A guerra entre a consciência e a inconsciência

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Olá.

Lua nova, energia da lunação começando.

Após dias de chuva, estou no sul de minas, o sol começa a brilhar forte, intenso.

Após todos esses dias na umidade é um prazer sentir a luz solar quente, intensa.

Uma amiga da minha irmã que está hospedada aqui em casa, ela é de Itajubá e as estradas para lá estão impedidas, pela manhã, quando tomávamos o desjejum na varanda, ao sol, desembolorando, fez uma colocação que me chamou a atenção para um tema sério.

Ela disse: "E aí, você como pagão já fez seus ritos de agradecimento pelo sol ter voltado? "

Olhei para o sol brilhando intenso no céu azul e muitas idéias vieram a minha mente.

O sol está lá, num dos pontos da elipse das órbitas planetárias. Ele não foi embora nem voltou. Esteve sempre ali, não ficou nem mais nem menos intenso. Não "desejou " que chovesse, tão pouco que parasse de chover. Ele apenas está lá, podemos ou não nos sintonizar com ele. Como dizem os beduínos do deserto:

"Não se implora ao sol por misericórdia ao meio do dia. Procura-se a sombra."

Não é o sol responsável pelo desequilíbrio ecológico que gera essas chuvas concentradas neste período, depois de um longo período de seca.

O que me chamou a atenção no comentário foi como nos equivocamos ao avaliar certos eventos e como fomos impregnados de posturas que mesmo superadas intelectualmente, ainda nos tangem, ainda nos influenciam. Queremos atribuir ao paganismo uma relação idêntica aos dos religiosos. Como já coloquei outras vezes um (a) pagão (ã) não "ora aos deuses" "implorando humildemente favores". Um(a) pagão (ã) entra em sintonia com as potências da vida e age em harmonia com esses fluxos.

Magia é a forma do pagão se aliar aos poderes que nos cercam, não orações de pedintes. Tais potências que imprecisamente chamamos de deuses e deusas, não respondem a "oração" mas ao poder pessoal e a precisão da magia empregada. Fato.

Ao contrário do religioso que reza para deus ajudar e quando nada recebe, ou até o contrário acontece, se julga sendo "castigado" ou "testado", um pagão sabe que se realizou o rito de forma correta e tem poder pessoal suficiente vai atingir o que procura. Magia!

É difícil mudar a mentalidade, a forma de abordar a realidade.

Acompanho isso no meu cotidiano profissional, pois meu trabalho é lidar com a mudança de cultura dentro de uma empresa, auxiliar no baixar à resistência à mudanças, quebra de velhos paradigmas, pois só assim os programas de qualidade total e melhoria contínua podem ser de fato aplicados.

Na maioria das empresas que entramos, muitas das quais já tem o ISO, não aconteceu essa mudança, apenas decoraram procedimentos e acabam se estressando muito pois ficam "imitando" , "seguindo" sem compreender de fato toda a nova mentalidade que um programa de qualidade exige. Isso é tão profundo que cansei de ver pessoas colocarem verbalmente certos pontos e agirem exatamente em linhas opostas sem nem perceberem isso.E as falhas ocorrem quando tentam manter as mesmas posturas antigas num contexto de qualidade total. Não funciona, gera problemas.

O mesmo vejo no paganismo.

Muitas pessoas subitamente percebem que o paganismo tem um apelo profundo. Sentem ressonância e mergulham no mesmo, mas trazem para o paganismo suas antigas posturas existenciais. Não operam em si uma profunda transformação conceitual, não reavaliam sua percepção da realidade circundante, apenas pegam os mesmos conceitos e os resignificam, isto é dão rótulos novos, mas continuam com a mesma bagagem conceitual.

Como já dissemos anteriormente, iniciar-se é morrer para o velho ser que éramos e nascer para um novo ser.

Morrer é transformar-se, é deixar para trás um estilo de ser, de agir, de pensar e sentir e ousar encontrar um novo estilo.Sem essa mudança estrutural não houve iniciação. Rituais portentosos podem ter ocorrido, mas o sentido fundamental da iniciação, morrer e renascer, não foi alcançado.E morrer é deixar o velho e nascer novamente, de si, por si, puro (a) , ingênuo (a), pronto (a) a reaprender o mundo.Essa a purificação necessária, despir-se de todos os "eus" conceituais que nos impregnaram para conseguir ver a realidade como ela é, não como nos condicionaram a vê-la.

Se lerem atentamente todos os livros que contam sobre a iniciação de um (a) xamã verão que é isto que o(a) pessoa ou grupo que inicia faz.Desmonta sistematicamente a antiga visão de mundo e "educa" o(a) aprendiz a mergulhar numa nova abordagem da realidade.

Vivemos num mundo totalmente manipulado.

Os meios de comunicação para a massa torcem as informações de forma sutil ou até acintosa, a fim de que o poder continue nas mãos dos que se julgam donos do mundo.

Como pagãos(ãs) e xamãs somos os(as) herdeiros(as) espirituais de povos que perderam, em parte, as históricas batalhas pela sobrevivência.Poucos param para pensar sobre isso, mas no litoral Brasileiro, em Cusco, em Yucatã e tantos outros pontos do continente travou-se uma batalha entre duas mentalidades e a mais grosseira, mais violenta, mais vil venceu. Quantos povos foram cruelmente assassinados e aculturados?

Perdemos, em parte, estas batalhas. Digo em parte pois o fato de estarmos aqui, numa lista, debatendo o tema, mostra que ao mesmo tempo que exércitos matavam ou escravizavam os corpos de nossos ancestrais espirituais e padres convertores lhes matavam ou escravizavam a essência, alguns conseguiram escapar, o elo foi mantido e hoje renasce com intensidade.

Mas enquanto civilização os povos pagãos foram exterminados. Quando penso nisso há um certo pesar.A civilização hoje dominante nos impregnou de um neodarwinismo social que faz crer ser este modelo civilizatório o melhor e "um resultado natural da evolução". Nada mais falso.

As mortes, guerra, conflitos, Inquisição, interferências imperialistas ainda hoje em andamento, nada mais são que o testemunho sangrento que este modelo de civilização é tão artificial que precisa de um trabalho intenso de desequilíbrio para existir. É mantido pelo poder de armas, exércitos e forças conversoras.

A explosão populacional, a exploração de seres humanos como objetos, negando-lhes sua condição de sujeito, essa padronização da vida em horários estanques, a perda do elo com a natureza, tornada objeto a ser explorado, não uma força viva e dinâmica tudo isso foi progressivamente desenvolvido para chegar a esta civilização.

As civilizações anteriores, os povos nativos da América e Europa por exemplo tinham outro estilo de vida, outra relação com a vida.O paganismo é um resgatar deste outro estilo de vida, em sintonia com a natureza, como uma força viva, não apenas fonte de matéria prima.Óbvio que não podemos voltar atrás no tempo, tentar viver como os celtas viviam, como os índios, mas podemos aprender muitos aspectos com eles.Sabemos que tomamos banho todo dia não por influência da " desenvolvida" cultura européia, mas graças aos índios e as amas negras. Há muitos hábitos saudáveis que vem desses povos e a forma de se relacionar com a vida, com a natureza e com a magia pode muito ser fortalecida quando entramos no universo pagão.

Estamos numa guerra.Uma guerra muito mais séria que a Guerra fria.De um lado temos os que lutam pela consciência, do outro pela inconsciência.

Há grupos espalhados pelo mundo em ação totalmente egoísta.Quem assiste Arquivo X tem uma boa analogia naquele sindicato que opera sob a proteção de rótulos como " segredo de estado" e "defesa nacional". Existem vários desses grupos espalhados pelo mundo, lutando apenas pelos seus interesses, prontos a sacrificar coletividades inteiras para se manter no poder. São herdeiros diretos de grupos que há tempos vem lutando pelo poder total sobre a humanidade.

Júlio César começou todo um trabalho sistemático para isolar as antigas tradições, poucos sabem que foi ele o primeiro a queimar uma parte da Biblioteca de Alexandria a fim de destruir certos elementos da tradição. O ataque aos celtas e outros povos foi só mais um passo desse agir rumo a uma tirania mundial.Cortez, Pizarro, Custer, Fernão Dias e tantos outros são alguns dos facínoras, assassinos, que numa lista de criminosos contra a humanidade figuram junto a Hitler e Milosevic , homens que perseguiram e destruíram outros povos com requintes de crueldade. Não podemos nos esquecer da Inquisição que tentou destruir os elos da tradição que ainda resistiam e impedir a ciência de se desenvolver.E hoje temos os evangélicos invadindo aldeias e destruindo a cultura nativa para impor suas crenças.

Sabe como levamos um índio a perder seu respeito e amor pela terra, a vender sua mata e permitir que rasgue a mãe terra e poluam seus rios para minerar?

Basta convertê-lo, ensinar que os deuses, A Deusa, os ancestrais, o curupira e o Anhangá, são demônios, que só Jesus salva e é só aceitá-lo como salvador pessoal e pronto. Se acabarem com o mundo não tema, deus vai dar um novo céu e uma nova terra ao eleito, só os pagãos tem que preocupar com a preservação do mundo, pois sabem que irão para o inferno quando este mundo acabar.

E assim continua a transformação desse mundo, um paraíso, num inferno.

Mas a luta está em andamento e como diz Marilyn Fergunson estamos no meio de uma revolução silenciosa.

Não é mais tempo de revolução com armas, que só ajudam as fábricas de armas a lucrar mais. Como dizem meus amigos sufis estamos no tempo de um Jihad da pena, um Jihad de conhecimento.

Como acreditam os xamãs e magos estamos numa guerra mágica.

É a única forma de levarmos o mundo de volta a um estado de equilíbrio.Na parte oeste da Park Avenue, na rua 68 em Nova York há dois belos edifícios, frente a frente. Um deles é a embaixada russa na ONU, que já foi URSS, o "grande inimigo", do outro lado está o Conselho de Relações estrangeiras(CFR) provavelmente uma das mais influentes organizações semi-públicas no campo da política internacional. Atua desde 1939 e os analistas políticos internacionais são unânimes em declarar que controla o departamento de estado americano. Nomes como Nelson Rockfeller, Henry Kinssinger e Nixon estão a este grupo associados.

Existe um livro "Honorable men" ( Little Brown Co., N.Y. , 1950) que na página 51 demonstra que tanto a articulação da segunda guerra mundial como a entrada dos EUA na mesma deve-se aos banqueiros do CFR. Interessante que como sempre financiam os dois lados, pois entre os membros do CFR encontram-se acionistas majoritários de bancos europeus como o Banco Henry Schoroeder (que financiou Sullivan e Cromwell) que patrocinaram Hitler (ver o documentário Zeitgeist).

Há uma luta acontecendo agora e para estes auto proclamados donos do mundo a destruição da natureza vai continuar .

Entro neste tema para deixar claro que a "engenharia religiosa"destes grupos não tem limites e agora agem de forma ainda mais intensa em muito do que se vê por aí , como Nova Era. Como a estapafúrdia teoria que 2/3 da humanidade vai morrer agora, para "purificar o planeta". Os "inferiores" vão embora e só ficam os superiores, claro, os que agem dentro de tal ou qual forma, sempre de acordo com o grupo que prega tais sandices.

Tais profetas do apocalipse já erraram feio desde a década de 80, mas sempre renascem pondo outra data e há sempre aqueles que preferem crer que alguém lá fora vem resolver tudo que assumir que somos nós que temos que arregaçar as mangas e trabalhar para que uma nova era de equilíbrio venha a tona.

A Era de Aquário está aí, um novo ciclo, é como o sol de primavera voltando.

mas do que adianta o sol primaveril voltar com sua chuva benfazeja se o solo não estiver arado e pronto, se a semente não está pronta?

É preciso muita insensibilidade para falar friamente da morte de 2/3 da população.

Eu estive esses dias indo a alguns postos de desabrigados aqui em Minas, por causa das enchentes, fomos levar leite da nossa fazenda e de alguns vizinhos. Ver as crianças e velhos é especialmente tocante.


Eu proporia pegar esses teóricos do apocalipse, que do conforto de suas casas ficam a falar sobre tais temas e colocá-los em campos de refugiados, creio que aprenderiam um pouco sobre algo que o budismo chama de compaixão e que eu chamo de gentileza.

Esta teoria está plenamente de acordo com a agenda dos nazistas, dos militantes de extrema direita de todos os blocos.

As pesquisas de armas biológicas nos EUA e em outros blocos buscam justamente isso, pragas seletivas que exterminem parte da população.

É muita ingenuidade acreditar que se houver uma crise global os verdadeiros donos do poder vão morrer.

Já estudaram um pouco o que há embaixo das montanhas rochosas dos EUA?

No mundo inteiro abrigos foram construídos para as elites do poder e preparados para os mais diversos tipos de contratempos, de catástrofes naturais a radiação atômica.

Assim como as potências usam o fenômeno UFO (real e complexo em si) para continuar as experiências com seres humanos dos nazistas, usam dessas tolices messiâncas para impedir que o único caminho viável, uma ação clara e incisiva, consciente e transformadora por parte de todos nós seja tomada.

É como o Brasil, que ao invés de resolver seus problemas, como moralizar as estatais e transformá-las em empresas eficientes e decentes, a gerar fundos para os gastos da união, como saúde, previdência e educação, prefere assumir que somos todos incompetentes, incapazes de eleger gente decente, incapazes de administrar com eficiência e vamos vender tudo ao capital estrangeiro, que tem mostrado muiiiiiita competência mesmo, vejam o caso da telefonia como pálido exemplo. E vão mostrar como são sensíveis as necessidades do país, quando da primeira crise mundial demitirem milhares.

Pode parecer que fugir do tema, mas não.

Fui a esta arena política para colocar que estamos na guerra do anel, como na outra era, contada por Tolkien.

Nunca o anel esteve tão perto de ser destruído, nunca esteve tão perto de Saruman.

E a luta tem que ser em todos os campos.

Assim cada vez que nos reunimos, como no dia 22 de Dezembro, no mundo inteiro em celebração (não adoração) a Deusa, cada rito que fazemos, cada vez que o paganismo se fortalece estamos novamente nos alinhando aos povos nativos de todos os continentes, aos pagãos de todos os mundos, desse e dos mundos paralelos onde se refugiaram.

E não adianta fazer como outros movimentos que tentaram fugir do sistema, a luta é de dentro para fora, nossas posturas é que mudam o mundo.

É esta a luta que está sendo travada, uma luta que ganhamos terreno quando somos felizes, quando realizamos nossos mais profundos sonhos, quando vivemos prazerosamente.

A mãe Terra está doente.

Cada vez que ritualizamos somos como uma agulha de acupuntura a tonificá-la.

Como bem coloca-se em Matrix, o ser humano deixou a condição de mamífero, que entra sempre em relação simbiótica com o meio onde vive, para assumir a condição de vírus.

Temos que curar esse comportamento, antes de mais nada em nós mesmos.

E então agir incisivamente.

Atos simples, como não comprar produtos que sejam agressivos ao meio ou venham de empresas que de uma forma ou de outra prejudiquem o meio ou usem mão de obra escrava.

É um primeiro passo, e como diz Lao Tsé, uma longa viagem começa com o primeiro passo.

Se estes primeiros passos forem dados poderemos ir mais longe, como trabalhar magicamente para transmutar todo o urânio 235 e o plutônio em elementos inofensivos.

Há uma batalha entre vida e morte, consciência e inconsciência.

Vale dela participar.

Se mais não for, para que o sorriso não desapareça no rosto de nossas crianças.

Se mais não for, por gentileza, um total gentileza para com a vida.

Nuvem que passa

01/2000

Nada nos prenderá

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Não, não me prendam por isso meus amigos,
Mais além de palavras meu coração anseia chegar,
Não, não me aprisionem por isso meus amigos,
Mas além de mim mesmo é meu destino,
Não, não me prendam por isso meus amigos,
Não sejamos prisioneiros de nossas palavras,
Não sejamos escravos de sentimentos,
Não sejamos tolos repetidores,
Não, não nos prendamos por isso meus amigos,
O dia nos espera, cheio de movimento e alma,
A cor, a sempre nova dor, o sempre outro odor,
O sempre eterno sabor,
Não, não me prenda por isso meu amigo,
Não, não me ponha algemas,
Não!...deixe o erro e o acerto,
Deixe o feio e o bonito,
E não nos prendamos nisso meu amigo,
O erro e acerto existe só para alguém,
E para onde estamos indo...
Para onde estamos indo meu amigo,
Para onde estamos correndo,
Para onde nosso coração aponta,
(Ele bate tão forte)
Quando você arranca essas algemas,
(Ele bate tão forte)
Arrebenta essa ridículas grades,
(Ele bate tão forte)

Vamos meus amigos,
Não nos prendamos nisso,
Não nos detenhamos agora,
Deixe a sua feiúra nascer,
Deixe a sua mentira brotar,
Deixe a sua ganância dançar
Deixe a sua dor respirar,
Deixe a sua morte chegar,

Quem perde e quem ganha nesse jogo?
Estamos livres,
Ninguém poderá dizer que um método prende um ser humano,
Ninguém poderá dizer que somos escravos
Disso que nos fizeram,
Não! A minha feiúra é bela,
Não me prenda agora,

Aliás,
Ninguém nos prende além de nós mesmos,
Sim!

Aqui está um vulcão!

Quem poderá me prender?

Essa algemas da culpa?

Quem nos prenderá?

Essas algemas da dor?

Quem nos prenderá?

Essas algemas do medo?

Quem nos prenderá?

Essas algemas da morte?

Quem nos prenderá?

Ninguém nos prenderá agora, meus amigos.

Gaudeamus

O Retorno de Lilith


Temos dois momentos nesse tema e que precisam ser tratados de forma clara.

Enquanto homens e mulheres, temos nossas realidades existenciais.

Nestas realidades estamos inseridos numa sociedade que tem o pseudo-patriarcalismo como norma.

Digo pseudo porque o que temos na civilização dominante não é o patriarcal, mas uma paródia do mesmo.

Assim como os mercenários a soldo dos países poderosos não podem ser chamados de guerreiros, no sentido taoísta e xamânico do termo, não podemos chamar de patriarcal esta sociedade, que tem no despotismo, na valorização dos valores desequilibrados dos conquistadores suas referências.

Somos uma civilização criada para gerar escravos.

De vários níveis, mas escravos a servir um sistema, servir a Matrix, doar nossa energia vital para manter o sistema que aí está existindo.

Portanto sair dessa prisão é romper com os paradigmas que nos mantém atados a mesma.

E é um longo processo.

O paganismo tem uma diferença fundamental das crenças judaico-cristãs.

O ser humano não é especial, à parte da natureza.

É parte integrante da natureza, nem mais nem menos.

Assim somos unos com a vida.

Enquanto homens temos características que nos marcam.

As mulheres tem as suas.

A Deusa não é apenas feminina, é o principio feminino e mais que isso.

A mulher não é tudo que a Deusa é.

A mulher precisa se trabalhar muito para recuperar a sintonia com a Deusa e depois seguir trabalhando para deixar a condição de fêmea dos primatas e continuar sua fusão com a energia feminina da existência.

Assim como o Deus não é apenas masculino. É o principio masculino e mais que isso.

Nós, homens, temos que nos trabalhar muito para recuperar a sintonia com o Deus e deixarmos de ser apenas a condição de macho dos primatas e continuar nossa fusão com a energia masculina da existência.

Todos trazemos em nós energias masculinas e femininas.

Biologicamente, somos levados a manifestar a energia masculina, se somos homens, e feminina, se somos mulheres, mas existem homens profundamente femininos e muitas mulheres masculinas, quer manifestem isso sexualmente também ou não.

Enquanto seres humanos nada mais sério e profundo que encontrarmos o equilíbrio dessas forças em nós, mas ao final, mesmo no nível que o casamento alquímico, interior, o Hierogamos sagrado foi realizado, o homem continua sendo homem, embora não mais um simples macho primata e a mulher continua sendo mulher, embora não mais uma simples fêmea primata.

Entraram em fusão com outros aspectos.

E neste nível, neste plano o equilíbrio perfeito é mais que necessário e bem vindo.

Isto é uma instância.

Mas no xamanismo também reconhecemos que a energia feminina é mais predominante na existência que a masculina.

Mais longe, os xamãs de várias linhagens consideram a própria existência feminina.

Mesmo biologicamente a mulher tem um papel muito mais complexo que o homem no manter da vida.

É claro que é fundamental a existência de ambos para "criar" um novo ser.

É o homem que estimula a vida que seguiria potencial.

Sem o esperma, semente, do homem o ovo não vingaria.

Mas, uma vez "ativado" o processo, a participação da mulher é muito maior.

É um fato.

Nenhum homem corre riscos durante a gestação de seu filho.

Nenhum homem tem enjôos, problemas de coluna, engorda enfim tudo que acompanha a gravidez.

Nenhum homem amamenta a cria.

E mesmo que o leite materno não venha e seja substituído por leite de cabra ou vaca é uma fêmea que está na história.

Isso não "diminui" o homem, a meu ver apenas nos localiza em nosso contexto real.

Para os xamãs de várias linhagens a energia predominante na existência é feminina.

A matéria original é feminina.

Por isso a Deusa aparece com mais poder que o Deus.

Mas isso de forma alguma quer dizer que devemos deixar a ligação com o Deus de lado e nos focarmos só na Deusa, pois isso seria perceber a parte e não o todo.

Algo profundamente desequilibrado.

É que falar de Deus e Deusa já me soa muito antropomórfico, parece que estamos falando de Jeová e Nossa Senhora, imagens feitas a semelhança do ser humano para indicar o que está além da forma.

Se colocarmos que o principio feminino é predominante na eternidade fica mais claro.

O principio masculino é mais raro.

Na própria espécie humana sabemos que há muito mais mulheres que homens e note que países como a China e tantos outros fundamentalistas islâmicos buscam sofregamente um "varão" como herdeiro.

Falando ainda dentro dos paradigmas do xamanismo vem outra questão.

A mulher tem um elo mais fácil com a eternidade.

A intuição faz parte dos atributos femininos.

Nós homens temos que trabalhar para desenvolver essa outra abordagem.

Por isso que temos maior domínio sobre ela.

Fomos nós que estudamos e sistematizamos processos para o trabalho mágico, que nas mulheres é natural e sensível.

Daí que toda religião fundamentalista tem uma necessidade muito grande de afastar a mulher de seu centro de poder.

Vejam que as grandes religiões dessa era de escravos não tem mulheres fortes e elas só tem respeito dos cleros pseudopatriarcais quando são servis, como a virgem que gerou a semente de deus em si, logicamente resultando num "varão".

Sim, ambos, homem e mulher, são sagrados. Sim, ambos precisam se harmonizar de forma equilibrada e equipotente quando do casamento sagrado.

Mas o mundo, a existência é mais que o ser humano, e nesta amplitude pelo que estudei e sinto a energia feminina de fato é o estofo onde nos apoiamos.

Daí que isso reflita na visão pagã da Deusa e seu consorte.

Aí vamos para a outra questão.

Quando uma mulher se submete a um homem ela não apenas perde seu poder. Ela se torna a fonte de poder do homem.

Quantos homens dependem totalmente de uma relação vampiresca com a companheira para seu sucesso, daí o ciúmes doentio e o medo constante de perder sua "fonte" de energia.

É claro que uma troca justa entre pessoas maduras é mais que recomendável, mas isto ocorre?

Raramente.

E tem outro ponto que é ainda mais polêmico e só comento porque alguns autores, entre eles alguns taoístas e alguns xamãs já publicaram sobre o que me exime da responsabilidade de ser o primeiro a falar sobre isso, coisa sempre delicada.

Antes um detalhe.

Quando falo xamanismo estou falando do ramo que estudo. Se vocês dizem que o termo Wicca é um guarda chuva sob o qual muitas linhagens agem, o termo xamanismo é daqueles guarda-chuvas de hotel.

E precisar a fonte das tradições é delicado, pois o termo Maia é equivocado demais, pois os Maias existiram num tempo antes do aceito pelos registros históricos modernos, sendo os Maias por estes citados os que chamamos Maias históricos, que herdaram a forma, mas não o conteúdo da ampla civilização maia.

Astecas eram conquistadores, como os romanos, que tomaram as terras e a cultura dos conquistados, muito deturpando, criando sacrifícios de sangue onde antes havia outra coisa.

Incas então é um termo completamente equivocado, chamar de Incas o povo que se desenvolveu em certa região dos Andes é como chamar de Faraós todos os egípcios.

Que não dizer então das sofisticadas civilizações da Amazônia que não construíram monumentos em pedras (os que ali existem ainda perdidos são de civilizações mais anteriores) e não deixaram "vestígios" classificáveis pela arqueologia?

Assim uso o termo genérico xamanismo para especificar as linhagens as quais estou exposto, com o cuidado de deixar claro que o tema é amplo.

Bom, o fato é que nestas linhagens consideramos que a mulher não apenas gera e amamenta o ser, mas sustenta o homem também energeticamente através do ato sexual.

Só um homem que trabalha bem sua sexualidade e sua energia realmente oferece para a mulher uma "troca justa de energia".

Os que não fazem isso na realidade sugam a energia feminina durante o orgasmo.

Lembro-me quando uma garota do meu grupo questionou a Marta sobre isso.

Ela explicou que as mulheres por processos seus tem mais facilidade de guardar energia que os homens, até por terem útero, um órgão mágico.

Assim é normal que esta energia a mais vá se acumulando, se a mulher não sabe levar essa energia para outras oitavas num trabalho consciente acaba que tal energia afeta o emocional e o mental.

Ai a mulher se sente "elétrica", com "muita energia", irriquieta.

Daí que após ficar com um homem essa energia extra é toda levada embora.

Aí ela vai considerar que está bem, quando na realidade foi vampirizada.

Se a mulher em questão não pretende nenhum trabalho transcendente de beleza, foi mesmo um equilíbrio, mas se pretende ir a esferas mais amplas da percepção, tchau, vai demorar bem, pois a energia suplementar necessária lhe foi tirada.

O tema é amplo, complexo, mas vale a pena abordar.

Aí vem minha total concordância quando se diz que se a mulher não rompe com o vício de crer que o homem amado é o centro de sua vida e para o qual ela deve viver nunca chegará a bruxa nem a xamã.

Falo isso observando as mulheres do meu grupo, como isso é fato.

Isso não quer dizer que a mulher não vai estabelecer uma relação sagrada de troca e harmonia com um homem, apenas não vai fazer dele o centro de sua vida, sua única meta, como via de regra as mulheres fazem, por terem sido condicionadas a fazer.

E nós, homens, temos que redimensionar nossa visão da mulher, da companheira, aceitando que não somos o centro da vida das mesmas, somos seus companheiros, se somos aves livres voando nos céus nenhum dos dois é o centro, o prazer de compartilhar o vôo é que nos une.

Tive uma namorada que dizia ser a melhor relação a suplementar, não a complementar, pois quando precisamos de outra pessoa para nos complementar é sinal que não estamos inteiros e vamos sempre ter medo que a outra parte, a "cara metade" vá embora e nos sintamos menos que inteiros de novo, palco fácil para ciúmes, crises e tudo mais.

Se somos completos em nós não estamos em busca, da "cara metade", este mito platônico que tanto já confundiu. Estamos em busca de outra pessoa também inteira, também plena para partilhar conosco a aventura fantástica e empolgante que chamamos vida.

Ora, se somos inteiros não haverá insegurança, medo de perder, ciúmes doentio.

Aí podemos "viver e deixar viver".

Sem medos, sem ranços.

Só quem já viveu relações assim vai entender como isso é demais.

Aceitar a mulher na sua total liberdade é o passo para nossa plena liberdade também.

E não se esqueçam que sou um escorpião, com toda a possessividade de um, daí que fique claro que não foi em dois dias que consegui atingir essa visão das coisas, que isso não me caiu do céu, mas após anos de árduo trabalho interior.

Nuvem que passa

A inter-relacão da consciência e da percepcão por novos canais


Há já algum tempo participo de listas na net, são verdadeiras comunidades virtuais onde notamos o surgir de toda uma relação entre grande parte dos (as) envolvidos (as).

Mesmo as pessoas que só "lêem" que nunca se expressam nas listas, participam de uma forma antiga, ainda limitada a não interatividade que a TV e os sistemas de comunicação para as massas, condicionam na maior parte das pessoas.

A Internet, como toda ferramenta, tem seu uso determinado pela habilidade de quem a usa, assim teremos vários níveis de existência na Internet. As comunidades das listas correspondem a um nicho complexo.

A teia que se forma na Net é como a rede de Indra, a qual em cada nó tinha outras redes. Numa mesma lista se acomodam pessoas das mais heterogêneas, focadas no "tema da lista" que cada uma, obviamente, interpreta dentro de seus referenciais pessoais. Como tudo que existe não há como explicar as listas, elas acontecem, essa necessidade humana de se comunicar, de partilhar suas experiências com outras pessoas. É muito interessante que isto, esta comunicação é feita de diversas formas. Como no mundo cotidiano as pessoas geram os mais diversos tipos de comportamento, até agressões e males estares vários são gerados na rede, numa imitação perfeita do que é a vida.


Observando como o mundo virtual vem sendo moldado como uma réplica da sociedade tida por real, da sociedade vigente, pude perceber melhor como estamos presos a modelos fixos de comportamento, existe uma vasta e ainda sem fronteiras, dimensão a ser explorada e o que conseguimos trazer são repetições dos comportamentos e formas de ser do cotidiano, leitura das realidades apresentadas dentro dos limites cognitivos da realidade cotidiana.


Perceber isso me leva a questionar o quanto também tem essa "influência moldadora", esse estilo único de lidar com outras realidades, influenciado no contato com outras dimensões. O quando aquilo que chamamos de Magia, de Bruxaria e de Xamanismo estão impregnados de nossos referenciais prontos, nós que fomos criados num mundo que por principio nega os valores fundamentais destes caminhos, pois é óbvio que este sistema que estamos inseridos que chamam civilização é um agente degradador em alto nível da realidade e os modelos que sobrevivem neste sistema tem pouco respeito pela vida e pela qualidade de vida do ser humano. Basta observar a realidade que nos cerca. Então esse mundo assustador ronda lá fora, feroz, perigoso e as pessoas encontram na NET uma forma de se expressar, de se comunicar , de se por em contato.


A barbárie está solta, lá fora, em torres ou casas, em cômodos quase que apenas quadrados ou retangulares, olhando com avidez para as telas também quadradas, em 1 e 0 se comunicam, as pessoas trocam informes, partilham seu saber e sabem mais. Vou me deter um pouco sobre as listas de temas da Net .


Primeira coisa que considero interessante numa lista é como as pessoas têm opiniões diversas sobre o mesmo termo.


Segunda é como comunicação é algo que tem ligação com gestos corporais, tons de voz, gestos faciais. A inexistência desses meios na comunicação por escrito das listas leva a uma diminuição da eficácia de comunicação, o que faz da maior parte das listas palco de certas discussões e desentendimentos que alguém "de fora" nota que estão ou falando da mesma coisa, ou a ofensa "original" nunca ocorreu, foi só ausência de compreensão entre o que queriam realmente expressar e o que foi interpretado.


Brigas homéricas saem daí, envolvem vida pessoal das partes envolvidas, enfim, para quem considera que o mundo virtual é uma ilusão de elétrons correndo loucos (fótons nas fibras óticas) devia assistir o começo e desenvolvimento dessas crises que surgem em certas listas entre pessoas que até então eram "presenças virtuais" .


É muito interessante observar isto do ponto de vista mágico, por que entre os(as) bruxos(as) antigos(as), os(as) xamãs ancestrais, existiam linhagens, troca de conhecimentos, que ensinavam sobre Magia, sobre Xamanismo e sobre Bruxaria.


Hoje existem sites, existem páginas, existem listas que debatem as mais diversas escolas, os mais diversos caminhos.

As listas têm esse papel, é uma comunidade virtual onde pessoas diversas se aglutinam em torno de um tema central. As listas seguem um fluxo, que varia sob muitos fatores e as personalidades encontradas nas listas cobrem vasto espectro das possibilidades humanas.


Amizades, amores e brigas ferrenhas acontecem. A projeção da consciência na "personalidade" de internet é tremenda, muitas pessoas levam totalmente as crises da net para a casa, para o dia a dia, para muitas o mundo da internet e o mundo real, que são mundos paralelos, perde essa característica, eles se fundem, aí tudo gira em torno da NET .


O nick name é um nome mágico, um mote virtual que trás a tona o personagem que cada pessoa gera ao entrar na NET.


Estou apenas apontando fatos, sem pretender julgar.


O que me interessa observar é que as comunidades das listas comportam-se como sociedades humanas do mundo "real". E dentro dessas comunidades virtuais se discute e trocam-se informes sobre magia, xamanismo e bruxaria.


Existe o assunto de escopo da lista , o tema em torno do qual gera o centro de interesse do grupo. Mas o poder interativo das listas é muito interessante e a diversidade de pessoas que existe é fascinante de observar. Pessoas que muitas vezes jamais se conheceriam nos caminhos "reais" do mundo, se encontram neste ambiente virtual. Amizades e mesmo amores e casamentos acontecem, ou seja, encontros no mundo virtual que alteram a vida que temos por real.


Esse aspecto da rede é muito interessante, ela colabora para os encontros, ela colabora para que pessoas que por processos diversos teriam grande dificuldade de se encontrarem, de se conhecerem, o fazem, por um contato inicialmente virtual. Podemos discordar sobre interpretações do papel da rede, mas o fato da rede, o fato de uma conexão entre pessoas do mundo inteiro por este interessante meio, este fato é evidente e inegável.


Há pessoas que partilham de seus universos mais íntimos, de pensamentos e sentimentos que carregam secretamente consigo há datas e o fazem com alguém, que algumas vezes, nunca esteve presente em "corpo", nem a imagem real tem, quando muito uma foto escaneada. E no entanto partilham-se idéias, partilham-se sentimentos , partilham-se planos e anseios, amam, brigam, se odeiam e se apaixonam e tudo isso acontece por intermédios de elétrons e fotos correndo em suas transformações de onda e partícula.


Se já é interessante meditar que a música hoje executada repousa sobre 7 notas, que vocabulários se formam por alfabetos de 20 e poucas letras e no entanto toda essa complexidade virtual vem da combinação de 1 e 0, só um e zero.


Por vezes pessoas que vivem fisicamente do lado de uma outra não se conhecem quase nada, ou nada mesmo, desse rico universo interior, que só é partilhado com aquela "presença virtual". Mas que esta "presença virtual" é também "presença real" em seu espaço e tempo, em seu ambiente, às vezes situado num outro país, outro continente, outro hemisfério. Essas possibilidades comunicativas da Internet estão mexendo com o mundo em vários níveis. Pela primeira vez na história conhecida da humanidade temos uma teia constante no planeta praticamente inteiro, com elementos da espécie humana se comunicando em vários pontos do globo. Só a liberdade de informações que circula na NET já é um passo incrível para a tão cantada e clamada Era de Aquário, ou novo Aeon.


Se pensarmos e sentirmos a Terra como ser vivo e consciente, como até a ciência, com a hipótese Gaia, já abre flancos para admitir, podemos ir mais longe e compreender que a rede, a INTERNET está mexendo com o inconsciente coletivo e com o consciente coletivo da humanidade, logo mexendo também com a consciência da Terra. No estado meio robô, meio sonâmbulo que a humanidade está acaba participando dessa nova energia entrando no nosso sistema , mas sem aproveitar essa energia para a profunda transformação de paradigmas , pessoais e coletivos, que se faz necessário.


Se em outros tempos, homens e mulheres falaram da transformação da consciência como necessidade, hoje a necessidade tem premência total, pois é da possível destruição do planeta, do esgotar de seus recursos naturais, do poluir e degradar em níveis que afetam a nossa qualidade de vida, é disso que temos hoje que escapar.


Imaginem isso, sintam isso, pensem nisto, com foco, com visão sistêmica. O que representa isso? E ao mesmo tempo que estamos nesse cenário de destruição temos realizações incríveis como a NET, que, por exemplo, permite que eu , agora, chegando de uma fogueira, na Serra da Mantiqueira, céu estrelado, calor, ainda que Outono, possa expor algumas coisas que conversei com pessoas que trilham um caminho conjunto ao que trilho.


A troca de informações ocorrendo numa velocidade quase instantânea... Até aí, troca de informações, todos partilham, todos "concordam" agora vamos encarar o lado mágico disso. Temos dois seres humanos "conversando" pelo ICQ. Ambos dotados de energias em vários estágios, desde o sólido de seus ossos, o pastoso de certos fluídos corporais, o líquido da linfa e do sangue, os gases que percorrem nosso corpo, a misteriosa força da vida, ou força vital, que a ciência contemporânea, financiada por laboratórios a quem a visão energética do ser humano não interessa, nega, todas essas partes de nosso corpo estão impregnadas de energia e temos um corpo de energia, um corpo inorgânico paralelo a este corpo orgânico que nos colocam como única verdade, confundindo nosso limite perceptivo, para deixá-lo bem estreito, limitando nossa flexibilidade perceptiva.


Quando acionamos a net estabelecemos uma conexão efetiva, de informações correndo por cabos e /ou ondas de rádio, via satélite, enfim há uma conversão e reconversão, uma transdução seguida da outra da informação.


Há um momento que estamos teclando, a energia mental, o pensamento veio ativar o sistema nervoso que tecla, momento que a energia é a pressão do dedo na tecla, depois a tecla ativa uma combinação de 0 e 1 dentro do software de escrita usado e depois a mensagem é enviada, corre por vários meios de propagação (fios, cabos, ondas) até chegar como mensagem numa máquina que pode estar em qualquer lugar do mundo (satélites criaram possibilidades de contato incríveis).


Serão apenas as palavras que caminham em forma de energia pura pela rede? Os sentimentos que evocam, os questionamentos que provocam, a vida que carregam consigo, será apenas o poder da palavra, do Verbo, da linguagem?


Existiram outras energias sutis sendo trocadas pela rede?

As listas geram egrégoras.

Como serão essas egrégoras?

Nuvem que passa

(continua)

A auto-importância

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pessoal, esse é um capítulo de um livro sobre Nagualismo, no final disponho o link para download, refere-se portanto a uma linhagem xamânica que tinha um propósito muito próprio e que para ser devidamente compreendido precisa ser vivenciado, o que nos fará entender o significado da frase famosa de Matrix: "Há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho". Escolhi a Torre, arcano 16 do Tarot, como imagem porque ele ilustra bem para onde a auto-importânica nos leva.

A Importância Pessoal
Justificar
Cheguei ao átrio do hotel na hora combinada. Não esperei nem um minuto e o vi descendo as escadas que davam acesso aos quartos. Nós nos cumprimentamos e então nos dirigimos ao restaurante onde nos serviram um delicioso café da manhã. Em dado momento quis perguntar-lhe algo, mas ele me fez sinais para ficar calado. Comemos em silêncio.

Ao terminarmos, saímos para caminhar pela rua Donceles, rumo ao Zócalo. Enquanto passeávamos pelos sebos, ele me confessou que, geralmente, não falava em particular com as pessoas, mas que no meu caso era diferente porque ele tinha recebido uma indicação a respeito. Como eu não sabia a que se referia, preferi permanecer calado, já que qualquer comentário meu nada mais faria que sublinhar minha ignorância.

Acrescentou que de forma alguma eu deveria confundir sua deferência com um interesse pessoal.

"Eu disse muitas vezes que minha condição energética me impede de receber discípulos.

Por isso, as pessoas se desapontam comigo. Mas eu não posso fazer nada!"

Conversamos sobre diversos temas. E eles fez muitas perguntas sobre minha vida, pediu o número de meu telefone e me avisou que na noite seguinte ele daria uma palestra na casa de uma amiga. Eu estava convidado a assistir, mas que a nossa relação deveria permanecer em segredo.

Eu lhe respondi que adoraria estar presente e então ele me deu o endereço e o horário.

Em um dos sebos que visitamos, encontramos um exemplar de um dos seus livros intitulado - "Uma estranha realidade". Estava na estante das obras de ficção, o qual lhe aborreceu muitíssimo. Comentou que as pessoas estão tão comprometidas com o cotidiano que nem sequer podem conceber o mistério que nos cerca. Quando algo sai do conhecido, automaticamente nós o classificamos em uma cômoda categoria e então nos esquecemos disso.

Percebi que folheava os livros com interesse e que, às vezes, passava a mão neles com carinho, com um sentimento de respeito. Ele disse que aqueles, mais que livros, eram depósitos de conhecimento não se importando com a forma em que este se apresentasse. Acrescentou que a informação de que precisamos para ampliarmos a consciência se esconde nos lugares mais improváveis; e que se não fôssemos tão rígidos como normalmente somos, tudo à nossa volta nos contaria segredos incríveis.

"Somente precisamos nos abrir ao conhecimento e este chegará a nós como uma avalanche".

Vendo uma mesa que exibia livros a um preço quase de graça, ficou admirado com o baixo custo que têm os livros já lidos comparados com os novos. Na opinião dele, isso provava que as pessoas não estão realmente procurando informação. O que procuram é o "status" do comprador.

Eu lhe perguntei que tipo de leitura ele preferia e me respondeu que gostava de saber sobre tudo. Porém, nessa ocasião, estava procurando um livro de poesia em particular; certa edição antiga que nunca havia sido re-impressa. Pediu-me que lhe ajudasse a encontrá-lo.

Durante um longo tempo, nós revolvemos muitos livros. Finalmente, saiu com um pacote deles, mas não com o qual procurava. Com um sorriso culpado, admitiu:

"Sempre me acontece a mesma coisa!"

Próximo ao meio-dia nos sentamos para descansar num banco de uma praça onde estavam os impressores oferecendo seus serviços. Aproveitei a oportunidade para lhe dizer que suas declarações da noite anterior tinham me deixado perplexo. Então lhe pedi que me explicasse com mais detalhes no que consistia a guerra dos bruxos.

Com muita cortesia, ele me explicou que era natural que esse tema me afetasse, já que eu, como o resto dos seres humanos, fui preparado desde meu nascimento para perceber o mundo do ponto de vista do bando das ovelhas. Ele me contou histórias de seus companheiros e como eles tinham conseguido, depois de muitos anos de luta tenaz contra suas fraquezas, superar à coerção coletiva. E me aconselhou a ser paciente, pois a seu devido tempo as coisas se explicariam.

Depois de um momento de conversa agradável, ele me deu a mão num gesto de adeus. Eu não pude conter minha curiosidade e lhe perguntei o que ele tinha desejado dizer com isso de que havia tido "uma indicação" sobre mim.

Em vez de me responder, ele olhou com atenção sobre meu ombro esquerdo. Imediatamente minha orelha ficou quente e começou a zumbir. Depois de um tempo, disse que ele mesmo não sabia, porque não pôde ler a natureza do sinal. Mas tinha sido algo tão claro, que tinha sido forçado a prestar atenção.

Acrescentou:

"Eu não posso guiá-lo, mas posso colocá-lo diante de um abismo que colocará à prova todas as suas habilidades. Dependerá de você se se lança ao vôo ou se corre para se esconder na segurança de suas rotinas".

Suas palavras despertaram minha curiosidade. Eu lhe perguntei a que abismo se referia.

Ele me disse que se referia ao meu próprio sonho.

Essa resposta me estremeceu. De alguma maneira, Carlos tinha notado meu dilema interior.

Faltando quinze para às sete, cheguei a uma bonita casinha em Coyoacán. Uma moça agradável, que parecia ser a dona da casa, veio me receber. Eu lhe expliquei que tinha sido convidado à conferência de Carlos e ela me convidou a entrar. Nós nos apresentamos e ela disse que se chamava Martha.

Na sala havia outras oito pessoas. Logo chegaram mais dois convidados e em seguida apareceu Carlos que, como sempre, saudou a todos efusivamente. Desta vez apareceu trajado de um modo muito formal, de terno e gravata, e trazia na mão uma pasta que lhe dava um ar intelectual. Começou a conversar sobre diversos assuntos e, quase sem que notássemos, entrou no tema: como apagar a importância pessoal.

Como preâmbulo, afirmou que o papel relevante que nos concedemos a nós mesmo em cada uma das coisas que fazemos, dizemos ou pensamos, consiste numa espécie de "dissonância cognitiva" que nubla nossos sentidos e nos impede de ver as coisas clara e objetivamente.

"Somos como pássaros atrofiados. Nascemos com todo o necessário para voar, porem, estamos permanentemente obrigados a dar voltas em torno de nosso ego. A corrente que nos aprisiona é a importância pessoal”.

"O caminho para converter um ser humano normal num guerreiro é muito árduo. Sempre intervém nossa sensação de estar no centro de tudo, de sermos necessários e termos a última palavra. Nós nos sentimos importantes. E quando a pessoa é importante, qualquer intento de mudança se converte em um processo lento, complicado e doloroso”.

"Esse sentimento nos segrega. Se não fosse por ele, todos nós fluiríamos no mar da consciência e saberíamos que nosso eu pessoal não existe para si mesmo: seu destino é alimentar a Águia”.

A importância cresce na criança à medida em que ela aperfeiçoa sua interpretação da realidade. Fomos forçados a aprender a construir um mundo de concordâncias ao qual nos referir, para que possamos nos comunicar. Mas esse dom incluiu uma embaraçosa seqüela: nossa idéia do 'eu'. O eu é uma construção mental, veio de fora e está na hora de nos desfazermos dele".

Carlos afirmou que as falhas em que nós incorremos ao nos comunicarmos são uma prova de que a concordância que nós recebemos é absolutamente artificial.

"Depois de experimentar durante milênios situações que alteram nossos modos de perceber o mundo, os bruxos do México antigo descobriram um fato prodigioso: que nós não estamos obrigados a viver em uma única realidade, porque o universo está construído com princípios muito maleáveis que podem se acomodar em formas quase infinitas, produzindo incontáveis gamas de percepção”.

"A partir desta constatação, eles deduziram que o que nós seres humanos recebemos de fora, foi a capacidade para fixar nossa atenção em um desses níveis para explorá-lo e reconhecê-lo, moldando-nos a ele e aprendendo a senti-lo como se fosse único. Assim surgiu a idéia de que nós vivemos em um mundo exclusivo e, conseqüentemente, gerou-se o sentimento de ser um 'eu' individual.

"Não há dúvidas de que a descrição que nos deram é uma possessão valiosa, semelhante a uma estaca à qual se amarra uma plantinha tenra para fortalecê-la e conduzi-la. E isso tem permitido que cresçamos como pessoas normais numa sociedade modelada para essa fixação.

Para isso, nós tivemos que aprender a 'desnatar', quer dizer, fazer leituras seletivas do enorme volume de informações que chegam a nossos sentidos. Mas, uma vez que essas leituras se tornam 'a realidade', a fixação da atenção funciona como uma âncora, pois nos impede de tomar consciência de nossas incríveis possibilidades”.

"Don Juan sustentava que o limite da percepção humana é a timidez. Para poder manipular o mundo que nos cerca, nós tivemos que renunciar ao nosso patrimônio perceptivo que é a possibilidade para testemunhar tudo. Desse modo, nós sacrificamos o vôo da consciência pela segurança do conhecido. Nós podemos viver vidas fortes, audazes, saudáveis; podemos ser guerreiros impecáveis, mas não ousamos!

"Nossa herança é uma casa estável onde viver, mas nós a transformamos em uma fortaleza para a defesa do eu, melhor dizendo, em um cárcere onde condenamos nossa energia a consumir-se em prisão perpétua. Nossos melhores anos, sentimentos e forças se vão no conserto e na sustentação daquela casa porque nós acabamos nos identificando com ela”.

"Quando uma criança se torna um ser social, ela adquire uma falsa convicção de sua própria importância. E aquilo que no princípio era um sentimento saudável de autopreservação, acaba se transformando em uma exigência ególatra por atenção”.

"De todos os presentes que recebemos, a importância pessoal é o mais cruel. Converte uma criatura mágica e cheia de vida em um pobre diabo arrogante e sem graça".

Apontando para seus pés, falou que nos sentir importantes nos força a fazer coisas absurdas.

"Vejam eu! Uma vez eu comprei sapatos muito bons, que pesavam quase um quilo cada um. Gastei uns quinhentos dólares para andar arrastando meus sapatões por aí!

"Por causa de nossa importância, nós estamos cheios até as bordas de rancores, invejas e frustrações. Nós nos deixamos guiar pelos sentimentos de indulgência e fugimos da tarefa de nos conhecer a nós mesmos com pretextos como: 'me dá preguiça' ou 'que cansaço!'. Por trás de tudo isso há uma ansiedade que tentamos silenciar com um diálogo interno cada vez mais denso e menos natural".

Neste ponto da conversa, Carlos fez um intervalo para responder algumas perguntas e aproveitou para nos contar diversas histórias exemplares sobre como a auto-importância deforma os seres humanos, transformando-os em couraças rígidas diante das quais um guerreiro não sabe se ri ou se chora.

"Depois de estudar durante alguns anos com don Juan, eu me senti tão perplexo com suas práticas que fui embora durante algum tempo. Não podia aceitar o que ele e meu benfeitor me faziam. Parecia desumano, desnecessário e ansiava por um tratamento mais doce. Eu aproveitei para visitar diversos guias espirituais do mundo inteiro a fim de achar nas doutrinas deles algum ensino que justificasse minha deserção”.

"Em certa ocasião conheci um guru californiano que se achava grande coisa. Ele me admitiu como seu discípulo e me deu a tarefa de pedir esmolas em uma praça pública. Considerando que era uma experiência nova para mim e que provavelmente tiraria uma lição importante de tudo isso, eu me encorajei e cumpri o proposto. Quando voltei para vê-lo, disse a ele: 'agora faça isso você!'. Ele ficou furioso comigo e me expulsou da turma”.

"Em outra de minhas viagens, fui ver um conhecido mestre hindu. Eu me apresentei em sua casa bem cedo e formei fila com outros curiosos. Mas o cavalheiro nos deixou esperando durante horas. Quando apareceu, no alto de uma escada, ele tinha um aspecto condescendente, como se nos estivesse fazendo um grande favor em nos admitir. Começou a descer os degraus muito meritoriamente, mas seus pés se emaranharam em sua grande túnica, caiu no chão e quebrou a cabeça. Morreu ali mesmo, diante de nós".

Em outra ocasião, Carlos nos falou que o demônio da auto-importância não afeta somente aqueles que se acreditam mestres, mas que é um problema geral. Um dos seus estandartes mais firmes é a aparência pessoal.

"Esse era um ponto pelo qual eu sempre me senti incomodado. Don Juan costumava atiçar meu ressentimento zombando de minha estatura. Ele me dizia: 'Quanto mais baixinho, mais egomaníaco! Você é pequeno e ruim como um percevejo; não pode fazer outra coisa senão ser famoso, porque do contrário você não existe!' Afirmava que o mero fato de me ver lhe dava vontade de vomitar, pelo que estava infinitamente agradecido comigo: 'cada vez que você vem eu me renovo!'

"Eu me ofendia com seus comentários, porque tinha a certeza de que exagerava meus defeitos. Mas um dia eu entrei em uma loja de Los Angeles e pude entender que ele tinha toda a razão. Ouvi um indivíduo que dizia ao meu lado: 'Shorty!' (pequeno). Eu me senti tão irritado que, sem pensar duas vezes, virei e lhe dei um forte soco na cara. Depois eu soube que o homem não tinha dito isso para mim, mas porque tinha recebido um troco menor”.

"Um dos conselhos que nos deu Don Juan foi que durante nossa formação como guerreiros nos abstivéssemos de empregar o que ele chamava 'ferramentas para a perpetuação do eu.'

Incluía nessa categoria objetos tais como os espelhos, exibição de títulos acadêmicos e os álbuns de fotos com história pessoal. Os bruxos do seu grupo tomavam esse conselho literalmente, mas os aprendizes não se importavam. Porém, por alguma razão, eu interpretei seu comando de forma extrema desde então eu nem permito ser fotografado”.

"Certa vez, enquanto eu proferia uma conferência, expliquei que as fotos são uma perpetuação do auto-reflexo e que minha relutância tinha como objetivo manter uma cômoda incógnita ao redor de minha pessoa. Depois eu descobri que certa senhora que estava entre os assistentes e que se dava ar de guia espiritual, havia comentado que, se ela tivesse a minha cara de garçom mexicano, ela tampouco se deixaria fotografar”.

"Ao observar as manhas da importância pessoal e o modo homogêneo com que contamina todo o mundo, os videntes dividiram aos seres humanos em três categorias, para as quais don Juan pôs os nomes mais ridículos que pôde achar: os mijos, os peidos e os vômitos. Todos nós nos ajustamos em um deles”.

"Os mijos se caracterizam por seu servilismo; eles são aduladores, pegajosos e enjoados. É o tipo de gente que sempre quer lhe fazer um favor; cuidam de você, o previnem, paparicam.

Eles têm tanta compaixão na alma! Mas desse modo eles mascaram um fato real: eles não têm iniciativa própria e por si só nunca chegam a nada. Eles precisam de um comando alheio para sentir que estão fazendo algo. E, para sua desgraça, eles dão por certo que os outros são tão amáveis quanto eles; por isso sempre são feridos, decepcionados e chorosos.

"Os peidos, por outro lado, são o extremo oposto. Irritantes, mesquinhos e auto-suficientes, constantemente se impõem e interferem. Uma vez que agarram você, não o deixam em paz. Eles são as pessoas mais desagradáveis com quem você pode se encontrar. Se você está tranqüilo, chega o peido e o enrola em seus jogos, usando-o de toda forma possível. Eles têm um dom natural para serem os manda-chuvas e os líderes da humanidade. São os que chegam a matar para conservarem o poder.

"Entre essas categorias estão os vômitos. Neutros, nem se impõem nem se deixam guiar. São presunçosos, ostentosos e exibicionistas. Dão a impressão de que são grande coisa, mas não são nada. Tudo é alarde. São caricaturas de pessoas que pensam ser muito, mas, se você não lhes presta atenção, eles se desfazem em sua insignificância".

Alguém da platéia lhe perguntou se pertencer a uma dessas categorias é uma característica obrigatória, quer dizer, uma formação concreta em nossa luminosidade.

Respondeu:

"Ninguém nasce assim, nós nos fazemos assim! Caímos em um ou outra dessas classificações por causa de algum incidente mínimo que nos marcou quando éramos crianças, como pode ser a pressão de nossos pais ou outros fatores imponderáveis. A partir daí, e conforme crescemos, vamos nos envolvendo de tal modo na defesa do eu, que chega um momento em que nós já não nos lembramos do dia em que deixamos de ser autênticos e começamos a atuar.

Assim, quando um aprendiz entra no mundo dos bruxos, sua personalidade básica está tão formada que já nada pode fazer para desfazê-la e só lhe resta rir de tudo isso”.

"Mas, apesar de não ser nossa condição congênita, os bruxos podem perceber o tipo de importância que nós nos concedemos através de seu ver. E isso é possível porque modelar nosso caráter durante anos produz deformações permanentes no campo energético que nos cerca".

Carlos continuou explicando que a auto-importância se alimenta da mesma classe de energia que nos permite "ensonhar". Portanto, perdê-la é a condição básica do nagualismo, porque libera para nosso uso um excedente de energia; porque sem essa precaução, o caminho do guerreiro poderia nos converter em umas aberrações.

"Isso é o que aconteceu a muitos aprendizes. Eles começaram bem, acumulando sua energia e desenvolvendo suas potencialidades. Mas eles não perceberam que, à medida em que conseguiam poder, eles também nutriam em seu interior um parasita. Se nós vamos ceder às pressões do ego, é preferível que o façamos como homens comuns e normais, porque um bruxo que se considera importante é a coisa mais triste que há.

"Considerem que a importância pessoal é traiçoeira; pode se disfarçar debaixo de uma fachada de humildade quase impecável porque não tem pressa. Depois de uma vida inteira de práticas, basta um mínimo descuido, um pequeno deslize e ali está ela, novamente, como um vírus que foi incubado em silêncio ou como essas rãs que esperam durante anos debaixo da areia do deserto e com as primeiras gotas de chuva despertam de sua letargia e se reproduzem”.

"Tendo em conta sua natureza, é o dever de um benfeitor esporear a importância do aprendiz até que esta exploda. Não pode ter piedade. O guerreiro deve aprender a ser humilde pelo caminho mais árduo ou não terá a menor oportunidade frente aos dardos do desconhecido”.

"Dom Juan fustigava seus discípulos até a crueldade. Ele nos recomendava uma vigilância de vinte e quatro horas diárias para manter distância dos tentáculos do eu. Claro que não lhe dávamos a devida atenção! Salvo Eligio, o mais adiantado dos aprendizes, todos os outros se entregavam de um modo vergonhoso às nossas tendências. No caso da Gorda isso foi fatal".

Contou a história de Maria Helena, uma discípula adiantada de don Juan que havia desenvolvido um grande poder como guerreira, mas que não soubera controlar os maus hábitos de sua etapa humana.

"Ela pensou que tinha tudo sob controle e não era assim. Ainda lhe restava um interesse muito egoísta, um apego pessoal; esperava coisas do grupo de guerreiros e isso acabou com ela”. "A Gorda se sentia ofendida comigo porque me considerava incapaz de dirigir os aprendizes até a liberdade e nunca me aceitou como o novo nagual. Uma vez que a força diretiva de DJ desaparecera, ela começou a reprovar minha insuficiência, ou melhor, minha anomalia energética, sem levar em consideração que isso era um comando do espírito. Pouco depois, ela se aliou com os genaros e as irmãzinhas e começou a se comportar como se ela fosse a líder do grupo. Mas o que terminou de exasperá-la foi o sucesso público de meus livros”.

"Certo dia, em uma explosão de auto-suficiência, reuniu a todos, prostrou-se diante de nós e gritou: 'Bando de idiotas! Eu me vou!”.

"Ela conhecia o exercício do fogo interior, por meio do qual podia mover seu ponto de aglutinação até o mundo do nagual para se reunir com don Juan e don Genaro. Mas naquela tarde ela estava muito agitada. Alguns dos aprendizes tentaram acalmá-la e isso a enfureceu ainda mais. Eu não podia fazer nada. A situação havia sobrepujado meu poder. Depois de um esforço brutal e nada impecável, acometeu-a uma embolia cerebral e caiu morta. O que a matou foi sua egomania".

Como moral desta história estranha, Carlos acrescentou que um guerreiro nunca se deixa levar até a loucura, porque morrer de um ataque de ego é o modo mais estúpido para se morrer.

"A importância pessoal é homicida, trunca o livre fluxo da energia e isso é fatal. Ela é a responsável pelo nosso fim como indivíduos e chegará o dia em que nos elimine como espécie.

Quando um guerreiro aprende a deixar sua auto-importância de lado, seu espírito se abre, jubiloso, como um animal selvagem que é liberado de sua jaula e posto em liberdade”.

"A importância pessoal se pode combater de diversos modos, mas primeiro é necessário saber que está aí. Se você tem um defeito e o reconhece, já é meio caminho andado!”.

"Assim, antes de mais nada, dêem-se conta disso. Peguem uma cartolina e escrevam nela:

'A importância pessoal mata', e pendurem-na no lugar mais visível da casa. Leia essa frase diariamente, tente se lembrar dela no seu trabalho, medite sobre ela. Talvez chegue o momento em que seu significado penetre em seu interior e você decida fazer algo. O dar-se conta é por si mesmo uma grande ajuda porque a luta contra o eu gera seu próprio impulso.

"Ordinariamente, a importância pessoal se alimenta de nossos sentimentos, que podem ir do desejo de estar bem e ser aceito pelos outros, até a arrogância e o sarcasmo. Mas sua área de ação favorita é a compaixão por si mesmo e pelos demais. De forma que para espreitá-la, temos, acima de tudo, que decompor nossos sentimentos em suas mínimas partículas, descobrindo as fontes das quais se nutrem”.

"Os sentimentos raramente se apresentam em uma forma pura. Eles se disfarçam. Para os caçar como coelhos, nós temos que proceder sutilmente, com estratégias, porque eles são rápidos e não se pode entrar em acordo com eles”.

"Podemos começar com as coisas mais evidentes, como por exemplo: por que me levo tão a sério? Quão apegado estou? A que dedico meu tempo? Estas são coisas que nós podemos começar a mudar, acumulando energia suficiente para liberar um pouquinho de atenção. E isso, por sua vez, permitirá que entremos mais no exercício”.

"Por exemplo, em vez de passar horas a fio vendo televisão, indo fazer compras ou conversando com nossos amigos sobre coisas transcendentais, nós poderíamos dedicar uma pequena parte desse tempo para fazermos exercícios físicos, recapitular nossa história ou então ir sozinhos a um parque, tirar os sapatos e caminhar descalços na grama. Parece algo simples, mas com essas práticas nosso panorama sensorial se redimensiona. Recuperamos algo que sempre esteve aí e que tínhamos dado por perdido”.

"A partir dessas pequenas mudanças, podemos analisar elementos mais difíceis de detectar, nos quais nossa vaidade se projeta até a demência. Por exemplo: quais são minhas convicções? Eu me considero imortal? Sou especial? Mereço que me considerem? Este tipo de análise entra no campo das crenças, a mera fortaleza dos sentimentos. Assim devem empreender essa análise através do silêncio interno, estabelecendo um fervoroso compromisso com a honestidade. Caso contrário, a mente fará uso de todo tipo de justificativas".

Carlos acrescentou que estes exercícios devem ser feitos com um sentido de alarme, porque, verdadeiramente, trata-se de sobreviver a um poderoso ataque.

"Percebam que a importância pessoal é um veneno implacável. Nós não temos tempo e o antídoto é a urgência. É agora ou nunca!”.

"Uma vez que vocês tenham dissecado seus sentimentos, devem aprender como canalizar seus esforços mais além da faixa do interesse humano, até o lugar da não piedade. Para os videntes, esse lugar é uma área de nossa luminosidade tão funcional como é a área da racionalidade. Nós podemos aprender a avaliar o mundo de um ponto de vista desapegado, da mesma que nós aprendemos, quando crianças, a avaliá-lo a partir da razão. Só que o desapego, como ponto de enfoque da atenção, está muito mais próximo da realidade energética das coisas”.

"Sem essa precaução, a convulsão emocional resultante do exercício de espreitar a nossa auto-importância pode ser tão dolorosa que o aprendiz pode ficar louco ou ser levado ao suicídio. Quando ele aprender a contemplar o mundo a partir da não compaixão, intuindo que por trás de toda a situação que implique um desgaste energético há um universo impessoal, o aprendiz deixa de ser um nó de sentimentos e se torna um ser fluido”.

"O problema da compaixão é que nos obriga a ver o mundo através da auto-indulgência.

Um guerreiro sem compaixão é uma pessoa que conseguiu se colocar no centro da frieza e ele já
não se compadece no "pobrezinho de mim". É um indivíduo normal, só que, como não tem piedade por suas fraquezas nem pelas das demais pessoas, conseguiu aprender a rir de si mesmo.

"Um modo de definir a importância pessoal, é entendendo-a como a projeção de nossas fraquezas através da interação social. É como os gritos e atitudes prepotentes que adotam alguns animais pequenos para dissimular o fato de que na realidade eles não têm defesas. Somos importantes porque nós temos medo, e quanto mais medo, mais ego.

"Porém, e afortunadamente para os guerreiros, a importância pessoal tem um ponto fraco:

ela depende do reconhecimento para subsistir.

Como a pipa, ela precisa de uma corrente de ar para ascender e ficar no alto; caso contrário, cai feito pedra e se quebra. Se nós não damos importância à importância, esta se acaba.

"Sabendo isto, um aprendiz renova suas relações. Aprende a escapar daqueles que o consentem e freqüenta a esses a que nada humano lhes importa. Busca a crítica, não a lisonja. De vez em quando começa uma vida nova, apaga sua história, muda nome, explora novas personalidades, anula a sufocante persistência de seu ego e leva a si mesmo a situações limite nas quais o autêntico é forçado a assumir o controle. Um caçador de poder não tem piedade, não busca o reconhecimento ante os olhos de ninguém”.

"A não compaixão chega de surpresa. A ela se intenta pouco a pouco, durante anos de pressão contínua. Mas acontece de repente, como uma vibração instantânea que quebra nosso molde e nos permite olhar para o mundo a partir de um sorriso sereno. E pela primeira vez em muitos anos, sentimo-nos livres do terrível peso de sermos nós mesmos e vemos a realidade que nos cerca. Uma vez aí já não estamos sozinhos; um incrível empurrão nos espera, uma ajuda que vem das entranhas da águia e nos transporta por um milissegundo a universos de sobriedade e sensatez”.

"Ao não termos compaixão, podemos enfrentar com elegância o impacto de nossa extinção pessoal. A morte é a força que dá ao guerreiro valor e moderação. Só olhando através de seus olhos nos damos conta de que nós não somos importantes. Então ela vem viver ao nosso lado e começa a nos transmitir seus segredos”.

"O contato com sua transcendência deixa uma marca indelével no caráter do aprendiz.

Este entende de uma vez por todas que toda energia do Universo está conectada. Não há um mundo de objetos que se relacionam entre si através de leis físicas. O que existe é um panorama de emanações luminosas inextricavelmente ligadas, no qual nós podemos fazer interpretações na medida em que o poder de nossa percepção o permita. Todas as nossas ações contam, porque elas desencadeiam avalanches no infinito. Por isso nenhuma vale mais que outra, nenhuma é mais importante que outra”.

"Essa visão corta de uma vez só a tendência que nós temos de ser indulgentes com a gente mesmo. Ao ser testemunha do vínculo universal, o guerreiro cai presa de sentimentos desencontrados. Por um lado, júbilo indescritível e uma reverência suprema e impessoal por tudo que existe. Por outro, um sentido de fim inevitável e tristeza profunda que nada tem que a ver com a auto-compaixão; uma tristeza que vem do seio do infinito, uma rajada de solidão que nunca desaparece”.

"Esse sentimento depurado dá para o guerreiro a sobriedade, a fineza, o silêncio de que ele precisa para intentar aí onde todas as razões humanas fracassam. Em tais condições, a importância pessoal fenece por si mesma".

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Uma mensagem poderosa

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Palavras sobre o Xamanismo

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Aloha!


Quando me convidaram para escrever sobre Xamanismo neste portal fiquei um tempo meditando.

O que escreveria, de que forma colocar algo sobre o xamanismo que abranja o heterogêneo público que visita tais locais virtuais, pessoas com diferentes vidas singulares.

Poucos param para meditar como nossa vida, nosso dia a dia afeta profundamente nossa linguagem, nossa compreensão de mundo, poucas pessoas se detém para meditar, ao menos uma vez por dia, sobre os eventos que estão ocorrendo, sobre "sua" (?) vida, sobre o que faz, o que sente e o que pensa.

Usamos a linguagem, mas poucas vezes paramos pra meditar que somos criaturas de sintaxe, nossa compreensão do mundo está associada a forma de nossa linguagem, descrevemos um mundo, tecemos uma descrição de mundo que tomamos por "realidade".

Somos fruto de todo um processo civilizatório, recebemos influências das mais diversas e nossa "compreensão" de mundo é uma "descrição", uma descrição muitas vezes cheias de contradições interiores, muitas de nossas "teorias" de mundo pouco funcionam na realidade, os eventos nos jogam na cara que temos muitas "teorias" que na prática do dia a dia não funcionam, mas temos amortecedores que nos permitem conviver com descrições contraditórias de mundo sem perceber diretamente isso.

Não é a toa que de tempos em tempos algumas pessoas piram na sociedade, entram em choque com a visão de mundo que tem e o mundo que está de fato lá fora e então profundos questionamentos surgem, questionamentos sobre a existência em vários níveis, vários aspectos.

Algumas pessoas tentam fugir disso, usam os mais diversos recursos para se alienarem dos fatos, para manter uma "descrição" da realidade que lhes permita continuar em suas mesmas vidas, que lhes permita continuar sem muito esforço, "sobrevivendo".

Mas outras parecem ter uma inquietude interior que não lhes permite acomodar-se com "desculpas", "teorias consoladoras", "promessas de um paraíso após a morte", algumas pessoas querem entender melhor o mundo, este mundo, onde estamos e buscam tal compreensão mais apurada para que a partir dela possam se inserir melhor na realidade, na vida efetiva e agir de tal forma que alcancem de fato suas metas e não fiquem apenas tergiversando, apenas com justificativas e desculpas, mas tenham de fato uma vida de realização.

Isto é raro, muito raro, pessoas que realizam, pessoas que vivem como querem viver.

O xamanismo que falo aqui é um xamanismo guerreiro, um xamanismo de quem se propõe a estar no mundo de forma plena , atingir o SER e não apenas o sobreviver.

Estudando alguns caminhos xamânicos, em conjunto com outros caminhos, numa abordagem transdisciplinar, fui percebendo que existe um xamanismo que é uma tradição emanada da aurora dos Tempos, um xamanismo praticado por irmandades de homens e mulheres através de eras e eras.

E ao descobrir isso, percebi também que toda a história tal qual contam para nós tem problemas sérios em sua realidade.

Primeiro porque ouvimos a história dos conquistadores, dos povos que tiraram nativos da África e trouxeram para a América, onde já estavam destruindo, pela morte do corpo, ou convertendo e matando a alma, os nativos que aqui viviam há muito, muito tempo, milhares de anos, com culturas próprias, complexas, fascinantes culturas, dotadas de grande magia mas comprovadamente com fragilidades.

A visão de realidade restrita, bitolada mesmo, do Conquistador permitiu que tivessem êxito, levou a uma habilidade de destruir povos com amplitudes vastas de percepções, povos que foram atacados e explorados em sua ingenuidade e honra.

Se estudarmos a qualidade de vida dos povos dizimados e a do Conquistador vamos notar que os paradigmas dos Conquistadores eram muito menos eficientes para a sobrevivência frente a realidade que os dos conquistados, o Conquistador não tinha nenhuma abordagem ecológica ou sistêmica da realidade, só queria conquistar, tirar o que lhe servia e "cuspir o bagaço", tem sido assim, desde a conquista deste continente, recursos naturais sendo levados embora e a área degradada e poluída deixada como pagamento.

Portanto, este é um dado muito interessante que nos salta a vista quando estudamos que existe todo um risco de extinção pairando sobre muitas espécies, gerado pela nossa cultura exploradora, já extinguimos um número elevadíssimo de espécies animais e vegetais, mudamos vários locais do mundo, temos um risco de extinção de toda a vida, gerada pelas armas de guerra, milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo, algumas em mãos fanáticas que não temem destruir tudo em nome de suas crenças, pensando em tudo isso fica claro que este modelo civilizatório que aí está, embora tenha desenvolvido uma tecnologia específica muito forte, embora tenha dado alguns avanços na medicina(mas é incapaz de curar uma gripe), este sistema está superado.

Se quisermos apenas sobreviver, já precisamos questionar os estilos dominantes, politicamente, economicamente, socialmente, existencialmente, em todos os setores da vida humana sabemos que as respostas desse sistema que aí está não são satisfatórias.

Agora se quisermos mesmo "VIVER" aí sim precisamos ir longe, precisamos ousar olhar para esta porta lateral, que de vários modos o sistema dominante tenta manter oculta, despercebida, uma porta que leva para outra realidade, uma porta que pode nos levar para os paradigmas de outros povos, para caminhos com uma descrição de realidade e propostas de ação que estão muito distantes do que esse sistema dominante quer manter como "única e possível" forma de viver e compreender a realidade.

Não precisamos ler autores místicos para compreender isso, creio que até é perigoso frente a literatura escapista que há por aí sobre o tema, lendo Alvin Toffler, "A Terceira Onda", já teremos muita informação sobre essa transição da Onda Industrial para uma "terceira onda", com novos paradigmas, inclusive paradigmas ecológicos e espirituais.

A questão é que tanto "ecológico" como '"espiritual" foram termos açambarcados por instituições e pessoas que usaram o termo em sentidos limitados, em sentidos muito distantes de sua amplitude original, assim estes termos ficaram empobrecidos e confundem a muitos.

O Xamanismo é uma das respostas que outras culturas tem ao desafio da vida, não é apenas "habilidade de certos homens e mulheres de entrar em transe, por indução do som de tambores, danças exaustivas ou ingestão de substâncias alucinógenas", é muito mais que isso, é o complexo sistema de relação com a natureza que povos diversos tiveram por eons.

Pra começar a forma destas outras culturas sentirem a vida, a si mesmas, aos outros entes existentes, considerando inclusive realidades, mundos paralelos e seus habitantes, algo que a Ciência oficial ainda nega, enfim, a forma de estar e ser no mundo de outros povos é bem diferente da atual, da civilização dominante, portanto o xamanismo exige mudanças perceptivas e paradigmáticas para ser realmente "praticado" e não apenas "imitado" ou ainda "seguido", xamanismo pela sua estrutura mesma não é para ser "seguido" , mas sim praticado.

Xamanismo é uma complexa teia de atitudes, práticas, tradições que remontam a milênios e que vem sendo praticadas por muitos povos, povos que estão ameaçados de sumirem da história e desta realidade pela ação invasiva e sem ética dos chamados "civilizados".

Não estou pregando o mito do bom selvagem, mas devemos entender que os jogos de poder das classes governantes, dos que se intitularam nobres, aristocracia, que por determinadas e indeterminadas razões, se arvoraram em descrever o que era certo e errado para a humanidade, geraram uma civilização interessada no saque, sem se preocupar que o genocídio de todo um povo ocorresse.

Os paradigmas predominantes na civilização dominante estão embasados em guerras de conquista, saque, genocídio, humanos conquistando e escravizando humanos, uso do ser humano como objeto, valores violentos que muitos tem por "natural" no ser humano.

É muito sério pensar sobre isso, os "donos do poder" gostam de gerar uma idéia que o mundo é "assim", que não existe outro caminho.

Mas a realidade está mudando, há pouco mais de 50 anos atrás falar de indústrias que não agredissem o meio ambiente, deste a coleta de matéria prima até a entrega do produto ao cliente, e, ainda, ajudassem a comunidade onde estavam inseridas em práticas de consciência ao meio ambiente poderia parecer piada, hoje toda empresa que queira manter seu ISO 14000 age assim.

Mas não podemos esquecer que junto aos saqueadores vieram aqueles que só queriam "um novo lar", queriam se estabelecer aqui e gerar uma nova história de vida. Estes sempre foram explorados pelos "conquistadores" que buscavam usar dos serviços de todos (escravos e homens livres) para enriquecer logo e poder ostentar a riqueza na "corte".

Vieram também os que tinham por função e missão zelar pelo que acreditavam ser a "vontade de Deus", usando de todos os meios para "impor" sua "conversão".

Essas três classes, exploradores, fugitivos (com várias causas) e sacerdotes de um culto proselitista, que tinham o poder como " presente de Deus" e só admitiam suas idéias, levando no fogo da Inquisição e suas torturas quem insistisse em manter-se fiel aos antigos ritos, aos antigos costumes, vieram para este continente e usando armas, suas doenças para as quais os nativos não tinham defesa, usando de divisões internas nas nações nativas já expostas ao imperialismo de outras, souberam agir de forma rápida e direta e em menos de dois séculos de ação já dominavam o continente como um todo, suprimindo a presença nativa, destruindo suas histórias, o que podiam de seus monumentos, destruindo tudo que pudesse lembrar que uma civilização com respostas muito mais inteligentes e eficientes frente a realidade da existência existira ali.

Todo o saber dos templos, das tradições secretas dos povos nativos foi sendo perseguido e a parte “exotérica" caiu quase completamente, pois era mantida nas danças, nas histórias, nas tradições, nos costumes diários de uma civilização e a maior parte das povoações foram obrigadas a abandonar seus estilos milenares de vida e adotar o estilo imposto pelo conquistador, inclusive seu deus único e seus deuses menores, como os santos e anjos.

A sociedade dominante, branca, européia, cristã e mercantilista se impunha, impunha seus valores e o Xamanismo fica cada vez restrito a grupos que escapam da perseguição se refugiando em locais distantes ou disfarçando-se de "convertidos" e bons "servos".

Portanto, o xamanismo passou por uma época de profunda repressão durante a invasão deste continente, muitos grupos foram perseguidos, templos e livros queimados, estátuas que tinham bem mais que a representação de imagens, mas sim de princípios cósmicos, tudo destruído em nome da "Verdadeira Fé" .

Dentro dessa compreensão vamos perceber que muitos caminhos xamânicos se extinguiram, assim como as civilizações que os geraram, foram ou destruídos completamente ou absorvidos em adaptações que acabaram deturpando irremediavelmente o conhecimento original e só a forma, não o conteúdo, foi mantida , gerando assim ritos e práticas que tem um "apelo" visual, mas não a função de manipular conscientemente a energia que está em tudo.

É muito importante perceber isso, existem práticas realizadas por xamãs em vários povos e tradições que estão ligadas a uma adaptação realizada nessas difíceis condições de opressão, assim há uma forma externa, tanto na prática ritualística, como nas lendas e informações transmitidas, que agrada o opressor, de acordo com sua religião e tal, e há uma prática profunda, podemos dizer "esotérica" onde os paradigmas ancestrais, onde o conhecimento em si é passado.

O Xamanismo em muitas de suas vertentes secou antes de chegar a nós, assim, por vezes ,temos leitos secos, conhecimentos fragmentados, práticas que misturam cristianismo dos conquistadores com outras práticas suas, temos muitas vezes um conjunto de informações e saberes que estão agora numa lingugem tão diferente da original que um praticante antigo nem reconheceria.

Temos crenças católicas, crenças com paradigmas totalmente alienígenas para as tradições nativas, agora misturadas com tradições que se apresentam como xamânicas, é importante observar isso para sabermos tirar os 500 anos de opressão e conquista do saber das Idades que havia nestas terras e em muitos de seus povos.

Mas os estudos nos revelam que nem só a destruição foi presente.

Alguns grupos, formados de poucos homens e mulheres, conseguiram escapar as várias fases da conquista deste continente, que começa com a ascensão de povos imperialistas aqui mesmo, culminando nos Incas e Astecas até a invasão do continente pelos Íberos e depois por povos de várias procedência da Europa.

Estes homens e mulheres começaram a reavaliar seu conhecimento, seu saber, seu poder.

Por que eles, homens e mulheres, aparentemente, sabedores dos mesmos "mistérios" daqueles outros homens e mulheres, sobreviveram, conseguiram escapar, o poder lhes foi "funcional", enquanto outros (as) não puderam salvar seus povos, sequer puderam salvar a si mesmos?

Esta questão é fundamental, pois é uma questão de sobrevivência.

Magistas de apartamento, que se contentam com visões astrais e experiências em "outras dimensões", quando virem sua casa invadida por um ladrão poderão ter uma noção do que estamos falando, não basta "espiritualizar".

Isso muda muito, pois ao invés de uma visão desse mundo como "inferior", mais "denso" como muito do ocultismo vindo da Europa prega, o Xamanismo vê esta realidade como "a outra face da moeda" e todos os outros mundos, todas as outras realidades, como "outra face da moeda".

Há uma descrição da realidade como vasta cebola, estamos apenas numa das camadas da cebola, nem superior nem inferior a nada, apenas mais uma camada.

E estamos aqui e agora na vida cotidiana e é aqui e agora o lugar e a hora de provar se tua magia funciona para o mínimo que se espera, te proteger de fato, te manter vivo e presente.

Muitos(as) nativos(as) não conseguiram isso, morreram de forma na maior parte das vezes cruel pela insanidade dos Conquistadores, com as benção da Cruz.

MAs os (as) que sobreviveram continuaram a Tradição, de boca para ouvido.

Aprofundaram seus estudos e práticas e descobriram um fato determinante:

"Poder pessoal"

Somos o poder pessoal que temos, quando nosso estilo de vida nos leva a armazenar e ampliar nosso poder pessoal os resultados do caminho se tornam plenos, operantes, para quem apenas gasta energia sem nenhum senso, que apenas dissipa a energia que metabolizamos em nós, para essas pessoas a vida é sempre "complicada".

Era o "poder pessoal" que salvara aqueles homens e mulheres e então o comportamento dos (as) praticantes de xamanismo se tornou uma busca de atitudes estratégicas, um agir não por princípios prontos, mas pelo uso equânime da energia pessoal.

Para tais praticantes conhecimento só existe se posso expressar o que digo conhecer em atos, pelo meu corpo, senão é só um "conto de poder", tem seu valor, mas o que conta no Xamanismo são os "atos" de poder, não podemos esquecer que o Xamanismo vem de povos práticos, objetivos, onde a vida era um risco constante, onde sabiam da importância da harmonia dos ciclos da natureza, para o alimentar do corpo.

Entre estes povos existiam homens e mulheres, xamãs, sabiam que tínhamos um outro corpo, um corpo de pura energia e que aprendendo a desenvolver esse corpo e as percepções dele, podemos entrar em outras realidades, podemos realizar "prodígios".

E um conjunto complexo de práticas foi mantido, práticas para ampliar a consciência, para entrar com pleno controle de si em outros mundos, para aprender a lidar com plantas e animais, com minerais, com seres de outras realidades e com outras realidades, com a energia pura, para que tudo isso pudesse ser estudado e usado para os fins devidos, os fins que cada xamã sabe sentir , pois antes de mais nada o xamanismo busca harmonia com a Vida, com a existência e sabe que quando estamos em harmonia com as forças que compõe a existência tudo flui melhor, os resultados do viver são muito mais satisfatórios.

Daí que é muito difícil encontrar alguém que trilhe verdadeiramente os caminhos do Xamanismo e esteja sempre infeliz, em crise ou resmungão de si e do mundo.

Quando recuperamos nossa plena sintonia com o Ser Terra uma insatisfação profunda, um estado de carência e incompletude que a maior parte dos seres humanos parece sentir some, pois a conexão plena com o Ser Terra nos coloca em uma energia diferente, em uma condição vibratória que podemos chamar de " plenitude" tal sensação.

O xamanismo, pela sua práxis, libera conexões energéticas entre quem pratica e a natureza, desobstrui o fluir da energia tanto da natureza para conosco, como de nós mesmos para a natureza, assim sendo a energia fluindo livremente teremos um estado de SER que não permite esse tipo de emoção que apenas gasta energia, que não nos amplia ou realiza.

Agora é moda as pessoas justificarem seus comportamento com "preciso me liberar", " não posso reprimir" e tal e com essa desculpa se entregam a seus caprichos e limites ao invés de trabalha-los de forma criativa, que permita mudar o foco, que permita desenvolver estilos de Ser e Agir que lidem de forma estratégica com nossa energia pessoal.

De fato repressão não é o caminho, o xamanismo propõe um estudo de nós mesmos em primeiro lugar, antes de ir estudar o que está a nossa volta , para evitar ficar decorando fórmulas prontas ao invés de sentir.

O xamanismo trabalha com o viajar até nossas dimensões de Sombra e de Luz e integrar ambas, com total força, sem minar nosso poder pessoal.

Desenvolver a sensibilidade, o xamanismo propõe que nos tornemos primeiro conscientes de nós mesmos, de quem somos de fato, do que somos de fato capazes de FAZER e não apenas racionalizar.

Precisamos nos observar para compreender que o xamanismo é uma abordagem completamente diferente da vida como um todo, do que a abordagem que nos ensinaram nesta civilização, ainda presa em paradigmas da era industrial, paradigmas que coisificaram a natureza, tornando-a morta e mera fornecedora de matéria prima.

O xamanismo vê tudo como uma realidade viva, consciente, há vários graus de consciência na Realidade, cada um operando com suas forças e princípios.

O ser humano entrou numa linha de vida ultra especializada, decodifica e compreende cada vez de forma mais complexa a vida e suas manifestações, DNA, Mundo sub-atômico, Teoria da Supercorda, mas VIVER foi deixado de lado pelo mero "sobreviver".

Uma diferença fundamental entre os povos nativos e os civilizados é que nas aglomerações chamadas cidade a maior parte das pessoas não vive, sobrevive, geralmente em trabalhos que detesta , em situações e lugares que não gosta, sonhando que "um dia vai mudar", mas geralmente morrendo antes de ver essa mudança, aí as crenças que tantos gostam de paraísos e promessas pós morte.

Interessante como as pessoas desta civilização foram levadas a crer que só os meios usados aqui tem valor, um defensor da atual civilização pode usar a tecnologia, as explicações cientificas e tal como mostra da "superioridade" desta civilização, pode querer mostrar uma nave espacial explorando o sistema solar, mas levaria a sério o fato que os(as) xamãs em seus corpos de energia vão não só a outros planetas como a outros mundos?

São abordagens diferentes da realidade a que hoje temos e a dos(as) xamãs ancestrais, mas só a arrogância da atual civilização pretende fazer "inferior" o saber tradicional.

Viver, transformar de uma forma radical, profunda nossa relação com a realidade circundante, isso é "PRATICAR" Xamanismo e é bem diferente de "ler algo sobre xamanismo".

O xamanismo é algo intenso, só de '' desejar" entrar em contato com tal caminho, quando efetivo o querer e real o caminho, já evocamos um tipo de energia que alimentada foi por milhares de anos por praticantes, gerações incontáveis a dinamizaram, assim, conectar com estas correntes já colocam em ação forças sutis, assim, só deve se aproximar do xamanismo quem está de fato pronto, do contrário vai gerar muita confusão em sua própria vida, quando contraditoriamente quiser manter a vida que estará sendo soprada para longe pelos potentes e mágicos ventos da tradição xamânica.

Pois podemos usar aqui uma afirmação dos alquimistas: 'Quando nos propomos a uma busca sincera da Verdade, a Verdade com a mesma sinceridade e empenho que revelamos, sai a nos buscar".

O Xamanismo tem várias vertentes, herdeiras de caminhos diferentes, alguns caminhos xamânicos se perdem na aurora dos Tempos, outros foram criados mais recentemente, alguns tem a experiência acumulada de milhares de anos, incontáveis gerações de praticantes que foram melhor elaborando o conhecimento antes de passá-lo adiante, outras tradições são interpretações recentes, feitas com alguns fragmentos que restaram após a conquista e perseguição dos povos nativos.

Vários povos deixaram profecias sobre a Tribo do Arco Íris, momento no qual, após a quase extinção do povo nativo, após a perseguição sistematizada do conhecimento ancestral, quando a Vida estivesse ameaçada, quando a Natureza houvesse sido poluída além de limites aceitáveis, uma nova tribo surgiria, com componentes de várias cores, eles herdariam o saber ancestral e juntos(as) ajudariam o Caminho da Harmonia a retornar.

Creio que estamos assistindo isso hoje, caminhos autênticos voltando a se revelar.

Claro que devemos tomar cuidado com as charlatanices também presente, com os pseudo caminhos.

Mas todas as tradições tem seu valor, cada um deve procurar aquela que lhe fala mais forte ao coração, pois só o caminho que ressona no coração vale a pena ser seguido.

Dedicar-se a prática do Xamanismo exige um trabalho sério e profundo sobre nós mesmos, o "que fizeram de nós" o conjunto de condicionamentos e reações automáticas que nos programaram para ser não serve no Xamanismo, Xamanismo é um caminho de expansão da consciência e antes de expandir a consciência precisamos "ter " consciência.

Há um modismo de xamanismo atualmente, o chamo de Xamanismo Fast Food.

Deve ter seu papel, creio que tudo na realidade tem sua função, mas o Xamanismo que estou falando aqui não é este, não é um xamanismo onde alguns "iniciados" vendem iniciações por um "preço xamânico", ou o xamanismo de fantasias e viagens psicológicas, confundindo o psicológico com o espiritual, que é algo muito mais amplo, o xamanismo de comprar objetos em lojas e acreditar que fazendo um curso de final de semana vai ganhar a carteirinha de "xamanista".

O xamanismo que estou falando aqui é uma proposta profunda, solitária, só nós e a Eternidade por testemunha.

O Xamanismo que estou falando aqui é fruto da coragem de abrir mão de tudo que nos ensinaram, de tudo que "fizeram de nós " e ousar ir além, ousar ir até aquele lugar silêncio, interior, intocado de qualquer programação, onde no silêncio , além da balburdia das teorias prontas, possamos ouvir nossa própria voz, possamos perceber as tremendas potencialidades que guardamos em nós.

É um Xamanismo que sabe que tudo que existe emanou de uma misteriosa Fonte, a Fonte que vai além de toda nossa compreensão.

Este xamanismo aprendeu que o grande desafio inicial é nossa realização aqui e agora, no espaço tempo onde estamos, ou corremos o risco de cair em fantasias e projeções de nossas carÊncias e medos na realidade energia que existe fora desta realidade.

É nascer para cada dia, é ousar morrer a cada noite, recolher-se no silêncio interior para que durante o sono nossa outra metade seja capaz de viver realidades outras, sem nenhum limite e a força destas duas partes que somos nós se manifeste na plenitude de nossas vidas, em harmonia.

Sobre isso falaremos aqui de tempos em tempos, sobre o Caminho , lembrando que há enorme diferença entre falar sobre o Caminho e trilhar o caminho.

Nuvem que passa