O Casal Alquímico: Análise

sexta-feira, 14 de março de 2014



A união do princípio feminino e do princípio masculino forma a divina alquimia.

O hexagrama representa aqui a união dos princípios feminino e masculino.

Nos quatro cantos vemos os símbolos dos quatro signos cardeais:
Áries (fogo), Câncer (água), Libra (ar) e Capricórnio (terra). Eles formam a cruz cardinal no céu e expressam também a união do feminino e do masculino.

No centro do hexagrama encontramos Mercúrio, o mensageiro celeste e divino, a força que unifica os opostos, por isto Mercúrio é o portador do famoso Caduceu.

Mercúrio está no centro da cruz e do hexagrama, por isto Mercúrio pode ser comparado a outras divindades míticas que cumprem a mesma função de unificar os opostos, por exemplo, Exu.

A Mulher-Lua e o Homem-Sol tem seus órgãos criadores cobertos pelo triângulo alquímico da água e do fogo.

Por isto foi escrito na sabedoria de Deus em mistério:

Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.

Grande é este mistério; Efésios 5:31-32.

Quando nos unimos a alguém sexualmente estabelecemos uma ligação energética que promove uma união em vários níveis: energético, cármico e espiritual. Isto possui diferentes implicações em nosso destino. Este é um dos ensinamentos desta imagem alquímica, por isto vemos presente o hexagrama que é chamado de "o tear do destino" e é a forma gráfica do arcano 6 do Tarô, os Enamorados ou os Amantes.

A união (ou ioga) dos princípios feminino e masculino são uma forma de gnose ou conhecimento, isto está contido na metáfora ou na lenda que liga-se à queda na primeira história do mito cristão. A árvore do conhecimento do bem e do mal só pode ser experimentada pela mulher e pelo homem.

Por isto foi escrito em Gênesis 16 e 30:

4 E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

3 Respondeu ela: Eis aqui minha serva Bila; recebe-a por mulher, para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu deste modo tenha filhos por ela. 4 Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a conheceu.

Na imagem ou conjunto de símbolos - arcano - desta postagem temos um resumo de toda a Gnose em código.

Paracelso dizia que podia resumir toda a sua ciência em dois símbolos: o pentagrama e o hexagrama. Os símbolos nos 4 cantos da imagem simbolizam as 4 formas de expressão da Gnose: Filosofia, Mística, Arte e Ciência.

Áries para a Filosofia, isto pode parecer estranho a primeira vista, mas a filosofia dentro da Gnose não é especulativa ou teórica, é uma práxis que visa a realização pessoal ou da presença divina Eu Sou (expressão característica de Áries) dentro de cada um.

Mística para Câncer, pois aqui estamos nas águas do sentimento devocional. Devoção é palavra-chave para o signo de Câncer.

Arte para Libra, o signo da beleza e do equilíbrio, regido por Vênus, Deusa da Beleza e do Amor.

E Ciência para Capricórnio, sempre pragmático, em busca de resultados, com os pés no chão, regido por Saturno, patrono da Ciência.

A contemplação e a meditação sobre este arcano alquímico é tão poderosa que pode nos revelar todos os arcanos maiores do Tarô, Tarô que é em si mesmo um mapa, um livro, um caminho, uma rota (anagrama da palavra Tarô) para o auto-conhecimento, uma gnosis.

Mercúrio no centro da imagem é a chave que abre todos os mistérios, pois Ele é o Deus do conhecimento, da sabedoria e da inteligência. Ele trabalha com a unidade dos opostos, com uma lógica dialética que descortina o véu do mistério.

Por exemplo, olhem para a serpente na mão esquerda do macho e para a taça na mão direita da mulher. O que a união destes dois símbolos lembram?

A união destes símbolos nos leva ao símbolo da medicina onde a serpente de Esculápio bebe na taça sagrada dos mistérios. Temos aqui, nesta figura alquímica, um dos objetivos máximos da Alquimia: a medicina universal.

E Esculápio é filho de Apolo, o Deus Sol, Divindade da Medicina.
Portanto o homem alquímico é o próprio Apolo e também um de seus
filhos, Esculápio ou Asclépios.

E se o homem sol representa Apolo, certamente a mulher representa a Deusa Lua, Diana, que é justo irmã de Apolo, temos de novo o casal alquímico, os Gêmeos Sagrados, o par perfeito das bodas alquímicas.

Apolo é a divindade que preside os oráculos, seu templo ficava na cidade de Delfos, o famoso oráculo de Delfos, que vaticinava o futuro de forma enigmática e na sua entrada via-se escrito a famosa frase gnóstica, a essência do caminho do auto-conhecimento:

NOSCE TE IPSUM

Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.

Esta frase é semelhante a outra proferida pelo Rabi da Galiléia, Jesus Cristo, Jeshua Ben Pandira, e que se devidamente compreendida levaria ao colapso de toda a religião institucional:

O Reino de Deus está dentro de vós.

Ou como vemos no Evangelho Gnóstico de Tomé:

Jesus disse: Se vossos guias vos disserem: ‘o reino está no céu', então as aves vos precederam; se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederam. Mas o reino está dentro de vós, e também fora de vós. Se vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza.

A questão central da Gnose é o auto-conhecimento e é justamente aí o nó górdio da questão, onde a porca torce o rabo e a ilusão se pensa realidade, pois as pessoas pensam, imaginam que se conhecem mas a realidade é bem outra e constatamos a nossa miséria e ignorância quando se trata da gnose interior.

Como obter esta Gnose? Como nos conhecer verdadeiramente? Como podemos nos iluminar e chegar ao verdadeiro e legítimo despertar da consciência?

Estas perguntas são parcialmente respondidas na própria imagem alquímica, quando ela mostra a unidade dos opostos e a unidade dos opostos ou dos diferentes revela a idéia de relação e a nossa condição de seres sociais.

O outro é o espelho no qual eu me vejo, é através do outro que percebo a mim mesmo, meus defeitos, minhas qualidades, minhas fraquezas e meus poderes. As relações sociais são o grande campo de treino onde eu saio de mim mesmo para perceber-me. Através do outro eu descubro o meu inferno pois como já disse Sartre: o inferno são os outros.

O casamento, por exemplo, é um dos melhores ginásios gnósticos e psicológicos que pode existir, nele, através dele conhecemos o céu e o inferno como resultantes do modo como nos relacionamos com o outro.

Eu e o outro são temas de dois signos presentes na imagem alquímica que analisamos: Áries e Libra, casa 1 e casa 7 do mapa astrológico, é neste eixo que podemos ver a nós mesmos e nos conhecer.

Nas relações tenho o material psíquico para ser observado, estudado, analisado e digerido. Mas como fazer isto? Quais as técnicas? Qual o método que permite a observação, estudo, compreensão e digestão deste material psíquico?

1 – Observação de si
2 – Meditação

3 – Recapitulação

Nestas técnicas estão a base do Trabalho de Auto-Conhecimento e estes serão os temas que trataremos sob o título de O TRABALHO.

2 comentários:

Jean Carlos disse...

me sinto orgulhoso de ser do signo de libra!
Me sinto no dever de evoluir sexualmente e espiritualemente, de forma equilibrada....estou galgando ainda, mas vou com fé!

Dinarte araujo neto disse...

Só sei uma coisa na relação entre homem e mulher: se não for intermediada por casamento e,portanto, papéis estereotipados, irremediávelmente está-se num mar de indefinições infinitas, de contradições irreconciliáveis, que só ganham sentido quando tomada na perspectiva dinâmica de um vir-a-ser, onde a cumplicidade e a humanidade precisam dar as mãos, a busca de um centro arquetípico de nossa Humanidade precisa ser prioridade, ou o confronto cedo ou tarde acontecerá em alguma esquina da vida se seguirem o caminho da normose ego-social, de relação em relação...