A consciência é consciência de tudo

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A consciência é consciência de tudo, bem e mal, luz e trevas, informação e deformação.

Luz é um aspecto da consciência.

Treva é um outro aspecto. Isto é difícil de entender no "esquizoterismo" que por ora vigora, pois usaram a analogia da luz como algo absolutamente oposto a escuridão, mas tal não vale no que diz respeito a consciência, a iluminação e a verdade como a visão do que é e do que existe na natureza humana.

Se lerem o Evangelho verão que os primeiros a reconhecer a presença de Jesus como o Cristo são os chamados endemoniados. Isto é prova suficiente da treva como um aspecto da consciência.

Só quando a consciência desperta realmente é que se pode perceber a dualidade, o bem e o mal, como uma unidade de contrários.

A consciência é a percepção de si e do que lhe é oposto e é muito difícil suportar esta percepção, pois imagine que você é capaz de perceber tudo o que há dentro de si e das outras pessoas e você poderá ver a dificuldade que isto implica.

Este é o ensinamento escrito na energia de arquétipos como São Miguel e São Jorge onde o dragão figura como parte integrante de tais arquétipos. A consciência brota do combate, é um processo dialético. Não é à toa que a árvore do conhecimento é a árvore da ciência do bem e do mal. Neste sentido percorrer a senda da espiritualidade e da iniciação é caminhar pelo fio da navalha entre a luz e a treva.

O campo de batalha sou eu
Foi isto que Deus me deu
No coração meu escudo
Na mente a lâmina
No corpo o templo
No olhar a chama
No sorriso o brilho
Do Dragão e do Anjo

Entre o pecado e a virtude,
vou seguindo, nem anjo, nem demônio,
apenas humano, sobretudo divino,
pois julgar não é amar, e num justo equilibrar
perceber a luz e a sombra, mas quem em mim percebe?
Nesta balança do ser, o brilho da espada a resplandecer,
"Mil cairão ao lado, e dez mil à direita; mas tu não serás atingido", mas quem é este?
A espada, a balança, o trono e a luz que não pode ser vista.
Assim brilha o sol da eterna justiça.
Senhor da Luz, Senhor das Trevas
Senhor da Guerra, Senhor da Paz
Por isto Ele é o Senhor,
Domina sobre os opostos
Reconciliado em mim, em nós
Para a glória infinita de ser.
Deus em mim, Deus em nós.
O Exército da Voz
Eu sou, sou eu, somos Nós.

F.A.

A Prescrição da Selva

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Documentário imperdível!

É óbvio que não interessa para a FARMÁFIA  que se realizem estudos científicos sobre os poderes curadores da Ayahuasca no que tange ao vício das drogas e outras doenças que assolam a humanidade. Então o nosso trabalho deverá ser o de combater o preconceito, esclarecendo as pessoas e testemunhando sobre esta maravilhosa medicina da Floresta.

A Prescrição da Selva é um belo documentário que revela a luta de dois médicos e pesquisadores que utilizam da Ayahuasca para curar viciados.

A primeira parte do excelente documentário revela o fracasso da medicina oficial em tratar e curar os viciados.

A segunda parte mostra a ida do médico canadense, Dr. Gabor Maté, ao Peru, para conhecer o trabalho de cura de drogados do médico frânces, Dr. Jacques Mabit.

Na 3ª parte temos a visão de um neurologista de como a Ayahuasca atua em três partes fundamentais de nosso cérebro no que diz respeito as primeiras memórias: o neo-cortex, a amígdala e a ínsula.

A tese central do Dr. Maté é que a causa do vício é uma dor emocional mascarada pelas drogas e como a Ayahuasca ativa áreas do cérebro ligadas as memórias emocionais profundas ela é capaz de ao ativar as memórias profundas refazer o caminho das ligações cerebrais que apoiam o vício. A Ayahuasca permite assim o reconhecimento da dor emocional e a sua superação.

A 4ª parte mostra o trabalho do médico canadense em zonas onde se concentram drogados e viciados no Canadá.

Um documentário importante por unir dois tipos de medicina e por mostrar que a Ayahuasca não é uma droga, mas sim uma medicina real capaz de ajudar drogados a se libertarem do vício.

Fernando Augusto




Mensagem da Equipe do Documentário

Si les gustó la versión pirata del documental en el que hemos puesto 10 años de trabajo, por favor consideren tambien apoyar a sus autores -entre ellos el que escribe estas letras- para que podamos terminar una versión aún mejor.

Visiten:

http://ayadoc.blogspot.com.es/p/support-pt.html

http://igg.me/p/63681?a=383676

The Ayahuasca Project

Official film site: http://flavors.me/ayahuasca
DVDs and more: http://igg.me/p/63681?a=383676
Personal blog: http://ayadoc.blogspot.com/
Curated ayahuasca news: www.scoop.it/t/ayahuasca 

Magia, Xamanismo e Bruxaria - Caminhos Naturais

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Temos trabalhado nessa coluna sobre xamanismo, bruxaria e magia. Sob vários aspectos estive partilhando algumas reflexões sobre questões que envolvem estes caminhos.

São caminhos amplos, caminhos que envolvem tradições ancestrais, tradições que surgiram como resultado do trabalho dedicado e do estudo sistemático da realidade, por parte de gerações incontáveis de praticantes.

Existem muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador (a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o impregnaram de seus (pré) conceitos.

Há também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias pessoais.

É fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre querendo provar que "seu" caminho é "superior” e tem nos títulos e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas serviu para ampliar a vaidade.

Muitas pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes resolver o imanente, o aqui e agora.

Existem muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e consciente é fundamental.

O ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.

Entretanto, com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.

Portanto, caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi criado no ritmo da cidade e da indústria.

A proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir preceitos prontos.

Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de forças ou seres.

Não há projeção de um “pai/mãe” psicológico aqui, há uma clara proposta de compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.

Nestes caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças, mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que ritualizar é reatualizar o mito em nós.

Uma xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca "implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.

Nestas linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas manifestações.

Somos parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.

O que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.

Assim como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com finalidades que vão além de nossa compreensão racional.

Este é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a): Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto distinto daquele que originalmente nascemos.

Podemos ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos "tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.

Por isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo ciclo.

O ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.

Energias que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas perfeita para nossa condição.

Somos metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de energias diversas.

Mas quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida "programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.

Este aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.

Gurdjieff diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens "consoladoras".

Assim vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos", "bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do céu" , "pecado" , “culpa" e outros conceitos que são a base das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam as mesmas crenças.

O Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa volta.

Estes caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional, pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.

A palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória, dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso com base no já vivido.

Por isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de consciência conduzem.

Assim o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar teoricamente de algo quer dizer muito pouco.

Esta crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos, vejam que há um "livro sagrado", a “palavra de Deus" e tal. Em caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".

No Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.

Acreditamos que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos de seres.

Muitos ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" , "Anjos" e também "demônios" quando considerados "inimigos" .

Na Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.

Assim procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como nós.

O ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa floresta.

Quando estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".

Da mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que corresponde a seus próprios interesses.

NÃo há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades, mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses .

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de "emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da "Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.

Assim, no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos, justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada que nos é imposta.

Expandir a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a "ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para ousar o novo, o impensado.

Então deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.

É um desafio que vale a pena, entretanto.

Nuvem que passa

13 / 5 / 2002 as 08:07:01

Magia, Bruxaria e Xamanismo - O Caminho do Tornar-se

sábado, 10 de agosto de 2013

Existem alguns assuntos polêmicos na bruxaria hoje. Existem questões de tradição sendo discutidas, questões da validade de certos caminhos.

Parece que é interessante antes de discutirmos se tal caminho é ou não da tradição perceber a qualidade de nossos conceitos de "caminho", "tradição". O que é um "caminho"?

Por que, para que existe? Como sabemos que um caminho é um caminho e não mais uma ilusão conceitual, mais um aglomerado de pessoas gerando uma realidade convencionada, que tem a textura de realidade, mas que tem o poder da força coletiva do grupo apenas? Isso é bem sutil.

Tem grupamentos que tem sua força, considerável, mas esta é resultante da força total do grupo. Há outros grupamentos de humanos que carregam consigo uma carga extra, uma força que vem de outro tempo, de outra era, que é de natureza diversa de tudo que existe nesta era e neste mundo. É importante meditar sobre isso, procurar ir além do mero raciocinar aqui.

A descrição de mundo na qual este conhecimento se baseia é outra, assim estamos falando de outro tipo de física, de química, assim esta energia diferente que certos grupos carregam pode ser muito sutil, mas é ainda "matéria", é ainda energia organizada em forma de existência, que é diferente da energia na inexistência.

Alguns a chamam de Baraka, o poder da transmissão, que mestre (a) passa para discípulo (a) desde o ínicio dos tempos. Entre os Xamãs este poder é transmitido a cada sucessor e muitos grupos de xamãs, ainda existentes no nosso mundo, podem estar morando na casa ao lado que nem saberíamos, pois são discretos e nem de longe tem a idéia de "ensinar" seu saber no conceito que temos de ensinar. Eles apenas vêm às vezes ao mundo, caçar humanos em potencial, ensiná-los a transcender a condição humana e depois soltá-los na corrente da vida.

Assim, a Corrente continua e é isso que as linhagens tem como objetivo, que a "corrente" não se parta. Mas diz um texto alquímico, que quando partimos em busca da Verdade, num movimento sincero e concreto, a Verdade também se lança em nossa busca.

Essa busca sincera da VERDADE que liberta, que nos permite encontrar o espaço silencioso onde vamos partilhar da PRESENÇA, sem nenhuma programação exterior. E existe uma energia original, que vem de antes do alvorecer dessa Era, uma energia fina, tecida com fios de luz das estrelas, que viajaram pelo tempo até chegar a nossos olhos, onde nos tocam de forma sutil, a qual não percebemos por não termos sido sensibilizados (as) a isso.

Mas podemos redescobrir essas sutilezas observando tudo isso, através dos tempos homens e mulheres aprimoraram um saber cumulativo sobre como lidar com essa imensidão que nos envolve, que tem armadilhas, perigos, maravilhas e coisas terríveis e só na plenitude de nós mesmos podemos viajar incólumes pela absoluta solidão da vasta Eternidade que nos envolve.

E MAGIA, XAMANISMO, BRUXARIA têm sido termos que aludem a estes caminhos, caminhos de reencontro com nossa real natureza, caminhos de despertar, caminhos de singularização de nossa realidade existencial, para que nos tornemos realmente existentes enquanto agentes ativos, sujeitos reais de nossa história e não objetos que repetem uma programação que lhes foi imposta por mecanismos ideológicos sutis, cuja maior parte nem percebemos.

Quando saímos do sono robótico vamos descobrir a vastidão na qual estamos inseridos e temos de estar preparados para isso. Ajudar nesse despertar, canalizar para que o choque do despertar não atrapalhe a caminhada, alertar sobre os perigos e armadilhas que estão em outros mundos que nos cercam, tudo isso têm nas tradições guardiãs e transmissoras.

As energias de antes da origem fluem por um caminho da tradição, como um rio, é comum ouvirmos esse termo para se referir as mesmas: o rio espiritual do caminho.

Um caminho da TRADIÇÃO no mais lato sentido do termo é um caminho que tem essa energia em sua transmissão. Isto não invalida caminhos que não tenham essa força. Pois a meta da MAGIA da BRUXARIA, do XAMANISMO está além do humano, está além dos véus e assim a intervenção humana é um detalhe que pode ou não acontecer.

Estar ligado (a) a uma linhagem de tradição é ter a chance de ser aconselhado (a) por homens e mulheres que vão lhe ajudar a evitar armadilhas, mas sem inibir suas habilidades. Uma falsa tradição vai ter pessoas querendo impor seus pontos de vista, querendo moldar os (as) aprendizes a suas concepções pessoais, a sua forma de ser e estar no mundo. Numa tradição profunda os mais velhos e as mais velhas vão lhe ajudar como um (a) jardineiro (a) ajuda a planta a desabrochar e revelar sua interior identidade.

Uma organização formal acaba reprimindo o pleno talento de seus jovens pela ação competitiva dos mais velhos, que temem ser superados, como de fato tem que ser, pois é a missão de cada geração superar a anterior.

O desafio é sermos nós os superadores em nosso momento, indo além das barreiras que chamam de realidade, mas que têm sido a cerca onde nos mantêm perceptivamente confinados, aguardando a tosquia e alguns o abate.

Encontrar um caminho tradicional, que tem essa energia fluindo é uma grande sorte. Eu chamo de sorte, podem chamar de "desígnios do poder", "vontade da Deusa", ou seja lá o que for, mas o fato é que importa. Efetivamente algo lá fora, em um certo momento, interfere e muda tudo, nos coloca numa condição diferente de existência e isto é a maior iniciação possível.

A iniciação formal a uma tradição é algo que pode nos auxiliar no navegar da vastidão da Eternidade que nos espera quando vamos além dos véus perceptivos que nos impuseram. Mas o chamado pode vir diretamente da ETERNIDADE e a mais improvável das pessoas pode se tornar um bruxo, uma bruxa, um xamã, uma xamã, um magista, uma magista.

Por isso me divirto quando vejo pessoas arrogantemente se sentido superiores e desdenhando de desafetos julgando que este ou esta pessoa não vai nunca ser um(a) bruxo(a), xamã ou magista. Quem somos nós para entender os desígnios do poder? Conheci pessoas com muito talento, com poder incrível e que por arrogância e preguiça se tornaram nulidades para si mesmas e outras que pareciam frágeis, que tinham pouca energia pessoal e no entanto com determinação e vontade fizeram do pouco muito e são hoje plenas em seus caminhos.

Me parece que a humildade fundamental que tanto se fala nesses caminhos não é uma subserviência tola, mas reconhecer que somos nada, que somos menos que pó cósmico, inseridos num planeta que gira ao redor de um sol cuja massa sequer é suficiente para que ele vire um buraco negro quando terminar seu ciclo, na periferia de mais uma das incontáveis galáxias que vagam pela eternidade. As forças que passam por nosso mundo podem nos levar, como um surfista numa onda, ou nos afogar. Depende de nossas habilidades grande parte do resultado final dessas opções.

MAGIA, XAMANISMO, BRUXARIA são caminhos para desenvolver nossas habilidades a fim de que "surfemos" as ondas que chegam e não sejamos afogados por elas. É aqui então que reconhecemos a realidade de um caminho tradicional. Se este caminho nos permite despertar, nos auxilia a sair da auto-ilusão na qual nos mantemos, repetindo a programação que nos foi incutida, temos um caminho efetivo.

Se ao contrário apenas está preso a formalismos, ritualismos, a conhecimentos teóricos e nenhuma atividade efetiva que nos torne mais estratégicos em nosso ser e estar no mundo, então podemos estar num pseudo caminho, que pode nos prender ainda mais, nos entorpecer ainda mais nessa viciada interpretação oficial da realidade. Sensibilidade é nosso termômetro, perceber os resultados concretos, não os anunciados.

Pois MAGIA, BRUXARIA e XAMANISMO são caminhos de ação, não de racionalismos. É pelo ato que ritualizamos, que reatualizamos o poder.

Só com atos podemos curar o ser terra e ajudar a terra a saltar para o próximo nível de consciência.

Nuvem que passa

28 - 8 - 2001 as 12:53:33

Cavalgando no ar

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Recomendável para se cavalgar pelo ar,

como um príncipe do espaço

surfando na respiração da Mãe-Terra:

Delícia

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Se eu não me deliciar com os frutos de minhas ações como outros poderão fazê-lo?

F.A.

Jesus e Barrabás são um só

Jesus e Barrabás são um só.

Barrabás significa filho (Bar) do pai (rrabas). Assim como Jesus também é filho do Pai.

Barrabás ficou conhecido como ladrão e, principalmente, como assassino. Mas era mais que isto. Ele era um rebelde contra a dominação romana, um zelote, lutava contra o domínio romano.

Barrabás e Jesus são duas expressões da luta contra a dominação, contra o opressor.

Barrabás foi um revolucionário pela força, por isto tido como criminoso pelo Império Romano. Barrabás era ladrão e criminoso pelo julgamento do opressor, o Império, mas sua causa era política.

Jesus foi revolucionário pelo espírito, o que não impediu a sua crucificação.

Pilatos fez uma manobra muito inteligente, dividiu o povo judeu lhe impondo uma escolha maquiavélica, pois um dos dois deveria ser morto. O maior assassino e usurpador é (era e é) o Império Romano, que inclusive assimilou a religião cristã transformando-a num dos seus braços ideológicos.

É preciso ver as manobras do opressor para além do falso jogo dual que ele quer nos impor. O mal não é Barrabás. O mal está nos Impérios opressores. Hoje o Império assumiu outras formas e continua impondo à humanidade falsas escolhas que o dividem. Juntemos Barrabás e Jesus contra Pilatos. Esta foi a tentativa de Judas Iscariotes.

Tornar Barrabás um criminoso comum é uma forma de ocultar o verdadeiro criminoso, opressor e usurpador: o Império, a ordem estabelecida.

Barrabás é filho do Pai, assim como Jesus.

Ainda hoje Pilatos continua enganando o povo lhe impondo falsas escolhas.

Dividir para reinar.

F.A.

Lembrar

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Foi a partir do erro que encontrei o caminho. Abençoado erro! Minha tarefa, portanto, requer uma atitude fundamental: lembrar de mim mesmo para não repetir-me, para não repetir o erro.

Abençoado seja o erro que se sabe!

Em meio ao mundo, em meio as pessoas e as máquinas-humanas devo lembrar de mim mesmo, não me repetir, só assim terei alguma chance de escapar do sistema que transforma humanos em máquinas.

Esta é uma tarefa pessoal, única, intransferível, diária, perpassada pela solitude, pois trata-se de sair da massa e cultivar a lembrança que conduz à consciência. A solitude não implica numa atitude anti-social, antes é o cultivo de uma autêntica individualidade, aquela individualidade que culmina na criação de uma alma de verdade.

Quando apesar de todo o burburinho a mente brilhar em paz, suspenso de todo o julgamento e com o corpo perfeitamente relaxado, saberei que tornei-me eu mesmo, uma alma, chama alimentada pela calma mesmo diante do vento, o templo da presença Eu Sou.

Tudo já foi dito.
Basta agora continuar repetindo.
Não para que me ouçam.
Mas para que eu me lembre.

F.A.