Sintaxe ou a matrix codificada

domingo, 8 de abril de 2012

Olhando para uma simples notícia dada em famoso site de jornalismo vemos um exemplo claro daquilo que Carlos Castaneda chamava de "sintaxe", a estrutura do pensamento, a ideologia oculta por trás das palavras, a matrix codificada:

Teresópolis tem quase mil pessoas desalojadas, diz Defesa Civil

Pessoas desalojadas.

Desalojadas - Fora de suas lojas. Ora, quem mora em lojas? Pessoas? Não. Produtos. Pessoas são produtos dentro da estrutura do pensamento vigente, dentro da sintaxe dominante. É este tipo de mundo que nos é descrito constantemente criando uma matrix, uma prisão para as nossas mentes que absorvem passivamente a idéia de pessoas como produtos desalojadas por um catástrofe natural dentro de um contexto artificial do pensamento.

Sintaxe (extraído do Lado tivo do Infinito)

Um homem contemplando suas equações
disse que o universo teve um começo.
Existiu uma explosão, disse ele.
Um senhor estrondo, e nasceu o universo.
E o universo ainda está em expansão, disse ele.
Ele calculou até mesmo a duração de sua vida:
dez bilhões de revoluções da Terra ao redor do sol.
Todo o globo aplaudiu;
Acharam tais cálculos cientificamente certos.
Ninguém percebeu que, propondo um início para o universo,
o homem simplesmente refletiu a sintaxe de sua língua pátria;
uma sintaxe que exige começos, como um nascimento,
e desenvolvimento, como maturação,
e um final, como a morte, para a realização de qualquer evento.
O universo teve um início,
e está envelhecendo, garantiu-nos tal homem,
e ele irá morrer, já que tudo morre,
como ele mesmo morreu depois de confirmar matematicamente
a sintaxe de sua língua pátria.

Sintaxe II

O universo teve realmente um começo?
A teoria do “big-bang” é realmente correta?
Essas não são perguntas, embora pareçam ser.
A sintaxe que exige começo, desenvolvimento
e término para a descrição de fatos é realmente a única que existe?
Essa é a questão real.
Existem outras sintaxes.
Existe uma, por exemplo, que indica a variação
de intensidade como um fato.
Nessa sintaxe nada tem um começo ou um fim;
desse modo, o nascimento não é algo claro e definido,
mas um tipo específico de intensidade,
do mesmo modo que o amadurecimento e a morte.
Um homem que use tal sintaxe, contemplando suas equações, descobre que
calculou suficientes variações de intensidade
e pode então dizer com autoridade
que o universo não teve um início
e não terá um fim,
mas que ele sempre existiu, existe e existirá
através de intermináveis flutuações de intensidade.
Tal homem pode muito bem concluir que o próprio universo
é a carruagem da intensidade
e que é possível abordá-la
para viajar por caminhos que modificam-se incessantemente.
Ele irá descobrir tudo isso, e muito mais,
talvez sem nunca perceber
que está simplesmente confirmando
a sintaxe de sua língua pátria.

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