A palavra como goécia: uma reflexão

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. Provérbios 18:21

Será a fofoca o pecado original? Talvez...

Ou será o comentário alheio sobre a história da vida PRIVADA?

Digamos que a fofoca é a assessoria de imprensa das emoções negativas: inveja, vaidade, ira, auto-importância, covardia e medo. Cada um dos membros desta assessoria de imprensa merece um estudo de caso particular, pois cada emoção negativa é um agregado psíquico de um mosaico monstruoso.

Por exemplo, o fofoqueiro é como o cão covarde que ladra furioso quando se está de costas, mas basta encarar-lhe para que saia com o rabo entre as pernas e o olhar cabisbaixo.

Outro exemplo, um caso mítico, a expulsão de Adão e Eva do paraíso não ocorreu devido a uma fofoca feita pela serpente tentadora? Oh! A fofoca é o pecado original... e o mito é a fofoca dos deuses feita pelos homens.

Mas o próprio mosaico hediondo revela a sua essência malsã através do mau uso do verbo, este poder criador da palavra polarizado negativamente e, portanto, destruidor, doentio, virótico e epidêmico.

O carma do mau uso da palavra é evidente por si mesmo, revelando-se como câncer laríngeo, como demandas verbais e mentais que atormentam a atmosfera psíquica de seus criadores, como a instabilidade mental que rouba a paz interior e até a surdez psicológica que apresenta-se como incapacidade de ouvir verdadeiramente, onde esta incapacidade é óbice para a meditação, para o êxtase e para a felicidade.

É sabido que a palavra é usada como feitiço, os seres humanos usam a palavra como feiticeiros e ela é um dom mágico, criador, espiritual e sagrado. A própria palavra, o verbo em si é Deus (quão afastados não estamos deste entendimento?) Mantras, encantamentos, louvores, cantos sagrados são usados devido ao seu poder vibracional para curar, enfeitiçar e movimentar energias específicas.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. João 1:1

Pode-se dizer que o uso do verbo como fofoca, calúnia e intriga é uma das formas de magia negra mais comuns presente em todos os grupos e níveis sociais.

Já uma das técnicas espirituais mais efetivas divulgadas no século passado são os apelos e decretos do mestre Saint Germain que assenta-se no poder do verbo, da presença interior Eu Sou e no princípio hermético da vibração. Aqui nós temos a magia positiva do Verbo.

São estes Mestres, verdadeiros seres divinos, de pretensos seguidores como nós, que dizem que não devemos julgar, criticar e nem se quer ter opinião, contudo, porém, todavia quem refreia a língua e o pensamento? Quem não tece comentários da vida alheia? Quem não chicoteia a alma do outro usando o poder vibracional do verbo consciente ou inconscientemente? Quem domina o seu diálogo externo e interno?

Vejam, não quero acabar com o facebook, nem impedir a maior parte das conversas estabelecidas no convívio social, mas será que não há uma outra ocupação mais nobre para o uso do verbo tal como o elogio, a oração ou simplesmente o silêncio?

A língua benigna é árvore de vida, mas a perversidade nela deprime o espírito. Provérbios 15:4

A fofoca, a intriga, a maledicência perpassam todas as relações de nossa cultura e está especialmente presente nos grupos religiosos tendo a serpente edênica como santa padroeira ou animal de poder, e que me perdoe a serpente pois isto não lhe faz jus, mas não quero perder o gancho exotérico da associação entre os fofoqueiros e a língua serpentina enganadora.

Senhor, livra a minha alma dos lábios mentirosos e da língua enganadora. Salmos 120:2

Pois no caso da fofoca, que é um tráfico de "drogas" baseado em informações deformadas, o problema está em quem fala e em quem escuta, pois se não há ouvidos penicos não há a língua fofoqueira.

O ímpio atenta para o lábio iníquo, o mentiroso inclina os ouvidos à língua maligna. Provérbios 17:4

Assim, a fofoca num grupo religioso ou espiritual cria uma rachadura, uma fenda, uma fissura no campo energético ou na egrégora por onde entra a negatividade destruindo ou causando prejuízos a uma obra que não foi devidamente firmada na rocha. Ela dissolve amizades, relações, negócios e o seu prejuízo não pode ser estimado facilmente pois o custo é tanto objetivo quanto subjetivo.

A fofoca como arauto da inveja é puro veneno, como expressão da vaidade arroga-se de crítica sabichona, como serva da ira traveste-se ofensas e impropérios, como expressão da hipocrisia faz-se de conselheiro bem intencionado cheio de ardis, pavimentando o caminho do inferno com a embalagem das boas intenções.

A palavra é a essência das religiões pregadoras e proselitistas. Há religiões que se assentam no poder da palavra, são as religiões do livro: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Podemos observar pela História como a palavra serviu a dois senhores: a paz e a guerra. Podemos constatar como em torno da palavra a espada da demanda foi erguida.

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Mateus 10:34

A palavra é uma espada de dois gumes: de um lado o verbo que abençoa e de outro o que amaldiçoa, o mesmo poder e sua polaridade.

Como temos usado o poder da palavra?

O poder da palavra emana do ser, a palavra de poder deriva do amor.
A palavra, o ser e o amor são a verdadeira trindade comunicadora do divino.

Tenho sido a expressão trina deste poder? Tenho manifestado, criado e fecundado o mundo com este poder criador? Tenho honrado o primeiro compromisso? Tenho sido digno do poder criador do Verbo?

"O primeiro compromisso é o mais importante e também o mais difícil de cumprir. É tão importante que apenas com esse primeiro compromisso você será capaz de transcender ao nível de existência que chamo de céu na Terra".

"O primeiro compromisso é ser impecável com sua palavra".

Leia mais em http://pistasdocaminho.blogspot.com.br/2011/08/os-seres-humanos-usam-palavra-como.html

Nenhum comentário: