A suprema vaidade

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A maior burrice:

Tentar mudar os outros.

A maior furada:

Tentar mudar os outros.

A maior idiotice:

Tentar mudar os outros.

O mais insano ato:

Tentar mudar os outros.

A maior das bestialidades:

Tentar mudar os outros.

Eis a suprema vaidade.

F.A.

Sonhos Lúcidos

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PREFÁCIO

Download livro - pt.scribd.com/doc/22860765/Florinda-Donner-Grau-03-Sonhos-Lucidos

Florinda Donner é uma discípula de Don Juan Matus, um mestre bruxo do estado de Sonora, México e, por mais de vinte anos, uma companheira minha nesta aprendizagem. Devido a seus talentos naturais, Don Juan e duas de suas companheiras feiticeiras, Florinda Grau e Zuleica Abelar, deram a Florinda Donner uma instrução e cuidados muito especiais. Entre os três a treinaram como “ensonhadora” e a levaram a desenvolver sua “atenção de ensonho” a um grau de controle extraordinário.

De acordo com os ensinamentos de Don Juan Matus, os feiticeiros do antigo México praticavam duas artes: a arte de espreitar e a arte de ensonhar. Praticar uma ou outra arte estava decretado pela atitude inata de cada praticante da feitiçaria.

Ensonhadores eram aqueles que possuíam a habilidade de fixar o que os bruxos chamam de “atenção de ensonhos”, um aspecto especial da consciência, nos elementos dos sonhos normais.

Chamavam espreitadores a aqueles que possuíam uma aptidão inata conhecida como a “atenção de espreita”, outro estado especial da consciência, que permite encontrar os elementos chave de qualquer situação no mundo cotidiano e fixar essa dita atenção neles, a fim de alterá-los ou de ajudá-los a permanecer em seu curso.

Através de seus ensinamentos, Don Juan Matus sempre deixou muito claro que as idéias dos bruxos da antiguidade ainda permanecem em vigência hoje em dia, e que os bruxos modernos sempre se reúnem nesses dois grupos tradicionais. Para tanto, seu esforço como mestre foi inculcar em seus discípulos as idéias e práticas dos bruxos da antiguidade por meio de um rigoroso treinamento e uma disciplina férrea.

A idéia dos bruxos é que, ao fazer com que a atenção de ensonhos se fixe nos elementos dos sonhos normais, estes sonhos se transformam de imediato em ensonhos. Para eles, os ensonhos são estados únicos da consciência; algo como comportas abertas até outros mundos reais, porém alheios à mente racional do homem moderno. Na primeira vez que Don Juan me falou da arte de ensonhar, eu lhe perguntei:

_Você quer dizer, Don Juan, que um feiticeiro toma a seus sonhos como se fossem uma realidade?

_Um feiticeiro não toma nada como se fosse outra coisa – contestou. –Os sonhos são sonhos. Os ensonhos não são algo que se pode tomar como a realidade: os ensonhos são uma realidade a parte.

_Como é tudo isso? Me explique.

_Você tem que entender que um bruxo não é um idiota nem um transtornado mental. Um bruxo não tem nem o tempo nem a disposição para enganar a si mesmo, ou para enganar a ninguém, e menos ainda para dar um passo em falso. O que perderia fazendo isso é demasiado grande. Perderia sua ordem vital, a qual leva uma vida inteira para se aperfeiçoar. Um feiticeiro não vai desperdiçar algo que vale mais que sua vida tomando uma coisa por outra. Os ensonhos são algo real para um bruxo porque neles ele pode atuar deliberadamente; pode escolher dentro de uma variedade de possibilidades àquelas que sejam as mais adequadas para levá-lo aonde ele necessite ir.

_Então você quer dizer que os ensonhos são tão reais como o que estamos fazendo agora?

_Se prefere comparações, lhe direi que os ensonhos são talvez mais reais. Neles a pessoa tem poder para mudar a natureza das coisas, ou para mudar o curso dos eventos. Mas tudo isso não é o importante.

_O que é então o importante, Don Juan?

_O jogo da percepção. Ensonhar ou espreitar significa ampliar o campo do que se pode perceber a um ponto inconcebível para a mente.

Na opinião dos bruxos, todos nós em geral possuímos dons naturais de ensonhadores ou espreitadores, e a muitos de nós nos resulta muito fácil ganhar o controle da atenção de ensonhos ou o da atenção de espreita, e o fazemos de uma maneira tão hábil e natural que na maioria das vezes nem nos damos conta de o haver realizado. Um exemplo disto é a história do treinamento de Florinda Donner, que precisou de anos inteiros de agonizante trabalho, não para ganhar o controle de sua atenção de ensonho, e sim para clarear seus ganhos como ensonhadora e integrá-los ao pensamento linear de nossa civilização.

Certa vez foi perguntado a Florinda Donner qual era a razão pela qual escreveu este livro, e ela respondeu que lhe era indispensável contar suas experiências no processo de enfrentar e desenvolver a atenção de ensonho a fim de tentar, intrigar ou incitar, pelo menos intelectualmente, a aqueles que se interessem em levar a sério as afirmações de Don Juan Matus acerca das ilimitadas possibilidades da percepção. Don Juan acreditava que no mundo inteiro não existe, nem talvez já tenha existido, outro sistema, exceto o dos bruxos do antigo México, que conceda à percepção seu merecido valor pragmático.

CARLOS CASTANEDA.

A obra de Castañeda (livro)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

PRÓLOGO

1 A obra de Castañeda - http://pt.scribd.com/Filipe17/d/58014152/26-O-LUGAR-DO-CONHECIMENTO-SILENCIOSO

Carlos Cesar Castañeda Aranha (25/12/1935-27 /04/1998), mestre e doutor em antropologia, nasceu em Juqueri (município do Estado de São Paulo, próximo à capital), filho de adolescentes, sendo criado por sua tia Ângela, que veio a falecer quando tinha seis anos.

Viveu com os pais e com a avó Noha, dois ou três anos, após o que decidiram enviá-lo a um internato em Buenos Aires (Argentina), e, mais tarde, aos Estados Unidos. Tinha 15 anos quando chegou a São Francisco, em 1951, para viver com uma família adotiva, enquanto completava seus estudos na Hollywood High School - onde conheceu Bill que, anos depois, apresentou-lhe Juan Matus.

De 1955 a 1959, assistiu a vários cursos profissionalizantes no City College de Los Angeles sobre criação literária, jornalismo e psicologia. Em 1959, decidiu naturalizar-se americano, adotando o nome de Carlos CASTAÑEDA (sobrenome da mãe, peruana) e ingressando na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, onde se graduou em antropologia três anos mais tarde.

Em 1960, na condição de estudante de antropologia na Universidade da Califórnia (Los Angeles), havia iniciado uma pesquisa sobre plantas medicinais utilizadas pelos índios do sudoeste americano, como objeto de pesquisa para sua tese de mestrado. Foi nessa época o encontro com o índio yaqui chamado Juan Matus, que durante cinco anos lhe ensinou conhecimentos secretos sobre as plantas alucinógenas e o iniciou nos mistérios dos novos videntes.

Dessa fase resultaram um trabalho não publicado, sob o título Os Ensinamentos de Dom Juan: Um método Yaqui do Conhecimento, mencionado em Uma Estranha Realidade (p. 11) e uma interrupção no aprendizado. Nos anos seguintes, Castañeda plenamente integrado ao mundo acadêmico, continuou seus estudos de antropologia na Universidade de Los Angeles e publicou, em 1968, o seu primeiro livro The Teaching of Don Juan (A Erva do Diabo, no Brasil, 1974), sua dissertação de mestrado.

Ao receber os primeiros exemplares da publicação, Castañeda sentiu-se na obrigação de mostrar a Don Juan o que havia feito com seus ensinamentos. O livro não causou nenhuma emoção em Don Juan, que apenas o folheou “como se fosse um baralho” e o devolveu; entretanto, deu início a um novo ciclo de aprendizagem, ainda reforçado no uso de plantas e misturas alucinógenas, que levariam o aprendiz a novos conceitos sobre a realidade e o comportamento de guerreiro, cujas instruções preliminares terminaram em fins de 1970, transformando-se, no ano seguinte, no livro A Separate Reality (Uma estranha realidade,
no Brasil, em 1974).

Alguns meses depois dessa nova interrupção do aprendizado, Castañeda passou a reexaminar seu trabalho naqueles últimos dez anos, abandonando sua suposição original de que as plantas alucinógenas eram essenciais para uma nova descrição do mundo. Em 1972, após três tentativas, aquelas partes desprezadas pelo escritor, que não pertenciam ao uso de plantas ou misturas, foram incorporadas no âmbito total dos ensinamentos de Don Juan, e reunidas no livro Journey to Ixtlan (Viagem a Ixtlan, no Brasil, 1974), que se tornou sua tese de doutorado, em 1973, ano da morte de seu mestre.

Em 1974, ainda sob profunda desordem emocional, provocada pelo desaparecimento de Juan Matus, Castañeda reune os últimos ensinamentos do mestre e apresenta o segredo dos seres luminosos no livro Tales of Power (Porta para o infinito, no Brasil, 1975).

Passaram-se alguns anos, antes que Castañeda voltasse a escrever. Nesse tempo, dedicou-se a esclarecer pontos obscuros e conflitantes de seu aprendizado, procurando os outros aprendizes de Don Juan, aos quais foram deixados partes do conhecimento sobre o domínio da consciência. A partir de um conflituoso reencontro dos aprendizes, cujos eventos inspiraram um novo livro, publicado em 1977: The Second Ring of Power (O segundo círculo do poder, no Brasil, 1978), Castañeda foi avaliado para ser o líder do grupo – formado por outros nove aprendizes: Soledad; Maria Helena (Gorda); Lídia, Rosa e Josefina (as irmanzinhas), Elígio, Benigno, Nestor e Pablito (os Genaros) – o que não foi aceito pela maioria, que preferiu viver suas vidas livremente.

Até essa época, Castañeda era um professor acessível, fazia palestras, ministrava cursos, concedia entrevistas e era dado a festas universitárias. Após os sucessivos reencontros tumultuados com os aprendizes, com os quais tinha uma missão indesviável, Castañeda entrou de corpo inteiro na “feitiçaria” e tornou-se inacessível, guiado apenas pelo sistema de crenças de Juan Matus, por sua visão do mundo e pelos ideais dos novos videntes.

Decepcionado com a separação do grupo, Castañeda voltou a Los Angeles e fez uma revisão completa de tudo o que havia aprendido, iniciando um novo livro, publicado em 1981, Eagle’s gift (O presente da Águia, no Brasil, no mesmo ano), a partir do qual passaria a registrar os eventos à medida em que eles fossem acontecendo. Na primeira parte, a separação do grupo; na segunda, o reencontro com Maria Helena (Gorda), que lhe ajudou na revisão e, por fim, na tarefa de lembrar dos guerreiros do grupo de Don Juan e de seu regulamento, quando se começa delinear a história desse sistema de crenças milenar com as informações de Florinda Matus, encarregada de completar a última parte do treinamento, ensinando-o a recapitular.

Durante três anos, Castañeda trabalhou na recapitulação dos ensinamentos e técnicas aprendidos com os guerreiros do grupo de Juan Matus, lançando mais luzes sobre as raizes desse sistema de crenças, com ênfase para a elucidação do domínio da consciência.

Em 1984, um novo livro foi publicado: The fire from within (O Fogo interior, no Brasil, 1985). O trabalho de recapitulação continuava, levando Castañeda a uma revisão intelectual do pensamento xamânico do México antigo, em seus aspectos mais abstratos, estimulando-o a publicar, em 1987, o livro The power of silence (O poder do silêncio, no Brasil, 1989), contendo os primeiros oito dos 21 cernes abstratos, que compõem, em seus três conjuntos,
os ensinamentos sobre o conhecimento silencioso ou do espírito.

Durante quinze anos (1973 a 1988), Castañeda dedicou seu tempo a recapitular os ensinamentos de Don Juan, procurando preencher os vazios ainda existentes em seu aprendizado.

Com essa finalidade, reordenou todas as lições de Don Juan sobre o sonhar, publicando o que faltava, em 1993, sob o título The art of dreaming (A arte de sonhar, no Brasil, no mesmo ano). Nesse livro, Castañeda apresenta quatro dos sete portões do sonhar, o emissário do sonho, os batedores, o desafiador da morte; menciona o seu próprio grupo, ou seja, o segundo grupo de aprendizes, formado por Florinda Donner, Taisha Abelar e Carol Tiggs, até então, mantido em segredo.

Os aspectos práticos e funcionais (exercícios) da destreza e flexibilidade de um guerreiro saudável, foram revelados ao público em 1998, no livro Magical Passes (Passes mágicos, no Brasil, 1998).

Por essa época, Castañeda concluiu também um novo processo de refinamento das lições de Don Juan, revisitando suas próprias obras, até 1987, para recolher citações sobre a vida, a morte e o universo. Elas constam do livro lançado em 1998: The wheel of time (A roda do tempo, no Brasil, 2000), que apresenta ainda comentários sobre essas publicações.

Em uma entrevista a Carmina Fort, publicada em 1991 (Conversando com Carlos Castañeda), este revelava que para completar os ensinamentos de Don Juan, ainda faltavam dois volumes, a serem publicados. Realmente, em 1993, foi publicado The art of dreaming (A da arte de sonhar), enquanto o outro esperaria o momento certo.

Possivelmente, prevendo seu desaparecimento e sendo o último da linhagem de Don Juan, Castañeda preparou o que veio a ser seu último livro, concluído antes de sua morte em 27 de abril de 1998, aos 72 anos. Um livro que apresenta uma coleção de eventos memoráveis de sua existência como preparação para enfrentar a viagem definitiva, que se faz ao final da vida.

Essa preparação, que era um aspecto dos ensinamentos ainda não plenamente elucidados, foi relatada no livro The Active side of infinity, 1998 (O lado ativo do infinito, no Brasil, 2001).

Segundo o jornal Los Angeles Times, Castañeda faleceu na sua casa em Westwood, Califórnia, padecendo de câncer no fígado. Coerente com seu modo de vida, morreu como viveu “em meio à calma, o segredo e o mistério”. Sua morte só foi anunciada algumas semanas depois, pelo advogado encarregado da execução de seu testamento, em que exprimia seu ultimo desejo; que o corpo fosse cremado e as cinzas espalhadas num deserto mexicano, onde os guerreiros do conhecimento um dia se encontraram.

Estado

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012








Na verdade o Estado é uma corporação de fachada pública tomado por interesses particulares num jogo de poder onde o povo está apenas na torcida fingindo que vota e acreditando que com isso muda ou decide algo, enquanto se dopa pelo circo da TV.