Nos olhos o mapa do Corpo e da Alma

quarta-feira, 28 de maio de 2014


O doce veneno de cada dia

terça-feira, 27 de maio de 2014

"Primeiro você entra no supermercado, depois na farmácia, finalmente nos hospitais e, por fim, no cemitério".

Depois as pessoas não entendem por que estão morrendo como moscas de câncer e outras doenças fabricadas.

"90% das doenças são fabricadas intencionalmente enquanto os humanos são conduzidos para o matadouro num estado de pré-zumbis" - palavras de um médico.


Xamanismo, Bruxaria, Magia - 8ª parte

sábado, 24 de maio de 2014

Dando seqüência a nossa abordagem desses temas hoje vamos falar sobre como estes caminhos abordam a VIDA. Sempre lembrando que os termos Magia, Xamanismo e Bruxaria são vastos e tem muitas linhagens que os usam, estamos falando aqui de um tipo específico de Magia, Xamanismo e Bruxaria. Para estes caminhos que estamos estudando a Vida é sagrada, assim não existe aqui a idéia que o "corpo" é "prisão" do espírito, muito menos que este mundo é um mundo de "provação" , com isto fica também fora o tema do "pecado", da "culpa".

Viver é sagrado, estar vivo é sacro, cada momento é divino, assim não temos um plano “espiritual”, “superior”, e um plano "carnal", "material", "inferior", para nós estas são divisões falsas que falseiam o que tocam.

Vivemos numa vastidão de muitas dimensões, como uma cebola, vivemos numa realidade de muitas camadas, mas cada camada tem suas próprias características, assim não temos "planos superiores" e "planos inferiores", temos planos de realidade, temos energia.

Para tais caminhos a Vida é uma aventura incrível, misteriosa, a ser celebrada a cada instante, tudo que está a nossa volta é prá ser usufruído, com equilíbrio, com bom senso, com o foco que tudo é VIDA e não coisas, assim sendo a postura perante a Vida e a Existência da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria é completamente diferente de grande parte dos esoterismos (esquisoterismos) que estão por aí e que pregam a "superação" desse mundo, que tem por meta ir para algum plano "espiritual".

A forma de sentir e estar no mundo do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia já foi a forma das pessoas em geral, quando a vida era celebrada, quando cada lugar da natureza era vivo e sagrado, as montanhas, os rios, as cachoeiras, os animais, mas este modo de ser uno(a) com o mundo foi se perdendo, primeiro pelas religiões que criaram deuses fora desta realidade, deuses fora da natureza, acima dela, desconectados dela, deuses julgadores, deuses aos quais se implora, aos quais se suborna através de seus sacerdotes.

A revolução industrial que terminou de "coisificar" tudo e todos, dentro de uma perspectiva da Bruxaria, da Magia e do Xamanismo nunca teria ocorrido como ocorreu, levando o mundo a esse caos ecológico no qual estamos.

Isto é muito interessante de abordar, a "ciência" resultante da Bruxaria, da Magia e do Xamanismo é uma ciência branda, ecológica e ao mesmo tempo com possibilidades muito mais amplas que a ciência pesada, agressiva e coisificadora que a civilização industrial desenvolveu.

A Ciência oficial criou o mito que ela é a única forma de investigar a realidade. Ledo engano, sempre existiram outros caminhos.

Precisamos lembrar que a alquimia não é a avó caduca da química, a astrologia não é a tia avó esquizofrênica da Astronomia.

São "ciências mãe", abordagens complexas e completas da natureza a partir de outros pontos de validação, de outras realidades perceptivas.

Os astrônomos ficam insistindo que a "gravidade" de tal ou qual planeta não apresenta efeitos significativos para isso ou aquilo, mas quem tá falando de gravidade?

A ciência oficial tem essa arrogância, quer limitar tudo aos seus paradigmas, como tenta fazer com a acupuntura. O fato da acupuntura funcionar leva cientistas a elaborarem teorias das mais forçadas, quando não precisa nada disso, a acupuntura já tem suas explicações, geradas há milhares de anos.

A Astrologia tem outra leitura, está lendo outro nível de energia que os planetas emanam, que resultam em efeitos reais, embora o instrumental da astronomia não possa captar tais energias.

A Alquimia foi muito deturpada, especialmente pela idéia do ouro, que muitos ocultistas, como São Germano , Cagliostro e outros fizeram veicular para justificar o soldo em ouro que recebiam como agentes de coroas e governos para espionar outros. Quem estuda alquimia sabe que o Ferro é o elemento chave e que o tal "gerar ouro" é quando muito um simbolismo para o trabalho interior, não que não seja possível gerar ouro, não é isto, mas esta não é a meta da Alquimia. Isto deturpou a alquimia que é complexa ciência mãe, só agora com a quântica a mente civilizada se encontra em condições de "começar" a compreender tal complexa ciência.

Portanto as tradições dos povos têm sua abordagem e seu valor e não são "antepassadas pueris" que agora foram explicadas e superadas pela "evoluída" ciência contemporânea.

Temos que prestar bastante atenção nisso, existem ramos do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que realmente emanam da aurora dos tempos, que têm sido transmitidos de boca para ouvido e aí estão, como tradições vivas que podem nos auxiliar no desafio da Vida, do estar vivo e do descobrir a nós mesmos.

Mas existem ramos da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria que foram "adaptados" por pessoas que fizeram leituras superficiais do tema, que não foram de fato iniciadas, que apenas se aproximaram do tema, imitaram a forma sem entender o conteúdo. Há ramos da Magia, Xamanismo e Bruxaria que se pretendem ancestrais, mas pela sintaxe das colocações, pela forma que o conhecimento é apresentado a gente logo vê que é uma leitura de pessoas desta época de coisas que "ouviram" ou "pegaram pedaços".

Por isso estudar tais campos é compreender que são Caminhos e existe uma diferença entre estudar um caminho e trilhar um caminho. Trilhar um caminho é ser cada vez mais uno com ele, por isso a Magia, a Bruxaria, o Xamanismo provocam mudanças profundas, pois nos tornam outras pessoas, nos dão acesso a outras realidades. Este é um tema importante, vamos voltar nele na próxima semana.

Nuvem que passa

OVNIs, Aliens e A Questão do Contato

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Não estamos sendo preparados para o contato oficial com alienígenas, o contato oficial é que está sendo preparado para nós. Um novo mercado se abrirá de consumidores galácticos que ao fim e ao cabo continuarão, como sempre foram, a serem consumidos. Terra, planeta restaurante, sob a nova velha direção. Venha comer e ser comido. Separar o joio do trigo, a verdade da mentira, a informação da desinformação é o nosso desafio: Qual é a verdadeira agenda por trás do chamado fenômeno OVNI?

Documentário com legendas em espanhol. Agradecimentos ao Eduardo Fontana.

Xamanismo, Bruxaria, Magia - 7ª parte

Dando continuidade a uma abordagem de certos caminhos de Xamanismo, Bruxaria e Magia que não fazem parte do que o senso comum tem apontado como tal, vamos hoje entrar em outro tema importante.

Comentei em artigo anterior que o conceito de Divindade para o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia Telúrica que estamos estudando aqui é completamente diferente do conceito comum que se tem da divindade, mesmo nos ramos tidos por esotéricos. Para nós, a Existência, emana da inexistência, emana, não "é criada", mas emana o que implica em toda uma abordagem fenomenológica distinta daquela que vem de um "deus criador" .

Se tudo emana, emanamos também e temos assim elos profundos com tudo mais que foi emanado, outra abordagem, ao invés de criaturas diversas, seccionadas e a parte, somos uma teia de eventos inter-relacionados.

Para nós xamãs, bruxos e magistas telúricos somos todos (as) parte da ETernidade, não "criaturas", e sendo partes somos igualmente misteriosos, complexos e assim da formiga à estrela, somos todos (as) complexidades existenciais distintas. Dessa forma toda vida passa ser sagrada, toda manifestação da vida é sagrada e o fato da atual civilização dominante ter rompido esse pacto com a vida, com a criação de uma civilização dominadora, belicista, degradadora do meio é um alerta que algo vai muito errado com a humanidade, que pode estar em perigosa rota de extinção planetária.

Para nós, nestes caminhos, a vida e a consciência são mistérios supremos e impregnam várias estâncias da realidade que nos circundam.

Não há vida "superior" ou vida " inferior" há "VIDA" , tão pouco consideramos o ser humano mais consciente que os animais, são diferentes , mas não superiores ou inferiores, lógico que para os paradigmas dominantes isso não é aceito, o próprio esoterismo do senso comum vai contra isso colocando que a "pedra evolui em planta, a planta em animal e o animal em humano”. Negamos isso aqui, cada momento da vida e da consciência é completo em si.

Hoje se começa a questionar esses conceitos neo-darwinistas de evolução que o esoterismo do senso comum se impregnou no século XIX principalmente, (pois no século XX pouca coisa nova foi gerada neste campo, muito se copiou, mas poucos geraram pelo menos consultas a fontes mais sólidas).

Principalmente o espiritismo e a teosofia usaram muito desses paradigmas, dessa "evolução espiritual" pela linha do tempo, mas isto hoje é questionado até mesmo em termos de física quântica quando vamos perceber que são ilusórias as idéias de passado e futuro que temos, fruto do senso comum e não fatos experimentais.

O xamanismo, a magia e a bruxaria telúrica enquanto caminhos nunca entraram por estas veredas, mantiveram sempre uma abordagem bem própria da realidade, que agora, com novos instrumentais cognitivos, começam a fazer sentido mesmo para quem não é iniciado nestes campos.

Tais elaborações racionais muito específicas tem seu apelo, é verdade, mas isso parece ter tanto valor porque manifestamos tais elaborações neste contexto alienante e alienado que chamamos de realidade, um estado de ser artificial e convencionado.

O ser humano se arroga direitos que ninguém lhe deu. Para os (as) xamãs, bruxos (as) e magistas a realidade é composta da somatória de suas partes, assim cada ente vivo neste planeta e no universo como um todo tem seu papel.

Discutir superioridades de papéis é como declarar que células de um órgão são mais importantes que de outros.

Cada ser vivo enquanto espécie está seguindo complexo caminho existencial, onde representa um papel que só quem é "irmanado" a tais linhagens pode mesmo entender que não é racionalizar, mas sentir.

Quando os golfinhos mergulham e ficam longo tempo desaparecidos da vista humana, quando as baleias entram em seu transe com seus mântricos cantos, sabemos mesmo o que estão fazendo?

Que tessituras de poder estão tecendo?

Que mundos visitam?

Nos tempos ancestrais as manadas de elefantes caminhavam em longas jornadas para ir acompanhar os seus anciões na última viagem, viagem até o lugar onde estes mágicos e poderosos seres haviam, por gerações, escolhido morrer.

Os famosos cemitérios de elefantes, lugares sagrados, onde o poder de gerações desses seres esteve contido, de repente se determinou que tais lugares deveriam ser explorados, porque quem, em juízo e lucidez, vai dar valor a histórias bobas de nativos supersticiosos que grandes desequilíbrios viriam ao mundo se tais lugares fossem profanados?

Todo povo ancestral tinha áreas que declarava: "não é área para humanos". Montanhas, cavernas, locais em deserto ou florestas, áreas sagradas onde a presença humana não devia ocorrer.

Quem respeita isso hoje?

Lidar com Xamanismo, Magia e Bruxaria é muito mais complexo que brincar com alguns símbolos, algumas vestimentas, decorar meia dúzia de termos em alguma língua antiga, induzir transe por alguma prática repetitiva e chamar o agito da luz astral, o deslocamento superficial da consciência de "transe".

Tais Artes vem de um tempo em que a forma de existir e ser era outra e assim tudo era diferente.

Implica em reconectar outra abordagem da realidade, muito, muito distante da hoje dominante.

É preciso uma profunda abertura de nossa percepção para irmos além dos limites conceituais nos quais esta civilização nos prende e realmente mergulharmos nos paradigmas oriundos de uma civilização onde ser humano, plantas, animais e entes de outras esferas viviam em contato íntimo entre si.

Este artigo é uma introdução ao tema "Xamanismo, Bruxaria e Magia, são caminhos espirituais?" que será o próximo a ser enviado.

Nuvem que passa

Da servidão moderna

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Princesa Isabel, a lei áurea ela assinou, no dia 13 de maio a escravidão se acabou (2X). Na Aruandê, na aruandê, na Aruanda (2x)! - ponto de Umbanda dos Pretos-Velhos.

Hoje, 13 de maio, dizem que a escravidão acabou. Ou terá ela assumido novas formas?

 O problema do trabalho, seja ele qual for, não é o trabalho, é a repetição, é a rotina, é o fastio. Seres humanos não são máquinas, são criadores, assim o trabalho deve ser criativo para tornar-se divino, de outra maneira ele torna-se o inferno da rotina, a marca do "capetalismo", que transforma o ser humano num produto a ser consumido.


O Poder do Mito - com Joseph Campbell

sábado, 10 de maio de 2014

Uma aula de xamanismo, de mitologia, de vida! Fantástico documentário-entrevista com Joseph Campbell, em seis partes, o grande estudioso da mitologia de todos os povos. Didático, claro, cheio de empatia, brilhante, fascinante são termos que podem ser usados para esta entrevista genial. Através dela compreendemos como a nossa mente é formada pelos mitos que integram a nossa cultura e, portanto, como podemos ir além dos limites da mesma. Esses são os temas e os links:

A Mensagem do Mito
https://www.youtube.com/watch?v=5OD6vd6lvlc
A Saga do Herói
https://www.youtube.com/watch?v=oJCvAlx9kYs

Os Primeiros Contadores de Histórias
https://www.youtube.com/watch?v=ZGja3mKP_3s

Sacrifício e Felicidade
https://www.youtube.com/watch?v=N1rwVbiS8pM

O Amor e a Deusa
https://www.youtube.com/watch?v=kcgZXm6_KYw

Máscaras da Eternidade
https://www.youtube.com/watch?v=NrFHh4WJNL8


Via 4 shared. Parabéns ao pessoal do CineDocumentário!

A Mensagem do Mito - 1ª parte 2ª parte 3ª parte

A Saga do Herói - 1ª parte 2ª parte 3ª parte

Os Primeiros Contadores de Estórias - 1ª parte 2ª parte 3ª parte

Sacrifício e Felicidade - 1ª parte 2ª parte 3ª parte

Amor e Deusa - 1ª parte 2ª parte 3ª parte

Máscaras da Eternidade - 1ª parte 2ª parte 3ª parte

Os links acima do documentário são legendados em português do Brasil. Abaixo colocamos um link, via Torrent, em inglês.

Via Torrent, DVD completo AQUI!

Xamanismo, Bruxaria, Magia - 6ª parte

terça-feira, 6 de maio de 2014

Xamanismo Urbano é um ramo contemporâneo da ancestral árvore do Xamanismo.

Xamanismo é o conhecimento dos povos ancestrais, ao contrário de cultos de povos que já foram completamente exterminados, assim só podemos estudá-los indiretamente, o xamanismo ainda tem linhagens vivas em todos os continentes, que vem transmitindo o conhecimento de boca para ouvido desde antes da aurora do tempo e o faz ainda hoje. 

O Xamanismo nesse sentido é um conhecimento vivo, que tem uma energia de transmissão.

Nas tradições isto é algo muito interessante de ser avaliado. Existem tradições que foram geradas dentro desse tempo-espaço, assim tem a energia deste tempo e espaço. Outras tradições vem de antes do tempo, trazem consigo uma energia de fora, um algo diferente que não pertence a esta realidade.

É este poder, esta baraka , esta graça que uma TRADIÇÃO transmite a quem nela se inicia. Uma energia que não é desta realidade, vem de antes, de tudo que temos por realidade surgir. O Xamanismo, embora este termo hoje seja usado também por pessoas que copiam a forma mas pouco entendem do conteúdo, é um caminho que sempre propõe um estado de viver que é bem mais que o sobreviver ao qual estamos expostos.

É natural que o Xamanismo sempre busque se adaptar ao tempo e ao lugar onde está, mas esse se adaptar não é abandonar sua essência, não é adulterar-se, não é fantasiar-se ou travestir-se.

Todo Caminho está sempre em sincronia com o aqui e agora no qual está.

Isto a meu ver caracteriza um caminho profundo, ele flui pelo tempo e espaço com naturalidade, leva a essência do conhecimento, não a forma, assim xamãs hoje podem estar bem mais de terno e gravata que com penas e cocares, sem que isto lhes faça menos unos à Fonte de onde tudo nos vem.

O Xamanismo tem formas inteligentes, estratégicas e mágicas de nos permitir viver nas cidades de forma mais harmônica e sofrendo menos os efeitos nefastos que a vida urbana está sempre a inflingir sobre nossos organismos.

Ondas de celular, de rádio, TV, alimentos sem energia vital, com verdadeiros venenos e substâncias agressoras em sua composição, fumaça, barulho, tudo isto a cidade nos oferece. A violência urbana, a neurose das pessoas, as atmosferas psiquícas desequilibradas que a maior parte dos lugares urbanos insiste em desenvolver, tudo isso é uma agressão a nosso bem estar.

A vida em prédios, num espaço como de um prédio quantas familias e pessoas vivem? Auras se interpenetrando, energias se misturando...

A tudo isso a cidade nos expõe, mas não nos ensinaram a lidar com tais desafios de forma satisfatória, o consumo de remédios e drogas (drogas desde álcool e religiões fanáticas até coisas pesadas mesmo), a infelicidade das pessoas, doenças constantes, a violência, são sinais desta falência geral do sistema social que ai está.

A questão é mais profunda.

Nós mesmos, tidos civilizados, o somos, enquanto espécie há tão pouco tempo. Essa vida de cativeiro nos é recente em termos de espécie, nossa células carregam em si uma saudade imensa, ainda, de tempos em que os ritmos do sol e da lua lhes eram mais fortes que a imposição de um escravizador moderno chamado relógio.

Nossa ancestralidade selvagem é muito mais ampla e forte que os poucos milhares de anos transitando para esta sociedade que como nós, ninguém conheceu: artificial, programada, dominada de tal forma que os povos livres nem em seus medos mais profundos imaginaram.

Como explicamos à essas forças ancestrais e selvagens que gritam em cada célula nossa que devem ser "boazinhas, educadas e cordatas?" Como explicar aos tambores que batem em nosso peito que devem se calar?

Como explicar ao grito selvagem que queremos emitir que deve continuar ali, preso?
Como explicar a sensualidade que visceja de tempos em tempos como suor em nossos poros, que deve ser reprimida?

Negamos nossa selvageria, nós que nascemos em cidades. Filhos e filhas dos conquistadores, é bom que não nos esqueçamos que somos isso, os filhos(as) dos conquistadores, dos que vieram para cá e de forma direta ou indireta colaboraram para o genocídio quase completo das populações nativas.

Como você agora, colabora de forma direta ou indireta para a continuidade desse genocídio, que ocorre enquanto escrevo, estará ocorrendo quando estiver lendo este artigo. Por ação ou omissão continuamos cúmplices.

O Xamanismo é um caminho selvagem, tentar transformar o Xamanismo nestas bobeiras insossas de "disco do animal de poder"; querer gerar um "xamanismo new age" como tantos fazem e outras coisas que a gente vê por aí é mais apenas continuar com a farsa que o sistema tem lançado sobre tudo ligado a esta tradição, oriunda de povos nativos sobre os quais sabemos muito, muito pouco em termos de ciência oficial.

Pois não apenas ao genocídio condenaram a esses povos, como sua memória foi apagada da história oficial, ignorados em suas sofisticadas civilizações.

O xamanismo foi mantido e desenvolvido por povos nativos de vários continentes, mas não começa neles, vem de antes, vem dos véus além da aurora dos tempos. Isto é fundamental ficar claro para irmos as reais origens do Xamanismo, os povos nativos são guardiães do Xamanismo, não seus geradores, como uma escola de música não inventa a música, apenas aprimora e acumula técnicas e formas de ajudar novos artistas a desabrocharem cada vez com mais amplitude.

Isto é o mais importante, entender que o xamanismo não é um conhecimento humano, é um conhecimento de outras esferas que foi "capturado" quando a raça humana começou e veio se desenvolvendo, como está agora. Não é uma verdade pronta, não tem dogmas, é um campo de estudo, em aberto, onde cada praticante é desafiado a provar por si e em si o que está estudando, estudo aqui é sinônimo de prática. O xamanismo surge em outra civilização que já existiu neste planeta, que se foi, que deixou seu saber que continuou sendo "cultivado" por gerações e gerações de praticantes, até chegar a este tempo e espaço no qual estamos.

Quando olhamos para o passado os estudos científicos vão nos dizer que a Terra era do mesmo tamanho, mas isto é falso, a Terra era muito maior.

Existiam mais lugares para se ir na Terra do que há hoje, e os lugares não estavam sempre nas mesmas "coordenadas". Existem muitos lugares que existiam e "foram embora da Terra". Demorou muito para prenderem o mundo nessa descrição que temos hoje por "real", o mundo já foi muito mais desconhecido, ainda o é em certos lugares e em certos momentos, embora o paradigma geral da "mentalidade" dominante negar isso.

Essa fantastica homogeinizaçào perceptiva que vivemos nesta idade globalizada é em si uma magia interessante e espantosa, mas realizada e a serviço do interesse dos neo-senhores feudais, dos neo-senhores da guerra, das neo-companhias das índias ocidentais e orientais e dos neo-clero a que temos em nossa época que continuam fazendo o que sempre fizeram, dividir o mundo entre si, provocar discórdias e acirrar disputas para obter benefício desta divisão entre povos, buscar mercados consumidores, fornecedores de matéria prima, transformar tudo que possível em coisa a ser vendida e converter, limitar a percepção humana a seus estreitos padrões. É importante notar como isso mudou, hoje os jesuítas não são mais os campeões em obrigar outros a se converterem a seus paradigmas, a CIA tem tido muito mais sucesso.

Mas os fatos bases continuam e o Xamanismo observa tudo isso acontecendo com espanto, pois partilha da pergunta dos povos nativos:

"Por que os ventos que regem os destinos humanos colocaram no poder um povo como o homem branco? Que não ama a Terra? Nem seus ancestrais ? Nem a seu irmão, irmã, pai, mãe? Que trai seus amigos? Que não respeita suas crianças? Que condena todos nós, humanos, animais e vegetais a um fim cada vez mais evidente e próximo?

Nós xamãs-curandeiros há muito temos como fato que a Terra está doente. Muito doente, praticamente em coma. Os absurdos e desmesurados atos da era industrial geraram uma doença profunda no Ser Terra. Por isso, encontros no mundo inteiro tem objetivado gerar energias de cura, para que o Ser Terra se recupere, sabemos que se Ele se recuperar vamos conseguir ter uma mudança real no estado de consciência coletivo.

Os povos nativos celebravam a vida e os ciclos da natureza em seus cultos, não eram cultos de adoração apenas, eram cultos de "sintonização".

Os cultos "exotéricos" das religiões que foram dominando o mundo cada vez mais destruiram esse elo do Ser humano com a Terra, passaram a cultuar egrégoras, imagens de um deus distante, fora da Terra, julgando, punindo ou "agraciando" o ser humano segundo misteriosos caprichos, mas sempre necesssitando de ser "adorado", "temido", "idolatrado", assim tivemos a quebra do elo do ser humano com a Terra e com o Sol, fontes reais de vida, seres realmente vivos, fontes reais da nossa vida, para nos ligarmos a abstrações mentais de deuses feitos a imagem e semelhança dos medos e caprichos humanos.

Notem, nos cultos que surgiram, o ser humano deixa de se harmonizar com as forças do Sol, da Terra e dos Astros e outras forças cósmicas que os festivais e ritos dos ancestrais realizavam e passa a adorar uma representação abstrata de um pretenso principio único de um pretenso deus único e verdadeiro que torna toda pessoa que chame a divindade por outro nome, "infiel".

Essa passagem do contato direto com a VIDA com a NATUREZA, para uma religiosidade de adoração a "imagens" e "representações" é tida por "evolução", passagem do "primitivo e pagão politeísmo" para o avançado, progressista e evoluído " monoteísmo".

E o que fizeram esses Deuses, cada um se dizendo "único e maior", desde que começaram a ser adorados Serviram de desculpa pra toda guerra que houve desde então, até hoje, basta ligar a TV e ver esses deuses brigando, até versão 1 e versão 2 do mesmo deus (como no caso de cristãos e protestantes na Irlanda).

Sentir a Vida como Divina, logo a natureza como divina, viva e consciente é algo fundamental ao caminho xamânico. Nas cidades isto é mais difícil, por isto é mais fácil ser praticante dessas abordagens mais racionais e menos sensíveis da realidade, da religiosidade. Na cidade, com supermercados, açougues e feiras pode-se esquecer que tudo aquilo, alimento, ainda vem da Terra, depende do Sol, da chuva, dos ventos, pássaros e insetos polinizadores, do ciclo correto das estações. Assim os natais de presentes e páscoa de ovos de chocolate são celebrações mais importantes que a primavera que volta com a vida ou o momento da colheita. Para nós do xamanismo é claro que a vida tem seus ciclos, suas formas de se manifestar, isto celebramos, com estes ciclos nos sintonizamos. Na Terra e no Sol temos as forças fundamentais a Vida, sem elas nada existiria, e este poder só está ali, nenhum ser ou espectros de outras dimensões que tantas vezes atribuímos mais valor que a força viva da natureza a nossa volta, pode nos sustentar enquanto "seres vivos e conscientes".

A magia telúrica, a Bruxaria telúrica são parceiras do xamanismo nesta abordagem. Nosso corpo lê a energia das estrelas, metaboliza mesmo tal energia, mas nossos pés precisam estar no chão e temos de estar bem alimentados e saudáveis para interpretarmos corretamente o que tais forças nos mostram.

O Sol é nossa fonte de vida, mais forte que qualquer rito, que qualquer símbolo mágico, que qualquer eucaristia, lá está ele, Sol, fonte da Vida, sem o qual nada aqui existiria e mesmo que nos destruamos nessa loucura de guerras com fundo econômico que estamos gerando, ainda assim continuará lá, iluminando o céu de um planeta desolado porque os conquistadores tomaram o mundo e impuseram seu modo de ser.

O Xamanismo urbano é uma resposta.

Uma resposta da ancestral Arte do Xamanismo aos desafios que este momento está nos trazendo. Pois agora estamos no tempo em que ou nitidamente vivemos a história, como participantes atuantes, ou só nos resta "sofrer a história".

Agora, mais que nunca, precisamos de caminhos que nos ensinem a usar nossa mais profunda e poderosa magia, pois loucos dominam o mundo, esses loucos tem armas poderosas e respeito algum a vida, apenas sua insanidade e frustração existencial como guias.

Como nas antigas lendas nativas, temos de ousar sair na jornada mágica da busca de meios de nos protegermos desses loucos, para que a vida ainda seja possível a nós e nossa descendência.


Nuvem que passa.