A realidade é uma construção

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Esta realidade não é dada, ela é construída. E ela é construída de maneira tal para não percebermos que ela é uma construção, para parecer que ela é dada, determinada, criada por forças supremas.

As coisas não são como Deus quer mas como nós queremos que sejam.

"Nós" inclui a toda a humanidade.

Quando um homem e uma mulher aceitam que a realidade é algo dado por Deus ou pelo destino ou pelo carma está aceitando uma ideologia que foi construída por alguém, por um grupo ou por um sistema religioso (ideológico).

Neste sentido a realidade é dada, dada por alguém para outrem como um presente de grego ou como uma cavalo de tróia, uma armadilha para que se ganhe uma batalha de ordem ideológica e mental, onde a realidade supostamente dada é na verdade uma imposição ou uma dominação ideológica.

A ideologia dominante é a mente coletiva de um grupo de obsessores abstratos, formados por conceitos vampiros que alienam o ser de sua liberdade e autonomia fundamental: deuses capazes de criar a própria realidade, responsáveis pelo próprio destino, senhores de seu próprio carma.

O consenso sobre a realidade é uma guerra onde há vencedores e vencidos.

A realidade do consenso é uma construção vitoriosa de uma elite sobre a massa.

Esta elite transformou a humanidade num recurso, recursos humanos e teu corpo num produto manufaturado e numa corpo_ração.

Deus, Destino e Carma são palavras possuídas pela elite vitoriosa na guerra ideológica que estabeleceu a realidade do consenso e o consenso sobre a realidade.

Todos aqueles que defendem que Deus está dentro de cada um, que o destino é mutável e que o Carma é flexível e negociável foram derrotados na guerra ideológica da realidade consensual, mas ainda podem, como rebeldes, criar o seu próprio sonho lutando contra os conceitos vitoriosos dentro da mente coletiva. Obviamente serão perseguidos, discriminados e marginalizados.

"Seja o que Deus quiser" é uma afirmativa dos derrotados, uma conformidade com a ordem imposta ao mundo por forças que nada tem de divinas.

Mas a guerra continua, cada um tem uma luta individual para afirmar-se perante a ordem estabelecida e cada um dá ou deve dar o seu melhor, inclusive porque apesar da possibilidade de uma vitória pessoal há sempre aquela outra possibilidade que só os grandes jinas são capazes de executar, que é renunciar a própria liberdade por amor e compaixão para lutar por seus irmãos e irmãs. E isto não deixa de ser uma outra espécie de loucura controlada, como dizem os xamãs do clã guerreiro.

F.A.


Um comentário:

Leonardo.. disse...

Não entendi muito bem o ponto do texto!
Renunciar a liberdade por amor aos outros?
me pareceu uma especie de marxismo mistico...
As coisas, ao meu ver, são mais simples: silencie a mente; desfaça a ilusão social-racional; lute contra a auto-importância...e siga seu destino, isto é, as indicações do Espirito.