Vaidade sob a ótica do 4C - 1ª parte

terça-feira, 14 de outubro de 2014


O tema vaidade realmente é muito procedente em nosso trabalho.

Como a vaidade nos faz vulneráveis.

Tenho notado que nos sistemas religiosos dominantes as pessoas fazem as coisas para ganhar recompensas e para agradar a Deus ou a seus anjos e santos.

É todo um jogo de busca de recompensas, uma troca e um jogo de "agradar" , mera repetição de relações que já tivemos com os adultos a nossa volta.

Fomos condicionados a crer que se formos "bonzinhos" ganhamos a mesada, o doce, o presente, papai noel atende nossos pedidos, enfim, fomos condicionados a agir para agradar.

E muitos entram neste tipo de clima mesmo aqui.

Agir, responder a lista, escrever para a lista para agradar.

Agradar quem?

Alguém que insistimos em colocar como juiz em nossas vidas.

Sempre elegemos alguém fora de nós para agradarmos e aqui a questão fica complexa pois "nós" é alguém que não existe ainda.

Agir para agradar nos leva a tomarmos por base de atuação a aceitação coletiva para nossa forma de estar no mundo.

E assim ficamos terrivelmente vulneráveis as opiniões e pontos de vista dos outros a nossa volta.

A auto piedade, a piedade que o ser humano tem de si mesmo me parece a raiz de toda a vaidade.

Só quando caí na piedade de si mesmo, quando o reconhecimento do nada que somos, da efemeridade de tudo que representamos frente a Eternidade, quando esta constatação de nossa solitude fundamental e efemeridade enquanto ente singular, é mal resolvida temos o florescer da vaidade, da importância pessoal.

E a pessoa que tem a importância pessoal exacerbada pode até se matar para chamar atenção, para que "reconheçam seu valor".

Me lembro uma das palavras chaves que certa vez li.

Dizia que se não nos importamos de sermos bobos, de fazermos papel de bobos frente a todos realmente podemos nos considerar aptos para ir muito longe em direção a nossa meta.

A necessidade de assegurar nossa posição no bando, de que todos reconheçam nossa "seriedade" nos torna uma verdadeira piada.

A morte como conselheira nos permite purgar todas as bobeiras e nos deixa sóbrios para encararmos ativamente o desafio que estar vivo representa.

Gastar nossa preciosa energia para defender uma imagem falseada que temos de nós mesmos é não só anti estratégico como danoso ao caminho do despertar e da liberdade.

Acreditamos que somos unidade, que somos imortais, que temos um corpo de energia pronto e assim crendo não trabalhamos para desenvolver estes talentos.

Aqui é por pura vaidade que acreditamos já ter uma alma imortal, já sermos capazes de agir, quando tudo que fazemos é reagir, sermos capazes de sentir quando tudo que fazemos é nos emocionar e sermos capazes de pensar quando tudo que fazemos é raciocinar.

A vaidade cria teorias espantosas em ilusão e auto engano, em fórmulas prontas para manter quem dorme no sono.

O que incomoda em disciplinas como o Quarto Caminho e similares é que são implacáveis em remover toda essa fantasia.

Bem trabalhadas tais trilhas de auto conhecimento levam a constatação dura mas necessária do nada que somos e ainda assim somos maravilhas, fragmentos de estrelas que precisam recuperar seu brilho.

Temos que lembrar de nós para deixar de ser essa máquina que nos tornaram e recuperarmos a liberdade que existe em nós, trancada por preconceitos e formas limitadas de inserção na realidade.

E tudo isso só é possível se nos observamos com atenção, com serenidade, se reconhecemos factualmente em nós como nos alteramos, como reagimos a coisas sem importância, como lutamos para defender uma imagem tola que temos de nós mesmos.

Quanto mais reativa é uma pessoa a qualquer comentário que façam dela, quanto mais fica pensando e remoendo aquilo que lhe dizem, aquilo que a ameaça, mais presa é esta pessoa da vaidade.

Vaidade é algo sutil e se a considerarmos enquanto importância pessoal encontramos mesmo a base sobre a qual a falsa personalidade mantém seu domínio e se alimenta.

Não é algo simples, é mesmo uma das maiores travas no nosso caminho ao despertar.

A vaidade nos faz reagir sem raciocinar, nos faz ficar lamurientos e chatos, arrogantes e empafiados querendo a todo custo defender a imagem que fazemos de nós mesmos.

Este tipo de atitude é uma clara prisão as possibilidades que temos de ir rumo a liberdade.

Paz e Luz
Guerrero - 22/10/2000

3 comentários:

Daniele disse...

Socorrooooooooooo. Estou meio que presa na vaidade. Vou resolvo internamente e por mais que eu diga que a estória é só estória e que nada acontece a nível pessoal a vaidade me pega na curva. E refazer isso afff. Mas depois dá um ufa. Rsrs. A sincronicidade aqui é perfeita e contando desde o primeiro acesso aqui no blog é o terceiro tapa na cara que levo. Rsrs. Caraca, EU NÃO SOU PERFEITA!!! Mais um ufa! Rsrs.

F.A. disse...

Hehehe...a exigência da perfeição é uma das armadilhas da vaidade, Daniele, que o sistema desenvolveu pra poder vender-se e para impor padrões de comportamento.

E essa armadilha é estabelecida em nós por um processo de auto-julgamento, de auto-crítica exagerada.

O legal é ficar consciente de nós mesmos e rirmos desses padrões implantados até que possamos nos descolar deles por completo, num ponto tal que o próximo tapa seja apenas um abano.

No intento,

F.A.

Mariana disse...

Está escrito, por mais firme que esteja um homem é totalmente vaidade...
E Salomão dizia com sua sabedoria repercutiva:
vaidades de vaidade eis que tudo é vaidade e aflição de espírito...

O preço da consciência é a vigilância eterna.
Paz Profunda a todos