Sobre a morte

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Se não há qualquer sobrevivência após a morte não há o que morre e se há algo que sobrevive, então, a morte é apenas mudança de forma.

A vida é mudança de formas.

E a morte também.

Então vida e morte são iguais, o dualismo cria a ilusão do fim e do início.

O início é igual ao fim mais a experiência do tempo.

Não perceber a continuidade na mudança é consequência de nossa inconsciência.

Esta inconsciência caracteriza a condição de "morto-vivo".

Esta é a única morte, a extinção da consciência, não do corpo. Por isto há tantos "mortos-vivos", tantos "zumbis" que perambulam por aí, teleguiados. Estes não morrem, o que ocorre é apenas a extinção de uma possibilidade de vida real, consciente.

Por isto o mestre Jesus disse: "Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos." Estas são palavras duras, mortais...

F.A.

Um comentário:

beijamim disse...

Uma das coisas que mais percebo nessa questão de ser um zumbi se debatendo para acordar é o medo. Ele é senhor mais ou menos atuante da maior parte de nossos atos e é fazedor de pessoas reagentes. Um trabalho que busque desprendimento e coragem é importante. E é difícil trabalhar o medo quando identificamos ele pulsando dentro da gente.
Creio que um dos maiores medos do ser humano é o da solidão. E é curioso, é uma inversão, porque são nossos próprios apegos e egoísmos que nos tornam pessoas sós.
Alguns objetos e substâncias são catalizadores do medo: cigarro, drogas químicas e filmes idiotas. Tudo que não tem um sentido próprio e provoca desassociação.
De fato, o pecado é a morte em vida, e a morte é o medo.