Missô, um milagre da Natureza

quarta-feira, 26 de março de 2014

MISSÔ - UM AGENTE ANTI-RADIOATIVO -  Lucette Morais - CRF/RS 3628
O missô é uma pasta de soja fermentada, muito utilizada na culinária japonesa. Sua origem é dividida pela China e pela Península Coreana, e há mais de uma teoria a respeito das modificações sofridas por esse alimento ao longo do tempo. Foram encontrados em sítios arqueológicos da Era Jomon um alimento feito de donguri (fruto do carvalho), que poderíamos chamar de jomon missô. Apesar disso, a palavra missô tem seu primeiro registro conhecido no ano de 901, na Era Heian.
Dizem que existem centenas de variedades de missô em todo o Japão, que podem ser classificadas pela cor (vermelha, branca ou cores claras), sabor (doce, adocicado ou salgado) e as diferentes combinações de ingredientes (soja com arroz, soja com trigo ou somente a soja), sempre tendo a soja como base. Apesar desta variedade, o processo de produção é semelhante: a soja é cozida no vapor, acrescida de sal e de um cereal fermentado (arroz, trigo, cevada ou ainda a própria soja) e colocada para fermentar, passando por um longo período de “maturação”, dando origem ao missô avermelhado. Para fabricar o missô branco, a soja é cozida diretamente na água e o período de maturação é menor.
Médicos e cientistas japoneses, há algum tempo, consideram a possibilidade de utilizar um alimento fermentando feito à base de soja e sal - “missô” como efetivo agente preventivo de doenças causadas pelas radiações. Em 1945, quando a bomba atômica foi jogada sobre Nagasaki, o hospital do Dr. Shinichiro, localizado a apenas uma milha do epicentro da explosão – ficou em ruínas. Felizmente, ele, suas enfermeiras e coajudantes não estavam no prédio e não foram atingidos. Durante os dois anos seguintes o Dr. Shinichiro e seu “staff” trabalharam diariamente, em contato íntimo com as vítimas do bombardeio em várias áreas de Nagasaki, pesadamente danificadas e com altos índices de radioatividade. Apesar disso, nem ele nem seus ajudantes sofreram os efeitos normais, previstos e esperados da radioatividade. Ele tornou-se extremamente interessado do fenômeno, encontrando evidências experimentais de que os óleos naturais  e o sal do “missô” e do tofu frito poderiam ter sido parcialmente responsáveis pelo efeito. Mesmo assim ele sentia que somente um completo estudo científico do fenômeno poderia vir a dar a resposta definitiva.
Em 1972, alguns cientistas japoneses trabalhando em pesquisas agrícolas, descobriram uma substância no “missô”, que denominaram Zybicolin. Produzido pelo “missô” e pela fermentação natural. Zybicolin tem a capacidade de atrair, absorver e descarregar elementos radioativos – como o estrôncio do corpo humano. Esta pesquisa foi estimulada pelos escritos do Dr. Sinichiro e a descoberta recebeu ampla publicidade de primeira página em todos os maiores jornais do Japão.
Existe um ditado sobre o missô que diz: “isha ni okane o harau yorimo, missoya ni harae” (do que pagar dinheiro a um médico, pague ao fabricante/vendedor de missô). Isso demonstra o grande valor nutritivo desse alimento. Uma colher de sopa de missô (19 g), contém cerca de 30 kcal, 2 g de carboidratos e proteínas e cerca de 15 mg de cálcio. Estão presentes também as vitaminas B2, B12 e E e enzimas que auxiliam na digestão, além de todos os nutrientes inerentes à soja.
Efeitos benéficos : Prevenção do câncer do estômago e de doenças gástricas, prevenção do envelhecimento, aceleração do metabolismo, eliminação das toxinas encontradas no corpo e proteção contra os males do cigarro e poluição do ar.

O Casal Alquímico: Análise

sexta-feira, 14 de março de 2014



A união do princípio feminino e do princípio masculino forma a divina alquimia.

O hexagrama representa aqui a união dos princípios feminino e masculino.

Nos quatro cantos vemos os símbolos dos quatro signos cardeais:
Áries (fogo), Câncer (água), Libra (ar) e Capricórnio (terra). Eles formam a cruz cardinal no céu e expressam também a união do feminino e do masculino.

No centro do hexagrama encontramos Mercúrio, o mensageiro celeste e divino, a força que unifica os opostos, por isto Mercúrio é o portador do famoso Caduceu.

Mercúrio está no centro da cruz e do hexagrama, por isto Mercúrio pode ser comparado a outras divindades míticas que cumprem a mesma função de unificar os opostos, por exemplo, Exu.

A Mulher-Lua e o Homem-Sol tem seus órgãos criadores cobertos pelo triângulo alquímico da água e do fogo.

Por isto foi escrito na sabedoria de Deus em mistério:

Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.

Grande é este mistério; Efésios 5:31-32.

Quando nos unimos a alguém sexualmente estabelecemos uma ligação energética que promove uma união em vários níveis: energético, cármico e espiritual. Isto possui diferentes implicações em nosso destino. Este é um dos ensinamentos desta imagem alquímica, por isto vemos presente o hexagrama que é chamado de "o tear do destino" e é a forma gráfica do arcano 6 do Tarô, os Enamorados ou os Amantes.

A união (ou ioga) dos princípios feminino e masculino são uma forma de gnose ou conhecimento, isto está contido na metáfora ou na lenda que liga-se à queda na primeira história do mito cristão. A árvore do conhecimento do bem e do mal só pode ser experimentada pela mulher e pelo homem.

Por isto foi escrito em Gênesis 16 e 30:

4 E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

3 Respondeu ela: Eis aqui minha serva Bila; recebe-a por mulher, para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu deste modo tenha filhos por ela. 4 Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a conheceu.

Na imagem ou conjunto de símbolos - arcano - desta postagem temos um resumo de toda a Gnose em código.

Paracelso dizia que podia resumir toda a sua ciência em dois símbolos: o pentagrama e o hexagrama. Os símbolos nos 4 cantos da imagem simbolizam as 4 formas de expressão da Gnose: Filosofia, Mística, Arte e Ciência.

Áries para a Filosofia, isto pode parecer estranho a primeira vista, mas a filosofia dentro da Gnose não é especulativa ou teórica, é uma práxis que visa a realização pessoal ou da presença divina Eu Sou (expressão característica de Áries) dentro de cada um.

Mística para Câncer, pois aqui estamos nas águas do sentimento devocional. Devoção é palavra-chave para o signo de Câncer.

Arte para Libra, o signo da beleza e do equilíbrio, regido por Vênus, Deusa da Beleza e do Amor.

E Ciência para Capricórnio, sempre pragmático, em busca de resultados, com os pés no chão, regido por Saturno, patrono da Ciência.

A contemplação e a meditação sobre este arcano alquímico é tão poderosa que pode nos revelar todos os arcanos maiores do Tarô, Tarô que é em si mesmo um mapa, um livro, um caminho, uma rota (anagrama da palavra Tarô) para o auto-conhecimento, uma gnosis.

Mercúrio no centro da imagem é a chave que abre todos os mistérios, pois Ele é o Deus do conhecimento, da sabedoria e da inteligência. Ele trabalha com a unidade dos opostos, com uma lógica dialética que descortina o véu do mistério.

Por exemplo, olhem para a serpente na mão esquerda do macho e para a taça na mão direita da mulher. O que a união destes dois símbolos lembram?

A união destes símbolos nos leva ao símbolo da medicina onde a serpente de Esculápio bebe na taça sagrada dos mistérios. Temos aqui, nesta figura alquímica, um dos objetivos máximos da Alquimia: a medicina universal.

E Esculápio é filho de Apolo, o Deus Sol, Divindade da Medicina.
Portanto o homem alquímico é o próprio Apolo e também um de seus
filhos, Esculápio ou Asclépios.

E se o homem sol representa Apolo, certamente a mulher representa a Deusa Lua, Diana, que é justo irmã de Apolo, temos de novo o casal alquímico, os Gêmeos Sagrados, o par perfeito das bodas alquímicas.

Apolo é a divindade que preside os oráculos, seu templo ficava na cidade de Delfos, o famoso oráculo de Delfos, que vaticinava o futuro de forma enigmática e na sua entrada via-se escrito a famosa frase gnóstica, a essência do caminho do auto-conhecimento:

NOSCE TE IPSUM

Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.

Esta frase é semelhante a outra proferida pelo Rabi da Galiléia, Jesus Cristo, Jeshua Ben Pandira, e que se devidamente compreendida levaria ao colapso de toda a religião institucional:

O Reino de Deus está dentro de vós.

Ou como vemos no Evangelho Gnóstico de Tomé:

Jesus disse: Se vossos guias vos disserem: ‘o reino está no céu', então as aves vos precederam; se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederam. Mas o reino está dentro de vós, e também fora de vós. Se vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza.

A questão central da Gnose é o auto-conhecimento e é justamente aí o nó górdio da questão, onde a porca torce o rabo e a ilusão se pensa realidade, pois as pessoas pensam, imaginam que se conhecem mas a realidade é bem outra e constatamos a nossa miséria e ignorância quando se trata da gnose interior.

Como obter esta Gnose? Como nos conhecer verdadeiramente? Como podemos nos iluminar e chegar ao verdadeiro e legítimo despertar da consciência?

Estas perguntas são parcialmente respondidas na própria imagem alquímica, quando ela mostra a unidade dos opostos e a unidade dos opostos ou dos diferentes revela a idéia de relação e a nossa condição de seres sociais.

O outro é o espelho no qual eu me vejo, é através do outro que percebo a mim mesmo, meus defeitos, minhas qualidades, minhas fraquezas e meus poderes. As relações sociais são o grande campo de treino onde eu saio de mim mesmo para perceber-me. Através do outro eu descubro o meu inferno pois como já disse Sartre: o inferno são os outros.

O casamento, por exemplo, é um dos melhores ginásios gnósticos e psicológicos que pode existir, nele, através dele conhecemos o céu e o inferno como resultantes do modo como nos relacionamos com o outro.

Eu e o outro são temas de dois signos presentes na imagem alquímica que analisamos: Áries e Libra, casa 1 e casa 7 do mapa astrológico, é neste eixo que podemos ver a nós mesmos e nos conhecer.

Nas relações tenho o material psíquico para ser observado, estudado, analisado e digerido. Mas como fazer isto? Quais as técnicas? Qual o método que permite a observação, estudo, compreensão e digestão deste material psíquico?

1 – Observação de si
2 – Meditação

3 – Recapitulação

Nestas técnicas estão a base do Trabalho de Auto-Conhecimento e estes serão os temas que trataremos sob o título de O TRABALHO.

As 4 Faces da Deusa

terça-feira, 11 de março de 2014

Quando vamos abordar a questão do feminino temos que levar em consideração muitos aspectos.

Por esta razão nos artigos anteriores procurei localizar o tema dentro de um contexto mais amplo, demonstrando que estamos dentro de uma cultura de valores patriarcais.

Essa cultura patriarcal é um fenômeno histórico, que se desenvolve no tempo e no espaço numa interação dialética entre vários fatores, fatores esses que, a meu ver, estão relacionados em diversos graus de complexidade.

Quando as novas gerações em seu processo de amadurecimento absorvem os valores que lhe são transmitidos pelas gerações no poder, via de regra, o fazem por imposição.

Sendo mais claro.

Raramente permitem a uma criança que escolha de fato sua linha de pensamento, sua forma de ser.

O que acontece é que a criança vai absorvendo e reagindo aos estímulos externos.

O modo de viver do pai e da mãe, do ambiente familiar, a classe social, as condições de vida e a linha religiosa que o grupo familiar segue vão dando a criança referenciais sobre como deve agir no mundo.

Há um discurso educacional, informal no lar e formal na escola, mas este discurso está muitas vezes em grande contradição com os atos que as pessoas praticam.

Assim a criança aprende que mentir é errado, mas a medida que cresce surpreende seus pais em mentiras e há ainda contradições mais fortes, como a mãe que certa vez vi gritando para a filha: “Não grita!”.

No ambiente escolar temos ainda problemas mais sérios pois ainda é raro o número de escolas que, de fato, são centros de “educação”.

A maioria pode ser enquadrada como centros de condicionamento.

A questão da sexualidade é um tema polêmico pois é uma das áreas onde o ser humano mais encontra bloqueios.

Não podemos nos esquecer que a cultura dominante sempre considerou o sexo sinônimo de pecado.

A educação sexual na civilização dominante é tremendamente artificial e tardia, na maioria dos lares não há um diálogo aberto e franco quanto a esta temática.
A relação entre emoção e sexo é apenas uma das facetas desta multifacetada questão.

No ato sexual encontramos o homem novamente preocupado em exercer seu poder dominador e com os modismos recentes há agora uma exigência do homem para que a mulher sinta prazer, uma cobrança, pois sente o macho que sua condição de conquistador estará ameaçada se não conseguir produzir prazer na parceira.

As muitas faces da dominação masculina.

Antes era pecaminoso e vergonhoso a mulher sentir prazer, agora ela “tem” que ter prazer para o parceiro sentir-se o poderoso sedutor.

Assim , o homem cobra da mulher o prazer, o gozo para garantir que seu papel é perfeito, ele não apenas possuí a mulher, mas é tão poderoso que a faz sentir prazer.

Esse é o enfoque para muitos.

“Eu dou prazer a minha parceira”.

Aliás os termos associados ao ato sexual denotam bem como ele é encarado.
“Possuir uma mulher”; “Fazer amor”; são dois termos que revelam a profunda incompreensão por detrás da sexualidade. Pensem nos outros!

Não podemos deixar de lembrar que existe um componente biológico, instintivo no sexo, regulado por hormônios e mecanismos outros puramente ligados a continuidade da espécie.

Como Tantrista gostaria de abordar a sexualidade neste artigo.

O renascimento do feminino pode nos levar a um novo enfoque da questão sexual.

Novamente gostaria de lembrar que considero o renascer do feminino como algo muito importante não só às mulheres, mas também a nós homens que podemos recuperar o contato com nossa anima em toda sua amplitude e assim recuperar nossa condição de homens, perdida quando a civilização dominante nos limitou a sermos machos.

Mas o homem ao dominar o mundo impôs também quais seriam os arquétipos permitidos a mulher, assim a mãe se tornou a via predominante, ao lado da virgem.

A mulher pode então ser mãe, ou ser pura e virgem, mas é desprezada, de forma explicita ou implícita se ousa aderir a outros arquétipos, não oficiais.

Antes de mais nada o que é o Tantra?

Sob este termo existem linhas tão contraditórias que seria bom começarmos por estabelecer o que entendemos por Tantra.

Ao contrário das religiões que conhecemos, alguns ramos orientais não colocam o sexo como algo pecaminoso ou maligno.

Consideram que o sexo, como algo dotado de poder, pois é capaz de gerar uma vida, coisa que você nunca conseguiria rezando, por exemplo.

Como dizia um ocultista que conheci, com seu jeito irreverente:

- “Reze trinta terços ao lado de uma mulher e ela quando muito dormirá, mas uma única relação sexual concluída e o milagre da vida se manifesta.”
Para entendermos o Tantra temos de compreender certos paradigmas das culturas que o adotam.

A visão do ser humano é um dos pontos fundamentais.

Para o mundo racionalista o ser humano é um conjunto de átomos que se organizaram em moléculas que se organizaram em organelas, que se organizaram em células, que se organizaram em tecidos, que se organizaram em órgãos que se estruturaram num organismo.

No artigo anterior citamos a visão mecanicista ainda dominante no pensamento científico, dentro da qual somos apenas máquinas complexas, compostas de partes que se juntam e criam um corpo.

Assim faz parte dos instintos, uma espécie de “programa” dessas máquinas, estabelecer um conjunto químico de estímulos e respostas que levam um homem a procurar uma mulher e a liberar dentro dela seu sêmen para que os genes se encontrem e a vida continue.

Essa abordagem nada tem a ver com a visão de outros povos que consideram presente no ser humano um outro aspecto, algo que podemos chamar de espiritual, embora este termo também tenha sido muito deturpado.

Note que as religiões mais conhecidas apenas citam que existe um algo a mais no ser humano, confusamente chamam esse algo a mais de “alma” ou “espírito” e o contrapõe ao corpo.

Nas religiões oficiais a alma é algo que pode se salvar ou se perder pela eternidade se o seguidor acata ou não as verdades prontas que a religião lhe dá.
“Aceite sem questionar nossas verdades e será salvo, questione e penará no fogo eterno.”

No fundo esse é o regulamente implícito na maior parte das religiões.

Ainda, para uma grande maioria dos seres, mesmo entre os tidos por “esotéricos” o corpo é o veículo impuro e imperfeito onde a alma está “presa” neste mundo de dor e sofrimento.

Assim negar o corpo e seus “desejos” impuros é o objetivo mais ou menos confesso de muitos, e, por extensão, o sexo faz parte das impurezas a serem “sublimadas”.

Para os xamãs e certos ramos do misticismo oriental somos muito mais que isso.
Somos um todo complexo , energia em vários graus de manifestação.

Essa energia é dual, não em oposição, mas em complementação.

Assim o corpo físico é a densificação de uma outra realidade, uma realidade que podemos chamar de energética sutil.

Dentro do conceito físico moderno, que matéria é apenas energia condensada, fica mais claro, quer falemos do corpo físico quer de sua contraparte energética, que estamos apenas falando de dois aspectos de um mesmo fenômeno.

Num mundo onde sabemos que a luz e o elétron é um fenômeno complexo que se manifesta ao mesmo tempo partícula e onda fica mais fácil lidar esse aparente paradoxo.

Assim como o gelo e a água num copo são dois estados diferentes da mesma substância o corpo de energia e o corpo físico são dois estados diferentes da mesma energia universal, atuando em meios distintos, mas mutuamente equilibrados.

Mas cada um desses dois planos tem suas leis e suas peculiaridades, entretanto não se opõe, complementam-se.

Em nenhum momento o puro misticismo apóia a divisão esquizofrênica que se estabeleceu entre corpo e espírito.

Para podermos de fato entrar em níveis mais amplos de consciência, nos chamados estados amplificados de consciência, ou ainda, nos estados de consciência intensificada precisamos de energia.

E aqui uma analogia pode nos ser útil.

Os elétrons ao redor dos núcleos atômicos não estão aleatoriamente distribuídos, mas existem áreas que eles tem a tendência de existir.

Essas áreas são chamadas de orbitais.

Para um elétron passar de um orbital mais perto do núcleo para outro mais distante ele precisa ter energia para isso.

Analogamente dizemos que a percepção para ir a níveis mais amplos de consciência precisa ter energia.

Sabendo o imenso poder do sexo fica claro que podemos dele tirar essa energia que necessitamos.

Estamos num campo científico, não o cientificismo estreito, mas ciência no sentido de conhecimento acumulado por observação e experimentação.

As religiões conhecidas são extremamente moralistas e se baseiam apenas em dados morais absolutos para falar de evolução.

A ciência dos iniciados, dos yogues, dos budistas esotéricos, dos lamas e dos xamãs tem um aspecto ético sem dúvida, mas vai muito mais além.

Sabe que estados mais amplos de consciência são atingidos por trabalhos específicos que envolvem a ampliação da energia pessoal.

Dois caminhos existem àquele que deseja ir a estes níveis mais amplos de consciência, não ocasional e acidentalmente, mas de fato nele mergulhar e aí viver.

Um é o celibato.

É um caminho válido para alguns e caracteriza-se pelo abrir mão da sexualidade, levando assim a energia a fluir para dentro e a sustentar os novos estados perceptivos.

Entretanto existem aqueles que mesmo sem abrir mão da sexualidade continuam no caminho da ampliação da consciência.

A estes o Tantra é a ferramenta adequada para que possam aprender a canalizar sua energia ao invés de desperdiçá-la inconscientemente.

O Tantra tem sido usado atualmente por muitos como desculpa para uma sexualidade desequilibrada por parte de indivíduos que possuidores da preguiça e da arrogância típica não desejam fazer nenhum trabalho sobre si mesmos e acreditam que a evolução acontece por inércia.

O aspecto sexual é um dos lados desse complexo caminho.

A meditação, os pranayamas (exercícios respiratórios) e outros tantos exercícios, além de um profundo trabalho psicológico são partes importantes e inseparáveis do Tantra, sem os quais teremos apenas desequilíbrio.

Não há como aprender Tantra em livros.

Como todo os conhecimentos profundos e dotados de grande poder o Tantra exige estudo e supervisão.

Aprender Tantra por livros é tão tolo e perigoso como se alguém tentasse aprender a nadar em um rio de forte correnteza a partir de um curso por correspondência.

Fomos criados em uma civilização muito desequilibrada e é óbvio que nossa psique ficou muito afetada por isso.

Portanto temos que trabalhar com nossa própria realidade interior antes de dar qualquer passo nesse caminho.

Certo dia, quando estava no começo de meus estudos, preparávamos um canteiro para plantar.

Cavamos um buraco e peneiramos toda a terra antes de montar o canteiro.

Quando estávamos colocando o adubo orgânico a pessoa que nos orientava nos alertou para o fato de que se não houvéssemos antes peneirado a terra, liberado das ervas que não serviam aos nossos propósitos, aquela adubação estaria na verdade fortalecendo da mesma forma as ervas medicinais que plantávamos e as ervas que iriam sufocá-las.

Essa imagem volta agora a minha mente intensamente quando abordo a questão de prepararmos nosso terreno psíquico antes de o adubarmos com a potente energia sexual.

Como homem não compreendo o treinamento feminino para o Tantra, embora saiba que é profundamente diferente do nosso.

Mas sei que nesta primeira fase ele é idêntico.

Homens ou mulheres temos que começar nosso trabalho pelo psicológico.

Temos que remover aquilo que não somos, que foi imposto pelo condicionamento desequilibrante que chamamos de educação.

Homens ou mulheres somos entidades complexas, essências adormecidas envoltas por personalidades que se desenvolveram em respostas aos estímulos do meio.

Se concordamos que o meio é desequilibrado diferente não pode ser o estímulo que dele recebemos e menos pior não é o efeito.

Fica pois o alerta aos que dominados por uma imaginação doentia vêem no Tantra uma nova forma de satisfazer suas taras sexuais.

Para um tantrista a mulher é o mistério supremo.

Gosto de comparar o Tantra ao surf.

No surf convencional você está ali, esperando antes da rebentação sua onda.

De repente ela vem, te leva, você faz parte da onda, flui com ela, mais e mais e mais e de repente ela se vai e acaba.

É uma rápida queda.

Como no sexo, quando vem a ejaculação.

Mas no Tantra é como se a onda não acabasse, mas em uma possibilidade espiral se tornasse mais e mais ampla, engolfando sua percepção num êxtase sublime , onde a mente concreta se cala, onde somem as fantasias e cada célula do corpo entra numa ressonância orgástica incapaz de ser expressa em meras palavras, estas toscas ferramentas nas quais nos apoiamos para descrever o que vai tão além delas.

Nada mais distante da vida que a fantasia.

Quando fantasiamos ao invés de estarmos presentes aqui e agora estamos jogando pela janela este dom maravilhoso, mágico que é o momento presente, único, irrecuperável.

Também no Tantra a fantasia inexiste.

É a contemplação entre os amantes, o observar do que são de fato, o brilho do olhar trocado, progredindo para as carícias, que vão pouco a pouco alimentando o fogo alquímico do sexo.

A mulher tem uma característica que noto é ignorada por grande parte delas.

Enquanto nós homens desde a puberdade até a andropausa somos sempre férteis, as mulheres todo mês tem um período no qual não são férteis.

Isso é muito revolucionário.

Vocês mulheres tem um período no qual estão livres do domínio biológico do instinto, não há um estímulo hormonal gritando:

“ Misturem os genes, continuem a espécie.”

A profundidade dessa informação não foi ainda suficientemente compreendida pela maioria.

Eu posso apenas dizer o que vejo nas mulheres xamãs com as quais convivo, que sabem ser a famosa T.P.M. (tensão pré menstrual) apenas um sinal da imensa porta que pode se abrir para todas as mulheres nesse período.

O nível de poder que observo nas minhas companheiras nesse período é algo que não posso descrever aqui, apenas citar, numa pálida alusão a este ser maravilhoso chamado mulher que felizmente pude aprender a respeitar e amar me libertando do condicionamento desta cultura decadente que ainda nos domina.

Portanto para um verdadeiro tantrista a mulher é o mistério supremo.

É a face amante da Deusa, que nos permite ir além de nossos limites, que nos nutre de uma nova energia, a qual não temos como encontrar em outra fonte.

Se a face mãe da Deusa nos amamentou quando éramos indefesas crianças é a amante que nos dá esse novo alimento que nos torna homens de fato, orgasticamente felizes.

A felicidade é profundamente ligada a realização orgástica, mas a realização orgástica não é apenas sexual.

Sugiro uma leitura atenta da obra de W. Reich para os que desejam ir mais fundo nessa questão partindo do enfoque psicanalítico.

Reich é importante porque ele é um cientista, que esteve dentro da psicanálise tradicional e depois foi se ampliando, indo mais longe, constatando e descobrindo o lado concreto do processo, o corpo, a energia, os “nós” que o corpo pode apresentar interrompendo o fluxo equilibrado da energia da vida.

Reich e Osho foram dois grandes nomes que abordaram a sexualidade de forma ampla e aberta e ambos foram mortos por esta coisa terrível, esse sindicato das sombras que mantém o poder nos Estados Unidos da América.

Nossa relação com a energia pessoal é muito equivocada.

Se não temos energia nos sentimos enfraquecidos, sem resistência.

Mas quando a energia está presente muitos se sentem agitados, sem saber o que fazer com ela.

Quantas vezes ouvimos frases do tipo: “Preciso descarregar um pouco , estou com muita energia.”

E para muitos o sexo é essa via de descarregar.

Note assim que tais pessoas praticam o sexo no sentido oposto do tantrista.

Eles se “descarregam” com o sexo, enquanto um Tantrista carrega-se.

Este carregar é importante e aqui está uma das chaves que os Xamãs vêm quando tentam entender a subjugação da mulher pelo homem.

Grande parte dos homens não conhece o prazer além do prazer animal, puro instinto.

Como já citei atrás o homem tem uma constância do período fértil.

É a velha justificativa masculina para o comportamento volúvel e infiel que a grande maioria apresenta.

Eu entendo bem isso...

Assim muitos homens vão ao sexo, para “descarregar” tensões.

Exercer sua vontade de poder, domínio ou manifestar outros pontos de desequilíbrio, pois não podemos deixar de considerar uma análise fundamental da sociedade dominante.
Ela é neurótica.
E essa neurose vem implantada em todos os cidadãos e cidadãs ajustados e ajustadas ao sistema.

Ajustados!

Neste sexo feito com muita fome, com sede terrível, num jogo onde fantasmas interiores, fantasias e projeções acompanham o estimular dos corpos em níveis crescentes de tesão o quem comparece para a grande fusão, que é o orgasmo, não é a essência mas os egos, as máscaras, as personalidades.

Qual o problema?

Temos também muitas personalidades, a social, a familiar, a do trabalho, a de amantes.

Como somos como amantes?

Temos essa clara noção dessa face do Deus e Deusa?

Somos o Galhudo, o homem viril e guerreiro que na plenitude de seu poder e de sua vontade se funde à amante, à Terra, à mulher plena que na plenitude de seu poder e de sua vontade é parceira na dança que ambos juntos agora executam?

Esse tipo de consciência, de fusão com o Deus e a Deusa não pode ser alcançado pela personalidade.

Embora uma falsa personalidade possa ser gerada e tomar contato com esses arquétipos essa falsa personalidade é um perigo.

Por isso se recomenda antes de ir para a fase de trabalho no Tantra o estudo atento de si mesmo, para que saibamos como somos de fato e avaliarmos com segurança se temos disciplina e estrutura para o que representa o Tantra.

Pois o subir das energias pela espinha, pelos 3 canais que ali estão, é apenas um aspecto do processo.

Há muito mais que isso.

Depois que o cérebro é ativado é que começa o trabalho mais profundo.

O cérebro também é um útero e se for fecundado pela energia que não mais se perde na ejaculação permite a entrada da consciência em outros níveis, uma volta ao Jardim.

Mas isto são mistérios que palavras não conseguem abranger.

E é importante entender que se não há um trabalho consciente com a energia acumulada é melhor nunca se aproximar do Tantra, pois seria o mesmo que aumentar a pressão dentro de um recipiente frágil.

A explosão seria o resultado final.

Para os que criticam os celibatários, inclusive certas correntes que negam a possibilidade de desenvolvimento espiritual por este caminho gostaria de lembrar que a Terra também é mulher e assim é não apenas mãe , mas também amante e um xamã pode dela ter o mesmo que um tantrista tem de uma mulher.

Pelo que sei as mulheres podem também Ter no Sol seu parceiro, mas aqui também entramos no campo dos mistérios.

Não segredinhos tolos, jogos de poder com palavras, mas quando falo mistérios falo de níveis de conhecimento que só podem ser vivenciados, onde todo falar é apenas aludir, nunca explicar.

Isto é dito de forma muito superficial, pois é parte do mistério que os Xamãs dominam.

Mas estou falando do celibatário equilibrado, não do reprimido.

O Tantra pode ser usado como perversão e o celibato como repressão, mas o fato de poderem ser deturpados não torna esses caminhos, quando equilibradamente praticados, menores.

Como tudo pode ser deturpado o Tantra também o pode de forma consciente ou inconsciente.

Uma das afirmações mais polêmicas que os videntes Toltecas fazem é de que a mulher não apenas mantém a vida biologicamente gerando e amamentando suas crias.

Quando um homem se relaciona sexualmente com uma mulher no momento da ejaculação ele deixa tentáculos energéticos dentro dela, que o alimentam de energia por 7 anos.

Dado a complexidade deste tema apenas o cito, como alerta para as mulheres que ainda não associaram sua condição de subjugação energética em nossa sociedade com o fato de os homens a possuírem.

A liberdade sexual é algo bem distinto da libertinagem.

Não somos moralistas, repudiamos mesmo essa abordagem, apenas estamos falando de equilíbrio.

A sexualidade é um tema sagrado, no mais puro sentido deste termo.

Estes raciocínios são importantes para aqueles que desejam trilhar um caminho de desenvolvimento mais profundo, iniciático.

Para uma vida “comum” não têm nenhum valor, não estão nessa esfera.

Assim como a disciplina de um atleta é desnecessária a uma pessoa de vida “normal”, mas ainda assim uma caminhada e uma alimentação balanceada ajuda a todos.

Insisto : Liberdade é algo bem diferente de libertinagem.

A famosa frase: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei” tem sido citada como os crentes citam frases da Bíblia.

Fora do contexto onde foi gerada.

Há que existir um “Tu” pleno em vontade, que não é desejo.

E a maioria das pessoas é um amontoado de egos em conflito, de estilos de agir, emocionar e pensar que lhes foi imposto.

Quando estamos num caminho iniciático, como o é o Tantra, outras considerações se fazem presentes que vão muito além do senso comum dominante em nossa cultura consumista.

O poder da mulher é fascinante.

A aparente fragilidade e desequilíbrio que encontramos em muitas mulheres tem a mesma fonte do aparente subdesenvolvimento que as populações negras estão presas em nosso mundo ocidental.

A linha dentro da qual foram criadas leva a este estado.

Há um absurdo citando o atraso das populações negras como karma de Lemurianos.

Isso é apenas preconceito disfarçado.

Cada ser é o momento e pode pelo momento trabalhar o que vem até ele nos fluxos do existir.

Mas se é criado dentro de um contexto que não lhe permita o pleno desenvolvimento de suas capacidades e mais, reprime e cria condições para prejudicar esse desenvolvimento é óbvio que a causa desse efeito não precisa ser buscado em passados tão remotos.

O mesmo ocorre com a mulher. Uma mulher é enfraquecida desde cedo, limitada e muitas vezes tem pobres exemplos submissos e frágeis dentro do seu lar para se espelhar.

Como a população negra, ainda se recuperando da condição desumana a qual foi exposta por tanto tempo, isolados de sua linha cultural e doutrinados para se sentirem inferiores.

A analogia devia ser bem meditada sobre quem quer entender técnicas de dominação e limitação do desenvolvimento.

Embora usem agora outras tecnologias será que os donos do mundo nos vêm de forma diferente?

A energia sexual é a mais alta energia que o organismo gera em condições naturais.

A alquimia do Quarto Caminho a chama de “H SI 12”.

Assim é óbvio que este tremendo poder deve ser melhor compreendido.

A tremenda energia envolvida no sexo pode ser canalizada ao invés de ser apenas gasta.

O homem durante a relação sexual vai se estimulando mais e mais, vai sendo estimulado mais e mais até que em um dado momento uma resposta neuro-química libera uma descarga do fluído seminal, onde os espermatozóides são lançados no interior da mulher começando a misteriosa e bela viagem da qual, apenas um dos milhares envolvidos, vai fecundar o óvulo dando início a uma nova vida.

Este é o caminho comum.

Mas aquele que pretende seguir o caminho da iniciação deve saber que terá que ir muito além disso.

A natureza nos preparou para irmos até um certo ponto, onde atingimos um estado de desenvolvimento de acordo com o nosso papel a ser desempenhado dentro do grande organismo cósmico.

Pense nisso, ser parte de um grande organismo cósmico.

É assim que cada xamã ou um iniciado de qualquer caminho profundo se sente.
Se quisermos ir além temos que trabalhar para isso.

Com dedicação e disciplina.

A sexualidade é um campo muito importante dentro deste contexto.

No homem a condição de excitação é observável, pois se caracteriza pela ereção do pênis.

Assim o homem só consegue realizar o ato sexual completo se estiver excitado, mesmo que fantasie para atingir essa excitação quando a parceira não o estimula.

A mulher pela sua condição receptiva pode participar do ato sexual mesmo não estando estimulada.

A famosa cena na qual o homem afoito “possuí” uma mulher que enquanto geme e pede mais olha no relógio para saber se o ‘tempo’ cobrado já passou faz parte do folclore cinematográfico de nossa cultura.

Esse aparente domínio do homem sobre o ato sexual também permite a mulher ser vítima de violências inconcebíveis por parte do macho dominador nas mais diferentes culturas.

O homem macho, que é diferente do homem masculino, tem no sexo uma de suas bases de afirmação.

Desde a adolescência é a quantidade de conquistas e não a qualidade que os homens costumam apresentar como prova de sua “virilidade”.

Me lembro de meu próprio exemplo, da necessidade que tinha e a via em meus amigos, de “catar umas minas”.

Era um jogo social, uma atividade em que nos reuníamos em certos lugares determinados, impostos socialmente também, depois armávamos o que ia rolar e íamos caçar.

No outro dia na piscina do clube , na casa de alguém ou num bar era o momento dos comentários sobre o que tinha ocorrido, o que tinha “ rolado”.

Noto em grande parte dos homens com os quais convivo que não houve um amadurecer dessa fase.

Pelos papos , pela forma que colocam suas “conquistas” fica claro que ainda abordam o tema sobre o mesmo enfoque.

Aliás eu insisto sempre que poucos homens abandonam a adolescência, pois as questões que observamos ser o centro de gravidade nas questões masculinas são as mesmas desde a adolescência, apenas mudando matizes, mas permanecendo na mesma cor.

E é a maturidade que marca o momento no qual a qualidade vale mais que a quantidade.

Assim tenho percebido como tantrista que a mulher foi tragada pela famosa revolução sexual e como em outros campos acredita que sua liberdade é apenas imitar o homem em seus desatinos.

Depois de se sentir o prazer tântrico o outro nível se torna muito insonso.
A feminilidade não é fragilidade, muito pelo contrário, é um outro nível de manifestação de um poder sublime.

Uma mulher plena que tive o verdadeiro prazer de conhecer certa vez me deu um exemplo da força feminina, comparando-a a luz do sol.

O mesmo poder que mantém planetas girando ao seu redor é capaz de atravessar a vidraça sem quebrá-la e tocar suavemente a face da criança que dorme.

É esse poder que sentimos acordar no sexo tântrico, quando nos unimos num nível muito profundo a parceira, quando nossas almas comungam e nossos corpos se fundem.

Quando junto com o prazer das zonas erógenas se estimulando, cada célula do corpo descobre ser também erógena, cada respiração, cada murmúrio é ampliar o prazer que cala a mente , traz paz ao coração e na coluna ereta, que não é reta, pois o próprio mundo é curvo, flui o poder seminal.

Olhos se tornam também fogueiras, onde mergulhamos no mistério do feminino, que pode ser citado, mas só é compreendido se experimentado.

E não tenho dúvidas que muitos homens ainda fazem a guerra por nunca terem sido amados por nunca terem sido felizes, em seu desequilíbrio é como se vingam de nós que o somos.


Guerrero/Nuvem que passa


Egrégoras e energia natural - parte 2

domingo, 9 de março de 2014

Sent: Wednesday, December 27, 2000 3:38 PM

Subject: [ventania] Egrégoras e energia natural

Olá Ventanias;
Olá Cabelos de Fogo;

Isto nos leva a um questionamento que julgo torturante e ao mesmo tempo fascinante, delicioso: o que é a Realidade? Existe uma realidade única e alguns "satélites" em volta? Ou existem diversas realidades, algumas mais densas, outras mais vaporosas, algumas mais resistentes, outras mais efêmeras...???

Existem diversas realidades, esta mesmo que vivemos tem variações e existem mundos paralelos tão parecidos com esse que sei de xamãs que acordaram nestes mundos e nunca mais voltaram para este e nem ficaram sabendo disto.

A densidade e a "vaporozidade" dessas realidades é relativa e depende do ponto de vista do observador, de onde vem e para onde vai. Efêmero me parece tudo que existe frente a vastidão da Eternidade.

Quando falamos em "mundos que geram energia" e "mundos que não geram energia" ou "mundo espectrais" é justamente para diferenciar mundos que tem relação com as propostas dos(as) xamãs que sabem ser importante ampliar sua própria energia pessoal e mundos que apenas consomem o poder pessoal do (a) xamã nada lhe acrescentando.

Assim a discussão no xamanismo vai mais longe que "realidade" ou "não realidade" e falamos de realidades condizentes com a estratégia de vida de um (a) xamã que busca a liberdade total e realidades não condizentes com esta proposta.

É bom lembrar que xamãs guerreiros (as) agem sempre por estratégia, não por princípios. Grande parte do treinamento inicial de um(a) xamã guerreiro é aprender a ver a energia diretamente, além das barreiras da socíalização. Este "ver" é interessante... Muitas vezes sonhei em ter a tal "clarividência" e a vez em que vi, de fato, me apavorei tanto, que me neguei a ver de novo... Tudo isto para anos mais tarde...livros e vivências depois... perceber que o "ver" independe de olhar... independe de forma visual... Muitas vezes é como um rastro de perfume, que passa por vc e pode ser deslocado no momento seguinte com uma simples brisa... Muitas vezes é como um toque suave de uma pluma invisível. Este "ver" deve ser constante e não basta apenas o "ver" que surge momentaneamente... E esta deve ser a maior dificuldade. Sim, VER aqui é um modo de dizer, como o sentido visual predomina em nossa estrutura ver acaba sendo usado para descrever esse estado de consciência que não é apenas visão é o corpo inteiro percebendo a realidade. Ver acontece quando calamos nosso diálogo interno, quando paramos de dizer para nós mesmos o que nos disseram que era o mundo, então outra descrição, esta mais ancestral, vinda da noite dos tempos, emerge, silenciosa em nosso interior e nos leva a perceber o mundo de forma completamente diferente da que até então estávamos habituados, para alguns caminhos isto é chamad VER, mas é mais que o sentido restrito do termo.

MAs uma egrégora não gera energia por si. Ela é alimentada, é resultante, daqueles que a geram e a mantém. Posso deduzir então que ela exige um esforço maior... Que pagamos um preço por nossas pequenas criações. Enquanto, se seguirmos o fluxo... se seguirmos a estranha e invisível estrada que guia os pássaros no inverno e os peixes na época da reprodução, então realizaremos nosso objetivo com mais facilidade, menos desgaste e profunda harmonia com o Todo. Correto dizer isto? O Taoismo e o Xamanismo Guerreiro lidam exatamente com esta proposta, descobrir os fluxos do Tao ou do Intento e buscar fluir em harmonia com eles. Note porém que não é uma proposta passiva no sentido de apenas "seguir" é muito mais complexo que isso, por isto estes temas tem que ser abordados com todo o cuidado, a mente comum do ser humano, esta instalação alienígena que trabalha muito mais contra nosso despertar que a favor, nao pode querer decodificar as coisas aqui em seus parâmetros, precisamos mergulhar em nosso sentir, na profundidade de nós mesmos para compreender mesmo o que tais termos como "fluir com o Tao" querem realmente dizer.

Ordens iniciáticas realizam ritos com certos padrões comuns em todas suas secções entre outras coisas para alimentar a mesma egrégora, fortalecer a "alma grupo" da irmandade.

Sim... Disso eu entendo...r* Passei um bom tempo alimentando a egrégora da ordem... eu e mais um tantão de gente! E o pior é que fazíamos isto sem a menor consciência. As aulas sempre explicavam a teoria e nunca conseguíamos focalizar o que acontecia em termos de energia. Sabíamos porque acendíamos a pira, porque cantávamos um mantra, porque saudávamos os 4 cantos e os 3 Mundos... Mas, de fato, não sabíamos o que acontecia com nossa energia.

Isso acontece em muitas ordens que dizem ser da "mão direita" , não por "maldade" mas por desconhecimento de muitos que dela fazem parte. Com a pretensão de serem os "bonzinhos", logo os favoritos e especiais do unvierso, tais ordens deixam de explicar que fazem parte das mesmas leis que todas as outras formas de manifestaçao humana e que a energia é usada nestes grupamentos dentro de certas leis, como estas que comentamos. Há um dado mais sério aqui, muitos dos ritos dos povos nativos foram criados com finalidades específicas para um povo e região. Esses ritos foram criados para que tais pessoas naquele momento e naquela região se sintonizassem com poderes específicos. Outros ritos foram gerados para dar continuidade a função do ser humano enquanto vida orgânica sobre a terra, captar energia que vem da Eternidade, metabolizá-la e entregá-la a Terra, ao Ser Terra e vice versa, captar energia do Ser Terra e metabolizá-la para que possa seguir a escala ascendente. Assim existem ritos que até hoje são celebrados por imitação que serviram em um tempo e espaço para funções que hoje estão perdidas, tais ritos viram um simulacro, onde podemos "agitar a luz astral" mas pouca coisa além conseguir. Tudo isso deve ser meditado antes de nos pormos a fazer ritos de ordens e "irmandades", ritos que algum pesquisador "catou" em livros ou assistindo pessoas que imitaram a forma mas perderam, em alguns casos, o conteúdo. Povos inteiros guiados pelos seus homens e mulheres xamãs deixaram essa realidade e foram viver em outros mundos.

Acho isto absolutamente fantástico! Esta é a explicação mais maravilhosa que encontrei até hoje para a tal imortalidade que julgo ser possível e pela qual já arrumei tantas brigas...r* Quando falo que algo é possível, não digo que seja comum, corriqueiro, facilmente acessível ou vulgar... Mas que é "alcançável"..."atingível"...

Cara amiga, esta é a essência de todo o xamanismo guerreiro, assim como do Taoismo que estou aprendendo e de ramos esotéricos do Budhismo, de certas escolas de Yoga e de tantos outros caminhos chamados de iniciáticos. A imortalidade, ou melhor dizendo, a continuidade de nossa existência singular é "possível", é "alcançável", é "atingível" mas precisa de muito, muito trabalho e é este trabalho que o caminho do xamanismo guerreiro propõe.

Vc tb questionou aqui o valor das palavras. Vivo fazendo isto, até mesmo por cacoete profissional. As pessoas se apegam por demais às palavras e não conseguem ir além do que se fala ou escreve. Baseados nisto, grandes caras (xamãs, gurus, iluminados ou seja lá qual título recebam) desenvolvem dispositivos de linguagem para testar, tensionar, levar ao limite seus discípulos, seguidores e etc...

Somos criaturas de sintaxe. Eu noto que alguém está realmente entrando no Caminho da ARTE quando começa a questionar as palavras, o vocabulário que usava, quando começa a perceber o quando estava enredado em frases e definições que nada diziam de fato. Questionar as palavras, o falar é questionar as bases paradigmáticas que nos deram, toda ela construída em palavras. Só depois de termos lidado conscientemente com as palavras podemos ir questionar e lidar com outros niveis de condicionamentos que temos, estes não verbais.

Relembro aqui a velha história da morte e da reencarnação. Não me importa se o corpo deixará de ser este, se a consciência de certa forma permanecer, então será imortalidade... Não importa se foi necessariamente em outra época ou outro lugar... Definitivamente não precisa ser Cleópatra ou Maria Antonieta, mas se vive de forma diferente, em realidade diferente, então é similar à reencarnação. Envolve novas experiências e novos aprendizados. TEm gente que chama de mestre ascencionado...tem gente que chama de imortais... tem gente que chama de Highlander...heheheh... e com certeza poderão ser xamãs... Se alguém "nascido nesta terra onde vivemos" conseguiu, todos nós podemos fazer o mesmo em tese... E transformar tese em prática é apenas questão de ação, repetição, observação e perseverança. Teoricamente a continuidade da vida é fruto de trabalho, mas quantos trabalham de fato? Quantos dedicam suas vidas de fato a essa verdade?
O fato é que o trabalho do xamanismo é muito árduo porque ele é sem esperança, sem ilusões, luta-se por uma possibilidade, por um sonho que pode nunca ser atingido, mas com desprendimento e desapego lutamos com total foco na liberdade. Uma pessoa pode sobreviver a morte enquanto personalidade. E é aqui que o xamanismo guerreiro entra deixando claro um ponto. Uma personalidade é como um único programa dentro de seu computador, digamos o Office. Vc usa muito o office e ele acaba sendo sua identidade. O computador quebra e o office se salva e instalado num novo computador. O office pode até mesmo sobreviver fora. Mas frente a riqueza que é um computador, tudo que há nele, todos os programas, o office é uma ínfima parte. Foi isto que os(as) xamãs guerreiros(as) descobriram após milhares de anos observando. Este tipo de sobrevida era uma farsa, a Totalidade do Ser era perdida e só um aspecto continuava. Isso levou os (as) desafiantes da morte a buscarem outros caminhos. Alguns povos, como alguns grupos e mesmo alguns (as) xamãs isoladamente, criaram na amplitude da "Segunda Atenção" ilhas de existência.

Sem querer te alugar muito, queria que vc tb falasse um tantinho de Segunda Atenção.

É impossível falar da segunda atenção, podemos só aludir a ela. Chamamos de primeira atenção a este mundo, todo ele, tudo que percebemos em nossa condição usual de percepção. Existe um campo mais amplo da primeira atenção que não usamos, porque participamos muitas vezes de forma dormente e robótica da vida. A segunda atenção é tudo que vai além da primeira, todas as inenarráveis realidades que habitam as outras camadas da cebola. Os toltecas ensinam que temos dois "anéis" de poder, cada um deles conceta-nos com uma realidade. O primeiro anel de poder é este , que lida com a realidade, nasce e é cultivado em nós e então nos envolve, como uma bolha, fechando dentro de si nossa percepção e passamos a ficar presos nessa "realidade" que foi programada em nós.

As escolas de Xamanismo Guerreiro desenvolveram um método dos mais interessantes para ir ao Segundo anel, ou a segunda atenção. Perceberam que grande parte da falha dos antigos e causa de sua queda , foi justamente ir para a segunda atenção com seu "eu" normal, caprichoso e cheio de estilos de agir que tornavam tais homens e mulheres presas fáceis de armadilhas várias que existem num universo predador como o nosso. Então resolveram que o treino de um(a) xamã começa por dividir a " bolha " da primeira atenção em duas metades. Em uma metade ficam todos os conceitos de vida, em outra nada, apenas o vazio.

Então, feito isso o (a) aprendiz se concentra em reorganizar a metade que ficou com os conceitos de vida. Não que possa jogar algo fora, mas pode mudar o enfoque a importância de certos ítens. Pode por exemplo afastar a vaidade da posição de conselheira e colocar a Morte. A vaidade vai continuar ali, como a morte estava, mas agora a importância de cada uma é diferente. Então, quando a essência perceptiva tiver reorganizado sua "ilha" vai poder ir para a parte vazia da "bolha" e através dessa parte vazia, isto é silenciosa, sem conceitos prontos, encarar a Eternidade que existe fora da Bolha. Todos os mundos infinitos que não estao na Realidade oficial, estão na Segunda Atenção. A primeira atenção é uma área pragmática de atividades para um ser humano enquanto ser humano, enquanto pessoa. A segunda atenção não vem "naturalmente" é fruto de um desenvolvimento proposital e é uma área pragmática de atividades para um ser humano enquanto xamã.

É um dos poderes do Sonhar, poder criar um mundo réplica de um que exista, ou mesmo algo totalmente novo, só pelo poder do Intento do(a) xamã que assim age. Mas tais mundos são mundos espectros, mundos que não geram energia e este é o perigo de se desenvolver em corpo sonhador sem amadurecer primeiro, sem sair dos joguinhos e dos pueris paradigmas que as religiões e as pretensas filosofias espiritualistas nos deram sobre o que são "mundos evoluídos", "mundos superiores" e os "seres de luz e pureza" que nos esperam lá.

Em termos práticos, será por isto que quando sonhamos que estamos dormindo, exatamente onde estamos, então nos levantamos e tudo está como no "real" e depois fazemos outras coisas com total consciência de que não estamos "acordados", mas sonhando, quando acordamos no dia seguinte nos sentimos cansados? Percebo que isto sempre acontece assim... Será que é por estar em um mundo que não gera energia? É isto?
Pode ser ou pode não ser, para realmente irmos a um mundo que é espectral temos que ter um corpo de energia, ou corpo de sonho em pleno funcionamento e isto é raro. Este detalhe é importante no xamanismo, para entendermos realmente a ARTE de Sonhar. O ponto de aglutinação pode se deslocar para fibras em nosso interior que nos colocam em outros mundos. Mas vamos ali, nestes outros mundos, enquanto entidades perceptivas, ir com o corpo de energia plenamente funcionando é outra coisa.

O poder de cada um destes conquistadores era terrível e o povo nativo estava longe de ter a crueldade e o sadismo desses conquistadores que praticavam atrocidades para "se divertir".
Pois é... Isto pra mim é muito claro! Tanto diante de relatos históricos, quanto observando o dia-a-dia. Veja bem, se não sou cruel e nem sádica, como poderei me defender dos cruéis e sádicos? Não adianta só ficar resmungando, desejando ser "malvadona", porque não conseguiria ser assim, então, creio eu, só existe uma saída: tática do Robin Hood! Usar a inteligência, a observação, a perspicácia e a agilidade para conseguir lutar contra o "inimigo". Talvez isto seja mais ou menos o que vc chama de treinamento do xamanismo guerreiro.... É?
Também, aqui valem os ensinamentos de Mestre Yoda: um jedi, como um xamã, usa a "força" para sabedoria e defesa, não para o ataque". Se avaliarmos bem isto implica que o uso da "força" está no conhecer da Eternidade (sabedoria) e no continuar vivo e livre (defesa). Por isso no Xamanismo Guerreiro, não trabalhamos com divindades criadas pelo ser humano, ou egrégoras conscientes, buscamos diretamente na fonte, vamos a Terra, enquanto ser vivo e a seus poderes e manifestações, como ventos, cachoeiras, trovões, montanhas, chuva, vales, enfim, vamos a força manifesta em si, não a "representações" das mesmas.

É verdade... Nos últimos tempos percebi que fazer rituais tem me desgastado mais do que alimentado... Pelo menos aqueles rituais mais formais... Tenho preferido fazer "rituais" mais instintivos e naturais... Tipo, se estou cansada e sem forças, vou cuidar do jardim...mexer na terra...
Isto tem um poder tremendo, somos parte da Terra, não podemos viver sem contato com ela. Por isso os hospitais estão cheios, as farmácias vendem tanto e as pessoas andam tão deprimidas, perderam contato com o SER Terra que é nossa nutridora, que é parte de nós como somos parte dela. Quando recuperamos plenamente nossso elo com o Ser Terra surge um tipo de felicidade em nós, de plenitude, algo que não pode ser ameaçado ou tirado como outros tipos de felicidades, algo que nos torna plenos.

Se estou ansiosa demais, vou tomar um banho de cachoeira, se não tiver cachoeira, serve piscina, banheira, chuveiro...contanto que que eu esteja debaixo da água! Dia de tempestade? Claro, vou pro quintal e me molho, converso com os trovões e relâmpagos. Se estou viajando com mil montanhas em volta, me integro às montanhas, me sinto parte delas... Tudo isto funciona muito mais do que seguir regrinhas templárias e criar rituais rebuscados.
Isso é claro prá mim também, contato direto com a VIDA sem muito efeitos carnavalescos. Os ritos muito elaborados vieram sempre de grupos que estavam menos em contato com a Vida e mais com o intelecto. Tenho percebido que os rituais têm servido para testar a minha disciplina muito mais do que para "despertar poder" ou ampliar consciência. A não ser os rituais que chegam e se apresentam... como uma inspiração... como o vento que sopra no ouvido o gesto certo e a palavra adequada. Aí tb funciona bem! Para os(as) xamãs guerreiros um rito tem uma função principal: Desviar a fixação obsessiva que temos em nós mesmos, quebrar as amarras da auto reflexão, diminuir o diálogo interno. Esta é a função do rito, pois o que provoca o resultado de um trabalho mágico não é o rito, mas o poder pessoal de quem o realiza e se conseguiu ou não alinhar sua vontade com o INTENTO.

"O xamanismo guerreiro é magia, não pode reconhecer coisas como "rezar" para algum poder. O termo rezar, tal qual é usado hoje, vem num contexto de pedir, de suplicar, de um ser suplicante implorando e chantageando uma força superior, tentando suborná-la com sacríficios e promessas para que ela ceda e atenda o "suplicante".

Há tempos já percebi que pedir é complicado e, na maioria das vezes, improdutivo. Por outro lado, notei que o simples pensamento "preciso de ..." ou "isto é necessário...", quando é bem focado e depois deixamos seguir seu rumo, sempre apresenta resultado produtivo e rápido. Ainda não peguei ao certo o "jeitinho" pra poder repetir sempre que preciso, mas as tentativas têm acontecido em menor número de vezes.
O que tu citas aí mostra uma diferença entre "suplicar a uma divindade" com algum tipo de propina para ser atendido e entrar em sintonia com os fluxos da realidade para fluir naquele que leva aos resultados que almejamos.

O Ser Terra é muito mais poderoso que qualquer egrégora humana criada, é mais antigo, mais pleno, e está em sintonias com certos "planos" que nós humanos sequer intuímos existir. Assim quando nos conectamos ao SEr MUndo para agir magicamente estamos na realidade entrando em sintonia com um poder que transcende o humano e tal poder "mais que humano" é uma energia muito mais poderosa para trabalhar no alcançar dos nossos objetivos com o rito que estamos realizando que um poder "humano" por mais ancestral que seja.

Concordo! concordo! Concordo!

É bem interessante isso mesmo, isso é um dos aspectos que nós homens temos que aprender com a força feminina, ser mais maleáveis, fluir com menos rigidez.

Esse minha amiga que está comigo esses dias tem falado muito sobre isso, sobre sentir o Tao, a totalidade que é também consciente de si e que está sempre sinalizando em nosso caminho.

O mais complicado é que em determinado momento da vida nos ensinam que devemos ser racionais, lógicas e sensatas... então nossas pequeninas magias, nosso encantamento de espelho, nossas poções-refeições, nosso poder de sedução que emana naturalmente... tudo isto vai sendo podado para que possamos nos tornar "mocinhas intelectualizadas e sofisticadas". Nem pensar nesta história de mulher selvagem... instintos... desejos...loucuras... tudo muito primitivo e vulgar.

A arrogante civilização dominante programou muito bem as pessoas para acreditarem, como nas cortes, que são superiores por algum conjunto de hábitos bobos que tenham. Assim as mulheres tem sido mantidas exiladas de si e da sua magia enquanto aprendem cada vez mais a serem "machos".

Sim, isso ocorre em várias áreas com prejuízos tremendos para a feminilidade da mulher que tem que negar seus valores pessoais para ser uma mulher" forte" "vitoriosa" , " firme" , "de pés no chão" etc... Daí, normalmente após os temidos 30 anos, a gente começa a lembrar do que éramos quando crianças. De como usávamos tão bem todos os nosso sentidos e que sentíamos cheiro de coisas boas que iam acontecer... que nosso corpo arrepiava quando o tempo mudava... que sentíamos coceira quando chegava gente chata pra fazer visita... Como não tínhamos vergonha de chorar de tristeza ou dor e como era legal sumir no meio da festa pra comer doce debaixo da cama.

Recuperar tais percepções aliadas a maturidade é um prêmio.

Sabe... Cada vez chego mais à conclusão que a grande sacada é olhar o mundo com o olhar curioso de criança. Nada nos escapa e vivemos intensamente cada momento. Não precisa ninguém mostrar o caminho... Ele é O caminho. E para percebe-lo é preciso apenas observar e seguir os sinais.

A não arrogância da criança e sua espontaneidade são muito úteis, mas o Deus e a Deusa tem quatro faces, precisamos é recuperar o arquétipo do Guerreiro e da Guerreira, do Curandeiro e da Curandeira, do Ancião e da Anciã, da Mãe e Do Pai, da Amiga e do Amigo, arquétipos que se tornaram meros estereótipos em nossa época.