A verdadeira história do Natal

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A humanidade comemora essa data desde bem antes do nascimento de Jesus. Conheça o bolo de tradições que deram origem à Noite Feliz


por Thiago Minami e Alexandre Versignassi na Revista Superinteressante

Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de uma longa comilança.

Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de "nascimento" do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência.

A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o "renascimento" do Sol. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno - pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, esse culto é o que daria origem ao nosso Natal. Ele chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.

Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. "O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes", dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome ("Religiões de Roma", sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias - mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

Solstício cristão

As datas religiosas mais importantes para os primeiros seguidores de Jesus só tinham a ver com o martírio dele: a Sexta-Feira Santa (crucificação) e a Páscoa (ressurreição). O costume, afinal, era lembrar apenas a morte de personagens importantes. Líderes da Igreja achavam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou de um mártir - já que ele só se torna uma coisa ou outra depois de morrer. Sem falar que ninguém fazia idéia da data em que Cristo veio ao mundo - o Novo Testamento não diz nada a respeito. Só que tinha uma coisa: os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. E colocar uma celebração cristã bem nessa época viria a calhar - principalmente para os chefes da Igreja, que teriam mais facilidade em amealhar novos fiéis.

Aí, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus teve a sacada: cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século 4, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império, o Festival do Sol Invicto começou a mudar de homenageado. "Associado ao deus-sol, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade", diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp.
Assim, a invenção católica herdava tradições anteriores. "Ao contrário do que se pensa, os cristãos nem sempre destruíam as outras percepções de mundo como rolos compressores. Nesse caso, o que ocorreu foi uma troca cultural", afirma outro historiador especialista em Antiguidade, André Chevitarese, da UFRJ.

Não dá para dizer ao certo como eram os primeiros Natais cristãos, mas é fato que hábitos como a troca de presentes e as refeições suntuosas permaneceram. E a coisa não parou por aí. Ao longo da Idade Média, enquanto missionários espalhavam o cristianismo pela Europa, costumes de outros povos foram entrando para a tradição natalina. A que deixou um legado mais forte foi o Yule, a festa que os nórdicos faziam em homenagem ao solstício. O presunto da ceia, a decoração toda colorida das casas e a árvore de Natal vêm de lá. Só isso.

Outra contribuição do norte foi a idéia de um ser sobrenatural que dá presentes para as criancinhas durante o Yule. Em algumas tradições escandinavas, era (e ainda é) um gnomo quem cumpre esse papel. Mas essa figura logo ganharia traços mais humanos.

Nasce o Papai Noel

Ásia Menor, século 4. Três moças da cidade de Myra (onde hoje fica a Turquia) estavam na pior. O pai delas não tinha um gato para puxar pelo rabo, e as garotas só viam um jeito de sair da miséria: entrar para o ramo da prostituição. Foi então que, numa noite de inverno, um homem misterioso jogou um saquinho cheio de ouro pela janela (alguns dizem que foi pela chaminé) e sumiu. Na noite seguinte, atirou outro; depois, mais outro. Um para cada moça. Aí as meninas usaram o ouro como dotes de casamento - não dava para arranjar um bom marido na época sem pagar por isso. E viveram felizes para sempre, sem o fantasma de entrar para a vida, digamos, "profissional". Tudo graças ao sujeito dos saquinhos. O nome dele? Papai Noel.

Bom, mais ou menos. O tal benfeitor era um homem de carne e osso conhecido como Nicolau de Myra, o bispo da cidade. Não existem registros históricos sobre a vida dele, mas lenda é o que não falta. Nicolau seria um ricaço que passou a vida dando presentes para os pobres. Histórias sobre a generosidade do bispo, como essa das moças que escaparam do bordel, ganharam status de mito. Logo atribuíram toda sorte de milagres a ele. E um século após sua morte, o bispo foi canonizado pela Igreja Católica. Virou são Nicolau.

Um santo multiuso: padroeiro das crianças, dos mercadores e dos marinheiros, que levaram sua fama de bonzinho para todos os cantos do Velho Continente. Na Rússia e na Grécia Nicolau virou o santo nº1, a Nossa Senhora Aparecida deles. No resto da Europa, a imagem benevolente do bispo de Myra se fundiu com as tradições do Natal. E ele virou o presenteador oficial da data. Na Grã-Bretanha, passaram a chamá-lo de Father Christmas (Papai Natal). Os franceses cunharam Pére Nöel, que quer dizer a mesma coisa e deu origem ao nome que usamos aqui. Na Holanda, o santo Nicolau teve o nome encurtado para Sinterklaas. E o povo dos Países Baixos levou essa versão para a colônia holandesa de Nova Amsterdã (atual Nova York) no século 17 - daí o Santa Claus que os ianques adotariam depois. Assim o Natal que a gente conhece ia ganhando o mundo, mas nem todos gostaram da idéia.

Natal fora-da-lei

Inglaterra, década de 1640. Em meio a uma sangrenta guerra civil, o rei Charles 1º digladiava com os cristãos puritanos - os filhotes mais radicais da Reforma Protestante, que dividiu o cristianismo em várias facções no século 16.

Os puritanos queriam quebrar todos os laços que outras igrejas protestantes, como a anglicana, dos nobres ingleses, ainda mantinham com o catolicismo. A idéia de comemorar o Natal, veja só, era um desses laços. Então precisava ser extirpada.

Primeiro, eles tentaram mudar o nome da data de "Christmas" (Christ's mass, ou Missa de Cristo) para Christide (Tempo de Cristo) - já que "missa" é um termo católico. Não satisfeitos, decidiram extinguir o Natal numa canetada: em 1645, o Parlamento, de maioria puritana, proibiu as comemorações pelo nascimento de Cristo. As justificativas eram que, além de não estar mencionada na Bíblia, a festa ainda dava início a 12 dias de gula, preguiça e mais um punhado de outros pecados.

A população não quis nem saber e continuou a cair na gandaia às escondidas. Em 1649, Charles 1º foi executado e o líder do exército puritano Oliver Cromwell assumiu o poder. As intrigas sobre a comemoração se acirraram, e chegaram a pancadaria e repressões violentas. A situação, no entanto, durou pouco. Em 1658 Cronwell morreu e a restauração da monarquia trouxe a festa de volta. Mas o Natal não estava completamente a salvo. Alguns puritanos do outro lado do oceano logo proibiriam a comemoração em suas bandas. Foi na então colônia inglesa de Boston, onde festejar o 25 de dezembro virou uma prática ilegal entre 1659 e 1681. O lugar que se tornaria os EUA, afinal, tinha sido colonizado por puritanos ainda mais linha-dura que os seguidores de Cronwell. Tanto que o Natal só virou feriado nacional por lá em 1870, quando uma nova realidade já falava mais alto que cismas religiosas.

Tio Patinhas

Londres, 1846, auge da Revolução Industrial. O rico Ebenezer Scrooge passa seus Natais sozinho e quer que os pobres se explodam "para acabar com o crescimento da população", dizia. Mas aí ele recebe a visita de 3 espíritos que representam o Natal. Eles lhe ensinam que essa é a data para esquecer diferenças sociais, abrir o coração, compartilhar riquezas. E o pão-duro se transforma num homem generoso.

Eis o enredo de Um Conto de Natal, do britânico Charles Dickens. O escritor vivia em uma Londres caótica, suja e superpopulada - o número de habitantes tinha saltado de 1 milhão para 2,3 milhões na 1ª metade do século 19. Dickens, então, carregou nas tintas para evocar o Natal como um momento de redenção contra esse estresse todo, um intervalo de fraternidade em meio à competição do capitalismo industrial. Depois, inúmeros escritores seguiram a mesma linha - o nome original do Tio Patinhas, por exemplo, é Uncle Scrooge, e a primeira história do pato avarento, feita em 1947, faz paródia a Um Conto de Natal. Tudo isso, no fim das contas, consolidou a imagem do "espírito natalino" que hoje retumba na mídia. Quer dizer: quando começar o próximo especial de Natal da Xuxa, pode ter certeza de que o fantasma de Dickens vai estar ali.

Outra contribuição da Revolução Industrial, bem mais óbvia, foi a produção em massa. Ela turbinou a indústria dos presentes, fez nascer a publicidade natalina e acabou transformando o bispo Nicolau no garoto-propaganda mais requisitado do planeta. Até meados do século 19, a imagem mais comum dele era a de um bispo mesmo, com manto vermelho e mitra - aquele chapéu comprido que as autoridades católicas usam. Para se enquadrar nos novos tempos, então, o homem passou por uma plástica. O cirurgião foi o desenhista americano Thomas Nast, que em 1862, tirou as referências religiosas, adicionou uns quilinhos a mais, remodelou o figurino vermelho e estabeleceu a residência dele no Pólo Norte - para que o velhinho não pertencesse a país nenhum. Nascia o Papai Noel de hoje. Mas a figura do bom velhinho só bombaria mesmo no mundo todo depois de 1931, quando ele virou estrela de uma série de anúncios da Coca-Cola. A campanha foi sucesso imediato. Tão grande que, nas décadas seguintes, o gorducho se tornou a coisa mais associada ao Natal. Mais até que o verdadeiro homenageado da comemoração. Ele mesmo: o Sol.

A batalha em que estamos

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Saudações as brisas, vendavais, tufões, ventos dos quatro cantos, enfim a todos e todas que fluem pelo mundo seguindo os antigos ritmos de nossos ancestrais, se recusando a servir nesta era de escravos.

Há muitas formas sutis pelas quais os dominadores se impõe em nossa vida.

Essa "sociedade civilizada" que aí está o que é ela senão um conjunto de valores oriundos dos conquistadores que em todos os continentes vieram sistematicamente exterminando os povos nativos e impondo seu modo de vida.

Estamos num momento delicado de nossa história enquanto espécie.

Temos os meios para destruir não só nossa própria espécie mas toda a vida e o próprio SER TERRA.

O perigo nuclear está aí e só os muito irresponsáveis e os muito iludidos não o percebem.

A poluição da Terra, da água e do ar, a destruição e extinção de nossos irmãos animais e plantas está acontecendo agora enquanto escrevo este mail, vai continuar acontecendo enquanto vc o lê.

O chamado "renascimento" do "esoterismo" que assistimos em nossos dias tem dois lados bem distintos.

Por um lado grupos e pessoas dotadas de seriedade estão vindo a público revelar conhecimentos e práticas, informações que estavam antes mantidas em segredo sendo passadas de boca para ouvido, de um para outro numa linha secreta que visava manter viva a chama desde o fim da última grande civilização global , há aproximadamente 10.500 anos atrás.

Se formos a Angkor, a Esfinge Egípcia, as pirâmides, vamos descobrir que estes monumentos estão astronomicamente orientados com eventos que nos levam a esta data: 10.500 anos atrás.

Uma civilização planetária.

Mas algo aconteceu, mudanças ocorreram e isto foi se perdendo, até que manobras diversas levaram a um eclipsar desses antigos povos e só lendas restaram.

De forma sistemática em todas as partes do mundo novas culturas tentaram destruir as antigas.

Se apropriaram da forma exterior de seu saber, mas não de sua essência.

Os povos nativos sempre tiveram sua forma de ser.

Tal forma de ser tinha como base a harmonia com o Ser Terra no qual vivemos.

A civilização na qual estamos inseridas "coisificou" tudo.

As pessoas se vêem como coisas, se tratam como coisas, a vida foi tornada uma coisa e agora sofremos a consequência disso, quer no caos social, quer no caos psicológico, quer no caos ecológico que vivemos.

Há duas posturas possíveis aqui.

A alienação, em várias formas, mas em essência a velha idéia de que o "que importa com o mundo não me incomoda, interessa ou diz respeito".

Esta a postura dominante, os que assim agem de uma forma ou de outra, por ação ou omissão servem aos que trabalham pela destruição.

Outra postura é a ação incisiva, direta, consciente , que pelo agir muda o mundo, sem ficar pregando, sem ficar escravo de teorias mas mostrando a realidade em atos.

Só atitudes podem mudar a realidade a nossa volta.

A Tribo do Arco Íris se caracteriza por atos.

O Arco Íris é um ato.

Ali estão as gotas de chuva, suspensas, plenas em si mesmas e então a magia acontece.

O pai Sol está emitindo sua luz e da interação entre a luz que percorreu o espaço imenso, e as gotas de água, fonte de vida, surge a beleza, surge o Arco Íris, Bifrost para os antigos nórdicos, a ponte que une este mundo a outros.

Em outros tempos poderíamos nos esquivar de uma ação direta e incisiva sobre a realidade, mas hoje frente a realidade que enfrentamos todo ato de alienamento é uma colaboração a destruição contínua da mãe Terra.

Buraco na camada de Ozônio, vazamentos de óleo e petróleo, produtos químicos lançados aos rios, mercúrio dos mineradores, árvores sendo abatidas, animais exterminados pela destruição de seu habitat.

A caça foi tão deturpada quanto a idéia de combate e o termo caçador está tão empesteado de falsos significados quanto o termo guerreiro.

Este o mundo que vivemos.

O mundo no qual estamos inseridos.

Existem muitas teorias que permitem uma alienação progressiva dos fatos que enuncio acima, mas os que trilham os caminhos dos povos naturais tem no exemplo da destruição das complexas civilizações de nossos antepassados fontes concretas da falácia de caminhos que descuidam do aqui e agora.

Estamos numa batalha, um bom combate.

A convocação aos guerreiros e guerreiras do Arco Íris está sendo feita.

Precisamos de pessoas inseridas na realidade, que estejam no mundo sem ser do mundo.

Fugir do mundo alienando-se do mesmo já mostrou sua falácia.

Precisamos de pessoas que são mais fortes que o mundo, isto é, que estejam plenamente inseridas na chamada "normalidade", no chamado "cotidiano" mas que não estão presos (as).

Este tem sido um desafio constante em minha vida, auxiliar as pessoas a estar no mundo sem alienar-se de si mesmas, estar na chamada "realidade cotidiana" usando a mesma como desafio não como lugar de perdição de sua própria essência.

Esse caminho incomoda profundamente os teóricos, os que desejam apenas continuar em sua arrogante postura de donos(as) do saber, escondendo-se em "revelações" ou ainda naquela velha artimanha de "sigo o meu próprio caminho" querendo na realidade dizer com isso que não aceitam propostas que os (as) tirem da farsa que chamam de vida e os joguem num campo real onde podem mensurar o fato de suas crenças.

Esta é uma grande vantagem deste mundo desequilibrado.

Ele destrói ilusões, é implacável com as falsidades.

Só os que estão prontos para enfrentar a vastidão da eternidade suportam a loucura da realidade cotidiana.

Os Toltecas através de seus modernos emissários, como o Nagual Charles Spider e o Nagual D. Miguel Ruiz, insistem nisso de várias formas.

O velho nagual Aureliano Mariano insistia que as pessoas adoram ficar nos aporrinhando para que digamos o que elas devem fazer, então elas se enchem de suas verdades prontas e fazem exatamente o contrário.

Por isso o xamanismo é distante de qualquer proselitismo.

Sugerimos propostas, quem as assumir é por sua própria conta e risco.

Não temos "mestres", "gurus" ou algo similar entre nós.

Nem ligados estamos com "revelações" absolutas.

Aqui, entre nós o conhecimento é cumulativo, é apreendido era após era, geração após geração e só pode ser tido por quem o expressa.

Dizer coisas, falar de teorias é muito fácil.

Mas eu não acredito em ninguém que não tenha uma vida concreta e efetiva neste mundo com atos que corroborem aquilo que falam.

E entre nós não temos seguidores (as) pois seguidores são algo menos que humanos, algo menos que seres viventes.

Autonomia intelectual e moral é o mínimo que esperamos para pessoas que pretendem cruzar a árdua fronteira do "conhecido" e entrar no "desconhecido".

E o primeiro desconhecido para quem desperta é aqui mesmo, no aqui e agora, pois estamos de tal forma isolados desta realidade, de tal forma iludidos no sono e no sonho que ficamos apenas teorizando, sem nada de fato realizar.

Assim estar no mundo sem ser dele, realizar atitudes na direção da cura do ser Terra no qual vivemos, agir conscientemente rumo a um novo estado de consciência me parece o primeiro e decisivo passo de quem pretende agir rumo a realidade maior que nos circunda e insiste em sussurrar além dos muros de certezas vãs que tantos erguem ao seu redor.

As pessoas querem fugir do incômodo, do vazio, da incerteza, preferem falsas constatações que a ameaçadora força da Eternidade que nos reduz ao que somos de fato: Poeira cósmica.

Mas aí está o mistério ', aí o maravilhoso que parece ter escapado de tantos:

Nós que nada somos desafiarmos a incrível solidão e vastidão da Eternidade.

Este é meu convite a vocês, este é meu convite aos que desejam trilhar o caminho dos xamãs guerreiros , que tem na ARTE sua fonte e inspiração.

A partir deste mail pretendo tornar esta lista um centro de aglutinação virtual.

Aqui pretendo que nos reunamos como num fogo de conselho, que tracemos nossas estratégias e partilhemos nossas vitórias e perplexidade nesta luta contínua rumo a nós mesmos, rumo a harmonia que não é pasmaceira, mas dinâmica, como a Vida, que opera em níveis crescentes de homeostase, mas nunca em estáticos padrões.

Adaptar-se e saber lidar com novas situações é a base para toda a vida, tanto para a vida orgânica , como para nós que pretendemos de fato entrar em outros mundos e realidades.

Estamos em um combate e vcs notaram que muitos de nossos inimigos são aqueles (as) que fingem buscar algo além quando na realidade querem apenas continuar com suas vidas como estão, sem nada mudar.

Sem mudar profundamente o que trazemos em nós é impossível ir além da prisão na qual nos encarceraram, prisão vil e terrível, pois é conceitual.

A liberdade dos (as) xamãs é a busca da liberdade perceptiva, liberdade de perceber.

Quando falamos em criar um corpo de energia isto é altamente revolucionário, quando falamos em ir além da realidade que nos obrigaram a ter por única isto é revolucionário.

Isto vai nos incomodar, vai nos desassossegar, vai nos levar a crise e então a mudanças.

As ilusões caem, os estereótipos que tinham por mito se revelam em sua inadequação.

Aí entram os caprichos.

Conheço gente que preferiu o capricho de se fazer de louco (a).

Sim, conheço pessoas que preferiram se entregar a idéia que ficaram "perturbados" e então saíram do caminho, ao invés de assumir que era o novo e o impensado chegando deixaram que o mundo os (As) convencessem que estavam perturbados(as).

E assim ficaram mesmo perturbados(as) e aí estão, por aí, vagando, se entregando.

Outros(as) se entregam com poses de pseudo rebeldia, com poses de "não aceito suas "ordens", como se as dicas de quem pode sugerir atividades para ajudar o despertar fossem ordens de alguém.

Estas pessoas apenas confundem a Tradição com as briguinhas pessoais que tinham contra o sistema ou contra a família e então sempre encontrarão pessoas que as ajudarão a “fortalecer suas certezas".

Mas o fato permanece o mesmo.

A luta entre consciência e inconsciência continua sendo travada e aqui não há neutralidade: ou se trabalha para a consciência ou se está fluindo para a inconsciência.

Enquanto escrevo surge uma música na seleção aleatória que deixei o som aqui, partilho um pouco da letra:


"Meu caminho é cada manhã

Não procure saber onde estou

Meu destino não é de ninguém

EU não deixo meus passos no chão

Se você não entende não vê

Se não me vê não me entende

Não procure saber onde estou

Se meu jeito te surpreende

Se o meu corpo virasse Sol

Se minha mente virasse Sol"





Estamos em atividade.

Temos que ser cuidadosos.

Me lembro dos Templários, traídos pelos que não conseguiram a eles se ligar.

Me lembro de nossos antepassados espirituais trucidados pelos terríveis conquistadores, com suas armas e religiões de pecado, medo e dor.

Estamos em plena batalha. Ou iremos para a a extinção de toda a vida neste planeta, com risco mesmo de morte do SER Terra, ou iremos para um novo mundo, um mundo que pode surgir se atingirmos a massa critica, isto é , se um número suficiente de nós conseguir "sonhar" o novo mundo.

É para isso que estamos aqui.

Para partilhar esse sonho.

Para tecer esse novo sonho,com a ajuda da grande aranha dourada que teceu o primeiro mundo de nossos antepassados, que ainda tece o sonho destes , que podemos também sonhar.

O velho nagual dizia que entramos num rodamoinho e indo ao fundo cremos ir a algum lugar quando na realidade apenas nos aproximamos da destruição.

Sair desse rodamoinho, voltar a ser livre barco, navegando pela vastidão do mar escuro da consciência é o desafio que se apresenta a cada um de nós.

Sinto agora o vento da noite, a lua crescente no céu, a vida se mostrando no jasmim na minha varanda que renasce após a poda de inverno que realizei na lua nova de Agosto.

A vida retorna após a poda, assim vejo este momento que se aproxima.

Neil Gaimon em sua série SANDMAN conta algo belo quando fala: Se mil gatos sonharem o mundo deixará de ser como é e voltará a ser um mundo de gatos".

Nós do povo felino entendemos a mensagem.

Sugiro a leitura de "Um sonho de mil gatos".

Aos que perguntam qual é meu objetivo respondo com este conto.

Trabalho apenas para que mil gatos sonhem...

Nuvem que passa

Implacabilidade

domingo, 22 de dezembro de 2013

A vivência da implacabilidade pode ser compreendida de várias maneiras. Don Juan como professor ensinou para Castaneda de uma maneira que ele pudesse melhor compreender e aplicar.

Naturalmente precisamos estar vivenciando o conjunto de ensinos que constitui o caminho do guerreiro(a) para poder compreender a implacabilidade. É preciso uma mudança radical em nossa visão de mundo.

Implacabilidade não é crueldade ou frieza, é antes um espírito de ação que trata a si mesmo e aos outros de forma tal a não ver ninguém como superior ou inferior.

Se fosse tentar explicar em rápidas palavras para alguém de nossa cultura judaico-cristã diria que ela tem a ver com o conceito de coerência, de equanimidade e de imparcialidade. Poderia até citar a Bíblia:

45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos - Mateus 5.

O Sol como força natural é implacável. Portanto não pode ser julgado, avaliado, condenado como bom ou mau, mas as pessoas vão usar destas ferramentas conceituais para realizar suas manipulações e exercer sua subjetividade egóica.

O Rabi da Galiléia disse: não julgueis. Eis outro exemplo de implacabilidade.

Mas e a aplicação disto? Decorre da compreensão profunda e a compreensão profunda é um assunto pessoal e intransferível, que neste caso pode se dar através de um fato natural, tão natural quanto o brilho do sol que brilha para todos: a morte, esta coroa de todos, como diz o adágio popular, pois ela nivela a todos nós e é o nosso destino inevitável. A reflexão sobre o nosso destino nos torna implacáveis e esta implacabilidade nos concede um escudo de indiferença com relação as opiniões alheias que tentam de alguma forma evadir-se da implacabilidade, a mesma indiferença através da qual age a morte, que nos leva a todos, sorrindo sempre e tudo o que nós podemos fazer, como guerreiros ou seres implacáveis, é sorrir-lhe de volta e agradecer pela oportunidade do viver.

No intento, gratidão!

F.A.

Feliz Natal!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Deus não tem religião, portanto nenhum ser humano deveria ter uma religião.

Deus não precisa de nós, portanto não precisa de religião.

A religião é uma invenção humana, uma forma de controle social, um amortecedor psicológico para o nosso medo do desconhecido e da morte.

Todas as formas religiosas são abominações que pretendendo agradar a Deus revelam a ignorância e o ego humano, causando divisões e guerras entre os humanos.

Nós precisamos de Deus, no sentido que devemos buscar a nossa unidade, e se Deus não precisa de religião nós também não. Precisamos nos unir a Deus e não à religião.

Cultuar a Deus é cultivar a Deus e só podemos fazê-lo em nós mesmos.

Sem religião o ser humano pode encontrar Deus no único lugar onde ele deve procurar: dentro de si mesmo.

 E este seria o feliz natal, o nascimento da Divindade dentro de cada ser humano para além das calendas, das datas hipócritas e das celebrações artificiais.

Se Deus(a) é dono(a) de tudo o que você pode oferecer para Ele (a)?

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Indo no popular, evitando preciosismos ou sintaxes adequadas:

Se Deus(a) é dono(a) de tudo o que você pode oferecer para Ele (a)?

Nada.

Tudo o que você faz você não faz para Ele, Ele não precisa de nada, nem do seu amor, o que você faz, faz para você mesmo, para que você deixe de ser você mesmo e possa torna-se Ele, Aquilo, Eu Sou.

Pensar que você faz ou oferece alguma coisa para Ele é apenas a sua vaidade e esperar recompensas por isto é apenas a sua ambição travestida de ares espirituais.

F.A.

O Grande Benéfico

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ontem, após um trabalho espiritual usando o sacramento conhecido como Ayahuasca, tive uma epifania com a energia de Júpiter, motivo pelo qual escrevo este texto.

Júpiter encontra-se no astral retrógrado e nos obriga a revisar nossa relação com o pai, o chefe primordial.

Júpiter retrógrado olha os próprios erros no signo do feminino - Câncer -, assim ele torna-se mais feminino e modula a sua energia.

Júpiter retrógrado nos obriga a olhar para o passado. Olhar para o passado é uma forma de dizer. Olhar para o passado é olhar
para si mesmo. Recapitular a vida. Considere que Júpiter está retrógrado em Câncer, este é o signo do passado, dos ancestrais e do feminino, regido pela Lua. Júpiter retrógrado expande internamente, pode intensificar a consciência, torna-se enteógeno, faz-nos encontrar o próprio Júpiter dentro de nós, nos tornamos um canal que ancora esta energia arquetípica em nossa própria realidade cotidiana, faz aflorar um sentimento infinito de gratidão, este imã da sorte, gerador da prosperidade, da abundância e sob sua égide estamos completamente protegidos. Júpiter retrógrado faz-nos resgatar o grande benéfico dentro de nós mesmos, pois há um sentimento positivo e grandioso dentro de nós responsável pelo nosso poder pessoal: gratidão.

Júpiter retrógrado olha para dentro para rever o próprio caminho com relação a mestres espirituais, ao nosso comportamento com relação aos superiores hierárquicos, com relação as instituições e para nos permitir ver dentro de nós aquilo que possa estar impedindo o livre fluxo da prosperidade, da abundância e da sorte em nossas vidas.

O sentimento a ser alimentado é o de gratidão.

Mas o que precisa ser cortado?

Se você observar sua relação com superiores hierárquicos você poderá perceber. Como é sua relação com eles? Como eles te tratam? Suas expectativas são atendidas e as promessas são cumpridas? Caso não, e creio que a negativa será a posição da maioria de nós, podemos ver no comportamento dos superiores hierárquicos um reflexo de um comportamento inconsciente nosso, que está radicado em nossa sombra. Assim Júpiter retrógrado é um mergulho na sombra do chefe em nós mesmos. E neste mergulho podemos descobrir que os defeitos que criticamos em nossa chefe também são nossos. Um exemplo bastante óbvio associado ao movimento retrógrado de um planeta é a questão da procrastinação. Júpiter retrógrado pode ser o chefe procrastinador, que vai empurrando tudo com a barriga ou para os outros e que resolver tudo na última hora produzindo assim erros e atrasos que nos fazem ter que refazer e refazer o trabalho. A notícia nada agradável é que se você tem um chefe assim você também tem o mesmo comportamento procrastinador, até por que se você não tivesse este comportamento das duas uma: você teria um outro tipo de chefe ou você teria se tornado o chefe de sua própria vida. Procrastinar é retardar e do ponto de vista da vida e da energia em constante fluxo é um ficar para trás, é retroagir. Logicamente, procrastinar nos leva a dependência de chefes, pois somos incapazes de tocar a própria vida e por isto nos colocamos sob o tacão de alguém que acaba por nos pressionar ao limite. Difícil reconhecer isto. Difícil e desafiante reconhecer nossa dependência emocional, nosso vício comportamental. Falo aqui de reconhecimento visceral, daquele que te faz vomitar e não um mero reconhecimento intelectual, teórico, superficial. Júpiter  fez seu pai Cronos vomitar os próprios filhos através de uma droga enteógena (deus dentro, a divindade escondida dentro do tempo, a eternidade oculta naquilo que é transitório).

Júpiter retrógrado faz-nos ver, ver com clareza, qualidade do animal de poder de Júpiter, a águia. E o que vemos? Vemos a força expansiva de Júpiter indo em todas as direções, um poder grandioso mas que pode virar dispersão se não houver foco, clareza.

Faz-se muitas e muitas coisas mas a pessoa não faz aquilo que realmente importa e acaba sobrecarregada e ainda improdutiva.

Outro ponto para perceber é a nossa capacidade de dar, de presentear, de ser generoso. Dar é uma poda, faz depois a nossa energia crescer com mais vigor. Generosidade, gerar, regenerar. É uma atitude nobre e altamente inteligente. Júpiter é dadivoso, é abundante, é prolífico. E Ele é prolífico por que sabe o que quer, tem a visão clara, atributos próprios do pai dos deuses. Júpiter nos ensina, portanto, a ser pai, a ser protetor e provedor. Qualquer Deus é uma emanação perfeita de energia e cada um de nós canaliza esta energia de acordo com o seu grau de consciência. Os mitos são a versão humana da energia divina, a maneira como os
seres humanos processam, recebem e retransmitem a energia dos deuses.

Os deuses são homens perfeitos.

Os homens são deuses imperfeitos.

E é a partir dos homens que os mitos são criados, por isto os deuses nos mitos são tão parecidos conosco. O mito torna-se uma projeção humana.

Júpiter como planeta é apenas o corpo de uma consciência divina e poderosa da mesma maneira como os xamãs consideram a Terra um ser vivo, consciente, nossa Mãe-Terra, Gaia. Ele é a força regente do ano que se anuncia, 2014, quando estará, em julho, no signo dos reis: Leão.

Todos os seres em nosso Universo se esforçam para evoluir, portanto as consciências planetárias também estão em processo de evolução e se utilizam de todos os meios e canais em afinidade com a sua energia para alcançar patamares de consciência mais elevados.

Quando aumentamos a nossa consciência adentramos no grande silêncio, o silêncio interior. Neste estado de consciência percebemos a voz do silêncio, a vibração dos elétrons, a música das esferas atômicas. Tudo vibra, há uma vibração inaudível no ar, mas que pode ser percebida quando apuramos nossos sentidos através de um estado de consciência mais elevado. Estes estados de consciência eram alcançados pelos grandes gênios da música, dentre eles Beethoven e Mozart.

Mozart concebeu obras maravilhosas dentre elas a sinfonia número 41, intitulada Júpiter, através da qual podemos ancorar esta energia em nossas vidas. Fica aqui esta pequena dica para aqueles que querem usufruir da energia do "Grande Benéfico".

Foi dito que na sinfonia número 41 Mozart revelou a existência de Deus, uma frase jupiteriana, vinda de um sagitariano chamado Woody Allen.

Mozart caracterizou a energia de Júpiter nesta música ao ter combinado cinco melodias de uma vez só, uma marca do seu gênio, algo sem igual e até hoje não alcançado por nenhum outro mestre da música. A riqueza melódica combinada em perfeita harmonia expressa muito bem a grandiosidade da energia jupiteriana, que ela possa transbordar belamente nas vidas de todos!

F.A.

Os seres humanos usam a palavra como feiticeiros

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


O primeiro compromisso é o mais importante e também o mais difícil de cumprir. É tão importante que apenas com esse primeiro compromisso você será capaz de transcender ao nível de existência que chamo de céu na Terra.

O primeiro compromisso é ser impecável com sua palavra.

Parece simples, mas é extremamente poderoso. Por que sua palavra? A palavra é o poder que você tem de criar. Sua palavra é o dom que vem diretamente de Deus. O Livro do Gênesis, na Bíblia, falando da criação do universo, diz: No início havia o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus". Mediante a palavra você expressa seu poder criativo. É por meio da palavra que você manifesta tudo. Independentemente de qual língua você fale, sua intenção se manifesta por intermédio da palavra. O que você sonha,o que você sente e o que você realmente é será manifestado mediante a palavra.

A palavra não é apenas um som ou um símbolo escrito.

A palavra é força; é o poder que você possui de expressar-se e comunicar-se, de pensar, e, portanto, de criar os eventos em sua vida.

Você pode falar. Que outro animal no planeta pode falar?

A palavra é a mais poderosa ferramenta que você possui como ser humano;

é a ferramenta da magia.

Porém, como uma espada de dois gumes, sua palavra pode criar o sonho mais belo ou destruir tudo ao seu redor.

Uma das lâminas é o mau uso da palavra, que cria um verdadeiro inferno.

A outra lâmina é a impecabilidade da palavra, que apenas cria beleza, amor e o céu na Terra.

Dependendo de como é usada, a palavra pode libertar você ou pode escravizá-lo mais do que imagina.Toda a magia que você possui está baseada em sua palavra: Sua palavra é magia pura, e o mau uso dela e magia negra.

A palavra é tão poderosa que uma única pode mudar ou destruir as vidas de milhões de pessoas. Alguns anos atrás, um homem, na Alemanha, pelo uso da palavra, manipulou todo um país formado de pessoas inteligentes. Ele as conduziu a uma guerra mundial usando apenas o poder de sua palavra. Convenceu os outros a cometerem os piores atos de violência. Ativou ou o medo das pessoas com a palavra e, como uma grande explosão em cadeia, aconteceram assassinatos e guerra pelo mundo inteiro. Pelo mundo afora, seres humanos destruíram outros seres humanos porque tinham medo uns dos outros. A palavra de Hitler, baseada em crenças e compromissos gerados pelo medo, será lembrada por muitos séculos.

A mente humana é como um terreno fértil onde sementes estão sendo plantadas continuamente. As sementes são opiniões, idéias e conceitos.Você planta uma semente, e a mente humana é tão fértil! O único problema é que,freqüentemente, também é fértil para as sementes do medo. A mente do ser humano é fértil, mas apenas para as sementes para as quais é preparada. O que é importante é saber para que tipo de semente nossa mente é fértil, e então prepará-la para receber as sementes do amor.

Vamos tomar o exemplo de Hitler: ele enviou todas aquelas sementes de medo e elas germinaram e conseguiram provocar destruição em massa.

Percebendo o enorme poder da palavra, precisamos compreender que tipo de poder sai de nossas bocas. Um temor ou duvida plantados em nossas mentes pode gerar um drama infinito de eventos. A palavra é como um encantamento, e os seres humanos usam a palavra como feiticeiros, colocando impensadamente encantamentos uns nos outros.

Cada ser humano é um mágico, e podemos colocar alguém sob encantamento com nossas palavras ou libertar alguém de um encantamento. Lançamos encantamentos a todo instante com nossas opiniões. Um exemplo: vejo um amigo e lhe dou uma opinião que acabou de passar por minha mente. Digo: "Hum ... estou vendo no seu rosto aquela cor dos que vão ter câncer". Se ele me ouvir e concordar irá desenvolver câncer em menos de um ano. Esse é o poder da palavra.

Durante nossa domesticação, nossos pais e irmãos deram suas opiniões sobre nós sem ao menos pensar. Acreditamos nessas opiniões e vivemos com medo dessas opiniões, como não ser bom em natação, ou no esporte, ou em escrever. Alguém dá sua opinião e diz: "Veja, aquela menina é feia!”

A menina escuta, acredita que é feia e cresce com a idéia de que é feia.

Não importa quão bonita ela seja; enquanto mantiver esse compromisso consigo mesma, irá acreditar que é feia. Esse é o encantamento que a atinge.

Ao captar nossa atenção, a palavra pode entrar em nossa mente e alterar todo um conceito para melhor ou para pior. Outro exemplo: você pode e acreditar que é estúpido e por ter acreditado nisso até onde vai sua lembrança. Esse compromisso pode ser capcioso, levando você a fazer muitas coisas para provar que é estúpido. Você pode dizer a si mesmo:

"Gostaria de ser esperto, mas devo ser estúpido ou não teria feito aquilo".

A mente vai em centenas de direções diferente e poderíamos passar dias tendo a atenção atraída apenas por aquela crença, em sua própria estupidez.

Então, um dia alguém prende sua atenção e, usando a palavra, diz que você não é estúpido. Você acredita no que aquela pessoa está dizendo e faz um novo compromisso. Como resultado disso, você não se sente nem age mais como estúpido.Um encantamento inteiro é quebrado apenas pelos poderes do mundo. De forma análoga, se você acredita ser estúpido e alguém prende sua atenção e diz: "É verdade, você é a pessoa mais estúpida que eu já conheci", o acordo será reforçado e vai se tomar ainda mais forte.

Agora vamos examinar o significado da palavra impecabilidade. Impecabilidade quer dizer "sem pecado". Impecável vem do latim peccatu, que significa "pecado". O prefixo im é igual a "sem"; portanto, impecável é "sem pecado", As religiões falam sobre pecado e pecadores, mas vamos compreender o que realmente significa pecar.

Um pecado é uma coisa que você faz e que vai contra você mesmo, Tudo o que sente, em que acredita ou diz que vai contra você mesmo é um pecado. Você vai contra você mesmo quando se julga ou se culpa por alguma coisa. Estar sem pecado significa exatamente o oposto, Ser impecável não é ir contra a sua natureza. Quando você é impecável assume responsabilidade por seus atos, mas não julga nem culpa a si mesmo.

Desse ponto de vista, todo o conceito de pecado muda de alguma coisa moral ou religiosa para algo pertencente ao senso comum. O pecado começa com a rejeição de você mesmo, Auto-rejeição é o maior de todos os pecados que você pode cometer. Em termos religiosos, a auto-rejeição é um "pecado mortal", que leva à morte. Impecabilidade, por outro lado, leva à vida.

Ser impecável com sua palavra é não usá-la contra você mesmo. Se eu o vir na rua e o chamar de estúpido, parece que estou usando a palavra contra você. Na realidade, estou usando minha palavra contra mim mesmo, pois você vai me odiar por isso, e o seu ódio não é bom para mim. Portanto, se eu ficar zangado e com minha palavra mandar todo o veneno emocional para você, estou usando minha palavra contra mim.

Se amo a mim mesmo, irei expressar esse amor em minha interação com você, e então serei impecável com a palavra, porque aquela ação irá produzir uma reação análoga. Se eu amo você, então você irá me amar.

Se eu insultá-lo, você irá me insultar. Se eu demonstrar gratidão por você, você terá gratidão por mim. Se eu for egoísta com você, você será egoísta comigo. Se eu usar a palavra para colocar um encantamento em você, você irá colocar um encantamento em mim.

Ser impecável com a própria palavra é o emprego correto de sua energia;

significa usar sua energia na direção da verdade e do amor por você.

Se você fizer um compromisso com você mesmo de ser impecável com sua palavra, com apenas essa intenção a verdade irá se manifestar por seu intermédio e limpar todo o veneno emocional que existe em seu interior.

Mas firmar esse compromisso é difícil porque aprendemos a fazer exatamente o oposto. Temos aprendido a mentir como hábito de comunicação com os outros, e, mais importante, conosco. Não somos impecáveis com a palavra. O poder da palavra é usado de forma completamente errada no inferno. Usamos a palavra para amaldiçoar, culpar, encontrar remorso, destruir.

Claro, podemos usar no sentido correto, mas não com muita freqüência. Na maior parte do tempo usamos a palavra para espalhar nosso veneno pessoal - para expressar raiva, ciúme, inveja e ódio. A palavra é magia pura - o presente mais poderoso que temos como seres humanos - e a usamos contra nós mesmos. Planejamos vingança. Criamos o caos no mundo. Usamos a palavra para criar ódio entre raças diferentes, entre pessoas diferentes, entre familias, entre nações. Fazemos mau uso da palavra com muita freqüência, e esse mau uso é nossa forma de criar e perpetuar o sonho do inferno. O mau uso da palavra é como empurramos uns aos outros para baixo e nos mantemos em estado de medo e dúvida.

Como a palavra é a mágica que os seres humanos possuem e o mau uso da palavra é magia negra, estamos o tempo todo usando magia negra sem saber que nossa palavra produz magia.

Havia uma mulher, por exemplo, que era inteligente e tinha um ótimo coração. Ela possuía uma filha a quem adorava e amava muito. Uma noite ela voltou para casa depois de um dia mim no trabalho, cansada, cheia de tensão emocional e com uma terrível dor de cabeça. Ela queria paz e sossego, mas sua filha estava cantando e pulando alegremente. A filha estava inconsciente de como a mãe se sentia, encontram-se em seu próprio mundo, em seu próprio sonho. A menina sentia-se maravilhosa, saltava e cantava cada vez mais alto, expressando sua alegria e seu amor.

Cantava tão alto que piorava a dor de cabeça de sua mãe, e num determinado momento a mãe perdeu o controle. Irritada, olhou para a menina e disse: "Cale a boca! Você tem uma voz horrível. Não pode ficar quieta?".

A verdade é que, naquele momento, a tolerância da mãe para qualquer coisa era nula. Mas a filha acreditou no que a mãe disse, e naquele instante fez um compromisso consigo mesma. Depois disso, não cantou mais, porque acreditava que a própria voz era feia e iria incomodar qualquer um que a ouvisse. Mostrou-se tímida na escola e, quando lhe pediam que cantasse, ela recusava. Até mesmo falar com os outros tomou-se difícil para ela. Tudo mudou nessa menina por causa do novo compromisso: ela acreditava dever suprimir suas emoções para ser aceita e amada.

Sempre que escutamos uma opinião e acreditamos nela, fazemos um compromisso que se torna parte do nosso sistema de crenças.

Quantas vezes fazemos isso com nossos próprios filhos?

Damos a eles esse tipo de opinião, e nossos filhos carregarão essa magia negra por anos e anos a fio. As pessoas que nos amam fazem magia negra conosco, mas não se dão conta. Por isso precisamos perdoá-las; não sabem o que fizeram.

Outro exemplo: você acorda de manhã sentindo-se muito feliz. Sente-se tão bem que permanece por uma ou duas horas em frente ao espelho, embelezando-se. Bem, um de seus melhores amigos diz: "O que aconteceu com você? Está horrivel!. Olhe só esse vestido que está usando; é ridículo".

Pronto, isso é o suficiente para colocar você a caminho do inferno. Talvez seu amigo só tenha dito isso para magoar você. E conseguiu. Emitiu a opinião com todo o poder da palavra dele como apoio. Se você aceita a opinião, ela se torna um compromisso e você coloca todo o seu poder nessa opinião. Essa opinião se torna magia negra.

Esses tipos de encantamento são difíceis de quebrar. A única coisa que pode quebrar um encantamento é fazer novo compromisso baseado na verdade. A verdade é a parte mais importante de ser impecável com sua palavra. Por um lado do fio da espada estão as mentiras, que criam magia negra, e do outro está a verdade, que possui o poder de quebrar o encantamento da magia negra. Apenas a verdade pode nos libertar.

Observando as reações diárias dos seres humanos, imagine quantas vezes atiramos encantamentos uns nos outros com nossa palavra. Com o tempo, essa interação se toma a pior forma de magia negra, e a chamamos de mexerico ou fofoca.

Fofocar é praticar magia negra em seu pior aspecto, porque é puro veneno. Aprendemos como fofocar firmando um compromisso. Quando éramos crianças, escutávamos os adultos ao nosso redor mexericando o tempo todo, dando abertamente suas opiniões sobre outras pessoas. Eles chegavam até a emitir opiniões sobre pessoas que não conheciam. O veneno emocional era transferido com as opiniões e aprendíamos que essa era uma forma normal de comunicar-se.

Mexericar tornou-se a forma principal de comunicação na sociedade humana. Tomou-se a forma de nos aproximar uns dos outros, porque nos faz sentir melhor ao ver que outros se sentem tão mal quanto nós.

Existe uma antiga expressão que diz: “A miséria gosta de companhia”, e as pessoas que sofrem no inferno não querem ficar sozinhas. O medo e o sofrimento são uma parte importante no drama do planeta; são a maneira de o sonho do planeta nos manter abaixados.

Fazendo a analogia da mente humana com o computador, as fofocas poderiam ser comparadas aos vírus. Um vírus de computador é um programa escrito na mesma linguagem que todos os outros códigos de programas, porém carrega uma intenção danosa. Esse código é introduzido no interior do programa do seu computador quando você menos espera, e sem o seu conhecimento. Depois que esse código foi introduzido, seu computador não funciona direito, ou simplesmente não funciona porque os códigos se confundem tanto com as mensagens conflitantes que param de produzir os resultados esperados.

As fofocas humanas funcionam exatamente da mesma forma. Por exemplo, você está começando uma nova aula com um professor, e aguarda isso há muito tempo. No primeiro dia de aula, você se encontra com alguém que já cursou aquela matéria, que lhe diz :”Ah, aquele professor é um sujeito pernóstico. Ele não faz idéia sobre o que está falando e, cuidado já ouvi dizer que é tarado!".Você imediatamente se impressiona com aquelas palavras e com o código emocional da pessoa quando disse isso, mas não está consciente das motivações dela para lhe dizer aquilo. Essa pessoa poderia estar irritada por não ter conseguido passar, ou simplesmente fazendo uma suposição baseada em medo e preconceito; mas como você aprendeu a ingerir informações como uma criança, alguma parte do seu ser acredita na fofoca e você vai assistir à aula.

Enquanto o professor fala, você sente o veneno se formando em seu espírito e não percebe que está vendo o professor através dos olhos da pessoa que fez a fofoca. Então você começa a falar para as outras pessoas na classe da mesma forma: um pernóstico e tarado. Você odeia a aula, e logo decide desistir. Culpa o professor, mas a verdadeira culpada é a fofoca. Toda essa confusão pode ser causada por um único vírus de computador. Um pequeno trecho de desinformação pode interromper a comunicação entre pessoas, infectando cada indivíduo, que passa a contagiar outros. Imagine que cada vez que os outros fofocam com você, inserem um vírus de computador em sua mente, fazendo com que pense menos claramente. Depois imagine que, num esforço para limpar a própria confusão e conseguir alívio do veneno, você fofoca e espalha esses vírus para mais alguém.

Agora, imagine esse padrão caminhando numa corrente infinita entre todos os seres humanos da Terra. O resultado é um mundo cheio de pessoas que podem apenas receber informações através dos circuitos entupidos com um vírus contagioso e venenoso. Uma vez mais, esse vírus venenoso é o que os toltecas chamam de mitote, o caos de milhares de vozes diferentes, todas tentando falar ao mesmo tempo na mente.

Ainda pior são os feiticeiros ou "hackers de computador", os que intencionalmente espalham o vírus. Recorde a época quando você ou algum seu conhecido estava zangado com outra pessoa e desejava se vingar. Para buscar a vingança, você disse alguma coisa para ou sobre a pessoa com a intenção de espalhar veneno e fazer com. que essa pessoa se sentisse mal consigo mesma. Quando crianças, fazemos isso sem pensar, mas quando crescemos nos tornamos muito mais calculistas em nossos esforços para rebaixar outra pessoa. Então mentimos para nós mesmos e dizemos que essa pessoa recebeu um castigo justo para seus malfeitos.

Quando enxergamos o mundo através de um vírus de computador, é fácil justificar o comportamento mais cruel. O que deixamos de perceber é que o mau uso de nossa palavra está nos enterrando cada vez mais no sonho do inferno.

Por anos a fio recebemos fofocas e opiniões do outros, mas também da forma como usamos a palavra conosco. Falamos conosco constantemente, a maior parte do tempo dizendo coisas como: "Puxa, estou gordo. Estou feio. Estou ficando velho, estou perdendo os cabelos. Sou estúpido, nunca entendo nada. Jamais serei bom o suficiente, e nunca serei perfeito". Está vendo como usamos nossa palavra contra nós mesmos? Precisamos começar a compreender o que a palavra é e o que a palavra faz. Se você compreender o primeiro compromisso, Ser impecável com sua palavra, você começa a perceber todas as mudanças que podem acontecer em sua vida. Primeiro, na forma como você lida consigo mesmo, e, depois, na forma como lida com outras pessoas, especialmente aquelas a quem ama mais.

Considere quantas vezes você mexericou sobre a pessoa que ama para conquistar o apoio de outros para o seu ponto de vista. Quantas vezes você capitulou a atenção dos outros e espalhou veneno sobre quem ama mais, a fim de tornar sua posição correta? Sua opinião não é nada além do seu ponto de vista. Não é necessariamente verdadeira. Sua opinião deriva de suas crenças,do seu próprio ego e do seu próprio sonho. Criamos todo esse veneno e o espalhamos aos outros, de forma que possamos imaginar certos em nosso ponto de vista.

Se adotarmos o primeiro acordo e nos tornarmos impecáveis em relação a nossa palavra, qualquer veneno emocional será limpo de nossa mente e de toda a comunicação em nossos relacionamentos pessoais, incluindo nosso animal de estimação, cão ou gato.

A impecabilidade no mundo também irá conferir imunidade em relação a alguém colocando um encantamento em você. Você apenas receberá a idéia negativa se sua mente for um terreno fértil para essa idéia. Quando você se toma impecável em relação a sua palavra, sua mente não mais se constitui em terreno fértil para as palavras que formam a magia negra. Ao invés disso, é um terreno fértil para palavras que venha do amor.

Você pode medir a impecabilidade de sua palavra pelo seu nível de amor próprio.

Quanto você ama a si mesmo e como se sente consigo são diretamente proporcionais à qualidade e integridade de sua palavra. Quando você é impecável com suas palavras, sente-se bem, feliz e em paz. Você pode transcender o sonho do inferno apenas firmando o compromisso de ser impecável com sua palavra. Neste instante estou plantando essa semente em sua cabeça. Se ela vai ou não crescer, depende de quão fértil sua mente é para as sementes do amor. Cabe a você firmar esse compromisso com você mesmo:

"Sou impecável com minha palavra".

Cuide dessa semente e, à medida que ela germinar em sua mente, irá gerar mais sementes de amor para substituir as sementes de ódio. Esse primeiro compromisso irá mudar o tipo de sementes que brotam de sua mente.

Ser impecável com a própria palavra. Este é o primeiro compromisso que você deve fazer se quiser ser livre, se quiser ser feliz, se quiser transcender o nível de existência que é o inferno. Use a palavra para espalhar o amor. Use magia branca, começando com você mesmo. Diga a si próprio quão maravilhoso você é, como é grande. Diga a si mesmo como gosta de você. Use a palavra para quebrar todos os pequenos compromissos que o fazem sofrer. É possível. É possível porque eu fiz isso, e não sou melhor do que você. Não, somos exatamente a mesma coisa. Temos o mesmo tipo de cérebro e o mesmo tipo de corpo; somos humanos. Se eu fui capaz de quebrar esses compromissos e criar novos compromissos, então você pode fazer a mesma coisa. Se posso ser impecável com minha palavra, por que você não pode? Apenas esse compromisso pode mudar toda a sua vida. A impecabilidade da palavra pode levar à liberdade pessoal ao sucesso e à abundância; pode facilmente dissolver todo o medo e transformá-lo em alegria e amor. Imagine só o que você pode criar com a impecabilidade da palavra. Com a impecabilidade da palavra, você pode transcender o sonho do medo e viver uma vida diferente. Pode viver no céu no meio de milhares de pessoas que vivem no inferno, porque você é imune a esse inferno. Você pode atingir o reino do céu apenas com este compromisso: seja impecável com sua palavra.

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A Gnose e o Demiurgo

Demiurgo: Para os Gnósticos, esta entidade seria o "deus" do Antigo Testamento da Bíblia, o G.'.A.'.D.'.U.'.

Este ente tem a arrogância típica dos que se acham onipotentes.

Criador de tudo que conhecemos, acha que todos devem curvar-se a sua vontade: "Não terás outros deuses diante de mim".

No mito Gnóstico (Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado)

O Demiurgo foi gerado pelo Aeon Sophia após sua queda. Ao ser gerado, criou o mundo material com o objetivo de governar e aprisionar na matéria as partículas divinas provenientes do Inefável.

Querendo libertar as almas aprisionadas ao mundo material, Sophia rebela-se contra o Demiurgo, o Verdadeiro Deus Inefável envia aos homens o seu filho mais querido, o Aeon Christós ou Cristo que desce ao mundo material com o objetivo de transmitir a "Gnosis" (conhecimento) às almas para que elas tenham consciência de sua identidade divina e partam para o Pleroma libertando-se do jugo e da escravidão do Demiurgo.

Com o objetivo de impedir que isso ocorra, o Demiurgo cria inúmeras ilusões e prazeres materiais efêmeros para afastar as Almas de sua legítima parcela divina, de modo que estas estejam presas e sejam escravas do mundo material. O Demiurgo é o governante desta pequena Esfera de Vida onde reina absoluto. O Demiurgo possui vários nomes: Samael (deus cego), Yaldabaoth(criança do Caos), e outros...

O Mito:

De Sophia, a mãe celestial de todas as coisas vivas, nasceu aquele que tornaria o formador e regente do sistema de criação. Ela sentiu grande tristeza e angustia quando o gerou, pois estava sozinha em um abismo de trevas e sua luz tinha diminuído. Sophia viu que seu descendente era capaz de mudar de forma. Ela se arrependeu de ter gerado um ser em sua solidão e o chamou Yaldabaoth, a “Ignorância-cega”.

Yaldabaoth foi para o caos e elaborou um sistema de criação que era de seu agrado. O criador (Yaldabaoth) e sua hoste (os regentes) mesclaram, então, luz e trevas, para que as trevas parecessem radiantes e, assim, iludissem os olhos.

Essa mescla de trevas e luz resultou num mundo imperfeito e fraco, pois as trevas impediram-no de desenvolver um exército de luz, que poderia protege-lo.

Assim, Yaldabaoth permaneceu no centro do sistema do mundo que ele formara, e se tornou arrogante em seu orgulho, exclamando: “Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim!”

Dessa forma, ele demonstrou sua ignorância agora do verdadeiro caráter do ser, bem como seu orgulho, pois negou até sua própria mãe. Sophia, no entanto, olhou para ele das alturas e exclamou em voz alta: “proferistes uma falsidade ó Samael!” Foi assim que ele recebeu o nome que o tornara o senhor cego da morte (Samael), e então Sophia o chamou também de Saclas, com o que afirmava a tolice dele.

Sophia, porém, sabendo que sua descendência gerara uma criação a partir de sua própria imagem defeituosa, decidiu ajudar secretamente a luz que estava presente no mundo. Desceu de sua habitação e veio para perto da terra, movendo-se de lá para cá sobre ela, assim outorgando sua sabedoria e amor ao sistema que o tolo criador desenvolvera. Os regentes pensaram que eles, sozinhos, tinham criado e ordenado o mundo, mas o espírito de Sophia contribuiu secretamente para colocar esplêndidos padrões arquetípicos na trama do trabalho deles.

Então uma grande maravilha apareceu nos céus: a forma de um homem, de visão majestosa e gloriosa. O criador Yaldabaoth e sua hoste tremeram e as bases do abismo sacudiram-se e as águas agitaram-se em terror sobre a terra.

Tão grande era o brilho do arquétipo humano celestial que apareceu no céu que os regentes foram por ele cegados e não puderam agüentar seu poder.

Desviaram os olhos e fixaram o reflexo da forma do homem, conforme essa aparecia nas águas abaixo. Todos os regentes e seus servos correram para perto e, juntando seus poderes, fizeram uma réplica da imagem do homem celestial; mas seu trabalho era defeituoso e fraco, porque a força de Sophia não estava na sua criação. O homem falsificado era estúpido e insensato e se arrastava pela terra como um verme. Sophia, então, enviou vários mensageiros da luz e eles, secretamente, penetraram na mente de Yaldabaoth, fazendo-o respirar sobre a lamentável criatura, desse modo infundindo-lhe vida.

Aquele que criara pensou que era ele quem tinha dotado os homens de vida, mas, na realidade, foi sua mãe Sophia quem deu à humanidade a verdadeira vida.

E o homem ficou de pé, caminhou e foi circundado por uma luz não terrestre. Yaldabaoth e sua hoste reconheceram que o homem era, de fato, um ser cujo poder espiritual e inteligência excediam o seu próprio. Cheios de inveja e raiva, eles atacaram o homem cujo nome era Adão e o lançaram na escura região da matéria, para lá definhar em tristeza e privação.

Sophia, entretanto, em cooperação com os mais altos poderes da plenitude, enviou a Adão um auxiliar, para instruí-lo e assisti-lo com sabedoria e força espiritual. Esse auxiliar era uma mulher, conhecida como Eva, mas cujo verdadeiro nome é Zoe, que significa vida (a filha de Pistis-Sophia). O sábio espírito feminino penetrou em Adão e ficou escondido aí, para que os regentes não percebessem a sua presença.Os regentes, então, conspiraram e elaboraram um plano no qual esperavam que o homem poderia cair, e permanecer cativo de seus desígnios.

Eles criaram um jardim, cheio de belezas e delícias da terra, e colocaram Adão no meio dele, fornecendo-lhe todo o tipo de objeto agradável que pudesse desejar. Então eles mandaram Adão comer, pois o alimento do jardim é amargo e sua beleza é perversão, sua delícia é engano e suas árvores são iniquidade, seu fruto é veneno incurável e sua promessa é morte. As belezas e os prazeres oferecidos eram enganosos, corruptos e planejados para mantê-lo cativo dos regentes, sem vontade ou vida própria.

Também colocaram uma árvore no jardim, contendo a vida deles, e proibiram Adão de tocar ou de comer do seu fruto. Eles o enganaram a respeito da árvore, lhe dizendo que sua raiz é amarga e seus ramos são morte, sua sombra é ódio e em sua folhagem está o engano, seu suco é o ungüento da perversidade, seu fruto é mortal e sua seiva é a cobiça; e que ela germina das trevas.

Mas essa árvore é a inteligência-luz. E dizendo tais coisas sobre ela, eles impediram Adão de ver sua plenitude e conhecer a Verdade, fazendo-o ficar preso naquilo que era realmente ruim, e os regentes diziam a Adão ser bom.

Mais uma vez Sophia e os poderes celestiais (na forma de uma serpente) foram em socorro de Adão e o instruíram a comer o fruto daquela árvore e desafiar o regente e seus anjos tirânicos. Ao mesmo tempo, a mulher nasceu de Adão, mas o chefe dos regentes a reconheceu como tendo a luz de Sophia e enfureceu-se. Ele a perseguiu por todo o jardim e, tendo a subjugado, violentou-a e ela concebeu dois filhos dele, Caim e Abel.

Caim tornou-se mestre da terra e da água e dele descendem os homens e mulheres com inclinação para a matéria, ao passo que Abel comandou o ar e o fogo e se tornou o pai dos seres humanos que valorizam a alma e a mente.
Adão, no entanto, percebeu o que o regente tirânico tinha feito e subseqüentemente gerou um filho com o nome de Seth, com inclinação para o espírito, e que se tornou pai daqueles que aspiram pela Gnose e por uma união com espírito.

Os anjos tirânicos, então, observaram, enfurecidos, que a humanidade seguia seu curso e não iria permanecer no paraíso dos tolos, onde aquele que criara queria mantê-los cativos. O chefe dos regentes amaldiçoou especialmente a mulher, que veio a ser a mãe da humanidade e seu destino, bem como o de suas filhas, tem sido difícil desde então.

Entretanto, Eva deu à luz uma filha, chamada Norea, plena de verdadeira Gnose, e que permaneceu na terra por muito tempo como uma ajudante da humanidade, porque era sábia e conhecia os esquemas e más obras dos anjos tirânicos.

Enquanto isso, os homens se multiplicaram, instruídos por Seth e Norea, muitos voltaram à Gnose, assim, os regentes ficaram com poucos homens e mulheres que os aceitavam como divinos e seguiam suas leis. Furiosos, então, desejaram destruir a humanidade, então resolveram provocar um dilúvio. Norea, vendo o que eles iam fazer, instruiu um de seus filhos, Noé, para que ele construísse uma arca onde todos os puros pudessem ser salvos. Então ele, instruído por sua mãe, assim o fez.Os anjos maus, então, assaltaram Norea, desejando violá-la com tinham feito com Eva, sua mãe, mas um grande anjo de luz chamado Eleleth a resgatou e lhe deu forças para continuar sua missão. Assim, com a ajuda de Norea, a partir de seu filho Noé, o esquema dos anjos tirânicos foi frustrado.

Desde então a humanidade tem vivido em conflito e divisão, pois o chefe dos regentes nela semeou cólera.

A verdadeira Gnose tornou-se rara e os filhos dos homens aprenderam coisas inúteis e mortas, seu conhecimento tornou-se mundano e corrupto.

Mesmo assim a raça humana nunca foi deixada em abandono. Repetidamente os regentes se reuniram e planejaram destruir aqueles seres humanos que não queriam servi-los.

Queriam corromper a raça humana, mesclando sua essência com a humanidade, e assim o fizeram, corrompendo mulheres humanas, fazendo-as ter filhos deles e não do Divino.

Devido à multiplicação dos planos perversos e às depredações dos regentes, uma parte da humanidade está contaminada por sua semente, embora todos os homens e mulheres possuam também, a luz de Sophia.

Os regentes são os verdadeiros tiranos. Seu mais profundo desejo é subjugar e reinar sobre a humanidade. Por isso os regentes estão sempre trabalhando, elaborando leis e mandamentos, como os quais possam constranger os filhos dos homens. Mascaram-se como mensageiros da luz, ou mesmo como o próprio Divino, exigindo obediência e adoração. Assim eles iludiram muitos profetas e videntes bem-intencionados.

Porém Sophia nunca deixa de lutar por seus filhos. Eis a visão gnóstica de que o deus criador é um deus inferior e arrogante que tentou copiar para si os mundos celestes e que o paraiso de Adão e Eva é na verdade o paraiso dos sentidos, feito para prendê-los e fazer com que esqueçam sua origem, mas eva, isto é, o aspecto feminino do ser humano (o espirito), mostra à adão (a mente) como se libertar, comendo do fruto da gnosis.

In: Pistis Sophia: Os Mistérios de Jesus. Comentários de Helena Blavatsky. Tradução e interpretação de Raul Branco.

Vastas Realidades

sábado, 7 de dezembro de 2013


Estamos num momento delicado e sutil. As mudanças que estão ocorrendo na sociedade "oficial" são apenas parte de uma mudança mais ampla, complexa que abrange este mundo no qual estamos inseridos.

Fomos educados dentro de paradigmas que vieram tentando dominar o mundo com uma só verdade, uma só história, um só deus. Os paradigmas citados, enfim, estiveram agindo com a esperança de só gerar um padrão civilizatório, condenando os seres humanos a manter um único conjunto de validade como verdade. Várias abordagens da realidade passaram a ser progressivamente negadas. O que hoje conhecemos como mitos nativos, existiu no alvorecer das histórias de povos ancestrais, entretanto hoje, muito pouco foi salvo sobre esses temas, a maior parte que conhecemos, são misturas de fragmentos que foram isolados de seu contato natural, misturados com as tradições impostas pelos brancos dominadores. Entretanto alguns povos,conseguiram manter tradições e conhecimentos. Muitos deles não perderam o contato direto com suas linhagens originais. Alguns, continuaram vivendo nesse mundo, muitos outros, partiram para misteriosas viagens para mundos outros que não esses.

Começa então,uma nova fase da evolução humana. Para estes povos, os seres humanos vem de outras realidades, se estabelecem nesta atualidade e depois continuam sua viagem. Essa forma de abordar a realidade está presente na maior parte dos sistemas nativos. Um conjunto de seres são chamados deuses e deusas e sua ação gera novos seres humanos, com menor poder sobre a terra. Por exemplo,os maias-quiches foram feitos em barro, sem força, desmoronaram antes de caminhar. Depois, foram feitos com madeira, andaram e falaram, mas eram secos, não tinham sangue, substância nem memória e não sabiam falar com os deuses e deusas, ou não encontraram nada para dizer. Então fizeram de milho as mães e os pais, com milho amarelo e branco amassaram suas carnes. As mulheres e os homens de milho, viam tanto como os deuses e deusas. Seu olhar se estendia sobre o mundo inteiro. Os deuses e deusas jorraram um hálito e os deixaram com os olhos nublados para sempre, porque não queriam que as pessoas vissem além dos horizontes.

Existem milhares de lendas nativas como essa espalhadas pelos povos. Note que a relação entre os povos apresenta uma complexidade muito ampla. O que temos hoje nas tradições geradas pelos povos dominadores é uma fraca, limitada e constante tentativa de afastar tais conhecimentos ancestrais. Pelo que tenho estudado, estamos entrando novamente noutra faixa de energia da existência. Parte da história que nos mantém dentro de uma abordagem da realidade insiste em se mostrar como única. Estivemos vivendo dentro de uma era, onde a nossa relação perceptiva foi progressivamente limitada e restrita.

Chamamos de "realidade absoluta" o que, na verdade, é "mais uma"realidade. A iniciação em caminhos autênticos é um trabalho complexo, implica em deixar, sob intensa atividade, o que fizeram de nós e nos tornarmos líderes singulares de nossa própria realidade. É deixar de lado tudo o que nos programaram para ser e ousarmos gerar de nós mesmos, a possibilidade que temos de morrermos para este passado e nascermos de novo aqui e agora para uma nova realidade.

Os caminhos profundos nos ensinam isso. Este é o desafio proposto pela nossa linhagem. Ter a coragem de desligar o elo com o que "fizeram de nós" e ousarmos lidar com uma nova condição existencial, que nos torna acessíveis a outro estado de possibilidades. Não é um estado fácil, não é simples. Existem muitos desafios sempre tentando nos perturbar. Precisamos começar com uma percepção clara que estamos deixando de lado tudo que tínhamos por verdade e conhecimento final. Todo esse conjunto de informações é apenas um pequeno pedaço inserido numa vastidão que vai além do que chamamos "conhecimento intelectual". Há quatro posturas fundamentais; ser implacável em todas as situações, ter paciência em todos os momentos, ser gentil em qualquer estado e lidar sempre com astúcia frente a qualquer desafio que nos seja apresentado.  É um começo.

Estamos nos aproximando de 2012, poderemos usar desta data e nos unirmos a "HUNAB KU", o centro galático, que vai estar emanando uma nova energia neste período. Podemos escolher, como no passado já foi feito por outros tantos povos. Ou ficaremos presos a visões e modos de ser que terão sido dominados e impostos por uma minoria de pessoas e que nos levarão a uma mera destruição ou poderemos dar uma "volta da cambalhota para o infinito". Este é o desafio apresentado.

Nuvem que passa

obs: a foto foi tirada aqui no quintal de casa onde um beija-flor fez seu ninho sob a amoreira.