Seja a geração do amor

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Eu sei, eu sei que tudo está ruim, difícil, estranho, mas por outro lado, por outro lado há algo de maravilhoso, espetacular, incrível que nos faz aqui estar e é por essa oportunidade que você (nós) na maioria das vezes, aguarda, sem saber, mas eu não tenho como lhe dizer, apenas indicar, de uma forma muito subjetiva, indireta, estranha, nutrindo a esperança que a sua alma entenda e não a sua razão. Quem sabe a música...

Documentário: Obsolescência intencional ou programado para dar defeito

sábado, 26 de fevereiro de 2011




Gracias mais uma vez ao DocVerdade!

(Espanha, 53min, 2011)

Documentário produzido pela TVE espanhola que trata da obsolescência programada, uma estratégia que visa fazer com que a vida de um produto tenha sua durabilidade limitada para que sempre o consumidor se veja obrigado a comprar novamente.


O filme abre com um funcionário da emissora descobrindo que sua impressora EPSON havia deixado de funcionar sem motivo aparente e que o custo de consertá-la sairia mais caro do que uma nova.

Isso aconteceu primeiramente com as lâmpadas, que duravam anos trabalhando ininterruptamente (há uma lampada que está acesa há mais de cem anos num posto dos bombeiros dos EUA) e, depois de uma reunião com o cartel dos fabricantes, passaram a fabricá-las para durar apenas 1.000 horas.

Essa prática tem gerado montanhas de resíduos, transformando algumas cidades de países de terceiro mundo em verdadeiros depósitos, sem falar na matéria prima e energia desperdiçadas.

Surge agora no mundo consumidores conscientes que voltam a exigir que seus produtos durem muito.

Para maior qualidade, ir diretamente ao link do documentário na TVE.

Para baixá-lo usar o navegador Firefox com o plugin Download helper.

Peneira cheia de água

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cinco discípulos viajaram por muitos dias para receberem os ensinamentos de um Mestre a respeito de vida.

- A Vida é uma peneira cheia de água.

Ouviram o Mestre mansamente dizer já no seu primeiro encontro. Muito confusos e até decepcionados com esse ensinamento, arriscaram uma pergunta:

- E o que deveremos fazer para vivermos intensamente e sem restrições?

- Ora, é muito simples: encham as suas peneiras de água, respondeu-lhes o Mestre em tom categórico. Dois deles, visivelmente insatisfeitos com o Mestre, decidiram partir imediatamente, lamentando terem vindo de tão longe para ouvirem tamanha baboseira.

Outros dois também regressaram logo, convictos de que havia um significado oculto nas palavras do Mestre, que eles deveriam descobrir através de um pormenorizado estudo dos Textos Sagrados.

Apenas um deles resolveu por em prática o ensinamento do Mestre.

Apanhou, pois, uma peneira e foi para a beira do rio, onde, pacientemente, hora após hora, dia após dia, tentou de todas as maneiras enchê-la de água, como o mestre havia recomendado. Reconhecendo o esforço e a humildade do discípulo, o Mestre aproximou-se dele e tomando a peneira da sua mão, disse:

- Apanhando um pouquinho de água de cada vez e despejando dentro da peneira, você nunca conseguirá enchê-la de água.

E num gesto rápido, lançou a peneira na correnteza do rio. Ao ver sua peneira encher-se de água sem parar, num caudaloso, regular, intenso, infinito e contínuo movimento, constatou que para viver a vida intensamente é preciso que se entregue à ela, por inteiro.

É necessário render-se ao aqui e agora, sem os conflitos de certo e errado, bom e mau, ou seja lá do que for. Inútil tentar fugir ou buscar significados ocultos para os fatos da vida. Só mergulhando nela poderemos saber o que a vida é e desfrutá-la integralmente, sem julgamentos de qualquer espécie. Por desatenção ao presente, o que se percebe da vida e consequentemente dela recebemos são apenas migalhas, gotículas insignificantes que passam sem deixar seqüelas, lances esparsos e não raro confusos do que está ocorrendo dentro e fora de nós.

Enquanto isso, a vida não pára de viver, conosco ausentes ou presentes. Daí brota a incômoda sensação de que algo está sempre nos faltando, de que a nossa peneira continua vazia, a despeito de todos os nossos humildes, resignados e constantes esforços.

Entrevista com o nagual

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Entrevista para a Revista Psychology Today, 1972.


Tradução: Miguel Duclós

Esta entrevista saiu logo depois da publicação do terceiro livro do autor, Viagem a Ixtlan. Ele estava procurando desvencilhar-se da alcunha de guru das drogas psicodélicas que havia recebido com a publicação dos primeiros livros. Este entrevistador, Sam Keen, talvez tenha sido o mais competente na formulação de perguntas. Sua formação em filosofia e teologia em Harvard e Princeton o fazem buscar paralelos entre os ensinamentos e as tradições ocidentais e orientais já conhecidas. Aparece aqui até uma curiosa afirmação de Don Juan a respeito do filósofo austríaco Wittgenstein. Leia a seguir.


Sam Keen:
Como eu acompanhei Don Juan através de seus três livros, suspeitei, às vezes, que ele era uma criação de Carlos Castaneda. Ele é quase bom demais para ser verdade. Um índio velho e sábio cujo conhecimento da natureza humana é superior ao de quase todo mundo.

Carlos Castaneda:
A idéia de que eu forjei uma pessoa como Don Juan não é convincente. Ele dificilmente seria o tipo de figura que minha tradição intelectual européia levaria a conceber. A verdade é sempre algo muito estranho. Eu não estava sequer preparado para fazer as mudanças na minha vida que a minha associação com Don Juan requisitou.

Sam Keen:
Como e quando você encontrou Don Juan e tornou-se seu aprendiz?

Carlos Castaneda:
Eu estava terminando meu trabalho de conclusão de curso na UCLA e planejando ir para a graduação em antropologia. Estava interessado em me tornar professor e pensei que poderia começar de maneira apropriada publicando um ensaio curto sobre plantas medicinais. Não podia ter me importado menos por encontrar um esquisitão como Don Juan. Eu estava em uma estação de ônibus no Arizona com um amigo do tempo do colégio. Ele apontou um velho índio yaqui e disse que ele tinha conhecimento sobre peiote e plantas medicinais. Fiz a melhor cara que pude e me apresentei a Don Juan dizendo: . Entendo que você sabe muito acerca do peiote. Eu sou um especialista em peiote (Eu havia lido o livro de Weston La Barre's, O ritual do peiote) e pode ser gratificante para você almoçar e passar um tempo comigo.. Bem, ele apenas me lançou um olhar e minha audácia dissolveu-se.

Fiquei completamente tímido e paralizado. Eu normalmente era muito vigoroso e falante, então foi um negócio sério ser silenciado com um olhar. Depois disso, comecei a visitá-lo e cerca de um ano depois ele disse-me que gostaria de me repassar o conhecimento da feitiçaria que havia obtido com seu mestre.

Sam Keen:
Então Don Juan não é um fenômeno isolado, mas faz parte de um grupo de feiticeiros que compartilham um conhecimento secreto?

Carlos Castaneda:
Certamente. Conheço três feiticeiros e sete aprendizes e existem muitos mais. Se você pesquisar a história da conquista espanhola no México, encontrará que os inquisidores católicos tentaram acabar com a feitiçaria porque a consideraram como uma coisa do demônio. Ela tem estado por aí há muitos milhares de anos. A maioria das técnicas que Don Juan me ensinou é muito antiga.

Sam Keen:
Algumas das técnicas que os feiticeiros usam é amplamente usada também por outros grupos secretos. As pessoas às vezes usam os sonhos para encontrar objetos perdidos, e vão para jornadas fora-do-corpo durante seu sono. Mas quando você diz como Don Juan e seu amigo Don Genaro fizeram o carro desaparecer durante a plena luz do dia, eu poderia apenas coçar a cabeça. Eu sei que um hipnotista pode criar a ilusão de presença ou ausência de um objeto. Você acredita que foi hipnotizado?

Carlos Castaneda:
Talvez, alguma coisa deste tipo. Mas temos que começar por perceber, como diz Don Juan, que existe muito mais no universo do que normalmente confessamos conhecer. Nossas expectativas usuais acerca da realidade são criadas por um consenso social. Nos ensinam como ver e perceber o mundo. O truque da socialização consiste em nos convencer que as descrições que estamos de acordo definem os limites do mundo real. O que chamamos de realidade é apenas um modo de ver o mundo, um modo que é sustentando pelo consenso social.

Sam Keen:
Então um feiticeiro, como um hipnólogo, cria um mundo alternativo construindo diferentes expectativas e fornecendo pistas premeditadas para produzir um consenso social.

Carlos Castaneda:
Exatamente. Eu comecei a entender feitiçaria nos termos da idéia de interpretação [glosses] de Talcott Parsons. Uma interpretação [gloss] é um sistema completo de percepção e linguagem. Por exemplo, esta sala e é uma interpretação. Nós reunimos juntos uma série de percepções isoladas: chão, teto, janela, luzes, tapete, etc para compor uma totalidade. Mas nós temos que ser ensinados a dispor o mundo junto desta forma. Uma criança experimenta o mundo com poucos pré-conceitos até que é ensinada a vê-lo de uma forma que corresponde à descrição que todos compartilham. O sistema de interpretações parece um pouco com caminhar. Nós temos que aprender a caminhar, mas uma vez que aprendemos ficamos sujeitos à sintaxe da linguagem e ao modo de percepção que ela contém.

Sam Keen:
Então a feitiçaria, assim como a arte, ensina um novo sistema de anotações. Quando, por exemplo, Van Gogh rompe com a tradição artística e pinta. O Céu Estrelado [The Starry Night], ele estava efetivamente dizendo: aqui está uma nova maneira de ver as coisas. As estrelas estão vivas e rodam em volta de seus campos energéticos.

Carlos Castaneda:
De uma certa forma. Mas existe uma diferença. Um artista normalmente apenas rearranja as velhas anotações que são apropriadas para seu grupo.

Sam Keen:
Don Juan estava lhe dessocializando ou ressocializando? Ele estava lhe ensinando um novo sistema de significados ou apenas um método para esvaziar o antigo sistema para que assim você pudesse ver o mundo como uma criança fascinada?

Carlos Castaneda:
Don Juan e eu discordamos quanto a isto. Eu digo que ele está me reinterpretando [reglossing]. Ensinando-me feitiçaria me deu um novo conjunto de interpretações, uma nova linguagem e uma nova maneira de ver o mundo. Uma vez eu li um pouco da filosofia da linguagem de Ludwig Wittgenstein e ele riu e disse. Seu amigo Wittgenstein amarrou o nó com muita força em torno de próprio pescoço, assim ele não pode ir muito longe..

Sam Keen:
Wittgenstein é um dos poucos filósofos que poderia ter entendido Don Juan. Sua noção de que existem muitos tipos diferentes de jogos de linguagem, ciência, política, poesia, religião, metafísica, cada um com sua própria sintaxe e regras, poderia ter permitido a ele entender a feitiçaria como um sistema alternativo de percepção e entendimento.

Carlos Castaneda:
Mas Don Juan pensa que o que ele chama de ver é apreender o mundo sem nenhuma interpretação. Este é o fim almejado pela feitiçaria. Para quebrar a certeza do mundo que sempre lhe foi ensinado, você deve aprender uma nova descrição do mundo da feitiçaria e então manter a velha e a nova juntas. Então você percebe que nenhuma das duas é final. No momento que você desliza entre as descrições; você para o mundo e vê. Você é deixado com o assombro, o verdadeiro assombro de ver o mundo sem nenhuma interpretação.

Sam Keen:
Você pensa que é possível ultrapassar as interpretações usando drogas psicodélicas?

Carlos Castaneda:
Eu penso que não. Está é minha briga com gente como Timothy Leary. Eu penso que ele estava improvisando dentro da sociedade européia e rearrumando meramente velhos sistemas de interpretação. Eu nunca tomei LSD, mas o que entendi dos ensinamentos de Don Juan é que os psicotrópicos são usados para interromper o fluxo das interpretações ordinárias, para aumentar as contradições dentro das interpretações e para romper as certezas. Mas somente as drogas não possibilitam você parar o mundo. Por isso que Don Juan teve de me ensinar feitiçaria.

Sam Keen:
Existe uma realidade normal que nós, ocidentais, pensamos que é o único mundo, e existe também a realidade a parte do feiticeiro. Quais as diferenças essenciais entre elas?

Carlos Castaneda:
Na sociedade européia o mundo é construído em grande parte pelo que os olhos informam à mente. Na feitiçaria o corpo todo é usado como percipiente. Como europeus vemos o mundo ao redor de nós e falamos sobre ele. Nós estamos aqui e o mundo está lá. Os nossos olhos alimentam a razão e não temos conhecimento direto das coisas. De acordo com a feitiçaria esta sobrecarga dos olhos é desnecessária.

Nós percebemos com o corpo total.

Sam Keen:
Ocidentais partem do pressuposto que sujeito e objeto são separados. Nós existimos a parte do mundo e temos de cruzar o vácuo para chegar até ele. Para Don Juan e a tradição dos feiticeiros, o corpo já está no mundo. Nós estamos unidos ao mundo, e não alienados dele.

Carlos Castaneda:
Isso mesmo. A feitiçaria tem uma teoria diferente de personificação. O problema da feitiçaria é o de harmonizar e arrumar seu corpo para ser um bom receptor. Os europeus lidam com seus corpos como se eles fossem um objeto. Nós os enchemos de álcool, comida ruim e inquietações. Se alguma coisa está errada nós pensamos que germes de fora invadiram o corpo e então importamos algum medicamento para curá-lo. A doença não é parte de nós. Don Juan não acreditava nisso. Para ele a doença é a desarmonia entre um homem e seu mundo. O corpo é consciente e deve ser tratado impecavelmente.

Sam Keen:
Isto parece similar à idéia de Norman O. Brown's onde as crianças, esquizofrênicos e aqueles com loucura divina da consciência dionisíaca estão cientes das coisas e das outras pessoas como extensões de seu corpo. Don Juan sugere algo do tipo quando diz que os homens de conhecimento têm fibras de luz que conectam seu plexo solar ao mundo.

Carlos Castaneda:
Minha conversa com o coiote é um bom exemplo das diferentes teorias de personificação. Quando ele chegou para mim eu disse: .Olá, pequeno coiote. Como você está?. E ele respondeu de volta: Estou bem. E você? Aqui eu não escutei as palavras da forma normal.

Mas meu corpo sabia que o coiote estava dizendo alguma coisa e eu traduzi isto em um diálogo. Como um intelectual, minha relação com o diálogo é tão profunda que meu corpo automaticamente transpôs para palavras o sentimento que o animal estava comunicando a mim. Nós sempre vemos o desconhecido nos termos do conhecido.

Sam Keen:
Quando você estava no modo mágico de consciência onde os coiotes falam e tudo é adequado e entendido parece que o mundo todo está vivo e o ser humano está em comunicações que incluem animais e plantas. Se abandonarmos nossas concepções arrogantes de que somos a única forma de vida que conhece e comunica talvez conseguíssemos perceber toda a sorte de coisas se comunicando conosco. John Lilly falava com os golfinhos. Talvez nos sentíssemos menos alienados se pudéssemos acreditar que não somos a única forma inteligente de vida.

Carlos Castaneda:
Nós podemos nos tornar capazes de falar com qualquer animal. Para Don Juan e os outros feiticeiros não havia nada de estranho na minha conversa com o coiote. Na verdade eles disseram que eu deveria ter pegado um animal mais confiável para amigo.Coiotes são trapaceiros e não pode se confiar neles.

Sam Keen:
Quais animais são os melhores para serem amigos?

Carlos Castaneda:
Cobras são amigos estupendos.

Sam Keen:
Uma vez conversei com uma cobra. Uma noite sonhei que havia uma cobra no sótão da casa onde eu vivia quando era criança. Peguei um pau e tentei matá-la. De manhã falei sobre o sonho a um amigo e ela me disse que não era uma coisa boa matar cobras, mesmo se elas estivessem no sótão em um sonho. Ela me sugeriu que na próxima vez que aparecesse uma cobra em sonho eu deveria alimentá-la ou fazer alguma coisa para atrair sua amizade. Cerca de uma hora depois eu estava dirigindo meu patinete motorizado numa estrada pouco usada e lá, esperando por mim, estava uma cobra de quatro pés, estirada no seu banho de sol. Eu a contornei e ela não se mexeu Depois de nos olharmos um nos outros por um tempo eu pensei que deveria fazer algum gesto para mostrar que estava arrependido de ter matado seu irmão em meu sonho. Eu cheguei perto e toquei sua cauda. Ela se enrolou mostrando que eu havia invadido sua intimidade. Então eu voltei e fiquei apenas olhando. Cinco minutos depois lá se foi ela atrás dos arbustos.

Carlos Castaneda:
Você não a espetou?

Sam Keen:
Não.

Carlos Castaneda:
Era uma amiga muito boa. Um homem pode aprender a chamar as serpentes. Mas você precisa estar em excelente forma, calmo, controlado, com um humor amigável, sem nenhuma dúvida ou assuntos pendentes.

Sam Keen:
A cobra me ensinou que eu sempre tinha pensamentos paranóicos em relação à natureza. Eu considerava animais e cobras perigosos. Após meu encontro jamais mataria outra cobra e começou a ser mais plausível para mim que nós possamos ter uma espécie de conexão viva. Nosso ecossistema pode muito bem incluir comunicações com outras formas de vida.

Carlos Castaneda:
Don Juan tinha uma teoria muito interessante acerca disso. As plantas, assim como os animais, sempre afetam você. Ele dizia que se você não pedisse desculpas para as plantas por colhê-las você provavelmente ficaria doente ou sofreria um acidente.

Sam Keen:
Os índios americanos tem crenças similares sobre os animais que eles matam. Se você não agradece o animal por dar a vida para que você possa viver, seu espírito pode lhe causar problemas.

Carlos Castaneda:
Nós temos uma associação com toda forma de vida. Alguma coisa se altera toda vez que machucamos a vida vegetal ou animal. Nós tiramos a vida para sobreviver mas devemos querer abrir mão de nossa própria vida sem ressentimentos quando chegar nossa vez. Nós somos tão importantes e nos levamos tão a sério que esquecemos que o mundo é um grande mistério que pode nos ensinar se escutarmos.

Sam Keen:
Talvez as drogas psicodélicas momentaneamente limpem o ego isolado e permitam uma fusão mítica com a natureza. A maior parte das culturas que conservam um senso de união entre o homem e a natureza também fez uso cerimonial das drogas psicodélicas. Você estava usando peiote quando falou com o coiote?

Carlos Castaneda:
Não, de maneira alguma.

Sam Keen:
Esta experiência foi mais intensa das que teve quando Don Juan lhe ministrou plantas psicotrópicas?

Carlos Castaneda:
Muito mais intensa. Todas as vezes que eu tomei plantas psicotrópicas eu sabia que havia ingerido algo e sempre podia questionar-me acerca da validade das minhas experiências. Mas quando o coiote falou comigo eu não tinha desculpas. Não podia explicar isso. Eu realmente parei o mundo e, saí completamente do meu sistema de interpretações europeu.

Sam Keen:
Você acredita que Don Juan vive neste estado de atenção a maior parte do tempo?

Carlos Castaneda:
Sim, ele vive num tempo mágico e ocasionalmente volta para o tempo normal. Eu vivo no tempo normal e ocasionalmente entro no tempo mágico.

Sam Keen:
Qualquer um que tenha viajado tão longe além do desgastado consenso deve ser alguém muito solitário.

Carlos Castaneda:
Penso que sim. Don Juan vive num mundo impressionante e deixou as pessoas rotineiras bem longe. Uma vez eu estava junto com Don Juan e seu amigo Don Genaro e vi a solidão que eles dividiam e sua tristeza em deixar para trás os enfeites e pontos de referência da sociedade normal. Penso que Don Juan transformou sua solidão em arte. Ele contém e controla seu poder, mistério e solidão e os transforma em arte. Sua arte é o caminho metafórico em que ele vive. É por causa disso que seus ensinamentos tem tanta carga dramática e unidade. Ele deliberadamente constrói sua arte e sua maneira de ensinar.

Sam Keen:
Por exemplo, quando Don Juan levou-o às montanhas para caçar animais estava conscientemente encenando uma alegoria?

Carlos Castaneda:
Sim. Ele não estava interessado em caçar por esporte ou por comida. Há 10 anos que o conheço, e o vi matar apenas quatro animais, e apenas nas vezes em que ele viu que suas mortes eram um presente para ele, assim como sua própria morte um dia será um presente para alguma coisa. Uma vez apanhamos um coelho numa armadilha, ficamos imóveis e Don Juan achou que eu devia matá-lo, pois seu tempo havia acabado. Fiquei desesperado porque eu tinha a sensação de que eu mesmo era o coelho. Eu tentei libertá-lo mas não conseguia abrir a armadilha. Então eu pisei na armadilha e quebrei acidentalmente o pescoço do coelho. Don Juan estava tentando me ensinar a assumir a responsabilidade por estar neste mundo maravilhoso. Ele inclinou-se e sussurrou no meu ouvido: .Eu lhe disse que este coelho não tinha mais tempo para vagar por este lindo deserto.. Ele conscientemente construiu a metáfora para me ensinar sobre os caminhos de um guerreiro. Um guerreiro é alguém que caça e acumula poder pessoal. Para fazer isto ele deve desenvolver a paciência e se mover deliberadamente sobre o mundo. Don Juan usou a situação dramática da caçada para me ensinar porque estava se dirigindo diretamente ao meu corpo.

Sam Keen:
Em seu livro mais recente, Viagem a Ixtlan, você revê a impressão dada nos primeiros livros de que o uso de plantas psicotrópicas era o método principal usado por Don Juan no intuito de ensiná-lo sobre a feitiçaria. Como você vê agora o lugar dos psicotrópicos em seus ensinamentos?

Carlos Castaneda:
Don Juan usou plantas psicotrópicas no período intermediário do meu aprendizado porque eu era muito estúpido, sofisticado e arrogante. Eu me agarrava à minha descrição do mundo como se ela fosse a única verdade. Os psicotrópicos criaram um vácuo no meu sistema de interpretações. Eles destruíram minha certeza dogmática. Mas eu paguei um enorme preço. Quando a cola que segurava meu mundo unido foi dissolvida, meu corpo estava fraco e eu demorei meses para me recuperar. Eu fiquei ansioso e funcionava a um nível muito baixo.

Sam Keen:
Don Juan usa drogas psicotrópicas regularmente para parar o mundo?

Carlos Castaneda:
Não. Ele pode agora mesmo pará-lo com a sua vontade. Ele me disse que para mim a tentativa de ver sem a ajuda das plantas seria inútil.

Mas se eu me comportasse como um guerreiro e assumisse a responsabilidade não precisaria delas; elas apenas enfraqueceriam meu corpo.

Sam Keen:
Isso pode soar um pouco chocante para vários admiradores seus. Você é uma espécie de santo patrono da revolução psicodélica.

Carlos Castaneda:
Eu tenho seguidores e eles têm idéias estranhas a respeito de mim. Eu estava andando para dar uma palestra no Califórnia State, em Long Beach, outro dia e um rapaz que me conhecia me apontou para uma garota e disse Ei, esse é o Castaneda.. Ela não acreditou nele porque tinha a idéia de que eu deveria parecer muito sobrenatural. Um amigo estava reunindo algumas das histórias que circulavam sobre mim. O consenso era que eu havia feito uma façanha mística.

Sam Keen:
Façanha mística?

Carlos Castaneda:
Sim, que eu andava de pés descalços como Jesus e não tinha calos. As pessoas acham que devo estar doidão a maior parte do tempo. Eu também cometi suicídio e morri em vários lugares diferentes. Um colega de departamento quase fez um escândalo quando eu comecei a falar sobre fenomenologia e sociedade e explorar o conceito de percepção e socialização. Eles queriam que eu falasse pausadamente, os deixasse altos e fizesse suas cabeças. Mas para mim o entendimento é importante.

Sam Keen:
Os rumores voam no vácuo de informações. Sabemos alguma coisa de Don Juan e muito pouco de Castaneda.

Carlos Castaneda:
Isto é uma parte proposital da vida do guerreiro. Para escapulir dentro e fora de diferentes mundos você deve permanecer discreto. Quanto mais você ser conhecido e identificado, mais sua liberdade vai ser reduzida. Quando as pessoas tiverem idéias definitivas sobre quem é você e como você vai agir, você não poderá mais se mexer. Uma das primeiras coisas que Don Juan me ensinou foi que eu tinha que apagar minha história pessoal. Se aos poucos você criar uma névoa em torno de si então você não vai ser tomado como garantia e você tem mais espaço para se mexer. É por causa disso que eu impeço gravações de áudio e fotografias quando dou palestras.

Sam Keen:
Talvez possamos ser pessoais sem sermos históricos. Você agora minimizou a importância da experiência psicodélica em relação ao seu aprendizado. E você não parece sair por aí fazendo o tipo de truques disponíveis no estoque dos feiticeiros. Que elementos dos ensinamentos de Don Juan são importantes para você? Você foi mudado por eles?

Carlos Castaneda:
Para mim as idéias de ser um guerreiro e um homem de conhecimento, com a esperança de eventualmente parar o mundo e ver, têm sido as mais adequadas. Elas tem me dado paz e confiança na minha capacidade de controlar minha vida. Na época que encontrei Don Juan eu tinha muito pouco poder pessoal. Minha vida havia sido muito errática. Eu percorri um longo caminho desde o local do meu nascimento no Brasil. Exteriormente eu era agressivo e arrogante, mas interiormente era indeciso e incerto acerca de mim. Estava sempre forjando desculpas para mim mesmo. Don Juan uma vez me acusou de ser uma criança profissional porque eu estava cheio de auto-piedade. Eu me sentia como uma folha ao vento. Como com a maioria dos intelectuais, minhas costas estavam contra o muro. Eu não tinha lugar para ir. Eu não podia perceber nenhuma forma de vida que realmente me excitasse. Eu pensei que tudo o que poderia fazer era uma acomodação amadurecida para uma vida de tédio ou encontrar formas mais complexas de entretenimento como usar drogas psicodélicas, maconha e ter aventuras sexuais. Tudo isso era aumentado pelo meu hábito de ser introspectivo. Eu estava sempre olhando para dentro de mim e falando comigo mesmo. O diálogo interno raramente parava.

Don Juan abriu meus olhos para o exterior e ensinou-me a acumular poder pessoal.

Não creio que haja outro modo de vida para alguém que queira estar cheio de energia.

Sam Keen:
Parece que ele fisgou você com o velho truque dos filósofos de segurar a morte diante dos seus olhos. Eu estava impressionado em perceber quão clássica a abordagem de Don Juan é. Eu ouvia ecos da idéia de Platão de que um filósofo deve estudar a morte antes que possa ganhar acesso ao mundo real e da definição de Martin Heidegger de um homem como um ser-para-a-morte.

Carlos Castaneda:
Sim, mas a abordagem de Don Juan tem um aspecto diferente, que vem da tradição da feitiçaria, que é o de considerar a morte como uma presença física que pode ser sentida e vista. Uma das interpretações da feitiçaria é: a morte está à sua esquerda. A morte é um juiz imparcial que lhe dirá a verdade e lhe dará conselhos precisos. Afinal, a morte não está com pressa. Ela lhe pegará em um dia, uma semana, ou 50 anos. Não faz diferença para ela. No momento que você pensa que eventualmente deve morrer está reduzindo o lado direito.

Eu acho que ainda não tornei esta idéia vívida o bastante. A interpretação .A morte está a sua esquerda. não é uma questão intelectual na feitiçaria, é percepção. Quando seu corpo está adequadamente sintonizado com o mundo e você vira os olhos para a esquerda, você pode testemunhar um evento extraordinário, a presença sombria da morte.

Sam Keen:
Na tradição existencial, as discussões sobre responsabilidade geralmente se seguem às discussões sobre a morte.

Carlos Castaneda:
Então Don Juan é um bom existencialista. Se não há como saber se eu tenho apenas mais minuto de vida, devo agir como se cada instante fosse o último. Cada ato é a última batalha do guerreiro. Então tudo deve ser feito impecavelmente. Nada pode ser deixado pendente. Esta idéia foi muito libertadora para mim. Eu estou aqui falando com você e talvez nunca volte para Los Angeles. Mas não importa porque eu cuidei de tudo antes de vir para cá.

Sam Keen:
Este caminho de morte e determinação é distante da utopia psicodélica na qual a percepção do final do tempo destrói a qualidade trágica da escolha.

Carlos Castaneda:
Quando a morte permanece à sua esquerda você deve criar o mundo a partir de uma série de decisões.

Não existem decisões grandes ou pequenas, apenas decisões que devem ser tomadas agora. E não há tempo para dúvidas ou remorsos. Se eu passar o meu tempo lamentando o que fiz ontem eu evito as decisões que tenho de tomar hoje.

Sam Keen:
Como Don Juan lhe ensinou a ser determinado?

Carlos Castaneda:
Ele falou com meu corpo através de atos. Meu modo antigo de ser deixava tudo pendente e nunca decidia nada. Para mim, tomar decisões era algo feio. Parecia injusto para um homem sensível ter de decidir. Um dia Don Juan me perguntou: Você acha que você e eu somos iguais? Eu era um estudante universitário e um intelectual e ele era um velho índio, mas eu fui condescendente e disse: Claro que somos iguais. Ele disse: Eu não acho que somos. Eu sou um caçador e um guerreiro e você é um frouxo. Eu estou pronto a abreviar minha vida a qualquer instante. Seu mundo débil de indecisão e tristeza não é igual ao meu. Eu fiquei muito insultado e teria voltado, mas nós estávamos no meio do nada. Então eu sentei e fiquei absorvido nas armadilhas do meu ego. Eu ia esperar até ele decidir voltar. Após várias horas percebi que Don Juan ficaria ali para sempre se precisasse. Por que não? Para um homem sem assuntos pendentes este é o seu poder. Eu finalmente percebi que este homem não era como meu pai, que podia tomar 20 resoluções de ano-novo e não cumprir nenhuma. As decisões de Don Juan eram irrevogáveis enquanto durasse seu interesse. Elas podiam ser canceladas apenas por outras decisões. Então cheguei perto e o toquei, ele desistiu e voltamos para casa. O impacto deste ato foi tremendo. Ele me convenceu de que o caminho do guerreiro é um modo de vida poderoso e vigoroso.

Sam Keen:
O conteúdo da decisão não é tão importante quanto o ato de ser determinado.

Carlos Castaneda:
Isto é o que Don Juan entende por fazer um gesto. Um gesto é um ato deliberado que é responsável pelo poder que advém de tomar uma decisão. Por exemplo, se um guerreiro encontra uma cobra que está dormente e fria, ele pode esforçar-se por levar a cobra para um lugar quente sem ser mordida. O guerreiro pode decidir fazer um gesto sem nenhum motivo. Mas ele vai fazê-lo perfeitamente.

Sam Keen:
Parecem existir muitos paralelos entre a filosofia existencialista e os ensinamentos de Don Juan.

O que você disse sobre decisões e gestos sugere que Don Juan, como Nietzsche e Sartre, acredita que a vontade, ao invés da razão, é a faculdade mais fundamental do homem.

Carlos Castaneda:
Acho que sim. Deixe-me falar por mim mesmo. O que eu quero fazer, e talvez consiga executar, é superar o controle da minha razão. Minha mente tem estado no controle a minha vida toda e ela preferiria me matar a abandonar este controle. Em um dado ponto de meu aprendizado, eu fiquei profundamente deprimido. Eu estava cheio de medo, obscuridade e pensamento sobre suicídio. Então Don Juan me alertou que este é um dos truques da razão para manter o controle. Ele disse que minha razão estava fazendo meu corpo sentir que não havia sentido na vida. Uma vez que minha mente travou esta última batalha e perdeu, a razão começou a assumir o local apropriado de ser apenas uma ferramenta do corpo.

Sam Keen:
O coração tem razões que a própria razão desconhece., e também o resto do corpo.

Carlos Castaneda:
Este é o ponto. O corpo tem vontade própria. Ou melhor, a vontade é a voz do corpo. Este é o motivo de Don Juan consistentemente colocar suas lições em uma forma dramática. Meu intelecto poderia facilmente descartar o mundo da feitiçaria como sem sentido. Mas meu corpo foi atraído por este mundo e este modo de vida.

E quando o corpo toma o controle, um reino novo e mais saudável se estabelece.

Sam Keen:
As técnicas de Don Juan para lidar com os sonhos me interessam porque ele sugere a possibilidade de voluntariamente controlar as imagens do sonho. Dessa forma ele propõe estabelecer um observatório estável e permanente dentro do espaço interior. Fale-me sobre o treinamento de sonhos de Don Juan.

Carlos Castaneda:
O truque nos sonhos é sustentar as imagens tempo o bastante para que possamos examiná-las cuidadosamente. Para adquirir este controle você deve escolher uma coisa antes e aprender a encontrá-la nos seus sonhos. Don Juan sugeriu que eu usasse minhas mãos como ponto fixo e alternasse entre elas e as imagens. Após alguns meses eu aprendi a usar minhas mãos e parar o sonho. Fiquei tão fascinado por esta técnica que espero ansioso pela hora de dormir.

Sam Keen:
Parar as imagens nos sonhos é parecido com parar o mundo?

Carlos Castaneda:
É similar. Mas existem diferenças. Uma vez que você se torna capaz de achar suas mãos quando quiser, você percebe que isto é apenas uma técnica. O que você quer na verdade é o controle. Um homem de conhecimento deve acumular poder pessoal. Mas isto não é suficiente para parar o mundo. É necessário algum abandono. Você precisa parar a conversa que está ocorrendo internamente e render-se ao mundo exterior.

Sam Keen:
Das várias técnicas que Don Juan lhe ensinou para parar o mundo, qual você ainda pratica?

Carlos Castaneda:
Minha maior técnica no momento está em romper as rotinas. Eu sempre fui uma pessoa muito rotineira. Eu comia e dormia sempre nos mesmos horários. Em 1965 comecei a mudar meus hábitos. Eu escrevia nas horas quietas da noite e dormia quando sentia necessidade. Agora eu desmantelei tanto meus hábitos usuais que posso me tornar imprevisível e surpreendente até mesmo para mim.

Sam Keen:
Sua disciplina me lembrou de uma história Zen de dois discípulos vangloriando-se de feitos milagrosos. Um dos discípulos alegava que o fundador da seita a que pertencia podia ficar em uma das margens do rio e escrever Buda num pedaço de papel segurado por seu assistente do outro lado do rio. Um outro discípulo alegava que esse milagre não era muito impressionante. Meu milagre., disse ele, .é que quando tenho fome, eu como, e quando tenho sede, eu bebo..

Carlos Castaneda:
É este elemento de compromisso com o mundo que me mantém seguindo o caminho que Don Juan me mostrou. Não há necessidade de transcender o mundo. Tudo o que você precisa saber está aqui defronte nós, se prestarmos atenção. Se você entrar num estado de realidade extraordinária, como faz quando usa plantas psicotrópicas, está apenas usando a força que precisa para ver o caráter milagroso da realidade ordinária. Para mim o modo se viver o caminho com coração não é introspectivo ou de transcendência mística, mas a presença no mundo.

Este mundo é o campo de caçada do guerreiro.

Sam Keen:
O mundo que você e Don Juan pintaram é cheio de coiotes mágicos, corvos encantados, e magníficos guerreiros. É fácil de ver como ele pode lhe atrair. Mas, e em relação ao mundo de uma pessoa urbana moderna? Onde está a mágica nele? Se todos nós pudéssemos viver em montanhas talvez conseguíssemos manter o mistério vivo. Mas como poderemos fazer isso se estamos perto de uma estrada?

Carlos Castaneda:
Uma vez formulei a mesma questão para Don Juan. Nós estávamos sentados em um café em Yuma e eu insinuei que eu poderia me tornar apto a parar o mundo e ver se pudesse viver no ermo junto com ele. Ele olhou para a janela, viu os carros passando e disse: .Ali, lá fora, é o seu mundo.. Eu vivo em Los Angeles agora e sinto que posso usar o mundo para favorecer minhas necessidades. É um desafio viver sem rotinas em um mundo rotineiro. Mas é possível.

Sam Keen:
O nível do barulho e a pressão constante de massas de pessoas parecem destruir o silêncio e a solidão que poderiam ser essenciais para parar o mundo.

Carlos Castaneda:
Não de todo. Na verdade, o barulho pode ser usado. Você pode usar o barulho da buzina para treinar a si mesmo ouvir o mundo exterior. Quando paramos o mundo, o mundo que paramos geralmente é o que é mantido pelo diálogo interno. Uma vez que você para o blá-blá-blá interno você para de manter este mundo. A descrição entra em colapso. É quando começa nossa mudança de personalidade.

Quando você se concentra nos sons, percebe que é difícil para o cérebro categorizar todos os sons, e em pouco tempo você para de tentar. Não é como a percepção visual que nos mantém formando categorias e pensando. É tão revigorante quando você consegue parar de falar, categorizar e julgar.

Sam Keen:
O mundo interno muda, mas e em relação ao externo? Nós podemos revolucionar a consciência individual, mas ainda assim não conseguir tocar as estruturas sociais que criam nossa alienação. Existe um lugar para a reforma social e política no seu pensamento?

Carlos Castaneda:
Eu vim da América Latina onde os intelectuais estão sempre falando sobre revolução política e social e onde um muitas bombas são lançadas. Mas a revolução não mudou muita coisa. Requer pouca coragem bombardear um prédio, mas para desistir de cigarros, parar de ser ansioso ou parar a tagarelice interna, você tem que reconstruir-se. É aí que começa a verdadeira reforma. Don Juan e eu estávamos em Tucson não muito tempo atrás quando estava tendo a Semana da Terra. Alguns homens estavam palestrando sobre ecologia e os males da guerra do Vietnã. Enquanto isto, eles fumavam. Don Juan disse: Não posso imaginar como eles podem se preocupar com os outros se eles não se gostam de si. Nossa primeira preocupação deve ser com nós mesmos. Eu posso gostar dos meus semelhantes apenas quando estiver no auge do meu vigor e sem depressão. Para estar nesta condição devo manter meu corpo preparado. Toda revolução deve começar aqui, neste corpo. Eu posso mudar minha cultura mas apenas através de um corpo impecavelmente sintonizado com este mundo estranho. Para mim, a verdadeira realização é a arte de ser um guerreiro, a qual, como diz Don Juan, é o único meio de balancear o terror de ser um homem com a maravilha de ser um homem.

Secretário de Defesa dos EUA defende uso militar do HAARP

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Secretario de Defesa dos E.U.A, William Cohen, em 1997, durante a "Counter Terrorism Conference", defendendo o Programa H.A.A.R.P, desenvolvido no ALASKA, pela Marinha e pela Força Aérea americana, disse:

"Outros países estão envolvidos em um mesmo tipo de eco-terrorismo para que possam alterar o clima, detonar terremotos e vulcões remotamente, através do uso de ondas eletromagnéticas. Portanto, não faltarão mentes engenhosas por aí, que estarão encontrando formas de causar terror à outras nações. Isto é real, e essa é a razão pela qual temos de intensificar os nossos esforços, e é por isso que isto é tão importante. "

Acho que não é preciso dizer mais nada sobre o uso militar do HAARP, não acham? Isso foi dito faz 13 anos!

Others are engaging even in an eco-type of terrorism whereby they can alter the climate, set off earthquakes, volcanoes remotely through the use of electromagnetic waves.

So there are plenty of ingenious minds out there that are at work finding ways in which they can wreak terror upon other nations. It's real, and that's the reason why we have to intensify our efforts, and that's why this is so important.

http://www.fas.org/news/usa/1997/04/bmd970429d.htm

http://www.youtube.com/watch?v=hyKypiQ5054

Haarp e o terremoto de 8.8 no Chile em 27/02

Notícia requentada, neste caso, vem bem a calhar ;-)

A repórter chilena Cecilia Lagos disse em entrevista à CNN que viu luzes no céu durante o terremoto de 27/02/10. Essas luzes são sinais já identificados em outros locais, antes de um terremoto, onde se suspeita da utilização do HAARP, arma suspostamente capaz de produzir terremotos. HAARP é uma fantasia de teóricos da conspiração (como a propaganda oficial quer fazer parecer) ou uma tecnologia criada pelos "práticos da conspiração"? Descubra clicando nos links que oferecemos nessa postagem. Abaixo, a tradução do depoimento da jornalista chilena.

Cecilia Lagos – “Além disso, Eu vi através de minha janela, enquanto eu ainda estava na cama, o céu mudando de cor, foi absolutamente surreal. Eu realmente achei que fosse o fim do mundo… Eu não sei, espero que você me entenda porque não estou exagerando de forma alguma o que vi pela janela. O que foi mais aterrador ao ver o céu mudando de cor com aquele tremor de terra, forte, terrível e surpreendente… a terra abriu e construções foram abaixo… tal como no filme 2012…”

Abaixo, a entrevista completa, em inglês:



fonte:

http://www.ecocidio.com.br/2010/02/27/terremoto-no-chile-indicios-apontam-haarp-como-causa/

Nicola Tesla: o mestre dos raios

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Um projeto idealizado no início do século 20, portanto já faz 100 anos, prova sua efetividade pelos efeitos produzidos: O HAARP foi um projeto que teve origem nas idéias de Nicola Tesla, chamada inicialmente de arma de raios. Vão aqui a 1ª e a última parte do documentário sobre aquele que foi o maior gênio não reconhecido do século 20.




HAARP: os anjos não tocam esta harpa

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mais do mesmo para que não continuemos a ser os mesmos dentro da mesmice midiática... é isso aí, "mermão", é isso "mermu" ;-) Os anjos não tocam esta harpa...

Tragédia faz a festa da midiocracia

Reproduzo postagem do Infinito Aldo Luiz que é mais uma evidência que a tragédia recente da região serrana foi travestida de catástrofe natural quando na verdade trata-se de uma ação não natural, provocada, artificial, até por que passado um mês estamos agora passando por um período de seca, fato também incomum nesta época do ano. Segue a postagem do Infinito Aldo publicada em 12/02/2011

Hoje completa um mês a tragédia que assolou a região serrana do Rio de Janeiro. Petrópolis, Teresópolis e Friburgo precisarão de mais de dois anos para reerguerem-se e recuperarem o que foi destruído em algumas horas...


O número 11 e o 12 lhes dizem alguma coisa especial ou diferente? Você já viu estes círculos antes, em alguma foto, ou lugar?

DIL MÁRCIO deixou um comentário sobre a postagem " A idéia da possibilidade".

Reproduzo-o acrescentando as fotos que nos enviou.
Agora, que cada um dê tratos à bola e tire suas conclusões. Há quem prefira a versão da midiocracia dos dominadores... Fazer o que, né?



Amplie as fotos pra ver detalhes



"Sou morador do Campo do Coelho, Nova Friburgo e testemunhei o recente evento climático na região. Asseguro que o fenômeno não foi natural. Houve um bombardeio de raios eletro-magnéticos nas montanhas, junto com o excesso de precipitação pluvial desencadeando os deslizamentos de terra e as enchentes. As descargas elétricas e as trovoadas eram seguidas de estrondos e tremores.
Durante 4 horas, na madrugada do dia 12/01, o bombardeio foi intenso. Porém, por volta das 5h30min, como num passe de mágica, as chuvas, os raios e estrondos cessaram completamente!
Logo em seguida, nuvens espessas de vapor saíram do solo, como se este estivesse fervendo.
Tive a sensação de estar num microondas gigante.
Ao sair de casa deparei-me com a devastação em todas as partes. Mas, o que me chamou a atenção foram as marcas nas montanhas, como se tivessem sido bombardeadas. Tirei fotos dos morros e posso comprovar que não são marcas de deslizamentos oriundos de excesso de água.
Pesquisei a área atingida e constatei ser uma linha contínua ao longo da estrada Teresópolis-Friburgo, abrangendo também Itaipava e parte rural de Petrópolis. Há montanhas destruídas de um lado da linha e intactas do outro lado.
Desafio a físicos ou cientistas que expliquem o fenômeno.
Não tenho dúvidas de que o HAARP está por trás disso. E das demais anomalias climáticas que já estão ocorrendo no mundo! É necessário que todos saibam o que está acontecendo.
Não poderemos evitar o processo, então, que tenhamos a consciência de que as mudanças estão sendo aceleradas e intensificadas por inumanos.

Paz interior, equilíbrio emocional, e boa sorte para todos.

Será que é o HAARP? Agora, que cada um dê tratos à bola e tire suas conclusões. HAARP, esteja certo que esta ARMA DE GUERRA PARA A MODIFICAÇÃO DO CLIMA está lentamente cavando nossos túmulos... Há quem prefira a versão da midiocracia dos dominadores escravagistas... Fazer o que, né?
O melhor escravo e o pior humano é o que se acha liberto.

Agradeço ao Dil por esta inestimável colaboração ao nosso entendimento do quanto estamos iludidos com a lisura dos políticos e "administradores" do mundo e, daqueles que julgamos responsáveis e aos quais depositamos a segurança de nossas vidas.

Nada, religião alguma, lei alguma, substituirá a responsabilidade 100% dos julgamentos, escolhas e decisões de cada um de nós. A verdadeira maravilhosa revolução é intrapessoal e intransferível. "CHEGOU O TEMPO EM QUE O SILÊNCIO É TRAIÇÃO."

Santa Catarina tem 98 cidades em situação de emergência

Dom, 13 Fev, 03h43 Já são 98 os municípios de Santa Catarina que decretaram emergência pelas enxurradas que atingem o Estado. Outras oito cidades também estão na mesma situação por outros motivos: quatro devido aos vendavais, uma por erosão, duas por ressaca, uma por alagamento e uma por praga. Em Mirim Doce, no Vale do Itajaí, o prefeito decretou situação de calamidade pelas enxurradas em janeiro. Ao todo, 107 cidades estão em situação de emergência.

Ciência e armas climáticas

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011







Haarp, a arma de produzir terremotos

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Para uns ficção, para outros terror. Para alguns teoria da conspiração. Mas qual a possibilidade disto ser real? Muita, se não por que existiria um documento (não cumprido) de não desenvolvimento de armas climáticas entre as potências?

Vídeos muitos interessantes sobre a arma de produzir terremotos, o HAARP. Essa é uma investigação de um ex-combatente da marinha estadunidense chamado Jesse Ventura. Dêem um desconto para o jeito marrento de capitão américa da figura. Aqui disponibilizo as duas últimas partes, o restante pode ser visto no canal deusmihifortis. Destaco essas em especial devido a demonstração que é dada de como ondas eletromagnéticas podem nos influenciar através de um pequeno aparelho que transmite informação sonora diretamente para o cérebro.



Misericórdia impiedosa

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A misericórida ocorre quando a Divindade intervem impedindo que erremos.

A misericóridia acontece quando ao erramos ela nos aponta implacavelmente o erro.

Assim a misericórida tem como sua outra face a impiedade do Divino.

A suprema misericórdia ocorre quando a Divindade nos revela nossos próprios erros antes que os cometamos.

Agradecemos humildes, a revelação de nós mesmos, a isso poderíamos chamar de Apocalipse pessoal.

Agradecemos humildes não apenas a revelação do erro, mas o desvelamento do divino em nós mesmos.

Na verdade trata-se de auto-correção, auto-direção, apesar de nem sempre percebermos.

F.A.

Cautela

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.

Nietzche

Zeitgeist 3 (com legendas em PT-BR)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Homenagem à Mãe, ao Eterno Feminino, Iemanjá

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011



"Vem surgindo um novo tempo,
traz glórias do divino
mais puros e atentos
nos tornamos canais do infinito

Mãe divina eu quero ser
um filho realizado
e é perante o seu poder
que me entrego pra se libertado

Como um rio que corre para o mar
correntezas carregam o medo
confiança para atravessar
a fronteira do eu derradeiro

Não há desculpas para se escorar
já foi dito a hora é essa
o Tempo é de se integrar
abraçando o que ainda resta

Estou morrendo para o passado
e nem anseio pelo o futuro
minha coroa tem brilho dourado
provo o néctar do amor maduro."


(Chandra Lacombe)

Corpo, Sexo, Silêncio e Êxtase

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Corpo


Todas as vezes que podia reiterava que os efeitos do silêncio interior eram muito variáveis e que o único impedimento a essa condição era uma atitude pragmática, que era o produto de um corpo magnificamente flexível, ágil e forte - Passes Mágicos, pag. 139.


"Enquanto ensinava, Dom Juan fazia questão de acentuar que a enorme ênfase que os xamãs de sua linhagem davam à destreza física e ao bem-estar mental tinha permanecido até os dias de hoje. Observando-o e aos 15 feiticeiros que o seguiam, fui capaz de confirmar a verdade de suas declarações. O excelente físico e o equilíbrio mental eram suas características mais óbvias ." - Passes Mágicos, pg.13


"A excelente condição física, conceito firmemente defendido por D. Juan desde o primeiro dia de nossa associação - produto da rigorosa execução dos passes mágicos -, era ao que tudo indicava o primeiro passo para a redistribuição de nossa energia inerente. Segundo Dom Juan, essa redistribuição de energia era o aspecto mais importante da vida dos xamãs, bem como na vida de qualquer indivíduo. A redistribuição de energia é um processo que consiste em transportar, de um lugar para outro, a energia que já existe dentro de nós. Essa energia foi deslocada dos centros de vitalidade no corpo, que dela precisam para produzir um equilíbrio entre a agilidade mental e destreza física." - Passes Mágicos, pg. 14


Todas as faculdades, possibilidades e realizações do xamanismo, das mais simples às mais espantosas, estão no próprio corpo humano - Roda do Tempo.


Sexo


Sempre lhe afirmei que a energia sexual é algo de extrema importância, e que deve ser controlada e usada com grande cuidado. Mas você sempre se ressentiu com o que eu dizia, porque pensava que eu estava falando em controle em termos de moralidade; mas sempre falei em termos de economizar e recanalizar a energia sexual.


Disse que poderiam fazer o que quisessem com sua energia sexual, mas recomendou que se controlassem e compreendessem a ordem da Águia de que o sexo é uma doação do brilho da consciência. Todos nós dissemos ter compreendido.

Eles (os guerreiros) não ignoram que a única energia real que possuímos é a energia sexual, que confere vida. Esse conhecimento toma-os permanentemente conscientes de sua responsabilidade.

O Fogo Interior


Silêncio


Don Juan dizia que o silêncio interior era o estado buscado com maior avidez pelos xamãs do México Antigo. Ele o definia como um estado natural da percepção humana, no qual os pensamentos são bloqueados e todas as faculdades do homem operam de um nível de consciência que não requer a utilização do nosso sistema cognitivo diário.


Para os xamãs da linhagem de Don Juan, o silêncio interior sempre tem sido associado à escuridão, talvez porque a percepção humana, privado do seu companheiro habitual, o diálogo interno, caia em algo que se assemelha a um buraco escuro. Ele dizia que o corpo funciona normalmente, mas a percepção se torna mais aguda. As decisões são instantâneas e parecem provir de um tipo especial de conhecimento que é destituído de verbalizações mentais.


De acordo com Don Juan, a percepção humana, funcionando em uma condição de silêncio interior, é capaz de atingir níveis indescritíveis. Alguns daqueles níveis de percepção são mundos em si e de modo algum são como os mundos alcançados através do sonhar. Eles são indescritíveis e inexplicáveis em termos dos paradigmas lineares que o estado habitual emprega para explicar o universo.


No entendimento de Don Juan, o silêncio interior é a matriz para um passo gigantesco de evolução: o conhecimento silencioso ou o nível da consciência humana no qual o saber é automático e instantâneo - Passes Mágicos, pag. 137.


Êxtase


Não sentia que estava caminhando; também não estava voando. Sem dúvida, era transportado com extrema facilidade. Meus movimentos tornavam-se convulsivos e desgraciosos ape­nas quando tentava pensar a seu respeito. Quando desfrutava deles sem pensamentos, entrava num estado único de relação física sem precedentes. Se já tive momentos de felicidade física como aquele em minha vida, devem ter sido tão curtos que nem deixaram lembrança. No entanto, quando experimentava aquele êxtase, senti uma vaga recognição, como se alguma vez o tivesse conhecido mas esquecido.


A exaltação de me mover através do chaparral era tão in­tensa que tudo o mais cessou. A única coisa que existia era aque­les momentos de movimento e paradas.


Contudo ainda mais inexplicável foi a sensação corporal total de pairar acima dos arbustos. Em dado instante, vi com nitidez a figura do jaguar à minha frente. Estava se afastando tão rapidamente quanto podia. Senti que ele tentava evitar os espinhos dos cacto. Era extremamente cuidadoso quanto ao lugar onde pisava.


Tive a subjugante necessidade de correr atrás do jaguar e assustá-lo para que perdesse sua precaução. Sabia que ele precisaria ser ferido pelos espinhos. Um pensamento então irrom­peu em minha mente silenciosa — pensei que o jaguar seria um animal mais perigoso pelos espinhos. Aquele pensamento pro­duziu o mesmo efeito que alguém acordando-me de um sonho. Quando percebi que meus processos de pensamento fun­cionavam outra vez, descobri que chegara na base de uma ca­deia baixa de morros rochosos. Olhei ao redor. Don Juan estava poucos metros atrás. Parecia exausto. Estava pálido e com a respiração difícil - O Poder do Silêncio.



— O caminho do guerreiro é tão absolutamente importante, Dom Juan? — eu lhe perguntei uma vez.


— "Absolutamente importante" é um eufemismo. O caminho do guerreiro é tudo. E o resumo da saúde mental e física. Não posso explicar de outro modo. O fato de os xamãs do México antigo terem criado tal estrutura significa, para mim, que eles estavam no auge de seu poder, no cume de sua felicidade, no ápice de sua alegria - Roda do Tempo.