritual: é uma Lei Universal.

Os antigos Hermetistas consideravam este Princípio como um dos mais importantes instrumentos mentais, por meio dos quais o homem pode ver além dos obstáculos que encobrem à vista o Desconhecido. O seu uso constante rasgava aos poucos o véu de Isis e um vislumbre da face da deusa podia ser percebido. Justamente do mesmo modo que o conhecimento dos Princípios da Geometria habilita o homem, enquanto estiver no seu observatório, a medir sóis longínquos, assim também o conhecimento do Princípio de Correspondência habilita o Homem a raciocinar inteligentemente,do Conhecido ao Desconhecido. Estudando a mônada, ele chega a compreender o arcanjo".

A raiz e a copa se espelham.

A transmutação da energia sexual - 4ª parte

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nessa passagem Jesus fala de nascimento e, portanto, de natal, mas fala de uma maneira velada, e mesmo Nicodemos, que era mestre em Israel, não o entende. Nessa passagem Jesus fala da transmutação da energia sexual. Num próximo post esclareço a simbologia por trás das palavras do mestre gnóstico Jesus.


»JOÃO [3]


1 Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus.

2 Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.

3 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

5 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

7 Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

8 O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

9 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode ser isto?

10 Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?

11 Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho!

12 Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais?

13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem.

14 E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;

Servidão e Liberdade

sábado, 8 de janeiro de 2011

A única liberdade que os guerreiros têm é a de se comportar impecavelmente. A impecabilidade não é apenas liberdade; é a única maneira de endireitar a forma humana.

Salve, Oxum! Salve, Ogum!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para quem, como eu, como nós, quer atuar dentro da frequência vibratória dominante em 2011 ai vai essa pequena dica, recheada com uma história cheia de valiosos ensinamentos ;-)

Na verdade, devido as diferentes informações sobre os Orixás Regentes de 2011 resolvi eu mesmo jogar meus "búzios" para verificar quais seriam as vibrações dominantes nesse ano de 2011. É bom dizer que não sou pai no santo, nem feito ou assemelhado, mas me foi soprado pelo Espírito uma técnica para tal, usando o Tarô, e eis que ela me revelou os Orixás Ogum e Oxum, como regentes de 2011. Nisso também me veio a intuição de abrir o excelente livro de Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás, e me deparei logo de cara com a seguinte história, que logo transcrevo, Oxum dança para Ogum, uma bela história, cheia de ensinamento, onde a sedutora Oxum e o guerreiro Ogum travam um duelo sutil, de estratégia, onde a vitória é a vitória de todos os Orixás e de todos os Humanos.

Salve, Oxum! Salve, Ogum!

Pois nem toda a luta é violenta, nem toda a estratégia é de guerra, nem todo o combate é feito de vencedores e perdedores, tudo pode ser usado em determinada situação pelo bem comum, já que cada um tem um papel a cumprir na criação de qualquer coisa. Certamente tal história está cheia de dicas míticas de como devemos agir nesse 2011. Muitas e muitas vezes, como Ogum, temos o desejo de abandonar a nossa forja, o nosso trabalho e nos refugiarmos na floresta, nos afastarmos do mundo, deixar a luta e o trabalho de lado. Isso pode ser necessário por um tempo, mas apenas por um tempo para não afetarmos o equilíbrio do mundo, de nosso mundo. E o mundo em desequilíbrio sempre desenvolve todas as estratégias necessárias para a retomada do equilíbrio. O ano de 2011 nos aconselha a estratégia sedutora, sutil, persuasiva, dissimulada, astuta, envolvente, dançante e ao mesmo tempo corajosa, inteligente, audaz, confiante de Oxum, diante da qual o poderoso guerreiro Ogum retomou o seu trabalho para o bem do mundo, do nosso mundo.

Salve, Ogum! Salve, Oxum!

Quando nos cansarmos do trabalho árduo, da luta estafante fujamos por um tempo para a floresta, mergulhemos nas águas da Oxum, e deixemos que Ela nos limpe e nos cure para que renovados possamos como guerreiros cumprir felizes a nossa tarefa.

Salve, Oxum! Salve, Ogum!

Eu, Fernando Augusto, filho de Oxosse e Iemanjá, os saúdo!



Perante Obatalá, Ogum havia condenado a si mesmo
a trabalhar duro na forja para sempre.
Mas ele estava cansado da cidade e da sua profissão.
Queria voltar a viver na floresta,
Voltar a ser o livre caçador que fora antes.
Ogum achava-se muito poderoso,
Sentia que nenhum Orixá poderia obrigá-lo a fazer o que não quisesse.
Ogum estava cansado do trabalho de ferreiro e partiu para a floresta, abandonando tudo.
Logo que os Orixás souberam da fuga de Ogum, foram a seu encalço para convencê-lo a voltar à cidade e à forja,
Pois ninguém podia ficar sem os artigos de ferro de Ogum,
As armas, os utensílios, as ferramentas agrícolas.
Mas Ogum não ouvia ninguém, queria ficar no mato.
Simplesmente os enxotava da floresta com violência.
Todos lá foram, menos Xangô.
E como estava previsto, sem os ferros de Ogum,
O mundo começou a ir mal.
Sem instrumentos para plantar, as colheitas escasseavam
E a humanidade já passava fome.

Foi quando uma bela e frágil jovem veio à assembléia dos Orixás e ofereceu-se para convencer Ogum a voltar à forja.
Era Oxum a bela e jovem voluntária.
Os outros Orixás escarneceram dela, tão jovem, tão bela, tão frágil.
Ela seria escorraçada por Ogum
E até temiam por ela, pois Ogum era violento, poderia machucá-la, até matá-la. Mas Oxum insistiu, disse que tinha poderes
De que os demais nem suspeitavam.
Obatalá, que escutava mudo,
Levantou a mão e impôs silêncio.
Oxum o convencera, ela podia ir a floresta e tentar.

Assim, Oxum entrou no mato
E se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar.
Usava ela tão somente cinco lenços transparentes
Presos a cintura em laços, como esvoaçante saia.
Os cabelos soltos, os pés descalços,
Oxum dançava como o vento
E seu corpo desprendia um perfume arrebatador.
Ogum foi imediatamente atraído,
Irremediavelmente conquistado pela visão maravilhosa, mas se manteve distante.
Ficou à espreita atrás dos arbustos, absorto.
De lá admirava Oxum, embevecido.
Oxum o via, mas fazia de conta que não.
O tempo todo ela dançava e se aproximava dele
Mas fingia sempre que não dera por sua presença.
A dança e o vento faziam flutuar os cinco lenços da cintura,
Deixando ver por segundos a carne irresistível de Oxum.
Ela dançava, enlouquecia.
Dele se aproximava e com seus dedos sedutores
Lambuzava de mel os lábios de Ogum.
Ele estava como que em transe.
E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata,
Sutilmente tomando a direção da cidade.
Mais dançava, mais mel, mais sedução,
Ogum não se dava conta do estratagema da dançarina.
Ela ia na frente, ele a acompanhava inebriado,
Louco de tesão.
Quando Ogum se deu conta,
Eis que se encontravam ambos na praça da cidade.
Os Orixás todos estavam lá
E aclamavam o casal em sua dança de amor.
Ogum estava na cidade, Ogum voltara!
Temendo ser tomado como fraco,
Enganado pela sedução de uma mulher bonita,
Ogum deu a entender que voltara por gosto e por vontade própria.
E nunca mais abandonaria a cidade.
E nunca mais abandonaria a sua forja.
E os Orixás aplaudiam e aplaudiam a dança de Oxum.
Ogum voltou à forja e os homens voltaram a usar seus utensílios
E houve plantações e colheitas
E a fartura baniu a fome e espantou a morte.
Oxum salvara a humanidade com sua dança de amor.