Totalitarismo Invertido: os segredos do Goldman Sachs

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Os EUA que lutaram contra o fascismo na 2ª guerra mundial hoje se tornaram um país completamente fascista. Este excelente e esclarecedor documentário que fala como um Banco de Investimentos adquiriu poder para derrubar países, revela os segredos por trás do Goldman Sachs. No filme o Estado Corporativista ou Fascista é chamado de Totalitarismo Invertido, pois não há mais a figura do ditador demagogo, há apenas o poder impessoal da Corporação.



Por José Carlos Lopes ( O Interior)

O Goldman Sachs (GS) é um dos maiores bancos de investimento mundial e co-responsável direto, com outras entidades, pela atual crise e por todas as crises da bolsa nos últimos 80 anos, a começar pelo grande “crash” de 1929. Sendo também um dos grandes beneficiados com as mesmas.

Chris Edges, jornalista premiado com um Pulitzer, e autor do livro “O império das ilusões”, afirma nesse documentário da Canal+, que os altos quadros da GS são “empurrados” para fora da instituição e passam a gravitar na órbita do sistema político, havendo vários ex-quadros que conseguiram posições muito próximas do poder, o que significa que nos EUA e agora também na Europa será muito difícil para os governos atuarem contra os interesses desta corporação.

De acordo com o “Wall Street Journal”, o GS aconselha os seus clientes a apostarem no colapso financeiro da Europa. Tudo gira à volta dos juros dos empréstimos. Quando os grandes bancos declaram que determinado país está insolvente as consequências são drásticas, pois forçam essa nação a continuar a pedir empréstimos e a implementar medidas de austeridade que empobrecem a economia nacional.

Somos todos reféns deste jogo de especulação. Nos EUA ninguém tem poder sem a aprovação do setor financeiro. Desde o colapso de 2008 que se tem visto que ninguém toca nessas instituições financeiras e que ninguém tem poder para detê-las. Sabe-se que saquearam o Tesouro americano e que continuam no cassino da especulação como antes do estouro da bolha imobiliária.

Qualquer ideia de que é preciso legislação para controlar Wall Street é poesia, pois, apesar de tudo, continuam os derivativos tóxicos, os produtos de proveniência duvidosa e agora, mais do que nunca, computadores com programas baseados em algoritmos matemáticos, vendem e compram, ao ritmo das equações, alterando os preços de bens essenciais num jogo mortal.

Nos EUA, universidades, meios de comunicação social, tribunais, partidos políticos e setores executivos do governo, todos dançam ao som da música que eles tocam. Não há nada que o cidadão comum possa fazer. Não existe nenhum mecanismo dentro das estruturas formais do poder, que nos permita lutar contra eles. Não vivemos numa democracia, mas sim noutro estado, uma “corporatocracia” a quem o filósofo Wolin chamou de “totalitarismo invertido”, aquele que diferente do totalitarismo clássico, que se expressa através de um líder ou ditador, nesse caso é dirigido por uma sociedade anônima.

Estamos a ser destruídos, financeira, política e economicamente e o GS é a jóia da coroa dessas instituições. Transformam tudo num mercado que exploram até a exaustão ou ao colapso. É por isso que a crise ambiental está claramente ligada à crise econômica. A morte do império americano não é uma tragédia. O que assusta é a forma como a América está a morrer, estrebuchando como um animal ferido. A queda dos impérios acaba quase sempre com o consumo dos recursos e guerras internas, como aconteceu na ilha de Páscoa, só que, o que se iniciou nos EUA em 2008 está a ter uma dimensão global pelo que não haverá um “oásis” para onde possamos migrar. No entanto, os grandes bancos de investimento, como abutres, andarão por aí a recolher os destroços e a se beneficiar com o colapso da civilização.

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